Semeando paz e alegria aos meus pais

Por Francisco José Segura Noya
Francisco conta como seus pais enfrentam as doenças com sentido cristão, sabendo ver a cruz como instrumento de purificação. Relata a ajuda espiritual que lhes presta um padre do Opus Dei, semeando paz e alegria nas suas vidas.

Uma vez ouvi comentar que seu Fundador disse das pessoas do Opus Dei que seriam semeadores de Paz e de Alegria. Isto é o que fazem continuamente com meus pais.

Meu pai esteve às portas da morte três vezes: desvio grave de coluna, insuficiência respiratória, válvula intra-craneal para drenar o líquido do cérebro, cuja pressão lhe provoca freqüentes desmaios. Quando volta desses desmaios costuma comentar: “Bem, voltamos novamente da morte” (o médico diz que é muito provável que tenha estes desmaios também à noite).Meu pai nunca me disse nada diretamente, mas já usou essa frase várias vezes quando vou acordá-lo. Está com 85 anos: não pode andar, usa fraldas, diariamente sente a humilhação de que lhe tenham de lhe limpar após ter evacuado, de que lhe tenham de lhe lavar, vestir e sente uma falta enorme de passear pela rua. Está assim já faz mais de dez anos. Disse-me várias vezes: “perder a vontade de viver… nunca!”.

Minha mãe, com 82 anos, fica o dia inteiro com meu pai, atendendo-lhe no que lhe é possível. Ela também não pode passear pela rua: faz nove meses uma queda lhe provocou a fratura completa da cabeça do fêmur e lhe tiveram de pôr uma prótese. O médico que a operou foi claro: “nesta idade, uma fratura dessa envergadura tem a seguinte evolução: poltrona, cama, tumba”. Atualmente já anda pela casa, faz a comida, e não deixa de chamar por telefone diariamente para ver como andam seus netos. Teve um herpes faz dois meses que lhe deixou uma dor permanente no ventre, incontinência urinária e digestiva (é tremendamente impactante ver a cara de sofrimento de uma mulher, que foi diretora de colégio – quando as mulheres raramente completavam os estudos primários – ao ver que se lhe há soltado o intestino em qualquer lugar da casa e que não tem a possibilidade de se limpar sozinha). Chorando me diz: “Vá embora, já me limparei como possa, você não tem por que carregar com minhas misérias”. Enquanto a limpo diz sempre com a voz tranqüila: “Com isto Deus quer que me purifique das muitas vezes que fui vaidosa”. E agora, que sabe que está perdendo a memória pelo “Alzheimer”, diz: “Como vou cuidar de seu pai se não lembro se já lhe dei de comer ou não?” Quase todas as noites, quando a ajudo a deitar-se, comenta: “Hoje tardarei em dormir, pois, antes, tenho uma lista de coisas para agradecer a Deus”.

Sim, isto não é um filme, é o dia-a-dia de um casal de anciãos: de meus pais. O que o torna possível é a caridade de Cristo que entra em casa através da visita semanal de um sacerdote do Opus Dei que lhes confessa e lhes traz a Comunhão toda quinta-feira. Quando chego a casa esse dia sempre lhes noto especialmente radiantes.

Alguns comentários de meu pai: “Esse sacerdote é um dom de Deus, depois de me confessar parece que até as dores do corpo diminuem”, “Veio justamente quando mais o precisava, estava começando a perder o norte de minha existência”. E de minha mãe, que não é de muitas palavras: “Que sacerdote mais carinhoso, até tomou-me da mão para me levar a confessar”, “Como se nota que quer ao seu pai, ficam conversando e rindo um bom tempo”.

Deus envia uma grande Cruz a meus pais (certamente os quererá ter muito perto dEle no Céu) e se utiliza do Opus Dei para levar-lhes a alegria, sem a qual esta cruz, instrumento de purificação, poderia se transformar em causa de desespero.

Francisco José Segura Noya