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		<title>Evangelho do dia: mês de maio de 2012</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 15:48:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Evangelho do dia]]></category>

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		<description><![CDATA[Maio de 2012 01.05.2012 – Jo 10, 22-30 22Celebrou-se então, em Jerusalém, a festa da Dedicação. Era Inverno, 23e Jesus andava a passear no Templo, no pórtico de Salomão. Ora os Judeus rodearam-No e começaram a perguntar-Lhe: Até quando nos &#8230; <a href="http://www.opusalegria.com.br/evangelho-do-dia/evangelho-do-dia-mes-de-maio-de-2012/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" align="center"><strong>Maio de 2012</strong></p>
<p><strong>01.05.2012 – Jo 10, 22-30</strong></p>
<p><sup>22</sup>Celebrou-se então, em Jerusalém, a festa da Dedicação. Era Inverno, <sup>23</sup>e Jesus andava a passear no Templo, no pórtico de Salomão. Ora os Judeus rodearam-No <em>e </em>começaram a perguntar-Lhe: Até quando nos trarás em suspenso? Se Tu és o Messias, dize-no-lo abertamente! <sup>25</sup>Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não acreditais!&#8230; As obras que Eu faço em nome de Meu Pai é que dão testemunho de Mim; <sup>26</sup>mas vós não acreditais, porque não sois das Minhas ovelhas. <sup>27</sup>As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz; Eu conheço-as, e elas seguem-Me. <sup>28</sup>Dou-lhes a vida eterna, e elas não perecerão nunca, nem ninguém as há-de arrebatar da Minha mão. <sup>29</sup>Meu Pai, que foi quem Mas deu, <em>é </em>maior do que todos, e ninguém as pode arrebatar da mão de Meu Pai. <sup>30</sup>Eu e o Pai somos um só.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>22.<em> </em></strong>Esta festa comemora um episódio da história de Israel (cfr 1Mach 4,36-59; 2Mach 1-2,19; 10,1-8). Judas Macabeu, no ano165 a.C., depois de ter libertado Jerusalém da dominação dos reis da dinastia Selêucida da Síria, purificou o Templo das profanações de Antíoco Epifanes (1Mach 1,54). Desde então, no dia 25 do mês de Kisleu (Novembro-Dezembro) e durante a semana seguinte, celebrava-se em toda a Judeia o aniversário da dedicação do altar. Costu­mava chamar-se também «Festa das luzes» porque era cos­tume acender lâmpadas, símbolo da Lei, e pô-las nas janelas das casas (cfr 2Mach 1,18).</p>
<p><strong>24-25. </strong>Quando aqueles judeus perguntaram a Jesus se é o Messias, «falavam assim, comenta Santo Agostinho, não pelo desejo de conhecer a verdade, mas para preparar o caminho da calúnia» <em>(In Ioann. Evang., </em>48,3). Já noutras ocasiões Jesus Se tinha manifestado com as Suas palavras e com as Suas obras como o Filho Único de Deus (5,19 ss; 7,16 ss.; 8,25 ss.). Também Se tinha dado a conhecer explicita­mente como Messias e Salvador à samaritana (4,26) e ao cego de nascença (9,37) diante das boas disposições destes. Agora repreende os Seus interlocutores por resistirem a reconhecer as obras que Ele realiza de parte de Seu Pai (cfr 5,36; 10,38). Outras vezes Jesus Cristo tinha aludido às obras como meio para distinguir os verdadeiros profetas dos falsos: «Pelas suas obras os conhecereis» (Mt 7,16; cfr Mt 12,33).</p>
<p><strong>26-29. </strong>É certo que a fé e a vida eterna não se podem merecer só pelas forcas naturais do homem: são um dom gratuito de Deus. Mas o Senhor a ninguém nega a Sua graça para crer e para se salvar, porque «quer que todos os homens se salvem <em>e </em>cheguem ao conhecimento da verdade» (1Tim 2,4). Ora bem, se alguém põe obstáculos ao dom da fé, é culpável da sua incredulidade. A este propósito ensina São Tomás de Aquino: «Posso ver graças à luz do sol; mas se fecho os olhos, não vejo: isto não é por culpa do sol mas por minha culpa, porque ao fechar os olhos impeço que me chegue a luz solar» <em>(Comentário sobre S. João, ad loc.).</em></p>
<p>Pelo contrário, os que não opõem resistência à graça divina chegam a crer em Jesus, são conhecidos e amados pelo Senhor, entram sob a Sua protecção e permanecem fiéis ajudados pela Sua graça, penhor da vida eterna que finalmente receberão do Bom Pastor. É verdade que neste mundo terão de lutar e sofrerão feridas; mas se se mantêm unidos ao Bom Pastor ninguém nem nada arrebatará das mãos de Cristo as Suas ovelhas, porque mais forte que o Maligno é o nosso Pai Deus. A esperança de que o Senhor nos concederá a perseverança final baseia-se não nas nossas próprias forças mas na misericórdia divina; tal esperança deve constituir um motivo contínuo de luta para corresponder à graça e ser fiéis cada dia às exigências da nossa fé.</p>
<p><strong>30.</strong> Jesus manifesta a identidade substancial entre Ele e o Pai. Antes tinha proclamado Deus como Seu Pai «tornando-Se igual a Deus»; por isto os judeus tinham pensado várias vezes em dar-Lhe morte (cfr 5,18; 8,59). Agora fala acerca do mistério de Deus, que nós os homens só podemos conhecer por revelação. Depois voltará a desvelar esse mistério, sobretudo na Última Ceia (14,10; 17,21-22). O Evan­gelista já o contempla no começo do Prólogo (cfr Ioh 1,1 e nota).</p>
<p>«Escuta — convida-nos Santo Agostinho — o próprio Filho: &#8216;Eu e o Pai somos um&#8217;. Não disse &#8216;Eu sou o Pai&#8217;, nem &#8216;Eu e o Pai é um mesmo&#8217;. Mas na expressão &#8216;Eu e o Pai somos um&#8217; há que fixar-se nas duas palavras: &#8216;somos&#8217; e &#8216;um&#8217; (&#8230;). Porque se são um então não são diversos, e se &#8216;somos&#8217;, então há um Pai e um Filho» <em>(In Ioann. Evang., </em>36,9). Jesus revela a Sua unidade substancial com o Pai quanto à essência ou natureza divina, mas ao mesmo tempo manifesta a distinção pessoal entre o Pai e o Filho. «Cremos, pois, em Deus. que desde toda a eternidade gera o Filho; cremos no Filho, Verbo de Deus, que é gerado desde a eternidade; cremos no Espírito Santo, Pessoa incriada, que procede do Pai e do Filho como Amor sempiterno deles. Assim, nas três Pessoas divinas, que são eternas entre si e iguais entre si, a vida e felicidade de Deus inteiramente uno abundam sobremaneira e consumam-se com excelência máxima e glória própria da Essência incriada; e sempre há que venerar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade» <em>(Credo do Povo de Deus, </em>n.° 10).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>02.05.2012 – Jo 12, 44-50</strong></p>
<p><sup>44</sup>Jesus ergueu a voz e disse: Quem acredita em Mim não é em Mim que acredita, mas n&#8217;Aquele que Me enviou; <sup>45</sup>e quem Me vê vê Aquele que Me enviou. <sup>46</sup>Eu vim como luz ao mundo, a fim de que todo aquele que acredita em Mim não fique nas trevas. <sup>47</sup>Se alguém ouve as Minhas palavras e as não guarda, não sou Eu que o condeno, que Eu não vim para condenar o mundo, mas para o salvar. <sup>48</sup>Quem Me rejeita e não acolhe as Minhas palavras tem quem o condene. A palavra que eu anunciei é que há-de condená-lo no último dia. <sup>49</sup>De facto, Eu não falei por Mim mesmo; foi o Pai, que Me enviou, que Me deu pessoalmente uma ordem sobre o que hei-de dizer e anunciar. <sup>50</sup>E Eu sei que a Sua ordem é vida eterna! Portanto, as coisas que digo, digo-as como o Pai Mas disse a Mim.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>44-50.</strong> Com estes versículos termina São João o relato da pregação pública do Senhor. Recopila alguns temas fundamentais desenvolvidos em capítulos anteriores: neces­sidade da fé em Cristo (v. 44); unidade e distinção entre o Pai e o Filho (v. 45); Jesus como Luz e Vida do mundo (vv 46-50); julgamento dos homens segundo a sua aceitação ou rejeição do Filho de Deus (vv 47-49). Nos capítulos seguintes recolhe os ensinamentos de Jesus aos Seus Apóstolos na Última Ceia, e os relatos da Paixão e da Ressurreição.</p>
<p><strong>45.</strong> Cristo, o Verbo Encarnado, é um com o Pai (cfr Ioh 10,30); é «o esplendor da Sua glória» (Heb 1,3), «a imagem perfeita do Deus invisível» (Col 1,15). Em Ioh 14,9 Jesus exprime-Se quase com as mesmas palavras ao dizer: «Aquele que Me viu a Mim viu o Pai». Ao mesmo tempo que fala da unidade com o Pai, aparece de forma clara a distinção entre as Pessoas divinas: o Pai, que envia, e o Filho, que é enviado.</p>
<p>Na Santíssima Humanidade de Cristo está como que escondida a Sua Divindade, que possui com o Pai na uni­dade do Espírito Santo (cfr Ioh 14,7-11). Em teologia costuma chamar-se «circuminsessão» a realidade divina pela qual, em virtude da unidade entre as três Pessoas da Santíssima Trindade, «o Pai está todo no Filho, todo no Espírito Santo; o Filho está todo no Pai, todo no Espírito Santo; o Espírito Santo está todo no Pai, todo no Filho» <em>(Pró Iacobitis, Dz-Sch, </em>n. 1331).</p>
<p><strong>47.</strong> Cristo veio salvar o mundo oferecendo-Se em sacri­fício pelos nossos pecados e trazendo-nos a vida sobrenatural (cfr Ioh 3,17). Mas, ao mesmo tempo, foi constituído Juiz de vivos e mortos (cfr Act 10,42): dá a Sua sentença no juízo particular que acontece imediatamente depois da morte, e no fim dos tempos; na Sua segunda vinda ou Parusia, no juízo universal (cfr Ioh 5,22; 8,15-16 e a nota a Ioh 15,22-25).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>03.05.2012 – Jo 14, 6-14</strong></p>
<p><sup>6</sup>Responde-lhe Jesus: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vai ao Pai, senão por Mim. <sup>7</sup>Uma vez que Me conheceis, conhecereis também a Meu Pai. Agora ficais a conhecê-Lo e já O vistes. <sup>8</sup>Diz-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai. e isso nos basta. <sup>9</sup>Responde-lhe Jesus: Há tanto tempo que estou convosco, e não Me conheceis, Filipe? Quem Me viu viu o Pai. Como é que tu dizes: «Mos­tra-nos o Pai»? <sup>10</sup>Não acreditais que Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as profiro por Mim mesmo; e o Pai, permanecendo em Mim, é que faz as obras. <sup>11</sup>Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim. Ao menos, acreditai-o por causa das mesmas obras. <sup>12</sup>Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fá-las-á maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai; <sup>13</sup>e o que quer que pedirdes em Meu nome, fá-lo-ei, para o Pai ser glorificado no Filho. <sup>14</sup>Se Me pedirdes alguma coisa em Meu nome, fá-lo-ei.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>8-11. </strong>As palavras do Senhor continuam a ser misteriosas para os Apóstolos, que não acabam de entender <em>a </em>unidade do Pai e do Filho. Daí a insistência de Filipe. Por isso Jesus repreende o apóstolo porque ainda O não conhece, quando é claro que as Suas obras são próprias de Deus: caminhar sobre as ondas, dar ordens aos ventos, perdoar pecados, ressuscitar os mortos. Este é o motivo da repreensão: o não ter conhecido a Sua condição de Deus através da Sua natu­reza humana» <em>(De Trinitate, </em>liv. 7).</p>
<p>É certo que a visão do Pai, a que se refere Jesus Cristo neste passo, é uma visão de fé, pois a Deus nunca ninguém O viu tal como é (cfr Ioh 1,18;6,46). Todas as manifestações de Deus ou teofanias foram mediatas, só um reflexo da grandeza divina. A manifestação suprema de Deus Pai te­mo-la em Cristo Jesus, o Filho de Deus enviado aos homens. «Ele, com toda a Sua presença e manifestação da Sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e sobretudo com a Sua morte e gloriosa ressurreição, enfim, com o envio do Espírito de verdade, completa totalmente e confirma com o testemunho divino a revelação, a saber, que Deus está connosco para nos libertar das trevas do pecado e da morte e para nos ressuscitar para a vida eterna» <em>(Dei Verbum, </em>n. 4).</p>
<p><strong>12-14.</strong> Antes de partir deste mundo, o Senhor promete aos Apóstolos que os fará participantes dos Seus poderes para que a salvação de Deus se manifeste por meio deles. As obras que realizarão são os milagres feitos em nome de Jesus Cristo (cfr Act 3,1-10; 5,15-16; etc.), e sobretudo, a conversão dos homens à fé cristã e a sua santificação, me­diante a pregação e a administração dos sacramentos. Po­dem considerar-se obras maiores que as de Jesus enquanto pelo ministério dos Apóstolos o Evangelho não só foi pregado na Palestina, mas se difundiu até aos extremos da terra; mas este poder extraordinário da palavra apostólica procede de Jesus Cristo, que subiu para o Pai: depois de passar pela humilhação da Cruz, Jesus foi glorificado e do Céu manifesta o Seu poder actuando através dos Apóstolos.</p>
<p>O poder dos Apóstolos dimana, pois, de Cristo glori­ficado. O Senhor exprime-o ao dizer: «E o que pedirdes ao Pai em Meu nome isso farei&#8230;». «Não será maior que Eu aquele que crê em Mim; mas Eu farei então coisas maiores que as que agora faço; realizarei mais por meio daquele que crer em Mim, do que agora realizo por Mim mesmo» <em>(In Ioann. Evang., </em>72,1).</p>
<p>Jesus Cristo é o nosso intercessor no Céu, por isso nos promete que tudo o que pedirmosem Seu Nome, Ele o fará. Pedir em Seu nome (cfr 15,7.16; 16,23-24) significa apelar para o poder de Cristo ressuscitado, crendo que Ele é omnipotente e misericordioso porque é verdadeiro Deus; e significa também pedir aquilo que convém à nossa salvação, porque Jesus Cristo é o Salvador. Assim «o que pedirdes» entende-se como o que é bom para o que pede. Quando o Senhor não concede o que se pede é porque não convém para a nossa salvação. Desse modo mostra-Se igualmente Salvador quando nos nega o que Lhe pedimos e quando no-lo concede.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>04.05.2012 – Jo 14, 1-6</strong></p>
<p>Não se perturbe o vosso coração. Acreditai em Deus, acreditai tambem em Mim. <sup>2</sup>Em casa de Meu Pai há muitas habitações. Se assim não fora, ter-vo-lo-ia dito, pois vou preparar-vos um lugar. <sup>3</sup>E, quando Eu tiver ido e vos tiver preparado um lugar, virei novamente e levar-vos-ei para junto de Mim, a fim de que, onde Eu estiver, vós estejais também. <sup>4</sup>E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho. <sup>5</sup>Diz-lhe Tome: Senhor, não sabemos para onde vais. Como é que sabemos o caminho? <sup>6</sup>Responde-lhe Jesus: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vai ao Pai, senão por Mim.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-3.</strong> Segundo parece, o anúncio das negações de Pedro entristeceu os discípulos. Jesus anima-os di­zendo que vai partir para lhes preparar uma morada nos Céus, pois, apesar das suas misérias e claudicacões, final­mente perseverarão. A volta a que Se refere Jesus inclui a Sua segunda vinda no fim do mundo ou Parusia (cfr 1Cor 4,5; 11,26; 1Thes 4,16-17; 1Ioh 2,28) e o encontro com cada alma depois da morte: Cristo preparou-nos a morada celeste mediante a Sua obra redentora. Por isso, as Suas palavras <em>podem </em>considerar-se dirigidas não só aos Doze, mas a todos os que crerem n&#8217;Ele ao longo dos tempos. O Senhor levará consigo até à Sua glória todos os que tiverem acreditado n&#8217;Ele e Lhe tiverem sido fiéis.</p>
<p><strong>4-7.</strong> Os Apóstolos não compreendiam com profundidade o que Jesus lhes estava a ensinar; daí a pergunta de Tome. O Senhor explica que Ele é o caminho para o Pai. «Era necessário dizer-lhes &#8216;Eu sou o Caminho&#8217; para lhes demons­trar que na realidade sabiam o que julgavam ignorar, porque O conheciam a Ele» <em>(In Ioann. Evang., </em>66,2).</p>
<p>Jesus é o caminho para o Pai: pela Sua doutrina, pois observando o Seu ensinamento chegaremos ao Céu; pela fé que suscita, porque veio a este mundo para que «todo o que crer tenha vida eterna n&#8217;Ele» (Ioh 3,15); pelo Seu exemplo, já que ninguém pode ir ao Pai senão imitando o Filho; pelos Seus méritos, com que nos possibilita a entrada na pátria celeste; e sobretudo é o caminho porque revela o Pai com Quem é um pela Sua natureza divina.</p>
<p>«As crianças pequenas, à força de ouvir falar as mães e de balbuciar vocábulos com elas, aprendem a falar; nós, permanecendo junto ao nosso Salvador, mediante a meditação, considerando as Suas palavras, as Suas accões e os Seus afectos, aprenderemos, mediante a Sua graça, a falar, a actuar e a amar como Ele. — É necessário deter-se aqui (&#8230;); não poderemos chegar até Deus Pai senão por este caminho (&#8230;); também a Divindade não poderia ser bem contemplada por nós neste baixo mundo se não se tivesse unido à Humanidade sagrada do Salvador, cuja vida e morte são o objecto mais proporcionado, suave, delicioso e útil que podemos escolher para as nossas meditações» <em>(Introdução à vida devota, p. </em>II, c. 1,2).</p>
<p><em>«Ego sum via: </em>Ele é o único caminho que une o Céu à terra. Declara-o a todos os homens, mas recorda-o especial­mente aos que, como tu e eu, Lhe dissemos que estamos decididos a tomar a sério a nossa vocação de cristãos, de modo que Deus Se encontre sempre presente nos nossos pensamentos, nos nossos lábios e em todos os nossos actos, mesmo nos mais normais e correntes.</p>
<p>«Jesus é o caminho. Ele deixou neste mundo as pegadas limpas dos Seus passos, sinais indeléveis que nem o desgaste dos anos nem a perfídia do inimigo conseguiram apagar» <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 127).</p>
<p>As palavras de Jesus vão para além da pergunta de Tome ao responder «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida». Ser a Verdade e a Vida é o específico do Filho de Deus feito homem, de quem São João diz no Prólogo do seu Evangelho que está «cheio de graça e de verdade» (1,14). Ele é a Verdade porque com a Sua vinda ao mundo mostra-se a fidelidade de Deus às Suas promessas, e porque ensina verdadeiramente quem é Deus e como a autêntica adoração há-de ser «em espírito e em verdade» (Ioh 4,23). É a Vida por ter desde toda a eternidade a vida divina junto ao Pai (cfr Ioh 1,4), e porque nos faz, mediante a graça, participantes dessa vida divina. Por tudo isso diz o Evangelho: «Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem Tu enviaste» (Ioh 17,3).</p>
<p>Com a Sua resposta, Jesus está «como que a dizer: Por onde queres ir? Eu sou o Caminho. Para onde queres ir? Eu sou a Verdade. Onde queres permanecer? Eu sou a Vida. Todo o homem consegue compreender a Verdade e a Vida; mas nem todos encontram o Caminho. Os sábios do mundo compreendem que Deus é vida eterna e verdade cognoscível; mas o Verbo de Deus, que é Verdade e Vida junto ao Pai, fez-Se Caminho ao assumir a natureza humana. Caminha contemplando a Sua humildade e chegarás até Deus» <em>(De verb. Dom. serm., </em>54).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>05.05.2012 – Jo 14, 7-14</strong></p>
<p><sup>7</sup>Uma vez que Me conheceis, conhecereis também a Meu Pai. Agora ficais a conhecê-Lo e já O vistes. <sup>8</sup>Diz-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai. e isso nos basta. <sup>9</sup>Responde-lhe Jesus: Há tanto tempo que estou convosco, e não Me conheceis, Filipe? Quem Me viu viu o Pai. Como é que tu dizes: «Mostra-nos o Pai»? <sup>10</sup>Não acreditais que Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as profiro por Mim mesmo; e o Pai, permanecendo em Mim, é que faz as obras. <sup>11</sup>Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim. Ao menos, acreditai-o por causa das mesmas obras. <sup>12</sup>Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fá-las-á maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai; <sup>13</sup>e o que quer que pedirdes em Meu nome, fá-lo-ei, para o Pai ser glorificado no Filho. <sup>14</sup>Se Me pedirdes alguma coisa em Meu nome, fá-lo-ei.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>8-11. </strong>As palavras do Senhor continuam a ser misteriosas para os Apóstolos, que não acabam de entender <em>a </em>unidade do Pai e do Filho. Daí a insistência de Filipe. Por isso Jesus repreende o apóstolo porque ainda O não conhece, quando é claro que as Suas obras são próprias de Deus: caminhar sobre as ondas, dar ordens aos ventos, perdoar pecados, ressuscitar os mortos. Este é o motivo da repreensão: o não ter conhecido a Sua condição de Deus através da Sua natu­reza humana» <em>(De Trinitate, </em>liv. 7).</p>
<p>É certo que a visão do Pai a que se refere Jesus Cristo neste passo é uma visão de fé, pois a Deus nunca ninguém O viu tal como é (cfr Ioh 1,18; 6,46). Todas as manifestações de Deus ou teofanias foram mediatas, só um reflexo da grandeza divina. A manifestação suprema de Deus Pai te­mo-la em Cristo Jesus, o Filho de Deus enviado aos homens. «Ele, com toda a Sua presença e manifestação da Sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e sobretudo com a Sua morte e gloriosa ressurreição, enfim, com o envio do Espírito de verdade, completa totalmente e confirma com o testemunho divino a revelação, a saber, que Deus está connosco para nos libertar das trevas do pecado e da morte e para nos ressuscitar para a vida eterna» <em>(Dei Verbum, </em>n. 4).</p>
<p><strong>12-14.</strong> Antes de partir deste mundo, o Senhor promete aos Apóstolos que os fará participantes dos Seus poderes para que a salvação de Deus se manifeste por meio deles. As obras que realizarão são os milagres feitos em nome de Jesus Cristo (cfr Act 3,1-10; 5,15-16; etc.), e, sobretudo, a conversão dos homens à fé cristã e a sua santificação, me­diante a pregação e a administração dos sacramentos. Po­dem considerar-se obras maiores que as de Jesus enquanto pelo ministério dos Apóstolos o Evangelho não só foi pregado na Palestina, mas se difundiu até aos extremos da terra; mas este poder extraordinário da palavra apostólica procede de Jesus Cristo, que subiu para o Pai: depois de passar pela humilhação da Cruz, Jesus foi glorificado e do Céu manifesta o Seu poder actuando através dos Apóstolos.</p>
<p>O poder dos Apóstolos dimana, pois, de Cristo glori­ficado. O Senhor exprime-o ao dizer: «E o que pedirdes ao Pai em Meu nome isso farei&#8230;». «Não será maior que Eu aquele que crê em Mim; mas Eu farei então coisas maiores que as que agora faço; realizarei mais por meio daquele que crer em Mim, do que agora realizo por Mim mesmo» <em>(In Ioann. Evang., </em>72,1).</p>
<p>Jesus Cristo é o nosso intercessor no Céu, por isso nos promete que tudo o que pedirmosem Seu Nome, Ele o fará. Pedir em Seu nome (cfr 15,7.16; 16,23-24) significa apelar para o poder de Cristo ressuscitado, crendo que Ele é omnipotente e misericordioso porque é verdadeiro Deus; e significa também pedir aquilo que convém à nossa salvação, porque Jesus Cristo é o Salvador. Assim «o que pedirdes» entende-se como o que é bom para o que pede. Quando o Senhor não concede o que se pede é porque não convém para a nossa salvação. Desse modo mostra-Se igualmente Salvador quando nos nega o que Lhe pedimos e quando no-lo concede.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>06.05.2012 – Jo 15, 1-8</strong></p>
<p>Eu sou a verdadeira cepa, e Meu Pai é o agricultor. <sup>2</sup>Toda a vara que em Mim e não dá fruto, Ele corta-a, e toda aquela que dá fruto, Ele limpa-a, para dar mais fruto. <sup>3</sup>Vós já estais limpos devido à palavra que vos expus. <sup>4</sup>Permanecei em Mim, e Eu per­manecerei em vós. Assim como a vara que não pode dar fruto por si mesma, se não permanecer na cepa, assim vós também não, se não permanecerdes em Mim. <sup>5</sup>Eu sou a cepa, vós as varas. Aquele que perma­nece em Mim e em quem Eu permaneço é que dá muito fruto, porque, sem Mim, nada podeis fazer. <sup>6</sup>Se alguém não permanece em Mim, é lançado fora, como a vara, e seca. Tais varas, apanham-nas, lançam-nas ao fogo e elas ardem. <sup>7</sup>Se permanecerdes em Mim e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e ser-vos-á concedido. <sup>8</sup>A glória de Meu Pai é que deis muito fruto; então vos tomareis Meus discí­pulos.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1.</strong> A comparação do povo escolhido com uma videira tinha sido utilizada já no Antigo Testamento: no Salmo 80 fala-se da ruína e da restauração da vinha arrancada do Egipto e plantada noutra terra; e no cântico de Isaías (5,1-7) Deus queixa-Se de que a Sua vinha, apesar dos cuidados amorosos, tenha produzido agraços em lugar de uvas. Jesus tinha utilizado estas imagens na parábola dos vinhateiros homicidas (Mt 21,33-43) para significar a rejeição do Filho por parte dos Judeus e o chamamento aos gentios. Aqui, porém, a comparação tem um sentido diferente, mais pessoal: Cristo apresenta-Se como a verdadeira videira, porque à velha videira, ao antigo povo escolhido, sucedeu o novo, a Igreja, cuja cabeça é Cristo (cfr 1Cor 3,9). É preciso estar unidos à nova e verdadeira Videira, a Cristo, para produzir fruto. Não se trata já apenas de pertencer a uma comunidade, mas de viver a vida de Cristo, vida da Graça, que é a seiva vivificante que anima o crente e o capacita para dar frutos de vida eterna. Esta imagem da videira, por outro lado, ajuda a compreender a unidade da Igreja, Corpo Místico de Cristo, em que todos os membros estão intima­mente unidos com a Cabeça, e nela, unidos também uns com os outros (1Cor 12,12-26; Rom 12,4-5; Eph 4,15-16).</p>
<p><strong>2.</strong> O Senhor descreve duas situações: a daqueles que, mesmo estando unidos à videira com vínculos externos, não dão fruto; e a daqueles que, mesmo dando fruto, podem dar mais. Isto ensina-nos também a Epístola de São Tiago ao dizer que não basta a fé (lac 2,17). Embora seja certo que a fé é o começo da salvação, e sem a fé não podemos agradar a Deus, também é verdade que a fé viva há-de dar o fruto das obras. «Porqueem Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão têm valor, mas somente a fé que actua pela caridade» (Gal 5,6). Assim pois, pode dizer-se que para dar frutos agradáveis a Deus não basta ter recebido o Baptismo e professar externamente a fé, mas é preciso participar da vida de Cristo pela graça e colaborar na Sua obra redentora.</p>
<p>Jesus utiliza o mesmo verbo para falar da poda das varas e da limpeza dos discípulos no versículo seguinte; à letra deveria traduzir-se: «A todo o que dá fruto limpa-o para que dê mais fruto». Fica assim claro que Deus não Se contenta com uma entrega a meias. Por isto purifica os Seus através da contradição e das dificuldades, que são como uma poda, para que deem mais fruto. Aqui podemos ver uma explicação do porquê do sofrimento: «Não ouviste dos lábios do Mestre a parábola da videira e das varas? — Con­sola-te. Ele é exigente porque és vara que dá fruto&#8230; E poda-te, &#8216;ut fructum plus afferas&#8217; — para que dês mais fruto.</p>
<p>«É claro: dói esse cortar, esse arrancar. Mas, depois, que louçania nos frutos, que maturidade nas obras!» <em>(Caminho, </em>n.°701).</p>
<p><strong>3</strong>. Jesus ao lavar os pés a Pedro já tinha dito que os Seus Apóstolos estavam limpos, ainda que nem todos (cfr Ioh 13,10). Agora volta a referir-Se a essa limpeza interior por virtude dos ensinamentos que aceitaram. «Pois a palavra de Cristo purifica em primeiro lugar dos erros, instruindo (cfr Tit 1,9,) (&#8230;); em segundo lugar, purifica os corações dos afectos terrenos, despertando-os para as coisas celestiais (&#8230;); finalmente, a palavra purifica pelo vigor da fé: pois &#8216;purificou os seus corações pela fé&#8217; (Act 15,9)» <em>(Comentário sobre S. João, ad loc.).</em></p>
<p><strong>4-5.</strong> O Senhor continua a deduzir consequências da comparação da videira e das varas. Agora sublinha a inutilidade de quem se afasta d&#8217;Ele, tal como a da vara separada da videira. «Reparai nesses sarmentos repletos, porque participam da seiva do tronco. Só assim aqueles minúsculos rebentos de alguns meses antes puderam converter-se em polpa doce e madura, que encherá de alegria a vista e o coração das pessoas (Ps CHI,15). No solo ficam talvez algumas varas toscas, soltas, meias enterradas. Eram sar­mentos também, mas secos, estiolados. São o símbolo mais gráfico da esterilidade. <em>Porque, sem Mim, nada podeis fazer» (Amigos de Deus, </em>n.° 254).</p>
<p>A vida de união com Cristo transcende necessariamente o âmbito individual do cristão para se projectar em benefício dos outros: daí brota a fecundidade apostólica, já que «o apostolado, seja ele de que tipo for, consiste numa superabundância da vida interior» <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 239). O Concilio Vaticano II, citando o presente passo de São João, ensina como deve ser o apostolado dos cristãos: «A fonte e origem de todo o apostolado da Igreja é Cristo, enviado pelo Pai. Sendo assim, é evidente que a fecundidade do aposto­lado dos leigos depende da sua união vital com Cristo, segundo as palavras do Senhor: &#8216;aquele que permanece em Mim e em quem Eu permaneço, esse produz muito fruto; pois, sem Mim, nada podeis fazer&#8217;. Esta vida de íntima união com Cristo na Igreja é alimentada pelos auxílios espirituais comuns a todos os fiéis e, de modo especial, pela participação activa na sagrada Liturgia; e os leigos devem servir-se deles de tal modo que, desempenhando correctamente as diversas tarefas terrenas nas condições ordinárias da existência, não separem da própria vida a união com Cristo, mas antes, realizando a própria actividade segundo a vontade de Deus, nela cresçam» <em>(Apostolicam actuositatem, </em>n. 4).</p>
<p><strong>6</strong>. Quem não está unido a Cristo por meio da graça terá, finalmente, o mesmo destino que as varas secas: o fogo. E claro o paralelismo com outras imagens da pregação do Senhor acerca do Inferno: as parábolas da árvore boa e da má (Mt 8,15-20), da rede de arrasto (Mt 13,49-50), do convi­dado para as bodas (Mt 22,11-14), etc. Santo Agostinho comenta assim este passo: «Os sarmentos da videira são do mais desprezível se não estão unidos à cepa; e do mais nobre se o estão (&#8230;). Se se cortam não servem de nada nem para o vinhateiro nem para o carpinteiro. Para os sarmentos uma de duas: ou a videira ou o fogo. Se não estão na videira, vão para o fogo: para não irem para o fogo, que estejam unidos à videira» <em>(In Ioann. Evang., </em>81,3).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>07.05.2012 – Jo 14, 21-26</strong></p>
<p><sup>21</sup>Mas tudo isto farão contra vós por causa do Meu nome, por não conhecerem Aquele que Me enviou. <sup>22</sup>Se Eu não tivesse vindo e lhes não tivesse falado, não teriam pecado. Mas agora não têm des­culpa do seu pecado. <sup>23</sup>Quem Me odeia odeia também o Meu Pai. <sup>24</sup>Se Eu, entre eles, não tivesse feito obras, como nenhum outro fez, não teriam pecado. Mas, de facto, não só as viram como também criaram ódio a Mim e a Meu Pai. <sup>25</sup>É, porém, para se cumprir a palavra que está escrita na Lei deles: <em>Odiaram-Me sem razão!</em></p>
<p><sup>26</sup>Mas, quando vier o Assistente que Eu hei-de enviar lá do Pai, o Espírito da Ver­dade, que do Pai procede, Ele dará teste­munho de Mim.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>22-25.</strong> O Senhor adverte que os que O negam não teriam pecado se Ele não Se tivesse revelado, se a Luz não tivesse iluminado as trevas; mas agora já não têm desculpa (cfr Ioh 9,41; Mt 12,31 ss.). «Este pecado consiste — afirma Santo Agostinho — em não crer nas palavras e nas obras de Cristo, pois não tinham pecado antes de que lhes falasse e fizesse entre eles milagres. Mas agora fala deste pecado de incredulidade enquanto é também a raiz dos outros. Se cressem n&#8217;Ele ser-lhes-iam perdoados também os outros pecados» <em>(In Ioann. Evang., </em>91,1).</p>
<p>Não se explica o ódio a Cristo, «que passou fazendo o bem» (Act 10,38), sem um influxo profundo nos homens o ódio diabólico a Deus: por isso em Jesus cumpre-se de maneira eminente a hostilidade contra Deus, que já estava vaticinada no Antigo Testamento: «Não zombem de mim os meus inimigos falazes que me odiaram sem motivo» (Ps 35,19; cfr também Ps 2,1-2; 22,17-19).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>08.05.2012 – Jo 14, 27-31ª</strong></p>
<p><sup>14</sup>Se Me pedirdes alguma coisa em Meu nome, fá-lo-ei.</p>
<p><sup>15</sup>Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos. <sup>16</sup>E Eu pedirei ao Pai, Ele vos dará outro Assistente, para estar convosco para sempre, <sup>17</sup>o Espírito da Verdade,  que o mundo não pode receber, porque O não vê nem conhece. Vós é que o ides conhecer, porque fica entre vós e em vós estará. <sup>18</sup>Não vos deixarei órfãos. Volto para junto de vós. <sup>19</sup>Ainda um pouco e o mundo já Me não verá, mas vós ver-me-eis, porque Eu vivo e vós heis-de viver. <sup>20</sup>Nesse dia, reconhecereis que Eu estou em Meu Pai, e que vós estais em Mim e Eu em vós. <sup>21</sup>Quem tem os Meus mandamentos e os guarda, esse é que Me ama. E quem Me ama será amado por Meu Pai, e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele.</p>
<p><sup>27</sup>Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha <em>paz. </em>Não é como o mundo a dá que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração, nem se torne pusilânime. <sup>28</sup>Ouvistes que vos disse: «Eu vou, mas volto para junto de vós». Se Me amasseis, alegrar-vos-íeis por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. <sup>29</sup>Pois bem, disse-vo-lo antes de acontecer, para que acrediteis quando isso acontecer. <sup>30</sup>Já não falarei muito convosco, pois vai chegar o Príncipe do Mundo. Ele nada pode contra Mim, <sup>31</sup>mas é para que o mundo saiba que amo o Pai, que faço como o Pai Me mandou.<strong></strong></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>27.</strong> Desejar a paz era, e é também hoje, a forma usual de saudação dos Hebreus e dos Árabes. Essa mesma saudação que empregava Jesus, continuaram a usá-la os Apóstolos, segundo vemos pelas suas cartas (cfr 1Pet l ,3; 3 Ioh 15; Rom 1,7; etc.), e dela se continua a servir a Igreja na Liturgia; assim, por exemplo, antes da Comunhão o celebrante deseja aos presentes a paz, condição para participar dignamente no Santo Sacrifício (cfr Mt 5,23), e por sua vez, fruto do mesmo.</p>
<p>A saudação ordinária do povo hebreu recupera na boca do Senhor o seu sentido mais profundo; a paz é um dos dons messiânicos por excelência (cfr Is 9,7; 48,18; Mich 5,5; Mt 10,22; Lc 2,14; 19,38). A paz que nos dá Jesus transcende por completo a do mundo (veja-se a nota a Mt 10,34-37), que pode ser superficial e aparente, compatível com a injustiça. Pelo contrário, a paz de Cristo é sobretudo reconciliação com Deus e entre os homens, um dos frutos do Espírito Santo (cfr Gal 5,22-23), «é serenidade da mente, tranquilidade da alma, simplicidade do coração, vínculo de amor, união de caridade: não pode adquirir a herança de Deus quem não cumpra o Seu testamento de paz, nem pode viver unido a Cristo quem está separado do cristianismo» <em>(De verb. Dom. serm., </em>58).</p>
<p>«Cristo é &#8216;a nossa paz&#8217; (Eph 2,14). Hoje e sempre, Ele repete-nos: &#8216;A paz vos deixo, a Minha paz vos dou&#8217;. Nunca na história da humanidade se falou tanto da paz e se tem desejado tanto como nos nossos dias (&#8230;). E, não obstante, constata-se mais e mais como a paz é ameaçada e destruída (&#8230;). A paz é um resultado de muitas atitudes e realidades convergentes; é o resultado de preocupações morais, de princípios éticos, baseados na mensagem do Evangelho e corroborados por ele.</p>
<p>«Na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1971, o meu venerado predecessor, Paulo VI, o peregrino da paz, dizia: &#8216;A verdadeira paz deve fundar-se na justiça, no sentido da dignidade inviolável do homem, no reconhecimento de uma igualdade indelével e desejável entre os homens, no princípio básico da fraternidade humana, isto é, no respeito e amor devido a cada homem, porque é homem&#8217;. Esta mesma mensagem repeti eu no México e na Polônia. Repito-a aqui na Irlanda. Todo o ser humano tem direitos inalienáveis que devem ser respeitados. Toda a comunidade humana — étnica, histórica, cultural ou religiosa — tem direitos que devem ser respeitados. A paz está ameaçada sempre que um destes direitos é violado. A lei moral, guardiã dos direitos do homem, protectora da dignidade da pessoa humana, não pode ser deixada de lado por nenhuma pessoa, nenhum grupo, nem pelo próprio Estado, por nenhum motivo, nem sequer pela segurança ou no interesse da lei ou da ordem pública. A lei de Deus está muito acima de todas as razões de Estado. Enquanto existirem: injustiças em qualquer campo que diga respeito à dignidade da pessoa humana, quer seja no campo político, social ou econômico, quer seja na esfera cultural ou na religiosa, não haverá verdadeira paz (&#8230;). A paz não pode ser estabelecida pela violência, a paz não pode florescer nunca num clima de terror, de intimi­dação ou de morte. O próprio Jesus disse: &#8216;Todos os que empregam a espada perecerão à espada&#8217; (Mt 25,52). Esta é a palavra de Deus, a que ordena aos homens desta geração violenta que desistam do ódio e da violência e se arrepen­dam» <em>(Homília Drogheda).</em></p>
<p>O gozo e a paz que. nos traz Cristo hão-de caracterizar o estado de ânimo de um crente: «Repele esses escrúpulos que te tiram a paz. — Não é de Deus o que rouba a paz da alma</p>
<p>«Quando Deus te visitar, hás-de sentir a verdade daquelas saudações: dou-vos a <em>paz&#8230;, </em>deixo-vos a paz&#8230;, a paz seja convosco&#8230; E isto, no meio da tribulação» <em>(Caminho, </em>n.° 258).</p>
<p><strong>28.</strong> Jesus Cristo, enquanto Filho Unigênito de Deus, possui a glória divina desde a eternidade, mas durante o tempo da Sua vida na terra essa glória está velada e oculta por detrás da Sua Santíssima Humanidade (cfr 17,5; Phil 2,7). Só se manifesta em algumas ocasiões, como nos milagres (cfr 2,11), ou na Transfiguração (cfr Mt 17,1-8 e par.). Vai ser agora, mediante a Morte, Ressurreição e Ascensão aos céus, que Jesus vai ser glorificado, também no Seu Corpo, voltando ao Pai e entrando na Sua glória. Por isso, a Sua saída deste mundo devia ser causa de alegria para os discípulos; mas estes não entendem bem as palavras do Senhor, e entristecem-se porque os afecta mais a pena da separação física do Mestre que o pensamento da glória que O espera.</p>
<p>Quando Jesus diz que o Pai é maior que Ele, está a considerar a Sua natureza humana; assim, enquanto homem, Jesus vai ser glorificado ascendendo à direita do Pai. Jesus Cristo «é igual ao Pai segundo a divindade, menor que o Pai segundo a humanidade» <em>(Símbolo Atanasiano). </em>Santo Agostinho exorta: «Reconheçamos, pois, a dupla natureza de Cristo: uma, pela qual é igual ao Pai, que é a divina; e a humana, que o torna inferior ao Pai. Uma e outra natureza não constituem dois, mas um só Cristo&#8230;» <em>(In Ioann. Evang., </em>78,3). Não obstante, embora o Pai e o Filho sejam iguais em natureza, eternidade e dignidade, também podem enten­der-se as palavras do Senhor considerando que «maior» se refere à origem: só o Pai é «princípio sem princípio», enquanto o Filho procede eternamente do Pai por geração também eterna. Jesus Cristo é Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro (cfr <em>Símbolo Niceno-Constantinopolitano).</em></p>
<p><strong>30.</strong> É certo que o mundo é bom porque saiu das mãos do Criador, e que Deus de tal maneira o amou que lhe entregou o Seu Filho Unigénito (cfr Ioh 3,16). Não obstante, por mundo entende-se neste passo o conjunto dos homens que rejeitam Cristo; por isso, príncipe desse mundo <em>é </em>o demônio (cfr Ioh 1,10; 7,7; 15,18-19). Este opõe-se à obra de Jesus já desde o começo da Sua vida pública nas tentações do deserto (cfr Mt 4,1-11 e par.). Agora, na Paixão, volta a aparecer para obter a vitória sobre Cristo, ainda que seja momentânea e aparente. Esta é a hora do poder das trevas, em que, servin­do-se do traidor (cfr Lc 22,53; Ioh 13,27), o demônio consegue que prendam o Senhor e O crucifiquem.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>09.05.2012 – Jo 15, 1-8</strong></p>
<p>Eu sou a verdadeira cepa, e Meu Pai é o agricultor. <sup>2</sup>Toda a vara que em Mim e não dá fruto, Ele corta-a, e toda aquela que dá fruto, Ele limpa-a, para dar mais fruto. <sup>3</sup>Vós já estais limpos devido à palavra que vos expus. <sup>4</sup>Permanecei em Mim, e Eu per­manecerei em vós. Assim como a vara que não pode dar fruto por si mesma, se não permanecer na cepa, assim vós também não, se não permanecerdes em Mim. <sup>5</sup>Eu sou a cepa, vós as varas. Aquele que perma­nece em Mim e em quem Eu permaneço é que dá muito fruto, porque, sem Mim, nada podeis fazer. <sup>6</sup>Se alguém não permanece em Mim, é lançado fora, como a vara, e seca. Tais varas, apanham-nas, lançam-nas ao fogo e elas ardem. <sup>7</sup>Se permanecerdes em Mim e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e ser-vos-á concedido. <sup>8</sup>A glória de Meu Pai é que deis muito fruto; então vos tomareis Meus discí­pulos.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1.</strong> A comparação do povo escolhido com uma videira tinha sido utilizada já no Antigo Testamento: no Salmo 80 fala-se da ruína e da restauração da vinha arrancada do Egipto e plantada noutra terra; e no cântico de Isaías (5,1-7) Deus queixa-Se de que a Sua vinha, apesar dos cuidados amorosos, tenha produzido agraços em lugar de uvas. Jesus tinha utilizado estas imagens na parábola dos vinhateiros homicidas (Mt 21,33-43) para significar a rejeição do Filho por parte dos Judeus e o chamamento aos gentios. Aqui, porém, a comparação tem um sentido diferente, mais pessoal: Cristo apresenta-Se como a verdadeira videira, porque à velha videira, ao antigo povo escolhido, sucedeu o novo, a Igreja, cuja cabeça é Cristo (cfr l Cor 3,9). É preciso estar unidos à nova e verdadeira Videira, a Cristo, para produzir fruto. Não se trata já apenas de pertencer a uma comunidade, mas de viver a vida de Cristo, vida da Graça, que é a seiva vivificante que anima o crente e o capacita para dar frutos de vida eterna. Esta imagem da videira, por outro lado, ajuda a compreender a unidade da Igreja, Corpo Místico de Cristo, em que todos os membros estão intima­mente unidos com a Cabeça, e nela, unidos também uns com os outros (1Cor 12,12-26; Rom 12,4-5; Eph 4,15-16).</p>
<p><strong>2.</strong> O Senhor descreve duas situações: a daqueles que, mesmo estando unidos à videira com vínculos externos, não dão fruto; e a daqueles que, mesmo dando fruto, podem dar mais. Isto ensina-nos também a Epístola de São Tiago ao dizer que não basta a fé (lac 2,17). Embora seja certo que a fé é o começo da salvação, e sem a fé não podemos agradar a Deus, também é verdade que a fé viva há-de dar o fruto das obras. «Porqueem Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão têm valor, mas somente a fé que actua pela caridade» (Gal 5,6). Assim pois, pode dizer-se que para dar frutos agradáveis a Deus não basta ter recebido o Baptismo e professar externamente a fé, mas é preciso participar da vida de Cristo pela graça e colaborar na Sua obra redentora.</p>
<p>Jesus utiliza o mesmo verbo para falar da poda das varas e da limpeza dos discípulos no versículo seguinte; à letra deveria traduzir-se: «A todo o que dá fruto limpa-o para que dê mais fruto». Fica assim claro que Deus não Se contenta com uma entrega a meias. Por isto purifica os Seus através da contradição e das dificuldades, que são como uma poda, para que deem mais fruto. Aqui podemos ver uma explicação do porquê do sofrimento: «Não ouviste dos lábios do Mestre a parábola da videira e das varas? — Con­sola-te. Ele é exigente porque és vara que dá fruto&#8230; E poda-te, &#8216;ut fructum plus afferas&#8217; — para que dês mais fruto.</p>
<p>«É claro: dói esse cortar, esse arrancar. Mas, depois, que louçania nos frutos, que maturidade nas obras!» <em>(Caminho, </em>n.°701).</p>
<p><strong>3</strong>. Jesus ao lavar os pés a Pedro já tinha dito que os Seus Apóstolos estavam limpos, ainda que nem todos (cfr Ioh 13,10). Agora volta a referir-Se a essa limpeza interior por virtude dos ensinamentos que aceitaram. «Pois a palavra de Cristo purifica em primeiro lugar dos erros, instruindo (cfr Tit 1,9,) (&#8230;); em segundo lugar, purifica os corações dos afectos terrenos, despertando-os para as coisas celestiais (&#8230;); finalmente, a palavra purifica pelo vigor da fé: pois &#8216;purificou os seus corações pela fé&#8217; (Act 15,9)» <em>(Comentário sobre S. João, ad loc.).</em></p>
<p><strong>4-5.</strong> O Senhor continua a deduzir consequências da comparação da videira e das varas. Agora sublinha a inutilidade de quem se afasta d&#8217;Ele, tal como a da vara separada da videira. «Reparai nesses sarmentos repletos, porque participam da seiva do tronco. Só assim aqueles minúsculos rebentos de alguns meses antes puderam converter-se em polpa doce e madura, que encherá de alegria a vista e o coração das pessoas (Ps CHI,15). No solo ficam talvez algumas varas toscas, soltas, meias enterradas. Eram sar­mentos também, mas secos, estiolados. São o símbolo mais gráfico da esterilidade. <em>Porque, sem Mim, nada podeis fazer» (Amigos de Deus, </em>n.° 254).</p>
<p>A vida de união com Cristo transcende necessariamente o âmbito individual do cristão para se projectar em benefício dos outros: daí brota a fecundidade apostólica, já que «o apostolado, seja ele de que tipo for, consiste numa superabundância da vida interior» <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 239). O Concilio Vaticano II, citando o presente passo de São João, ensina como deve ser o apostolado dos cristãos: «A fonte e origem de todo o apostolado da Igreja é Cristo, enviado pelo Pai. Sendo assim, é evidente que a fecundidade do aposto­lado dos leigos depende da sua união vital com Cristo, segundo as palavras do Senhor: &#8216;aquele que permanece em Mim e em quem Eu permaneço, esse produz muito fruto; pois, sem Mim, nada podeis fazer&#8217;. Esta vida de íntima união com Cristo na Igreja é alimentada pelos auxílios espirituais comuns a todos os fiéis e, de modo especial, pela participação activa na sagrada Liturgia; e os leigos devem servir-se deles de tal modo que, desempenhando correctamente as diversas tarefas terrenas nas condições ordinárias da existência, não separem da própria vida a união com Cristo, mas antes, realizando a própria actividade segundo a vontade de Deus, nela cresçam» <em>(Apostolicam actuositatem, </em>n. 4).</p>
<p><strong>6</strong>. Quem não está unido a Cristo por meio da graça terá, finalmente, o mesmo destino que as varas secas: o fogo. E claro o paralelismo com outras imagens da pregação do Senhor acerca do Inferno: as parábolas da árvore boa e da má (Mt 8,15-20), da rede de arrasto (Mt 13,49-50), do convi­dado para as bodas (Mt 22,11-14), etc. Santo Agostinho comenta assim este passo: «Os sarmentos da videira são do mais desprezível se não estão unidos à cepa; e do mais nobre se o estão (&#8230;). Se se cortam não servem de nada nem para o vinhateiro nem para o carpinteiro. Para os sarmentos uma de duas: ou a videira ou o fogo. Se não estão na videira, vão para o fogo: para não irem para o fogo, que estejam unidos à videira» <em>(In Ioann. Evang., </em>81,3).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>10.05.2012 – Jo 15, 9-11</strong></p>
<p><sup>9</sup>Assim como o Pai Me amou também Eu vos amei. Permanecei no Meu amor. <sup>10</sup>Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e permaneço no Seu amor. <sup>11</sup>Disse-vos isto, para a Minha alegria estar em vós e a vossa alegria ser completa.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>9-11</strong>. O amor de Cristo aos cristãos é reflexo do amor que as três Pessoas divinas têm entre Si e para com os homens: «Amemos a Deus porque Ele nos amou primeiro» (1Ioh 4,19).</p>
<p>A certeza de que Deus nos ama é a raiz da alegria e do gozo cristão (v. 11), mas ao mesmo tempo exige a nossa correspondência fiel, que deve traduzir-se num desejo fervo­roso de cumprir a Vontade de Deus em tudo, isto é, os Seus mandamentos, à imitação de Jesus Cristo que cumpriu a Vontade do Pai (cfr Ioh 4,34).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>11.05.2012 – Jo 15, 12-17</strong></p>
