In Evangelho do dia

34E, chamando o povo com os Seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. 35Porque quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á. 36Pois de que serve ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? 37Ou que pode o homem dar para resgate da sua alma? 38Pois quem se envergonhar de Mim e das Minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, também dele Se há-de envergonhar o Filho do homem, quando vier na glória de Seu Pai, com os Anjos santos.

E dizia-lhes: Em verdade vos digo: há alguns aqui presentes que não experimentarão a morte sem ter visto o Reino de Deus vindo já com pujança. 

Comentário


  1. Quando Jesus disse « se alguém quer vir após Mim…», tinha presente que o cumprimento da Sua missão O levaria à morte de cruz; por isso fala claramente da Sua Paixão (vv. 31-32). Mas também a vida cristã, vivida como se deve viver, com todas as suas exigências, é uma cruz que se deve levar em seguimento de Cristo.

As palavras de Jesus, que devem ter parecido assustadoras àqueles que as escutavam, dão a medida do que Cristo exige para O seguir. Jesus não pede um entusiasmo passageiro, nem uma dedicação momentânea; o que pede é a renúncia de si mesmo, o carregar cada um com a sua cruz e o segui-Lo, Porque a meta que o Senhor quer para os homens é a vida eterna. Todo este passo evangélico está contemplando precisamente o destino eterno do homem. À luz dessa vida eterna é que deve ser avaliada a vida presente: esta não tem um caracter definitivo nem absoluto, mas é transitória, relativa; é um meio para conseguir aquela vida definitiva do Céu. «Tudo isso, que te preocupa de momento, é mais ou menos importante. — O que importa acima de tudo é que sejas feliz, que te salves» (Caminho, n.° 297).

«Há no ambiente uma espécie de medo da Cruz, da Cruz do Senhor. Tudo porque começaram a chamar cruzes a todas as coisas desagradáveis que acontecem na vida, e não sabem aceitá-las com sentido de filhos de Deus, com visão sobrenatural. Até tiram as cruzes que os nossos avós levantaram nos caminhos!…

« Na Paixão, a Cruz deixou de ser símbolo de castigo para se converter em sinal de vitória. A Cruz é o emblema do Redentor, in quo est salus, vita et resurrectio nostra, ali está a nossa salvação, a nossa vida e a nossa ressurreição» (Via Sacra, II, n° 5).

  1. «Vida»; O texto original e a Neo-vulgata dizem literalmente «alma». Mas neste, como noutros muitos casos, «alma» e «vida» são equivalentes. A palavra «vida» é empregada, como é claro, num duplo significado: vida terrena e vida eterna, a vida do homem aqui na terra, e a felicidade eterna do homem no Céu. A morte pode pôr fim à vida terrena, mas não pode destruir a vida eterna (cfr Mt 10,28), a vida que só pode dar Aquele que vivifica os mortos.

Entendido isto capta-se bem o sentido paradoxal da frase do Senhor: quem quiser salvar a sua vida (terrena), perderá a sua vida (eterna). Mas quem perder a sua vida (terrena) por Mim e pelo Evangelho, salvá-la-á (a eterna). Que significa, pois, salvar a vida (terrena)? Significa viver esta vida como se tudo acabasse aqui na terra: deixando-se dominar pela concupiscência da carne, pela concupiscência dos olhos, e pela soberba da vida (cfr 1Ioh2,16). Por contraposição, compreende-se bem que significa «perder a vida» (terrena): fazer morrer, por meio de uma luta ascética continuada, aquela tripla concupiscência — isto é tomar sobre si a cruz (v. 34) — e viver, por conseguinte, buscando e saboreando as coisas que são de Deus e não as da terra (cfr Col 3,1-2).

36-37. Jesus garante a vida eterna aos que estão dispostos a perder por Ele a vida terrena. Ele deu-nos o exemplo: é o Bom Pastor que deu a vida pelas suas ovelhas Ioh10,15); e que cumpriu em Si próprio as palavras que disse aos Apóstolos na noite antes de morrer: «Ninguém tem amor maior que o de quem der a própria vida pelos seus amigos» (Ioh15,13).

  1. O destino eterno de cada homem será decidido por Jesus Cristo. Ele é o Juiz que há-de vir julgar vivos e mortos (Mt 16,27). A sentença será ditada segundo a fidelidade no cumprimento dos preceitos do Senhor: do amor a Deus e do amor, por Deus, ao próximo. Quem se envergonhar de imitar a humildade e o exemplo de Jesus, de seguir os preceitos do Evangelho por temor a desagradar ao mundo ou às pessoas mundanas que o rodeiam, não será reconhecido por Cristo naquele dia como Seu discípulo, pois não confessou com a sua vida a fé que diz professar. O cristão, pois, nunca se deve envergonhar do Evangelho (Rom 1,16), deixando-se arrastar pelo ambiente de mundanismo que o rodeie; mas influir com decisão para transformar esse ambiente contando para isso, além disso, com a graça de Deus. Os primeiros cristãos transformaram o antigo mundo pagão. O braço de Deus não empequeneceu agora (cfr Is 59,1). Cfr Mt 10,32-33 e a nota correspondente.

1. A vinda do Reino de Deus com poder não parece referir-se à segunda vinda gloriosa de Jesus no fim dos tempos ou Parusia, mas indica a expansão admirável da Igreja já na época apostólica. Desse desenvolvimento, com efeito, serão testemunhas alguns dos ali presentes. O crescimento e a dilatação da Igreja no mundo não se pode explicar senão pelo poder divino que Deus dá ao Corpo Místico de Cristo. A Transfiguração do Senhor, que se relata imediatamente, é um sinal, dado aos Apóstolos, da divindade de Jesus e dos poderes divinos que daria à Sua Igreja.

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