Prece de gratidão

Oração feita pelo Cônego José Paine, por ocasião da Missa em comemoração dos seus 90 anos, na Paróquia de Santa Generosa (bairro Paraíso, São Paulo – SP).

Revmos. Srs. Sacerdotes, irmãos no supremo sacerdócio de Cristo.
Diletíssimos fiéis em Jesus e Maria!
Sabedor há tempo desta comemoração, o que não podia deixar de ser, pela grande bondade de meus paroquianos e amigos, refugio-me atrás destas notas, por não confiar nos riscos e perigos de um fácil improviso, faltando com a gratidão para com os participantes deste delicado e feliz encontro. É que a comoção desta solenidade, aliada à fraqueza de uma nonagenária memória, poderiam forçar-me a um silêncio que nem seria justo nem desculpável.
No entanto, prezados amigos, permitam-me parafrasear o gracioso hino de nossa querida Mãe do Céu, Maria Santíssima, para cantar toda a minha gratidão, neste apagar de luzes de longa vivência sobre a Terra.
A minha alma, cheia de alegria, glorifica o Senhor, meu Deus, porque, não obstante minhas fraquezas, Ele fez de mim seu sacerdote e, para exercer o ministério divino, colocou-me nesta Paróquia há mais de meio século, onde as gerações de todos os tempos me fazem feliz.
Seu amor começou com os meus queridos pais, porque, tementes a Deus, lhes foi dada a graça da geração de oito rebentos de amor.
Demonstrando a sabedoria de sua divina providência, dispersou-me por diferentes lugares e encargos antes de acolher-me neste Paraíso, para servi-lo com mais intenso amor, onde, com o auxílio de dedicados e zelosos amigos sacerdotes, trabalhamos para santificar humildes fiéis.
Certamente foi a caminho das montanhas de Hebron que Nossa Senhora foi meditando nas graças que as gerações futuras conquistariam com o seu humilde “SIM” ao Anjo da Anunciação.
De uma feita, também eu, a caminho das altaneiras elevações de Aparecida, encontrei dois mensageiros do Senhor que me foram proporcionando uma meditação que abriria novos horizontes de graças para o meu sacerdócio. Ao chegar ao Santuário, meu espírito exultou de
alegria: vi um homem de Deus: de joelhos, absorto, corriam-lhe das mãos continhas do terço.
Precisamente quarenta anos são passados de grandes graças, que o Opus Dei descortinou sobre o meu sacerdócio, não obstante a pequenez deste servo: vida, sacerdote e membro da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz fazem minha alma exultar de inefáveis alegrias…
Para que a doutrina espiritual se estenda a todos os paroquianos e não fique eu envolvido no emaranhado de bens materiais, escondidas entre quatro paredes, eficientes secretárias, além de uma diligente sacristã e um atento vigia, cheios de iniciativas, cuidam que os famintos de informação se saciem de orientações seguras, e os curiosos e mal intencionados sejam dispersados de mãos vazias…
Demonstrando o poder de seu braço, e para ajudar nas minhas limitações, colocou-me Deus, nas associações paroquiais, fiéis servidores da liturgia, das obras sociais, da catequese, das pastorais da oração, nestes 56 anos de paroquiato.
Por fim, para que o Senhor seja glorificado neste templo, anônimos benfeitores acudiram-me generosa-mente nas necessidades que surgiam com o tempo…
Por tudo isso, agora e sempre eu dou graças, por intercessão da santa Mãe, Maria, ao Deus Pai que me criou, ao Filho que me fez seu sacerdote e ao Espírito Santo que me ungiu. Amém!
Cônego José Paine