<p><sup>12</sup>É este o Meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei a vós. <sup>13</sup>Ninguém tem amor maior que o de quem der a própria vida pelos seus amigos. <sup>14</sup>Vós sereis Meus amigos, se fizerdes o que Eu vos ordeno. <sup>15</sup>Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor; Eu cha­mei-vos amigos, porque tudo o que ouvi a Meu Pai vo-lo dei a conhecer. <sup>16</sup>Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e vos estabeleci, para irdes e dardes fruto e o vosso fruto permanecer, de sorte que o que pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo concederá. <sup>17</sup>O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>12-15</strong>. Jesus insiste no «mandamento novo», cumprin­do-o Ele mesmo ao dar a Sua vida por nós. Veja-se a nota a Ioh 13,34-35.</p>
<p>A amizade de Cristo com o cristão, que o Senhor manifesta de modo particular neste passo, foi posta em realce na pregação de Mons. J. Escrivá de Balaguer: «A vida do cristão que decide comportar-se de acordo com a grandeza da sua vocação converte-se num eco prolongado daquelas palavras do Senhor: <em>Já não vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vo-lo dei a conhecer (Ioh XV,15). </em>Estar pronto a seguir documente a Vontade divina abre horizontes insuspeitados (&#8230;) &#8216;não há nada melhor que saber que somos por amor escravos de Deus, porque perdemos a situação de escravos para nos tornarmos amigos, filhos&#8217; <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 35).</p>
<p>«Filhos de Deus, <em>Amigos de Deus </em>(&#8230;) Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem: nosso Irmão, nosso Amigo; se procurarmos criar intimidade com Ele, &#8216;partici­paremos na dita da amizade divina&#8217; <em>(Ibid., </em>n.° 300); se fizermos o possível por acompanhá-Lo desde Belém até ao Calvário, compartilhando as Suas alegrias e os Seus sofri­mentos, tornar-nos-emos dignos da Sua companhia amistosa: <em>calicem Domini biberunt </em>— canta a Liturgia das Horas — <em>et amici Dei facti sunt, </em>beberam do cálice do Senhor e torna­ram-se amigos de Deus (Responsório da segunda leitura do ofício da Dedicação das Basílicas dos Apóstolos Pedro e Paulo).</p>
<p>«Filiação e amizade são duas realidades inseparáveis para aqueles que amam a Deus. A Ele acorremos como filhos, num diálogo que há-de encher toda a nossa vida; e como amigos (&#8230;). Do mesmo modo, a filiação divina leva a que a abundância de vida interior se traduza em actos de apostolado, tal como a amizade com Deus leva a pormo-nos &#8216;ao serviço de todos: temos de utilizar esses dons de Deus como instrumentos para ajudar os homens a descobrirem Cristo&#8217; <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 258)» <em>(Amigos de Deus, </em>Apresentação de Mons. A. Del Portillo, pp. 20-21).</p>
<p><strong>16.</strong> Três ideias estão contidas nestas palavras do Senhor. Uma, que o chamamento aos Apóstolos e também a todo o cristão não provém de bons desejos, mas da escolha gratuita de Cristo. Não foram os Apóstolos que escolheram o Senhor como Mestre, segundo o costume judaico de escolher para si um rabino, mas foi Cristo quem os escolheu a eles. A segunda ideia é que a missão dos Apóstolos e de todo o cristão consiste em seguir Cristo, buscar a santidade e contribuir para a propagação do Evangelho. O terceiro ensinamento refere-se à eficácia da súplica feita em nome de Cristo; por isso a Igreja costuma terminar as orações da Sagrada Liturgia com a invocação «por Jesus Cristo Nosso Senhor».</p>
<p>As três ideias assinaladas unem-se harmonicamente: a oração é necessária para que a vida cristã seja fecunda, pois é Deus quem dá o incremento (cfr 1Cor 3,7); e a obrigação de buscar a santidade e exercer o apostolado deriva de que é o próprio Cristo quem nos chamou a realizar esta missão.</p>
<p>«Lembra-te, meu filho, de que não és somente uma alma que se une a outras almas para fazer uma coisa boa.</p>
<p>«Isso é muito&#8230;, mas é pouco. — És o Apóstolo que cumpre uma ordem imperativa de Cristo» <em>(Caminho, </em>n.° 942).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>12.05.2012 – Jo 15, 18-21</strong></p>
<p><sup>18</sup>Se o mundo vos odeia, ficai sabendo que, primeiro do que a vós, Me odiou a Mim. <sup>19</sup>Se fósseis do mundo, o mundo amaria o que era seu. Mas porque não sois do mundo e porque Eu, ao contrário, do mundo vos escolhi, <em>é </em>que o mundo vos odeia. <sup>20</sup>Lembrai-vos da Palavra que vos disse:  «Não é o servo maior que o seu senhor». Se a Mim Me perseguiriam, tam­bém a vós vos hão-de perseguir. Se guar­daram a Minha palavra, também a vossa hão-de guardar. <sup>21</sup>Mas tudo isto farão contra vós por causa do Meu nome, por não conhecerem Aquele que Me enviou.<strong></strong></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>18-19. </strong>Jesus afirma que entre Ele e o mundo como reino do pecado não há possibilidade de acordo: quem vive no pecado aborrece a luz (cfr Ioh 3,19-20). Por isso perseguiram Cristo e perseguirão também os Apóstolos. «A hostilidade dos perversos soa como um louvor para a nossa vida — diz São Gregório —, porque demonstra que temos pelo menos algo de rectidão enquanto somos incômodos para os que não amam a Deus: ninguém pode ser agradável para Deus e para os inimigos de Deus ao mesmo tempo. Demonstra que não é amigo de Deus quem busca agradar aos que se opõem a Ele: e quem se submete à verdade lutará contra o que se opõe à verdade» <em>(In Ezechielem homiliae, 9).</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>13.05.2102 – Jo 15, 9-17</strong></p>
<p><sup>9</sup>Assim como o Pai Me amou também Eu vos amei. Permanecei no Meu amor. <sup>10</sup>Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e permaneço no Seu amor. <sup>11</sup>Disse-vos isto, para a Minha alegria estar em vós e a vossa alegria ser completa. <sup>12</sup>É este o Meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei a vós. <sup>13</sup>Ninguém tem amor maior que o de quem der a própria vida pelos seus amigos. <sup>14</sup>Vós sereis Meus amigos, se fizerdes o que Eu vos ordeno. <sup>15</sup>Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor; Eu cha­mei-vos amigos, porque tudo o que ouvi a Meu Pai vo-lo dei a conhecer. <sup>16</sup>Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e vos estabeleci, para irdes e dardes fruto e o vosso fruto permanecer, de sorte que o que pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo concederá. <sup>17</sup>O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>9-11</strong>. O amor de Cristo aos cristãos é reflexo do amor que as três Pessoas divinas têm entre Si e para com os homens: «Amemos a Deus porque Ele nos amou primeiro» (1Ioh 4,19).</p>
<p>A certeza de que Deus nos ama é a raiz da alegria e do gozo cristão (v. 11), mas ao mesmo tempo exige a nossa correspondência fiel, que deve traduzir-se num desejo fervo­roso de cumprir a Vontade de Deus em tudo, isto é, os Seus mandamentos, à imitação de Jesus Cristo que cumpriu a Vontade do Pai (cfr Ioh 4,34).</p>
<p><strong>12-15</strong>. Jesus insiste no «mandamento novo», cumprin­do-o Ele mesmo ao dar a Sua vida por nós. Veja-se a nota a Ioh 13,34-35.</p>
<p>A amizade de Cristo com o cristão, que o Senhor manifesta de modo particular neste passo, foi posta em realce na pregação de Mons. J. Escrivá de Balaguer: «A vida do cristão que decide comportar-se de acordo com a grandeza da sua vocação converte-se num eco prolongado daquelas palavras do Senhor: <em>Já não vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vo-lo dei a conhecer (Ioh XV,15). </em>Estar pronto a seguir documente a Vontade divina abre horizontes insuspeitados (&#8230;) &#8216;não há nada melhor que saber que somos por amor escravos de Deus, porque perdemos a situação de escravos para nos tornarmos amigos, filhos&#8217; <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 35).</p>
<p>«Filhos de Deus, <em>Amigos de Deus </em>(&#8230;) Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem: nosso Irmão, nosso Amigo; se procurarmos criar intimidade com Ele, &#8216;partici­paremos na dita da amizade divina&#8217; <em>(Ibid., </em>n.° 300); se fizermos o possível por acompanhá-Lo desde Belém até ao Calvário, compartilhando as Suas alegrias e os Seus sofri­mentos, tornar-nos-emos dignos da Sua companhia amistosa: <em>calicem Domini biberunt </em>— canta a Liturgia das Horas — <em>et amici Dei facti sunt, </em>beberam do cálice do Senhor e torna­ram-se amigos de Deus (Responsório da segunda leitura do ofício da Dedicação das Basílicas dos Apóstolos Pedro e Paulo).</p>
<p>«Filiação e amizade são duas realidades inseparáveis para aqueles que amam a Deus. A Ele acorremos como filhos, num diálogo que há-de encher toda a nossa vida; e como amigos (&#8230;). Do mesmo modo, a filiação divina leva a que a abundância de vida interior se traduza em actos de apostolado, tal como a amizade com Deus leva a pormo-nos &#8216;ao serviço de todos: temos de utilizar esses dons de Deus como instrumentos para ajudar os homens a descobrirem Cristo&#8217; <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 258)» <em>(Amigos de Deus, </em>Apresentação de Mons. A. Del Portillo, pp. 20-21).</p>
<p><strong>16.</strong> Três ideias estão contidas nestas palavras do Senhor. Uma, que o chamamento aos Apóstolos e também a todo o cristão não provém de bons desejos, mas da escolha gratuita de Cristo. Não foram os Apóstolos que escolheram o Senhor como Mestre, segundo o costume judaico de escolher para si um rabino, mas foi Cristo quem os escolheu a eles. A segunda ideia é que a missão dos Apóstolos e de todo o cristão consisteem seguir Cristo, buscar a santidade e contribuir para a propagação do Evangelho. O terceiro ensinamento refere-se à eficácia da súplica feita em nome de Cristo; por isso a Igreja costuma terminar as orações da Sagrada Liturgia com a invocação «por Jesus Cristo Nosso Senhor».</p>
<p>As três ideias assinaladas unem-se harmonicamente: a oração é necessária para que a vida cristã seja fecunda, pois é Deus quem dá o incremento (cfr l Cor 3,7); e a obrigação de buscar a santidade e exercer o apostolado deriva de que é o próprio Cristo quem nos chamou a realizar esta missão.</p>
<p>«Lembra-te, meu filho, de que não és somente uma alma que se une a outras almas para fazer uma coisa boa.</p>
<p>«Isso é muito&#8230;, mas é pouco. — És o Apóstolo que cumpre uma ordem imperativa de Cristo» <em>(Caminho, </em>n.° 942).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>14.05.2012 – Jo 15, 9-17</strong></p>
<p><sup>9</sup>Assim como o Pai Me amou também Eu vos amei. Permanecei no Meu amor. <sup>10</sup>Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e permaneço no Seu amor. <sup>11</sup>Disse-vos isto, para a Minha alegria estar em vós e a vossa alegria ser completa. <sup>12</sup>É este o Meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei a vós. <sup>13</sup>Ninguém tem amor maior que o de quem der a própria vida pelos seus amigos. <sup>14</sup>Vós sereis Meus amigos, se fizerdes o que Eu vos ordeno. <sup>15</sup>Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor; Eu cha­mei-vos amigos, porque tudo o que ouvi a Meu Pai vo-lo dei a conhecer. <sup>16</sup>Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e vos estabeleci, para irdes e dardes fruto e o vosso fruto permanecer, de sorte que o que pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo concederá. <sup>17</sup>O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>9-11</strong>. O amor de Cristo aos cristãos é reflexo do amor que as três Pessoas divinas têm entre Si e para com os homens: «Amemos a Deus porque Ele nos amou primeiro» (1Ioh 4,19).</p>
<p>A certeza de que Deus nos ama é a raiz da alegria e do gozo cristão (v. 11), mas ao mesmo tempo exige a nossa correspondência fiel, que deve traduzir-se num desejo fervo­roso de cumprir a Vontade de Deus em tudo, isto é, os Seus mandamentos, à imitação de Jesus Cristo que cumpriu a Vontade do Pai (cfr Ioh 4,34).</p>
<p><strong>12-15</strong>. Jesus insiste no «mandamento novo», cumprin­do-o Ele mesmo ao dar a Sua vida por nós. Veja-se a nota a Ioh 13,34-35.</p>
<p>A amizade de Cristo com o cristão, que o Senhor manifesta de modo particular neste passo, foi posta em realce na pregação de Mons. J. Escrivá de Balaguer: «A vida do cristão que decide comportar-se de acordo com a grandeza da sua vocação converte-se num eco prolongado daquelas palavras do Senhor: <em>Já não vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vo-lo dei a conhecer (Ioh XV,15). </em>Estar pronto a seguir documente a Vontade divina abre horizontes insuspeitados (&#8230;) &#8216;não há nada melhor que saber que somos por amor escravos de Deus, porque perdemos a situação de escravos para nos tornarmos amigos, filhos&#8217; <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 35).</p>
<p>«Filhos de Deus, <em>Amigos de Deus </em>(&#8230;) Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem: nosso Irmão, nosso Amigo; se procurarmos criar intimidade com Ele, &#8216;partici­paremos na dita da amizade divina&#8217; <em>(Ibid., </em>n.° 300); se fizermos o possível por acompanhá-Lo desde Belém até ao Calvário, compartilhando as Suas alegrias e os Seus sofri­mentos, tornar-nos-emos dignos da Sua companhia amistosa: <em>calicem Domini biberunt </em>— canta a Liturgia das Horas — <em>ei amici Dei facti sunt, </em>beberam do cálice do Senhor e torna­ram-se amigos de Deus (Responsório da segunda leitura do ofício da Dedicação das Basílicas dos Apóstolos Pedro e Paulo).</p>
<p>«Filiação e amizade são duas realidades inseparáveis para aqueles que amam a Deus. A Ele acorremos como filhos, num diálogo que há-de encher toda a nossa vida; e como amigos (&#8230;). Do mesmo modo, a filiação divina leva a que a abundância de vida interior se traduza em actos de apostolado, tal como a amizade com Deus leva a pormo-nos &#8216;ao serviço de todos: temos de utilizar esses dons de Deus como instrumentos para ajudar os homens a descobrirem Cristo&#8217; <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 258)» <em>(Amigos de Deus, </em>Apresentação de Mons. A. Del Portillo, pp. 20-21).</p>
<p><strong>16.</strong> Três ideias estão contidas nestas palavras do Senhor. Uma, que o chamamento aos Apóstolos e também a todo o cristão não provém de bons desejos, mas da escolha gratuita de Cristo. Não foram os Apóstolos que escolheram o Senhor como Mestre, segundo o costume judaico de escolher para si um rabino, mas foi Cristo quem os escolheu a eles. A segunda ideia é que a missão dos Apóstolos e de todo o cristão consisteem seguir Cristo, buscar a santidade e contribuir para a propagação do Evangelho. O terceiro ensinamento refere-se à eficácia da súplica feita em nome de Cristo; por isso a Igreja costuma terminar as orações da Sagrada Liturgia com a invocação «por Jesus Cristo Nosso Senhor».</p>
<p>As três ideias assinaladas unem-se harmonicamente: a oração é necessária para que a vida cristã seja fecunda, pois é Deus quem dá o incremento (cfr 1Cor 3,7); e a obrigação de buscar a santidade e exercer o apostolado deriva de que é o próprio Cristo quem nos chamou a realizar esta missão.</p>
<p>«Lembra-te, meu filho, de que não és somente uma alma que se une a outras almas para fazer uma coisa boa.</p>
<p>«Isso é muito&#8230;, mas é pouco. — És o Apóstolo que cumpre uma ordem imperativa de Cristo» <em>(Caminho, </em>n.° 942).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>15.05.2012 – Jo 16, 5-11</strong></p>
<p><sup>5</sup>Mas agora vou para Aquele que Me enviou e já nenhum de vós Me per­gunta: «Para onde vais?». <sup>6</sup>Mas, por Eu vos ter dito estas coisas, encheu-se de mágoa o vosso coração. <sup>7</sup>Contudo, Eu digo-vos a ver­dade: É conveniente para vós que Eu Me vá. Se Eu não for, o Assistente não virá até vós. Mas, se Eu for, enviar-vo-Lo-ei. <sup>8</sup>Depois de chegar, há-de Ele confundir o mundo quanto ao pecado, quanto à justiça e quanto ao julgamento: <sup>9</sup>quanto ao pecado, porque não acreditam em Mim; <sup>10</sup>quanto à justiça, por­que Eu vou para o Pai e já Me não vereis; <sup>11</sup>e quanto ao julgamento, porque o Príncipe deste mundo está condenado.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>6-7.</strong> O pensar que os vai deixar sós enche de tristeza os Apóstolos. O Senhor consola-os com a promessa do Paráclito, o Consolador. Mais adiante (v. 20 s.) assevera-lhes que aquela tristeza se converterá numa alegria que ninguém poderá arrebatar-lhes.</p>
<p>Jesus fala do Espírito Santo três vezes no Sermão da Ceia. Na primeira (14,15 ss.), afirma que virá outro Paráclito (advogado, consolador) enviado pelo Pai para que esteja sempre com eles; na segunda (14,26), diz que Ele mesmo enviará, de parte do Pai, o Espírito da verdade, que lhes ensinará tudo; na terceira (16,6-7), descobre totalmente o plano de salvação e anuncia que o fruto da Sua Ascensão ao Céu será o envio do Espírito Santo.</p>
<p><strong>8-11. A</strong> palavra «mundo» designa aqui os que não creram em Cristo e O rejeitaram. A estes o Espírito Santo acusá-los-á de pecado pela sua incredulidade. Argui-los-á de justiça porque mostrará que Jesus era o Justo que jamais cometeu pecado algum (cfr Ioh 8,46; Heb 4,15), e por isso é glorificado junto do Pai, Por último arguirá de juízo ao tornar patente que o Demônio, príncipe deste mundo, foi vencido mediante a Morte de Cristo, pela qual o homem é resgatado do poder do Maligno e capacitado, pela graça, para vencer as suas ciladas.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>16.05.2012 – Jo 16, 12-15</strong></p>
<p><sup>12</sup>Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não podeis comportá-las por agora. <sup>13</sup>Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, guiar-vos-á para a verdade total. É que Ele não falará por si próprio, mas falará de quanto ouve e anunciar-vos-á o que está para vir. <sup>14</sup>Ele há-de glorificar-Me, porque receberá do que é Meu, para vo-lo anunciar. <sup>15</sup>Tudo quanto o Pai tem é Meu. Por isso Eu disse que Ele receberá do que é Meu, para vo-lo anunciar.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>13.</strong> O Espírito Santo é quem leva à plena compreensão da verdade revelada por Cristo. Com efeito, como ensina o Concilio Vaticano II, o Senhor «com o envio do Espírito de verdade, completa totalmente e confirma com o testemunho divino a revelação» <em>(Dei Verbum, </em>n. 4). Cfr a nota a Ioh 14,25-26.</p>
<p><strong>14-15.</strong> Jesus Cristo revela aqui alguns aspectos do mistério da Santíssima Trindade. Ensina a igualdade de natureza das três Pessoas divinas ao dizer que tudo o que tem o Pai é do Filho, que tudo o que tem o Filho é do Pai (cfr Ioh 17,10) e que o Espírito Santo possui também aquilo que é comum ao Pai e ao Filho, isto é, a essência divina. Acção própria do Espírito Santo será glorificar Cristo, recordando e esclarecendo aos discípulos o que o Mestre lhes ensinou (Ioh 16,13). Os homens, ao reconhecerem o Pai através do Filho movidos pelo Espírito, glorificam Cristo; e glorificar Cristo é o mesmo que dar glória a Deus (cfr Ioh 17,1.3-5.10).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>17.05.2012 – Jo 16, 16-20</strong></p>
<p><sup>16</sup>Daqui a pouco já Me não vereis e pouco depois voltareis a ver-Me. <sup>17</sup>Disseram então alguns dos discípulos entre si: Que <em>é </em>isto que Ele nos diz: «daqui a pouco não mais Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me», e ainda: «Eu vou para o Pai»? <sup>18</sup>Per­guntavam, pois: Que é esse pouco de que Ele fala? Não sabemos o que está a dizer! <sup>19</sup>Jesus percebeu que O queriam interrogar e disse-lhes: Estais inquirindo entre vós sobre isto que Eu disse: «Daqui a pouco não Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me»? <sup>20</sup>Em verdade, em verdade vos digo: Vós haveis de chorar e lamentar-vos, e o mundo alegrar-se-á. Vós haveis de entristecer-vos, mas a vossa tristeza tornar-se-á em alegria.<strong></strong></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>16-22.</strong> O Senhor tinha consolado antes os discípulos asseverando-lhes que depois da Sua partida lhes enviaria o Espírito Santo (v. 7). Agora dá-lhes outro motivo de conso­lação: a Sua partida não será definitiva, mas voltará a estar com eles. Não obstante, os Apóstolos não acabam de enten­der o que lhes quer dizer, e interrogam-se uns aos outros sobre o sentido das palavras do Mestre. O Senhor não lhes dá uma explicação directa, quiçá porque não seriam capazes de compreender, como já noutras ocasiões (cfr Mt 16,21-23 e par.). Pelo contrário, insiste na alegria que virá depois dessa tristeza que agora os embarga. E assim anuncia-lhes que, depois das tribulações, terão um gozo completo que não perderão jamais (cfr Ioh 17,13). Refere-Se, antes de mais, à alegria da Ressurreição (cfr Lc 24,41), mas também ao encontro definitivo com Jesus no Céu. Esta imagem da mulher que dá à luz, que é muito frequente no Antigo Testa­mento para exprimir a dor intensa, costuma empregar-se também,.sobretudo nos Profetas, para significar o parto do novo povo messiânico (cfr Is 21,3;26,17; 66,7; ler 30,6; Os 13,13; Mich 4,9-10). As palavras de Jesus, que o presente passo do Evangelho recolhe, parecem ter uma relação com tais profecias, das quais constituiriam o seu cumprimento. O nascimento do povo messiânico — a Igreja de Cristo — comporta dores intensas não só para Jesus, mas também, na sua medida, para os Apóstolos. Mas essas dores, como de parto, ver-se-ão compensadas pelo gozo da consumação do Reino de Cristo: «Porque estou convencido — diz São Paulo — de que os padecimentos do tempo presente não são compa­ráveis com a glória que se há-de manifestar em nós» (Rom 8,18).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>18.05.2012 – Jo 16, 20-24a </strong></p>
<p><sup>20</sup>Em verdade, em verdade vos digo: Vós haveis de chorar e lamentar-vos, e o mundo alegrar-se-á. Vós haveis de entristecer-vos, mas a vossa tristeza tornar-se-á em alegria. <sup>21</sup>A mulher, quando vai dar à luz, sente-se triste, por ter chegado a sua hora. Mas, depois de ter tido o menino, já se não lembra da aflição com a alegria de ter vindo um homem ao mundo. <sup>22</sup>Tarnbém vós vos sentis agora tristes. Mas Eu hei-de tornar a ver-vos; então o vosso coração alegrar-se-á, e a vossa alegria ninguém vo-la poderá tirar. <sup>23</sup>E, nesse dia, nada Me haveis de perguntar. Em verdade, em verdade vos digo: O que pedirdes ao Pai. Ele vo-lo dará em Meu nome. <sup>24</sup>Até agora nada pedistes em Meu nome; pedi e recebereis.<strong></strong></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>16-22.</strong> O Senhor tinha consolado antes os discípulos asseverando-lhes que depois da Sua partida lhes enviaria o Espírito Santo (v. 7). Agora dá-lhes outro motivo de conso­lação: a Sua partida não será definitiva, mas voltará a estar com eles. Não obstante, os Apóstolos não acabam de enten­der o que lhes quer dizer, e interrogam-se uns aos outros sobre o sentido das palavras do Mestre. O Senhor não lhes dá uma explicação directa, quiçá porque não seriam capazes de compreender, como já noutras ocasiões (cfr Mt 16,21-23 e par.). Pelo contrário, insiste na alegria que virá depois dessa tristeza que agora os embarga. E assim anuncia-lhes que, depois das tribulações, terão um gozo completo que não perderão jamais (cfr Ioh 17,13). Refere-Se, antes de mais, à alegria da Ressurreição (cfr Lc 24,41), mas também ao encontro definitivo com Jesus no Céu. Esta imagem da mulher que dá à luz, que é muito frequente no Antigo Testa­mento para exprimir a dor intensa, costuma empregar-se também,.sobretudo nos Profetas, para significar o parto do novo povo messiânico (cfr Is 21,3;26,17; 66,7; ler 30,6; Os 13,13; Mich 4,9-10). As palavras de Jesus, que o presente passo do Evangelho recolhe, parecem ter uma relação com tais profecias, das quais constituiriam o seu cumprimento. O nascimento do povo messiânico — a Igreja de Cristo — comporta dores intensas não só para Jesus, mas também, na sua medida, para os Apóstolos. Mas essas dores, como de parto, ver-se-ão compensadas pelo gozo da consumação do Reino de Cristo: «Porque estou convencido — diz São Paulo — de que os padecimentos do tempo presente não são compa­ráveis com a glória que se há-de manifestar em nós» (Rom 8,18).</p>
<p><strong>23-24.   </strong>Veja-se a nota a Ioh 14,12-14.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>19.05.2012 – Jo 16, 23b-28</strong></p>
<p>Em verdade, em verdade vos digo: O que pedirdes ao Pai. Ele vo-lo dará em Meu nome. <sup>24</sup>Até agora nada pedistes em Meu nome; pedi e recebereis, para a vossa alegria ser completa.</p>
<p><sup>25</sup>Disse-vos estas coisas em parábolas. Vai chegar a hora em que já vos não falarei em parábolas, mas abertamente vos farei decla­rações acerca do Pai. <sup>26</sup>Nesse dia, pedireis em Meu nome; e não vos digo que rogarei por vós ao Pai, &#8220;pois é o próprio Pai que vos ama, por vós Me terdes amado e haverdes acreditado que Eu vim de junto de Deus. <sup>28</sup>Eu saí do Pai e vim ao mundo. De novo deixo o mundo e volto para o Pai.<strong></strong></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>23-24.   </strong>Veja-se a nota a Ioh 14,12-14.</p>
<p><strong>25-30. </strong>Como se vê também noutros passos dos Evan­gelhos, Jesus explicava a Sua doutrina aos Apóstolos detidamente e com mais clareza que às multidões (cfr Mc 4, 10-12 e par.). Desta forma ia-os preparando para os enviar a pregar o Evangelho por todo o mundo (cfr Mt 28,18-20). Não obstante, o Senhor também realiza essa instrução dos Apóstolos por meio de figuras ou parábolas, inclusivamente na intimidade do discurso da Ceia: a videira, a mulher que dá à luz, etc. Esta forma de ensinar desperta a curiosidade dos Apóstolos, que, como não acabam de entender, querem perguntar mais (cfr vv. 17-18). Jesus anuncia-lhes que vai chegar o momento em que lhes falará com toda a clareza, e assim possam compreendê-Lo de todo. Isto acontecerá depois da Ressurreição (cfr Act 1 ,3). Mas já agora, pelo facto de conhecer os seus pensamentos, lhes está a manifestar uma vez mais que é Deus, pois só Deus pode conhecer o que há no mundo interior do homem (cfr 2,25). Por outro lado, a frase do v. 28 «saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai» resume o mistério da Sua Pessoa (cfr Ioh l,14; 20,31).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>20.05.2012 – Mc 16, 15-20</strong></p>
<p><sup>15</sup>Tudo quanto o Pai tem é Meu. Por isso Eu disse que Ele receberá do que é Meu, para vo-lo anunciar.</p>
<p><sup>16</sup>Daqui a pouco já Me não vereis e pouco depois voltareis a ver-Me. <sup>17</sup>Disseram então alguns dos discípulos entre si: Que <em>é </em>isto que Ele nos diz: «daqui a pouco não mais Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me», e ainda: «Eu vou para o Pai»? <sup>18</sup>Per­guntavam, pois: Que é esse pouco de que Ele fala? Não sabemos o que está a dizer! <sup>19</sup>Jesus percebeu que O queriam interrogar e disse-lhes: Estais inquirindo entre vós sobre isto que Eu disse: «Daqui a pouco não Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me»? <sup>20</sup>Em verdade, em verdade vos digo: Vós haveis de chorar e lamentar-vos, e o mundo alegrar-se-á. Vós haveis de entristecer-vos, mas a vossa tristeza tornar-se-á em alegria.<strong></strong></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>16-22.</strong> O Senhor tinha consolado antes os discípulos asseverando-lhes que depois da Sua partida lhes enviaria o Espírito Santo (v. 7). Agora dá-lhes outro motivo de conso­lação: a Sua partida não será definitiva, mas voltará a estar com eles. Não obstante, os Apóstolos não acabam de enten­der o que lhes quer dizer, e interrogam-se uns aos outros sobre o sentido das palavras do Mestre. O Senhor não lhes dá uma explicação directa, quiçá porque não seriam capazes de compreender, como já noutras ocasiões (cfr Mt 16,21-23 e par.). Pelo contrário, insiste na alegria que virá depois dessa tristeza que agora os embarga. E assim anuncia-lhes que, depois das tribulações, terão um gozo completo que não perderão jamais (cfr Ioh 17,13). Refere-Se, antes de mais, à alegria da Ressurreição (cfr Lc 24,41), mas também ao encontro definitivo com Jesus no Céu. Esta imagem da mulher que dá à luz, que é muito frequente no Antigo Testa­mento para exprimir a dor intensa, costuma empregar-se também,.sobretudo nos Profetas, para significar o parto do novo povo messiânico (cfr Is 21,3;26,17; 66,7; ler 30,6; Os 13,13; Mich 4,9-10). As palavras de Jesus, que o presente passo do Evangelho recolhe, parecem ter uma relação com tais profecias, das quais constituiriam o seu cumprimento. O nascimento do povo messiânico — a Igreja de Cristo — comporta dores intensas não só para Jesus, mas também, na sua medida, para os Apóstolos. Mas essas dores, como de parto, ver-se-ão compensadas pelo gozo da consumação do Reino de Cristo: «Porque estou convencido — diz São Paulo — de que os padecimentos do tempo presente não são compa­ráveis com a glória que se há-de manifestar em nós» (Rom 8,18).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>21.05.2012 – Jo 16, 29-33</strong></p>
<p>. <sup>29</sup>Dizem os discípulos: Agora é que estás a falar aber­tamente e não dizes parábola nenhuma. <sup>30</sup>Agora sabemos que tudo conheces e não precisas que ninguém Te interrogue. Por isso acreditamos que saíste de Deus.<sup>31</sup> Res­pondeu-lhes Jesus: Acreditais agora? <sup>32</sup>Olhai que vai chegar a hora, e já chegou, em que vos dispersareis, cada qual para seu lado, e Me deixareis só; se bem que não estou só, porque o Pai está comigo. <sup>33</sup>Eu disse-vos isto, para terdes pazem Mim. No mundo tereis tribulações. Mas coragem! Eu venci o mundo!</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>31-32. </strong>Jesus modera o entusiasmo dos Apóstolos, que se manifesta numa espontânea profissão de fé, com uma per­gunta que tem um duplo aspecto. Por um lado, é como uma repreensão por terem tardado tanto em crer n&#8217;Ele: é certo que em ocasiões anteriores manifestaram a sua fé no Mestre (cfr Ioh 6,68-69; etc.), mas até agora não reconhecem claramente que Ele é o enviado do Pai. Por outro lado, refere-Se à falta de estabilidade daquela fé: creem e, não obstante, pouco depois abandoná-Lo-ão nas mãos dos Seus inimigos. Jesus exige uma fé firme: não basta que se mani­feste em momentos de entusiasmo, mas é necessário que se prove diante das dificuldades.</p>
<p><strong>33.</strong> O Concilio Vaticano II ensina a propósito deste passo: «O Senhor Jesus, que disse: <em>Confiai, Eu venci o mundo, </em>não prometeu à Sua Igreja, com estas palavras, a vitória perfeita, já na terra. Todavia, o sagrado Concilio alegra-se porque a terra semeada pelo Evangelho frutifica em muitas partes pela acção do Espírito do Senhor, que enche todo o mundo» <em>(Presbyterorum ordinis, </em>n. 22).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>22.05.2012 – Jo 17, 1-11a</strong></p>
<p>Assim falou Jesus. Depois, erguendo os olhos ao Céu, disse: Pai, chegou a hora: glorifica o Teu Filho, para o Teu Filho Te glorificar, <sup>2</sup>de acordo com o poder que Lhe outorgaste sobre toda a criatura, com o qual Ele dará a vida eterna a todos os que Lhe deste. <sup>3</sup>É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo. <sup>4</sup>Eu glorifiquei-Te na Terra, consumando a obra que Me deste a fazer. <sup>5</sup>E agora glorifica-Me Tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com a glória que Eu tinha junto de Ti, antes de o mundo existir.</p>
<p><sup>6</sup>Manifestei o Teu nome aos homens que, do mundo, Me deste. Eram Teus e deste-Mos a Mim; eles guardaram a Tua palavra. <sup>7</sup>Agora sabem que tudo quanto Me deste vem de ti, <sup>8</sup>porque Eu dei-lhes as palavras que Tu Me deste, e eles receberam-nas; reconheceram verdadeiramente que Eu saí de Ti e acreditaram que Tu Me enviaste. <sup>9</sup>Por eles é que Eu peço; não é pelo mundo que peço, é por aqueles que Me deste, porque são Teus. <sup>10</sup>Mas tudo o que é Meu é Teu e o que é Teu é Meu; e neles Eu estou glorificado. <sup>11</sup>Já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto Eu vou para Ti.<strong></strong></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-26.</strong> Depois do discurso da Ceia (caps. 13-16) começa a chamada Oração sacerdotal de Cristo, que ocupa todo o cap. 17. Denomina-se oração sacerdotal porque Jesus Se dirige a Seu Pai num diálogo emocionado, em que, como Sacerdote, Lhe oferece o sacrifício iminente da Sua Paixão e Morte. Desta forma revela-nos elementos essenciais da Sua missão redentora e serve-nos de modelo e de ensinamento: «O Senhor, Unigénito e coeterno do Pai, teria podido orar em silêncio se era necessário, mas quis manifestar-Se ao Pai como suplicante porque é o nosso Mestre (&#8230;). Daí que esta oração pelos discípulos não tenha sido útil só para aqueles que a ouviram, mas para todos os que havíamos de lê-la» <em>(In Ioann. Evang., </em>104,2).</p>
<p>A Oração sacerdotal consta de três partes: na primeira (vv. 1-5), Jesus pede a glorificação da Sua Santíssima Huma­nidade e a aceitação por parte do Pai do Seu sacrifício na Cruz. Na segunda (vv. 6-19), roga pelos Seus discípulos, que vai enviar ao mundo para proclamarem a obra redentora que Ele está prestes a consumar. Por último (vv. 20-26), roga pela unidade entre todos os que hão-de crer n&#8217;Ele ao longo dos séculos, até conseguir a plena união com Ele próprio na glória.</p>
<p><strong>1-5. A palavra «glória» designa aqui o esplendor, o poder e a honra próprios de Deus. O Filho é Deus igual ao Pai, e desde a Sua Encarnação e nascimento, principalmente na Sua Morte e Ressurreição, manifestou a Sua divindade: «Vimos a Sua glória, glória como de Unigénito do Pai» (Ioh 1,14). A glorificação de Jesus Cristo abrange um tríplice aspecto: primeiro, serve para glória do Pai, porque Cristo, obedecendo ao decreto redentor de Deus (cfr Phil 2,6 ss.), dá a conhecer o Pai e leva ao fim deste modo a obra salvífica divina (v. 4). Segundo, Cristo é glorificado porque a Sua Divindade, que esteve velada voluntariamente, por fim vai manifestar-se através da Sua Humanidade que, depois da Ressurreição, se mostrará revestida do mesmo poder divino sobre toda a criatura (vv. 2-5). Terceiro, Cristo, com a Sua glorificação, oferece ao homem a possibilidade de alcançar a vida eterna, conhecer Deus Pai e Jesus Cristo, Seu Filho Unigénito; o que redunda em glorificação do Pai e de Jesus Cristo, ao mesmo tempo que implica a participação do homem na glória divina (v. 3).</strong></p>
<p>«O Filho glorifica-Te fazendo que Te conheçam todos aqueles que Lhe confiaste. É verdade que se a vida eterna é o conhecimento de Deus, tanto mais tendemos a viver quanto mais progredimos neste conhecimento (&#8230;). O louvor de Deus não terá fim onde o conhecimento do mesmo Deus será pleno; e porque no Céu este conhecimento será completo, também será completa a glorificação de Deus» <em>(In Ioann Evang., </em>105,3).</p>
<p><strong>6-8.</strong> Nosso Senhor rogou ao Pai por Si mesmo; agora roga pelos Seus Apóstolos, que serão os continuadores da Sua obra redentora no mundo. Ao orar por eles, Jesus descreve algumas prerrogativas dos que vão formar o Colégio Apostólico.</p>
<p>Em primeiro lugar, a escolha: «Eram Teus&#8230;». Deus Pai tinha-os escolhido desde toda a eternidade (cfr Eph 1,3-4) e, no momento próprio, Jesus comunicou-lhes esta escolha: «O Senhor Jesus, depois de ter feito oração ao Pai, chamando a Si os que Ele quis, constituiu Doze para que vivessem com Ele e para os enviar a pregar o Reino de Deus (cfr Mc 3,13-19; Mt 10,1-42); a estes Apóstolos (cfr <em>Lc </em>6,13) instituiu-os a modo de Colégio, isto é, de grupo estável, à frente do qual colocou Pedro, escolhido dentre eles mesmos (cfr Ioh 21,15-17)» <em>(Lumen gentium, </em>n. 19). Por outro lado, os Apóstolos gozaram do privilégio de escutar directamente de Jesus Cristo a doutrina revelada. Mediante essa doutrina recebida com docilidade, chegaram a conhecer que Jesus tinha saído do Pai e que, portanto, é o enviado de Deus (v. 8); isto é, conseguiram o conhecimento das relações entre o Pai e o Filho.</p>
<p>O cristão, também discípulo, vai adquirindo pela vida de6-8. Nosso Senhor rogou ao Pai por Si mesmo; agora roga pelos Seus Apóstolos, que serão os continuadores da Sua obra redentora no mundo. Ao orar por eles, Jesus descreve algumas prerrogativas dos que vão formar o Colégio Apostólico.</p>
<p>Em primeiro lugar, a escolha: «Eram Teus&#8230;». Deus Pai tinha-os escolhido desde toda a eternidade (cfr Eph 1,3-4) e, no momento próprio, Jesus comunicou-lhes esta escolha: «O Senhor Jesus, depois de ter feito oração ao Pai, chamando a Si os que Ele quis, constituiu Doze para que vivessem com Ele e para os enviar a pregar o Reino de Deus (cfr Mc 3,13-19; Mt 10,1-42); a estes Apóstolos (cfr <em>Lc </em>6,13) instituiu-os a modo de Colégio, isto é, de grupo estável, à frente do qual colocou Pedro, escolhido dentre eles mesmos (cfr Ioh 21,15-17)» <em>(Lumen gentium, </em>n. 19). Por outro lado, os Apóstolos gozaram do privilégio de escutar directamente de Jesus Cristo a doutrina revelada. Mediante essa doutrina recebida com docilidade, chegaram a conhecer que Jesus tinha saído do Pai e que, portanto, é o enviado de Deus (v. 8); isto é, conseguiram o conhecimento das relações entre o Pai e o Filho.</p>
<p>O cristão, também discípulo, vai adquirindo pela vida de fé, com a intimidade com Jesus Cristo, o conhecimento de Deus e das coisas divinas.</p>
<p>«Ao recordarmos esta delicadeza humana de Cristo, que gasta a Sua vida em serviço dos outros, fazemos muito mais do .que descrever um modo possível de nos comportarmos: estamos a descobrir Deus. Toda a actuação de Cristo tem um valor transcendente; dá-nos a conhecer o modo de ser de Deus; convida-nos a crer no amor de Deus, que nos criou e que quer levar-nos até à Sua intimidade» <em>(Cristo que passa, </em>n. 109).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>23.05.2012 – Jo 17, 11b-19</strong></p>
<p>Pai Santo, guarda-os no Teu nome, o nome que Me deste, para serem um só, como Nós. <sup>12</sup>Quando Eu estava com eles, guardava-os no Teu nome, o nome que Me deste, e preservei-os, não se tendo perdido nenhum deles, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a Escritura. <sup>13</sup>Mas agora vou para Ti e, ainda no mundo, digo isto, para eles terem em si a plenitude da Minha alegria. <sup>14</sup>Eu dei-lhes a Tua palavra, e o mundo odiou-os, por não serem do mundo, como Eu não sou do mundo. <sup>15</sup>Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. <sup>16</sup>Eles não são do mundo, como Eu não sou do mundo. <sup>17</sup>Consagra-os na verdade. A Tua palavra é a verdade. <sup>18</sup>Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. <sup>19</sup>Eu consagro-Me por eles, para eles serem também consagrados na verdade.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>11-19.</strong> Jesus agora pede ao Pai para os Seus quatro coisas: a unidade, a perseverança, o gozo e a santidade. Ao pedir que os guarde em Seu nome (v. 11) está a rogar que perseverem na doutrina recebida (cfr v. 6) e em comunhão íntima com Ele. Consequência imediata desta comunhão é a unidade: «Para serem um só, como Nós»; a unidade que pede para os discípulos é reflexo da que existe entre as três Pessoas divinas.</p>
<p>Roga, além disso, que nenhum deles se perca, que o Pai os guarde e proteja, tal como Ele os protegeu enquanto esteve com eles. Em terceiro lugar, da união com Deus e da perse­verança no Seu amor surge a participação no gozo completo de Cristo (v. 13). Nesta vida, quanto melhor conhecermos Deus e mais intimamente estivermos unidos a Ele, maior dita teremos. Na vida eterna, a nossa alegria será completa, porque o conhecimento e amor a Deus terão chegado à sua plenitude.</p>
<p>Por último, o Senhor roga pelos que, vivendo no meio do mundo, não são do mundo, para que sejam santos de verdade (v. 17) e levem a cabo a missão que Ele lhes confia, como Ele realizou a que recebeu do Pai (v. 18).</p>
<p><strong>12.</strong> «Para se cumprir a Escritura»: É uma alusão ao que, pouco antes (Ioh 13,18), tinha dito aos Apóstolos ci­tando explicitamente o texto sagrado: «Aquele que come o pão comigo levantará contra Mim o seu calcanhar» (Ps 41,10). A finalidade desta e de outras alusões de Cristo à traição de Judas é consolidar a fé dos Apóstolos, manifes­tando que conhecia tudo de antemão e que as Escrituras já o tinham anunciado.</p>
<p>De qualquer modo, Judas perdeu-se por sua culpa e não porque Deus o determinasse a isso; assim, a sua traição deve ter-se ido preparando pouco a pouco, mediante pequenas infidelidades, apesar de que Nosso Senhor em muitas ocasiões o ajudou para que pudesse arrepender-se e voltar ao bom caminho (cfr a nota a Ioh 13,21-32); não obstante, Judas não correspondeu a essas graças e perdeu-se por sua própria vontade. Deus, que vê o futuro, predisse a traição de Judas na Escritura; Cristo, como verdadeiro Deus, conhecia essa perdição.e anuncia-a agora aos Seus discípulos com imensa dor.</p>
<p><strong>14-16.</strong> «Mundo» na Sagrada Escritura tem várias acepções. A primeira designa o conjunto da criação (Gen 1, 1 ss.), e dentro dela a humanidade, os homens, que Deus ama enternecidamente (Prv 8,31)- Neste contexto entende-se o pedido do Senhor: «Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno» (v. 15). «Constantemente o tenho ensinado com palavras da Santa Escritura: o mundo não é mau, porque saiu das mãos de Deus, porque Yahwéh olhou para ele e viu que era bom (cfr Gen 1,7 e ss.). Nós, os homens, é que o tornamos mau e feio com os nossos pecados e as nossas infidelidades. Não duvideis, meus filhos: qualquer forma de evasão das honestas realidades diárias é, para vós, homens e mulheres do mundo, coisa oposta à vontade de Deus» <em>(Temas Actuais do Cristianismo, </em>n.° 114).</p>
<p>Em segundo lugar,« mundo» indica os bens da terra, de si caducos e que podem apresentar oposição aos bens do espírito (cfr Mt 16,26).</p>
<p>Finalmente, porque os homens maus foram escravizados pelo pecado e pelo demônio, «príncipe deste mundo» (Ioh 12,31; 16,11), o «mundo» é considerado por vezes como inimigo de Deus e contrário a Cristo e aos Seus seguidores (Ioh 1,10). Neste sentido, o mundo é mau, e por isso Jesus não é do mundo, nem o são os Seus discípulos (v. 16). Também a essa acepção pejorativa se refere a doutrina tradicional que considera o mundo, junto com o demônio e a carne, como inimigos da alma diante dos quais se deve estar em constante vigilância. «O mundo, o demônio e a carne são uns aventu­reiros que, aproveitando-se da fraqueza do selvagem que trazes dentro de ti, querem que, em troca do fictício brilho dum prazer — que nada vale — lhes entregues o ouro fino e as pérolas e os brilhantes e os rubis embebidos no Sangue vivo e redentor do teu Deus, que são o preço e o tesouro da tua eternidade» <em>(Caminho, </em>n.° 708).</p>
<p><strong>17-19.</strong> Jesus pede a santidade para os Seus discípulos. O único Santo é Deus, de cuja santidade participam as pessoas e as coisas. «Santificar» consiste em consagrar e dedicar algo a Deus, excluindo-o dos usos profanos; neste sentido Deus diz a Jeremias: «Antes de teres saído do seio materno Eu te santifiquei, te constituí profeta para as nações» (ler 1,5). A consagração a Deus exige a perfeição ou santidade do dom consagrado. Daí que uma pessoa consa­grada deva ter a santidade moral, exercitar-se nas virtudes morais. Ambas as coisas — consagração e perfeição — pede aqui o Senhor para os Seus discípulos, porque delas neces­sitam para cumprir a sua missão sobrenatural no mundo.</p>
<p>«Eu consagro-Me por eles&#8230;»: Estas palavras querem dizer que Jesus Cristo, que carregou com os pecados dos homens, Se consagra ao Pai por meio do Seu sacrifício na Cruz. Por este todos os cristãos ficam santificados: «Por isso também Jesus, para santificar o povo com o Seu sangue, padeceu fora da cidade» (Heb 13,12). Na verdade, depois da morte de Cristo, os homens mediante o Baptismo tornam-se filhos de Deus, participantes da natureza divina e capazes de alcançar a santidade a que foram chamados (cfr <em>Lumen gentium, </em>n. 40).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>24.05.2012 – Jo 17, 20-26</strong></p>
<p><sup>20</sup>Não é só por eles que Eu rogo, é também por aqueles que vão acreditar em mim, por meio da sua palavra, <sup>21</sup>para todos serem um só; como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti, que eles também estejam em Nós, a fim de que o mundo acredite que Tu Me enviaste. <sup>22</sup> E Eu dei-lhes a glória que Tu Me deste. para que sejam um só, como Nós somos um só: <sup>23</sup>Eu neles e Tu em Mim, para chegarem à perfeita unidade, a fim de que o mundo reconheça que Tu Me enviaste e os amaste, como Me amaste a Mim. <sup>24</sup>Pai, os que Me deste, quero que, onde Eu estiver, eles estejam também comigo, para contemplarem a glória que Me pertence e que Tu Me deste, por Me teres amado antes da constituição do mundo. <sup>25</sup>Pai justo, se o mundo não Te conheceu, Eu conheci-Te, e estes reconhe­ceram que Tu Me enviaste. <sup>26</sup>Eu dei-lhes a conhecer o Teu nome e dar-lho-ei a conhe­cer, para que o amor com que Me amaste esteja neles e Eu esteja neles também.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>20-23. </strong>Por ser Cristo quem pede pela Igreja, a Sua oração é infalivelmente eficaz, de maneira que a verdadeira Igreja de Jesus Cristo sempre será una e única. A unidade é, portanto, uma propriedade essencial da Igreja. «Nós cremos que a Igreja, que Cristo fundou e pela qual rogou, é sem cessar una pela fé, pelo culto, e pelo vínculo da comunhão hierárquica» <em>(Credo do Povo de Deus, </em>n.° 21). Além disso, o pedido de Jesus ensina quais são os fundamentos da unidade e os efeitos que se conseguirão com ela.</p>
<p>A fonte donde brota a unidade da Igreja é a união íntima das três Pessoas divinas, entre as quais há uma doação e amor mútuos.« Quando o Senhor Jesus pede ao Pai <em>que todos sejam um </em>(&#8230;) <em>como Nós somos um, </em>sugere — abrindo pers­pectivas inacessíveis à razão humana — que há uma certa analogia entre a união das Pessoas divinas entre Si e a união dos filhos de Deus na verdade e na caridade. Esta semelhança torna manifesto que o homem, única criatura sobre a terra a ser querida por Deus por si mesma, não se pode encontrar plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo» <em>(Gaudium et spes, </em>n. 24). A unidade está também baseada na união dos fiéis com Jesus Cristo e por Ele com o Pai (v. 23). Com efeito, a plenitude da unidade — <em>consummati in unum </em>— conse­gue-se pela graça sobrenatural que nos vem de Cristo (cfr Ioh 15,5).</p>
<p>Os frutos da unidade da Igreja são, por um lado, que o mundo creia em Cristo e na Sua missão divina (vv 21-23); e, por outro, que os próprios cristãos e todos os homens reconheçam a especial predilecção de Deus, que ama os fiéis com um amor que <em>é </em>reflexo do que as Pessoas divinas têm entre Si. Deste modo, a oração de Jesus atinge toda a huma­nidade, já que todos os homens são convidados ao favor de Deus (cfr l Tim 2,4). «Amaste-os como Me amaste a Mim»: esta frase, como explica São Tomás de Aquino, «não indica igualdade estrita no amor, mas o motivo e a semelhança. É como se dissesse: o amor pelo qual Me amaste a Mim é a razão e a causa pelas quais os amaste a eles, pois, precisa­mente porque Me amas a Mim amas aqueles que Me amam» <em>(Comentário sobre </em>S. <em>João, ad loc.). </em>Junto a esta explicação precisa da Teologia, há que ponderar a força expressiva das palavras de Cristo que supõem o amor ardente do Seu coração pelos homens. Em todo o discurso da Última Ceia não podemos senão vislumbrar de longe a profunda reali­dade dos sentimentos de Jesus Cristo, cuja grandeza de alma supera a medida limitada dos nossos corações humanos. Uma vez mais devemos render-nos diante do mistério de Deus feito homem.</p>
