Frei Vanderlei: Minha visita ao Opus Dei

Por Frei Vanderlei de Lima
Frei Vanderlei, apresentando-se como amigo do Opus Dei, enviou-nos por e-mail este texto onde conta com muitos detalhes a visita que fez a um Centro do Opus Dei. Dá gosto ver como este religioso calvariano “de coração aberto” (utilizando uma expressão dele mesmo) compreendeu o espírito da Obra.

Na fria manhã de 20 de maio último, estando em São Paulo, tomei o circular Lapa-R com destino à Avenida Prof. Alfonso Bovero, no bairro Sumaré, para conhecer – conforme combinara anteriormente por telefone – um Centro de Estudos do Opus Dei.

Havia marcado uma conversa com o responsável pelo Escritório de Informações, João Gustavo Racca, às 10 horas, porém cheguei ao local combinado com uma hora de antecedência e isso por dois motivos: primeiro porque o trânsito da capital, embora sendo domingo, dia de grande calmaria, é sempre imprevisível e segundo porque desejava ter mais tempo de observar e, assim, tirar minhas conclusões sobre o funcionamento de uma casa onde moram membros da Obra fundada por São Josemaria Escrivá de Balaguer, em 1928, na Espanha.

Logo vi o prédio de vários andares, com poucas janelas abertas e numa garagem muito próxima à rua estava guardada uma perua Kombi já um tanto usada. Ao lado da garagem, há uma pequena rampa, ladeada por um jardim com gramas e roseiras plantadas de maneira bem distribuídas, que dá acesso à portaria do edifício.

Subi o leve aclive e ao erguer o dedo para tocar o interfone, instalado ao lado direito da porta, eis que esta se abre com o característico barulho de destrave eletrônico. Nessa hora quase dei razão aos sensacionalistas que vêem mistério em tudo o que é do Opus Dei. Afinal, era intrigante a abertura da porta daquela maneira, uma vez que ninguém lá dentro me conhecia e eu estava bastante adiantado. Enigmático, não?

Não, não há nenhum enigma aí, apenas uma singela coincidência: quando eu subi a rampa, atento aos detalhes da minha frente, não notei que atrás de mim vinham dois membros do Opus Dei e, evidentemente, a porta fora aberta para eles.

Esses dois homens me cumprimentaram de modo muito educado, um era jovenzinho ainda, o outro já um pouco mais experiente nos caminhos da vida, pois como me disse posteriormente, faz parte da Obra (assim é que eles chamam – e com acerto – o “Opus Dei” que traduzido quer dizer “Obra de Deus”) há 27 anos, seu nome é Henrique e trabalha na Editora Quadrante. Sim, aquela mesma que publicou – em fantástico “furo editorial” – o livro “Joseph Ratzinguer: uma biografia“, de Pablo Blanco, apresentado em “Pergunte e Responderemos” n.519, setembro de 2005, p. 405.

Foi o Sr. Henrique quem me convidou para entrar, perguntando se eu preferia aguardar até o horário da conversa ali na portaria ou desejava esperar na sala de estar. Deixei a critério dele e a segunda opção (bem mais acolhedora) foi a escolhida.

Dessa sala com a porta aberta, entre os elevados assuntos que surgiram, parecendo conversa de velhos amigos, sem nenhum formalismo de ambas as partes, eu observava do sofá estratégico em que me sentei, o movimento de jovens pela casa. São os chamados numerários (celibatários que vivem nos centros do Opus Dei) e aguardavam, como notei pela fala dos rapazes, um círculo (reunião breve na qual um membro faz uma pequena palestra aos demais), que muito provavelmente seria dirigido pelo Sr. Henrique.

No horário combinado, chegou o João Gustavo, responsável pelo Escritório de Informações, que me cumprimentou de modo descontraído e animado como se faz a um visitante e não da maneira fria e meramente protocolar como poderia se esperar do assessor de Imprensa de uma das instituições mais conhecidas no mundo atualmente.

Com o correr da conversa, tive pena do homem pela atenção com que me ouviu expor o assunto e pela paciência ao responder as não poucas perguntas que fiz a respeito do Opus Dei. Mesmo sendo o domingo da Ascensão do Senhor, acredito ter propiciado a ele uma boa penitência que, se bem oferecida, surtiu grandes efeitos.

