In alegria de servir
Por Carol Pascual
“O desenvolvimento é uma tarefa de todo cidadão e consiste não somente em mudar uma nação ou uma comunidade, mas também em contribuir para a transformação de cada pessoa. Todos podemos fazer algo”, assinala Carol Pascual, presidente da People First Society, associação estudantil de Londres que articula desenvolvimento e voluntariado.

O People First Society nasceu em 2000, quando estávamos já colaborando em um projeto de voluntariado chamado Get-On-And-Learn (GOAL), organizado por estudantes da residência universitária Ashwell House, e queríamos aprofundar nas bases teóricas deste setor. Iniciamos um intercâmbio de idéias sobre essas atividades de voluntariado que realizávamos e tínhamos o desejo de reunir estudantes com ideais altos e com o afã de mudar o mundo. A nossa intenção era a de ajudá-las a atingir essas aspirações e, ao mesmo tempo, fortalecer seu interesse por um desenvolvimento centralizado na pessoa e na preocupação pelo progresso da sociedade. Foi assim que tivemos a idéia de iniciar a associação que, em pouco tempo, foi crescendo até tornar-se uma associação da união de estudantes da London School of Economics (LSE) e da School of Oriental and African Studies (SOAS). Hoje, já conta com aproximadamente 300 membros da LSE, SOAS e de outras universidades londrinas como a University College London (UCL) e a Imperial College.

Uma das nossas primeiras atividades foi uma série de conferências chamadas Actors in Developments, sobre o desenvolvimento. O ciclo de conferências ofereceu uma visão profunda sobre o lado prático do desenvolvimento. Estudantes de diferentes áreas puderam assim adquirir uma nova percepção com relação ao tema como sendo uma tarefa de todo o cidadão. Quando se pensa nos demais e se procura colocá-los no melhor lugar, trabalha-se pelo desenvolvimento. Ao fazermos isso com o desejo de compreender e respeitar a dignidade humana, começamos a ver os demais como pessoas e a tratá-los como merecem ser tratados. O desenvolvimento não é somente mudar uma nação ou uma comunidade, mas contribuir com a transformação de cada pessoa e nisso todos podemos fazer algo.

Esta idéia de desenvolvimento se baseia nos princípios cristãos, que estão centrados no caráter único e irrepetível da pessoa, que é filha de Deus e deve ser considerada assim, tanto nos seus aspectos espirituais como materiais. People First Society inspirou-se na mensagem de São Josemaria Escrivá, que tanto falou sobre a dignidade humana. Seus escritos nos levaram a orientar nosso idealismo para Cristo. Por isso, procuramos transmitir os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja e organizamos cursos de Antropologia Filosófica e Seminários de Liderança baseados nas virtudes. Além disso, como um meio para fomentar a cristianização da cultura, começamos a organizar uma campanha para incentivar às jovens a efetuar, durante o Natal, doações para entidades caritativas, bem como a colaborar em um refeitório para pessoas sem lar.

Nosso maior evento, no entanto, é o Congresso Universitário Anual que acontece no auditório de Ashwell House. Desde que começamos, em 2001, participaram em cada congresso entre 250 a 400 estudantes de toda a Grã-Bretanha. Além disso, no primeiro ano do Congresso, organizamos como fechamento de todas as atividades do semestre um trabalho de campo no Quênia e nas comunidades próximas a Nairobi. Ali, realizamos diversas atividades educativas e de promoção humana.

Queremos chegar a todas as áreas do progresso, não somente ao desenvolvimento no sentido estrito. Por isso, com a colaboração de Ashwell House, organizamos também palestras de Antropologia e Ética Médica, e de Humanidades. Uma delas foi, por exemplo, “A clonagem em perspectiva” ministrada por Peter Garreth de LIFE-UK.

Vem-me à cabeça algumas histórias dos últimos meses. Uma foi quando, depois de um debate do Módulo de Desenvolvimento, o grupo concluiu que as medidas de controle de natalidade de uma população não promovem o seu desenvolvimento e, como conseqüência, estudaram-se idéias alternativas.

Recordo também com satisfação quando um dos membros ativos afirmou que a idéia da People First Society lhe ajudava a ser mais otimista e a utilizar os seus talentos no serviço aos demais.

O impacto da PFS é difícil de quantificar. Como disse uma das participantes no último Congresso, a repercussão deste evento é incomensurável, se considerarmos que as pessoas que o assistem serão futuros líderes do mundo e procurarão, cada um na sua maneira, colocar em prática as idéias que surgiram a partir dessa atividade. Para mim, é um pequeno triunfo que as pessoas ouçam sobre a importância de valores como compartilhar e compreender e, muito mais, quando uma pessoa se vê transformada por esse ponto de vista, que tanto difere da cultura à nossa volta. Também é interessante conhecer intelectuais com idéias cativantes e enriquecedoras e brindá-los com a ocasião de chegarem a centenas de estudantes.

Adaptação de um relato de Carol Pascual

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