<p><strong>20.</strong> À Igreja, pela qual Cristo pede, pertencem todos aqueles que ao longo dos séculos hão-de crer n&#8217;Ele pela pregação dos Apóstolos. .«A missão divina confiada por Cristo aos Apóstolos durará até ao fim dos tempos (cfr Mt 28,20), uma vez que o Evangelho que eles devem anunciar é em todo o tempo o princípio de toda a vida na Igreja. Pelo que os Apóstolos trataram de estabelecer sucessores, nesta sociedade hierarquicamente constituída» <em>(Lumen gentium, </em>n. 20).</p>
<p>A origem e o fundamento apostólico da Igreja chama-se «Apostolicidade», propriedade essencial que confessamos no Credo. Consiste em que o Papa e os Bispos são sucessores de Pedro e dos Apóstolos, conservam a sua autoridade e proclamam a mesma doutrina. «Ensina, por isso, o sagrado Concilio que, por instituição divina, os Bispos sucedem aos Apóstolos, como pastores da Igreja; quem os ouve, ouve a Cristo; quem os despreza, despreza a Cristo e Aquele que enviou Cristo (cfr Lc 10,16)» <em>(Lumen gentium, </em>n. 20).</p>
<p><strong>21.</strong> A união dos cristãos com Cristo causa a unidade deles entre si. Esta unidade da Igreja beneficia, em última análise, toda a humanidade, pois sendo a Igreja una e única, aparece como sinal levantado diante das nações para convidar a crerem Jesus Cristo como enviado divino que vem salvar todos os homens. A Igreja continua no mundo essa missão salvadora pela sua união com Cristo. Por isso convoca todos a integrar-se na sua própria unidade e, mediante esta, a participar na união com Cristo e com o Pai.</p>
<p>O Concilio Vaticano II, falando dos fundamentos do ecumenismo, relaciona a unidade da Igreja com a sua universalidade: «Quase todos, se bem que de modo diverso, aspiram a uma Igreja de Deus una e visível, que seja verdadeiramente universal e enviada ao mundo inteiro, a fim de que o mundo se converta ao Evangelho e assim seja salvo, para glória de Deus» <em>(Unitatis redintegratio, </em>n. 1). Este caracter universal é outra nota da Igreja, denominada «Catolicidade». «Desde há séculos que a Igreja está esten­dida por todo o mundo, contando com pessoas de todas as raças e condições sociais. Mas a catolicidade da Igreja não depende dá extensão geográfica, mesmo que isto seja um sinal visível e um motivo de credibilidade. A Igreja era Católica já no Pentecostes; nasce Católica no Coração cha­gado de Jesus, como um fogo que o Espírito Santo inflama.</p>
<p>«No século II, os cristãos definiam como Católica a Igreja, para a distinguir das seitas que, utilizando o nome de Cristo, traíam nalgum ponto a Sua doutrina. <em>Chamamos-lhe Católica, </em>escreve São Cirilo, <em>quer porque se encontra difundida por todo o orbe da Terra, dum confim ao outro, quer porque ensina de modo universal e sem defeito todos os dogmas que os homens devem conhecer, do visível e do invisível, do celestial e do terreno. Também porque submete ao recto culto todo o tipo de homens, governantes e cidadãos, doutos e ignorantes. </em>(S. Cirilo, <em>Catechesis, </em>18,23)» (Hom. <em>Lealdade à Igreja).</em></p>
<p>Todo o cristão deve ter os mesmos sentimentos que Jesus Cristo, anelando pela unidade que Ele pede ao Pai. «Instru­mento privilegiado para a participação na busca da unidade de todos os cristãos é a oração. O próprio Jesus Cristo deixou-nos o Seu último desejo de unidade por meio de uma oração ao Pai (&#8230;).</p>
<p>«Também o Concilio Vaticano II nos recomendou insis­tentemente a oração em favor da unidade, defendendo-a como &#8216;a alma de todo o movimento ecumênico&#8217; <em>(Unitatis redintegratio, </em>n. 8). Como a alma ao corpo, assim a oração dá vida, coerência, espírito, finalidade ao movimento ecumê­nico.</p>
<p>«A oração põe-nos, antes de mais, diante do Senhor; purifica-nos nas intenções, nos sentimentos, no nosso coração, e produz a &#8216;conversão interior&#8217;, sem a qual não existe verda­deiro ecumenismo (cfr <em>Unitatis redintegratio, </em>n. 7).</p>
<p>«A oração, além disso, recorda-nos que a unidade, em última análise, é um dom de Deus; dom que devemos pedir e para que nos devemos preparar para que nos seja conce­dido» <em>(Audiência geral, </em>João Paulo II, 17-1-1979).</p>
<p><strong>22-23. </strong>Jesus tem a glória, manifestação da divindade, porque é Deus, igual ao Pai (cfr a nota a Ioh 17,1-5). Cristo, ao dizer que comunica a Sua glória, está a indicar que por meio da graça nos torna participantes da natureza divina (2 Pet 1,4). A glória e a justificação pela graça aparecem na Sagrada Escritura estreitamente unidas: «Aqueles que Deus predestinou também os chamou. E aqueles que chamou também os justificou, e aqueles que justificou também os glorificou» (Rom 8,30). A transformação pela graça consiste em que os cristãos se tornam cada vez mais semelhantes a Cristo, que é a imagem do Pai (cfr 2 Cor 4,4; Heb l ,2-3). Deste modo, Cristo, ao comunicar a Sua glória, faz que os fiéis se unam com Deus pela participação na própria vida sobrena­tural, que é a raiz da santidade dos cristãos e da Igreja: «Agora compreenderemos melhor como é que a unidade da Igreja leva à santidade, e como é que um dos aspectos capitais da sua santidade é essa unidade centrada no mistério do Deus uno e Trino: <em>Há um só corpo e um só espírito, como também vós fostes chamados a uma só esperança pela vossa vocação. Há um só Senhor, uma só fé, um só baptismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, e governa todas as coisas e habita em todos nós </em>(Eph 4,4-6)» (Hom. <em>Lealdade à Igreja).</em></p>
<p><strong>24.</strong> Cristo termina esta oração pedindo a bem-aventurança para todos os cristãos. O termo que utiliza — «quero» em vez de «rogo» — exprime que está a pedir o mais impor­tante, que coincide com a Vontade do Pai, que quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (cfr 1Tim 2,4); é, em última análise, a missão da Igreja: a salvação das almas.</p>
<p>Enquanto estamos na Terra participamos da vida de Deus pelo conhecimento (fé) e pelo amor (caridade); mas só no Céu conseguiremos a plenitude dessa vida sobrenatural, ao contemplar Deus tal qual é (cfr 1Ioh 3,2), face a face (cfr 1Cor 13,9-12). Por isso, a Igreja aponta para a eternidade, é escatológica; isto é, que tendo neste mundo todos os meios para ensinar a verdadeira doutrina, tributar a Deus o verdadeiro culto e comunicar a vida da graça, mantém viva a esperança na plenitude da vida eterna: «A Igreja, à qual todos somos chamados e na qual por graça de Deus alcan­çamos a santidade, só na glória celeste alcançará a sua realização plena, quando vier o tempo da restauração de todas as coisas (cfr Act 3,21) e, quando, juntamente com o gênero humano, também o universo inteiro, que ao homem está intimamente ligado, e por ele atinge o seu fim, for perfeitamente restaurado em Cristo (cfr Eph 1,10; Col 1 ,20; 2 Pet 3,10-13)» <em>(Lumen gentium, </em>n. 48).</p>
<p><strong>25-26. </strong>A revelação que Deus fez de Si mesmo por Jesus Cristo introduz-nos na participação da vida que culminará no Céu: « Só Deus pode outorgar-nos um conhecimento recto e pleno de Si mesmo, revelando-Se a Si mesmo como Pai, Filho e Espírito Santo, de cuja vida eterna somos chamados a participar pela graça aqui, na Terra, na obscuridade da fé, e, depois da morte, na luz sempiterna» <em>(Credo do Povo de Deus, </em>n.° 9).</p>
<p>Para participar do amor mútuo das Pessoas divinas Cristo revelou-nos tudo o que devemos conhecer: em primeiro lugar, o mistério do Seu ser e da Sua missão e, com isso, o próprio Deus — «dei-lhes a conhecer o Teu nome» —; assim se cumpre o que tinha anunciado: «Ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho queira revelá-Lo» (Mt 11,27).</p>
<p>Cristo continua a dar a conhecer o amor do Pai por meio da Igrejaem que Eleestá sempre presente: «Sabei que Eu estou convosco todos os dias até ao fim do mundo» (Mt 28,20).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>25.05.2012 – Jo 21, 15-19</strong></p>
<p><sup>15</sup>No fim do almoço, pergunta Jesus ao Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-Me tu mais do que estes? Sim, Senhor, responde-Lhe ele. Tu sabes que Te amo! Diz-lhe Jesus: Apascenta os Meus cordeiros. <sup>16</sup>Volta a perguntar-Lhe segunda vez: Simão, filho de João, tu amas-Me? Sim, Senhor, responde-Lhe ele. Tu sabes que Te amo. Diz-Lhe Jesus: Apascenta as Minhas ovelhas. <sup>I7</sup>Pergunta-Lhe terceira vez: Simão, filho de João, tu amas-Me? Pedro entriste­ce-se por lhe ter perguntado pela terceira vez: «Tu amas-me?» E responde-Lhe: Tu sabes tudo, Senhor, Tu bem sabes que Te amo. Diz-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas. <sup>18</sup>Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos e outro é que há-de cingir-te e levar-te para onde não queres. <sup>19</sup>Disse-o para indicar por que morte ele havia de glorificar a Deus. Dito isto, acrescenta: Segue-Me.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>15-17. </strong>Jesus Cristo tinha prometido a Pedro o primado da Igreja (cfr Mt 16,16-19ea nota correspondente). Apesar das três negações do Apóstolo durante a Paixão, confere-lhe agora o Primado prometido. «Jesus Cristo interroga Pedro, por três vezes, como se lhe quisesse dar a oportunidade de reparar a sua tripla negação. Pedro já aprendeu, escarmentado com a sua própria miséria: está profundamente con­vencido de que são inúteis aqueles seus alardes temerários; tem consciência da sua debilidade. Por isso, põe tudo nas mãos de Cristo. <em>Senhor, Tu sabes que eu Te amo» (Amigos de Deus, </em>n.° 267). A entrega do Primado a Pedro foi directa e imediata. Assim o entendeu sempre a Igreja e o definiu o Concilio Vaticano I: «Ensinamos, pois, e declaramos que, segundo os testemunhos do Evangelho, o primado de juris­dição sobre a Igreja universal de Deus foi prometido e conferido imediata e directamente ao bem-aventurado Pedro por Cristo Nosso Senhor (&#8230;). Porque só a Simão Pedro conferiu Jesus depois da Sua Ressurreição a jurisdição de pastor e reitor supremo sobre todo o Seu rebanho, dizendo: &#8216;Apascenta os Meus cordeiros&#8217;. &#8216;Apascenta as Minhas ovelhas&#8217;» <em>(Pastor aeternus, </em>cap. 1).</p>
<p>O Primado é uma graça que é conferida a Pedro e aos seus sucessores os Papas; é um dos elementos fundacionais da Igreja para guardar e proteger a sua unidade: «Para que o episcopado fosse uno e indiviso e a multidão universal dos crentes se conservasse na unidade da fé e da comunhão (&#8230;) ao preferir o bem-aventurado Pedro aos outros Apóstolos, nele instituiu um princípio perpétuo de uma e de outra unidade, e um fundamento visível» <em>(Pastor aeternus, Dz-Sch </em>3051; cfr <em>Lumen gentium, </em>n. 18). Portanto, o Primado de Pedro perpetua-se em todos e em cada um dos seus sucessores por disposição de Cristo, não por costume ou legislação humana.</p>
<p>Em <em>razão </em>do Primado, Pedro, e cada um dos seus suces­sores, é Pastor de toda a Igreja e Vigário de Cristo na terra, porque desempenha o poder vicário do próprio Cristo. O amor ao Papa, que Santa Catarina de Sena chamava «o doce Cristo na terra», deve estar coalhado de oração, sacri­fício e obediência.</p>
<p><strong>18-19. </strong>Segundo a tradição, São Pedro seguiu o seu Mestre até morrer crucificado, de cabeça para baixo. « Pedro e Paulo sofreram martírio em Roma durante a perseguição de Nero aos cristãos, que teve lugar entre os anos 64 e 68. O martírio de ambos os Apóstolos é recordado por São Cle­mente, sucessor do próprio Pedro na Sede da Igreja Romana, que escrevendo aos Coríntios lhes propõe <em>os exemplos gene­rosos dos dois atletas, </em>com estas palavras: <em>por causa dos zelos e da inveja, os que eram colunas principais e santíssimas padeceram perseguição e lutaram até à morte» (Petrum et Paulum).</em></p>
<p>«Segue-Me»: Esta palavra evocaria no Apóstolo o seu primeiro chamamento (cfr Mt 4,19) e as condições de entrega absoluta que o Senhor impõe aos Seus discípulos: « Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia, e siga-Me» (Lc 9,23). O próprio São Pedro, numa das suas cartas, deixa-nos o testemunho de que a exigência Ha Cruz é necessária para todo o cristão: «Pois para isto tostes chamados, já que também Cristo padeceu por vós, dando-vos exemplo, para que sigais os Seus passos» (1Pet 2,21).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>26.05.2012 – Jo 21, 20-25</strong></p>
<p><sup>20</sup>Pedro, voltando-se, vê vir atrás deles o discípulo que Jesus amava, esse precisa­mente que se havia inclinado, na ceia, sobre o Seu peito e Lhe perguntava: «Senhor, quem é que Te vai entregar?» <sup>21</sup>Ao vê-lo, pois, disse Pedro a Jesus: E este, Senhor? Responde-lhe Jesus: Se Eu quiser que Ele fique até Eu vir, que tens com isso? Tu, segue-Me. <sup>23</sup>Correu, pois, entre os irmãos o boato de que esse discípulo não morreria. Jesus, porém, não disse a Pedro: «ele não morre», mas sim: «se eu quiser que ele fique até Eu vir, que tens com isso?»</p>
<p><sup>24</sup>É esse o discípulo que dá testemunhe destas coisas e as escreveu; e nós sabemos que é verídico o seu testemunho. <sup>25</sup>Há ainda muitas outras coisas feitas por Jesus. Se elas se escrevessem uma a uma, penso que nem o próprio mundo poderia conter os livros que se tinham de escrever.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>20-23.</strong> Segundo Santo Ireneu <em>(Adversus haereses, </em>II, 22,5; III, 3,4) São João viveu mais tempo que os outros Apóstolos, chegando aos tempos de Trajano (anos 98-117). Talvez o Evangelista tenha escrito estes versículos para desfazer aquela opinião de que ele não morreria. Segundo o texto, Jesus não responde à pergunta de Pedro. O importante não é satisfazer a curiosidade acerca do futuro, mas servir com fidelidade o Senhor seguindo o caminho que a cada um lhe marca.</p>
<p><strong>24. </strong>Apela-se para o testemunho do discípulo «que Jesus amou» como garantia da veracidade de quanto se escreveu desde o começo do livro. Tudo o que este Evangelho dirá deve ser retido pelos leitores como absolutamente verídico.</p>
<p>Muitos comentaristas modernos supõem que os versí­culos 24 e 25 foram acrescentados por discípulos do Apóstolo, como conclusão ao Evangelho, quando começou a difundir-se, pouco depois de São João o ter acabado. Em qualquer dos casos, o facto é que ambos os versículos apare­cem em todos os manuscritos existentes do quarto Evangelho.</p>
<p><strong>25.</strong> O que São João nos narrou sob a inspiração do Espírito Santo tem uma finalidade: fortalecer a nossa fé em Jesus Cristo mediante a consideração do que Ele fez e ensinou. Nunca esgotaremos o rico e insondável conteúdo da figura de Nosso Senhor, como também o não esgota o quarto Evangelho. «Quando &#8216;alguém começa a interessar-se por Jesus Cristo já não O pode deixar. Sempre fica algo para saber, algo para dizer; fica o mais importante. São João Evangelista termina o seu Evangelho precisamente assim (Ioh 21,25). É tão grande a riqueza das coisas que se referem a Cristo, tanta a profundidade que temos de explorar e procurar compreender (&#8230;), tanta a luz, a força, a alegria, o anelo que d&#8217;Ele brotam, tão reais são a experiência e a vida que d&#8217;Ele nos vem, que parece inconveniente, anticientífico, irreverente, dar por terminada a reflexão que a Sua vinda ao mundo, a Sua presença na história e na cultura, a hipótese, por não dizer a realidade da Sua relação vital com a nossa própria consciência, honestamente exige de nós» <em>(Audiência geral </em>Paulo VI, 20-11-1974).</p>
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<p><strong>27.05.2012 – Jo 20, 19-23</strong></p>
<p><sup>19</sup>Na tarde deste dia, o primeiro da semana, estando, por medo dos Judeus, fechadas as portas no lugar onde se encon­travam os discípulos, veio Jesus colocar-Se no meio deles e disse-lhes: A paz seja convosco! <sup>20</sup>Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de ale­gria, ao verem <em>o </em>Senhor. <sup>21</sup>Jesus então dis­se-lhes de novo: A paz seja convosco! Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos mando a vós. <sup>22</sup>Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. <sup>23</sup>Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficar-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficar-lhes-ão retidos.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>19-20. </strong>Jesus aparece aos Apóstolos na própria tarde do Domingo em que ressuscitou. Apresenta-Se no meio deles sem necessidade de abrir as portas, já que goza das quali­dades do corpo glorioso; mas para desfazer a possível im­pressão de que é só um espírito, mostra-lhes as mãos e o lado: não fica nenhuma dúvida de que é o próprio Jesus e de que verdadeiramente ressuscitou. Além disso, saúda-os por duas vezes com a fórmula usual entre os Judeus, com o acento entranhável que noutras ocasiões poria nessa sau­dação. Com essas palavras amigáveis ficavam dissipados o temor e a vergonha que teriam os Apóstolos por se terem comportado deslealmente durante a Paixão. Desta forma voltou a criar-se o ambiente de intimidade,em que Jesus lhes vai comunicar poderes transcendentes.</p>
<p><strong>21.</strong> O Papa Leão XIII explicava como Cristo transferiu a Sua própria missão aos Apóstolos: «Que quis e que procurou ao fundar e conservar a Igreja? Isto: transmitir a mesma missão e o mesmo mandato que tinha recebido do Pai para que Ela os continue. Isto é claramente o que Se tinha proposto fazer e isto é o que fez: &#8216;Como o Pai Me enviou assim Eu vos envio&#8217; (Ioh 20,21). &#8216;Como Tu Me enviaste ao mundo, assim os enviei Eu ao mundo&#8217; (Ioh 17,18) (&#8230;). Momentos antes de retornar ao Céu envia os Apóstolos com o mesmo poder com que o Pai O tinha enviado; ordenou-lhes que estendessem e semeassem por todo o mundo a Sua doutrina (cfr Mt 28,18). Todos os que obedecerem aos Apóstolos salvar-se-ão; os que não lhes obedecerem perecerão (cfr Mc 16,16) (&#8230;). Por isso manda aceitar religiosamente e guardar santamente a doutrina dos Apóstolos como Sua: &#8216;Quem vos ouve a vós, ouve-Me a Mim; quem vos despreza a vós, des­preza-Me a Mim&#8217; (Lc 10,16). Em conclusão, os Apóstolos são enviados por Jesus Cristo da mesma forma que Ele foi enviado pelo Pai» <em>(Satis cognitum). </em>Nesta missão os Bispos são sucessores dos Apóstolos: «Cristo, através dos mesmos Apóstolos, tornou participantes da sua consagração e missão os sucessores deles, os Bispos, cujo cargo ministerial, em grau subordinado, foi confiado aos presbíteros, para que, constituídos na Ordem do presbiterado, fossem cooperadores da Ordem do episcopado para o desempenho perfeito da missão apostólica confiada por Cristo» <em>(Presbytemrorum ordinis, </em>n. 2).</p>
<p><strong>22-23.   </strong>A Igreja compreendeu sempre — e assim o de­finiu — que Jesus Cristo com estas palavras conferiu aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados, poder que se exerce no sacramento da Penitência. «O Senhor, principalmente então, instituiu o sacramento da Penitência, quando, ressus­citado de entre os mortos, soprou sobre os Seus discípulos dizendo: &#8216;Recebei o Espírito Santo&#8230;&#8217;. Por este facto tão insigne e por tão claras palavras, o sentir comum de todos os Padres entendeu sempre que foi comunicado aos Apóstolos e aos seus legítimos sucessores o poder de perdoar e reter os pecados para reconciliar os fiéis caídos em pecado depois do Baptismo» <em>(De Paenitentia, </em>cap. 1).</p>
<p>O sacramento da Penitência é a expressão mais sublime do amor e da misericórdia de Deus com os homens, como ensina Jesus na parábola do filho pródigo (cfr Lc 15,11-32). O Senhor espera sempre com os braços abertos que voltemos arrependidos, para nos perdoar e nos devolver a nossa digni­dade de filhos Seus.</p>
<p>Os Papas têm recomendado com insistência que nós, os cristãos, saibamos apreciar e aproveitemos com fruto este Sacramento: «Para progredir mais rapidamente no cami­nho da virtude, recomendamos vivamente o pio uso, intro­duzido pela Igreja sob a inspiração do Espírito Santo, da confissão frequente, que aumenta o conhecimento próprio, desenvolve a humildade cristã, desarraiga os maus cos­tumes, combate a negligência e tibieza espiritual, purifica a consciência, fortifica a vontade, presta-se à direcção espiritual, e por virtude do mesmo sacramento aumenta a graça» <em>(Mystici Corporis).</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>28.05.2012 – Mc 10, 17-27</strong></p>
<p><sup>17</sup>Ao sair para Se pôr a caminho, correu a Ele um que, de joelhos, Lhe perguntou: Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna? <sup>18</sup>Respondeu-lhe Jesus: Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus. <sup>19</sup>Sabes os mandamentos: Não matar, não adulterar, não roubar, não levantar falsos testemunhos, não defraudar, honrar pai e mãe.</p>
<p><sup>20</sup>Mas ele respondeu-Lhe: Mestre, tudo isso tenho eu observado desde a minha mocidade.<sup>21</sup> Jesus fitou-o com amor e disse-lhe: Uma só coisa te falta. Vai, vende quanto tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois vem e segue-Me, tomando a cruz. <sup>22</sup>Ouvindo ele estas palavras, anuviou-se-lhe o rosto e afastou-se triste, porque tinha muitos haveres.</p>
<p><sup>23</sup>Então Jesus, volvendo em torno o olhar, disse aos discípulos: Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que tem riquezas! <sup>24</sup>Ficaram os discípulos pasmados com as Suas palavras. Mas Jesus tornou a repetir: Meus filhos, como é difícil entrarem no Reino de Deus os que confiam nas riquezas! <sup>25</sup>É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus! <sup>26</sup>Eles mais assombrados ficaram e diziam uns para os outros: Então quem se pode salvar?<sup>27</sup>Jesus olhou para eles e disse: Aos homens é impossível, mas a Deus não; pois a Deus tudo é possível.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>17-18.</strong> O jovem — assim o especifica Mt 19,16 — recorre a Jesus como a um mestre autorizado na vida espiritual, com a esperança de que o guie para a vida eterna. Não é que Jesus Cristo rejeite o louvor de que é objecto, mas explica a causa profunda dessas palavras do jovem: Ele é bom, não como o é um homem bom, mas por ser Deus, que é a própria bondade. Portanto, o moço disse uma verdade, mas uma verdade a meias. Aí está o enigmático da resposta de Jesus e a sua profundidade absoluta. Jesus trata, portanto, de fazer re­montar o jovem desde uma consideração honesta, mas humana, a uma visão inteiramente sobrenatural. Para que este homem consiga realmente a vida eterna tem de ver em Jesus Cristo, não só um bom mestre, mas o Salvador divino, <em>o único Mestre, </em>o único que, como Deus, é a própria Bondade. Vid. a nota a Mt 19,16-22.</p>
<p><strong>19.</strong> O Senhor não veio abolir a Lei, mas dar-lhe pleni­tude (Mt 5,17). Os mandamentos são o núcleo fundamental da Lei. O cumprimento destes preceitos é necessário para alcançar a vida eterna. Cristo dá plenitude a estes manda­mentos num duplo sentido. Primeiro, porque nos ajuda a descobrir todas as exigências que estes têm na vida dos homens. A luz da revelação leva-nos ao conhecimento fácil e seguro dos preceitos do Decálogo, que a razão humana pelas suas próprias forças muito dificilmente conseguiria alcançar. Em segundo lugar, a sua graça põe em nós a fortaleza para fazer frente à inclinação má que é fruto do pecado original. Os mandamentos conservam, pois, na vida cristã toda a sua vigência e são como os marcos que assinalam o caminho que conduz ao Céu.</p>
<p><strong>21-22.</strong> O Senhor sabe que no coração daquele jovem há um fundo de generosidade, de entrega. Por isso olha-o com amor, com um amor de predilecção que leva consigo o convite a viver numa maior intimidade com Deus. Isto exige uma renúncia que o Senhor concretiza: abandonar todas as suas riquezas, para entregar o coração todo inteiro a Jesus. Deus chama todos os homens à santidade. Mas são muitos os caminhos que a ela conduzem. A cada homem toca pôr os meios para descobrir qual é, segundo a vontade de Deus, o seu concreto. O Senhor, nos Seus desígnios, semeia na alma de cada pessoa a semente da vocação, que indica o caminho peculiar pelo qual há-de chegar à meta comum da santidade.</p>
<p>Com efeito, se o homem não põe obstáculos, se responde com generosidade a essa semente, sente um desejo de ser melhor, de se entregar de um modo mais generoso. Como fruto desse desejo, busca, pergunta a Deus na oração, às pessoas que o possam guiar. A essa busca sincera Deus responde sempre servindo-Se de instrumentos muito va­riados. Ao homem parece-lhe que vê claro o caminho que Deus lhe assinala, mas duvida na decisão, sente-se sem fortaleza para empreender este caminho que exige sempre renúncias. São momentos de oração, de mortificação, para que triunfe a luz, o convite divino, por cima dos cálculos humanos. Porque o homem, diante da chamada de Deus, permanece sempre livre. Por isso pode responder com generosidade, ou ser cobarde, como o jovem de que nos fala o Evangelho. A falta de generosidade para seguir a própria vocação produz sempre tristeza.</p>
<p><strong>21. </strong>«Na sua concisa eloquência — assinala João Paulo II comentando este passo —, este acontecimento profunda­mente penetrante exprime uma grande lição em poucas palavras: toca problemas substanciais e questões de fundo que não perderam, de modo algum, a sua importância. Em toda a parte os jovens se propõem problemas impor­tantes: problemas sobre o significado da vida, sobre o modo recto de viver, sobre a verdadeira escala de valores: &#8216;Que hei-de fazer? Que hei-de fazer para conseguir a vida eterna?&#8217; (&#8230;) Por isto vos digo a cada um de vós: escutai o chamamento de Cristo quando sentis que vos diz: &#8216;Segue-Me&#8217;. Caminha sobre os Meus passos. Vem ao Meu lado! Permanece no Meu amor! É uma opção que se faz: a opção por Cristo e pelo Seu modelo de vida, pelo Seu mandamento de amor!</p>
<p>«A mensagem de amor que Cristo traz é sempre impor­tante, sempre interessante. Não é difícil de ver como o mundo de hoje, apesar da sua beleza e grandeza, apesar das conquistas da ciência e da tecnologia, apesar dos refinados e abundantes bens materiais que oferece, está ávido de mais verdade, de mais amor, de mais alegria. E tudo isto se encontra em Cristo e no Seu modelo de vida (&#8230;). Diante destes problemas e destas desilusões, muitos tratarão de fugir das próprias responsabilidades, refugiando-se no egoísmo, nos prazeres sexuais, na droga, na violência, no indiferentismo ou numa atitude de cinismo. Mas hoje eu pro­ponho-vos a opção do amor, que é o contrário da fuga. Se vós aceitais realmente este amor que vem de Cristo, este conduzir-vos-á a Deus. Talvez no sacerdócio ou na vida religiosa; talvez em algum serviço especial que presteis a vossos irmãos e irmãs, especialmente aos necessitados, aos pobres, a quem se sente só, aos marginalizados, àqueles cujos direitos foram conculcados, àqueles cujas exigências fundamentais não foram satisfeitas. Qualquer coisa que façais da vossa vida, fazei que seja um reflexo do amor de Cristo» <em>(Homília Boston Common).</em></p>
<p><strong>22.</strong> «A tristeza deste jovem leva-nos a reflectir. Pode­remos ter a tentação de pensar que possuir muitas coisas, muitos bens deste mundo, pode fazer-nos felizes. Pelo contrário, vemos no caso do jovem do Evangelho que as muitas riquezas se converteram em obstáculo para aceitar o chamamento de Jesus a segui-Lo. Não estava disposto a dizer sim a Jesus, e não a si mesmo, a dizer sim ao amor, e não à fuga! O amor verdadeiro é exigente. Não cumpriria a minha missão se não vo-lo tivesse dito com toda a clareza. Porque foi Jesus — o nosso próprio Jesus — quem disse: &#8216;Vós sois Meus amigos se fizerdes o que vos mando&#8217; (Ioh15,14). O amor exige esforço e compromisso pessoal para cumprir a vontade de Deus. Significa disciplina e sacrifício, mas significa também alegria e realização humana. Queridos jovens, não tenhais medo a um esforço honesto e a um trabalho honesto; não tenhais medo à verdade. Com a ajuda de Cristo e através da oração, vós podeis responder ao Seu chamamento, resistindo às tentações, aos entusiasmos pas­sageiros e a toda a forma de manipulação de massas. Abri os vossos corações a este Cristo do Evangelho, ao Seu amor, à Sua verdade, à Sua alegria. Não vos vades tristes! (&#8230;).</p>
<p>«Segui a Cristo! Vós, esposos, tornai-vos participantes reciprocamente, do vosso amor e das vossas cargas, respeitai a dignidade humana do vosso cônjuge; aceitai com alegria a vida que Deus vos confia; tornai estável e seguro o vosso matrimônio por amor aos vossos filhos.</p>
<p>«Segui a Cristo! Vós, ainda solteiros, ou que vos estais a preparar para o matrimônio, segui a Cristo! Vós, jovens ou velhos, segui a Cristo! Vós, doentes ou anciãos; vós, os que sofreis ou estais aflitos; os que notais a necessidade de cuidados, a necessidade de amor, a necessidade de um amigo: segui a Cristo!</p>
<p>«Em nome de Cristo estendo a todos vós o chamamento, o convite, a vocação: Vem e segue-Me!» <em>(Homília Boston Common).</em></p>
<p><strong>23-27.</strong> O comportamento do jovem rico dá ocasião a Nosso Senhor para expor uma vez mais a doutrina sobre o uso dos bens materiais. Não os condena por si mesmos; são meios que Deus pôs à disposição do homem para o seu desenvolvimento em sociedade com os outros. O apego indevido a eles é o que faz que se convertam em ocasião pecaminosa. O pecado consiste em «confiar» neles, como solução única da vida, voltando as costas à divina Provi­dência. Idolatria chama São Paulo à <em>avareza </em>(Col 3,5). Cristo exclui do Reino de Deus a quem cai nesse apego às riquezas, constituindo-as em centro da sua vida. Ou melhor dito, ele mesmo se exclui.</p>
<p>As riquezas podem seduzir tanto aqueles que já dispõem delas, como aqueles que desejam ardentemente dispor. Por isso há — paradoxalmente — pobres ricos e ricos pobres. Como a inclinação para o apego ou para a confiança nas riquezas é universal, os discípulos desconfiam da salvação: «Então, quem se <em>pode </em>salvar?». Com meios humanos, impossível. Com a graça de Deus, tudo é possível. Cfr a nota a Mt 6, 11.</p>
<p>Por outro lado, não pôr a confiança nas riquezas supõe que o que tem bens neste mundo deve empregá-los a ajudar os mais necessitados. Isso exige «muita generosidade, inume­ráveis sacrifícios e um esforço sem descanso. A cada um toca examinar a sua consciência, que tem uma nova voz para a nossa época. Está disposto a sustentar com o seu dinheiro as obras e as empresas organizadas a favor dos mais pobres? A pagar mais impostos para que os poderes públicos inten­sifiquem o seu esforço para o desenvolvimento?» <em>(Populorum progressio, </em>n. 47).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>29.05.2012 – Mc 10, 28-31</strong></p>
<p><sup>28</sup>Começou Pedro a dizer-Lhe: Nós deixamos tudo e seguimos-Te. <sup>29</sup>E Jesus: Em verdade vos digo que não há ninguém que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou campos por Minha causa e por causa do Evangelho, <sup>30</sup>que não receba o cêntuplo já no tempo presente, em casas, irmãos, irmãs, mães, pais, filhos e campos, juntamente com perseguições, e no século futuro a vida eterna.<sup>31</sup> Mui tos, porém, dos primeiros serão últimos, e os últimos primeiros.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>28-30. </strong>Jesus Cristo exige a virtude da pobreza a todo o cristão; também exige a austeridade real e efectiva na posse e uso dos bens materiais. Mas aos que receberam um chamamento específico para o apostolado — como é aqui o caso dos Doze—, exige um desprendimento absoluto de bens. riquezas, tempo, família, etc., em razão da sua disponibilidade para o serviço apostólico, à imitação de Jesus Cristo que, sendo o Senhor de todo o universo, Se fez pobre até não ter onde reclinar a cabeça (cfr Mt 8,20). A entrega de todos esses bens pelo Reino dos Céus traz consigo a libertação do peso deles: é como o soldado que se despoja de um impedimento ao entrar em combate para estar mais ágil de movimentos. Isto produz um certo domínio sobre todas as coisas: já se não é escravo delas e experimenta-se aquela sensação a que aludia São Paulo: «como nada tendo, mas possuindo tudo» (2Cor 6,10). O cristão que dessa maneira se despojou do egoísmo, adquiriu a caridade, e com ela todas as coisas são suas: «Tudo é vosso, vós sois de Cristo e Cristo de Deus» (1Cor 3,22-23).</p>
<p>Todavia, o prêmio de tudo pôr em Cristo, não será recebido plenamente só na vida eterna, mas já nesta vida. Jesus Cristo fala de uma maneira simples do cem por um, que já receberá aqui quem abandone generosamente as suas coisas.</p>
<p>O Senhor acrescenta «com perseguições» (v. 30), porque estas também são recompensa da fé com que abandonamos as coisas por amor de Jesus Cristo; pois a glória de um cristão é a de se conformar com a imagem do Filho de Deus, tomando parte na Sua Cruz para participar depois da Sua glória: «Desde que padeçamos com Ele, para sermos com Ele também glorificados» (Rom 8,17); «porque todos os que querem viver com piedadeem Cristo Jesusterão de sofrer perseguições» (2Tim 3,12).</p>
<p><strong>29. </strong>Estas palavras do Senhor cumprem-se especial­mente naqueles que por vocação divina abraçam o celibato, renunciando a constituir uma família na terra. Jesus, ao dizer «por Minha causa e por causa do Evangelho», está a indicar que o Seu exemplo e as exigências da Sua doutrina dão pleno sentido a este modo de vida: «É, pois, o mistério da novidade de Cristo, de tudo o que Ele é e significa; é a suma dos mais altos ideais do Evangelho e do Reino; é uma manifestação especial da graça que brota do mistério pascal do Redentor, que torna desejável e digna a escolha da virgindade por parte dos chamados pelo Senhor Jesus, com a intenção não só de participar do Seu ofício sacerdotal, mas também de compartilhar com Ele o Seu próprio estado de vida» <em>(Sacerdotalis caelibatus, </em>n. 23).</p>
<p><strong>32.</strong> Jesus caminhava para Jerusalém com o desejo ardente de que se cumprisse n&#8217;Ele tudo o predito acerca da Sua Paixão e Morte. Já tinha anunciado aos Seus discípulos que subia para padecer; por isso não compreendiam a atitude do Senhor. Jesus Cristo ensina-nos na Sua vida a carregar amorosamente com a cruz, sem lhe fugir, sem a escamotear, excedendo-nos, abraçando-a sem medo.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>30.05.2012 – Mc 10, 32-45</strong></p>
<p><sup>32</sup>Entretanto iam de caminho subindo para Jerusalém. Jesus ia diante deles, do que eles se assombravam, e os outros que O seguiam tinham medo. Tomando, de novo, consigo, os doze, começou a declarar-lhes o que Lhe havia de acontecer: &#8220;Olhai: Subimos a Jeru­salém e o Filho do homem vai ser entregue aos Príncipes dos sacerdotes e aos Escribas, e eles condená-Lo-ão à morte e entregá-Lo-ão aos gentios, <sup>34</sup>que O hão-de escarnecer, cuspir, flagelar e matar; mas depois de três dias ressuscitará.</p>
<p><sup>35</sup>Nisto acercam-se d&#8217;Ele Tiago e João e dizem-Lhe: Mestre, queremos que nos faças tudo o que Te pedirmos. <sup>36</sup>Disse-lhes Ele: Que quereis que vos faça? <sup>37</sup>Responderam-Lhe: Concede-nos que nos assentemos um à Tua direita e outro à Tua esquerda, na Tua glória. <sup>38</sup>Mas Jesus disse-lhes: Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu bebo? Ou ser baptizados com o baptismo com que estou para ser baptizado? <sup>39</sup>Podemos — responderam eles. E Jesus: O cálice que Eu bebo, bebê-lo-eis, e no baptismo com que Eu sou baptizado, sereis baptizados também vós. <sup>40</sup>Mas o sentar-se à Minha direita ou à Minha esquerda, não Me toca a Mim concedê-lo: é para aqueles para quem está preparado.</p>
<p><sup>41</sup>Ao ouvirem isto, os dez começaram a indignar-se com Tiago e João. <sup>42</sup>Jesus, porém, chamou-os e disse-lhes: Sabeis que os que são reconhecidos por soberanos das nações as tratam como senhores, e os seus grandes lhes fazem sentir o seu poder. <sup>43</sup>Mas entre vós não é assim; pelo contrário, o que entre vós quiser ser grande faça-se vosso servo; <sup>44</sup>e quem quiser entre vós ser o primeiro faça-se escravo de todos: <sup>45</sup>porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em redenção por muitos.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>35-44. </strong>É admirável a humildade dos Apóstolos que não dissimularam os seus momentos anteriores de fraqueza e de miséria, mas as contaram com sinceridade aos primeiros cristãos. Deus quis também que no Santo Evangelho ficasse notícia histórica daquelas primeiras debilidades dos que iam ser colunas inamovíveis da Igreja. São as maravilhas que opera nas almas a graça de Deus. Nunca deveremos ser pessimistas ao considerar as nossas próprias misérias: «Tudo posso n&#8217;Aquele que me conforta» (Phil 4,13).</p>
<p><strong>38.</strong> Quando pedimos algo na oração devemos estar dispostos a aceitar, por cima de tudo, a vontade de Deus, ainda que não coincida com os nossos desejos: «Sua Majes­tade sabe melhor o que nos convém; não temos que aconselhá-Lo sobre o que nos há-de dar, pois pode com razão dizer-nos que não sabemos o que pedimos» (Moradas, II, 8).</p>
<p><strong>43-45.</strong> O exemplo e as palavras do Senhor são como um impulso para que todos sintamos a obrigação de viver o autêntico espírito de serviço cristão. Só o Filho de Deus que desceu do Céu e Se submeteu voluntariamente às humi­lhações (Belém, Nazaré, o Calvário, a Hóstia Santíssima), pode pedir ao homem que se faça o último, se quer ser o primeiro.</p>
<p>A Igreja ao longo da história continua a missão de Cristo ao serviço dos homens: «Com a experiência que tem da humanidade, a Igreja, sem pretender de maneira alguma misturar-se na política dos Estados, &#8216;só deseja uma coisa: continuar, sob a direcção do Espírito Consolador, a obra de Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar e não para julgar, para servir e não para ser servido&#8217; «(&#8230;) <em>(Gaudium et spes, </em>n. 3). Tomando parte nas melhores aspirações dos homens e sofrendo ao não os ver satisfeitos, deseja ajudá-los a conseguir o seu pleno desenvolvimento, e isto precisamente porque ela lhes propõe o que ela possui como próprio: uma visão global do homem e da humanidade» <em>(Populorum progressio, n. </em>13).</p>
<p>A nossa atitude há-de ser a do Senhor: servir a Deus e aos outros com visão nitidamente sobrenatural, sem esperar nada em troca do nosso serviço; servir inclusivamente ao que não agradece o serviço que lhe é prestado. Esta atitude cristã chocará sem dúvida com os critérios humanos. Não obstante, o «orgulho» do cristão, identificado com Cristo, consistirá precisamente em servir. Aoservir os outros, o cristão participa da missão de Cristo e alcança assim a sua verdadeira dignidade: « Esta dignidade exprime-se na dispo­nibilidade para servir, segundo o exemplo de Cristo, o qual &#8216;não veio para ser servido, mas para servir&#8217;. Se, portanto, à luz da atitude de Cristo, se pode verdadeiramente &#8216;reinar&#8217; somente &#8216;servindo&#8217;, ao mesmo tempo este &#8216;servir&#8217; exige uma tal maturidade espiritual, que se tem de defini-la preci­samente como &#8216;reinar&#8217;. Para se poder servir os outros digna e eficazmente, é necessário saber dominar-se a si mesmo, é preciso possuir as virtudes que tornam possível um tal domínio» <em>(Redemptor hominis, </em>n. 21). Cfr a nota a Mt 20,27-28.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>31.05.2012 – Lc 1, 39-56</strong></p>
<p><sup>39</sup>Por aqueles dias, pôs-se Maria a caminho e dirigiu-se <em>à </em>pressa para a serra, em direcção a uma cidade de Judá. <sup>40</sup>Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. <sup>41</sup>Apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, saltou-lhe o menino no seio; Isabel ficou cheia do Espírito Santo <sup>42</sup>e, erguendo a voz, num grande brado, exclamou: Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre. <sup>43</sup>E donde me é dado que venha ter comigo a Mãe. do meu Senhor? <sup>44</sup>Pois, logo que me chegou aos ouvidos o eco da tua saudação, saltou de alegria o menino no meu seio. <sup>45</sup>Feliz daquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor!</p>
<p><sup>46</sup>Maria disse então: <em>«A minha alma </em>enaltece <em>ao Senhor, </em><sup>47</sup>e o meu espírito <em>exulta em Deus, meu Salvador, </em><sup>48</sup><em>porque olhou para a humilde condição da sua</em> <em>serva. </em>De facto, desde agora, me hão-de chamar ditosa todas as gerações, <sup>49</sup>porque me fez grandes coisas o Omnipotente. <em>E santo o Seu Nome, </em><sup>50</sup>e <em>a Sua misericórdia vai de geração em geração para aqueles que O temem. </em><sup>51</sup>Exerceu a força <em>com o Seu braço, dispersou </em>os  que  se  elevavam  no  seu próprio conceito.</p>
<p><sup>52</sup><em>Derrubou os poderosos </em>de seus tronos, e <em>exaltou os humildes. <sup>53</sup>Encheu de bens os famintos, </em>e aos ricos despediu-os sem nada. <sup>54</sup><em>Tornou a Seu cuidado Israel, Seu servo, recordando a Sua misericórdia </em><sup>55</sup>— <em>conforme </em>tinha <em>dito a nossos pais </em>—<em>em favor </em>de Abraão <em>e sua descendência, para sempre».</em></p>
<p><sup>56</sup>Ficou Maria com Isabel uns três meses, voltando depois para sua casa.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>39-56. </strong>Contemplamos este episódio da visitação de Nossa Senhora a sua prima Santa Isabel no <em>segundo mistério gozoso </em>do santo Rosário: «(&#8230;) Acompanha alegremente José e Santa Maria&#8230; e ficarás a par das tradições da Casa de David. (&#8230;) Caminhamos apressadamente em direcção às montanhas, até uma aldeia da tribo de Judá (Lc 1,39).</p>
<p>«Chegamos. — É a casa onde vai nascer João Baptista. — Isabel aclama, agradecida, a Mãe do Redentor: Bendita és tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! — A que devo eu tamanho bem, que venha visitar-me a Mãe do meu Senhor? (Lc 1, 42-43).</p>
<p>«O Baptista, ainda por nascer, estremece&#8230; (Lc 1,41). A humildade de Maria derrama-se no Magnificat&#8230; — E tu e eu, que somos — que éramos — uns soberbos, prometemos ser humildes» (Santo <em>Rosário, </em>segundo mistério gozoso).</p>
<p><strong>39. </strong>Nossa Senhora ao conhecer pela revelação do anjo a necessidade em que se achava a sua prima Santa Isabel, próxima já do parto, apressa-se a prestar-lhe ajuda, movida pela caridade. A Santíssima Virgem não repara em dificuldades. Embora não saibamos o lugar exacto onde se achava Isabel (hoje supõe-se que é Ayn Karim), em qualquer caso o trajecto desde Nazaré até à montanha da Judeia supunha na antiguidade uma viagem de quatro dias.</p>
<p>Este facto da vida da Santíssima Virgem tem um claro ensinamento para os cristãos: devemos aprender d&#8217;Ela a solicitude pelos outros. «Não podemos conviver filialmente com Maria e pensar apenas em nós mesmos, nos nossos problemas. Não se pode tratar com a Virgem e ter, egoisticamente, problemas pessoais» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 145).</p>
<p><strong>42</strong>. Comenta São Beda que Isabel bendiz Maria com as mesmas palavras usadas pelo Arcanjo «para que se veja que deve ser honrada pelos anjos e pelos homens e que com razão se deve antepor a todas as mulheres» <em>(In Lucae Evangelium expositio, ad loc.).</em> Na recitação da <em>Ave Maria </em>repetimos estas saudações divinas com as quais «nos alegramos com Maria Santíssima pela sua excelsa dignidade de Mãe de Deus e bendizemos o Senhor e agradecemos-Lhe ter-nos dado Jesus Cristo por meio de Maria» <em>(Catecismo Maior, </em>n.° 333).</p>
<p><strong>43.</strong> Isabel, ao chamar a Maria «mãe do meu Senhor», movida pelo Espírito Santo, manifesta que a Virgem Santíssima é Mãe de Deus.</p>
<p><strong>44.</strong> São João Baptista, ainda que tenha sido concebido em pecado — o pecado original — como os outros homens, todavia, nasceu sem ele, porque foi santificado nas entranhas» de sua mãe Santa Isabel pela presença de Jesus Cristo (então no seio de Maria) e da Santíssima Viagem. Ao receber este benefício divino São João manifesta a sua alegria saltando de gozo no seio materno. Estes factos foram o cumprimento da profecia do arcanjo São Gabriel (cfr Lc 1,15).</p>
<p>São João Crisóstomo admirava-se na contemplação desta cena do Evangelho: «Vede que novo e admirável é este mistério. Ainda não saiu do seio e já fala mediante saltos; ainda não lhe é permitido clamar e já é escutado pelos factos (&#8230;); ainda não vê a luz e já indica qual é o Sol; ainda não nasceu e já se apressa a fazer de Precursor. Estando presente o Senhor não se pode conter nem suporta esperar o» prazos da natureza, mas procura romper o cárcere do seio materno e busca dar testemunho de que o Salvador está prestes a chegar» <em>(Sermo apud Metaphr., mense Júlio).</em></p>
<p><strong>45.</strong> Adiantando-se ao coro de todas as gerações vin­douras, Isabel, movida pelo Espírito Santo, proclama bem-|&#8217;-aventurada a Mãe do Senhor e louva a sua fé. Não houve fé como a de Maria; n&#8217;Ela temos o modelo mais acabado de quais devem ser as disposições da criatura diante do seu criador: submissão completa, acatamento pleno. Com a sua fé, Maria é o instrumento escolhido pelo Senhor para levar a cabo a Redenção como Mediadora universal de todas as graças. Com efeito, a Santíssima Virgem está associada à obra redentora de seu Filho: «Esta associação da mãe com o Filho na obra da Salvação, manifesta-se desde a conceição virginal de Cristo até à Sua morte. Primeiro, quando Maria, tendo partido solicitamente para visitar Isabel, foi por ela chamada bem-aventurada, por causa da fé com que acreditara na salvação prometida, e o precursor exultou no seio de sua<em> </em>mãe (&#8230;). Assim avançou a Virgem pelo caminho dá fé, mantendo fielmente a união com o seu Filho até à cruz. Junto desta esteve, não sem desígnio de Deus (cfr Ioh 19,25), padecendo acerbamente com o seu Filho único, e associando-se com coração de mãe ao Seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima que d&#8217;Ela nascera» <em>(Lúmen gentium, </em>nn. 57-58).</p>
<p>O novo texto latino recolhe de modo literal o original grego ao dizer «quae crédidit», em vez de «quae credidisti», como fazia a <em>Vulgata, </em>que neste caso é mais fiel ao sentido que à letra. Assim traduzem a maioria dos autores e assim traduzimos nós: «Feliz daquela que acreditou».</p>
<p><strong>46-55. </strong>O cântico <em>Magnificat </em>que Nossa Senhora pronuncia em casa de Zacarias é de uma singular beleza poética. Evoca alguns passos do Antigo Testamento que a Virgem Santíssima tinha meditado (recorda especialmente 1Sam 2,1-10).</p>
<p>Neste cântico podem distinguir-se três estrofes: na pri­meira (vv. 46-50) Maria glorifica a Deus por a ter feito Mãe do Salvador, faz ver o motivo pelo qual a chamarão bem-aven­turada todas as gerações e mostra como no mistério da Encarnação se manifestam o poder, a santidade e a miseri­córdia de Deus. Na segunda (vv. 51-53) a Virgem Santíssima ensina-nos como em todo o tempo o Senhor teve predilecção pelos humildes, resistindo aos soberbos e arrogantes. Na terceira (vv. 54-55) proclama que Deus, segundo a Sua promessa, teve sempre especial cuidado do povo escolhido, ao qual vai dar o maior título de glória: a Encarnação de Jesus Cristo, judeu segundo a carne (cfr Rom 1, 3).</p>
