Preparando-se para o casamento

Por Pedro Guilherme Ribeiro Piccoli
Pedro trata da virtude da castidade, principalmente no namoro. Fala sobre o sexo como manifestação profunda e plena do amor entre um homem e uma mulher e questiona a forma banal com que esse tema é tratado hoje em dia nos meios de comunicação e na nossa sociedade.

Normalmente as pessoas pensam de uma maneira equivocada que os fiéis solteiros do Opus Dei são os numerários e os casados são os supernumerários. Eu e mais três supernumerários do meu centro contradizemos essa forma simplificada de pensar: somos solteiros e supernumerários. Embora dentro de dois meses eu passe para o “time” dos supernumerários casados.

No meu caso, vi a minha vocação ao Opus Dei quando já tinha visto a minha vocação ao casamento cristão, ou melhor dito, vi esses dois aspectos da minha única vocação, como supernumerário do Opus Dei, praticamente ao mesmo tempo. O interessante é que nunca na Obra alguém me disse que fosse numerário, mas sim que visse diante de Deus qual era a minha vocação, embora freqüentasse os meios de formação do Opus Dei desde os 14 anos.

Sou muito agradecido a Deus por ter conhecido a Obra tão jovem e assim toda a minha adolescência como também o início da minha vida adulta foram permeados pela formação do Opus Dei.

Nesses anos em que freqüentei o centro do Opus Dei, aprendi muitíssimas lições de vida que poderia descrevê-las pormenorizadamente, mas resolvi escolher uma qualidade, que longe de ser a mais importante, é condição para viver o amor de forma plena: a castidade. Sou consciente de que para uma pessoa bem constituída, como dizia São Josemaria Escrivá, normalmente esse tema ocupa o quarto ou quinto lugar na hierarquia de seus valores, embora por algum momento da vida possa ocupar os primeiros lugares. Penso que pela proximidade do meu casamento tenha resolvido escrever sobre esse assunto.

O tema do namoro e do sexo é tratado nos meios de formação do Opus Dei ao mesmo tempo com muita simplicidade e delicadeza.

Namoro há 6 anos. Como é bom poder olhar para trás e ver que esses anos foram de um namoro sério, comprometido e puro, alicerçado não apenas na atração física e num sentimento mútuo de carinho, mas também no respeito.

Para minha noiva e para mim, o namoro sempre foi visto como um tempo de conhecimento das qualidades e defeitos do outro, de adaptação ao jeito de ser do outro, uma situação privilegiada para cada um sair um pouco de si e pensar no outro, um tempo de convivência e diálogos intensos para ver se brotava um amor mais profundo, a ponto que cada um de nós pudesse dizer: é com essa pessoa que quero me casar, construir uma vida a dois, ter os meus filhos… E graças a Deus foi isso que aconteceu: descobri a mulher da minha vida.

Nas palestras de formação se fala de sexo, mas principalmente se fala de amor, cuja expressão máxima se traduz justamente no sexo. Ele é apresentado como algo de imenso valor, que exige um amor total, integral de um homem para uma mulher e vice-versa. Deve envolver o amor em todos os seus níveis: o de atração física, o afetivo-emocional, o amor que comportava a doação de vida… Portanto, o sexo só deve ser praticado quando há essa doação total de vida ao outro, o que se dá só no casamento.

Concordo plenamente com essa visão. Penso que “doar o corpo é doar a vida”. O corpo é parte integrante do nosso ser, não pode ser emprestado como quem empresta um CD, um tênis, ou qualquer outra coisa.

No centro do Opus Dei, compreendi que o sexo é algo belíssimo: manifestação de um amor de doação total de um homem para uma mulher e, além disso, sagrado, pois dessa relação de amor pode nascer uma nova vida. E cada vida é sagrada. Entendi ainda algo mais profundo, que nos diz a fé: que a relação com a minha noiva deveria ser abençoada por Deus, até se tornar um sacramento, manifestação da união de Jesus com a sua Igreja. Compreendi que o sexo dentro do casamento era atualização de um grande sacramento da Igreja.

Nunca concordei com a massificação com que esse tema é tratado por aí. Na TV, nas festas, em filmes e propagandas é cada vez mais comum ver sua banalização. O sexo é tratado como produto: e um produto barato.

O mesmo vale para o “ficar”. Alastra-se pela nossa sociedade esse conceito “moderno”, que se caracteriza por ser uma relação (de diversos tipos) sem compromisso algum. Vejo o “ficar” como uma desvalorização da pessoa. Ouvi em um meio de formação do Opus Dei uma comparação bem gráfica que me deu muitas luzes: “ficar é tratar uma pessoa como se fosse uma latinha de Coca-cola: você toma, amassa e depois joga no lixo”. Sem falar que muitas pessoas acabam se machucando com isso, pois se envolvem sentimentalmente e percebem que a outra pessoa ´nem está aí´ para elas. Quantas pessoas depois se queixam: ´brincaram com os meus sentimentos´, embora elas também tenham brincado com o sentimentos dos outros. Não podemos tratar ninguém como se fosse um brinquedinho para o nosso prazer ou para satisfazer as nossas carências afetivas.

Talvez alguém ao ler esse relato pense: viver assim hoje não é fácil. No entanto, também penso que é muito mais difícil criar uma família e manter um casamento fiel se não se tem muito presente esses valores.

Agradeço a Deus por ter encontrado a Obra. Estou plenamente seguro que graças ao trabalho de formação do Opus Dei é que me aproximo do casamento plenamente consciente do passo que estarei dando, pois tenho a perfeita dimensão do que me custou e do que representa um casamento. Gostaria que mais casais se aproximassem desse Sacramento com a mesma segurança. E aposto que eles, e seus futuros filhos, também.

Pedro Guilherme Ribeiro Piccoli