Uns doces para quem te deseja a morte ?!

Por Émerson Carlos Langner
Émerson conta como o impressionou um relato sobre a misericórdia de São Josemaria Escrivá. Ajudou-o a entender até que ponto um cristão deve perdoar a quem lhe ofende.

Estava fazendo um dias de retiro espiritual do Opus Dei e assistia a uma pregação sobre a misericórdia, quando ouvi a seguinte história sobre a imensa capacidade de perdoar que São Josemaria Escrivá possuia, que relato a seguir.

O padre que nos pregava, primeiro situou-nos no ambiente da guerra civil, que ocorreu entre os anos de 1936 a 1939, na Espanha. Essa guerra também se caracterizou pelo intenso ódio religioso. Foi uma das maiores perseguições à Igreja Católica na Europa ocidental, na qual foram martirizados aproximadamente sete mil sacerdotes e religiosos. Um padre que utilizasse a batina naquela época estava praticamente morto: era como decretar a sua sentença de morte. Tanto que foram obrigados a deixar de usar a batina. Daí se explica que tenham chegado a matar um homem muito parecido a São Josemaria Escrivá, perto da sua casa, provavelmente pensando que fosse ele. São Josemaria rezou sempre, durante toda a vida, por essa pessoa que, de certa forma, morreu no seu lugar… Durante a guerra, São Josemaria se refugiu em diversas casas e abrigos, até que empreendeu a travessia das montanhas dos Pirineus, com outras pessoas da Obra, chegando à França.

Quando a guerra civil terminou, em 1939, São Josemaria retornou a Madri. A guerra já havia acabado, mas algumas pessoas ainda alimentavam um grande ódio religioso no seu coração. Como você verá no que conto a seguir.

A princípio dos anos quarenta, São Josemaria teve que tomar um taxi na cidade de Madri. Como era muito cordial e amável, logo puxou conversa com o taxista, e como se preocupava em aproximar todas as pessoas de Deus acabou falando-lhe sobre Deus; sobre a necessidade de procurar levar uma vida santa, no próprio ambiente de trabalho; de compreender e de conviver com todos.

O taxista que o havia escutado em silêncio, ao final do trajeto perguntou-lhe:

– O senhor estava em Madri durante a guerra?

– Sim, contestou São Josemaria. E de “bate-pronto”, jogou-lhe na cara:

– É uma lástima que não o tenham matado.

São Josemaria não revidou essa tremenda ofensa – desejar-lhe a morte !! – e tomou uma atitude que dificilmente eu e muitíssimas pessoas seríamos capazes de tomar: pagou o taxista (não sei se o faria depois desse desaforo) e não parou por aí. Perguntou-lhe:

– O senhor tem filhos?

E diante da resposta afirmativa, deu-lhe uma generosa gorgeta, dizendo-lhe: – Para que compre uns doces para os seus filhos.

Fiquei impressionado com essa história, e compreendi melhor o que Jesus pregava: que devemos perdoar o nosso irmão de todo o coração.

Émerson Carlos Langner