<p>«A nossa oração pode acompanhar e imitar essa oração de Maria. Tal como Ela, sentiremos o desejo de cantar, de proclamar as maravilhas de Deus, para que a Humanidade inteira e todos os seres participem da nossa felicidade». <em>(Cristo que passa, </em>n.° 144).</p>
<p><strong>46-47. </strong>«Os<strong> </strong>primeiros frutos do Espírito Santo são a paz e a alegria. E a Santíssima Virgem tinha reunido em si toda a graça do Espírito Santo&#8230;» <em>(In Psalmos homiliae, </em>in Ps 32). Os sentimentos da alma de Maria derramam-se no <em>Magnificat. </em>A alma humilde diante dos favores de Deus sente-se movida ao gozo e ao agradecimento. Na Santíssima Virgem o benefício divino ultrapassa toda a graça concedida a qual­quer criatura. «Virgem Mãe de Deus, o que não cabe nos Céus, feito homem, encerrou-Se no teu seio» (Antífona da Missa do Comum das festas de Santa Maria). A Virgem humilde de Nazaré vai ser a Mãe de Deus; jamais a omnipotência do Criador se manifestou de um modo tão pleno. E o Coração de Nossa Senhora manifesta de modo desbordante a sua gratidão e a sua alegria.</p>
<p><strong>48-49. </strong>Diante desta manifestação de humildade de Nossa Senhora, exclama São Beda: «Convinha, pois, que assim como tinha entrado a morte no mundo pela soberba dos nossos primeiros pais, se manifestasse a entrada da Vida pela humildade de Maria» <em>(In Lucae Evangelium expositio, ad loc.).</em></p>
<p>«Que grande é o valor da humildade! — &#8216;Quia respexit humilitatem&#8230;&#8217;. Acima da fé, da caridade, da pureza ima­culada, reza o hino jubiloso da nossa Mãe em casa de Zacarias:</p>
<p>«&#8217;Porque viu a minha humildade, eis que por isto me chamarão bem-aventurada todas as gerações&#8217;» <em>(Caminho, </em>n.° 598).</p>
<p>Deus premeia a humildade da Virgem Santíssima com o reconhecimento por parte de todos os homens da sua grandeza: «Me hão-de chamar ditosa todas as gerações». Isto cumpre-se sempre que alguém pronuncia as pala­vras da <em>Ave Maria. </em>Este clamor de louvor à Nossa Mãe é ininterrupto em toda a terra. O Concilio Vaticano II recorda estas palavras da Virgem Santíssima ao falar-nos do culto a Nossa Senhora: «Desde os tempos mais antigos a Santíssima Virgem é honrada com o título de &#8216;Mãe de Deus&#8217;, e sob a sua protecção se acolhem os fiéis, em todos os perigos e necessi­dades. Foi sobretudo a partir do Concilio de Éfeso que o culto do Povo de Deus para com Maria cresceu admiravelmente, na veneração e no amor, na invocação e na imitação, segundo as suas proféticas palavras: &#8216;Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque realizou em mim grandes coisas Aquele que é poderoso&#8217;» <em>(Lumen gentium, </em>n. 66).</p>
<p><strong>50.</strong> «A sua misericórdia vai de geração em geração». Estas palavras, «já desde o momento da Encarnação, abrem nova perspectiva da história da salvação. Após a ressurreição de Cristo, esta nova perspectiva passa para ó plano histórico e, ao mesmo tempo, reveste-se de sentido escatológico novo. Desde então sucedem-se sempre novas gerações de homens na imensa família humana, em dimensões sempre crescen­tes; sucedem-se também novas gerações do Povo de Deus, assinaladas pelo sinal da Cruz e da Ressurreição e &#8216;seladas&#8217; com o sinal do mistério pascal de Cristo, revelação absoluta daquela misericórdia que Maria proclamou à entrada da casa da sua parente: &#8216;A sua misericórdia estende-se de geração em geração&#8217; (&#8230;).</p>
<p>«Maria, portanto, <em>é aquela que conhece mais profunda­mente o mistério da misericórdia divina. </em>Conhece o seu preço e sabe quanto é elevado. Neste sentido chamamos-lhe <em>Mãe da misericórdia, </em>Nossa Senhora da Misericórdia, ou Mãe da divina misericórdia. Em cada um destes títulos há um profundo significado teológico, porque exprimem a particular preparação da sua alma e de toda a sua pessoa, para torná-la capaz de descobrir, primeiro, através dos complexos acontecimentos de Israel e, depois, daqueles que dizem respeito a cada um dos homens e à humanidade inteira, a misericórdia da qual todos se tornam participantes, segundo o eterno desígnio da Santíssima Trindade, &#8216;de geração em geração&#8217;» <em>(Dives in misericórdia, </em>n. 9).</p>
<p><strong>51.</strong> «Os que se elevavam no seu próprio conceito»: São os que querem aparecer como superiores aos outros, a quem desprezam. E também alude à condição daqueles que na sua arrogância projectam planos de ordenação da sociedade e do mundo de costas ou contra a Lei de Deus. Embora possa parecer que de momento têm êxito, no fim cumprem-se estas palavras do cântico da Virgem Santíssima, pois Deus disper­sá-los-á como já fez com os que tentaram edificar a torre de Babel, que pretendiam chegasse até ao Céu (cfr Gen 11,4).</p>
<p>«Quando o orgulho se apodera da alma, não é estranho que atrás dele, como pela arreata, venham todos os vícios: a avareza, as intemperanças, a inveja, a injustiça. O soberbo procura inutilmente arrancar Deus — que é misericordioso com todas as criaturas — do Seu trono para se colocar lá ele, que actua com entranhas de crueldade.</p>
<p>«Temos de pedir ao Senhor que não nos deixe cair nesta tentação. A soberba é o pior dos pecados e o mais ridículo. (&#8230;) A soberba é desagradável, mesmo humanamente, porque o que se considera superior a todos e a tudo está continua­mente a contemplar-se a si mesmo e a desprezar os outros, que lhe pagam na mesma moeda, rindo-se da sua fatuidade» <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 100).</p>
<p><strong>53.</strong> Esta Providência divina manifestou-se muitíssimas vezes ao longo da História. Assim, Deus alimentou com o maná o povo de Israel na sua peregrinação pelo deserto durante quarenta anos (Ex 16,4-35); igualmente Elias por meio de um anjo (1Reg 19, 5-8); Daniel no fosso dos leões (Dan 14,31-40); a viúva de Sarepta com o azeite que miraculosamente não se esgotava (1Reg 17,8 ss.). Assim também culminou as ânsias de santidade da Virgem Santíssima com a Encarnação do Verbo.</p>
<p>Deus tinha alimentado com a Sua Lei e a pregação dos Seus Profetas o povo eleito, mas o resto da humanidade sentia a necessidade da palavra de Deus. Agora, com a Encarnação do Verbo, Deus satisfaz a indigência da humani­dade inteira. Serão os humildes que acolherão este ofereci­mento de Deus; os autossuficientes, ao não desejarem os bens divinos, ficarão privados deles (cfr <em>In Psalmos homiliae </em>in Ps 33).</p>
<p><strong>54.</strong> Deus conduziu o povo israelita como uma criança, como Seu filho a quem amava ternamente: «Yahwéh, teu Deus, conduziu-te por todo o caminho que tendes percorrido, como um homem conduz o seu filho&#8230;» (Dt 1,31). Isto fê-lo Deus muitas vezes, valendo-se de Moisés, de Josué, de Samuel, de David, etc., e agora conduz o Seu povo de maneira definitiva enviando o Messias. A origem última deste proceder divino é a grande misericórdia de Deus que Se compadeceu da miséria de Israel e de todo o gênero humano.</p>
<p><strong>55.</strong> A misericórdia de Deus foi prometida desde tempos antigos aos Patriarcas. Assim, a Adão (Gen 3,15), a Abraão (Gen 22,18), a David (2Sam 7,12), etc. A Encarnação de Cristo tinha sido preparada e decretada por Deus desde a eternidade para a salvação da humanidade inteira. Tal é o amor que Deus tem aos homens; o próprio Filho de Deus Encarnado o declarará: «De facto, Deus amou de tal maneira o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigênito, para que todo o que n&#8217;Ele acredita não pereça, mas tenha a vida eterna» (Ioh3,16).</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
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		<title>Evangelho do dia: mês de abril de 2012</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2012 12:02:54 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Evangelho do dia: mês de abril de 2012 Mês de abril de 2012 01.04.2012 – Mc 11, 1-10 Quando estavam já perto de Jerusalém, nas cercanias de Betfagé e Betânia, na encosta do Monte das Oliveiras, envia dois dos Seus &#8230; <a href="http://www.opusalegria.com.br/evangelho-do-dia/evangelho-do-dia-mes-de-abril-de-2012/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Evangelho do dia: mês de abril de 2012</p>
<p>Mês de abril de 2012</p>
<p><strong>01.04.2012 – Mc 11, 1-10</strong></p>
<p>Quando estavam já perto de Jerusalém, nas cercanias de Betfagé e Betânia, na encosta do Monte das Oliveiras, envia dois dos Seus discípulos <sup>2</sup>e diz-lhes: Ide àquela aldeia que vedes além diante de vós e, logo ao entrardes nela, encontrareis um jumento preso, que ninguém ainda montou. Desatai-o e trazei-o. <sup>3</sup>E,<em> </em>se alguém disser: porque fazeis isso?», respondei: «o Senhor precisa dele», e logo o mandará outra vez para aqui. <sup>4</sup>Partiram e encontraram o jumento preso, a uma porta, cá fora na rua, e desataram-no. <sup>5</sup>Alguns dos que ali estavam disseram-lhes: Que fazeis? Para que desatais o jumentinho? <sup>6</sup>Eles responderam-lhes con­forme Jesus tinha dito, e os homens deixa­ram-nos. <sup>7</sup>Trouxeram a Jesus o jumentinho, lançaram-lhe as capas em cima, e montou nele. <sup>8</sup>Muitos estenderam no caminho as suas capas, e outros alcatifas de ramos, que cortavam nos campos. <sup>9</sup>E tanto os que iam adiante como os que vinham atrás, cla­mavam:</p>
<p>Hosana! Bendito seja O que vem em nome do Senhor! <sup>10</sup>Bendito o reino que chegou, de nosso pai David! Hosana nas alturas!</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-11</strong>. Outras vezes Jesus tinha entrado em Jerusalém; mas nunca o tinha feito como agora, quando está já próximo o tempo da Sua Paixão. Antes não tinha querido descobrir-Se como o Messias, evitando o entusiasmo da multidão; agora o Senhor aceita as aclamações do povo, aprova-as e inclusive dá ocasião a elas com esta entrada em forma de Rei pacífico. O ministério público de Jesus está prestes a terminar: cumpriu a Sua missão; pregou; fez milagres; manifestou, segundo os planos divinos, o que devia dizer acerca de Si; e nesta entrada em Jerusalém mostra claramente o Seu caracter messiânico. O povo que grita «bendito O que vem em nome do Senhor», «bendito o Reino que vem, o de David nosso pai», está a proclamar Jesus como o Messias por tanto tempo esperado. Quando os chefes do povo, dias mais tarde, desencadeiem a perseguição final contra Ele, opor-se-ão a este reconhecimento pela boca do povo. Cfr as notas a Mt 21,1-5 e 21,9.</p>
<p><strong>3.</strong> Ainda que Nosso Senhor, absolutamente falando, não necessite do homem, contudo, quer servir-Se de nós para realizar os Seus planos divinos, como Se serviu do burrico para a Sua entrada triunfal em Jerusalém. «Jesus contenta-Se com um pobre animal por trono. Não sei o que se passa convosco, mas a mim não me humilha reconhe­cer-me aos olhos do Senhor como um jumento: <em>fui diante de ti como um jumento. Porém, estarei sempre contigo: tomaste-me pela minha mão direita </em>(Ps LXXII, 23), tu és quem me leva pela arreata».</p>
<p>«Pensai nas características dum jumento, agora que vão ficando tão poucos. Não falo dum burro velho e teimoso, rancoroso, que se vinga com um coice traiçoeiro, mas dum burriquito jovem, com as orelhas tesas como antenas, austero na comida, duro no trabalho, com o trote decidido e para realizar os Seus planos divinos, como Se serviu do burrico para a Sua entrada triunfal em Jerusalém. «Jesus contenta-Se com um pobre animal por trono. Não sei o que se passa convosco, mas a mim não me humilha reconhe­cer-me aos olhos do Senhor como um jumento: <em>fui diante de ti como um jumento. Porém, estarei sempre contigo: tomaste-me pela minha mão direita </em>(Ps LXXII, 23), tu és quem me leva pela arreata».</p>
<p>«Pensai nas características dum jumento, agora que vão ficando tão poucos. Não falo dum burro velho e teimoso, rancoroso, que se vinga com um coice traiçoeiro, mas dum burriquito jovem, com as orelhas tesas como antenas, austero na comida, duro no trabalho, com o trote decidido e alegre. Há centenas de animais mais formosos, mais hábeis e mais cruéis. Mas Cristo preferiu este para Se apresentar como rei diante do povo que O aclamava, porque Jesus não sabe que fazer da astúcia calculista, da crueldade dos corações frios, da formosura vistosa mas vã. Nosso Senhor ama a alegria dum coração moço, o passo simples, a voz sem falsete, os olhos limpos, o ouvido atento à Sua palavra de carinho. E é assim que reina na alma» <em>(Cristo que passa,).</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>02.04.2012 – Jo 12, 1-11</strong></p>
<p>Seis dias antes da Páscoa, veio Jesus a Betânia, onde se encontrava <em>Lázaro, </em>que Jesus havia ressuscitado dos mortos.</p>
<p><sup>2</sup>Ofereceram-Lhe lá um jantar. Marta andava a servir, e <em>Lázaro era </em>um dos que estavam com Ele à mesa. <sup>3</sup>Então Maria, tomando uma libra de perfume de nardo genuíno, de alto preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-Lhos com os seus cabelos. E a casa encheu-se com o cheiro do perfume. <sup>4</sup>Disse Judas Iscariotes, um dos discípulos, aquele que O ia entregar: <sup>5</sup>Por que motivo se não vendeu este perfume por trezentos denários, para se dar aos pobres? <sup>6</sup>Disse isto, não por se importar com os pobres, mas porque era ladrão e porque, andando com a bolsa, tirava o que nela se metia. <sup>7</sup>Respondeu Jesus: Deixa-a lá; foi para reservar o perfume para o dia da Minha sepultura; <sup>8</sup>pois que pobres, sempre os haveis de ter convosco, mas a Mim nem sempre Me tereis.</p>
<p><sup>9</sup>Soube então um grande número de Judeus que Ele ali Se encontrava e vieram, não só por causa de Jesus, mas também para verem <em>Lázaro, </em>que Ele tinha ressuscitado dos mortos, <sup>10</sup>Ora os Sumos Sacerdotes haviam deliberado dar a morte a <em>Lázaro </em>também, <sup>11</sup>porque muitos dos Judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-</strong> Jesus visita de novo os Seus amigos de Betânia. Comove ver como o Senhor tem esta amizade, tão divina e tão humana, que se manifesta num convívio frequente.</p>
<p>«É verdade que chamo sempre Betânia ao nosso Sacrário&#8230; — Faz-te amigo dos amigos do Mestre: Lázaro,<em> </em>Marta, Maria. — E depois já me não perguntarás por que chamo Betânia ao nosso Sacrário» <em>(Caminho, </em>n.° 322).</p>
<p><strong>2-3.</strong> Parece que houve duas unções do Senhor em ocasiões diferentes e por motivos diversos: a primeira, no princípio do Seu ministério público, na Galileia, relatada por São Lucas (7,36-50); a segunda, no fim da Sua vida, em Betânia, narrada aqui por São João, e que sem dúvida é a mesma que relatam São Mateus (26,6-13) e São Marcos (14,3-9). Tanto pelo tempo em que sucederam, como pelas circunstâncias par­ticulares, ambas as unções se distinguem com clareza: no primeiro caso tratou-se de uma manifestação de arrepen­dimento a que se seguiu o perdão; no segundo caso foi uma mostra delicada de amor, que Jesus interpretou, além disso, como antecipação da Sua unção para a sepultura (v. 7).</p>
<p>Ainda que as unções de que foi objecto Jesus tenham tido uma relevância muito especial, devem ser consideradas dentro dos usos da hospitalidade entre os orientais (veja-se a nota a Mc 14,3-9).</p>
<p>A libra era uma medida de peso equivalente a uns tre­zentos gramas: o denário, como indicamos noutras ocasiões, era a paga diária de um operário agrícola; portanto, o valor do frasco de perfume equivaleria ao salário de um ano completo.</p>
<p>«Que prova tão clara de magnanimidade o excesso de Maria! Judas lamenta que se tenha <em>desperdiçado </em>um perfume que valia — com a sua avareza fez muito bem as contas — pelo menos <em>trezentos dinheiros</em>»<em>.</em></p>
<p>«O verdadeiro desprendimento leva-nos a ser muito gene­rosos com Deus e com os nossos irmãos (&#8230;). Não sejais mesquinhos nem tacanhos com quem tão generosamente Se excedeu connosco, até Se entregar totalmente, sem medida. Pensai quanto vos custa — também no domínio econômico — ser cristão! Mas, sobretudo, não esqueçais que <em>Deus ama quem dá com alegria (2</em>Cor 11, 7-8)» <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 126).</p>
<p><strong>4-6.</strong> Por este passo e por Ioh 13,29 sabemos que Judas era o que administrava o dinheiro. Com pequenos roubos — não daria para mais a exígua bolsa de Jesus e dos Doze — tinham-se ido preparando em Judas as disposições que contribuíram para a traição final; esta queixa em relação à generosidade da mulher é uma hipocrisia. «Com frequência os servidores de Satanás se disfarçam de servidores da justiça (cfr 2Cor 11,14-15). Por isso (Judas) ocultou a sua malícia sob capa de piedade» <em>(Comentário sobre S. João, ad loc.).</em></p>
<p><strong>7-8.</strong> Além de louvar o gesto magnânimo de Maria, o Senhor anuncia veladamente a proximidade da Sua morte, e até se vislumbra que será tão inesperada que mal haverá tempo para embalsamar o Seu corpo tal como costumavam fazê-lo os Judeus (Lc 23,56). Jesus não nega o valor da esmola que tantas vezes recomendou (cfr Lc 11,41; 12,33), nem a preocupação pelos pobres (cfr Mt 25,40), mas descobre a hipocrisia daqueles que, como Judas, aduzem falsamente motivos nobres para não dar a Deus a honra devida (ver também as notas a Mt 26,8-11; Mc 14,3-9).</p>
<p><strong>9-11. A notícia da ressurreição de Lázaro teve grande eco entre a gente da Judeia e os que subiam a Jerusalém pela Páscoa; muitos creram em Jesus (Ioh 11,45), outros procura­vam-No (Ioh 11,56) quiçá mais por curiosidade (Ioh 12,9) que <em>por </em>fé. Seguir a Cristo exige de cada um de nós muito mais que um entusiasmo superficial e passageiro. Recordemo-nos daqueles «que, quando ouvem a palavra, naquele momento a recebem com alegria, contudo não têm raiz em si mesmos, mas são inconstantes; e depois, ao vir uma tribulação ou perseguição por causa da palavra, escandalizam-se logo» (Mc 4,16-17).</strong></p>
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<p><strong>03.04.2012 – Jo 13, 21-33.36-38</strong></p>
<p><sup>21</sup>Dito isto, perturbou-Se Jesus interiormente e asseverou : Em verdade, em verdade vos digo: Um de vós há-de entregar-Me. <sup>22</sup>Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saberem a quem Se referia. <sup>23</sup>Ora um dos discípulos, aquele que Jesus amava, estava à mesa junto do seio de Jesus. <sup>24</sup>Então Simão Pedro faz-lhe sinal e diz-lhe: Pergunta lá de quem é que fala. <sup>25</sup>Ele, inclinando-se sem mais sobre o peito de Jesus, pergunta-Lhe: Quem é, Senhor? <sup>26</sup>Jesus responde: É aquele a quem Eu der o pedaço de pão que vou ensopar. E, depois de ensopar o pedaço de pão, toma-o <em>e </em>entrega-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. <sup>27</sup>Nessa altura, depois do pedaço de pão, entrou nele Satanás. Diz-lhe então Jesus: O que tens a fazer, fá-lo sem demora. <sup>28</sup>Isto, porém, não soube nenhum dos convivas por que lho disse, <sup>29</sup>pois alguns, por Judas andar com a bolsa, pensavam que Jesus lhe dizia: Vai comprar aquilo de que precisamos para a festa; ou então que desse alguma coisa aos pobres. <sup>30</sup>Tendo, pois, tomado o pedaço de pão, saiu imediatamente. E era noite&#8230;</p>
<p><sup>31</sup>Depois de ele sair, diz Jesus: Agora é que foi glorificado o Filho do homem e Deus foi n&#8217;Ele glorificado. <sup>32</sup>Uma vez que Deus foi n&#8217;Ele glorificado, também Deus O há-de glorificar em Si mesmo e glorificá-Lo-á sem demora.</p>
<p><sup>33</sup>«Filhinhos, ainda estou um pouco convosco». Haveis de procurar-Me e, assim como disse aos Judeus: «Vós não podeis vir para onde Eu vou», também vo-lo digo agora.</p>
<p><sup>36</sup>Diz-Lhe Simão Pedro: Para onde vais, Senhor? Para onde Eu vou — respondeu-lhe Jesus — não podes tu seguir-Me por agora; seguir-Me-ás depois. <sup>37</sup>Diz-Lhe Pedro: Senhor, por que motivo não posso agora seguir-Te? Eu darei a minha vida por Ti! <sup>38</sup>Darás a tua vida por Mim?! Responde Jesus. — Em ver­dade, em verdade te digo: Não cantará o galo sem tu Me haveres negado por três vezes!</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>21.</strong> A dor de Cristo é proporcionada à gravidade da ofensa. Judas era um dos escolhidos por Jesus para ser Apóstolo: durante três anos tinha tido uma convivência familiar e íntima com Ele, tinha-O seguido para toda a parte, tinha visto os Seus milagres, ouvido a Sua doutrina divina e experimentado a ternura do Seu coração&#8230; E depois de tudo isto, no momento decisivo, Judas não só abandona o Mestre mas atraiçoa-O e vende-O. A traição de um íntimo é muito mais dolorosa e cruel que a de um estranho, porque supõe uma falta de lealdade. Também a vida espiritual do cristão é verdadeira amizade com Cristo; por isso assenta sobre a lealdade, à honradez e a fidelidade à palavra dada.</p>
<p>Judas tinha decidido entregar Jesus e pôs-se de acordo cornos príncipes dos sacerdotes (cfr Mt 26,14; Mc 14,10-11; Lc 22,3-6). A tentação, consumada já no coração de Judas, vinha-se preparando desde há tempos, como vemos na unção de Betânia quando protestou contra o gesto de amor de Maria; São João comenta então que o fez não por amor aos pobres, mas porque era ladrão (cfr Ioh 12,6).</p>
<p><strong>23. </strong>Naquele tempo, nas ocasiões solenes costumavam comer recostados sobre uma espécie de divão, chamado triclínio. Apoiavam-se sobre o lado esquerdo para comer com a mão direita. Deste modo era fácil reclinar-se naquele que estava à esquerda e falar de forma confidencial. O que lemos neste versículo é um pormenor que indica a intimidade e confiança que o Mestre e o discípulo amado tinham entre si (cfr Ioh 19,27; 20,2; 21,23), modelo do amor de Jesus por todos os Seus verdadeiros discípulos, e destes pelo Mestre.</p>
<p><strong>26-27. </strong>O bocado que lhe oferece Jesus é mostra de amizade e, portanto, convite a emendar as suas perversas maquinações. Judas, porém, desperdiça esta oportunidade. «Bom é o que recebeu — comenta Santo Agostinho —, mas recebeu-o para a sua perdição, porque aquele que era mau recebeu com má disposição o que era bom» <em>(In Joann. Evang., </em>61,6). A entrada de Satanás indica que desde esse momento Judas se abandona completamente à tentação diabólica.</p>
<p><strong>29.</strong> «Todos estes pormenores foram conservados para nos dizer: se alguém vos ultraja, não vos indigneis. Pensai no culpável e chorai a sua violência natural. Aquele que lesa o bem de outro, o caluniador, que interesses fere primeiro? Os seus próprios, sem dúvida (&#8230;). Jesus Cristo enche dos Seus benefícios Judas o traidor, lava os seus pés, repreende-o sem acrimónia, censura-o com discrição, procura ganhar o seu coração, honra-o até comer com ele, até o abraçar; e inclusivamente quando Judas não recapacita, Jesus Cristo não cessa no Seu bom empenho» <em>(Hom. sobre S. João, </em>71,4).</p>
<p><strong>30.</strong> A indicação de que «era noite» não é só uma simples referência cronológica, mas alude às trevas como imagem do pecado, do poder tenebroso que naquele instante iniciava a Sua hora (cfr Lc 22,53). O contraste entre luz e trevas, oposição do mal ao bem, é muito frequente na Bíblia, espe­cialmente no quarto Evangelho, onde, já desde o Prólogo, nos é dito que Cristo é a Luz verdadeira que as trevas não receberam (cfr Ioh l ,5).</p>
<p><strong>31-32.</strong> Esta glorificação refere-se sobretudo à glória que Cristo receberá a partir da Sua exaltação na Cruz (Ioh 3,14; 12,32). São João sublinha que a morte de Cristo é o começo do Seu triunfo; tanto é assim que a própria crucifixão poderia considerar-se como o primeiro passo da subida para o Pai. Ao mesmo tempo é glorificação do Pai, pois Cristo, aceitando voluntariamente a morte por amor, como acto supremo de obediência à Vontade divina, realiza o maior sacrifício com que o homem pode dar glória a Deus. O Pai corresponderá a esta glorificação que Cristo Lhe tributa glorificando-O a Ele, como Filho do Homem, isto é, na Sua Santíssima Humanidade, através da Ressurreição e exalta­ção à Sua direita. Desta forma a glória que o Filho dá ao Pai é ao mesmo tempo glória para o Filho.</p>
<p>Assim também o discípulo de Cristo encontrará o seu maior motivo de glória na identificação com a atitude obe­diente do Mestre. São Paulo indica-o claramente ao dizer: «Longe de mim gloriar-me a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6,14).</p>
<p><strong>33.</strong> A partir deste versículo o Evangelista relata o que costuma chamar-se o discurso da Ceia. Nele podem distinguir-se três partes. Na primeira, o Senhor começa por pro­clamar o Mandamento Novo (vv 33-35) e anuncia as negações de Pedro (w, 36-38). Explica-lhes depois que a Sua Morte vai ser o trânsito para o Pai (cap. 14), com Quem é um por ser Deus (vv 1-14). Também lhes anuncia que depois da Sua Ressurreição lhes enviará o Espírito Santo, que os guiará ensinando-lhes e recordando-lhes tudo o que lhes tinha dito (vv 15-31).</p>
<p>A segunda parte do discurso está contida nos capítulos 15 e 16. Jesus Cristo promete que aqueles que crerem terão uma nova vida de união com Ele, tão íntima como a que têm as varas com a videira (15,1-8). Para conseguir essa união é necessário praticar o Mandamento Novo do Senhor (vv 9-18). Previne-os das contradições que terão de sofrer, e anima-os com a promessa do Espírito Santo, que os defenderá e conso­lará (vv 18-27). A acção do Paráclito ou Consolador con­duzi-los-á eficazmente ao cumprimento da missão que Jesus lhes confiou (16,1-15). Fruto da presença do Espírito Santo será a plenitude do gozo (vv 16-33).</p>
<p>A terceira parte (cap. 17) recolhe a oração sacerdotal de Jesus, em que roga ao Pai pela Sua glorificação através da Cruz (vv 1-5). Pede também pelos Seus discípulos (vv. 6-19) e por todos os que por meio deles crerão n&#8217;Ele, para que, permanecendo no mundo sem serem do mundo, esteja neles o amor de Deus e dêem testemunho de que Cristo é o enviado do Pai (vv. 20-26).</p>
<p><strong>36-38.   </strong>Uma vez mais Pedro fala ao seu Mestre com simplicidade e sincera disposição de O seguir até à morte.  Mas ainda não estava preparado. O Senhor, comenta Santo Agostinho, «estabelece aqui uma dilação; não destrói a esperança, mas confirma-a dizendo &#8216;seguir-Me-ás mais tarde&#8217;. Para que te apressas, Pedro? Ainda não te tinha fortalecido a pedra com a dureza da sua entranha: não te desequilibres agora com a tua presunção. Agora não podes seguir-Me, mas não desesperes, depois fá-lo-ás» <em>(In Ioann. Evang., </em>66,1). Com efeito, nesses momentos o entusiasmo de Pedro é ar­dente, mas pouco firme. Mais tarde adquirirá a fortaleza que se apoia na humildade. Então, quando não se considerar digno de morrer como o Mestre, morrerá numa cruz, de cabeça para baixo, cravando na terra de Roma essa pedra sólida que continua a viver nos que lhe sucedem e que é o fundamento sobre o qual se edifica, indefectível, a Igreja. As negações de Pedro, sinal da sua debilidade, foram amplamente compensadas pelo seu profundo arrependi­mento. «Que cada um tome exemplo de contrição e se caiu não desespere, mas confie sempre em que pode tornar-se digno do perdão» (S. Beda, <em>In Ioann. Evang. expositio, ad loc.).</em></p>
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<p><strong>04.04.2012 – Mt 26, 14-25</strong></p>
<p><sup>14</sup>Então um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os Príncipes dos sacer­dotes <sup>15</sup>e disse-lhes: Que me quereis dar para eu vo-Lo entregar? E eles deram-lhe em paga trinta moedas de prata. <sup>16</sup>E desde então buscava uma ocasião oportuna para O en­tregar.</p>
<p><sup>17</sup>No primeiro dia dos ázimos, aproximaram-se de Jesus os discípulos e disseram-Lhe: Onde queres que Te façamos os prepa­rativos para comer a Páscoa? <sup>18</sup>E Ele disse: Ide à cidade, a casa de um tal e dizei-lhe: «O Mestre manda dizer: O Meu tempo está próximo: quero celebrar a Páscoa com os Meus discípulos em tua casa». <sup>19</sup>Fizeram os discípulos como o Senhor lhes ordenara e prepararam a Páscoa.</p>
<p><sup>20</sup>Ao anoitecer, estava Jesus à mesa com os doze; <sup>21</sup>e durante a ceia disse: Em verdade vos digo que um de vós Me há-de entregar.<sup> 22</sup>Entristeceram-se eles profundamente e ca­da um começou a perguntar-Lhe: Porventu­ra sou eu, Senhor? <sup>23</sup>Ele respondeu: O que mete comigo a mão no prato, esse Me há-de entregar. <sup>24</sup>O Filho do homem vai, conforme está escrito d&#8217;Ele; mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser entregue. Melhor lhe fora a esse homem não ter nascido. <sup>25</sup>Tomou aqui a palavra Judas, o que O traíra, e disse: Porventura sou eu, Rabi? E Ele respondeu: Tu o disseste.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>15. </strong>Desconcerta e põe de sobreaviso pensar como Judas Iscariotes chegou a vender quem ele tinha considerado como Messias e de quem tinha recebido o chamamento para o ministério apostólico. Trinta ciclos ou moedas de prata era o preço de um escravo (cfr Ex 21, 32), a mesma quantia pela qual Judas vendeu o Mestre.</p>
<p><strong>17.</strong> Ázimos são os pães sem fermento que deviam comer-se durante sete dias, em recordação do pão sem fermentar que os Israelitas tiveram de tomar apressadamente ao sair do Egipto (cfr Ex 12, 34). No tempo de Jesus a ceia de Páscoa celebrava-se no primeiro dia da semana de Ázimos.</p>
<p><strong>18.</strong> Embora a expressão indique uma pessoa, cujo nome não se diz, é de supor que o Senhor o tenha designado concretamente. Em qualquer caso, sabemos pelos outros evangelistas (Mc 14, 13 Lc 22, 10) que Jesus deu indicações suficientes para que os discípulos pudessem encontrar a casa.</p>
<p><strong>22.</strong> Embora não tivessem sucedido ainda os aconteci­mentos gloriosos da Páscoa, que dariam aos Apóstolos um conhecimento superior sobre Jesus, contudo, no seu convívio com o Senhor e pela graça divina, que já tinham vindo a receber (cfr Mt 16, 17), os Apóstolos, ao longo do ministério público, tinham robustecido e aprofundado a sua fé em Jesus (cfr Ioh 2,11; 6, 68-69). Neste momento estão persuadidos de que o Senhor conhece as próprias disposições interiores deles e o que vão fazer. Por isso, cada um faz-Lhe a inquietante pergunta acerca da sua própria fidelidade futura.</p>
<p><strong>24.</strong> Jesus alude a que Ele próprio Se entregará volunta­riamente à Paixão e à Morte. Com isso, também cumpria a Vontade divina, anunciada desde tempos antigos (cfr Ps 41, 10; Is 53, 7). Ainda que Nosso Senhor vá para a morte por própria vontade, não por isso diminui o pecado do traidor.</p>
<p><strong>25.</strong> O anúncio da traição de Judas passou despercebido aos outros apóstolos (cfr Ioh 13,26-29).</p>
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<p><strong>05.04.2012 – Jo 13, 1-15</strong></p>
<p>Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele que amara os Seus, que estavam no mundo, levou até ao extremo o Seu amor por eles. <sup>2</sup>E, no decorrer da ceia, como o Diabo já tivesse metido na cabeça a Judas Iscariotes, filho de Simão, que O entregasse, <sup>3</sup>sabendo Ele que o Pai tudo Lhe pusera nas mãos, e ainda que de Deus saíra e para Deus voltava, <sup>4</sup>levanta-Se da mesa, depõe as vestes e, tomando uma toalha, põe-na à cintura. <sup>5</sup>A seguir, deita água numa bacia e começa a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura.</p>
<p><sup>6</sup>Chega então a Simão Pedro. Senhor — Lhe diz ele — Tu vai lavar-me os pés?!</p>
<p><sup>7</sup>Respondeu-lhe Jesus: O que Eu estou a fazer, não o podes entender por agora, hás-de compreendê-lo depois. <sup>8</sup>Não — diz-lhe Pedro — nunca me lavarás os pés! Respon­deu-lhe Jesus: Se não <em>te </em>lavar, não terás parte comigo. <sup>9</sup>Senhor — Lhe diz Simão Pedro — então não só os pés, mas também as mãos e a cabeça! <sup>10</sup>Jesus respondeu-lhe: Quem tomou banho não precisa de se lavar; está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos! &#8230; <sup>11</sup> É que Ele bem sabia quem O ia entregar; por isso é que disse: «Nem todos estais limpos». <sup>12</sup>Depois de lhes lavar os pés, de retomar as vestes e de Se pôr de novo à mesa, disse-Ihes: <sup>13</sup>Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, visto que o sou. <sup>14</sup>Ora, se Eu vos lavei os pés, sendo Senhor e Mestre, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. <sup>15</sup>É que Eu dei-vos o exemplo para que, assim como Eu vos fiz, vós façais também.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-38.</strong> São João dedica uma grande parte do seu Evangelho (caps. 13-17) a narrar os ensinamentos de Jesus aos Apóstolos durante a Última Ceia. Nesta secção relata, além disso, alguns factos que não aparecem nos Sinópticos, como o lava-pés; e omite a instituição da Eucaristia, já transmitida pelos outros Evangelhos e por São Paulo (cfr Mt 26,26-28 e 1Cor 11,23-27), e de que o próprio São João falou no cap. 6. Nos capítulos13 a 17 o Evangelista recorda extensamente as palavras do Senhor em ocasião tão solene.</p>
<p>O cap. 13 começa com uma descrição da importância do momento (vv. 1-3). A seguir narra-se o lava-pés (vv 4-11), e a explicação de Jesus deste facto (vv. 12-17). Relata depois a denúncia do que O ia entregar (vv. 18-32), e termina com o ensinamento do mandamento novo (vv. 33-35) e o anúncio da negação de Pedro (vv. 36-38).</p>
<p><strong>1.</strong> As famílias hebreias imolavam um cordeiro na vés­pera da Páscoa, segundo o mandato divino recebido à saída do Egipto, quando Deus os livrou da escravidão do Faraó (Ex 12,3-14; Dt 16,1-8). Esta libertação prefigurava a que Jesus Cristo viria realizar: redimir os homens da escravidão do pecado, mediante o Seu sacrifício na Cruz (cfr 1,29). Por­tanto, a celebração da Páscoa hebraica era o enquadra­mento mais adequado para instituir a nova Páscoa cristã.</p>
<p>Jesus sabia tudo o que ia acontecer e que a Sua Morte e Ressurreição estavam iminentes (cfr 18,4); por isso as Suas palavras adquirem um tom especial de confidencia e amor por aqueles que deixava neste mundo. Chegado este mo­mento, rodeado dos que escolheu e creram n&#8217;Ele, deixa-lhes os Seus últimos ensinamentos e institui a Eucaristia, fonte e centro da vida da Igreja. «O próprio Senhor quis dar àquela reunião tal plenitude de significado, tal riqueza de recor­dações, tal comoção de palavras e de sentimentos, tal novidade de actos e de preceitos, que nunca acabaremos de meditá-los e de explorá-los. É uma cena testamentária; é uma cena afectuosa e imensamente triste, ao mesmo tempo que misteriosamente reveladora de promessas divinas, de visões supremas. Lança-se por cima a morte, com inauditos presságios de traição, de abandono, de imolação; a conversa apaga-se a seguir, enquanto a palavra de Jesus flui contínua, nova, extremamente doce, tensa em confidencias supremas, movendo-se assim entre a vida e a morte» (Paulo VI, <em>Homília de Quinta Feira Santa).</em></p>
<p>O que Cristo fez pelos Seus pode resumir-se na frase «amou-os até ao fim». Isto indica a intensidade do amor de Cristo, que vai até dar a Sua vida (cfr Ioh 15,13); mas esse amor não termina com a Sua morte, porque Ele vive, e desde a Sua ressurreição gloriosa continua a amar-nos infinita­mente: «Não nos amou só até aqui quem nos ama sempre e sem fim. Não se pode pensar que a morte tenha posto fim ao amor d&#8217;Aquele que não Se extinguiu com a morte» <em>(In Ioann. Evang., </em>55,2).</p>
<p><strong>2.</strong> Os Evangelhos relatam que a presença e a acção do diabo aparecem ao longo da actividade de Jesus (cfr Mt 4,1-11; Lc 22,3; Ioh 8,44; 12,31; etc.). Satanás é o inimigo (Mt 13,39), o Maligno (1Ioh 2,Í3). São Tomás de Aquino (cfr <em>Comentário sobre S. João, ad loc.) </em>faz-nos notar como, neste passo, por um lado, se põe em realce a malícia de Judas, que não se rende diante de tanta prova de amor, e, por outro, sublinha-se a bondade de Cristo, que supera essa maldade diabólica ao lavar também os pés de Judas, a quem tratará como amigo até no momento supremo da traição (Lc 22,48).</p>
<p><strong>3-6. </strong>Jesus, consciente de ser o Filho de Deus, humilha-Se voluntariamente até realizar a tarefa própria dos servos da casa. Este passo recorda o hino cristológico da carta de São Paulo aos Filipenses: «Cristo Jesus, sendo de condição divina, não considerou apetecível tesouro o ser igual a Deus, mas aniquilou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo&#8230;» (Phil 2,6-7).</p>
<p>Cristo tinha dito que viera ao mundo para servir e não para ser servido (Mc 10,45). Nesta cena ensina-nos o mesmo com um facto concreto, exortando-nos assim a servirmo-nos uns aos outros com toda a humildade e simplicidade (cfr Gal 6,2; Phil 2,3). «Diante dos discípulos, que discutiam por motivos de soberba e de vangloria, Jesus inclina-se e cumpre gostosamente o trabalho próprio de um servo (&#8230;). A mim comove-me esta delicadeza do nosso Cristo, porque não afirma: se Eu faço isto, quanto mais deveis fazer vós! Coloca-Se ao mesmo nível, não coage: fustiga amorosamente a falta de generosidade daqueles homens.</p>
<p>«Como aos primeiros Doze, o Senhor também nos pode insinuar a nós, como de facto nos insinua continuamente: <em>exemplum dedi vobis </em>(Ioh XIV, 15), dei-vos exemplo de humil­dade. Converti-Me em servo, para que vós saibais, com coração manso e humilde, servir todos os homens» <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 103).</p>
<p>Pedro compreende de maneira particular o profundo da humilhação do Senhor, e rebela-se, como já o fez noutras circunstâncias, opondo-se à ideia do sofrimento de Cristo (cfr Mc 8,32 e par.). Comenta Santo Agostinho:«Quem não se enche de assombro ao ver os seus pés lavados pelo Filho de Deus? (&#8230;). Tu? A mim? Mais que explicadas merecem ser meditadas estas palavras, não aconteça que a língua não seja capaz de exprimir o pouco que a nossa mente pode compreender do seu verdadeiro sentido» <em>(In Ioann. Evang., </em>56,1).</p>
<p><strong>7-14. </strong>Aquele gesto do Senhor tinha um profundo signi­ficado que São Pedro não podia compreender então, como também não tinha suspeitado antes dos planos salvíficos de Deus através da imolação de Cristo (ctr Mt 16,22 ss.). Depois da Ressurreição, os Apóstolos compreenderão esse mistério do serviço do Redentor; Jesus, mediante o lava-pés, exprimia de modo simples e simbólico que não tinha «vindo para ser servido, mas para servir». O Seu serviço, como já lhes tinha dito noutra ocasião, consiste sobretudo em «dar a Sua vida em redenção por muitos» (Mt 20,28; Mc 10,45).</p>
<p>Diz o Senhor aos Apóstolos que já estão limpos, porque aceitaram as Suas palavras e O seguiram (cfr 15,3), excepto Judas que tinha decidido atraiçoá-Lo. Assim comenta este passo São João Crisóstomo: «Estais limpos porque recebestes a Minha palavra, recebestes a luz, estais livres dos erros judaicos. Diz o Profeta: &#8216;Lavai-vos, purificai-vos, arremessai das vossas almas a perversidade&#8217; (Is 1,16) (&#8230;). Jesus Cristo chama puros aos Apóstolos, segundo o que disse o Profeta, porque já arremessaram de si toda a malícia dos seus cora­ções e viveram com o seu Mestre em pureza de espírito e de coração» <em>(Hom. sobre S. João, </em>70,3).</p>
<p>Por outro lado, quando o Senhor fala da limpeza dos Apóstolos, neste momento imediatamente anterior à insti­tuição da Santíssima Eucaristia, está a aludir à necessidade de ter a alma limpa de pecado para O receber. São Paulo repete este ensinamento quando diz: «Quem comer ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do Corpo e do Sangue do Senhor» (1Cor 11,27). A Igreja, fundamentada nestes ensinamentos de Jesus e dos Apóstolos, estabelece que para comungar é preciso confessar-se previamente, se há consciência, ou dúvida positiva, de pecado grave.</p>
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<p><strong>06.04.2012 – Jo 18, 1-19,42</strong></p>
<p>Dito isto, saiu Jesus com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron, onde havia um jardim, em que Eleentrou com os discípulos. <sup>2</sup>Ora Judas, o que O ia entregar, conhecia também aquele sítio, por Jesus Se ter lá reunido muitas vezes com os discípulos. <sup>3</sup>Judas, portanto, depois de tomar a coorte e alguns dos guardas dos Sumos Sacerdotes e dos Fari­seus, vem ali ter, com archotes, lanternas e armas.</p>
<p><sup>4</sup>Então Jesus, que sabia tudo o que Lhe ia acontecer, adiantou-Se e disse-lhes: A quem buscais? <sup>5</sup>Responderam-Lhe: A Jesus de Nazaré! Sou Eu! — retorquiu-lhes Jesus. Judas, o que O ia entregar, também se encontrava com eles. <sup>6</sup>Mas quando lhes disse: «sou Eu», recuaram e caíram por terra. <sup>7</sup>Perguntou-lhes então novamente: A quem buscais? A Jesus de Nazaré! <sup>8</sup>Já vos disse que sou Eu, replicou-lhes Jesus; se é, pois, a Mim que buscais, deixai que estes se retirem. <sup>9</sup>Isto, para se cumprir a palavra que havia proferido: «Daqueles que Me deste, não perdi nenhum!»</p>
<p><sup>10</sup>Então Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o criado do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O criado chamava-se Malco. <sup>11</sup>Jesus, porém, disse a Pedro: Mete a espada na bainha. Não havia de beber o cálice que o Pai Me deu?</p>
<p><sup>12</sup> Então a coorte, o tribuno e os guardas dos Judeus apoderaram-se de Jesus, e liga­ram-No.</p>
<p><sup>13</sup>E levaram-No a Anás em primeiro lugar, por ser o sogro de Caifás, que era o Sumo Sacerdote desse ano. <sup>14</sup>Tinha sido Caifás que havia dado este conselho aos Judeus: «Interessa que morra um só homem pelo povo!» <sup>15</sup>Entretanto, Simão Pedro ia seguindo a Jesus com outro discípulo. Esse discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote <em>e </em>entrou juntamente com Jesus no pátio do Sumo Sacerdote, <sup>16</sup>enquanto Pedro ficava à porta, do lado de fora. Saiu então o outro discí­pulo, conhecido do Sumo Sacerdote, falou à porteira e levou Pedro para dentro. <sup>17</sup>Diz a Pedro a criada que servia de porteira: Tu não és também dos discípulos desse homem? Ele responde: Não sou! <sup>18</sup>Achavam-se ali presentes os criados e os guardas, que, por estar frio, tinham feito um brasido e esta­vam a aquecer-se. Pedro encontrava-se igualmente ali com eles a aquecer-se.</p>
<p><sup>19</sup>O Sumo Sacerdote interrogou Jesus sobre os Seus discípulos e a Sua doutrina.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1.</strong> O capítulo anterior, em que se fala da glória do Filho de Deus (cfr Ioh 17,1.4.10.22.24), é um pórtico esplêndido com que São João apresenta a Paixão e Morte do Senhor como uma glorificação: sublinha a liberdade de Jesus ao aceitar a Sua Morte (14,31) e permitir que os Seus inimigos O prendam (18,4.11). O relato mostra a superio­ridade do Senhor sobre os que O julgam (18,20-21) ou O condenam (19,8.12); e a serenidade majestosa perante a dor física, que faz pensar, mais que nos tormentos que Jesus padece, na Redenção e no triunfo da Cruz.</p>
<p>Os capítulos 18 e 19 narram a Paixão e Morte de Nosso Senhor. São acontecimentos tão importantes e decisivos que todos os escritos do Novo Testamento, de uma forma ou de outra, tratam deles. Assim, os Evangelhos sinópticos rela­tam-nos extensamente. No livro dos Actos, juntamente com a Ressurreição, constituem o núcleo dos discursos dos Apóstolos. São Paulo explica o valor redentor do sacrifício de Jesus Cristo, <em>e </em>as epístolas católicas falam da Sua Morte salvadora. O mesmo acontece no Apocalipse, onde o grande Triunfador, o que está no trono celeste, é o Cordeiro sacrifi­cado, Cristo Jesus. Há que dizer, além disso, que os escri­tores sagrados sempre que falam da Morte do Senhor se referem a seguir à Sua gloriosa Ressurreição.</p>
<p>No Evangelho de São João citam-se cinco lugares ou cenários dos factos passados. O primeiro (18,1-12) é Getsemani, onde prendem Jesus. Depois (18,13-27) o Senhor é levado a casa de Anás, onde começa o processo religioso, e Pedro O nega diante dos criados do Pontífice. O terceiro lugar é o Pretório (18,28-19,16), onde se desenvolve o processo diante do procurador romano, que São João narra com amplitude, pondo em realce o verdadeiro caracter da realeza de Cristo, assim como a rejeição dos judeus que pedem a crucifixão do Senhor. A seguir (19,17-37) narram-se os factos passados depois da sentença injusta do procura­dor, centrando-se nos episódios do Calvário. Por último (19,31-42), como fazem os outros Evangelhos, São João relata a sepultura do Senhor no sepulcro sem estrear, que José de Arimateia tinha próximo do Calvário.</p>
<p>Todos estes acontecimentos culminam com a glorifi­cação de Jesus a que Ele próprio Se tinha referido (cfr Ioh 17,1-5): a Ressurreição e a exaltação junto do Pai (caps. 20-21).</p>
<p>Eis os conselhos que dá Frei Luis de Granada para meditar a história da Paixão de Nosso Senhor: «Há outras cinco coisas a que podemos ter respeito quando pensamos na sagrada Paixão (&#8230;). O primeiro, aqui podemos inclinar o nosso coração para a dor e o arrependimento dos nossos pecados, para o que nos é dado um grande motivo na Paixão do Salvador, pois é certo que tudo o que padeceu pelos pecados padeceu-o, de tal maneira que, se não houvesse pecados no mundo, não seria necessário tão custoso remédio. De maneira que os pecados, tanto os teus como os meus, como os de todo o mundo, foram os verdugos que O ataram, e O açoitaram, e O coroaram de espinhos, e O puseram na Cruz. Por isto verás quanta razão tens aqui para sentir a grandeza e a malícia dos teus pecados, pois realmente eles foram a causa de tantas dores, não porque eles levassem necessariamente o Filho de Deus a padecer, mas porque deles tomou ocasião a justiça divina para pedir tão grande satisfação.</p>
<p>«E não só para aborrecer o pecado, mas também para o amor das virtudes, temos aqui grandes motivos nos exemplos das virtudes deste Senhor, que assinaladamente resplan­decem na Sua sagrada Paixão, nas quais também devemos pôr os olhos para nos provocarmos à imitação delas, e particularmente na grandeza da Sua humildade, obediência, mansidão e silêncio, com todas as outras, porque esta é uma das mais altas e proveitosas maneiras que há de meditar a sagrada Paixão, que é por via de imitação.</p>
<p>«Outras vezes devemos pôr os olhos na grandeza do benefício que o Senhor aqui nos fez, considerando o muito que nos amou, e o muito que nos deu, e o muito que Lhe custou o que nos deu (&#8230;). Outras vezes convém levantar por aqui os olhos para o conhecimento de Deus, isto é, para considerar a grandeza da Sua bondade, da Sua misericórdia, da Sua justiça e da Sua benignidade, e assinaladamente da Sua ardentíssima caridade, a qual em nenhuma outra obra resplandece mais que na Sua sagrada Paixão. Porque como é maior argumento de amor padecer males pelo amigo do que fazer-lhe bens, e Deus podia uma coisa e outra (&#8230;), aprouve à Sua divina bondade vestir-Se de natureza em que pudesse padecer males, e tão grandes males, para que ficasse o homem de todo certificado deste amor, e assim se movesse a amar quem tanto o amou.</p>
<p>«Outras vezes, finalmente, pode considerar por aqui a alteza do conselho divino e a conveniência deste meio, que a sabedoria de Deus escolheu, para remédio do gênero humano; isto é, para satisfazer pelas nossas culpas, para inflamar a nossa caridade, para fortalecer a nossa paciência, para confirmar a nossa esperança, para curar a nossa soberba, a nossa avareza <em>e </em>os nossos regalos, e para inclinar as nossas almas para a virtude da humildade (&#8230;), para o aborrecimento do pecado e para o amor da Cruz» <em>(Vida de Jesus Cristo, </em>15).</p>
