Na saúde e na doença: a alegria da presença dos avós na família

Por Pedro Perri
Pedro Perri é supernumerário do Opus Dei e suas duas irmãs são numerárias. Neste relato eles nos falam do grande carinho com que sua mãe – também supernumerária –, Lúcia Ferreira Perri, é tratada, especialmente nos últimos anos, ou seja, desde que lhe diagnosticaram a doença de Alzheimer. Além da dedicação de toda a família (filhos, nora, netos…), Lúcia conta com o apoio dos amigos e da Obra, sua “família sobrenatural”.

“Desejo referi-me agora aos avós, tão importantes nas famílias. Eles podem ser e muitas vezes são a garantia do afeto e da ternura que todo o ser humano necessita de dar e receber. Eles dão às crianças a perspectiva do tempo, são memória e riqueza das famílias. Deus queira que por nenhuma razão, sejam excluídos do círculo familiar. São uns tesouros que não podemos arrebatar às novas gerações, sobretudo quando dão testemunho diante da proximidade da morte.”

Foi com emoção quando lemos e ouvimos o Papa Bento XVI dizer estas palavras no Encontro Mundial das Famílias em Valência, no dia 8 de julho de 2006. Muitas lembranças nos passaram pela cabeça! Relatamos a seguir o que nos tem acontecido nos últimos anos.

Em 2003 escrevemos ao Prelado do Opus Dei, a quem familiarmente chamamos Padre contando nossas preocupações:

“Somos três filhos e todos da Obra. Meu pai está no Céu há 13 anos. Foi um bom Cooperador que amava muito a Obra, Nosso Padre*, as vocações de seus filhos e de sua esposa. Quando Nosso Padre veio ao Brasil, em uma tertúlia no Sumaré, minha mãe disse-lhe que era professora primária e que também dava- lhes aulas de catecismo para 1ª Comunhão. Foi um momento de extrema alegria que agora podemos relembrar em um filme. Nosso Padre ficou feliz e foi muito carinhoso com ela”.

Nossa mãe – pensamos sempre – foi muito generosa na sua vocação. Faz aproximadamente dez anos que está com a doença de Alzheimer. Atualmente tem pouca atividade e praticamente não fala. Muitas vezes não sabe nem quem somos. O que lhe motiva muito é rezar orações vocais, principalmente o Terço e também cantar. Cantamos e rezamos com ela músicas de que gostava.

Ela continua no meio de nós recebendo dedicação e carinho da parte de todos: netos, nora e amigos. Inclusive tem uma família a mais, que é a Obra, que se dedica a ela e a nós, que fazemos parte desta maravilhosa família sobrenatural.

No início do seu diagnóstico ficamos apreensivos já que minhas irmãs são diretoras de centros da Obra e poderiam não ter o tempo necessário para cuidar dela e, por serem mulheres, seriam as mais indicadas para muitas outras tarefas… Deus sempre nos ajudou em tudo, durante estes dez anos, desde que observamos os primeiros sintomas da doença. Nunca nos faltaram soluções, sugestões e ajuda de pessoas das nossas “duas” famílias! Os diretores da Obra também sempre nos apoiaram.

No momento, segue sendo cuidada em sua casa, por Marinalva e Sara que são consideradas como pessoas de nossa família. Elas recebem formação da Obra em Centro para jovens, entendem nossa dedicação a Deus e nos ajudam com seu trabalho feito com muita dedicação, carinho e alegria. Constatamos a cada dia como é bem mais fácil conduzir uma dificuldade quando se tem o apoio e a alegria de um sólido ambiente familiar.

Por ocasião do 75º aniversário da Fundação da Obra (por coincidência, nossa mãe nasceu neste mesmo ano), escrevemos novamente ao Prelado, relatando o seguinte:

“No próximo dois de novembro mamãe fará 75 anos, iguais ao da Obra. Sempre pensamos que Deus, depois de exatamente um mês, estava recebendo no mundo pessoas que seriam do Opus Dei e mães de outras vocações…”. Terminamos pedindo a bênção como sempre fazem seus filhos.

Logo depois, com grande alegria, recebemos a resposta do Padre com pontos concretos que nos transmitiram:

“Escrevo-te por encargo do Padre para dizer-te que no próximo dia 2 de novembro rezará especialmente pela tua mãezinha. Deseja que lhe digais que agradece suas orações, tudo o que oferece e as palavras que com tanto carinho lhe enviou.

O Padre se apóia em seus filhos doentes para levar a Obra adiante em serviço da Igreja. São, como dizia Nosso queridíssimo Padre, o tesouro da Obra e dará paz considerar que tua mãezinha conta com a oração de toda Obra, nestes momentos em que o Senhor a abençoou com a Cruz.

Desde aqui te acompanhamos com muito carinho e rezamos por toda a família e, especialmente, por tua mãezinha”.

Nestes últimos tempos temos passado por momentos que nos exigem constantes cuidados de toda família, mas nunca nos faltou ajuda e compreensão de minha esposa Teresa, filhos, parentes e amigos dispostos a fazer-lhe companhia. Sempre recebemos toda ajuda da Obra e dos diretores, não nos sentimos sozinhos e temos podido cuidar dela dentro deste ambiente de família, com muita alegria. Vem-nos à lembrança o que São Josemaria dizia, parodiando Santa Teresa de Ávila, que era grato a qualquer “raspa de sardinha” que lhe fizessem! Nós também somos gratos ao pequeno e ao muito que nos fazem!!!

Pedro Perri
Nota do Opus Alegria: * “Nosso Padre” é um modo carinhoso utilizado para referir-se ao Fundador do Opus Dei, São Josemaria Escrivá.