São Josemaria Escrivá no Brasil

Por Frei Vanderlei de Lima
Frei Vanderlei – religioso calvariano – faz um comentário do livro “São Josemaria Escrivá no Brasil”, destacando modos de atuar que lhe chamaram a atenção na vida do Fundador do Opus Dei.

Este é o título do livro escrito pelo Padre Francisco Faus por ocasião do cinqüentenário da chegada dos primeiros fiéis do Opus Dei ao Brasil ocorrida em 19 de março de 1957.

Todavia, em vez de rememorar fatos ou pessoas que fizeram parte da Obra em nosso país, o Padre Faus trilha um caminho diferente. Recorrendo a diversas anotações pessoais ou lembranças vivas (que memória!), comenta, com certa riqueza de detalhes, a visita que São Josemaria Escrivá (1902-1975) fez ao Brasil entre os dias 23 de maio e 7 de junho de 1974.

Na intenção de partilhar com o leitor alguns dados do livro, pinçamos trechos que nos fazem ver “esboços do perfil de um santo”, conforme nos propõe o autor no subtítulo da publicação.

1. Ao dirigir-se, no Rio de Janeiro, a uma jovem que trabalhava como assistente do lar, São Escrivá mostra não haver distinção entre as diferentes profissões desde que exercidas com amor. Assim fala o santo: “É uma profissão extraordinariamente grande a sua. Não há nenhuma profissão humilde: todos os trabalhos são grandes e nobres. Eu não sei se é mais importante o trabalho do Governador do Estado do que o de uma moça auxiliar do lar. Dependerá do amor com que for feito. Poderá acontecer que estando na cozinha o faça com tanto amor, que o que ali está fazendo seja de mais valor que o faria no Parlamento… O vosso trabalho é ouro puro, se vocês o fazem com amor de Deus” (p. 92).

Aliás, o ensinamento acima expressa um ponto chave do Opus Dei que é a santificação no dia-a-dia por meio do trabalho, conforme se lê na página 91:
“É uma maneira de exprimir o cerne da mensagem cristã do Opus Dei, da Obra que Deus inspirou ao Fundador como caminho de santificação e de apostolado no meio do mundo, ‘no cumprimento dos deveres cotidianos do cristão’, de tal maneira que as pequenas coisas – as da vida cotidiana: ocupações profissionais, deveres familiares, deveres sociais, etc. -, se convertam em ‘ocasião de amar e servir’ a Deus e ao próximo, em ocasiões de santidade e apostolado.
Com expressão profunda e poética, São Josemaria descreveu esse ideal numa homilia pronunciada em outubro de 1967 no campus da Universidade de Navarra, na Espanha: ‘Lá onde estão as nossas aspirações, o nosso trabalho, os nossos amores – aí está o lugar do nosso encontro cotidiano com Cristo. É no meio das coisas mais materiais da terra que nos devemos santificar, servindo a Deus e a todos os homens. Na linha do horizonte, meus filhos, parecem unir-se o céu e a terra. Mas não: onde de verdade se juntam é no coração, quando se vive santamente a vida diária’.”

2. Ao contrário do que possam imaginar alguns críticos de plantão, São Josemaria reconhecia os próprios defeitos e contava com as orações de terceiros para vencer essas limitações.

Isso aparece claramente no episódio em que o médico espanhol José Luís, já no Brasil desde 1957, se mostra animado por conhecer o Fundador do Opus Dei e este lhe diz: “Pois, olhe: se você me conhece – respondia o Padre -, terá que rezar muito pelo Padre porque deve ter visto que está cheio de defeitos. Portanto, peça ao Senhor que me ajude a tirar pelo menos alguns. E, se você pede, Ele concede isso. É esta bendita união, esta Comunhão dos Santos. Ajude-me, meu filho! Ajude-me a ser bom. Você conhece-me pouco; se convivesse mais comigo veria ainda mais defeitos” (p. 73).

Esta passagem nos traz um importante ensinamento: o(a) santo(a) não é alguém sem defeitos, mas um ser humano normal que, embora reconhecendo-se limitado, procura, com a graça de Deus, superar suas falhas e o faz de tal modo que é proposto pela Igreja como modelo da vitória de Cristo sobre o pecado aos demais fiéis que ainda peregrinamos neste mundo.

3. A respeito do Brasil e dos brasileiros assim falou São Escrivá diante de milhares de pessoas no Parque Anhembi: “A primeira coisa que vi foi uma mãe grande, bela, fecunda, terna que abre os braços a todos, sem distinção de línguas, de raças, de nações, e a todos chama filhos. Grande coisa é o Brasil! Depois, vi que vocês se tratam de uma maneira fraterna, e fiquei comovido” (p. 93).

Eis alguns tópicos de um livro que entre tantos detalhes mostra também a naturalidade da convivência nos Centros do Opus Dei (p. 58), o ambiente familiar reinante entre o Fundador e os demais membros da Obra (pp. 59 e 62, por exemplo), bem como a preocupação solícita de São Josemaria para com o bem dos seus filhos espirituais (pp. 71-72).

Parabéns ao Padre Francisco Faus por conseguir levar ao leitor detalhes tão interessantes a respeito de São Josemaria em poucas páginas ilustradas com várias fotos.

Frei Vanderlei de Lima

– Relato originalmente publicado no blog Calvariano, do qual Frei Vanderlei é o editor.
– Frei Vanderlei também é autor do livro “Opus Dei: um envolvente estudo a partir das críticas” (www.livrodaopus.blogspot.com).