A certa altura, porém, para descanso do meu interlocutor, a conversa foi interrompida por uma batida à porta seguindo-se a entrada de um jovem numerário de terno e gravata portando uma bandeja contendo um recipiente com café, duas xícaras e uma bandejinha com bolachas recheadas que me foram servidas pelo próprio João Gustavo, fazendo-me lembrar da cordialidade de um Arcebispo que, vez ou outra, visito.

Realmente dá para perceber, na acolhida afável, no trato sincero e amigo, que prevalece nas casas do Opus Dei o ambiente familiar muito desejado por São Josemaria Escrivá nas exortações dirigidas a seus seguidores.

Encerrada a frutuosa conversa, pedi algumas publicações para levar a pessoas interessadas e uma delas é o livreto “Alguns Dados Informativos Sobre o Opus Dei“, de apenas 48 páginas, escrito por Beat Müller sempre disponível no Escritório de Informações, cujo endereço é Cx. Postal 71541, CEP 05020-970, São Paulo (SP).

Enquanto ele foi providenciar o material, recomendou-me ir ao andar superior onde fica a capela, sóbria, mas de muito bom gosto. No seu interior, um jovem de terno cinza rezava ajoelhado ao lado esquerdo enquanto à direita dois outros rapazes com uma escada trocavam lâmpadas, comunicando-se por gestos comedidos e voz quase inaudível, talvez como forma de demonstrar um grande respeito para com aquele ambiente de fé no qual Jesus se faz presente dia e noite no Sacrário sob a humilde forma de pão.

Rezei um pouco, pedindo a Deus inclusive pelo próprio Opus Dei, cuja missão é promover entre pessoas de todas as classes da sociedade a mensagem da chamada universal à santidade no seu próprio ambiente de vida, de família e de trabalho, conforme reconheceu o Papa Pio XII (homenageado por uma cruz de mármore no fundo da capela) ao dar a primeira aprovação pontifícia definitiva à Instituição em 16 de junho de 1950.

De novo no saguão de entrada, vi a circulação de jovens, todos trajando roupa social, alguns de terno e gravata, outros de pulôver, restando apenas um de manga curta que, no topo da escada, conversava animadamente com outros dois numerários expondo alguns gostos pessoais enquanto acendia um cigarro.

Quando o meu anfitrião retornou com as publicações, tiramos uma foto juntos (com minha máquina) numa sala com livros e computadores onde três rapazes estudavam em clima de seriedade e descontração.

Após a foto, voltamos para a portaria e despedi-me do João Gustavo que me acompanhou até a porta explicando o percurso a fazer para conseguir chegar mais rapidamente ao Terminal Tietê, além de prometermos orações recíprocas.

Já fora, o numerário de shorts e camiseta que podava roseiras no pequeno jardim cumprimentou-me e, então, aproveitei fazer uma brincadeira de fundo espiritual ao dizer-lhe: “Você está seguindo fielmente o Evangelho?” e ele quis saber por que. “Porque Jesus ensinou que todo ramo que dá fruto, o Pai poda para que dê mais fruto (Jo 15, 2) e é isso que você está fazendo” – respondi.

Este é, caro (a) leitor (a), o relato gratificante a ser feito sobre a proveitosa visita a uma sede do Opus Dei no Brasil na qual nada se nota das leviandades e estranhezas descritas por mentes férteis, mas é, ao contrário, um oásis de paz e enlevo espiritual ao visitante de coração aberto que encontra aí pessoas realizadas na sua dedicação a Deus e aos irmãos.

Diante dessa rica experiência, também convido você a conhecer o Opus Dei pelo site www.opusdei.org ou pela bibliografia disponível sobre a instituição na Editora Quadrante, de São Paulo, www.quadrante.com.br.

Frei Vanderlei de Lima

Frei Vanderlei de Lima é certificado em Filosofia pela Escola Mater Ecclesiae (RJ) e graduado na mesma disciplina pela PUC-Campinas.

O site do Centro de Estudos Universitários do Sumaré é www.centrocultural.org.br.