In o fundador do Opus Dei
Por Cassiano Medeiros Siqueira
Cassiano ficou impressionado com a santidade de São Josemaria Escrivá e procurou conhecer o Opus Dei. Ele conta as lições de “humanidade” que teve. Destaca a compreensão de São Josemaria, através de um episódio em que o Fundador da Obra abraça quem lhe ofende.

Recordo-me bem do dia em que vi pela primeira vez a São Josemaria Escrivá. Não tive a felicidade de encontrá-lo pessoalmente, pois quando nasci ele já estava no Céu. Mas o conheci na ocasião do Centenário do seu nascimento, quando assistia ao filme que passavam na Rede Vida naquele dia. Era o documentário “Onde quer que estejam”, que reproduzia vários trechos de algumas tertúlias que o Fundador do Opus Dei teve com muitas pessoas nos anos 70. Desde a primeira vez, tive a nítida impressão de estar vendo um santo.

Precisava conhecer a Obra que ele havia fundado. Por isso, através do “site” do Opus Dei no Brasil, coloquei-me em contato com as pessoas da Obra. Passei então a freqüentar o Centro Cultural e Universitário Marumbi, um centro para rapazes em Curitiba, cuja orientação espiritual está a cargo do Opus Dei.

Cada vez me impressiono mais e mais com a Obra, nesses quatro anos em que a conheço. Em nenhum lugar, fora da minha casa, fui tratado com tanto carinho, respeito e atenção. Sempre encontrei uma mão amiga, para levantar-me nos momentos em que tinha alguma dificuldade e empurrar-me para a frente com imensa caridade. Admirava-me de ver o sorriso, a alegria e o otimismo constantemente estampados na face de todos os que residiam no Centro, bem como o entusiasmo com que sempre falavam da vida cristã. Surpreendeu-me igualmente o grande desejo que transmitiam de aproximar muitas almas de Deus e dos sacramentos.

Desde que conheci a Obra, procurei ler os livros de São Josemaria. Também nas Palestras e meditações de formação humana e espiritual, que eram dadas no centro Marumbi, percebi que as lições de vida de São Josemaria me tocavam a fundo o coração. Talvez, dentre todas as qualidades que admiro em São Josemaria Escrivá, a que mais me comove seja a sua “humanidade”: a enorme capacidade de querer bem a todos os homens, de compreender e desculpar a todos, de procurar ajudar as pessoas que se aproximavam dele, tratando-as com uma delicadeza extremada, fina, e contagiando a todos com um amor transbordante. Por sinal, essa é uma característica marcante em todas as pessoas da Obra que conheço.

Sabemos que nunca saía da boca de São Josemaria uma palavra negativa sobre pessoa alguma, nem mesmo sobre aquelas que o perseguiam e caluniavam. Isso é algo que as demais pessoas da Obra também “herdaram” de seu santo fundador. Não é admirável que, no meio de tantas calúnias, de tantas ofensas, que hoje presenciamos nos meios de comunicação, não tenhamos ouvido nenhuma palavra de crítica negativa, de murmuração, de revide, para com aquelas pessoas que os atacam? Para mim esse é um “selo de garantia” de que a Obra é mesmo de Deus.

Há um episódio na vida de São Josemaria Escrivá que para mim é de enorme plasticidade. (Quando façam um bom filme sobre a sua vida santa – rezo para que isso ocorra -, espero que esta cena seja retratada).
Em 1929, São Josemaria Escrivá dava aulas na Academia Cicuendez em Madri. Um dia chegou na academia com a batina toda suja de branco, de gesso ou cal. Um dos seus alunos foi quem relatou o que aconteceu naquele dia, para que ele chegasse em tal estado.

Havia ocorrido o seguinte: São Josemaria se encontrava num bonde, quando subiu um operário da construção civil, que se aproximou ostensivamente, com a intenção de sujar-lhe a batina, encostando a sua roupa de trabalho nela. Vale a pena explicar que naquela época, na Espanha, já havia entre muitos, principalmente entre os da classe operária, um ódio religioso insuflado por certas ideologias. Enquanto o operário “se encostava” de propósito no padre, muitos dos passageiros maldosamente riam e aprovavam aquela tremenda falta de caridade. Ao chegar ao seu destino, São Josemaria segurou-o pelos ombros, enquanto os presentes provavelmente pensavam que o sacudiria ou faria algo semelhante. Ele, com muita tranqüilidade, disse ao operário: “Filho, vamos completar isso”. E deu-lhe um fortíssimo abraço, que acabou sujando praticamente toda a batina. E desceu do bonde serenamente, diante do assombro e admiração geral dos passageiros.

Penso que hoje tentam sujar também as límpidas vestes de São Josemaria Escrivá e da Obra de Deus. Tenho a certeza de que se ele estivesse vivo, faria o mesmo que fez naquela ocasião: daria um forte abraço em cada um, repleto de amor e compreensão, para completar o serviço.

Cassiano Medeiros Siqueira

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