In Evangelho do dia

Chamando dois dos seus discípulos, 19mandou-os João ao Senhor, com esta mensagem: Tu és Aquele que está para vir, ou devemos esperar outro? 20Ao chegarem junto d’Ele, disseram os homens: João Baptista mandou-nos ter contigo com esta mensagem: «Tu és Aquele que está para vir, ou devemos esperar outro?» 21Nessa altura curou Jesus a muitos de doenças, padecimentos e espíritos malignos; e a muitos cegos concedeu a vista. 22Disse-lhes então, em resposta: Ide contar a João o que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciada a Boa Nova; 23e feliz de quem não tiver em Mim ocasião de queda.

Comentário

18-23. «São João Baptista não perguntava pela vinda de Cristo na carne como se desconhecesse o mistério da Encarnação, pois ele próprio o tinha confessado expressamente dizendo: ‘Eu vi e dei testemunho de que Este é o Filho de Deus’ (Ioh 1,34). Por isso, não pergunta: Tu és o que veio?, mas: És tu o que há-de vir?, inquirindo sobre algo futuro, não sobre algo passado. Também não devemos pensar que o Baptista ignorava que Jesus viria para sofrer, pois ele próprio tinha dito: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Ioh 1,29), anunciando assim a Sua futura imolação, que já tinha sido vaticinada por outros profetas, segundo consta sobretudo em Isaías (cap. 53) (…). Pode dizer-se com São João Crisóstomo que não era por ignorância própria, mas para que Cristo desse resposta completa aos seus discípulos. Por isso Cristo responde para os instruir recorrendo ao argumento dos factos miraculosos (v. 22)» (Suma Teológica, II-II, q. 2, a. 7 ad 2).

  1. Na Sua resposta aos enviados do Baptista, Jesus alude aos milagres que realizou como sinal de que com Ele chegou o Reino de Deus. Ele é, portanto, o Messias prometido. Juntamente com os milagres, um dos sinais da chegada do Reino é o anúncio da salvação aos pobres. Sobre o conceito de «pobre» vejam-se as notas a Mt 5,3; Lc 6,20 e 6,24.

A Igreja, seguindo o exemplo do Senhor, ao longo dos séculos atendeu especialmente os mais necessitados. Também no nosso tempo os Romanos Pontífices insistem na responsabilidade dos cristãos diante das situações de pobreza criadas na sociedade actual pela injustiça dos homens: «O egoísmo e a dominação são tentações permanentes entre os homens. Por isso, um discernimento cada vez mais apurado torna-se necessário para captar, na sua origem, as situações nascentes de injustiça e instaurar progressivamente uma justiça menos imperfeita (…). A atenção da Igreja volta-se para estes novos ‘pobres’ — impedidos (por toda a espécie de ‘handicaps’) e inadaptados, velhos e marginais de origem diversa — para os aceitar, para os ajudar e para defender o seu lugar e a sua dignidade, numa sociedade endurecida pela competição e pela fascinação do êxito» (Octogesima adveniens, n. 15).

  1. Estas palavras referem-se ao mesmo facto que o velho Simeão profetizou ao falar de Cristo como sinal de contradição (cfr Lc 2,34). Os que rejeitem o Senhor, os que se escandalizem d’Ele, não alcançarão a bem-aventurança.
  2. São João Baptista é o maior dos profetas do Antigo Testamento por ser o mais próximo de Cristo e ter recebido a missão singular de mostrar o Messias já presente. Mas continua a pertencer ao tempo da promessa (Antigo Testamento), quando ainda não se realizou a obra da Redenção. Uma vez cumprida esta por Cristo (Novo Testamento), o dom divino da graça faz que os que a recebem com fidelidade estejam em situação incomparavelmente superior aos justos da Antiga Aliança, que não receberam essa graça, mas apenas a promessa. Uma vez consumada a obra da Redenção a graça divina alcança igualmente os justos do Antigo Testamento, que estavam à espera de que Jesus Cristo abrisse os Céus também para eles.
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