Montserrat Grases: a dor convertida em amor

Por Equipe do Opus Alegria
História de uma numerária do Opus Dei: o câncer que a levou a morte, suas dores e a reação diante da doença. Depoimento de Enrique, seu irmão sacerdote.

Montserrat Grases era uma moça, numeraria do Opus Dei, que Deus chamou a Si em 26 de março de 1959, dia de Corpus Christi, com a idade de 17 anos. Montse tinha pedido a admissão como numerária do Opus Dei – decidida com alegria a entregar a sua vida inteira a Deus – , no dia 24 de dezembro, véspera do Natal de 1957. Pouco depois, uma leve e persistente dor na perna esquerda deu o primeiro sinal do que viria a diagnosticar-se como um câncer incurável, sarcoma de Ewing, que – após meses de intensas dores – veio a causar-lhe a morte.

Amadureceu amando muito, e por isso aprendeu a arte de sofrer com alegria, que é uma arte essencialmente cristã. Que bem entendeu, vivendo-as, as palavras mil vezes repetidas por são Josemaría Escrivá: A alegria do cristão tem as suas raízes em forma de Cruz!

Montse agonizou numa dura “forja de dor” – como diria são Josemaria Escrivá – e morreu consumida pela doença. Mas agonizou alegre e morreu feliz. Na véspera da morte, abrindo os olhos, viu as suas amigas perto dela: – “Eu lhes quero muito a todas – disse-lhes –, mas a Jesus muito mais!”. Passou as últimas horas daquela Quinta-feira Santa apertando estreitamente o seu crucifixo, dizendo com voz quase inaudível a Nossa Senhora: “Mãezinha, quanto te amo! Quando virás buscar-me?”, e invocando uma e outra vez o nome de Jesus.

Anos depois da sua morte, Enrique, o irmão mais velho, que é sacerdote da diocese de Barcelona, comentava: “A sua Cruz foi muito dolorosa. Às vezes comentam-me, quando a recordam tão alegre e tão feliz, que ela sentia até gosto no meio da dor… Não, isso não é verdade. Falar assim poderia soar a masoquismo, porque aquilo não era uma dor convertida em gosto; era uma dor convertida em amor, e em luta para poder continuar a ser fiel a si mesma, a nós e a Deus, mas continuava a ser uma dor que a dilacerava, que a desfazia. Sofreu – eu o vi – tremendamente: mas era uma luta enamorada, no meio da dor, para encontrar Cristo Crucificado. Em meio a essa dor, junto de Cristo, nunca esteve só. Se Deus está ao meu lado – pensou – e me pede isto, será porque é possível; e se Ele o quer, Ele me ajudará… Montse, graças à dor, deu-nos o melhor de si mesma”.

Com outras palavras do Fundador do Opus Dei, que ela meditava sobretudo no livro “Caminho”, Montse repetia: “Jesus, o que tu quiseres, eu o amo!

Equipe do Opus Alegria

Para elaboração desse relato, selecionamos textos do livro “A paciência” de Francisco Faus, Ed. Quadrante, São Paulo, 1995. Por sua vez, todos os fatos e depoimentos citados foram extraídos do livro de J. M. Cejas, “Montse Grases, La alegría de la entrega”, Rialp, Madrid, 1993, e reproduzidos resumidamente.