<p><strong>1-2. </strong>«Dito isto» é uma fórmula frequente no quarto Evangelho para indicar que começa um novo episódio relacionado com o que se acaba de narrar (cfr Ioh 2,12; 3,22; 5,1:6.1; 13,21&#8230;).</p>
<p>O Cédron (etimologicamente <em>turvo, negro) </em>é<em> </em>o fundo de um vale que só leva água na época das chuvas; separava Jeru­salém do monte das Oliveiras, em cuja falda se encontrava o horto de Getsemani (cfr Mt 26,32; Lc 21,37; 22,39). A distância do Cenáculo ao horto de Getsemani era de uns mil e duzentos metros.</p>
<p><strong>3.</strong> Como a Judeia estava sob o domínio dos Romanos, havia em Jerusalém uma guarnição, composta de uma coorte (600 soldados) aquartelada na torre Antonia, ao mando de um tribuno. O Evangelista, ao dizer que Judas tomou «a coorte», exprime-se de um modo popular, que toma o todo pela parte; não quer dizer, portanto, que os 600 soldados foram em busca do Senhor. É de supor que os judeus, que tinham a sua própria guarda do Templo — os chamados «servidores dos pontífices» —, tinham solicitado algum apoio da coorte. Judas interveio para indicar ao chefe da guarda o lugar e a pessoa que iam prender.</p>
<p><strong>4-9. </strong>Só o quarto Evangelho recolhe este episódio acontecido antes da prisão, e que nos recorda aquelas palavras do Salmo: «Retrocederão os meus inimigos no dia em que eu clame» (Ps 56,10). Resplandece a majestade do Senhor que Se entrega voluntária e livremente. Isto, porém, não quer dizer que aqueles judeus fiquem isentos de culpa. Santo Agostinho comenta assim este passo: «Os perseguidores, que vinham com o traidor para prender Jesus, encon­traram O que buscavam e ouviram-No dizer <em>Eu sou. </em>Por que não O prenderam, mas retrocederam <em>e </em>caíram? Porque assim o quis quem podia fazer o que queria. Se não o tivesse permitido, nunca teriam realizado o intento de O pren­derem, mas também Ele não teria cumprido a Sua missão. Eles buscavam com ódio O que queriam matar; Jesus, pelo contrário, buscava-nos com amor querendo morrer. E assim, depois de manifestar o Seu poder àqueles que sem poderem fazê-lo queriam prendê-Lo, prendê-lo-ão e deste modo cum­prirá o Seu desejo por meio daqueles que o ignoravam» <em>(In Ioann. Evang., </em>112,3).</p>
<p>Por outro lado, emociona contemplar Jesus com cuida­dos pelos Seus discípulos, quando era Ele quem corria perigo. Tinha prometido que nenhum dos Seus se perderia, excepto Judas Iscariotes (cfr Ioh 17,12; 6,39): ainda que aquela promessa se referisse antes a preservá-los da conde­nação eterna, o Senhor preocupa-Se aqui também da sorte imediata dos Seus discípulos, que ainda não estavam prepa­rados para enfrentar o martírio.</p>
<p><strong>10-11. </strong>Uma vez mais se manifesta o temperamento impetuoso e a lealdade de Pedro que, com o risco da própria vida, defende o Mestre. Pedro, porém, não tinha compreen­dido ainda os planos salvíficos de Deus; continua a resistir à ideia do sacrifício de Cristo, como já o tinha feito no momento do primeiro anúncio da Paixão (Mt 16,21-22). Cristo não aceitou aquela defesa violenta. As Suas palavras aludem à oração no horto (cfr Mt 26,39), em que tinha aceitado livremente a Vontade do Pai, entregando-Se sem resistência para levar a cabo a Redenção pela Cruz.</p>
<p>Devemos acatar a Vontade de Deus com a docilidade e prontidão com que Jesus enfrenta a Paixão. «Gradação: resignar-se com a Vontade de Deus; conformar-se com a Vontade de Deus; querer á Vontade de Deus; amar a Vontade de Deus» <em>(Caminho, </em>n.° 774).</p>
<p><strong>13-18.</strong> Jesus é levado à casa de Anás, que, embora já não fosse Sumo Pontífice, conservava uma grande influência religiosa e política no povo (cfr a nota a Lc 3,2). Os dois discípulos, Simão Pedro e outro, provavelmente o próprio João, estão desconcertados; não sabem que fazer e seguem-No de longe. A sua adesão e afecto a Jesus não eram ainda suficientemente sobrenaturais; à coragem e lealdade de antes sucede agora o desânimo. Esta situação desembocará na tripla negação de Pedro. O cristão, por mais nobres que sejam os seus sentimentos, também não terá a fortaleza para ser fiel às exigências da fé se não fundamentar a sua vida numa piedade profunda.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>07.04.2012 – Mc 16, 1-7</strong></p>
<p>Terminado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem embalsamar a Jesus. <sup>2</sup>E, no primeiro dia da semana, muito cedo, foram ao sepulcro, ao nascer do Sol. <sup>3</sup>Diziam umas às outras: Quem nos vai revolver a pedra da entrada do sepulcro? <sup>4</sup>Mas, olhando, viram que a pedra fora já revolvida: e era muito grande. <sup>5</sup>Entrando no sepulcro, viram um jovem vestido de túnica branca, sentado do lado direito e ficaram assustadas. <sup>6</sup>Mas ele disse-lhes: Não vos assusteis. Procurais a Jesus Nazareno, o crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde O tinham posto. <sup>7</sup>Agora ide, dizei aos Seus discípulos e a Pedro que Ele vai diante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Na Lei de Moisés o descanso sabático tinha-se estabelecido, com caracter religioso e em certo modo social, com o fim de que os Israelitas pudessem dedicar-se à oração e ao culto de Deus; e também como uma forma de proteger o descanso dos trabalhadores. Com o tempo, os rabinos tinham levado até ao exagero uma minuciosa casuís­tica das coisas que se podiam e não se podiam fazer. Por esta causa as santas mulheres não podiam fazer no sábado os trabalhos que requeriam o embalsamar o corpo morto do Senhor e tiveram de esperar o primeiro dia da semana.</p>
<p>Desde os primeiros tempos da Igreja, este primeiro dia é chamado domingo, «dies Domini» — dia do Senhor —, por­que «depois da tristeza do sábado — comenta São Jerônimo — resplandece um dia feliz, o primeiro entre todos, iluminado com a primeira das luzes, já que nele se realiza o triunfo de Cristo ressuscitado» <em>(Comm. in Marcum, ad loc.). </em>Esta é a razão por que a Santa Madre Igreja designou o domingo como dia especialmente consagrado ao Senhor, mediante o descanso dominical e o preceito de assistir à Santa Missa.</p>
<p><strong>3.4. </strong>Sobre a forma dos sepulcros judaicos e a pedra que cobria a porta de entrada, vide a nota a Mt 27,60.</p>
<p><strong>5.</strong><em> </em>Este, como muitos outros passos dos Evangelhos, mostra-nos a extremada sobriedade dos evangelistas na narração dos factos históricos. Pelo passo paralelo de São Mateus (28,5) sabemos que se trata de um anjo. Mas tanto Marcos como Lucas, limitam-se a referir o que as mulheres viram, sem mais interpretação.</p>
<p><strong>6.</strong> O amor delicado destas mulheres impele-as, na medida em que a Lei o permite, a ir embalsamar o corpo morto de Jesus. O mesmo amor faz com que não reparemem dificuldades. E o Senhor premeia essa delicadeza com outra maior: ser as primeiras que teriam a notícia da Sua Ressur­reição. A Igreja sempre invocou a Santíssima Virgem «pró devoto femineo sexu»: em favor da piedosa mulher cristã. Com efeito, as mulheres, nos momentos tremendos da Paixão e da Morte de Jesus, mostram-se mais fortes que os homens: «Mais forte a mulher que o homem, e mais fiel, no momento da dor. — Maria de Magdala e Maria de Clopas e Salomé!</p>
<p>«Com um grupo de mulheres valentes, como essas, bem unidas à Virgem Dolorosa, que labor de almas se faria no mundo» <em>(Caminho, </em>n.° 982).</p>
<p>«Jesus Nazareno, o crucificado»: O mesmo nome escrito no título da Cruz é proclamado pelo anjo para anunciar o triunfo glorioso da Sua Ressurreição. Desta forma São Marcos dá testemunho explícito da identidade do Crucifi­cado e do Ressuscitado. O corpo de Jesus, sobre o qual se enfureceram os homens, tem agora vida imortal.</p>
<p>«Ressuscitou»: A Ressurreição gloriosa de Jesus Cristo é o mistério central da nossa fé: «Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, é também vã a vossa fé» (1Cor 15,14).</p>
<p>É também o fundamento da nossa esperança: « Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé; ainda permaneceis nos vossos pecados (&#8230;) Porque, se só para esta vida temos posta a nossa esperança em Cristo, somos os mais desgraçados de todos os homens» (1Cor 15,17.19). A Ressurreição supôs o triunfo de Jesus sobre a morte, o pecado, a dor e o poder do demônio. A Redenção que o Senhor realizou na Sua Morte è na Sua Ressurreição aplica-se ao crente por meio dos sacramentos, especialmente pelo Baptismo e pela Eucaristia: «Fomos sepultados juntamente com Ele por meio do Baptismo em ordem à morte, para que, assim como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, assim também nós caminhemos numa vida nova» (Rom 6,4). «Aquele que come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna e Eu o ressuscitarei no último dia» (Ioh 6,54). A Ressurreição de Cristo dá também a norma da nossa vida: «Se, pois, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima e não às da Terra» (Col 3,1-2). Ressuscitar com Cristo pela graça quer dizer que «assim como Jesus Cristo, por meio da Sua Ressurreição começou uma vida nova imortal e celeste, assim nós temos de começar uma nova vida, segundo o Espírito, renunciando totalmente e para sempre ao pecado e a tudo o que nos leva ao pecado, amando só a Deus e tudo o que nos leva a Deus» <em>(Catecismo Maior, </em>n.° 77).</p>
<p><strong>7.</strong> A designação do apóstolo Pedro pelo seu nome, é uma maneira de destacar a figura de quem faz de cabeça no Colégio Apostólico, precisamente nuns momentos em que a perturbação <em>e o </em>desalento tinham feito presa neles. É também uma manifestação delicada de que Pedro foi perdoado das suas negações e uma confirmação do seu primado apos­tólico.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>08.04.2012 – Jo 20, 1-9</strong></p>
<p>No primeiro dia da semana, vem Maria de Magdala, de manhãzinha, ainda escuro, ao túmulo e vê a pedra retirada do túmulo. <sup>2</sup>Corre então e vai ter com Simão Pedro e com o outro discípulo aquele que Jesus amava. Tiraram o Senhor do Túmulo, lhes diz ela, e não sabemos onde O puseram. <sup>3</sup>Pedro saiu com o outro discípulo e vieram ambos ao túmulo.</p>
<p><sup>4</sup>Corriam os dois juntamente, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao túmulo. <sup>5</sup>Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. <sup>6</sup>Entretanto, chega também Simão Pedro, que o vinha seguindo, e entrando no túmulo, põe-se a observar as ligaduras que estavam no chão, <sup>7</sup>e o lençol que estivera sobre a cabeça de Jesus, não colocado no chão com as liga­duras, mas à parte, enrolado para outro sítio. <sup>8</sup>Nessa altura, entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao túmulo: então viu e acreditou. <sup>9</sup>De facto, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Ele deve ressuscitar dos mortos.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>   </strong><strong>1-2. </strong>Os quatro Evangelhos narram os primeiros tes­temunhos das santas mulheres e dos discípulos acerca da Ressurreição gloriosa de Cristo. Tais testemunhos refe­rem-se, num primeiro momento, à realidade do sepulcro vazio (cfr Mt 28,1-15; Mc 16,1 ss.; Lc 24,1-12). Depois rela­tarão diversas aparições de Jesus Ressuscitado.</p>
<p>Maria Madalena é uma das que assistiam o Senhor nas Suas viagens (Lc 8,1-3); junto com a Virgem Maria seguiu-O corajosamente até à Cruz (Ioh 19,25), e viu onde tinham depositado o Seu Corpo (Lc 23,55). Agora, uma vez passado o repouso obrigatório do Sábado, vai visitar <em>o </em>túmulo. No­temos o pormenor evangélico: «De manhãzinha, ainda es­curo»: o amor e a veneração fazem-na ir sem demora junto ao Corpo do Senhor.</p>
<p><strong>4.</strong> O quarto Evangelho põe em realce que, ainda que fossem as mulheres, e em concreto Maria Madalena, as primeiras a chegar ao sepulcro, são os Apóstolos os pri­meiros a entrar e a perceber os pormenores externos que mostram que Cristo ressuscitou (o sepulcro vazio, os tecidos «caídos», o sudário à parte). Dar testemunho deste facto será ponto essencial da missão que lhes confiará Cristo: «Sereis Minhas testemunhas em Jerusalém&#8230; e até aos confins da terra» (Act 1,8; cfr Act 2,32).</p>
<p><strong>5-7.</strong> João, que chegou antes — quiçá porque era mais jovem —, não entrou, por deferência para com Pedro. Isto insinua que já então Pedro era considerado como cabeça dos Apóstolos.</p>
<p>As palavras que emprega o Evangelista para descrever o que Pedro e ele viram no sepulcro vazio exprimem com vivo realismo a impressão que lhes causou o que ali encontraram, e como ficaram gravados na sua memória alguns porme­nores à primeira vista irrelevantes. As características que apresentava o sepulcro vazio foram até tal ponto significativas que os fizeram intuir de algum modo a Ressurreição do Senhor. Alguns termos que aparecem no relato necessitam de ser explicados; a simples tradução dificilmente <em>pode </em>exprimir todo o conteúdo.</p>
<p>«As ligaduras no chão»: O particípio grego que traduzimos por «caídas» ou «no chão» parece indicar que as ligaduras tinham ficado aplanadas, como vazias ao ressuscitar e desa­parecer dali o corpo de Jesus, como se Este tivesse saído dos tecidos e das ligaduras sem ser desenroladas, passando através delas (tal como entrou mais tarde no Cenáculo «estando fechadas as portas»). Por isso, os tecidos estavam «caídos», «planos»,«jacentes» segundo a tradução literal do grego, ao sair deles o Corpo de Jesus que os tinha mantido antes em forma avultada. Assim se compreende a admiração e a recordação indelével da testemunha. «O lençol&#8230; à parte, ainda enrolado para outro sítio»: A primeira observação é que o sudário, que tinha envolvido a cabeça, não estava em cima dos tecidos, mas ao lado. A se­gunda, mais surpreendente, é que, como os tecidos, conser­vava ainda a sua forma de envoltura, mas, de modo diferente daqueles, mantinha certa consistência de volume, à maneira de casquete, provavelmente devido ao endurecimento pro­duzido pelos unguentos. Tudo isso é o que parece indicar o correspondente particípio grego, que traduzimos por «en­rolado».</p>
<p>Destes pormenores na descrição do sepulcro vazio de­preende-se que o corpo de Jesus ressuscitou de maneira gloriosa, isto é, transcendendo as leis físicas. Não se tra­tava apenas da reanimação do corpo, como por exemplo, no caso de <em>Lázaro, </em>que necessitou de ser desligado das ligaduras e outros tecidos da mortalha para poder andar (cfr Ioh 11,44).</p>
<p><strong>8-10. </strong>Como lhes tinha dito Maria Madalena, o Senhor não estava no sepulcro; mas os dois Apóstolos deram-se conta de que não podia tratar-se de um roubo, como ela supunha, pois viram que os tecidos e o sudário se encontravam colocados de um modo especial (cfr a nota a Ioh 20,5-7); ao vê-los assim começaram a compreender o que tantas vezes lhes tinha explicado o Mestre acerca da Sua Morte e Ressurreição (cfr Mt 16,21; Mc 8,31; Lc 9,22; etc.; cfr, além disso, as notas a Mt 12,39-40 e Lc 18,31-40).</p>
<p>O sepulcro vazio e os outros dados que o acompanham são sinais perceptíveis pelos sentidos; a Ressurreição, pelo contrário, ainda que possa ter efeitos comprováveis pela experiência, requer a <em>fé para </em>ser aceite. A Ressurreição de Cristo é um facto real e histórico: nova união do corpo e da alma de Jesus. Mas, sendo uma Ressurreição gloriosa — não como a de Lázaro—, que está muito acima do que pode­mos apreciar nesta vida, e supera, portanto, os limites da experiência sensível, requer-se uma ajuda especial de Deus — o dom da fé — para conhecer e aceitar com certeza este facto que, ao mesmo tempo que é histórico, é sobre­natural. Portanto, pode dizer-se com São Tomás de Aquino que «cada um dos argumentos de per si não bastaria para demonstrar a Ressurreição, mas, tomados em conjunto, manifestam-na suficientemente; sobretudo pelo testemunho da Sagrada Escritura (cfr especialmente Lc 24,25-27), pelo anúncio dos Anjos (cfr Lc 24,4-7) e pela palavra de Cristo confirmada com milagres» (cfr Ioh 3,13; Mt 16,21; 17,22; 20,18) <em>(Suma Teológica, </em>III, q.55, a. 6 ad 1).</p>
<p>Além das predições de Cristo acerca da Sua Paixão, Morte e Ressurreição (cfr Ioh 2,19; Mt 16,21; Mc 9,31; Lc 9,22), já no Antigo Testamento estava anunciado o triunfo glorioso do Messias e, de certo modo, a Sua Ressurreição (cfr Ps 16,9; Is 52,13; Os 6,2). Os Apóstolos começam a com­preender o verdadeiro sentido da Sagrada Escritura depois da Ressurreição do Senhor, e mais especialmente quando recebem o Espírito Santo, que ilumina plenamente as suas inteligências para compreender o conteúdo da Palavra de Deus. É de supor a surpresa e o alvoroço de todos os discí­pulos ao ouvir contar a Pedro e a João o que tinham visto no sepulcro.</p>
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<p><strong>09.04.2012 – Mt 28, 8-15</strong></p>
<p><sup>8</sup>Elas saíram à pressa do sepulcro com medo e com grande alegria e correram a dar a notícia aos discípulos. <sup>9</sup>E eis que Jesus lhes saiu ao encontro, dizendo: Deus vos salve. E elas aproximaram-se, abraçaram-se-Lhe aos pés e adoraram-No. <sup>10</sup>Disse-lhes então Jesus: Não temais. Ide dar a notícia aos Meus irmãos, para que vão para a Galileia e lá Me verão.</p>
<p><sup>11</sup>Enquanto iam de caminho, alguns dos soldados vieram à cidade e contaram aos Príncipes dos sacerdotes tudo o que tinha acontecido. <sup>12</sup>Reuniram-se eles em conselho com os Anciãos e deliberaram dar uma boa soma de dinheiro aos soldados, <sup>13</sup>ordenan-do-lhes: Dizei: Vieram de noite os Seus discípulos e roubaram-No, enquanto nós estávamos a dormir. <sup>14</sup>E se isto chegar aos ouvidos do governador, nós o convenceremos e vos tiraremos de cuidados. <sup>15</sup>Eles, tendo recebido o dinheiro, fizeram como lhes tinham ensinado. E esta versão divulgou-se entre os Judeus até ao dia de hoje.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-15. A Ressurreição de Jesus Cristo, realizada nas primeiras horas do domingo, é um facto que todos os Evangelhos afirmam de modo claro e rotundo: Umas santas mulheres comprovam com assombro que o sepulcro está aberto. Ao entrar no vestíbulo (cfr Mc 16, 5-6), veem um anjo que lhes diz: «Não está aqui, porque ressuscitou como tinha dito». Alguns guardas, os que estavam de vigia quando o anjo fez rodar a pedra, foram à cidade e comunicaram aos pontífices tudo o que tinha acontecido. Como o assunto era urgente, optaram por subornar os guardas: deram-lhes bastante dinheiro com a condição de divulgar que os Seus discípulos foram de noite e roubaram o corpo de Jesus! enquanto dormiam. «Astúcia miserável!, diz Santo Agostinho apresentas testemunhas adormecidas? Verdadeiramente estás, a dormir tu mesmo ao imaginar semelhante explicação!» <em>(Enarrationes in Psalmos, </em>63, 1 5). Os Apóstolos que dias antes, tinham fugido por medo, serão agora, depois de O terem visto e de terem comido e bebido com Ele, os pregadores mais incansáveis deste facto. «Este Jesus — dirão — é quem Deus ressuscitou, do qual todos nós somos testemunhas» (Act 2,32).</strong></p>
<p>Cristo, do mesmo modo que prediz a Sua subida a Jeru­salém, a Sua entrega nas mãos dos Judeus e a Sua morte, prediz a Sua Ressurreição ao terceiro dia (Mt 20, 17-19; Mc 10, 32-34; Lc 18, 31-34). Com a Ressurreição Jesus cumpre o sinal que sobre a Sua divindade tinha prometido dar aos incrédulos (Mt 12, 40).</p>
<p>A Ressurreição de Cristo é um dos dogmas fundamentais da nossa fé católica. Na verdade, São Paulo diz: «Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação; é também vã a vossa fé» (1Cor 15, 14). E para ratificar a afirmação de que Cristo ressuscitou diz-nos «que apareceu a Cefas, depois aos Doze. Depois apareceu uma vez a mais de quinhentos irmãos, dos quais muitos vivem ainda e alguns morreram; depois apareceu a Tiago; depois a todos os apóstolos; e depois de todos, como a um aborto, apareceu-me também a mim» (1Cor 15, 5-8). Já os primeiros Símbolos afirmam que Jesus ressuscitou ao terceiro dia <em>(Símbolo de Niceia), </em>pela sua própria virtude <em>(Símbolo De Redemptione) , </em>com uma verdadeira ressurreição da Sua carne <em>(Símbolo </em>de S. Leão IX), voltando a unir-Se a Sua alma com o Seu corpo <em>(Eius exemplo), </em>resultando este facto da ressurreição historicamente demonstrado e demonstrável <em>(Lamentabili. </em>n. 36).</p>
<p>«Pelo nome de Ressurreição não se deve entender unica­mente que Cristo ressuscitou de entre os mortos (&#8230;) mas que ressuscitou pela sua virtude e poder próprio, o que foi exclusivo e singular n&#8217;Ele (&#8230;); confirmou-o o próprio Senhor com o testemunho divino da Sua boca: &#8216;porque dou a Minha vida para a tomar de novo. Ninguém Ma tira mas Eu dou-a livremente. Tenho poder para a dar e tenho poder para a tomar de novo&#8217; (Ioh 10, 17-18) (&#8230;). Igualmente disse aos Judeus, para confirmar a verdade da Sua doutrina: &#8216;Destruí este Templo e em três dias o levantarei&#8230; mas Ele falava do Templo do Seu corpo&#8217; (Ioh 2, 19-21) (&#8230;). E embora leiamos alguma vez nas Escrituras que Cristo Nosso Senhor foi ressuscitado pelo Pai (cfr Act 2, 24; Rom 8, 11), isto deve ser-Lhe aplicado enquanto homem; assim como, por outra parte, se referem a Ele próprio enquanto Deus aqueles textos em que se diz que ressuscitou pela Sua própria virtude» <em>(Catecismo Romano, </em>1,6, 8).</p>
<p>Não é uma volta ao seu anterior estado de vida terrestre, mas é Ressurreição <em>gloriosa: </em>isto é, plenitude de vida humana, imortal, libertado de todas as limitações de tempo e de espaço. Como consequência da Ressurreição o corpo de Cristo participa da glória que desde o princípio enchia a alma do Senhor. Aqui está a singularidade do facto histórico da Ressurreição, pelo que se constitui em objecto de fé. Nem todos podem vê-Lo, mas é uma graça que Ele concedeu a alguns, para que fossem as testemunhas dessa Ressurreição, e os outros creiam pelo testemunho deles.</p>
<p>A Ressurreição de Cristo foi necessária para que se completasse a obra da nossa Redenção. Porque Jesus Cristo com a Sua Morte livrou-nos dos pecados; mas com a Sua Ressurreição devolveu-nos os bens que tínhamos perdido pelo pecado e, além disso, abriu-nos as portas da vida eterna (cfr Rom 4, 25). Igualmente, o ter ressuscitado de entre os mortos pela Sua própria virtude é prova definitiva de que Cristo é o Filho de Deus e, portanto, a Sua Ressurreição confirma cumpridamente a nossa fé na Sua divindade.</p>
<p>A Ressurreição de Cristo, como foi indicado, é a verdade mais transcendente da nossa fé católica. Por isso Santo Agostinho exclama: «Não é grande coisa crer que Cristo morreu; porque isto também o creem os pagãos e judeus <em>e </em>todos os iníquos: todos creem que morreu. A fé dos cristãos é a Ressurreição de Cristo; isto é o que temos por coisa grande; o crer que ressuscitou» <em>(Enarrationes in Psalmos, </em>120).</p>
<p>O mistério redentor do Senhor, que compreende a Sua Morte e a Sua Ressurreição, aplica-se a todo o homem pelo Baptismo e pelos outros sacramentos, mediante os quais fica o crente como que submerso em Cristo e na Sua morte, isto é, misticamente compenetrado, morto e ressuscitado com Cristo: «Pois fomos sepultados juntamente com Ele por meio do Baptismo em ordem à morte, para que, assim como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos para a glória do Pai, assim também nós caminhemos numa vida nova» (Rom 6,4).</p>
<p>Sinais da nossa ressurreição com Cristo são o desejo ardente de buscar as coisas de Deus e, além disso, o gosto interior da alma por elas (cfr Col 3, 1-3).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>10.04.2012 – Jo 20, 11-18</strong></p>
<p><sup>11</sup>Entretanto,  Maria estava cá fora a chorar, junto do túmulo. Enquanto chorava, debruçou-se para dentro do túmulo e viu dois Anjos vestidos de branco, sen­tados, um à cabeceira e outro aos pés, onde jazera o corpo de Jesus. <sup>13</sup>Mulher, pergunta­ram-lhe eles, porque choras? Porque tira­ram o meu Senhor, lhes diz ela, e não sei onde O puseram.</p>
<p><sup>14</sup>Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus ali de pé. Não sabia, porém, que era Jesus. Mulher, diz-lhe Jesus, porque choras? A quem procuras? Ela supondo que era o jardineiro, respondeu-Lhe: Senhor, se foste Tu que O levaste, diz-me onde O puseste, para eu O ir buscar. <sup>16</sup>Maria! diz-lhe Jesus. Ela, voltando-se, diz-Lhe em hebraico: Rabbuni que quer dizer: «Mestre!» <sup>17</sup>Não Me prendas, responde-lhe Jesus, que ainda não subi para o Pai; mas vai ter com Meus irmãos e diz-lhes que vou subir para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus. <sup>18</sup>Maria de Magdala parte, para ir anunciar aos discípulos: Vi o Senhor! ajuntando o que Este lhe havia dito.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>11-18.</strong> São comovedores o carinho e a delicadeza desta mulher preocupada pela sorte do Corpo morto de Jesus. Leal na Paixão, o amor da que esteve possessa por sete demônios (cfr Lc 8,2) continua a ser grande e inflamado. O Senhor tinha-a livrado do Maligno, e aquela graça frutificou em correspondência humilde e generosa.</p>
<p>Depois de consolar a Madalena, Jesus dá-lhe uma men­sagem para os Apóstolos, a quem chama com o apelativo entranhável de «irmãos». Tal mensagem supõe um Pai comum, ainda que seja de modo essencialmente diferente: «Vou subir para Meu Pai — por natureza — e vosso Pai» — que o é pela adopção que ganhei para vós com a Minha morte —. É grande a misericórdia e a compreensão de Jesus que, como Bom Pastor, cuida de recolher os discípulos que O tinham abandonado na Paixão e que estavam escondidos por medo aos judeus (Ioh 20.19).</p>
<p>O exemplo de Maria Madalena, que persevera na fide­lidade ao Senhor em momentos difíceis, ensina-nos que quem busca com sinceridade e constância a Jesus Cristo acaba por O encontrar. O gesto familiar de Jesus que chama «irmãos» aos Seus discípulos, apesar de O terem abando­nado, deve encher-nos de esperança no meio das nossas infidelidades.</p>
<p><strong>15.</strong> O diálogo de Jesus com a Madalena reflecte o estado de ânimo de todos os discípulos, que não esperavam a Ressurreição do Senhor.</p>
<p><strong>17. </strong>«Não Me prendas»: No texto original esta frase está construída em imperativo presente, que indica continuidade da acção que se realiza. A frase negativa do texto grego, reflectida na <em>Neo-vulgata </em>(«noli me tenere»), indica que o Senhor manda à Madalena que deixe de O reter, que O solte, pois ainda terá ocasião de O ver antes da Ascensão aos céus.</p>
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<p><strong>11.04.2012 – Lc 24, 13-35</strong></p>
<p><sup>13</sup>Ora, no mesmo dia, iam dois deles a caminho duma povoação, que dista cento e sessenta estádios de Jerusalém, chamada Emaús, <sup>14</sup>e conversavam entre si sobre tudo o que havia acontecido.  <sup>15</sup>Enquanto eles conversavam <em>e </em>discutiam, acercou-Se o pró­prio Jesus e pôs-Se com eles a caminho. <sup>16</sup>Os seus olhos, porém, estavam impedidos de O reconhecerem. <sup>17</sup>Disse-lhes Ele: Que palavras são essas que trocais entre vós, a andar? Estacaram acabrunhados. <sup>18</sup>E um deles, cha­mado Cléopas, disse-Lhe em resposta: Tu és o único forasteiro em Jerusalém a não saber o que lá se passou nestes dias! <sup>19</sup>Disse-lhes Ele: Que foi? Eles retorquiram-Lhe: O que se refere a Jesus de Nazaré, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo; <sup>20</sup>como O entregaram os Sumos Sacerdotes e os nossos chefes, para ser condenado à morte, e O fizeram crucificar. <sup>21</sup>Nós esperávamos que Ele fosse o futuro Libertador de Israel. Mas, com tudo isto, lá vai o terceiro dia desde que se deram estas coisas. <sup>22</sup>Certo é que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: indo de madrugada ao túmulo <sup>23</sup>e, não Lhe achando o corpo, vieram dizer que tinham tido, além disso, a visão duns Anjos, que afirmavam que Ele vivia. <sup>24</sup>Foram então alguns dos nossos companheiros ao túmulo e acharam as coisas como as mulheres haviam decla­rado; mas a Ele não O viram.</p>
<p><sup>25</sup>Então, Ele disse-lhes: Ó homens sem compreensão e lentos de espírito em crer em tudo o que disseram os Profetas. <sup>26</sup>Não tinha o Messias de sofrer essas coisas, para entrar na Sua glória? <sup>27</sup>Depois, começando por Moisés e seguindo por todos os profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. <sup>28</sup>Ao chegarem junto da povoação para onde iam, fez menção de seguir mais para a frente. <sup>29</sup>Mas os outros fizeram pressão sobre Ele: Fica connosco — diziam — porque está a entardecer e o dia já declinou. Entrou, então, para ficar com eles. <sup>30</sup>Quando Se pôs com eles à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e depois de o partir, entregou-lho. <sup>31</sup>Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-No; mas Ele desapa­receu da presença deles. <sup>32</sup>Disseram então um para o outro: Não estava a arder cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava no caminho e nos desvendava as Escrituras? <sup>33</sup>Partindo no mesmo instante, voltaram para Jerusalém <em>e </em>acharam reu­nidos os onze e os seus companheiros, <sup>34</sup>que diziam: Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão. <sup>35</sup>E eles puseram-se a contar o que se tinha passado no caminho e como Jesus Se lhes dera a conhecer ao partir do pão.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>13-35.</strong> Ao longo da conversa com Jesus os discípulos passam da tristeza à alegria, recuperam a esperança e com isso o afã de comunicar o gozo que há nos seus corações, tornando-se deste modo anunciadores e testemunhas de Cristo ressuscitado.</p>
<p>Esta é uma das cenas exclusivas de São Lucas, descrita com grande mestria literária. Apresenta-nos o zelo apostó­lico do Senhor. «Jesus caminha junto daqueles dois homens que perderam quase toda a esperança, de modo que a vida começa a parecer-lhes sem sentido. Compreende a sua dor, penetra nos seus corações, comunica-lhes algo da vida que Nele habita.</p>
<p>«Quando, ao chegar àquela aldeia, Jesus faz menção de seguir para diante, os dois discípulos retêm-No e quase O forçam a ficar com eles. Reconhecem-No depois ao partir o pão: — O Senhor, exclamam, esteve connosco! <em>Então disseram um para o outro: Não é verdade que sentíamos abrasar-se-nos o coração dentro de nós, enquanto nos falava no caminho e nos explicava as Escrituras? </em>(Lc XXIV, 32). Cada cristão deve tornar Cristo presente entre os homens; deve viver de tal maneira que todos com quem contacte sintam o <em>bônus odor Christi </em>(cfr 2Cor 11,15), o bom odor de Cristo, deve actuar de forma que, através das acções do discípulo, se possa descobrir o rosto do Mestre» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 105).</p>
<p><strong>13-27. A conversa dos dois discípulos com Jesus a caminho de Emaús resume perfeitamente a desilusão dos que tinham seguido o Senhor, diante do aparente fracasso que representava para eles a Sua morte. Nas palavras de Cléofas está recolhida a vida <em>e </em>a missão de Cristo f v. 19), a Sua Paixão e Morte (v. 20), o desalento destes discípulos ao cabo de três dias (v. 21), e os factos acontecidos na manhã do domingo (v. 22).</strong></p>
<p>Já antes Jesus tinha dito aos Judeus: «Investigai as Escrituras, já que vós pensais ter nelas a vida eterna: elas são as que dão testemunho de Mim» (Ioh 5,39). Dá-nos assim um caminho seguro para O conhecermos. O Papa Paulo VI assi­nala que também hoje o uso frequente e a devoção à Sagrada Escritura é uma moção clara do Espírito Santo: «O progresso dos estudos bíblicos, a crescente difusão da Sagrada Escri­tura e, sobretudo, o exemplo da Tradição e a moção íntima do Espírito orientam os cristãos do nosso tempo a servir-se cada vez mais da Bíblia como do livro fundamental de oração, e a buscar nela inspiração genuína e modelos insuperáveis» <em>(Marialis cultus, </em>n. 30).</p>
<p>Jesus, em resposta ao desalento dos discípulos, vai pacientemente descobrindo-lhes o sentido de toda a Sagrada Escritura acerca do Messias: «Não era preciso que o Cristo padecesse estas coisas e assim entrasse na Sua glória?». Com estas palavras o Senhor desfaz a ideia que ainda poderiam ter de um Messias terreno e político, fazendo-lhes ver que a missão de Cristo é sobrenatural: a Salvação do gênero humano.</p>
<p>Na Sagrada Escritura estava anunciado que o plano salvador de Deus se realizaria por meio da Paixão e Morte redentora do Messias. A Cruz não é um fracasso, mas o caminho querido por Deus para o triunfo definitivo de Cristo sobre o pecado e sobre a morte (cfr 1Cor 1,23-24). Muitos contemporâneos do Senhor não compreenderam a Sua missão sobrenatural por não terem interpretado correctamente os textos do AT. Ninguém como Jesus pode conhecer o verdadeiro sentido das Escrituras Santas. E, depois d&#8217;Ele, só a Igreja tem a missão e o ofício de as interpretar autentica­mente: «Com efeito, tudo quanto diz respeito à interpre­tação da Escritura, está sujeito ao juízo último da Igreja, que tem o divino mandato e o ministério de guardar e interpretar a palavra de Deus» <em>(Dei Verbum, n. </em>12).</p>
<p><strong>28-35. A presença e a palavra do Mestre recupera estes discípulos desalentados, e acende neles uma esperança nova e definitiva: «Iam os dois discípulos para Emaús. O seu caminhar era normal, como o de tantas outras pessoas que transitavam por aquelas paragens. E aí, com naturalidade, aparece-lhes Jesus e vai com eles, com uma conversa que diminui a fadiga. Imagino a cena: já bem adiantada a tarde, sopra uma brisa suave; de um lado e de outro, campos semeados de trigo já crescido e as velhas oliveiras com os ramos prateados pela luz indecisa&#8230;</strong></p>
<p>«Jesus, no caminho! Senhor, que grande és Tu sempre! Mas comoves-me quando Te rebaixas para nos acompanhares, para nos procurares na nossa lida diária. Senhor, concede-nos a ingenuidade de espírito, o olhar limpo, a mente clara, que permitem entender-Te, quando vens sem nenhum sinal externo da Tua glória!</p>
<p>«Termina o trajecto ao chegar à aldeia e aqueles dois que, sem o saberem, tinham sido feridos no fundo do coração pela palavra e pelo amor de Deus feito homem, têm pena de que Ele se vá embora. Porque Jesus despede-Se <em>como quem vai para mais longe </em>(Lc 24, 28). Nosso Senhor nunca Se impõe. Quer que O chamemos livremente, desde que entre­vimos a pureza do Amor que nos meteu na alma. Temos de O deter <em>à força e </em>pedir-Lhe: <em>fica connosco, porque é tarde e já o dia está no ocaso </em>(Lc 24,29), faz-se de noite.</p>
<p>«Somos assim: sempre pouco atrevidos, talvez por falta de sinceridade, talvez por pudor. No fundo pensamos: fica connosco, porque as trevas nos rodeiam a alma e só Tu és luz, só Tu podes acalmar esta ânsia que nos consome! Porque <em>entre as coisas belas, honestas, não ignoramos qual é a primeira: possuir sempre Deus </em>(São Gregório Nazianzeno, Epistulae, 212).</p>
<p>«E Jesus fica. Abrem-se os nossos olhos como os de Cléofas e do seu companheiro, quando Cristo parte o pão; e, mesmo que Ele volte a desaparecer da nossa vista, também seremos capazes de empreender de novo a marcha — anoitece — para falar d&#8217;Ele aos outros; porque tanta alegria não cabe num só coração&#8230;</p>
<p>«Caminho de Emaús&#8230; O nosso Deus encheu de doçura este nome. E Emaús é o mundo inteiro, porque o Senhor abriu os caminhos divinos da terra» <em>(Amigos de Deus, </em>n.<sup>os</sup> 313-314).</p>
<p><strong>30-31. </strong>Muitos Santos Padres viram nesta acção do Senhor uma consagração do pão como na Última Ceia. O modo peculiar com que abençoa e parte o pão fá-los ver que é Ele.</p>
<p>Na vida da Igreja a liturgia sempre teve uma grande importância como culto a Deus, como expressão da fé e como catequese eficaz das verdades reveladas. Por isso, os gestos externos — as cerimônias litúrgicas — hão-de ser observados com a maior fidelidade: «Regular a sagrada Liturgia compete unicamente à autoridade da Igreja, a qual reside na Sé Apostólica e, segundo as normas do direito, no Bispo (&#8230;). Por isso, ninguém mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica» <em>(Sacrosanctum Concilium, </em>n 221)  Tem veneração e respeito pela santa Liturgia da Igreja e por cada uma das suas cerimônias. — Cumpre-as fielmente. — Não vês que nós, os pobrezitos dos homens, necessitamos que até as coisas mais nobres e grandes entrem pelos sentidos?» <em>(Caminho, </em>n.° 522).</p>
<p><strong>32.</strong> «Estas palavras dos discípulos de Emaús deviam sair espontaneamente dos lábios dos teus companheiros de profissão, depois de te encontrarem a ti no caminho da vida» <em>(Caminho, n.° 917).</em></p>
<p><strong>33-35.</strong> Os discípulos de Emaús sentem agora a urgência de voltar a Jerusalém, onde os Apóstolos e alguns outros discípulos se encontram reunidos com Pedro, a quem Jesus apareceu.</p>
<p>Na História Sagrada, Jerusalém foi o lugar onde Deus quis ser louvado de modo particular, e ali os profetas exerceram o seu principal ministério. Por vontade divina Jesus Cristo padeceu, morreu e ressuscitou em Jerusalém, e a partir dali começará a estender-se o Reino de Deus (cfr Lc 24,47; Act 1,8). No Novo Testamento a Igreja de Cristo é denominada «a Jerusalém do alto» (Gal 4,26), «a Jerusalém celeste» (Heb 12,22), «a nova Jerusalém» (Apc 21,2).</p>
<p>Na Cidade Santa também começa a Igreja. Mais tarde São Pedro, não sem uma especial Providência divina, transfere-se para Roma que, deste modo, se converte no centro da Igreja. Como aqueles discípulos são confirmados na fé por São Pedro, os cristãos de todos os séculos acorrem à Sé de Pedro para confirmar a sua fé, e manter assim a unidade da Igreja: «Sem o Papa a Igreja Católica já não seria a Igreja Católica, e, faltando na Igreja de Cristo o ofício pastoral supremo, eficaz e decisivo de Pedro, a unidade desmoronar-se-ia, e em vão se intentaria reconstruí-la depois com critérios substitutivos daquele autêntico estabelecido pelo próprio Cristo (&#8230;). Queremos, além disso, considerar que esse gonzo central da Santa Igreja não pretende constituir uma supremacia de orgulho espiritual ou de domínio humano, mas um primado de serviço, de ministério e de amor. Não é vã retórica a que atribui ao Vigário de Cristo o título de <em>servus servorum Dei» (Ecclesiam suam, </em>n. 83).</p>
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<p><strong>12.04.2012 – Lc 24, 35-48</strong></p>
<p><sup>35</sup>E eles puseram-se a contar o que se tinha passado no caminho e como Jesus Se lhes dera a conhecer ao partir do pão.</p>
<p><sup>36</sup>Enquanto diziam isto, apresentou-Se Ele próprio no meio deles e disse-lhes: A paz seja convosco. <sup>37</sup>Eles ficaram aturdidos e cheios de medo, e julgavam estar a ver um espírito. <sup>38</sup>Disse-lhes então: Porque estais perturbados e por que motivo surgem tais hesitações no vosso íntimo? <sup>39</sup>Vede as Minhas mãos e os Meus pés; sou Eu mesmo. Palpai-Me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho. <sup>40</sup>E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. <sup>41</sup>Estando eles ainda sem querer acreditar, com a alegria, e cheios de pasmo, perguntou-lhes: Tendes aí alguma coisa que se coma? <sup>42</sup>Eles passa­ram-Lhe uma posta de peixe assado. <sup>43</sup>Tomando-a, pôs-Se a comer à vista deles.</p>
<p><sup>44</sup>Depois disse-lhes: Foram estas as palavras que vos disse, quando ainda Me achava entre vós: «Tem de cumprir-se tudo o que está escrito a Meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos». <sup>45</sup>Abriu-lhes então o entendimento, para compreenderem as Escrituras, <sup>46</sup>e disse-lhes: Assim está es­crito que o Messias havia de sofrer e ressus­citar dos mortos ao terceiro dia <sup>47</sup>e que se havia de pregar, em Seu nome, o arrepen­dimento e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. <sup>48</sup>Vós sois as testemunhas destas coisas! <sup>49</sup>E olhai que Eu vou mandar sobre vós o <em>Prometido </em>por Meu Pai. Entretanto, ficai na cidade até serdes revestidos com a força lá do Alto.</p>
<p><sup>50</sup>Depois, levou-os até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. <sup>51</sup>Enquanto os abençoava, separou-Se deles e foi levado até ao Céu. <sup>52</sup>Eles, tendo-se prostrado diante d&#8217;Ele, voltaram para Jerusalém com grande alegria <sup>53</sup>e estavam continuamente no Tem­plo a bendizer a Deus.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>36-43.</strong> Esta aparição de Jesus ressuscitado é referida por São Lucas e São João (cfr Ioh 20,19-23). São João recolhe a instituição do sacramento da Penitência, ao mesmo tempo que São Lucas sublinha a dificuldade dos discípulos para aceitar o milagre da Ressurreição, apesar do testemunho dos anjos às mulheres (cfr Mt 28,5-7; Mc 16,5-7; Lc 24,4-11) e daqueles que já tinham visto o Senhor ressuscitado (cfr Mt 28,9-10; Mc 16,9-13; Lc 24,13 ss.; Ioh 20,11-18).</p>
<p>Jesus aparece-lhes de improviso, estando as portas fecha­das (cfr Ioh 20,19), o que explica a sua surpresa e a sua reacção. Santo Ambrósio comenta que «penetrou no recinto fechado não porque a sua natureza fosse incorpórea, mas porque tinha a qualidade de um corpo ressuscitado» <em>(Expositio Evangelii sec. Lucam, ad loc.). </em>Entre essas qualidades do corpo glorioso, a subtileza faz que «o corpo esteja totalmente submetido ao império da alma» <em>(Catecismo Romano, </em>I, 12,13), de modo que pode atravessar os obstáculos materiais sem nenhuma resistência.</p>
<p>A cena reveste-se de um encanto especial quando o Evan­gelista descreve os pormenores de condescendência divina para os confirmar na verdade da Sua Ressurreição.</p>
<p><strong>41-43.</strong> Ainda que o corpo ressuscitado seja impassível e, por conseguinte, não necessite já de alimentos para se nutrir, o Senhor confirma os discípulos na verdade da Sua Ressurreição com estas duas provas: convidando-os a que O toquem e comendo na sua presença. «Eu, por minha parte, confessa Santo Inácio de Antioquia, sei muito bem e nisto ponho a minha fé que, depois da Sua Ressurreição, o Senhor permaneceu na Sua carne. E assim, quando Se apresentou a Pedro e aos seus companheiros, disse-lhes: <em>Tocai-Me, palpai-Me e compreendei que não sou um espírito incorpóreo. </em>E prontamente tocaram-No e acreditaram, ficando persua­didos da Sua carne e do Seu espírito (&#8230;). Mais ainda, depois da Sua Ressurreição comeu e bebeu com eles, como homem de carne que era, embora espiritualmente estivesse feito uma coisa com Seu Pai» <em>(Carta aos de Esmirna, </em>III, 1-3).</p>
<p><strong>44-49.</strong> São Mateus insiste no cumprimento em Cristo das profecias do AT, porque os primeiros destinatários do seu Evangelho eram judeus, para quem isto constituía uma prova manifesta de que Jesus era o Messias prometido e esperado. São Lucas não utiliza habitualmente este argu­mento, porque escreve para os gentios; não obstante, neste epílogo recolhe sumariamente a advertência de Cristo que declara ter-se cumprido tudo o que estava predito acerca d&#8217;Ele. Sublinha-se assim a unidade dos dois Testamentos e que Jesus é verdadeiramente o Messias.</p>
<p>Por outro lado, São Lucas refere a promessa do Espírito Santo (cfr Ioh 14,16-17.26; 15,26; 16,7 ss.), cujo cumprimento no dia de Pentecostes narrará com pormenor no livro dos Actos (cfr Act 2,1-4).</p>
<p><strong>46.</strong> São Lucas pôs em realce a falta de inteligência dos Apóstolos quando Jesus anuncia a Sua Morte e Ressurreição (cfr 9,45; 18,34). Agora, cumprida a profecia, recorda a necessidade de que Cristo padecesse e ressuscitasse de entre os mortos (cfr 24,25-27).</p>
<p>A Cruz é um mistério não só na vida de Cristo mas também na nossa: «Jesus sofre para cumprir a Vontade do Pai&#8230; E tu, que também queres cumprir a Santíssima Vontade de Deus, seguindo os passos do Mestre, poderás queixar-te se encontrares por companheiro de caminho o sofrimento?» <em>(Caminho, </em>n.° 213).</p>
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<p><strong>13.04.2102 – Jo 21, 1-14</strong></p>
<p>Depois disso, voltou Jesus a manifestar-Se aos discípulos, à beira do mar de Tiberíade. Manifestou-Se deste modo: <sup>2</sup>Estavam  Simão Pedro, Tome, a quem chamavam Dídimo, e Natanael, que era de <em>Cana </em>da Galileia, bem como os filhos de Zebedeu e mais dois dos Seus discípulos. <sup>3</sup>Diz-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Eles respondem-Lhe: Nós também vamos con­tigo. Saíram, pois, e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. <sup>4</sup> Já ia a amanhecer quando Jesus Se apre­sentou na margem. Os discípulos, porém, não sabiam que era Ele. <sup>5</sup>Diz-lhes então Jesus: Rapazes, tendes algum peixe que se coma? Não — responderam-Lhe. <sup>6</sup>Ele retorquiu-lhes: Lançai a rede para o lado direito do barco e haveis de encontrar. Lançaram-na, pois, <em>e </em>já não a podiam arrastar, devido à grande quantidade de peixe. <sup>7</sup>Diz então a Pedro aquele discípulo que Jesus amava: É o Senhor! Simão Pedro, ao ouvir dizer que era o Senhor, apertou o blusão à cintura, pois estava despido, e lançou-se ao mar. <sup>8</sup>Entretanto, os outros discípulos, visto não estarem longe da terra senão uns duzentos côvados, vieram no barco, puxando a rede com peixes.</p>
<p><sup>9</sup>Depois de virem para terra, veem um monte de brasas no solo, com peixe em cima, e pão. <sup>10</sup>Diz-lhes Jesus: Trazei dos peixes que apanhastes agora. <sup>11</sup>Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para terra, cheia com cento e cin­qüenta e três grandes peixes. E, sendo tantos, não se rompeu a rede. <sup>12</sup>Diz-lhes Jesus: Vinde almoçar. E nenhum dos dis­cípulos se atrevia a perguntar-Lhe: Tu quem és? por saberem que era o Senhor.</p>
<p><sup>13</sup>Jesus aproxima-Se, toma o pão e dá-lho, o mesmo fazendo com o peixe. <sup>14</sup>Com esta, era já a terceira vez que Jesus se mani­festava aos discípulos, depois de ressuscitar dos mortos.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-3.</strong> Há vários dados significativos nesta cena: os discípulos encontram-se «junto ao mar de Tiberíades». na Galileia. cumprindo assim o mandato de Jesus ressuscitado (cfr Mt 28,7); estão juntos porque os laços de fraternidade que os unem são muito fortes; Pedro toma a iniciativa manifestando de alguma maneira a sua autori­dade; por último, vemo-los dedicados de novo ao seu ofício de pescadores, provavelmente à espera de novas instruções do Senhor.</p>
<p>Ao ler este episódio vem-nos à memória a primeira pesca milagrosa (ctr <em>Lc 5,1-11), </em>em que o Senhor prometeu a Pedro fazê-lo pescador de homens; aqui vai confirmá-lo na sua missão de Cabeça visível da Igreja.</p>
<p><strong>4-8.</strong> Jesus ressuscitado vai em busca dos Seus discípulos para os animar e continuar a explicar-lhes a grande missão que lhes confiou. O relato descreve uma cena íntima do Senhor com os Seus: «Passa ao lado dos Seus Apóstolos, junto daquelas almas que se Lhe entregaram&#8230; E eles não se dão conta disso! Quantas vezes está Cristo, não perto de nós. mas dentro de nós, e temos uma vida tão humana! (&#8230;). Recordam o que tinham ouvido tantas vezes dos lábios do Mestre: pescadores de homens, apóstolos!&#8230; E compreen­dem que tudo é possível, porque é Ele quem dirige a pesca.</p>
<p><em>«Então aquele discípulo que Jesus amava disse a Pedro: É o Senhor! </em>O amor vê. E de longe. O amor é o primeiro a captar aquela delicadeza. O Apóstolo adolescente, com o firme carinho que sentia por Jesus, pois amava Cristo com toda a pureza e toda a ternura de um coração que nunca se corrompera, exclamou: É o Senhor!</p>
