In vidas santas

Apresentamos aqui um artigo publicado no jornal da UEL sobre o Marcos Antonio Cassiolato, membro do Opus Dei, que faleceu em agosto de 2001.

Publicado no jornal Terra Vermelha, da UEL (Universidade Estadual de Londrina), no dia 18 de setembro de 2002.

Professor Marcos, um ano de saudades

Autores: Rafael Robson Negrão, Dirceu Moreira Guazzi, Robinson S. Vieira Hoto, Evandro Baccarin, Walter Germanovix, Marcos de Castro Faleiros, João Gustavo C. Racca, Antonio Carlos Zani, Marcos Antonio Santini e Pedro Aloysio Kreling.

Completou-se em agosto um ano do falecimento, aos 36 anos, do amigo e professor Marcos Antonio Cassiolato Batista.

Dentro da UEL, Marcos deixou lembranças marcantes por seu espírito de iniciativa, bom humor, retidão e dedicação e não poderíamos deixar de homenageá-lo pelo exemplo e estímulo que soube transmitir-nos durante seus poucos anos de vida.

No final de 1988, terminou o curso de Engenharia Elétrica na UNICAMP, e começou na mesma faculdade, em março de 1989, o mestrado em Eletrônica e Telecomunicações. Ao mesmo tempo em que continuava a trabalhar em seu mestrado, estabeleceu contatos profissionais na UEL, onde, em 7 de agosto de 1992, tornou-se professor por meio de concurso público. No início de 1994 defendeu na UNICAMP sua dissertação de Mestrado com o trabalho intitulado “Códigos de Linha para Sistemas Ópticos de Alta Capacidade” e foi aprovado com distinção. Também foi um dos iniciadores do Departamento de Computação da UEL, onde exerceu o cargo de Coordenador de Colegiado do Curso de Ciências da Computação por vários anos. Juntamente com os professores Walter Germanovix, Everaldo Pletz, Luiz Carlos Bruschi e Ivan Frederico Lupiano Dias, foi o responsável pela estruturação curricular do Curso de Engenharia Elétrica da UEL.

O professor Marcos Antonio sempre se caracterizou por seu profundo interesse pela vida acadêmica, à qual se dedicou em regime integral, desenvolvendo vários projetos de pesquisa e extensão como, por exemplo, “Democratização da Informática”, que estendeu a muitos adolescentes de baixa condição econômica o aprendizado da informática e a conseqüente inserção no mercado de trabalho.

No momento em que invocamos a sua amável lembrança e tal vez como um tributo por suas inúmeras qualidades – Marcos não gostava de elogios – gostaríamos de destacar uma faceta singular de sua personalidade, expressão oculta mas vigorosa de sua altura moral. Marcos era o que poderíamos chamar de “um homem de Deus”.

Em Campinas, Marcos começou a intensificar sua fé cristã em reuniões com amigos e iniciou uma direção espiritual regular. No dia 23 de outubro de 1984, pediu sua admissão no Opus Dei – instituição da Igreja Católica de âmbito universal que promove a santificação pessoal no exercício das atividades cotidianas.

Desde o começo da sua vocação, sempre se destacou por sua grande fidelidade e zelo apostólico. Ajudou a organizar uma série de atividades de aprimoramento profissional voltadas para estudantes de Engenharia; e também dedicou boa parte de seu tempo à orientação humana e escolar para garotos de 11 a 13 anos.

Marcos era muito audaz para falar de Deus com as pessoas, tanto com os colegas como com gente mais nova ou mais velha que ele. Tinha facilidade para fazer amigos, devido ao seu grande coração e efetivo interesse pelos demais. Era discreto mas profundo na oração e nas suas práticas religiosas.

Em junho de 1991, Marcos mudou-se para Londrina e, depois de trabalhar vários anos como professor na UEL, viu a importância de um doutoramento para sua carreira acadêmica. Em 1999, falou com seu antigo orientador no mestrado, professor da UNICAMP, e este aceitou orientá-lo para o doutorado.

No dia 22 de fevereiro de 2000, voltou a Campinas, onde permaneceria pelo período necessário para assistir às matérias do seu doutorado. Assim que chegou a essa cidade, procurou retomar o contato com todos seus amigos da épocadafacu1dade. Sentia sincera preocupação pelo bem estar material e espiritual de seus conhecidos.

Conhecido pelo empenho e competência com que desempenhava suas tarefas, adquiriu rapidamente um grande prestígio entre seus colegas professores e alunos, com os quais sempre se mostrou um amigo leal e incentivador.

No mês de dezembro de 2000, começou a ter ocasionalmente dificuldade para se alimentar. Em abril de 2001 submeteu-se a um exame que diagnosticou um tumor no estômago que deveria ser retirado. Após ser confirmado que o tipo de câncer que tinha era um adenocarcinoma particularmente agressivo, foi internado no Hospital das Clínicas no dia 19 de abril, uma quinta-feira.

Sua cirurgia ocorreu no dia 24 de abril, terça-feira. No dia anterior recebeu, por natural desejo seu, a unção dos enfermos pela primeira vez. Devido à evolução do tumor, não foi possível retirar o estômago; os médicos simplesmente tomaram uma série de providências para garantir melhor qualidade de vida ao doente.

Marcos passou a fazer um tratamento de quimioterapia na UNICAMP, para tentar diminuir a evolução do tumor. No entanto, no início de agosto teve de ser novamente hospitalizado e recebeu a unção dos enfermos pela segunda vez. No dia 24 de agosto, ao meio-dia, parou de respirar.

Resta-nos neste momento evocar com saudade a memória do professor Marcos Antonio, cuja perda sentimos, ao mesmo tempo que nos estimula seu exemplo de dedicação e carinho pela nossa Universidade e para cada um dos seus membros.

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