In Evangelho do dia

Terminado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem embalsamar a Jesus. 2E, no primeiro dia da semana, muito cedo, foram ao sepulcro, ao nascer do Sol. 3Diziam umas às outras: Quem nos vai revolver a pedra da entrada do sepulcro? 4Mas, olhando, viram que a pedra fora já revolvida: e era muito grande. 5Entrando no sepulcro, viram um jovem vestido de túnica branca, sentado do lado direito e ficaram assustadas. 6Mas ele disse-lhes: Não vos assusteis. Procurais a Jesus Nazareno, o crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde O tinham posto. 7Agora ide, dizei aos Seus discípulos e a Pedro que Ele vai diante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse. 

Comentário

  1. Na Lei de Moisés o descanso sabático tinha-se estabelecido, com caracter religioso e em certo modo social, com o fim de que os Israelitas pudessem dedicar-se à oração e ao culto de Deus; e também como uma forma de proteger o descanso dos trabalhadores. Com o tempo, os rabinos tinham levado até ao exagero uma minuciosa casuística das coisas que se podiam e não se podiam fazer. Por esta causa as santas mulheres não podiam fazer no sábado os trabalhos que requeriam o embalsamar o corpo morto do Senhor e tiveram de esperar o primeiro dia da semana.

Desde os primeiros tempos da Igreja, este primeiro dia é chamado domingo, «dies Domini» — dia do Senhor —, porque «depois da tristeza do sábado — comenta São Jerônimo — resplandece um dia feliz, o primeiro entre todos, iluminado com a primeira das luzes, já que nele se realiza o triunfo de Cristo ressuscitado» (Comm. in Marcum, ad loc.). Esta é a razão por que a Santa Madre Igreja designou o domingo como dia especialmente consagrado ao Senhor, mediante o descanso dominical e o preceito de assistir à Santa Missa.

3.4. Sobre a forma dos sepulcros judaicos e a pedra que cobria a porta de entrada, vide a nota a Mt 27,60.

  1. Este, como muitos outros passos dos Evangelhos, mostra-nos a extremada sobriedade dos evangelistas na narração dos factos históricos. Pelo passo paralelo de São Mateus (28,5) sabemos que se trata de um anjo. Mas tanto Marcos como Lucas, limitam-se a referir o que as mulheres viram, sem mais interpretação.
  2. O amor delicado destas mulheres impele-as, na medida em que a Lei o permite, a ir embalsamar o corpo morto de Jesus. O mesmo amor faz com que não reparem em dificuldades. E o Senhor premeia essa delicadeza com outra maior: ser as primeiras que teriam a notícia da Sua Ressurreição. A Igreja sempre invocou a Santíssima Virgem «pró devoto femineo sexu»: em favor da piedosa mulher cristã. Com efeito, as mulheres, nos momentos tremendos da Paixão e da Morte de Jesus, mostram-se mais fortes que os homens: «Mais forte a mulher que o homem, e mais fiel, no momento da dor. — Maria de Magdala e Maria de Clopas e Salomé!

«Com um grupo de mulheres valentes, como essas, bem unidas à Virgem Dolorosa, que labor de almas se faria no mundo» (Caminho, n° 982).

«Jesus Nazareno, o crucificado»: O mesmo nome escrito no título da Cruz é proclamado pelo anjo para anunciar o triunfo glorioso da Sua Ressurreição. Desta forma São Marcos dá testemunho explícito da identidade do Crucificado e do Ressuscitado. O corpo de Jesus, sobre o qual se enfureceram os homens, tem agora vida imortal.

«Ressuscitou»: A Ressurreição gloriosa de Jesus Cristo é o mistério central da nossa fé: «Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, é também vã a vossa fé» (1Cor 15,14).

É também o fundamento da nossa esperança: « Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé; ainda permaneceis nos vossos pecados (…) Porque, se só para esta vida temos posta a nossa esperança em Cristo, somos os mais desgraçados de todos os homens» (1Cor 15,17.19). A Ressurreição supôs o triunfo de Jesus sobre a morte, o pecado, a dor e o poder do demônio. A Redenção que o Senhor realizou na Sua Morte e na Sua Ressurreição aplica-se ao crente por meio dos sacramentos, especialmente pelo Baptismo e pela Eucaristia: «Fomos sepultados juntamente com Ele por meio do Baptismo em ordem à morte, para que, assim como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, assim também nós caminhemos numa vida nova» (Rom 6,4). «Aquele que come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna e Eu o ressuscitarei no último dia» (Ioh 6,54). A Ressurreição de Cristo dá também a norma da nossa vida: «Se, pois, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima e não às da Terra» (Col 3,1-2). Ressuscitar com Cristo pela graça quer dizer que «assim como Jesus Cristo, por meio da Sua Ressurreição começou uma vida nova imortal e celeste, assim nós temos de começar uma nova vida, segundo o Espírito, renunciando totalmente e para sempre ao pecado e a tudo o que nos leva ao pecado, amando só a Deus e tudo o que nos leva a Deus» (Catecismo Maior, n° 77).

  1. A designação do apóstolo Pedro pelo seu nome, é uma maneira de destacar a figura de quem faz de cabeça no Colégio Apostólico, precisamente nuns momentos em que a perturbação e o desalento tinham feito presa neles. É também uma manifestação delicada de que Pedro foi perdoado das suas negações e uma confirmação do seu primado apostólico.

 

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