<p><em>«Simão Pedro, mal ouviu dizer que era o Senhor, cingiu a túnica e lançou-se ao mar. </em>Pedro é a fé. E lança-se ao mar, com uma audácia maravilhosa. Com o amor de João e a fé de Pedro, aonde podemos nós chegar!?» <em>(Amigos de Deus, </em>n. 265-266).</p>
<p><strong>9-14. </strong>Fica reflectida a profunda impressão que deve ter causado aos Apóstolos esta aparição de Jesus Ressuscitado e a recordação íntima que dela guardava São João. Jesus manifesta depois da Ressurreição a mesma delicadeza que tinha tido durante a Sua vida pública. Usa os meios mate­riais — as brasas, o peixe, etc. —, que põem em realce o realismo da Sua presença e continuam a dar o tom familiar costumado na convivência com os discípulos.</p>
<p>Os Santos Padres e Doutores da Igreja comentaram com frequência este episódio em sentido místico: a barca é a Igreja cuja unidade está simbolizada pela rede que não se rompe, o mar é o mundo, Pedro na barca simboliza a suprema autoridade na Igreja, o número de peixes significa o número dos escolhidos (cfr <em>Comentário sobre S. João, ad hoc</em>.).</p>
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<p><strong>14.04.2012 – Mc 16, 9-15</strong></p>
<p><sup>9</sup>Tendo ressuscitado de manhãzinha, no Aparição primeiro dia da semana, apareceu primeiro? Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete Demônios. <sup>10</sup>Ela partiu a anunciar aos que tinham vivido com Ele e que estavam imersos em tristeza e pranto.<sup> 11</sup>Mas eles, ouvindo dizer que vivia e que ela O tinha visto, não acreditaram.</p>
<p><sup>12</sup>Depois disto, manifestou-Se noutra forma a dois deles que iam de caminho, dirigindo-se <sup> </sup>para o campo. <sup>13</sup>E eles correram a anunciar aos outros, mas também lhes não deram crédito.</p>
<p><sup>14</sup>Mais tarde, estando os onze à mesa, manifestou-Se-lhes e repreendeu-os da sua incredulidade e dureza de coração, porque não tinham dado crédito àqueles que O tinham visto ressuscitado dos mortos, <sup>15</sup>e disse-lhes Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>11-14. </strong>São Marcos realça a incredulidade dos discí­pulos e a sua dureza de entendimento para aceitar o facto da Ressurreição, ainda que Jesus o tenha predito (cfr Mc 8,31; 9,31; 10,34). Fica, pois, muito patente a atitude desconfiada dos discípulos, diante das primeiras aparições de Jesus ressuscitado. Esta resistência dos Apóstolos constitui para nós mais uma garantia da veracidade do facto da Ressur­reição de Jesus. Eles, que estavam destinados a ser teste­munhas directas e autorizadas do Ressuscitado, resistem a aceitar o conteúdo do que há-de ser o seu testemunho diante de todos os homens, até que não o comprovem de uma maneira imediata e palpável.</p>
<p>Não obstante, o Senhor dirá: «Bem-aventurados os que sem terem visto acreditaram» (Ioh 20,29). No caso dos Após­tolos era preciso que, além da fé em Cristo ressuscitado, tivessem uma clara evidência da Ressurreição, visto que tinham de ser as testemunhas oculares que anunciassem com especial conhecimento de causa esse facto irrefutável. Neste sentido comenta São Gregório Magno: «A razão de que os discípulos tardassem em crer na Ressurreição do Senhor, não foi tanto pela sua fraqueza como pela nossa futura firmeza na fé; pois a própria Ressurreição demonstrada com muitos argumentos aos que duvidavam, que outra coisa significa senão que a nossa fé se fortalece pela sua dúvida?» <em>(In Evangelia homiliae, </em>16).</p>
<p><strong>12.</strong> A aparição do Senhor a estes dois discípulos é relatada amplamente por São Lucas (cfr 24,13-35).</p>
<p><strong>15. </strong>Este versículo contém o chamado mandato apostó­lico universal, que é paralelo ao de Mt 28,19-20 e ao de Lc 24,46-48. É um mandato imperativo de Cristo aos Seus Após­tolos para que preguem o Evangelho a todas as nações. Essa mesma missão apostólica incumbe, de modo especial, aos sucessores dos Apóstolos, que são os Bispos em comunhão com o Papa, sucessor de Pedro.</p>
<p>Não só eles, porém, mas toda «a Igreja nasceu para tornar todos os homens participantes da redenção salvadora e, por eles, ordenar efectivamente a Cristo o universo inteiro, dilatando pelo mundo o Seu Reino para glória de Deus Pai. Toda a actividade do Corpo místico que a este fim se oriente, chama-se apostolado. A Igreja exerce-o de diversas maneiras, por meio de todos os seus membros, já que a vocação cristã é também, por sua própria natureza, vocação ao apostolado. (&#8230;). Existe na Igreja diversidade de funções, mas unidade de missão. Aos Apóstolos e seus sucessores, confiou Cristo a missão de ensinar, santificar e governar em Seu nome e com o Seu poder. Mas os leigos, dado que são participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, têm um papel próprio a desempenhar na missão do inteiro Povo de Deus, na Igreja e no mundo» <em>(Apostolicam actuositatem, </em>n. 2).</p>
<p>É verdade que Deus actua directamente na alma de cada pessoa por meio da Sua graça, mas, ao mesmo tempo, deve afirmar-se que é vontade de Cristo, expressa neste e noutros textos, que os homens sejam instrumento ou veículo de salvação para os outros homens.</p>
<p>Neste sentido também o Concilio Vaticano II ensina: «A todos os fiéis incumbe, portanto, o glorioso encargo de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens em toda a terra» <em>(Ibid., </em>n. 3).</p>
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<p><strong>15.04.2012 – Jo 20, 19-31</strong></p>
<p><sup>19</sup>Na tarde deste dia, o primeiro da semana, estando, por medo dos Judeus, fechadas as portas no lugar onde se encon­travam os discípulos, veio Jesus colocar-Se no meio deles e disse-lhes: A paz seja convosco! <sup>20</sup>Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de ale­gria, ao verem <em>o </em>Senhor. <sup>21</sup>Jesus então dis­se-lhes de novo: A paz seja convosco! Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos mando a vós. <sup>22</sup>Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. <sup>23</sup>Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficar-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficar-lhes-ão retidos.</p>
<p><sup>24</sup>Ora Tome, um dos doze, a quem chama­vam Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. <sup>25</sup>Diziam-lhe os outros discí­pulos: Vimos o Senhor! Ele, porém, respon­deu-lhes: Se não Lhe vir nas mãos a marca dos cravos, se não chegar com o dedo ao sítio dos &#8216;cravos e levar a mão ao Seu lado, não acreditarei.</p>
<p><sup>26</sup>Oito dias depois, estavam os discípulos novamente lá dentro, e Tome com eles. Veio Jesus, com as portas fechadas, colocou-Se no meio deles e disse: A paz seja convosco! <sup>27</sup>A seguir, disse a Tome: Chega aqui o teu dedo e vê as Minhas mãos, aproxima a tua mão e chega com ela ao Meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. <sup>28</sup>Respondeu-Lhe Tome, dizendo: Meu Senhor e meu Deus! <sup>29</sup>Jesus replicou-lhe: Porque Me viste acreditaste? Felizes os que, sem terem visto, acreditam!</p>
<p><sup>30</sup>Muitos outros milagres fez Jesus na pre­sença dos discípulos, os quais não estão escritos neste livro. <sup>31</sup> Estes, porém, estão escritos para que acrediteis que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acre­ditando, tenhais a Vida em Seu nome.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>19-20. </strong>Jesus aparece aos Apóstolos na própria tarde do Domingo em que ressuscitou. Apresenta-Se no meio deles sem necessidade de abrir as portas, já que goza das quali­dades do corpo glorioso; mas para desfazer a possível im­pressão de que é só um espírito, mostra-lhes as mãos e o lado: não fica nenhuma dúvida de que é o próprio Jesus e de que verdadeiramente ressuscitou. Além disso, saúda-os por duas vezes com a fórmula usual entre os Judeus, com o acento entranhável que noutras ocasiões poria nessa sau­dação. Com essas palavras amigáveis ficavam dissipados o temor e a vergonha que teriam os Apóstolos por se terem comportado deslealmente durante a Paixão. Desta forma voltou a criar-se o ambiente de intimidade,em que Jesus lhes vai comunicar poderes transcendentes.</p>
<p><strong>21.</strong> O Papa Leão XIII explicava como Cristo transferiu a Sua própria missão aos Apóstolos: «Que quis e que procurou ao fundar e conservar a Igreja? Isto: transmitir a mesma missão e o mesmo mandato que tinha recebido do Pai para que Ela os continue. Isto é claramente o que Se tinha proposto fazer e isto é o que fez: &#8216;Como o Pai Me enviou assim Eu vos envio&#8217; (Ioh 20,21). &#8216;Como Tu Me enviaste ao mundo, assim os enviei Eu ao mundo&#8217; (Ioh 17,18) (&#8230;). Momentos antes de retornar ao Céu envia os Apóstolos com o mesmo poder com que o Pai O tinha enviado; ordenou-lhes que estendessem e semeassem por todo o mundo a Sua doutrina (cfr Mt 28,18). Todos os que obedecerem aos Apóstolos salvar-se-ão; os que não lhes obedecerem perecerão (cfr Mc 16,16) (&#8230;). Por isso manda aceitar religiosamente e guardar santamente a doutrina dos Apóstolos como Sua: &#8216;Quem vos ouve a vós, ouve-Me a Mim; quem vos despreza a vós, des­preza-Me a Mim&#8217; (Lc 10,16). Em conclusão, os Apóstolos são enviados por Jesus Cristo da mesma forma que Ele foi enviado pelo Pai» <em>(Satis cognitum). </em>Nesta missão os Bispos são sucessores dos Apóstolos: «Cristo, através dos mesmos Apóstolos, tornou participantes da sua consagração e missão os sucessores deles, os Bispos, cujo cargo ministerial, em grau subordinado, foi confiado aos presbíteros, para que, constituídos na Ordem do presbiterado, fossem cooperadores da Ordem do episcopado para o desempenho perfeito da missão apostólica confiada por Cristo» <em>(Presbytemrorum ordinis, </em>n. 2).</p>
<p><strong>22-23.   </strong>A Igreja compreendeu sempre — e assim o de­finiu — que Jesus Cristo com estas palavras conferiu aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados, poder que se exerce no sacramento da Penitência. «O Senhor, principalmente então, instituiu o sacramento da Penitência, quando, ressus­citado de entre os mortos, soprou sobre os Seus discípulos dizendo: &#8216;Recebei o Espírito Santo&#8230;&#8217;. Por este facto tão insigne e por tão claras palavras, o sentir comum de todos os Padres entendeu sempre que foi comunicado aos Apóstolos e aos seus legítimos sucessores o poder de perdoar e reter os pecados para reconciliar os fiéis caídos em pecado depois do Baptismo» <em>(De Paenitentia, </em>cap. 1).</p>
<p>O sacramento da Penitência é a expressão mais sublime do amor e da misericórdia de Deus com os homens, como ensina Jesus na parábola do filho pródigo (cfr Lc 15,11-32). O Senhor espera sempre com os braços abertos que voltemos arrependidos, para nos perdoar e nos devolver a nossa digni­dade de filhos Seus.</p>
<p>Os Papas têm recomendado com insistência que nós, os cristãos, saibamos apreciar e aproveitemos com fruto este Sacramento: «Para progredir mais rapidamente no cami­nho da virtude, recomendamos vivamente o pio uso, intro­duzido pela Igreja sob a inspiração do Espírito Santo, da confissão frequente, que aumenta o conhecimento próprio, desenvolve a humildade cristã, desarraiga os maus cos­tumes, combate a negligência e tibieza espiritual, purifica a consciência, fortifica a vontade, presta-se à direcção espiritual, e por virtude do mesmo sacramento aumenta a graça» <em>(Mystici Corporis).</em></p>
<p><strong>24-28. A dúvida do Apóstolo Tome leva o Senhor a dar-lhe uma prova especial da realidade do Seu corpo ressus­citado. Assim confirma, ao mesmo tempo, a fé daqueles que mais tarde haviam de crer n&#8217;Ele. «Será que pensais — comenta São Gregório Magno — que aconteceu por pura casualidade que estivesse ausente então aquele discípulo escolhido, que ao voltar ouvisse relatar a aparição, e que ao ouvir duvidasse, duvidando palpasse e palpando cresse? Não foi por casualidade, mas por disposição de Deus. A divina clemência actuou de modo admirável para que tocando o discípulo duvidador as feridas da carne no seu Mestre, sarasse em nós as feridas da incredulidade (&#8230;). Assim o discípulo, duvidando e palpando, converteu-se em teste­munha da verdadeira ressurreição» <em>(In Evangelia homiliae, </em>26,7).</strong></p>
<p>A resposta de Tome não é uma simples exclamação, é uma afirmação: um maravilhoso acto de fé na Divindade de Jesus Cristo: «Meu Senhor e meu Deus!». Estas palavras constituem uma jaculatória que repetiram com frequência os cristãos, especialmente como acto de fé na presença real de Jesus Cristo na Santíssima Eucaristia.</p>
<p><strong>29.</strong> O mesmo São Gregório Magno explica estas palavras do Senhor: « São Paulo ao dizer que &#8216;a fé é o fundamento das coisas que se esperam e uma convicção das que não se veem&#8217; (Heb 11,1), torna evidente que a fé versa sobre as coisas que não se veem, pois as que se veem já não são objecto da fé, mas da experiência. Ora bem, por que é dito a Tome quando viu e tocou: Porque viste, acreditaste? Porque uma coisa é o que se viu e outra o que se creu. É certo que o homem mortal não pode ver a divindade; portanto, ele viu o Homem e reconhe­ceu-O como Deus, dizendo: &#8216;Meu Senhor e meu Deus&#8217;. Em conclusão, vendo creu, porque contemplando atentamente este homem verdadeiro exclamou que era Deus, a quem não podia ver» <em>(In Evangelia homiliae, </em>27,8).</p>
<p>Tomé, como todos os homens, necessitou da graça de Deus para crer, mas, além disso, recebeu uma prova singular; teria sido mais meritória a sua fé se tivesse aceitado o testemunho dos Apóstolos. As verdades reveladas transmitem-se normalmente pela palavra, pelo testemunho de outros homens que, enviados por Cristo e assistidos pelo Espírito Santo, pregam o depósito da fé (cfr Mc 16,15-16). «Por conseguinte a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo» (Rom 10,17). A pregação, pois, do Evangelho tem as garantias suficientes de credibilidade, e o homem ao aceitá-lo «oferece a Deus a homenagem total da sua inteligência e da sua vontade prestando voluntário assentimento à Sua revelação» <em>(Dei Verbum, </em>n. 5).</p>
<p>«Alegra-nos muito o que se segue: &#8216;Bem-aventurados os que sem ter visto creram&#8217;. Sentença na qual, sem dúvida, estamos assinalados nós, que confessamos com a alma o que não vimos na carne. Alude-se a nós, desde que vivamos de acordo com a fé; porque só crê de verdade aquele que pratica o que crê» <em>(In Evangelia homiliae, </em>26,9).</p>
<p><strong>30-31. </strong>Temos aqui como um primeiro epílogo ou con­clusão do Evangelho de São João. Segundo a opinião mais comum, o evangelista acrescentaria mais tarde o capítulo 21, onde narra acontecimentos tão importantes como a tríplice confissão de São Pedro, a sua confirmação no Primado e também a profecia do Senhor acerca da morte do discípulo amado. Aqui nestes vv 30-31 manifesta-se a fina­lidade que perseguia o autor inspirado ao escrever o seu Evangelho: que os homens creiam que Jesus é o Messias, o Cristo anunciado no Antigo Testamento pelos profetas, o Filho de Deus, e que, ao crer esta verdade salvadora, centro da Revelação, possam participar já aqui da vida eterna (cfr Ioh 1,12;2,23; 3,18; 14,13; 15,16; 16,23-26).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>16.04.2012 – Jo 3, 1-8</strong></p>
<p>Havia, entre os Fariseus, um homem visita chamado Nicodemos, um dos principais dos Judeus. <sup>2</sup>Veio ele ter com Jesus. e disse-Lhe: Rabi, sabemos que vieste da parte de Deus, como mestre, pois ninguém pode<strong> </strong>fazer esses milagres que Tu fazes, se Deus<strong> </strong>não estiver com ele. <sup>3</sup>Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus. <sup>4</sup>Disse-Lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Po­derá entrar segunda vez no seio de sua mãe <em>e </em>renascer? <sup>5</sup>Jesus retorquiu: Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água <em>e </em>do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. <sup>6</sup>Aquilo que nasceu da carne é carne, e aquilo que nasceu do Espírito é espírito. <sup>7</sup>Não te admires de Eu te haver dito: «Vós tendes de nascer de novo». <sup>8</sup>O vento sopra onde quer, e tu ouves <em>a </em>sua voz, mas não sabes donde vem nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasceu do Espírito.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-21.</strong> Nicodemos era membro do Sinédrio de Jerusalém (cfr Ioh 7,50). Devia ser também homem culto, provavelmente escriba ou doutor da Lei: Jesus dirigindo-Se a ele, chama-lhe mestre em Israel. Poderíamos qualificá-lo, portanto, como intelectual: é um homem que raciocina, que indaga, que busca a verdade como uma das tarefas fundamentais da sua vida. Fá-lo naturalmente, movendo-se dentro das proposições próprias da mentalidade judaica do seu tempo. Para entender as coisas divinas, porém, faz falta a humildade, não basta a razão. Cristo vai, em primeiro lugar, elevar Nicodemos ao plano dessa virtude; por isso Jesus não responde imediatamente às suas perguntas, mas faz-lhe ver quão longe está ainda da verdadeira sabedoria: «Tu és mestre em Israel e não o sabes?». Nicodemos deve reco­nhecer que, não obstante os seus estudos, é ainda ignorante nas coisas de Deus. Como comenta São Tomás de Aquino, «o Senhor não o repreende para o injuriar, mas porque con­fiava ainda na sua ciência; por isso quis, fazendo-o passar pela humilhação, convertê-lo em morada do Espírito Santo» <em>(Comentário sobre S. João, ad loc.). </em>Pelo desenvolvimento da conversa é evidente que Nicodemos deu esse passo de humil­dade, e colocou-se diante de Jesus como um discípulo diante do Mestre. Então o Senhor descobre-lhe os mistérios da fé. Nicodemos seria desde esse momento muito mais sábio que todos os seus colegas que não deram esse passo.</p>
<p>A ciência humana, por muito grande que seja, é minúscula diante das verdades — simplesmente enunciadas mas pro­fundíssimas — dos artigos da fé (cfr Eph 3,15-19; 1Cor 2<sub>;</sub>9). As verdades divinas devem ser recebidas com a simplicidade de uma criança (sem a qual não podemos entrar no Reino dos Céus), para depois serem meditadas durante toda a vida, e estudadas com a admiração do que sabe que a realidade divina sempre supera a nossa pobre inteligência.</p>
<p><strong>1-2. </strong>Ao longo do diálogo íntimo daquela noite, Nico­demos mostra grande delicadeza: dirige-se a Jesus com respeito e chama-Lhe Rabbi, meu Mestre. Possivelmente tinha sido movido pelos milagres e pela pregação de Cristo, e tinha necessidade de saber. Diante do ensinamento do Senhor, a sua maneira de reflectir e de pensar é ainda pouco sobrenatural, mas é humanamente nobre. A sua visita de noite,«por temor dos judeus» (Ioh 19,39), é muito compreen­sível dada a sua condição de membro do Sinédrio; de todos os modos, arrisca-se e vai.</p>
<p>Quando os fariseus tentaram deter Jesus (Ioh 7,32), fra­cassando no seu propósito por causa da admiração do povo, Nicodemos opôs-se àquela maneira injusta de actuar, que condenava um homem antes de o julgar, e opôs-se com fortaleza de ânimo aos outros (Ioh 7,50-53); também não teve medo, na hora mais difícil, de honrar o Corpo morto do Senhor (Ioh19,39).</p>
<p><strong>3-8. A pergunta inicial de Nicodemos, que mostra ainda a sua dúvida acerca de Jesus (um profeta ou o Messias?), o Senhor responde-lhe de maneira inesperada: Nicodemos espe­rava que lhe falasse d&#8217;Ele, da Sua missão, e, pelo contrário, Jesus revela-lhe uma verdade assombrosa: há que nascer de novo. Trata-se de um nascimento espiritual pela água e pelo Espírito Santo: é um mundo novo que se abre diante dos olhos de Nicodemos.</strong></p>
<p>As palavras do Senhor também constituem um horizonte sem limites para o progresso espiritual de qualquer alma cristã, que se deixa documente conduzir pela graça divina e pelos dons do Espírito Santo, infundidos no Baptismo e corroborados pelos Sacramentos; junto com a aber­tura da alma a Deus, o cristão deve igualmente afastar as apetências egoístas e as inclinações da soberba, para poder ir entendendo o que Deus lhe ensina no seu interior. «Por isso há-de desnudar-se a alma (&#8230;) do seu entender, saborear e sentir, para que arremessado tudo o que é dissimil e desconforme com Deus, venha a receber semelhança de Deus (&#8230;); e assim se transforma em Deus. Porque, ainda que seja verdade que, como dissemos, Deus está sempre na alma dando e conservando nela o ser natural com a Sua assis­tência, todavia nem sempre lhe comunica o ser sobrenatural. Porque este não se comunica senão por amor e graça, na qual nem todas as almas estão; e ainda essas não estão em igual grau, porque umas (estão) em maior, outras em menor grau de amor. Donde Deus comunica-se mais àquela alma que está mais avantajada em amor, o que é ter mais con­forme a sua vontade com a de Deus. E a que totalmente a tem conforme e semelhante, totalmente está unida e transformada em Deus sobrenaturalmente» <em>(Subida ao Monte Carmelo, </em>liv. 2, cap. 5).</p>
<p>Jesus sublinha com força a nova condição do homem: já não se trata de nascer da carne, da linhagem de Abraão (cfr Ioh1,13), mas de renascer por obra do Espírito Santo, por meio da água. O Senhor fala aqui pela primeira vez do Baptismo cristão, confirmando a profecia de João Baptista (cfr Mt 3,11; Ioh 1,33): veio para instituir um Baptismo no Espírito Santo.</p>
<p>«Nicodemos — diz Santo Agostinho — não saboreava ainda nem este espírito nem esta vida (&#8230;). Não conhece outro nascimento senão o de Adão e Eva, e ignora o que se origina de Cristo e da Igreja. Só entende da paternidade que gera para a vida. Existem dois nascimentos; mas ele só tem notícia de um. Um é da terra e outro é do Céu; um da carne e outro do Espírito; um da mortalidade, outro da eternidade; um de homem e mulher, e outro de Cristo e da Igreja. Os dois são únicos. Nem um nem outro se podem repetir» <em>(In Ioann. Evang., </em>11,6).</p>
<p>O Senhor fala dos efeitos maravilhosos que a força do Espírito Santo produz na alma do baptizado. Assim como quando sopra o vento nos damos conta da sua presença, ouvimos o seu silvo mas não sabemos donde surgiu nem onde terminará, assim sucede também com o Espírito Santo, que é «sopro» <em>(pneuma) </em>divino, e que nos é dado no novo nascimento do Baptismo: não se sabe por que caminho o Espírito penetra, no coração, mas dá a conhecer a Sua presença pela mudança no comportamento do que O recebe.</p>
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<p><strong>17.04.2012 – Jo 3, 7b-15</strong></p>
<p>«Vós tendes de nascer de novo». <sup>8</sup>O vento sopra onde quer, e tu ouves <em>a </em>sua voz, mas não sabes donde vem nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasceu do Espírito. <sup>9</sup>Nicodemos interveio, para Lhe dizer: Como pode ser isso? <sup>10</sup>Respondeu-lhe Jesus, di­zendo: Tu és mestre em Israel e não o sabes?! <sup>11</sup>Em verdade, em verdade te digo: Nós fa­lamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas vós não recebeis o Nosso testemunho. <sup>12</sup>Se vos disse coisas da Terra e as não acreditais, como haveis de acreditar, se vos disser coisas do Céu? <sup>13</sup>Ninguém subiu ao Céu, a não ser Aquele que do Céu desceu, o Filho do homem. <sup>14</sup>Do mesmo modo que Moisés elevou a serpente no deserto, assim tem de ser elevado o Filho do homem, <sup>15</sup>para que todo aquele que acredita tenha, por Ele, a vida eterna.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>10-12. </strong>Ante a perplexidade de Nicodemos, Jesus ratifica o valor das Suas palavras, e explica-lhe que fala das coisas do Céu porque procede do Céu, e para Se fazer compreender usa comparações e imagens terrenas. Não obstante, esta lin­guagem não é suficiente para aqueles que adoptam uma posição de incredulidade.</p>
<p>Comenta o Crisóstomo: «Com razão Cristo não disse: não compreendeis, mas: não credes. Porque se alguém não quer admitir aquilo que se pode perceber com a mente, este seria acusado com razão de estupidez; contudo, se alguém não admite aquilo que não se percebe com a mente mas com a fé, este já não pecapor estupidez, mas por incredulidade» <em>(Hom. sobre S. João, </em>27,1).</p>
<p><strong>13. </strong>Afirmação solene da divindade de Jesus. Ninguém sobe ao Céu e, portanto, ninguém pode conhecer perfeita­mente os segredos de Deus, senão o próprio Deus que en­carnou e desceu do Céu: Jesus, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o Filho do Homem profetizado no Antigo Testa­mento (cfr Dn 7,13), ao qual foi concedido senhorio eterno sobre todos os povos, nações e línguas.</p>
<p>Ao encarnar o Verbo não deixa de ser Deus. E assim, ainda que esteja na terra enquanto homem, nem por isso deixa de estar no Céu enquanto Deus. Só depois da Ressur­reição e da Ascensão, Jesus Cristo está no Céu também enquanto homem.</p>
<p><strong>14-15. A serpente de bronze, alçada por Moisés num mastro, era o remédio indicado por Deus para curar aqueles que eram mordidos pelas serpentes venenosas do deserto (cfr Num 21,8-9). Jesus Cristo compara este facto com a Sua Crucifixão, para explicar assim o valor da Sua exaltação na Cruz, que é salvação para todos os que O fixem com fé. Neste sentido podemos dizer que no bom ladrão se cumpre já o poder salvífico de Cristo na Cruz: esse homem descobriu no Crucificado o Rei de Israel, o Messias, que imediatamente lhe promete o Paraíso para aquele mesmo dia (cfr Lc 23,39-43).</strong></p>
<p>O Filho de Deus tomou a nossa natureza humana para dar a conhecer os mistérios ocultos da vida divina (cfr Mc 4,11; Ioh 1,18; 3,1-13; Eph 3,9) e para livrar do pecado e da morte aqueles que O fixem com fé e amor (cfr Ioh 19,37; Gal 3,1) e aceitem a cruz de cada dia.</p>
<p>A fé de que nos fala o Senhor não se reduz simplesmente à aceitação intelectual das verdades que Ele nos ensinou, mas inclui reconhecê-Lo como Filho de Deus (cfr 1 Ioh5,1), parti­cipar da Sua própria Vida (cfr Ioh 1,12), e entregarmo-nos por amor, tornando-nos assim semelhantes a Ele (cfr Ioh 10,27; 1Ioh 3,2). Mas esta fé constitui um dom de Deus (cfr Ioh 3,3.5-8), a quem devemos pedir que a fortaleça e acres­cente, como fizeram os Apóstolos: Senhor, «aumenta-nos a fé» (Lc 17,5). Sendo a fé um dom divino, sobrenatural e gratuito, é, ao mesmo tempo, uma virtude, um hábito bom, susceptível de ser exercitado pessoalmente <em>e, </em>portanto, robustecido através desse exercício. Daí que o cristão, que já possui o dom divino da fé, ajudado pela graça deva fazer actos explícitos de fé para que esta virtude cresça nele.</p>
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<p><strong>18.04.2012 – Jo 3, 16-21</strong></p>
<p><sup>16</sup>De facto, Deus amou de tal maneira o mundo que deu o Seu Filho único, para que todo o que n&#8217;Ele acredita náo pereça, mas tenha a vida eterna. <sup>17</sup>É que Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para o mundo ser salvo por Seu inter­médio. <sup>18</sup>Quem n&#8217;Ele acredita não é condenado; mas quem não acredita já está conde­nado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus. <sup>19</sup>É esta a causa da con­denação: veio a Luz ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a Luz, pois eram más as suas obras. <sup>20</sup>E que todo aquele que pratica más acções odeia a Luz e não se aproxima da Luz, para não serem postas a descoberto as suas obras. <sup>21</sup>Quem pratica a verdade aproxima-se da Luz, para se tornar bem claro que as suas obras estão realizadas em Deus.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>16-21.</strong> Com estas palavras carregadas de sentido sinte­tiza-se como a Morte de Jesus Cristo é a manifestação suprema do amor de Deus pelos homens (cfr <em>Introdução ao Evangelho segundo São João, </em>parágrafo sobre <em>A caridade, </em>pp 1101-1105). «De tal maneira Deus amou o mundo que lhe entregou Seu Filho Unigênito para a sua salvação. Toda a nossa religião é uma revelação da bondade, da misericórdia, do amor de Deus por nós. &#8216;Deus é amor&#8217; (cfr 1Ioh4,16), isto é, amor que se difunde e se prodigaliza; e tudo se resume nesta grande verdade que tudo explica e tudo ilumina. É neces­sário ver a história de Jesus a esta luz. &#8216;Ele amou-me&#8217;, escreve São Paulo, e cada um de nós pode e deve repeti-lo a si mesmo: Ele amou-me, e sacrificou-Se por mim (Gal 2,20)» <em>(Homília do Corpus Christi).</em></p>
<p>A entrega de Cristo constitui o chamamento mais pre­mente a corresponder ao Seu grande amor: «Se Deus nos criou, se nos redimiu, se nos ama ao ponto de entregar por nós o Seu Filho Unigênito (Ioh 3, 16), se nos espera — todos os dias! — como aquele pai da parábola esperava o filho pródigo (cfr Lc 15, 11-32). como não há-de desejar que O tratemos com amor? O que seria estranho era não falar com Deus, afastar-se d&#8217;Ele, esquecê-Lo, dedicar-se a actividades estranhas a esses toques ininterruptos da graça» <em>(Amigos de Deus, n.° 251).</em></p>
<p>«O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se o não torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente. E por isto precisamente Cristo Redentor (&#8230;) revela plena­mente o homem ao próprio homem. Esta é — se assim é lícito exprimir-se — a dimensão humana do mistério da Redenção. Nesta dimensão o homem reencontra a grandeza, a dignidade e o valor próprios da sua humanidade (&#8230;). O homem que quiser compreender-se a si mesmo profun­damente (&#8230;) deve, com a sua inquietude, incerteza e também fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo. Ele deve, por assim dizer, entrar n&#8217;Ele com tudo o que é em si mesmo, deve &#8216;apro­priar-se&#8217; e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para se encontrar a si mesmo. Se no homem se actuar este processo profundo, então ele produz frutos, não somente de adoração de Deus, mas também de profunda maravilha perante si próprio. Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se &#8216;mereceu ter um tal e tão grande Redentor&#8217; <em>(Missal Romano, </em>Hino <em>Exultet </em>da Vigília Pascal), se &#8216;Deus deu o Seu Filho&#8217;, para que ele, o homem, &#8216;não pereça, mas tenha a vida eterna&#8217;.</p>
<p>«(&#8230;) A Igreja, que não cessa de contemplar o conjunto do mistério de Cristo, sabe com toda a certeza da fé, que a Redenção que se verificou por meio da Cruz, restituiu defini­tivamente ao homem a dignidade e o sentido da sua existência no mundo, sentido que ele havia perdido em consi­derável medida por causa do pecado. E por isso a Redenção realizou-se no mistério pascal, que, através da cruz e da morte, conduz à ressurreição» <em>(Redemptor hominis, </em>n. 10). Jesus Cristo exige como primeiro requisito para parti­cipar do Seu amor a fé n&#8217;Ele. Com ela passamos das trevas para a luz e entramos em caminho de salvação. «Quem não acredita já está condenado» (v. 18). «As palavras de Cristo são, ao mesmo tempo, palavras de juízo e de graça, de morte e de vida. É que só infligindo a morte ao que é velho podemos ter acesso à novidade de vida: e isto, que vale, em primeiro lugar, das pessoas, vale também dos diversos bens deste mundo que estão marcados tanto pelo pecado do homem como pela bênção de Deus (&#8230;). Por si mesmo e pelas próprias forças não há ninguém que se liberte do pecado e se eleve acima de si mesmo, ninguém absolutamente que se liberte a si mesmo da sua enfermidade, da sua solidão ou da sua escravidão, mas todos precisam de Cristo como modelo, mestre, libertador, salvador, vivificador. De facto, na história humana, mesmo sob o ponto de vista temporal, o Evangelho foi um fermento de liberdade e de progresso e apresenta-se sempre como fermento de fraternidade, de unidade e de paz» <em>(Ad gentes, </em>n. 8).</p>
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<p><strong>19.04.2012 – Jo 3, 31-36</strong></p>
<p><sup>31</sup>Aquele que vem do Alto está acima de todos; aquele que é da terra, à terra pertence e da terra fala. Aquele que vem do Céu está acima de todos. <sup>32</sup>Ele dá testemunho do que viu <em>e </em>ouviu, mas ninguém recebe o Seu testemunho. <sup>33</sup>Quem recebe o Seu testemu­nho atesta que Deus é verídico. <sup>34</sup>Aquele que Deus enviou refere as palavras de Deus, pois Este não dá o Espírito por medida. <sup>35</sup>O Pai ama o Filho e tudo entregou na Sua mão. <sup>36</sup>Quem acredita no Filho tem a vida eterna. Quem se nega a crer no Filho não verá a Vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>31-36. </strong>Este parágrafo revela-nos a divindade de Cristo, a Sua relação com o Pai e com o Espírito Santo, e a partici­pação na vida eterna e divina dos que creemem Jesus Cristo. Fora da fé não há vida nem margem para a esperança.</p>
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<p><strong>20.04.2012 – Jo 6, 1-15</strong></p>
<p>Depois disto, retirou-Se Jesus para outro lado do Mar da Galileia, ou de Tiberiade. <sup>2</sup>Seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que fazia nos enfermos. <sup>3</sup>Jesus subiu ao monte <em>e </em>lá Se sentou com os discípulos. <sup>4</sup>Estava próxima a Páscoa, a festa dos Judeus. <sup>5</sup>Erguendo então os olhos e vendo que vinha ter com Ele numerosa multidão, Jesus diz a Filipe: Onde havemos de com­prar pão para eles comerem? <sup>6</sup>Dizia isto para o experimentar, pois bem sabia o que ia fazer. <sup>7</sup>Respondeu-Lhe Filipe: Não lhes chegam duzentos denários de pão, para receber cada qual um poucochinho. <sup>8</sup>Disse-Lhe um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro: <sup>9</sup>Está aqui um pequeno que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isso para tanta gente? <sup>10</sup>Jesus, porém, respondeu: Fazei com que eles se recostem. Ora havia muita erva no local. Recostaram-se, pois, os homens, em número de cerca de cinco mil. <sup>11</sup>Então, Jesus tomou os pães, e, depois de dar graças, distribuiu-os aos convivas; e o mesmo fez dos peixes, tanto quanto lhes apetecia. <sup>12</sup>Quando ficaram saciados, disse aos discípulos: Recolhei os pedaços que so­braram, para que nada se perca. <sup>13</sup>Recolhe­ram-nos, pois, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que haviam sobrado aos que tinham estado a comer.</p>
<p><sup>14</sup>Ao verem aqueles homens o milagre que Ele fizera, começaram a dizer: Este <em>é, </em>na verdade, o Profeta que está para vir ao mundo. <sup>15</sup>Mas Jesus, percebendo que viriam arrebatá-Lo, para O fazerem rei, retirou-Se novamente, sozinho para o monte.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Refere-se ao segundo lago formado pelo Jordão. Nos Evangelhos costuma chamar-se-lhe umas vezes «Lago de Genesaré» (Lc 5,1), pela localidade do mesmo nome situada na margem Noroeste do lago; outras, «Mar da Galileia» (Mt 4,18; 15,29; Mc 1,16; 7,31), pelo nome da região em que se encontra. São João chama-lhe também «Mar de Tiberíades» (cfr 21,1), devido à cidade desse nome fundada por Herodes Antipas em honra do imperador Tibério. No tempo de Jesus Cristo havia à volta deste lago várias cidades: Tiberíades, Magdala, Cafarnaum, Betsaida, etc.; as suas margens foram com frequência cenário da pregação do Senhor.</p>
<p><strong>2.</strong> Ainda que São João não refira mais que sete milagres e não mencione outros que narram os Sinópticos, neste versículo, e mais expressamente no fim do seu Evangelho (20,30; 21,25), diz que foram muitos os milagres realizados pelo Senhor; a selecção desses sete é devida a que o Evange­lista, querendo mostrar algumas facetas do mistério de Cristo, escolhe — inspirado por Deus — aqueles que estão mais em harmonia com o seu propósito. Narra agora o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, que está em relação directa com os discursos de Cafarnaum,em que Jesus Se apresenta a Si mesmo como «o pão da vida» (6,35.48).</p>
<p><strong>4.</strong> O Evangelho de São João costuma mencionar as festas judaicas quando refere muitos dos acontecimentos do ministério público do Senhor. Aqui estamos diante de um destes casos (cfr <em>Duração do Ministério Público, </em>pp. 81 s.; <em>Introdução ao Evangelho segundo São João, </em>pp. 1088 s.). Pouco antes desta Páscoa, Jesus realiza o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, prefigurando a Páscoa cristã e o mistério da Santíssima Eucaristia, como Ele próprio explica no discurso que começa no v. 26, onde promete dar-Se como alimento da nossa alma.</p>
<p><strong>5-9.</strong> Jesus é sensível às necessidades espirituais e mate­riais dos homens. Aqui vemo-Lo a tomar a iniciativa para satisfazer a fome daquela multidão que O segue.</p>
<p>Com estes diálogos e o milagre que vai realizar, Jesus ensina também aos Seus discípulos a confiar n&#8217;Ele perante as dificuldades que encontrarão nas suas futuras tarefas apostólicas, empreendendo-as com os meios que tiverem, ainda que sejam insuficientes, como neste caso o eram os cinco pães e os dois peixes. Ele entrará com o que falta. Na vida cristã há que pôr ao serviço do Senhor o que temos, ainda que nos pareça muito pouco. O Senhor saberá multi­plicar a eficácia desses meios tão insignificantes.</p>
<p>«Tenhamos, pois, Fé, sem permitir que o desalento nos domine; sem nos determos em cálculos meramente humanos. Para superar os obstáculos, há que começar a trabalhar, metendo-nos em cheio,nessa tarefa, de maneira que o nosso próprio esforço nos leve a abrir novos caminhos» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 160).</p>
<p><strong>10.</strong> O Evangelista transmite um pormenor à primeira vista intranscendente: «Naquele lugar havia muita erva». Isto indica que o milagre aconteceu em plena Primavera da Palestina, em dias muito próximos da Páscoa, como disse no v. 4. Ainda que na Palestina sejam muito escassos os prados, existe, mesmo hoje, uma verdadeira pradaria na margem oriental do lago de Genesaré, chamada <em>el-Batihah, </em>onde podiam sentar-se os cinco mil homens e onde, portanto, pode ter-se verificado este milagre.</p>
<p><strong>11. </strong>O relato do milagre começa quase com as mesmas palavras com que os Sinópticos e São Paulo narram a instituição da Eucaristia (cfr Mt 26,26; Mc 14,22; Lc 22,19; 1Cor 11,25). Tal coincidência indica que o milagre, além de ser uma manifestação da misericórdia de Jesus para com os necessitados, é figura da Santíssima Eucaristia, da qual o Senhor falará pouco depois (cfr Ioh 6,26-59).</p>
<p><strong>12-13. A </strong>abundância de pormenores reflecte o realismo da narração: o nome dos Apóstolos que falam com o Senhor (vv 5.8), a espécie dos pães que eram de cevada (v. 9), o <em>rapaz </em>que levava essas provisões (v. 9) e, por último, Jesus que manda recolher os pedaços.</p>
<p>O milagre denota o poder divino de Jesus sobre a matéria, e a liberalidade com que o realiza evoca a abun­dância dos bens messiânicos que os profetas tinham predito (cfr. ler 31,14).</p>
<p>O mandato de recolher os pedaços que sobram ensina que os bens materiais, por serem dons de Deus, não se devem desperdiçar, mas hão-de ser usados com espírito de pobreza (cfr a nota a Mc 6,42). Neste sentido explica Paulo VI que «depois de ter alimentado com liberalidade a multidão, o Senhor recomenda aos Seus discípulos que recolham o que sobrou para que nada se perca (cfr Ioh 6,12). Que formosa lição de economia, no sentido mais nobre e mais pleno da palavra, para a nossa época dominada pelo esban­jamento! Além disso, leva consigo a condenação de toda uma concepção da sociedade em que até o próprio consumo tende a converter-se no seu próprio bem, desprezando os que se veem necessitados e em detrimento, em última análise, dos que julgam ser os seus beneficiários, incapazes já de per­ceber que o homem é chamado a um destino mais alto» <em>(Discurso aos participantes na Conferência mundial da Alimen­tação, </em>9-XI-1974).</p>
<p><strong>14-15. A </strong>fé que o milagre suscita naqueles homens é ainda muito imperfeita: reconhecem-No como o Messias prometido no Antigo Testamento (cfr Dt 18,15), mas pensam num messianismo terreno e nacionalista, querem fazê-Lo rei porque consideram que o Messias os há-de livrar da domi­nação romana.</p>
<p>O Senhor, que mais adiante (vv 26-27) explicará o verda­deiro sentido da multiplicação dos pães e dos peixes, limi­ta-Se a fugir daquele lugar, para evitar uma proclamação popular alheia à Sua verdadeira missão. No diálogo com Pilatos (cfr Ioh 18,36) explicará que o Seu Reino « não é deste mundo».</p>
<p>«Os Evangelhos mostram claramente como para Jesus era uma tentação o que alterasse a Sua missão de Servidor de Yahwéh (cfr Mt 4,8; Lc 4,5). Não aceita a posição daqueles que misturavam as coisas de Deus com atitudes meramente políticas (cfr Mt 22,21; Mc 12,17; Ioh18,36) (&#8230;). A perspec­tiva da Sua missão <em>é </em>muito mais profunda. Consiste na salvação integral por um amor transformante, pacificador, de perdão e de reconciliação. Não há dúvida, por outro lado, que tudo isto é muito exigente para a atitude do cristão que quer servir de verdade os irmãos mais pequenos, os pobres, os necessitados, os marginalizados; numa palavra, todos os que reflectem nas suas vidas o rosto dorido do Senhor (cfr <em>Lumen gentium, </em>n. 8)» <em>(Discurso episcopado latino americano. </em>n.° 1,4).</p>
<p>Não se pode, pois, confundir o cristianismo com uma ideologia social ou política, por mais nobre que seja. «Não penso na tarefa dos cristãos na Terra como o nascer duma corrente político-religiosa — seria uma loucura — nem mesmo com o bom propósito de difundir o espírito de Cristo em todas as actividades dos homens. O que é preciso é pôr em Deus o coração de cada um, seja ele quem for. Procuremos falar a todos os cristãos, para que no lugar onde estiverem (&#8230;) saibam dar testemunho, com o exemplo e com a palavra, da fé que professam.</p>
<p>«O cristão vive no mundo com pleno direito, por ser homem. Se aceita que no seu coração habite Cristo, que reine Cristo, em todo o seu trabalho humano encontrar-se-á — bem forte — a eficácia salvadora do Senhor» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 183).</p>
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<p><strong>21.04.2012 – Jo 6, 16-21</strong></p>
<p><sup>16</sup>Quando entardeceu, desceram os discí­pulos ao mar <sup>17</sup>e, subindo para um barco, puseram-se a caminho para o outro lado do mar, em direcção a Cafarnaum. Já estava a escurecer e ainda Jesus não tinha ido ter com eles; <sup>18</sup>e, como soprasse forte ventania, o mar ia-se encrespando. <sup>19</sup>Quando eles tinham uns vinte e cinco ou trinta estádios de avanço, vêem Jesus a andar sobre o mar e a aproximar-Se do barco; e tiveram medo. <sup>20</sup>Mas Ele diz-lhes: Sou Eu, não tenhais medo! <sup>21</sup>Quiseram então recebê-Lo no barco, e logo o barco chegou à terra para onde iam.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>16-21. </strong>Parece que os discípulos estavam desconcerta­dos porque tinha escurecido, o mar ia-se agitando, e Jesus não chegava. Contudo, o Senhor não os abandona, mas quando já tinham remado uns cinco quilômetros, Jesus chega inesperadamente andando sobre as águas para robustecer a sua fé ainda débil (cfr as notas a Mt 14,22-23 e a Mc 6,48.52).</p>
<p>Ao meditar este episódio, a tradição cristã viu na barca uma figura da Igreja, que terá de suportar muitas dificul­dades e à qual o Senhor prometeu a Sua assistência ao longo dos séculos (cfr Mt 28,20); por isso a Igreja permanecerá firme e segura para sempre. São Tomás de Aquino comenta: «Aquele vento é figura das tentações e da perseguição que padecerá a Igreja por falta de amor. Porque, como diz Santo Agostinho, quando se esfria o amor, aumentam as ondas e a nave soçobra. Contudo, o vento, a tempestade, as ondas e as trevas não conseguirão que a nave se afaste do seu rumo e fique destroçada» <em>(Comentário sobre S. João, ad loc.)</em></p>
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<p><strong>22.04.2012 – Lc 24, 35-48</strong></p>
<p><sup>35</sup>E eles puseram-se a contar o que se tinha passado no caminho e como Jesus Se lhes dera a conhecer ao partir do pão.</p>
<p><sup>36</sup>Enquanto diziam isto, apresentou-Se Ele próprio no meio deles e disse-lhes: A paz seja convosco. <sup>37</sup>Eles ficaram aturdidos e cheios de medo, e julgavam estar a ver um espírito. <sup>38</sup>Disse-lhes então: Porque estais perturbados e por que motivo surgem tais hesitações no vosso íntimo? <sup>39</sup>Vede as Minhas mãos e os Meus pés; sou Eu mesmo. Palpai-Me e olhai que um espírito não tem carne nem ossos, como verificais que Eu tenho. <sup>40</sup>E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. <sup>41</sup>Estando eles ainda sem querer acreditar, com a alegria, e cheios de pasmo, perguntou-lhes: Tendes aí alguma coisa que se coma? <sup>42</sup>Eles passa­ram-Lhe uma posta de peixe assado. <sup>43</sup>To-mando-a, pôs-Se a comer à vista deles.</p>
<p><sup>44</sup>Depois disse-lhes: Foram estas as palavras que vos disse, quando ainda Me achava entre vós: «Tem de cumprir-se tudo o que está escrito a Meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos». <sup>45</sup>Abriu-lhes então o entendimento, para compreenderem as Escrituras, <sup>46</sup>e disse-lhes: Assim está es­crito que o Messias havia de sofrer e ressus­citar dos mortos ao terceiro dia <sup>47</sup>e que se havia de pregar, em Seu nome, o arrepen­dimento e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. <sup>48</sup>Vós sois as testemunhas destas coisas!</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>36-43.</strong> Esta aparição de Jesus ressuscitado é referida por São Lucas e São João (cfr Ioh 20,19-23). São João recolhe a instituição do sacramento da Penitência, ao mesmo tempo que São Lucas sublinha a dificuldade dos discípulos para aceitar o milagre da Ressurreição, apesar do testemunho dos anjos às mulheres (cfr Mt 28,5-7; Mc 16,5-7; Lc 24,4-11) e daqueles que já tinham visto o Senhor ressuscitado (cfr Mt 28,9-10; Mc 16,9-13; Lc 24,13 ss.; Ioh 20,11-18).</p>
<p>Jesus aparece-lhes de improviso, estando as portas fecha­das (cfr Ioh 20,19), o que explica a sua surpresa e a sua reacção. Santo Ambrósio comenta que «penetrou no recinto fechado não porque a sua natureza fosse incorpórea, mas porque tinha a qualidade de um corpo ressuscitado» <em>(Expositio Evangelii sec. Lucam, ad loc.). </em>Entre essas qualidades do corpo glorioso, a subtileza faz que «o corpo esteja totalmente submetido ao império da alma» <em>(Catecismo Romano, </em>I, 12,13), de modo que pode atravessar os obstáculos materiais sem nenhuma resistência.</p>
<p>A cena reveste-se de um encanto especial quando o Evan­gelista descreve os pormenores de condescendência divina para os confirmar na verdade da Sua Ressurreição.</p>
<p><strong>41-43.</strong> Ainda que o corpo ressuscitado seja impassível e, por conseguinte, não necessite já de alimentos para se nutrir, o Senhor confirma os discípulos na verdade da Sua Ressurreição com estas duas provas: convidando-os a que O toquem e comendo na sua presença. «Eu, por minha parte, confessa Santo Inácio de Antioquia, sei muito bem e nisto ponho a minha fé que, depois da Sua Ressurreição, o Senhor permaneceu na Sua carne. E assim, quando Se apresentou a Pedro e aos seus companheiros, disse-lhes: <em>Tocai-Me, palpai-Me e compreendei que não sou um espírito incorpóreo. </em>E prontamente tocaram-No e acreditaram, ficando persua­didos da Sua carne e do Seu espírito (&#8230;). Mais ainda, depois da Sua Ressurreição comeu e bebeu com eles, como homem de carne que era, embora espiritualmente estivesse feito uma coisa com Seu Pai» <em>(Carta aos de Esmirna, </em>III, 1-3).</p>
