In as famílias e o Opus Dei
Por Ana Rita Oriente Franciulli
Ana Rita conta como seu pai faleceu cercado do carinho e atenção das pessoas do Opus Dei. Revela também o carinho e a admiração que seu pai tinha pela Obra, a ponto de oferecer seus sofrimentos por ela.

Faz pouco, o meu pai faleceu em São Paulo. Domingos Franciulli Netto era Ministro do Superior Tribunal de Justiça e acabara de completar os setenta anos – mais da metade dedicados à Magistratura – quando Deus o chamou à sua presença. A propósito, uma breve digressão: gosto de imaginar o encontro desses dois juízes, o Divino e o humano, no Tribunal da Misericórdia e da Justiça perfeitas, e peço ao primeiro que acolha no Céu o segundo.

No feriado do dia 15 de novembro de 2005, o meu irmão Paulo acompanhou um sacerdote numerário do Opus Dei, que foi ministrar a unção dos enfermos ao meu pai. Eram muito amigos, e o meu pai tinha direção espiritual com ele desde os anos 70, quando conheceu a Obra. Em diversas ocasiões falou-me com carinho e agradecimento desse sacerdote e do bem que lhe fazia conversar periodicamente com ele.

Soube depois que, assim que se confessou e recebeu a unção dos enfermos, o meu pai quis conversar um pouco com esse sacerdote e com o Paulo. Estava fraco e falava com dificuldade, mas chamou a atenção de ambos pela paz que transmitia. Disse-lhes que agradecia a Deus pelas sete décadas de vida e pelo que deixava na terra: a luta por viver uma existência cristã coerente, a família bem constituída e unida, a carreira honrada, os amigos espalhados pelos lugares onde passou… Lá pelas tantas, comentou que uma coisa em concreto o vinha fazendo pensar naqueles tempos: o porquê dos ataques recentes contra o Opus Dei no Brasil e da agressão gratuita à Obra num best-seller americano. Depois de refletir com calma no assunto, havia chegado à conclusão de que se tratava de um “selo de garantia divina”, uma autenticação de que a Obra é de Deus e o seu espírito, um caminho seguro de santidade para homens e mulheres de todos os tempos e lugares. Por outro lado, sentia pela injustiça que se estava cometendo, o que o levava a oferecer os seus sofrimentos – que não eram poucos – pela Obra e em desagravo a Deus.

De fato, nos dias que antecederam e sucederam essa conversa, freqüentemente ouvi do meu pai esta frase: “Todo o meu sofrimento é pela Obra”. Ele não era do Opus Dei, mas cooperava com as suas iniciativas apostólicas e tinha muita admiração pela vocação de numerário do meu irmão.

Faleceu santamente no dia 21 de novembro de 2005, festa da Apresentação de Nossa Senhora (soube depois de outra coincidência: era o 26º aniversário da petição de admissão do Paulo no Opus Dei). Estava sereno e manteve o seu proverbial bom humor até o fim: segundo o meu outro irmão, Domingos Sávio, que o acompanhava na noite em que entrou em coma, a sua frase derradeira foi sobre um episódio divertido que lhe havia sido narrado naquela tarde.

Sempre que penso nestes fatos, recordo o que afirmava São Josemaria Escrivá: os pais das pessoas da Obra acabam se apaixonando por ela. E também considero o outro lado: o amor e o desvelo com que a Obra cuida dos pais dos seus membros, algo que pude tocar e pelo qual muito tenho a agradecer.

Ana Rita Oriente Franciulli
Promotora de Justiça

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