O prazer de servir

Por Solange Braga
Solange relata o voluntariado que realiza numa escola técnica de hotelaria, dando aulas de Inglês para moças de classes sociais mais necessitadas. Ela considera que não faz nada de especial e pensa que muitas outras pessoas, que tiveram mais oportunidades na vida, poderiam doar-se para que a nossa sociedade fosse mais justa e humana.

Antes de apresentarmos o texto de Solange, gostariamos de incluir um trecho da primeira encíclica do Papa Bento XVI, que serve de “moldura” para o relato, em que fala das organizações com fins caritativos e filantrópicos e sobre o voluntariado, exercido por Solange e outras professoras, na escola em que dão aulas.

“…formaram-se também muitas organizações com fins caritativos ou filantrópicos, que procuram, face aos problemas sociais e políticos existentes, alcançar soluções satisfatórias sob o aspecto humanitário. Um fenômeno importante do nosso tempo é a aparição e difusão de diversas formas de voluntariado, que se ocupam de uma pluralidade de serviços. Desejo aqui deixar uma palavra de particular apreço e gratidão a todos aqueles que participam, de diversas formas, nestas atividades. Tal empenho generalizado constitui, para os jovens, uma escola de vida que educa para a solidariedade e a disponibilidade a darem não simplesmente qualquer coisa, mas darem-se a si próprios”. (Papa Bento XVI, Encíclica Deus Caritas est, n. 30)

Equipe do Opus Alegria

Sou professora de Inglês. Procurei por algum tempo um lugar onde pudesse “contribuir” para melhorar a vida das pessoas com o que sabia. Como a bondade Divina me favoreceu tanto nesta vida, acho que o mínimo que posso fazer para melhorar esta sociedade, tão cheia de problemas, é ensinar o que sei para outras pessoas. Assim contribuo para que tenham mais oportunidades e a vida mais digna e satisfatória.

Não achava o lugar adequado pois realmente, não se tratava de usar o meu tempo vago. Era o caso de “fazer espaço” no meu dia-a-dia para poder devolver para outros um pouquinho de tudo o que recebi com estudo e formação. Não queria só me ocupar (ocupação eu já tenho de sobra). Para mim, importantíssimo era que os que recebessem as aulas fossem usar o que aprendessem para se beneficiar. Daí é que o Opus Dei “apareceu” em minha vida por intermédio de uma querida cunhada. Naquele momento, ela informou-me que uma escola de formação profissional na área de hotelaria, situada na Colônia Murici1, estava precisando muito de uma professora de Inglês. No início relutei um pouco em aceitar por causa da distância que teria que percorrer para dar as aulas, mas pensei que quando a dificuldade surgisse, eu resolveria o assunto. A verdade é que a dificuldade até hoje não surgiu. Já se vão uns quatro anos e a minha alegria é imensa em ver os resultados. Mostrar para as pessoas que elas são capazes de aprender uma língua estrangeira, que é tão necessária em qualquer ambiente de trabalho, é uma alegria. Não acho que faço nada especial e que o que faço é mesmo muito pouco, mas acredito que se cada um de nós se doar a sociedade vai ser mais justa e humana.

Creio que o Opus Dei é uma obra inspirada por Deus, pois os resultados são maravilhosos nas vidas das pessoas. Eu ali, não só ensino: aprendo lições maravilhosas de força, amor, paciência e vontade de transformar o que ainda não está muito bom. Não me interessam os “pontos escuros”. Na verdade, eu nem os enxergo. A luminosidade e o bem que vejo são imensamente mais claros e, como não poderia ser diferente para uma obra desejada por Deus, ofuscam qualquer “fator humano” que possa existir.

Solange Braga

1 A Escola em que Solange dá aulas chama-se Centro de Educação Profissional “Os Pinhais”, cuja orienta-
ção espiritual está a cargo do Opus Dei, situada na Colônia Murici, em São José dos Pinhais – PR.
Trechos da entrevista do Cardeal Franz König (Arcebispo Emérito de Viena), concedida ao jornal “La Vanguardia”,
de Barcelona, em 21 de dezembro de 2001.