<p><strong>44-49.</strong> São Mateus insiste no cumprimento em Cristo das profecias do AT, porque os primeiros destinatários do seu Evangelho eram judeus, para quem isto constituía uma prova manifesta de que Jesus era o Messias prometido e esperado. São Lucas não utiliza habitualmente este argu­mento, porque escreve para os gentios; não obstante, neste epílogo recolhe sumariamente a advertência de Cristo que declara ter-se cumprido tudo o que estava predito acerca d&#8217;Ele. Sublinha-se assim a unidade dos dois Testamentos e que Jesus é verdadeiramente o Messias.</p>
<p>Por outro lado, São Lucas refere a promessa do Espírito Santo (cfr Ioh 14,16-17.26; 15,26; 16,7 ss.), cujo cumprimento no dia de Pentecostes narrará com pormenor no livro dos Actos (cfr Act 2,1-4).</p>
<p><strong>46.</strong> São Lucas pôs em realce a falta de inteligência dos Apóstolos quando Jesus anuncia a Sua Morte e Ressurreição (cfr 9,45; 18,34). Agora, cumprida a profecia, recorda a necessidade de que Cristo padecesse e ressuscitasse de entre os mortos (cfr 24,25-27).</p>
<p>A Cruz é um mistério não só na vida de Cristo mas também na nossa: «Jesus sofre para cumprir a Vontade do Pai&#8230; E tu, que também queres cumprir a Santíssima Vontade de Deus, seguindo os passos do Mestre, poderás queixar-te se encontrares por companheiro de caminho o sofrimento?» <em>(Caminho, </em>n.° 213).</p>
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<p><strong>23.04.2012 – Jo 6, 22-29</strong></p>
<p><sup>22</sup>No dia seguinte, a multidão que se encontrava. do outro lado do mar verificou que ali não estivera outra embarcação além duma só e que Jesus não entrara no barco com os discípulos, mas só estes se haviam retirado. <sup>23</sup>Todavia, tinham vindo outras embarcações de Tiberíade para junto do local em que haviam comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças. <sup>24</sup>Quando a multidão viu que Jesus não estava lá, nem os discípulos, subiram todos para as embarca­ções e vieram para Cafarnaum, em busca de Jesus. <sup>25</sup>E quando O encontraram do outro lado do mar, disseram-Lhe: Rabi, quando chegaste aqui?</p>
<p><sup>26</sup>Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Em verdade, em verdade vos digo: Vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas por haverdes comido dos pães e vos terdes saciado. <sup>27</sup>Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que se conserva até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará; pois a Este é que o Pai, o próprio Deus, marcou com o Seu selo. <sup>28</sup>Disseram-Lhe en­tão: Que havemos de fazer para trabalhar nas obras de Deus? <sup>29</sup>Respondeu-lhes Jesus: É esta a obra de Deus: que acrediteis No que Ele enviou.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>26.</strong> O Senhor começa por corrigir a falta de rectidão de intenção que os movia a segui-Lo, preparando-os assim para compreender a doutrina do discurso eucarístico. «Procurais-Me, comenta Santo Agostinho, por motivos da carne, não do espírito. Quantos há que buscam Jesus, guiados apenas por interesses temporais! (&#8230;). Quase não se busca Jesus por Jesus» <em>(In Ioann. Evang., </em>25,10).</p>
<p>Começa neste versículo o chamado <em>Discurso do Pão da Vida, </em>que se prolonga até ao versículo 59. Inicia-se com uma introdução a modo de diálogo entre Jesus e os Judeus (vv. 26-34), onde o Senhor Se revela como Aquele que vem trazer os dons messiânicos. Segue-se a primeira parte do discurso (vv. 35-47),em que Jesus Se apresenta como o Pão da Vida, enquanto a fé n&#8217;Ele é alimento para a vida eterna. Na segunda parte (vv. 48-59) Cristo revela o mistério da Eucaristia: Ele é o Pão da Vida que Se dá sacramentalmente como verdadeira comida.</p>
<p><strong>27<em>.</em></strong><em> </em>O alimento corporal serve para a vida neste mundo, o espiritual sustenta e desenvolve a vida sobrenatural, que continua para sempre no Céu. Este alimento, que só Deus nos pode dar, consiste principalmente no dom da fé e na graça santificante. Inclusive, por infinito amor divino, na Santíssima Eucaristia é-nos dado como alimento da alma o próprio autor desses dons: Jesus Cristo.</p>
<p>«A Este é que o Pai marcou com o Seu selo»: Com esta frase o Senhor alude à autoridade, pela qual só Ele pode dar aos homens os dons mencionados: porque sendo Deus e homem, a natureza humana de Jesus é o instrumento pelo qual actua a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. São Tomás de Aquino comenta assim esta frase: «O que o Filho do Homem dará, possui-o enquanto supera todos os outros homens pela sua singular e eminente plenitude de graça (&#8230;). Quando um selo se imprime na cera, esta recebe toda a forma do selo. Assim o Filho recebeu toda a forma do Pai. E isto de dois modos: um eterno (geração eterna), do qual não se fala aqui porque o selo e o selado são de natureza diferente. O outro, que é o que se deve entender aqui, é o mistério da Encarnação, pela qual Deus Pai imprimiu na natureza humana o Verbo, que <em>é </em>resplendor e selo da Sua substância, como diz Hebreus 1,3» <em>(Comentário sobre S. João, ad loc.).</em></p>
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<p><strong>24.04.2012 – Jo 6, 30-35</strong></p>
<p><sup>30</sup>Disseram-Lhe eles: Que milagre então fazes Tu, para nós vermos e acreditarmos em Ti? Que obra realizas? <sup>31</sup>Os nossos pais, no deserto, comeram o maná, conforme está escrito: <em>Deu-lhes a comer um pão que veio do Céu. </em><sup>32</sup>Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão que vem do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão que vem do Céu, <sup>33</sup>pois o pão de Deus é o que desce do Céu e dá a vida ao mundo. <sup>34</sup>Disseram-Lhe então: Senhor, dá-nos sempre desse pão! <sup>35</sup>Disse-lhes Jesus: Eu sou o Pão da Vida: aquele que vem a Mim nunca terá fome, e aquele que acredita em Mim nunca terá sede.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>28-34.</strong> O diálogo entre Jesus e os Seus ouvintes recorda o episódio da mulher Samaritana (cfr Ioh4,11-15). Ali fala-se de uma água que jorra para a vida eterna; aqui de um pão que desce do Céu para dar a vida ao mundo. Ali a mulher perguntava-se se Jesus podia ser superior a Jacob, aqui as pessoas se Ele Se pode comparar com Moisés (cfr Ex 16,13). «O Senhor apresentava-Se de tal forma, que aparecia superior a Moisés: jamais teve Moisés a audácia de dizer que ele dava um alimento que não perecia, que permanecia até à vida eterna. Jesus promete muito mais que Moisés. Este prometia um reino, uma terra de arroios de leite e mel, uma paz temporal, filhos numerosos, a saúde corporal e todos os outros bens temporais (&#8230;); encher o seu ventre aqui na terra, mas de manjares que perecem; Cristo, pelo contrário, pro­metia um manjar que, na verdade, não perece mas per­manece eternamente» <em>(In Ioann. Evang., </em>25,12).</p>
<p>Os interlocutores de Jesus sabiam que o maná — alimento que os Judeus recolhiam diariamente no seu caminhar pelo deserto (cfr Ex 16,13 ss. — era símbolo dos bens messiânicos; por isso pedem ao Senhor que realize um portento semelhante. Mas não podiam nem sequer suspeitar que o maná era figura de um grande dom messiânico sobrenatural que Cristo traz aos homens: a Santíssima Eucaristia. Jesus, com este diálogo e a primeira parte do discurso eucarístico (vv 35-47), procura levá-los antes de mais a um acto de fé n&#8217;Ele, para depois lhes revelar abertamente o mistério da Santíssima Eucaristia. Com efeito, Ele é o pão «que desceu do Céu e dá a vida ao mundo» (v. 33). Também São Paulo explica que o maná e os outros prodígios que aconteceram no deserto eram prefiguração clara de Jesus Cristo (cfr 1Cor 10,3-4).</p>
<p>A atitude incrédula daqueles judeus incapacitava-os para aceitar a revelação de Jesus. Para reconhecer o mistério da Eucaristia é necessária a fé, como voltou a pôr em realce o Papa Paulo VI: «Antes de mais, queremos recordar uma verdade, por vós bem sabida, mas muito necessária para eliminar todo o veneno de racionalismo, verdade que muitos católicos selaram com o seu próprio sangue e que célebres Padres e Doutores da Igreja professaram e ensinaram cons­tantemente, isto é, que a Eucaristia é um altíssimo mistério, mais ainda, falando com propriedade, como diz a Sagrada Liturgia, <em>o mistério da fé </em>(&#8230;). É, pois, necessário que nos aproximemos particularmente deste mistério, com humilde reverência, não buscando razões humanas, que devem estar caladas, mas aderindo firmemente à Revelação divina» <em>(Mysterium fidei).</em></p>
<p><strong>35.</strong> Ir a Jesus é crer n&#8217;Ele, porque do Senhor aproximamo-nos pela fé. Com a imagem da comida e da bebida expressa Jesus que Ele é quem realmente sacia todas as nobres aspirações do homem: «Que bela é a nossa Fé Católica! — Dá solução a todas as nossas ansiedades, e aquieta o entendimento, e enche de esperança o coração» <em>(Caminho, </em>n.° 582).</p>
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<p><strong>25.04.2012 – Mc 16, 15-20</strong></p>
<p><sup>15</sup>E disse-lhes Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. <sup>16</sup>Quem acre­ditar e for baptizado será salvo, mas quem não crer será condenado. <sup>17</sup>Aos que crerem acompanhá-los-ão estes milagres: em Meu nome expulsarão Demônios, falarão novas línguas, <sup>18</sup>pegarão em serpentes e, se beberem peçonha, não lhes fará mal, imporão as mãos aos doentes, e eles recobrarão saúde.</p>
<p><sup>19</sup>E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi assumido ao Céu e sentou-Se à direita de Deus.</p>
<p><sup>20</sup>Eles partiram a pregar por toda a parte, cooperando o Senhor com eles e confirmando a sua palavra com os milagres que a acom­panhavam.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>15. </strong>Este versículo contém o chamado mandato apostó­lico universal, que é paralelo ao de Mt 28,19-20 e ao de Lc 24,46-48. É um mandato imperativo de Cristo aos Seus Após­tolos para que preguem o Evangelho a todas as nações. Essa mesma missão apostólica incumbe, de modo especial, aos sucessores dos Apóstolos, que são os Bispos em comunhão com o Papa, sucessor de Pedro.</p>
<p>Não só eles, porém, mas toda «a Igreja nasceu para tornar todos os homens participantes da redenção salvadora e, por eles, ordenar efectivamente a Cristo o universo inteiro, dilatando pelo mundo o Seu Reino para glória de Deus Pai. Toda a actividade do Corpo místico que a este fim se oriente, chama-se apostolado. A Igreja exerce-o de diversas maneiras, por meio de todos os seus membros, já que a vocação cristã é também, por sua própria natureza, vocação ao apostolado. (&#8230;). Existe na Igreja diversidade de funções, mas unidade de missão. Aos Apóstolos e seus sucessores, confiou Cristo a missão de ensinar, santificar e governar em Seu nome e com o Seu poder. Mas os leigos, dado que são participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, têm um papel próprio a desempenhar na missão do inteiro Povo de Deus, na Igreja e no mundo» <em>(Apostolicam actuositatem, </em>n. 2).</p>
<p>É verdade que Deus actua directamente na alma de cada pessoa por meio da Sua graça, mas, ao mesmo tempo, deve afirmar-se que é vontade de Cristo, expressa neste e noutros textos, que os homens sejam instrumento ou veículo de salvação para os outros homens.</p>
<p>Neste sentido também o Concilio Vaticano II ensina: «A todos os fiéis incumbe, portanto, o glorioso encargo de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens em toda a terra» <em>(Ibid., </em>n. 3).</p>
<p><strong>16. </strong>Como consequência da proclamação da Boa Nova ensina-se neste versículo que a fé e o Baptismo são requisitos indispensáveis para alcançar a salvação. A conversão à fé de Jesus Cristo há-de levar directamente ao Baptismo, que nos «confere a primeira graça santificante, pela qual se perdoa o pecado original e também os actuais, se os houver; remete toda a pena por eles devida; imprime o caracter de cristãos; faz-nos filhos de Deus, membros da Igreja e herdeiros da glória, e habilita-nos para receber os outros sacramentos» <em>(Catecismo Maior, </em>n.° 553).</p>
<p>O Baptismo é absolutamente necessário para o homem se salvar, como se depreende destas palavras do Senhor. Mas a impossibilidade física do rito baptismal pode ser suprida ou pelo martírio, que é chamado baptismo de sangue, ou por um acto perfeito de amor de Deus ou de contrição, unidos ao desejo, pelo menos implícito, de ser baptizado; a isto chama-se baptismo de desejo (cfr <em>Ibid., </em>n.<sup>os</sup> 567-568).</p>
<p>Relativamente ao Baptismo das crianças, já Santo Agos­tinho ensinava que «de nenhum modo se pode rejeitar nem considerar como desnecessário o costume da Santa Madre Igreja de baptizar as crianças; antes pelo contrário, há que admiti-lo forçosamente por ser tradição apostólica» <em>(De Gen. ad litt., </em>10,23,39). O novo <em>Código de Direito Canônico </em>assinala a necessidade de que as crianças sejam baptizadas: «Os pais têm obrigação de procurar que as crianças sejam baptizadas dentro das primeiras semanas; logo após o nascimento, ou até antes deste, vão ter com o pároco, peçam-lhe o sacramente para o filho e preparem-se devidamente para ele» (cân. 867 § 1).</p>
<p>Outra consequência ligada intimamente à anterior é a <em>necessidade da Igreja, </em>como declara o Concilio Vaticano II: «Com efeito, só Cristo é mediador e caminho de salvação e Ele torna-Se-nos presente no Seu corpo, que é a Igreja; ao inculcar expressamente a necessidade da fé e do Baptismo (cfr Mc 16,16; Ioh 3,5), confirmou simultaneamente a necessidade da Igreja, para a qual os homens entram pela porta do Baptismo. Pelo que, não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar» <em>(Lumen gentium, </em>n. 14; cfr <em>Presbyterorum ordinis, </em>n. 4; <em>Ad gentes, </em>nn. 1.3; <em>Dignitatis humanae, </em>n. 11).</p>
<p><strong>17-18. </strong>Nos primeiros tempos da expansão da Igreja, estes factos miraculosos que Jesus anuncia cumpriram-se de modo frequente e visível. Os testemunhos históricos destes acontecimentos são abundantíssimos no Novo Testamento (cfr, p. ex. Act 3,1-11; 28,3-6) e noutros escritos cristãos antigos. Era muito conveniente que assim sucedesse para mostrar ao mundo de uma maneira palpável a verdade do cristianismo. Mais tarde, continuaram a realizar-se milagres deste tipo, mas em menor número, como casos excepcionais. Também é conveniente que assim seja porque, por um lado, a verdade do Cristianismo está já suficientemente atestada; e, por outro, para dar lugar ao mérito da fé. «Os milagres — comenta São Jerônimo — foram precisos ao princípio para confirmar com eles a fé. Mas, uma vez que a fé da Igreja está confirmada, os milagres não são necessários» <em>(Comm. in Marcum, ad loc.). </em>De qualquer modo, Deus continua a realizar milagres através dos santos de todos os tempos, também dos actuais.</p>
<p><strong>19.</strong> A Ascensão do Senhor aos Céus e o estar sentado à direita do Pai constituem o sexto artigo da Fé que recitamos no Credo. Jesus Cristo subiu ao Céu em corpo e alma para tomar posse do Reino alcançado com a Sua morte, para nos preparar o nosso lugar na glória (cfr Apc 3,21), e para enviar o Espírito Santo à Sua Igreja (cfr <em>Catecismo Maior, </em>n.° 123).</p>
<p>A afirmação «sentou-se à direita de Deus» significa que Jesus Cristo, também na Sua Humanidade, tomou posse eterna da glória e que, sendo igual ao Pai enquanto Deus, ocupa junto d&#8217;Ele o lugar de honra sobre todas as criaturas enquanto homem (cfr <em>Catecismo Romano, </em>I, 7,2-3). Já no Antigo Testamento se diz que o Messias estará sentado à direita do Todo-poderoso, exprimindo assim a suprema dignidade do Ungido de Yahwéh (cfr Ps 110,1). O NT recolhe aqui esta verdade, e também noutros muitos lugares (cfr Eph 1, 20-22; Heb 1,13).</p>
<p>Segundo amplia o <em>Catecismo Romano, </em>Jesus subiu aos Céus pela Sua própria virtude e não por poder estranho a Ele. Também não ascendeu aos Céus apenas como Deus, mas também como homem.</p>
<p><strong>20.</strong> O Evangelista, movido pelo Espírito Santo, dá tes­temunho de que as palavras de Cristo já se tinham começado a cumprir no tempo em que escrevia o seu Evangelho. Os Apóstolos, com efeito, souberam realizar com fidelidade a missão que o Senhor lhes tinha confiado. Começaram a pregar por todo o mundo então conhecido a Boa Nova da Salvação. A palavra dos Apóstolos era acompanhada pelos sinais e prodígios que o Senhor lhes tinha prometido, dando assim autoridade ao seu testemunho e à sua doutrina. Mas já sabemos que o trabalho apostólico foi sempre duro, cheio de fadigas, perigos, incompreensão, perseguições e até do próprio martírio, seguindo em tudo isso os rastos do Senhor.</p>
<p>Graças a Deus e também aos Apóstolos, chegou até nós a força e a alegria de Cristo Senhor Nosso. Mas cada geração cristã, cada homem, tem de receber essa pregação do Evan­gelho e por sua vez transmiti-lo. A graça do Senhor não faltará nunca: «Non est abbreviata manus Domini» (Is 59,1), o poder do Senhor não diminuiu.</p>
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<p><strong>26.04.2012 – Jo 6, 44-51</strong></p>
<p><sup>44</sup>Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, o não atrair; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia. <sup>45</sup>Está escrito nos Profetas: <em>Serão todos instruídos por Deus. </em>Todo aquele que ouviu e aprendeu do Pai vem a Mim. <sup>46</sup>Não é que alguém tenha visto o Pai, senão Aquele que vem de Deus; Esse é que viu o Pai. <sup>47</sup>Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que acredita possui a vida eterna! <sup>48</sup>Eu sou o Pão da Vida. <sup>49</sup>Vossos pais, no deserto, comeram o maná, <em>e </em>morreram. <sup>50</sup>Tal é o pão que desce do Céu: quem dele comer não morrerá. <sup>5l</sup>Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Se alguém comer este pão, viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a Minha carne pela vida do mundo.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>44-45.</strong> O ir a Cristo até O encontrar é um dom gratuito que nenhum homem pode conseguir só com as suas próprias forças, embora todos devam estar bem dispostos para O receber. O Magistério da Igreja voltou a recordar esta doutrina no Concilio Vaticano II: «Para prestar esta adesão da fé, são necessários a prévia e concomitante ajuda da graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo, o qual move e converte a Deus o coração, abre os olhos do entendimento, e dá &#8216;a todos a suavidade em aceitar e crer a verdade&#8217;» <em>(Dei Verbum, </em>n. 5).</p>
<p>Jesus ao dizer que «serão todos instruídos por Deus», evoca Is 54,13 e ler 31,33 ss., onde ambos os profetas se referem à futura Aliança que Deus estabelecerá com o Seu povo quando chegar o Messias, com cujo Sangue ficará selada para sempre, e que Deus escreverá nos seus corações (cfr Is 53,10-12; ler 31,31-34).</p>
<p>«Que ouviu e aprendeu do Pai»: Pode traduzir-se também «o que vem do Pai». Refere-se à Revelação de Deus pelos profetas e especialmente por Jesus Cristo.</p>
<p><strong>46.</strong> Nós, os homens, só podemos conhecer a Deus Pai através de Jesus Cristo, porque Ele é o único que O viu e veio para no-Lo revelar. Já tinha dito São João no prólogo: «A Deus ninguém O viu jamais; o Deus Unigênito, O que está no seio do Pai, Ele mesmo O deu a conhecer» (Ioh1,18). Mais tarde dirá Jesus a Filipe na Última Ceia: «Aquele que Me viu a Mim viu o Pai» (Ioh 14,9), porque Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida, e ninguém vai ao Pai senão por Ele (cfr Ioh 14,6).</p>
<p>Com efeito, em Jesus Cristo culmina a Revelação de Deus aos homens: «Pois enviou o Seu Filho, isto é, o Verbo eterno, que ilumina todos os homens, para habitar entre os homens e manifestar-lhes a vida íntima de Deus (cfr Ioh 1,1-18). Jesus Cristo, Verbo feito carne, enviado &#8216;como homem para os homens&#8217;, &#8216;fala, portanto, as palavras de Deus&#8217; (Ioh 3,34) e consuma a obra de salvação que o Pai Lhe mandou realizar (cfr Ioh5,36; 17,4). Por isso, Quem vê a Jesus Cristo vê o Pai (cfr Ioh14,9)» <em>(Dei Verbum, </em>n. 4).</p>
<p><strong>48.</strong> Com esta solene declaração repetida diante das dúvidas dos ouvintes (cfr Ioh 6,35.41.48), Jesus começa a segunda parte do Seu discurso, em que directamente revela o grande mistério da Santíssima Eucaristia. As palavras de Cristo são de um realismo tão forte que excluem qualquer interpretação em sentido figurado: se Cristo não estivesse realmente presente sob as espécies do pão e do vinho, este discurso careceria absolutamente de sentido e de força. Por outro lado, aceite pela fé a presença real de Cristo na Euca­ristia, as Suas palavras são inequívocas e mostram o infinito e íntimo amor de Cristo por nós.</p>
<p>É tão grande este mistério que foi sempre pedra de toque da fé cristã. «Eis o mistério da fé», proclama-se imediatamente depois da Consagração na Santa Missa. Já para certos ouvintes directos de Jesus este discurso foi motivo de escân­dalo (cfr vv. 60-66). Ao longo da história alguns procuraram mitigar o sentido óbvio das palavras do Senhor. O Magis­tério da Igreja voltou nos nossos dias a expor a doutrina sobre este excelso mistério: «Realizada a transubstanciação, as espécies de pão e de vinho adquirem sem dúvida um novo significado e um novo fim, visto que já não são o pão ordinário e a bebida ordinária, mas o sinal de uma coisa sagrada, sinal de um alimento espiritual; mas adquirem um novo significado e um novo fim enquanto contêm uma &#8216;realidade&#8217;, que com razão denominamos <em>antológica; </em>porque debaixo de tais espécies já não existe o que havia antes, mas uma coisa completamente diversa (&#8230;), visto que convertida a substância ou natureza do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo, não fica já nada do pão e do vinho, mas apenas as espécies: debaixo delas Cristo todo inteiro está presente na Sua &#8216;realidade&#8217; física, mesmo corporalmente, ainda que não do mesmo modo como os corpos estão num lugar.</p>
<p>«Por isso os Padres tiveram grande cuidado em advertir os fiéis que ao considerar este augustíssimo Sacramento, confiassem não nos sentidos que se fixam nas propriedades do pão e do vinho, mas nas palavras de Cristo, que têm tal força que mudam, transformam, &#8216;transelementam&#8217; o pão e o vinho no Seu Corpo e no Seu Sangue; porque, como mais de uma vez o afirmam os mesmos Padres, o poder que realiza isto é a própria força de Deus omnipotente que no princípio do tempo criou o universo do nada» <em>(Mysterium fidei).</em></p>
<p>Sobre a Santíssima Eucaristia vejam-se também as notas a Mt 26,26-29; Mc 14,22.24.25 e Lc 22,16-20.</p>
<p><strong>49-51.</strong> O maná do Êxodo era figura deste Pão — o próprio Jesus Cristo — que alimenta os cristãos no seu peregrinar por este mundo. A comunhão é o maravilhoso ban­quete em que Cristo Se nos dá a Si mesmo: «O pão que Eu hei-de dar é a Minha carne pela vida do mundo». Estas palavras são a promessa da instituição da Eucaristia na Última Ceia: «Isto é o Meu Corpo que é entregue por vós» (1Cor 11,22). As expressões «pela vida do mundo», «por vós» aludem ao valor redentor da imolação de Cristo na Cruz. Já em alguns sacrifícios do Antigo Testamento, que eram figura do de Cristo, parte da carne oferecida servia de alimento e significava a participação no rito sagrado (cfr Ex 11,3-4). Assim, quando comungamos, participamos do sacri­fício de Jesus Cristo. Por isso canta a Igreja na Liturgia das Horas na festa do <em>Corpus Chrísti: </em>«Oh banquete sagradoem que Cristo é nossa comida, se celebra o memorial da Paixão, a alma se enche de graça e nos é dado um penhor da futura glória» (Antífona do &#8216;Magnificat&#8217; nas Segundas Vésperas).</p>
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<p><strong>27.04.2012 – Jo 6, 52-59</strong></p>
<p><sup>52</sup>Puseram-se então os Judeus a disputar entre si, dizendo: Como pode Ele dar-nos a carne a comer? <sup>53</sup>Jesus disse-lhes então: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós. <sup>54</sup>Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia. <sup>55</sup>É que a Minha carne é verdadeiramente uma comida, e o Meu sangue é verdadeiramente uma bebida. <sup>56</sup>Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue fica em Mim e Eu nele. <sup>57</sup>Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também o que Me come viverá por Mim, <sup>58</sup>Tal é o pão que desceu do Céu: não é como aquele que os nossos pais comeram, e mor­reram; quem come deste pão viverá eterna­mente.</p>
<p><sup>59</sup>Isto disse Ele, estando a ensinar na sina­goga, em Cafarnaum.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>52.</strong> Os ouvintes compreendem perfeitamente o sentido próprio e directo das palavras do Senhor; mas não creem que tal afirmação possa ser verdade; se as tivessem enten­dido em sentido figurado ou simbólico não lhes teria causado tão grande estranheza nem se teria produzido a discussão. Jesus depois insistirá na Sua afirmação confir­mando o que eles tinham entendido (cfr vv 54-56).</p>
<p><strong>53.</strong>    Jesus reitera com grande força a necessidade de O receber na Eucaristia para participar na vida divina, para que cresça e se desenvolva a vida da graça recebida no Baptismo. Nenhum pai se contenta com dar a existência aos seus filhos, mas proporciona-lhes alimentos e meios para que possam chegar à maturidade. «Recebemos Jesus Cristo na Sagrada Comunhão para que seja alimento das nossas almas, nos aumente a graça e nos dê a vida eterna» <em>(Catecismo da Doutrina Cristã, </em>n.° 289).</p>
<p><strong>54.</strong>    Jesus afirma claramente que o Seu Corpo e o Seu Sangue são penhor da vida eterna e garantia da ressurreição corporal. São Tomás de Aquino dá esta explicação: «O Verbo dá a vida às almas, mas o Verbo feito carne vivifica os corpos. Neste Sacramento não se contém só o Verbo com a Sua divindade mas também com a Sua humanidade; portanto, não é <em>só </em>causa da glorificação das almas, mas também dos corpos» <em>(Comentário sobre S. João, ad loc.).</em></p>
<p>O Senhor emprega uma expressão mais forte que o mero comer (o verbo original poderia traduzir-se por « mastigar»), exprimindo assim o realismo da Comunhão: trata-se de uma verdadeira refeição. Não há lugar, pois, para uma interpre­tação simbólica, como se participar na Eucaristia fosse apenas uma metáfora, e não o comer e beber realmente o Corpo e o Sangue de Cristo.</p>
<p>«Estes convites, estas promessas e estas ameaças nascem todas do grande desejo que tem (Jesus) de Se unir a nós neste Sacramento. Mas, por que deseja tanto Jesus Cristo que vamos recebê-Lo na sagrada Comunhão? Eis a razão: o amor (&#8230;) sempre aspira e tende à união e, como diz São Tomás, &#8216;os amigos que se amam de coração quereriam estar de tal modo unidos que não formassem mais que um só&#8217;. Isto passou com o imenso amor de Deus aos homens, que não esperou para Se dar por completo no Reino dos Céus, mas ainda nesta terra deixou-Se possuir pelos homens com a mais íntima posse que se possa imaginar, ocultando-Se sob as aparências de pão no Santíssimo Sacramento. Ali está como detrás de um muro, e dali nos contempla como através de gelosias (cfr Cant 2,9). Ainda que nós não O vejamos, Ele olha para nós dali, e ali Se encontra realmente presente, para permitir que o possuamos, embora Se oculte para que O desejemos. E até que cheguemos à pátria celeste, Jesus quer deste modo entregar-Se-nos completamente e viver assim unido connosco» <em>(Prática do amor a Jesus Cristo, </em>cap. 2).</p>
<p><strong>55.</strong> Assim como o alimento corporal é necessário para a vida terrena, a sagrada Comunhão é necessária para manter a vida da alma. Por isto a Igreja exortou sempre a receber este Sacramento com frequência: «Diariamente, como é de desejar, os fiéis em grande número participem activamente no Sacrifício da Missa, alimentem-se com coração puro e santo da sagrada Comunhão, e deem graças a Cristo Nosso Senhor por tão grande dom. Recordem estas palavras: &#8216;O desejo de Jesus e da Igreja de que todos os fiéis se aproximem diariamente do sagrado banquete consiste sobre­tudo nisto: que os fiéis, unidos a Deus em virtude do sacra­mento, tirem dele força para dominar a sensualidade, para se purificarem das culpas leves quotidianas e para evitar os pecados graves, a que está sujeita a &#8220;humana fragilidade&#8221; (Decr. da S. Congregação do Concilio de 20-XII-1905)» <em>(Mysterium fidei).</em></p>
<p>«O Salvador instituiu o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, que contém realmente a Sua Carne e o Seu Sangue, para que aquele que comer d&#8217;Ele viva eternamente; por isso, todo aquele que usa devota e frequentemente deste Sacra­mento assegura de tal maneira a salvação da sua alma, que é quase impossível que qualquer sorte de má afeição lhe ocasione a morte. Não se pode estar alimentado por esta carne de vida e viver dos afectos da morte (&#8230;). Os cristãos que se condenarem ficarão sem saber que replicar quando o justo Juiz lhes fizer ver o insensatos que foram morrer espiritualmente, podendo ter conservado com tanta facili­dade a saúde da alma comendo do Corpo que Ele lhes deixou para este fim. Miseráveis, dir-lhes-á, como é que estais mortos, tendo-vos mandado comer o fruto e manjar da vida?» <em>(Introdução à vida devota, </em>p. II, c. 20,1).</p>
<p><strong>56.</strong> O efeito mais importante da Santíssima Eucaristia é a união íntima com Jesus Cristo. O próprio nome de Comunhão indica esta participação unitiva na Vida do Senhor: se em todos os sacramentos, por meio da graça que nos conferem, se consolida a nossa união com Jesus, esta é mais intensa na Eucaristia, visto que não só nos dá a graça, mas o próprio Autor da graça: «Participando realmente do Corpo do Senhor na fracção do pão eucarístico, somos elevados a uma comunhão com Ele e entre nós.&#8217; Porque o pão é um, somos muitos um só corpo, pois todos participamos de um único pão&#8217; (1Cor 10,17)» <em>(Lumen gentium, </em>n. 7). Precisa­mente por ser a Eucaristia o sacramento que melhor significa a nossa união com Cristo, é ao mesmo tempo onde toda a Igreja mostra e leva a cabo a sua unidade: Jesus Cristo «instituiu na Sua Igreja o admirável sacramento da Euca­ristia, pelo qual se significa e se realiza a unidade da Igreja» <em>(Unitatis redintegratio, </em>n. 2).</p>
<p><strong>57.</strong> Em Cristo, o Verbo encarnado e enviado ao mundo «habita toda a plenitude da divindade corporalmente» (Col 2,9) pela inefável união da Sua natureza humana com a é natureza divina na Pessoa do Verbo. Ao recebermos neste sacramento a Carne e o Sangue de Cristo indissoluvelmente unidos à Sua divindade, participamos na própria vida divina da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Nunca apreciaremos suficientemente a intimidade e a proximidade com o próprio Deus — Pai, Filho e Espírito Santo —, que Se nos oferece no banquete eucarístico.</p>
<p>«Sendo isto assim, devíamos confessar que a alma não pode fazer nem pensar coisa mais agradável a Jesus Cristo do que hospedar no seu coração, com as devidas disposições, hóspede de tanta majestade, porque desta maneira se une a Jesus Cristo, que tal é o desejo de tão enamorado Senhor. Disse que se deve receber a Jesus <em>não com as disposições dignas, </em>mas <em>com as devidas, </em>porque, se fosse necessário ser digno deste sacramento, quem jamais poderia comungar? Só um Deus poderia ser digno de receber um Deus. Digo <em>dignas </em>no sentido em que convém à mísera criatura vestida da pobre carne de Adão. Ordinariamente falando, basta que a alma se encontre em graça de Deus e com vivo desejo de aumentar nela o amor a Jesus Cristo» <em>(Prática do amor a Jesus Cristo, </em>cap. 2).</p>
<p><strong>58.</strong> Pela terceira vez (cfr 6,31-32 e 6,49) Jesus compara o verdadeiro pão da vida, o Seu próprio Corpo, com o maná, com que Deus tinha alimentado os Hebreus diariamente durante quarenta anos no deserto. Assim, faz um convite a alimentar frequentemente a nossa alma com o manjar do Seu Corpo.</p>
<p>«Quantos anos a comungar diariamente! — Outro seria santo — disseste-me — e eu, sempre na mesma! «— Filho — respondi-te — continua com a Comunhão diária, e pensa: que seria de mim, se não tivesse comun­gado?» <em>(Caminho, </em>n.° 534).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>28.04.2012 – Jo 6, 60-69</strong></p>
<p><sup>60</sup>Muitos dos discípulos disseram, depois de O ouvirem: É dura esta linguagem; quem pode escutá-la? <sup>61</sup>Conhecendo Jesus interior­mente que os discípulos murmuravam do assunto, perguntou-lhes: Isto fere-vos? <sup>62</sup>E se virdes o Filho do homem a subir para onde estava anteriormente? <sup>63</sup>O espírito que dá vida, a carne não serve de nada. As palavras que Eu vos disse são espírito e vida. <sup>64</sup>Mas há alguns dentre vós que não acre­ditam. De facto, Jesus bem sabia desde o início quem eram os que não acreditavam e quem era aquele que O havia de entregar. <sup>65</sup>E foi acrescentando: Por isso é que vos disse: «Ninguém pode vir a Mim, se isso lhe não está concedido pelo Pai». <sup>66</sup>A partir de então, muitos dos discípulos se retiraram e já não andavam com Ele.</p>
<p><sup>67</sup>Disse então Jesus aos doze: Também vós quereis partir? <sup>68</sup>Respondeu-Lhe Simão Pe­dro: Para quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna! <sup>69</sup>E nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus!</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>60-62.</strong> O mistério eucarístico aparece incompreensível para muitos dos ouvintes. Jesus Cristo exige dos Seus discípulos que aceitem as Suas palavras por ser Ele quem as diz. Nisto consiste o acto sobrenatural da fé: «em que, com inspiração e ajuda da graça de Deus, cremos ser verdadeiro o que por Ele foi revelado, não pela verdade intrínseca das coisas percebidas pela luz natural da razão, mas pela autori­dade do próprio Deus que revela, o qual não pode nem enganar-Se nem enganar-nos» <em>(Dei Filius, </em>cap. 3).</p>
<p>Como noutras ocasiões, Jesus Cristo fala de aconteci­mentos futuros, preparando assim a fé dos Seus discípulos: «Disse-vo-lo agora, antes que suceda, para que quando acontecer creiais» (Ioh14,29).</p>
<p><strong>63. </strong>Jesus diz que não podemos aceitar este mistério pensando de modo carnal, isto <em>é </em>atendendo exclusivamente ao que apreciam os nossos sentidos ou partindo de uma visão das coisas meramente natural. Só quem escuta as Suas Palavras e as recebe como revelação de Deus, que é «espírito e vida», está disposto a aceitá-las.</p>
<p><strong>66.</strong> A promessa da Eucaristia, que tinha provocado naqueles ouvintes de Cafarnaum discussões (v. 52) e escân­dalo (v. 61), acaba por produzir o abandono de muitos que O tinham seguido. Jesus tinha exposto uma verdade maravilhosa e salvífica, mas aqueles discípulos fechavam-se à graça divina, não estavam dispostos a aceitar algo que supe­rava a sua mentalidade estreita. O mistério da Eucaristia exige um especial acto de fé. Por isso, já São João Crisóstomo aconselhava: «Inclinemo-nos diante de Deus; não O contra­digamos, mesmo quando o que Ele diz possa parecer con­trário à nossa <em>razão e </em>à nossa inteligência (&#8230;). Observemos esta mesma conduta relativamente ao mistério (eucarístico), não considerando somente o que cai debaixo dos sentidos, mas atendendo às Suas palavras. Porque a Sua palavra não pode enganar» <em>(Hom. sobre S. Mateus, </em>82).</p>
<p><strong>67-71.</strong> Este passo é parecido ao da confissão de Pedro em Cesareia de Filipe (cfr Mt 16,13-20; Mc 8,27-30), onde também o Príncipe dos Apóstolos se adianta em nome dos Doze a expressar a sua féem que Jesus é o Messias. Perante a incredulidade de outros ouvintes, os Apóstolos não se escan­dalizam do que o Senhor disse, mas mostram ter já uma confiança muito arraigada no Mestre, a quem não querem abandonar. As palavras de Simão Pedro (v. 68) não só são uma adesão humana, mas uma verdadeira fé sobrenatural, embora ainda imperfeita, fruto de uma moção interna da graça divina (cfr Mt 16,17).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>29.04.2012 – Jo 10, 11-18</strong></p>
<p><sup>11</sup>Eu sou o bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. <sup>12</sup>O que é mercenário e não é pastor, ao qual não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge, enquanto o lobo as arrebata e dispersa, <sup>13</sup>porque é mercenário e não se importa com as ovelhas. <sup>14</sup>Eu sou o bom Pastor: conheço as que são Minhas e elas conhecem-Me, <sup>15</sup>assim como o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai; e Eu dou a vida pelas Minhas ovelhas. <sup>16</sup>Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste aprisco. A essas, também, tenho Eu de conduzir, e elas hão-de ouvir a Minha voz. Então passará a haver um só rebanho, um só Pastor. <sup>17</sup>É por isto que Meu Pai Me ama: por Eu dar a Minha vida, para retomá-la. <sup>18</sup>Nin­guém Ma tira; sou Eu que a dou por Mim mesmo. Tenho o poder de a dar e o poder de a retomar; foi esta a ordem que recebi de Meu Pai.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>11-15. </strong>«O Bom Pastor dá a vida pelas ovelhas»: «Fala aqui Jesus <sup>;</sup>— .comenta São João Crisóstomo — da Sua Paixão, e mostra que ia acontecer para salvação do mundo, e que a sofreria voluntária e livremente» <em>(Hom. sobre S. João, </em>59,3). Antes o Senhor falou de pastos abundantes, agora de dar a Sua própria vida: «Fez o que tinha dito — comenta São Gregório —, deu a Sua vida pelas Suas ovelhas, e entregou o Seu Corpo e Sangue no Sacramento para alimen­tar com a Sua carne as ovelhas que tinha redimido» <em>(In Evangelia homiliae, 14, ad </em><em>loc</em>.). Os assalariados, pelo con­trário, fogem diante do perigo, e deixam que o rebanho se perca. «Quem é o mercenário? O que vê vir o lobo e foge. O que busca a sua glória, não a glória de Cristo; o que não se atreve a reprovar com liberdade de espírito os pecadores (&#8230;) porque te calaste; e calaste-te, porque tiveste medo» <em>(In Ioann. Evang., </em>46,8).</p>
<p>«Recordem-se estes de que o seu ministério sacerdotal (&#8230;) está — de modo particular — ordenado para a grande solicitude do Bom Pastor, que é a solicitude pela salvação de todos os homens. E todos devemos recordar bem isto: que não é lícito a nenhum de nós merecer-se o nome de &#8216;merce­nário&#8217;, ou seja, de alguém &#8216;a quem as ovelhas não perten­cem&#8217;, de alguém que &#8216;ao ver chegar o lobo, abandona as ovelhas e foge; e assim o lobo as arrebata e dispersa; porque é mercenário, não se preocupa em nada com as ovelhas&#8217;. A solicitude de todo o bom Pastor é por que os homens &#8216;tenham a vida, e a tenham em abundância&#8217;, a fim de que nenhum deles se perca, mas tenham a vida eterna. Façamos com que uma tal solicitude penetre profundamente nas nossas almas: procuremos vivê-la. Que ela caracterize a nossa personalidade e esteja sempre na base da nossa identidade sacerdotal» <em>(Carta a todos os sacerdotes, </em>n.° 7)</p>
<p>O Bom Pastor conhece cada uma das suas ovelhas, cha­ma-as pelo seu nome. Nesta comovente figura entrevê-se uma exortação aos futuros pastores da Igreja, como mais tarde explicará São Pedro: «Que apascenteis a grei de Deus posta ao vosso cuidado, velando sobre ela com afectuosa vontade, segundo Deus-, não por sórdido interesse, mas gratuitamente» (1Pet 5,2).</p>
<p>«A santidade da Esposa de Cristo sempre se provou — e continua a provar-se actualmente — pela abundância de bons pastores. Mas a fé cristã, que nos ensina a ser simples, não nos leva a ser ingênuos. Há mercenários que se calam e há mercenários que pregam uma doutrina que não é de Cristo. Por isso, se porventura o Senhor permite que fique­mos às escuras, inclusivamente em coisas de pormenor, se sentimos falta de firmeza na fé, recorramos ao bom pastor, àquele que entra pela porta com toda a legitimidade, àquele que — dando a vida pelos outros — quer ser, na palavra e na conduta, uma alma movida pelo amor; àquele que talvez seja também um pecador, mas que confia sempre no perdão e na misericórdia de Cristo» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 34).</p>
<p><strong>16.</strong> «Um só rebanho, um só pastor»: A missão de Cristo é universal ainda que a Sua pregação se dirigisse de facto, numa primeira etapa, às ovelhas da casa de Israel, como Ele mesmo manifestou à mulher cananeia (cfr Mt 15,24), e enviasse os Apóstolos, na sua primeira missão (cfr Mt 1(X6), a pregar aos israelitas. Agora, porém, pensando nos frutos da Sua morte redentora (v. 15), revela que estes se aplicarão a «outras ovelhas que não são deste aprisco», isto é, de Israel. Na verdade, os Apóstolos, depois da Ressurreição, serão enviados por Cristo a todas as gentes (cfr Mt 28,19) para pregar o Evangelho a todas as criaturas (cfr Mc 16,15), começando por Jerusalém e continuando pela Judeia, Samaria e até aos confins da terra (cfr Act 1,8). Deste modo se cumprirão as antigas promessas sobre o reinado universal do Messias (cfr Ps 2,7; Is 2,2-6; 66,17-19). A universalidade da salvação faz exclamar a São Paulo: «Recordai como noutro tempo vós&#8230; estáveis longe de Cristo, excluídos da cidadania de Israel e estranhos às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo. Mas agora,em Cristo Jesus, vós, os que noutro tempo estáveis longe, tornastes-vos próximos pelo sangue de Cristo» (Eph 2,11-13; cfr Gal 3,27-28; Rom 3,22).</p>
<p>A unidade da Igreja dá-se sob uma só cabeça visível porque «o Senhor confiou todos os bens da nova Aliança — ensina o Concilio Vaticano II — ao único colégio apostólico, a cuja cabeça está Pedro, com o fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo. É necessário que a ele se incorporem plenamente todos os que de alguma forma pertencem ao Povo de Deus» <em>(Unitatis redintegratio, </em>n. 3). O desejo cons­tante dos católicos é que todos os homens cheguem à verdadeira Igreja, que sendo «a única grei de Deus, como um sinal levantado entre as nações, peregrina cheia de esperança para a pátria celestial oferecendo o Evangelho da paz a todo o gênero humano» <em>(Ibid., </em>n. 2).</p>
<p><strong>17-18.</strong> Jesus explica agora a vontade livre com que Se entrega à morte para bem do Seu rebanho (cfr Ioh 6,51). Cristo, por ter recebido pleno poder, tem liberdade para Se oferecer em sacrifício expiatório, e submete-Se voluntariamente ao mandato do Pai num acto de perfeita obe­diência.</p>
<p>«Nunca poderemos entender perfeitamente a liberdade de Jesus Cristo, imensa, infinita, como o Seu amor. Mas o tesouro preciosíssimo do Seu generoso holocausto deve le­var-nos a pensar: porque me deste, Senhor, este privilégio com que sou capaz de seguir os Teus passos, mas também de Te ofender? E assim acabamos por avaliar o recto uso da liberdade, quando se decide em função do bem; e a sua errada orientação, quando, com essa faculdade, o homem se esquece e se afasta do Amor dos amores» <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 26).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>30.04.2012 – Jo 10, 1-10</strong></p>
<p>Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra pela porta no recinto das ovelhas, mas sobe por outro lado, esse é ladrão <em>e </em>salteador. <sup>2</sup>Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. <sup>3</sup>É a esse que o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as suas ovelhas pelos nomes e leva-as para fora. <sup>4</sup>Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, põe-se a caminho à sua frente e as ovelhas seguem-no, porque lhe conhecem a voz. <sup>5</sup>A um estranho, porém, não o seguirão, mas hão-de fugir dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.</p>
<p><sup>6</sup>Tal foi o paralelo que Jesus lhes expôs. Eles, porém, não entenderam o que lhes estava a dizer.</p>
<p><sup>7</sup>Jesus continuou: Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. <sup>8</sup>Todos quantos vieram antes de Mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os escutaram. <sup>9</sup> Eu sou a porta. Se alguém entrar por Mim, estará salvo; há-de entrar e sair, e achará pastagem. <sup>10</sup>O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para terem a vida e a terem abundantemente.</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-18. A imagem do Bom Pastor evoca um tema preferido da pregação profética no Antigo Testamento: o povo escolhido é chamado o rebanho, e Yahwéh é seu pastor (cfr Ps 23). O nome de pastores aplicava-se também aos reis e aos sacerdotes. Jeremias dirige uma dura ameaça a estes pastores que deixam que se percam as ovelhas, e promete em nome de Deus novos pastores que de verdade apascentem as ovelhas de modo que nunca mais sejam angustiadas nem afligidas (cfr 23,1-6; cfr também 2,8; 3,15; 10,21; Is 40,1-11). Ezequiel censura os pastores pelos seus delitos <em>e </em>pela sua preguiça, pela avidez e pelo esquecimento dos seus próprios deveres: Yahwéh tirar-lhes-á o rebanho e Ele mesmo cuidará das Suas ovelhas. Mais ainda: suscitará um Pastor único, descendente de David, que as apascentará, e estarão seguras (Ez 34). Jesus apresenta-Se como esse Bom Pastor que cuida das Suas ovelhas, busca a extraviada, cura a ferida e carrega aos ombros a extenuada (cfr Mt 18,12-14; Lc 15,4-7), cumprindo-se n&#8217;Ele as antigas profecias.</strong></p>
<p>A arte cristã inspirou-se cedo nesta figura comovente do Bom Pastor e deixou assim representado o amor de Cristo por cada um de nós.</p>
<p>Além do título de Bom Pastor, Cristo aplica-Se a Si mesmo a imagem da porta pela qual se entra no aprisco das ovelhas que é a Igreja. «A Igreja — ensina o Concilio Vati­cano II — é o redil, cuja única porta e necessário pastor é Cristo (cfr Ioh 10,1-10). É também o rebanho do qual o próprio Deus predisse que seria o pastor (cfr Is 40,11; Ez 34,11-15), e cujas ovelhas, ainda que governadas por pastores humanos, são contudo guiadas e alimentadas sem cessar pelo próprio Cristo, bom pastor e príncipe dos pastores (cfr Ioh 10,11; l Pet 5,4), o qual deu a vida pelas Suas ovelhas (cfr Ioh 10,11-15)» <em>(Lumen gentium, </em>n. 6).</p>
<p><strong>1-2.</strong> Pode prejudicar-se o rebanho caladamente e às escondidas, ou então de forma descarada e com abuso de poder. Os inimigos do rebanho de Cristo — assim o atesta a História da Igreja — empregaram ambos os sistemas: umas vezes introduzem-se no redil ocultando-se para fazer mal a partir de dentro; outras fazem-no de fora, aberta e violentamente. «Quem é o bom pastor? <em>O que entra pela porta </em>da fidelidade à doutrina da Igreja; o que não se comporta como um mercenário, que, ao <em>ver vir o lobo, deixa as ovelhas e foge; e o lobo arrebata-as e faz dispersar o rebanho» (Cristo que passa, </em>n.° 34).</p>
<p><strong>3-5.</strong> Naqueles tempos era costume reunir ao escurecer vários rebanhos num mesmo recinto. Ali permaneciam toda a noite sob a custódia de um guarda. Ao amanhecer, cada pastor abria-lhe a porta e chamava as suas ovelhas, que se incorporavam e saiam do aprisco atrás dele; fazia-lhes ouvir frequentemente a sua voz para que não se perdessem, e caminhava à frente para as conduzir aos pastos. O Senhor faz uso desta imagem, tão familiar aos Seus ouvintes, para lhes mostrar um ensinamento divino: diante de vozes estranhas, é necessário reconhecer a voz de Cristo — actualizada continuamente pelo Magistério da Igreja — e segui-Lo, para encontrar o alimento abundante das nossas almas. «Cristo deu à Sua Igreja a segurança da doutrina, a corrente de graça dos Sacramentos; e providenciou para que haja pessoas que nos orientem, que nos conduzam, que nos recordem constantemente o caminho. Dispomos de um tesouro infinito de ciência: a Palavra de Deus, guardada pela Igreja; a graça de Cristo, que se administra nos Sacramentos; o testemunho e o exemplo dos que vivem com rectidão ao nosso lado e sabem fazer das suas vidas um caminho de fidelidade a Deus» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 34).</p>
<p><strong>6.</strong> Cristo, com pedagogia divina, desenvolve e inter­preta a imagem do pastor e do rebanho, para que todos os homens, se têm boas disposições, possam chegar a entender. Mas os judeus não entenderam o alcance das palavras do Senhor, como aconteceu quando lhes prometeu a Eucaristia (Ioh 6,41-43) ou lhes falou da «água viva» (Ioh 7,40-43), ou por ocasião da ressurreição de <em>Lázaro </em>(Ioh 11,45-46).</p>
<p><strong>7.</strong> Depois de ter prefigurado a Igreja como um redil, Jesus desenvolve a comparação e chama-Se a Si mesmo «porta das ovelhas». No redil entram os pastores e as ovelhas. Tanto uns como outras hão-de entrar pela porta, que é Cristo. «Eu — pregava Santo Agostinho — querendo chegar até vós, isto é, ao vosso coração, prego-vos Cristo: se pregasse outra coisa, quereria entrar por outro lado. Cristo é para mim a porta para entrar em vós: por Cristo entro não nas vossas, casas, mas nos vossos corações. Por Cristo entro gozosamente e escutais-me ao falar d&#8217;Ele. Por quê? Porque sois ovelhas de Cristo e fostes compradas com o Seu Sangue» <em>(In Ioann. Evang., </em>47,2.3).</p>
<p><strong>8.</strong> A severa censura que Jesus faz a quantos vieram antes d&#8217;Ele não inclui Moisés, nem os profetas (cfr Ioh 5,39. .45; 8,56; 12,41), nem o Baptista (cfr Ioh 5,33), porque estes anunciaram o futuro Messias e prepararam-Lhe o caminho. A quem alude <em>é </em>aos falsos profetas e enganadores do povo, entre eles alguns doutores da Lei, cegos e guias de cegos (cfr Mt 23,16-24), que impediam ao povo o acesso a Cristo, como o tinham mostrado pouco antes quando da cura do cego de nascença (cfr Ioh 9).</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
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		<title>Evangelho do dia: mês de março de 2012</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Feb 2012 22:25:32 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Evangelho do dia: mês de março de 2012 Mês de março de 2012 01.03.2012 – Mt 7, 7-12. 7Pedi e dar-se-vos-á, buscai e encontrareis, batei e abrir-se-vos-á. 8Porque, todo o da oração que pede recebe, e o que busca encontra &#8230; <a href="http://www.opusalegria.com.br/evangelho-do-dia/evangelho-do-dia-mes-de-marco-de-2012/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">
<header>
<h1><strong>Evangelho do dia: mês de março de 2012</strong></h1>
<p>Mês de março de 2012</p>
</header>
<p><strong>01.03.2012 – Mt 7, 7-12.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>7</sup>Pedi e dar-se-vos-á, buscai e encontrareis, batei e abrir-se-vos-á. <sup>8</sup>Porque, todo o da oração que pede recebe, e o que busca encontra e ao que bate, abrir-se-á.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>9</sup>Haverá entre vós alguém que dê uma pedra ao filho, se ele lhe pedir pão? <sup>10</sup>E lhe dê uma serpente, se ele lhe pedir peixe? <sup>11</sup>Se, pois, vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos Céus dará coisas boas aos que Lhe pedirem?</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>12</sup>Tudo aquilo, pois, que quereis que os outros vos façam a vós, fazei-o também vós a eles, porque esta é a Lei e os Profetas.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>7-11.</strong> O Mestre ensina de diversas maneiras a eficácia da oração. A oração é uma elevação da mente para Deus para O adorar, dar-Lhe graças e pedir-Lhe o que necessitamos (cfr <em>Catecismo Maior, </em>n.° 255). Jesus insiste na oração de petição, que é o primeiro movimento espontâneo da alma que reconhece Deus como seu Criador e Pai. Como criatura de Deus e como Seu filho, o homem necessita pedir-Lhe humildemente todas as coisas.</p>
<p>Ao falar da eficácia da oração, Jesus não faz restrições: «Todo o que pede, recebe», porque Deus é nosso Pai. E São Jerônimo comenta: «Está escrito: a todo o que pede se dá; logo, se a ti não se te dá, não se te dá porque não pedes; portanto, pede e receberás» <em>(Comm. in Matth., </em>7). Não obstante, apesar de a oração ser de si infalível, por vezes não obtemos o que queríamos. Santo Agostinho diz que a nossa oração não é escutada porque pedimos «<em>aut mali, aut male, aut mala</em>». «Mali»: porque somos maus, porque as nossas disposições pessoais não são boas; «male»: porque pedimos mal, sem fé, sem perseverança, sem humildade; «mala»: porque pedimos coisas más, quer dizer, o que não nos convém, o que pode causar-nos dano (cfr <em>De civitate Dei, </em>XX, 22 e 27; <em>De Senti. Dom. in monte, H, 27,73). </em>Em última análise, a oração não é eficaz quando não é verdadeira oração. Portanto: «Faz oração. Em que negócio humano te podem dar mais garantias de êxito?» <em>(Caminho, </em>n.° 96).</p>
<p><strong>12.</strong> A sentença de Jesus, chamada «regra de ouro», oferece um critério prático para reconhecer o alcance das nossas obrigações e da nossa caridade para com os outros. Mas uma consideração superficial correria o risco de mudá-lo num móbil egoísta do nosso comportamento: não se trata, evidentemente, de um <em>do ut des </em>(«dou-te para que me dês»), lhas de fazer o bem aos outros sem pôr condições, como em boa lógica as não pomos no amor a nós mesmos. Esta regra prática ficará completada com o «mandamento novo» de Jesus Cristo (Ioh 13, 34), onde nos ensina a amar os outros como Ele mesmo nos amou.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>02.03.2012 – Mt 5, 20-26.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>20</sup>Porque Eu vos digo que, se a vossa justiça não sobrepujar a dos Escribas e Fariseus, não entra reis no Reino dos Céus.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>21</sup>Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás, <em>e </em>quem matar será réu perante o tribunal. <sup>22</sup>Eu, porém, digo-vos: Todo aquele que se irar contra seu irmão, será réu perante o tribunal. E quem chamar a seu irmão «imbecil», será réu perante o Sinédrio. E quem lhe chamar «doido», será réu da Geena do fogo. <sup>23</sup>Portanto, se ao apresentares a tua oferenda ao altar, aí te recordares que teu irmão tem algo contra ti, <sup>24</sup>deixa aí a tua oferenda diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, depois vem e apresenta a tua oferenda. <sup>25</sup>Põe-te de acordo com o teu adversário, enquanto estás com ele no caminho. Não seja caso que o adver­sário te entregue ao juiz, e o juiz ao guarda, e sejas metido na prisão. <sup>26</sup>Em verdade te digo: não sairás de lá, enquanto não pagares o último ceitil.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>20.</strong> «Justiça»: Veja-se nota a Mt 5, 6. O versículo vem esclarecer o sentido dos precedentes. Os escribas e os fariseus tinham chegado a deformar o espírito da Lei, ficando na observância externa e ritual da mesma. Entre eles o cumpri­mento exacto e minucioso, mas externo, dos preceitos tinha-se transformado numa garantia de salvação do homem diante de Deus: «se eu cumpro isto sou justo, sou santo e Deus tem de me salvar». Com este modo de conceber a justificação já não é Deus no fundo quem salva, mas é o homem quem se salva pelas obras externas. A falsidade de tal concepção fica patente com a afirmação de Cristo, que poderia exprimir-se com estes termos: para entrar no Reino dos Céus é necessário superar radicalmente a concepção da justiça ou santidade a que tinham chegado os escribas e os fariseus. Por outras palavras, a justificação ou santificação é uma graça de Deus, com a qual o homem só pode colaborar secundariamente pela sua fidelidade a essa graça. Noutros lugares estes ensinamentos ficarão ainda mais claramente explicados por Jesus (cfr Lc 18, 9-14, parábola do fariseu e do publicano). Também dará lugar a Uma das grandes batalhas doutrinais de São Paulo perante os «judaizantes» (veja-se Gal 3 e Rom 2-5).</p>
<p><strong>21-26. </strong>Nestes versículos temos um exemplo concreto de como Jesus leva à sua plenitude a Lei de Moisés, explicando profundamente o sentido dos mandamentos desta.</p>
<p><strong>22. </strong>Jesus ao falar em primeira pessoa («Eu, porém, digo-vos») expressa que a Sua autoridade está por cima da de Moisés e dos Profetas; quer dizer: Ele tem autoridade divina. Nenhum homem poderia falar com essa autoridade.</p>
<p>«Imbecil»: Muitíssimas versões deste passo mantiveram a transcrição da palavra original aramaica: «Raça», pronunciada por Cristo. Não é fácil de dar uma tradução exacta. O termo «raça» equivale ao que hoje entendemos por néscio, estúpido, imbecil. Era sinal entre os Judeus de um grande desprezo, que muitas vezes se manifestava não com palavras, mas com a acção de cuspir no chão.</p>
<p>«Doido», que outras versões traduzem por «fátuo», «louco», «renegado», etc., era um insulto ainda maior que «raça»: referia-se à perda do sentido moral e religioso, até ao ponto da apostasia.</p>
<p>Nosso Senhor indica neste texto três faltas que podemos cometer contra a caridade, nas quais se pode apreciar uma gradação, que vai desde a irritação interna até ao maior dos insultos. A propósito deste passo comenta Santo Agostinho que se devem observar três graus de faltas e de castigos. O primeiro, entrar em cólera por um movimento interno do coração, ao que corresponde o castigo do <em>juízo; </em>o segundo, dizer alguma palavra de desprezo, que leva consigo o castigo do <em>Conselho; o </em>terceiro, quando deixando-nos levar pela ira até à obcecação, injuriamos despiedadamente os nossos irmãos, que é castigado com <em>o fogo do inferno </em>(cfr <em>De Semi. Dom. in monte </em>II, 9).</p>
<p>«Geena do fogo», frase que na linguagem judaica daqueles tempos significava o castigo eterno, o fogo do inferno.</p>
<p>Daqui a gravidade dos pecados externos contra a caridade: murmuração, injúria, calúnia, etc. Não obstante, devemos dar-nos conta de que estes brotam do coração; o Senhor chama a atenção em primeiro lugar para os pecados internos: rancor, ódio, etc., para fazer ver que aí está a raiz, e quanto nos convém refrear os primeiros movimentos da ira.</p>
<p><strong>23-24. </strong>O Senhor encontra-Se com umas práticas judaicas do Seu tempo, e em tal ocasião dará uma doutrina de valor moral altíssimo e perene. Naturalmente que no cristianismo estamos noutra situação diferente das práticas cultuais judaicas. Para nós o mandato do Senhor tem uns caminhos determinados por Ele mesmo. Em concreto, na Nova e definitiva Aliança, fundada por Cristo, reconciliar-nos é apro­ximar-nos do sacramento da Penitência. Neste os fiéis «obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa feita a Ele, e ao mesmo tempo reconciliam-se com a Igreja, à qual feriram pelo pecado» <em>(Lumen gentium, </em>n. 11).</p>
<p>Do mesmo modo, no Novo Testamento, a oferenda por excelência é a Eucaristia. Ainda que à Santa Missa se deva assistir sempre nos dias de preceito, é sabido que para a recepção da Sagrada Comunhão se requer como condição imprescindível estar em graça de Deus.</p>
<p>Nosso Senhor não quer dizer nestes versículos que se tenha de antepor o amor do próximo ao amor de Deus. A caridade tem uma ordem: amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. Este é <em>o maior e primeiro mandamento </em>(cfr Mt 22, 37-38). O amor ao próximo, que é o segundo mandamento em importância (cfr Mt 22, 39), recebe o seu sentido do primeiro. Não é concebível fraternidade sem paternidade. A ofensa contra a caridade é, antes de mais, ofensa a Deus.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>03.03.2012 – Mt 5, 43-48.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>43</sup>Ouvistes que foi dito: Ama o teu próximo e odeia o teu inimigo. <sup>44</sup>Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; <sup>45</sup>para serdes filhos de vosso Pai que está nos Céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e chover sobre justos e injustos. <sup>46</sup>Porque, se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Porventura não fazem o mesmo também os publicanos? <sup>47</sup>E se saudais só os vossos irmãos, que fazeis nisso de extraordinário? Porventura não fazem o mesmo também os gentios? <sup>48</sup>Sede, pois, vós perfeitos como é perfeito vosso Pai celeste.</span><strong></strong></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>43.</strong> A primeira parte do versículo «ama o teu próxi­mo», está em Levítico 19,18. A segunda parte «odeia o teu inimigo», não vem na Lei de Moisés. As palavras de Jesus, contudo, aludem a uma interpretação generalizada entre os rabinos da Sua época, os quais entendiam por próximo só os Israelitas. O Senhor corrige esta falsa interpretação da Lei, entendendo por próximo todo o homem (cfr a parábola do bom samaritano em Lc 10, 25-37).</p>
<p><strong>43-47</strong>. O passo recapitula os ensinamentos anteriores. O Senhor chega a estabelecer que o cristão não tem inimigos pessoais. O seu único inimigo é o mal em si, o pecado, mas não o pecador. Esta doutrina foi levada à prática pelo próprio Jesus Cristo com os que O crucificaram, e é a que segue todos os dias com os pecadores que se rebelam contra Ele e O desprezam. Por isso os santos seguiram o exemplo do Senhor, como o primeiro mártir Santo Estevão, que orava pelos que lhe estavam a dar a morte. Chegou-se ao cume da perfeição cristã: amar e rezar até pelos que nos persigam e caluniem.</p>
<p>Este é o distintivo dos filhos de Deus.</p>
<p><strong>46.</strong> «Publicanos»: Eram os cobradores de impostos. O Império Romano não tinha funcionários próprios para este serviço, mas entregava-o a determinadas pessoas do país respectivo. Estas podiam ter empregados subalternos (daí que por vezes se fale de «chefe de publicanos», como é o caso dê Zaqueu; cfr Lc 19, 2). A quantidade genérica do imposto para cada região era determinada pela autoridade romana. Os publicanos cobravam uma sobretaxa, da qual viviam, e que se prestava a arbitrariedade; por isso normalmente eram Odiados pelo povo. Além disso, no caso dos Judeus, agregava-se a nota infamante de espoliar o povo eleito em favor dos gentios.</p>
<p><strong>48.</strong> O versículo 48 resume, de algum modo, todos os ensinamentos do capítulo, incluídas as Bem-aventuranças. Em sentido estrito é impossível que a criatura tenha a perfeição de Deus. Portanto, o Senhor quer dizer aqui que a perfeição divina deve ser o modelo para o qual há-de tender o fiel cristão, sabendo que há uma distância infinita em relação ao seu Criador. Isto, porém, não rebaixa nada a força deste mandamento, mas, pelo contrário, ilumina-o. Juntamente com a exigência deste mandato de Jesus Cristo, há que considerar a magnitude da graça que promete, para que sejamos capazes de tender, nada menos, que à perfeição divina. De qualquer modo a perfeição que havemos de imitar não se refere ao poder e à sabedoria de Deus, que superam por completo as nossas possibilidades, mas nesta passagem, pelo contexto, parece referir-se sobretudo ao amor e à miseri­córdia. Neste sentido São Lucas refere-nos as seguintes palavras do Senhor: «Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36; cfr nota a Lc 6, 20-49,).</p>
<p>Como se vê, a «chamada universal à santidade» não é uma sugestão, mas um mandamento de Jesus Cristo:</p>
<p>«Tens obrigação de te santificar. — Tu, também. — Quem pensa que é tarefa exclusiva de sacerdotes e religiosos?</p>
<p>A todos, sem excepção, disse o Senhor: ‘Sede perfeitos, como Meu Pai Celestial é perfeito&#8217;» <em>(Caminho, </em>n.° 291). Doutrina que o Concilio Vaticano II sanciona no cap. 5 da Const. <em>Lumen gentium, </em>n. 40, donde tiramos estas palavras: «Jesus, mestre e modelo divino de toda a perfeição, pregou a santidade de vida, de que Ele é autor e consumador, a todos e a cada um dos Seus discípulos, de qualquer condição: &#8216;sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito&#8217; (&#8230;). É, pois, claro a todos, que os cristãos de qualquer estado ou condição de Vida, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Na própria sociedade terrena, esta santidade promove um modo de vida mais humano».</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>04.03.2012 – Mc 9, 2-10.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>2</sup>Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João e levou-os só a eles à parte a um monte alto e transfigurou-Se diante deles. <sup>3</sup>Os vestidos tornaram-se resplan­decentes e alvíssimos, tanto que nenhuma lavadeira sobre a Terra os poderia assim branquear. <sup>4</sup>E apareceu-lhes Elias com Moisés, que estavam a conversar com Jesus. <sup>5</sup>Tomando Pedro a palavra, disse a Jesus: Rabi, bom é estarmos aqui. Façamos três guaridas, uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias; <sup>6</sup>pois não sabia o que havia de dizer, visto estarem tomados de medo. <sup>7</sup>Formou-se então uma nuvem que os envolveu, e da nuvem saiu uma voz: Este é o Meu Filho amado. Ouvi-O. <sup>8</sup>E, de repente, olhando à volta de si, não viram a mais ninguém, senão só a Jesus com eles.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>9</sup>Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois de o Filho do homem ter ressuscitado dos mortos. <sup>10</sup>Eles guardaram o facto para si, mas perguntavam-se que seria aquilo de: «ressuscitar dos mortos».</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>2-10. </strong>Contemplamos admirados esta manifestação da glória do Filho de Deus a três dos Seus discípulos. Desde a Encarnação, a Divindade de Nosso Senhor estava habitual­mente oculta por detrás da Humanidade. Mas Cristo quis manifestar precisamente a estes três discípulos predilectos, que iam ser colunas da Igreja, o esplendor da Sua glória divina com o fim de que se animassem a seguir o caminho difícil e áspero que lhes restava para percorrer, fixando o olhar na meta gozosa que os esperava no fim. Por esta <em>razão, </em>como comenta São Tomás (cfr <em>Suma Teológica, </em>III, q. 45, <em>&amp;. </em>1), foi conveniente que Cristo tenha manifestado a clareza da sua glória. As circunstâncias da Transfiguração imediata­mente depois do primeiro anúncio da Sua Paixão, e das palavras proféticas de que os Seus seguidores também teriam de tomar a Sua Cruz, fazem-nos compreender que «precisamos de passar por meio de muitas tribulações para entrar no Reino de Deus» (Act 14,22).</p>
<p>Em que consistiu a Transfiguração do Senhor? Para poder compreender de algum modo este facto miraculoso da vida de Cristo deve ter-se em conta que o Senhor, para nos redimir com a Sua Paixão e Morte, renunciou volunta­riamente à glória divina e encarnou com carne passível, não gloriosa, fazendo-se semelhante em tudo a nós menos no pecado (cfr Heb 4,15). Neste momento da Transfiguração, Jesus Cristo quer que a glória que Lhe correspondia por ser Deus, e que a Sua alma tinha desde o momento da Encarnação, apareça miraculosamente no Seu corpo. «Aprendamos desta atitude de Jesus: durante a Sua vida na Terra, não quis sequer a glória que Lhe pertencia, pois, tendo direito a ser tratado como Deus, assumiu a forma de servo, de escravo (cfr Phil II. 6)» <em>(Cristo que. passa, </em>n.° 62). Tendo em conta <em>Quem </em>encarna (a dignidade da pessoa e a glória da Sua alma), era conveniente a glória do corpo de Jesus. Mas tendo em conta <em>para que </em>encarna (a finalidade da Encarnação), não era conveniente, de modo habitual, tal glória. Cristo mostra a Sua glória na Transfiguração para nos mover ao desejo da glória divina que nos será dada, e assim, com esta esperança, compreendamos «que os padecimentos do tempo presente não são comparáveis com a glória futura que se há-de manifestar em nós» (Rom 8,18).</p>
<p><strong>2.</strong> Segundo o Deuteronómio (19,15), para atestar um facto eram necessárias duas ou três testemunhas. Talvez por isso Jesus Cristo quis que estivessem presentes três Após­tolos. Deve notar-se que estes três Apóstolos foram os predilectos, que O acompanharam também na ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,37), e estiveram mais perto d&#8217;Ele nos momentos tremendos de Getsémani (Mc 14,33). Cfr a nota a Mt 17,1-13.</p>
<p><strong>7.</strong> Deste modo explica São Tomás o significado da Transfiguração: «Assim como no baptismo de Jesus, onde foi declarado o mistério da primeira regeneração, se mostrou a acção de toda a Trindade, já que ali esteve o Filho Encarnado, apareceu o Espírito Santo em forma de pomba, e ali se escutou a voz do Pai; assim também na Transfiguração, que é como que o sacramento da segunda regeneração (a ressurreição), apareceu toda a Trindade: o Pai na voz, o Filho no homem, e o Espírito Santo na claridade da nuvem; porque assim como Deus Trino dá a inocência no Baptismo, da mesma maneira dará aos Seus eleitos o fulgor da glória e o alívio de todo o mal na Ressurreição&#8230;» <em>(Suma Teológica, </em>III, q.45, a.4 ad 2). Porque, na verdade, a Transfiguração foi um certo sinal ou antecipação não só da glorificação de Cristo, mas também da nossa. Pois, como diz São Paulo: «O próprio Espírito dá testemunho juntamente com o nosso espírito de que somos filhos de Deus. E se somos filhos, também herdeiros: herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo; desde que padeçamos com Ele, para sermos com Ele também glorificados» (Rom 8,16-17).</p>
<p>«O Amado»: Com esta expressão revela-se que Cristo é o Filho Unigênito do Pai, cumprindo as profecias do Antigo Testamento. Frei Luís de León comenta: «É Cristo <em>O Amado, </em>isto é, o que antes foi, e agora é e será para sempre a coisa mais amada de todas (&#8230;) porque nem uma criatura sozinha, nem as criaturas todas juntas, são de Deus tão amadas, e porque só Ele é o que tem verdadeiros adoradores de Si» (Os <em>nomes de Cristo, </em>livro 3, <em>Amado).</em></p>
<p><strong>10.</strong> A verdade da ressurreição dos mortos estava já revelada no Antigo Testamento (cfr Dan 12,2-3; 2 Mach 7,9; 12,43), e os judeus piedosos criam nela (cfr Ioh11,23-25). Não obstante, não eram capazes de compreender a verdade profunda da Morte e Ressurreição do Senhor, porque apenas consideravam o aspecto glorioso e triunfador do Messias, apesar de que também estavam profetizados os Seus sofrimentos e a Sua morte (cfr Is 53). Daí as disquisições dos Apóstolos que não se atrevem a perguntar directamente ao Senhor pela Sua Ressurreição.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>05.03.2012 – Lc 6, 36-38.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>36</sup>Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. <sup>37</sup>Não julgueis, e não sereis julgados. Não condeneis, e não sereis condenados. <sup>38</sup>Absolvei, e sereis absolvidos. Dai, e dar-se-vos-á. Deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, agitada, a transbordar, pois com a medida que empregardes vos será medido.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>36.</strong> O modelo de misericórdia que Cristo nos propõe é o próprio Deus. D&#8217;Ele diz São Paulo: «Bendito seja Deus Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, o qual nos consola em todas as nossas tribulações» (2 Cor 1,3-4). «A primeira excelência que tem esta virtude — explica Frei Luís de Granada — é tornar os homens semelhantes a Deus, e semelhantes na coisa mais gloriosa que há n&#8217;Ele, que é na misericórdia (Lc 6,36).</p>
<p>Porque é certo que a maior perfeição que pode ter uma criatura é ser semelhante ao seu Criador: e quanto mais tiver desta semelhança, tanto mais perfeita será. E é certo também que uma das coisas que mais propriamente convém a Deus é a misericórdia, como o significa a Igreja naquela oração que diz: Senhor Deus, de quem <em>é </em>próprio ter misericórdia e perdoar. E diz ser isto próprio de Deus, porque assim como à criatura, enquanto criatura, pertence ser pobre e necessitada <em>(e </em>por isto a ela pertence receber e não dar), assim pelo contrário, como Deus <em>é </em>infinitamente rico e poderoso, só a Ele por excelência pertence dar e não receber, e por isto d &#8216;Ele é próprio ter misericórdia e perdoar» <em>(Livro da oração e meditação, </em>terceira parte, tratado terceiro).</p>
<p>O comportamento do cristão há-de seguir esta norma: compadecer-se das misérias alheias como se fossem próprias e procurar remediá-las. Neste mesmo sentido a nossa Santa Mãe a Igreja concretizou-nos uma série de obras de misericórdia tanto corporais (visitar e cuidar os doentes, dar de comer ao faminto, dar de beber ao sequioso&#8230;), como espirituais (ensinar aquele que não sabe, corrigir o que erra, perdoar as injúrias&#8230;) (cfr <em>Catecismo Maior, </em>n.<sup>os</sup> 944-945). Também perante quem está no erro temos de ter com­preensão: «Este amor e benevolência de modo algum nos devem tornar indiferentes perante a verdade e o bem. Pelo contrário, é o próprio amor que incita os discípulos de Cristo a anunciar a todos a verdade salvadora. Mas deve distin­guir-se entre o erro, sempre de rejeitar, e aquele que erra, o qual conserva sempre a dignidade própria da pessoa, mesmo quando atingido por ideias religiosas falsas ou menos exactas. Só Deus é juiz e penetra os corações; por esse motivo, proibe-nos Ele de julgar da culpabilidade interna de qualquer pessoa» <em>(Gaudium et spes, n. </em>28).</p>
<p><strong>38.</strong> Lemos na Sagrada Escritura a generosidade da viúva de Sarepta, à qual Deus pediu que alimentasse o profeta Elias com o pouco que lhe restava; depois premiou a sua generosidade multiplicando-lhe a farinha e o azeite que tinha (1Reg 17,9 ss.). De maneira semelhante aquele menino que forneceu os cinco pães e os dois peixes, para que o Senhor os multiplicasse e alimentasse uma grande multidão (cfr Ioh 6,9), é um exemplo vivo do que o Senhor faz quando . entregamos o que temos, ainda que seja pouco.</p>
<p>Deus não Se deixa vencer em generosidade: «Vamos! Diz-Lhe com generosidade e como um menino: Que me irás dar quando me exiges &#8216;isso&#8217;?» <em>(Caminho, </em>n.° 153). «Por muito que demos a Deus nesta vida, mais nos dará o Senhor como prêmio na vida eterna. Mas a pessoa que tem no seu coração um tesouro de maldade faz exactamente o contrário: odeia os seus amigos, fala mal de quem o ama, e todas as outras coisas condenadas pelo Senhor» <em>(In Lucae Evangelium expositio, </em>II, 6).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>06.03.2012 – Mt 23, 1-12.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;">Então Jesus falou assim ao povo e aos Seus discípulos: <sup>2</sup>Na cadeira de Moisés, sentaram-se os Escribas e Fariseus. <sup>3</sup>Fazei, portanto, e guardai tudo quanto vos disserem, mas não imiteis as suas obras, porque dizem e não fazem. <sup>4</sup>Atam cargas pesadas e incomportaveis e põem-nas às costas da gente, mas eles nem com o dedo as querem mover. <sup>5</sup>Fazem todas as suas obras para serem vistos dos homens. Por isso alargam as filactérias e alongam as franjas. <sup>6</sup>Cobiçam os primeiros lugares nos banquetes, as pri­meiras cadeiras nas sinagogas <sup>7</sup>e as sauda­ções nas praças, e que os homens lhes chamem: «rabi». <sup>8</sup>Vós, porém, não queirais que vos chamem « rabi», pois um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos. <sup>9</sup>E não chameis a ninguém vosso «pai» sobre a terra, pois um só é o vosso Pai, o do Céu. <sup>10</sup>Nem queirais que vos chamem «directores», porque um só é o vosso Director, Cristo. <sup>11</sup>O maior entre vós seja vosso servidor, <sup>12</sup>pois quem se exaltar a si mesmo, será humilhado, e quem a si mesmo se humilhar, será exaltado.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-39.</strong> Todo este capítulo é uma dura acusação contra os escribas e fariseus, ao mesmo tempo que mostra a dor e a compaixão de Jesus pelas gentes simples, mal conduzidas por aqueles, «mal tratadas e abatidas como ovelhas sem pastor» (Mt 9,36). No discurso podem distin­guir-se três partes: na primeira (vv. 1-12) denuncia os seus principais vícios e corrupções; na segunda (vv. 13-36) encara-se com eles e dirige-lhes os célebres «ais», que vêm a ser como o reverso das bem-aventuranças do capítulo quinto: impossível será entrar no Reino dos Céus — ou o seu contrário, escapar da condenação do fogo — a quem não mude radicalmente de atitude e de conduta; na terceira parte (vv. 37-39) está a queixa contra Jerusalém: Jesus sente intimamente dor pelos males que acarreta ao povo a cegueira orgulhosa e a dureza de coração dos escribas e fariseus.</p>
<p><strong>2-3. </strong>Moisés entregou ao povo a Lei que tinha recebido de Deus. Os escribas, que pertenciam na sua maioria ao partido dos fariseus, tinham a seu cargo ensinar ao povo a Lei mosaica: por isso se dizia deles que estavam sentados na cátedra de Moisés. O Senhor reconhece a autoridade com que os escribas e fariseus ensinam, enquanto transmitem a Lei de Moisés; mas previne o povo e os Seus discípulos acerca deles, distinguindo entre a Lei que eles lêem e ensinam nas sinagogas, e as interpretações práticas que eles mostram com a sua vida. Anos mais tarde São Paulo — fariseu, filho de fariseu —, manifestará acerca dos seus antigos colegas um juízo idêntico ao de Jesus: «Tu, porém, que ensinas outros, como não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve roubar, roubas? Tu, que dizes que não se deve cometer adultério, cometê-lo? Tu, que abominas os ídolos, saqueias os templos? Tu, que te glorias na Lei, será que não desonras Deus ao transgredir a Lei? Pois, como diz a Escritura, por vossa culpa é blasfemado o nome de Deus entre os gentios» (Rom2,21-24).</p>
<p><strong>5.</strong> As filactérias eram fitas ou bandas em que escreviam palavras da Sagrada Escritura. Os israelitas punham-nas sobre a fronte e atadas aos braços. Para se distinguirem dos outros e parecer mais religiosos e observantes os fariseus levavam-nas mais largas. As franjas eram orlas de cor jacinto, postas nos remates das suas capas. Os fariseus em sinal de ostentação levavam-nas mais longas.</p>
<p><strong>8-10.</strong> Jesus Cristo vem ensinar a Verdade; mais ainda, Ele é a Verdade (Ioh 14, 6). Daí a singularidade e o caracter único da sua condição de Mestre. «Toda a vida de Cristo foi um ensino contínuo: o Seu silêncio, os Seus milagres, os Seus gestos, a Sua oração, o Seu amor ao homem, a Sua predilecção pelos pequenos e pelos pobres, a aceitação do sacrifício total na Cruz pela salvação do mundo, a Sua Ressurreição são a actuação da Sua palavra e o cumprimento da revelação. De sorte que para os cristãos o Crucifixo é uma das imagens mais sublimes e populares de Jesus que ensina.</p>
<p>«Estas considerações, que estão na linha das grandes tradições da Igreja, reafirmam em nós o fervor por Cristo, o Mestre que revela Deus aos homens e o homem a si mesmo; o Mestre que salva, santifica e guia, que está vivo, que fala, que exige, que comove, que orienta, julga, perdoa, caminha diariamente connosco na história; o Mestre que vem e virá na glória» <em>(Catechesi tradendae, </em>n. 9).</p>
<p><strong>11.</strong> Perante a apetência de honras que mostravam os fariseus, o Senhor insiste em que toda a autoridade, e com mais razão se é religiosa, deve ser exercida como um serviço aos outros. E, como tal, não pode ser instrumentalizada para satisfazer a vaidade ou a avareza pessoais. O ensino de Cristo é absolutamente claro: «O maior entre vós seja vosso servidor».</p>
<p><strong>12.</strong> O espírito de orgulho e de ambição é incompatível com a condição de discípulo de Cristo. Com estas palavras o Senhor insiste na exigência da verdadeira humildade, como condição imprescindível para O seguir. Os verbos em voz passiva «será humilhado» e «será exaltado» têm como sujeito agente a Deus: Ele mesmo humilhará os soberbos e exaltará os humildes. Neste sentido a Epístola de São Tiago ensina que «Deus resiste aos soberbos e dá a Sua graça aos humildes» (lac 4<em>,</em>6). E no cântico do <em>Magnificat, </em>a Virgem Santíssima exclama que o Senhor «derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes» (Lc 1,52).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>07.03.2012 – Mt 20, 17-28.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>17</sup>Ao subir para Jerusalém, tomou Jesus os doze discípulos à parte e disse-lhes no caminho: <sup>18</sup>Olhai, subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos Príncipes dos sacerdotes e Escribas, e eles condená-Lo-ão à morte. <sup>19</sup>E hão-de entregá-Lo aos gentios, para O escarnecerem e flagelarem e crucificarem; mas ao terceiro dia ressus­citará.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>20</sup>Aproximou-se então d&#8217;Ele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, e prostrou-se por terra para Lhe pedir alguma coisa. <sup>21</sup>Disse-lhe Ele: Que queres? E ela: Ordena que estes meus dois filhos se sentem um à Tua direita, outro à Tua esquerda no Teu Reino. <sup>22</sup>Respondeu Jesus e disse: Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu hei-de beber? Responderam-Lhe: Podemos. <sup>21</sup>Diz-lhes Ele: O Meu cálice bebê-lo-eis; agora o sentar-se à Minha direita ou à Minha esquerda, não Me toca a Mim concedê-lo, mas é para quem Meu Pai o tem preparado.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>24</sup>Ao ouvirem isto, os dez indignaram-se contra os dois irmãos. <sup>25</sup>Jesus, porém, chamou-os e disse: Sabeis que os soberanos das nações as tratam como senhores, e os grandes lhes fazem sentir o seu poder. <sup>26</sup>Entre vós não é assim. Pelo contrário, o que entre vós quiser ser grande, faça-se vosso servo. <sup>27</sup>E quem quiser entre vós ser o primeiro, faça-se vosso escravo. <sup>28</sup>Do mesmo modo que o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em redenção por muitos.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>18-19. </strong>O Senhor volta a profetizar aos Apóstolos a Sua morte e ressurreição. A perspectiva de julgar o mundo (cfr Mt 19, 28) podia deslumbrá-los até pensarem num reino mes­siânico temporal, num caminho fácil, em que estivesse ausente a ignomínia da Cruz.</p>
<p>Cristo, além disso, prepara o ânimo dos Apóstolos para que quando chegue esta prova recordem que Ele a tinha profetizado, e esta recordação os ajude a superar o escândalo que padeceriam, O anúncio da Paixão é descrito com pormenor.</p>
<p>«Tudo o que as diversas manifestações de piedade nos trazem à memória nestes dias — diz Monsenhor Escrivá de Balaguer referindo-se à Semana Santa — se encaminha decerto para a Ressurreição, que é o fundamento da nossa fé, como escreve S. Paulo (cfr 1Cor 15,14). Mas não percorramos este caminho demasiado depressa; não deixemos cair no esquecimento alguma coisa muito simples, que por vezes parece escapar-nos: não poderemos participar da Ressur­reição do Senhor se não nos unirmos à Sua Paixão e à Sua Morte (cfr Rom 8,17). Para acompanhar Cristo na Sua glória no final da Semana Santa, é necessário que penetremos antes no Seu holocausto e que nos sintamos uma só coisa com Ele, morto no Calvário» <em>(Cristo que passa, </em>n.°95).</p>
<p><strong>20.</strong> Os filhos de Zebedeu são Tiago Maior e João. A sua mãe, Salomé, pensando na instauração iminente do reino temporal do Messias, solicita para os filhos os dois lugares mais influentes. Cristo repreende-os porque desconhecem a verdadeira natureza do Reino dos Céus, que é espiritual, e porque ignoram a verdadeira natureza do governo na Igreja que ia fundar, que é serviço e martírio. «Se pensas que, ao trabalhar por Cristo, os cargos são algo mais do que cargas, quantas amarguras te esperam!» <em>(Caminho, </em>n.° 950).</p>
<p><strong>22.</strong> «Beber o cálice» significa sofrer perseguições e martírio pelo seguimento de Cristo. «Podemos»: Os filhos de Zebedeu responderam audazmente que sim; esta generosa expressão evoca aquela outra que escreveria anos mais tarde São Paulo: «Tudo posso n&#8217;Aquele que me conforta» (Phil 4,13).</p>
<p><strong>23.</strong> «O Meu cálice bebê-lo-eis»: Tiago Maior morrerá mártir em Jerusalém pelo ano 44 (cfr Act 12,2); e João, depois de ter sofrido cárcere e açoites em Jerusalém (cfr Act 4, 3; 5, 40-41), padecerá longo desterro na ilha de Patmos (cfr Apc 1, 9).</p>
<p>Destas palavras do Senhor deduz-se que o acesso aos lugares de governo na Igreja não deve ser fruto da ambição e das intrigas humanas, mas consequência da vocação divina. Cristo, que tinha os olhos postos em cumprir a Vontade de Seu Pai Celeste, não ia distribuir os cargos levado por considerações humanas, mas segundo os desígnios do Pai.</p>
<p><strong>26.</strong> O Concilio Vaticano II insiste de uma maneira notável neste aspecto de <em>serviço </em>que a Igreja oferece ao mundo, e que os cristãos hão-de apresentar como testemunho da sua identidade cristã: «Este sagrado Concilio, procla­mando a sublime vocação do homem, e afirmando que nele está depositado um germe divino, oferece ao gênero humano a sincera cooperação da Igreja, a fim de instaurar a frater­nidade universal que a esta vocação corresponde. Nenhuma ambição terrena move a Igreja, mas unicamente este objectivo: continuar, sob a direcção do Espírito Consolador, a obra de Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar e não para julgar, para servir e não para ser servido» <em>(Gaudium et spes, </em>n. 3; cfr <em>Lumen gentium, </em>n. 32; <em>Ad gentes, </em>n. 12; <em>Unitatis redintegratio, </em>n. 7).</p>
<p><strong>27-28.</strong> Jesus Cristo apresenta-Se a Si mesmo como exemplo que deve ser imitado por aqueles que exercem a autoridade na Igreja. Ele, que é Deus e Juiz que há-de vir a julgar o mundo (cfr Phil 2,5-11; Ioh 5,22-27; Act 10,42; Mt28, l 8), não Se impõe, mas serve-nos por amor até ao ponto de entregar a vida por nós (cfr Ioh15,1.3): esta é a Sua forma de ser o primeiro. Assim o entendeu São Pedro, que exorta os presbíteros a que apascentem o rebanho de Deus a eles confiado, não como dominadores sobre a herança, mas servindo de exemplo (cfr 1Pet 5, 1-3); e São Paulo, que não estando submetido a ninguém, se faz servo de todos para a todos ganhar (cfr 1Cor 9, 19 ss; 2 Cor 4, 5).</p>
<p>O «serviço» de Cristo à humanidade vai encaminhando para a salvação. Com efeito, a frase «dar a vida em redenção por muitos» não deve ser interpretada como uma restrição da vontade salvífica universal de Deus. «Muitos» aqui não se contrapõe a «todos» mas a «um»: Um é o que salva e a todos é oferecida a salvação.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>08.03.2012 – Lc 16, 19-31.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>19</sup>Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e todos os dias se dava esplêndidas festas. <sup>20</sup>Jazia ao seu portão, Lázaro coberto de chagas, um pobre chamado Lá­zaro, <sup>21</sup>que bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico. E até os cães lhe vinham lamber as chagas. <sup>22</sup>Ora o pobre morreu e foi levado pelos Anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. <sup>23</sup>E, no outro mundo, achando-se em tormentos, ergueu os olhos e viu de longe a Abraão, e <em>Lázaro </em>em seu seio. <sup>24</sup>Então ergueu a voz e disse: «Pai Abraão, tem dó de mim e envia <em>Lázaro para </em>que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque sou atormentado nestas chamas». <sup>25</sup>«Filho — respondeu Abraão — lembra-te que recebeste os teus benefícios em vida, e Lázaro de igual modo os infortúnios. E agora, ele é aqui consolado, enquanto tu és ator­mentado. <sup>26</sup>Além de tudo isso, entre nós e vós cava-se um grande abismo, de modo que não podem os que quiserem, passar daqui para junto de vós, nem atravessar daí para junto de nós». <sup>27</sup>Ele retorquiu: «Peço-te então, ó pai, que o mandes à minha casa paterna, pois tenho cinco irmãos; <sup>28</sup>que os previna, para não virem, eles também, para este lugar de tormento». <sup>29</sup>Disse-lhe Abraão: «Têm Moisés é os Profetas; que os oiçam!». <sup>30</sup>Ele, porém, replicou: «Não, pai Abraão, mas, se alguém do seio dos mortos for ter com eles, hão-de arrepender-se». <sup>3l</sup>Este respondeu-lhe: «Uma vez que não ouvem Moisés e os Pro­fetas, tão-pouco se hão-de convencer, se res­suscitar alguém dentre os mortos».</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>19-31. A parábola dissipa dois erros: o dos que negavam a sobrevivência da alma depois da morte e, portanto, a retribuição ultraterrena, e o dos que interpretavam a pros­peridade material nesta vida como prêmio da rectidão moral, e a adversidade, pelo contrário, como castigo. Perante este duplo erro a parábola deixa claros os seguintes ensinamentos: que imediatamente depois da morte a alma é julgada por Deus de todos os seus actos — juízo particular —, recebendo o prêmio ou o castigo merecidos; que a Revelação divina é, de per si, suficiente para que os homens creiam no mais além.</strong></p>
<p>Noutra ordem de ideias, a parábola ensina também a dignidade de toda a pessoa humana pelo tacto de o ser, independentemente da sua posição social, econômica, cul­tural, religiosa, etc. E o respeito por essa dignidade leva consigo a ajuda ao desprotegido de bens materiais ou espiri­tuais: «Vindo a conclusões práticas e mais urgentes, o Con­cilio recomenda a reverência para com o homem, de ma­neira que cada um deve considerar o próximo, sem excepção, como um <em>outro eu, </em>tendo em conta, antes de mais, a sua vida e os meios necessários para a levar dignamente, não imitando aquele homem rico que não fez caso algum do pobre Lázaro» <em>(Gaudium et spes, n. </em>27).</p>
<p>Outra consequência prática do respeito pelo homem é a correcta distribuição de bens materiais, buscando ao mesmo tempo os recursos suficientes para defender a vida do homem, inclusivamente a do que ainda não nasceu, como exortava Paulo VI diante da Assembleia Geral das Nações Unidas: «Na vossa assembleia, inclusive no que diz respeito ao problema da natalidade, é onde o respeito pela vida deve encontrar a sua mais alta profissão e a sua mais razoável defesa. A vossa tarefa é actuar de tal sorte que o pão seja suficientemente abundante na mesa da humanidade e não favorecer um controle artificial dos nascimentos, que seria irracional, tendo em vista diminuir o número de comensais no banquete da vida». <em>(Discurso Nações Unidas, </em>n.° 6).</p>
<p><strong>21.</strong> A alusão aos cães não parece um pormenor de alívio para o pobre Lázaro, mas antes uma intensificação das suas dores, em contraste com os prazeres do rico avarento, porque os cães, entre os judeus, eram animais impuros e, portanto, ordinariamente não se domesticavam.</p>
<p><strong>22-26. </strong>Os bens terrenos, como também os sofrimentos, são efêmeros: acabam-se com a morte, com a qual também termina o tempo de provação, a nossa possibilidade de pecar ou de merecer; e começa imediatamente o gozo do prêmio ou o sofrimento do castigo, ganhos durante a prova da vida. Segundo definiu o Magistério da Igreja, as almas de todos os que morrem em graça de Deus, imediatamente depois da sua morte, ou da purificação para os que dela precisarem, estarão no Céu: «Cremos na vida eterna. Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo — tanto as que ainda devem ser purificadas pelo fogo do Purgatório como as que imediatamente depois de se separarem do corpo, como o bom ladrão, são recebidas por Jesus no Paraíso — constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída totalmente no dia da Ressurreição em que estas almas se unirão com os seus corpos» <em>(Credo do Povo de Deus, </em>n.° 28).</p>
<p>A expressão « seio de Abraão» indica o lugar ou estado em «que residiam as almas dos santos antes da vinda de Cristo Senhor Nosso, onde, sem sentir dor alguma, sustentados com a esperança ditosa da redenção, desfrutavam de pací­fica morada. A estas almas piedosas que estavam à espera do Salvador no seio de Abraão, libertou Cristo Nosso Senhor ao baixar aos infernos» <em>(Catecismo Romano, l, </em>6,3).</p>
<p><strong>22.</strong> «Morreram os dois, o rico e o mendigo, e foram levados diante de Abraão e fez-se o juízo do seu comporta mento. E a Escritura diz-nos que <em>Lázaro </em>recebeu consolação e, pelo contrário, ao rico foram dados tormentos. Será que o rico foi condenado porque tinha riquezas, porque abundava em bens da terra, porque &#8216;vestia de púrpura e linho e celebrava cada dia esplêndidos banquetes&#8217;? Não, quero dizer que não foi por esta razão. O rico foi condenado porque não ajudou o outro homem. Porque nem sequer se deu conta de Lázaro, da pessoa que se sentava ao seu portal e ansiava pelas migalhas da sua mesa. Em nenhum lugar condena Cristo a mera posse de bens terrenos enquanto tal. Pelo contrário, pronuncia palavras muito duras contra os que utilizam os bens egoisticamente, sem se fixarem nas necessidades dos outros (&#8230;).</p>
<p>«A parábola do rico avarento e do pobre Lázaro deve estar sempre presente na nossa memória; deve formar-nos a consciência. Cristo pede abertura para os irmãos e irmãs necessitados; abertura de parte do rico, do opulento, do que está abastado economicamente; abertura para o pobre, o subdesenvolvido, o desprotegido. Cristo pede uma abertura que é mais que atenção benigna, ou mostras de atenção ou meio-esforço, que deixam o pobre tão desprotegido como antes ou inclusivamente mais (&#8230;).</p>
<p>«Não podemos permanecer ociosos desfrutando as nossas riquezas e liberdade se nalgum lugar o Lázaro do século XX<strong> </strong>está à nossa porta. À luz da parábola de Cristo, as riquezas e a liberdade criam responsabilidades especiais. As riquezas e a liberdade criam uma obrigação especial. E, por isso, em nome da solidariedade que nos vincula a todos numa única humanidade, proclamo de novo a dignidade de toda a pessoa humana; o rico e Lázaro, os dois, são seres humanos, criados os dois à imagem e semelhança de Deus, redimidos os dois por Cristo por grande preço, pelo preço do &#8216;precioso Sangue de Cristo&#8217;. (1Pet 1,19)» <em>(Homília Yankee Stadium).</em></p>
<p><strong>24-31.</strong> O diálogo entre o rico avarento e Abraão é uma encenação didática para gravar nos ouvintes os ensina­mentos da parábola. Assim, em sentido estrito, no inferno não pode haver compaixão alguma em favor do próximo, já que ali só reina a lei do ódio contra tudo e contra todos. «Quando Abraão disse ao rico: &#8216;Entre vós e nós existe um abismo (&#8230;)&#8217;, manifestou que depois da morte e ressurreição não haverá lugar para penitência alguma. Nem os ímpios se arrependerão e entrarão no Reino, nem os justos pecarão e baixarão para o inferno. Este é um abismo intransponível» (<em>A frates</em>, <em>Demonstratio, </em>20; <em>De Sustentatione egenorum, </em>12). Por isso se compreendem as seguintes palavras de São João Crisóstomo: «Rogo-vos e peco-vos e, abraçado aos vossos pés, suplico-vos que, enquanto gozemos desta pequena res­piração da vida, nos arrependamos, nos convertamos, nos tornemos melhores, para que não nos lamentemos inutil­mente como aquele rico quando morrermos e o pranto não nos traga remédio algum. Porque ainda que tenhas um pai ou um filho ou um amigo ou qualquer outro que tenha influência diante de Deus, todavia, ninguém te livrará, sendo como são os teus próprios factos que te condenam» <em>(Hom. sobre 1 Cor).</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>09.03.2012 – Mt 21, 33-43.45-46.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>33</sup>Ouvi outra parábola: Havia um proprie­tário que plantou uma vinha, e rodeou-a com uma cerca, e cavou nela um lagar, e levantou uma torre; depois arrendou-a a uns lavradores e partiu para longe. <sup>34</sup>Quando se homicidas aproximou a época das colheitas, mandou os seus servos aos lavradores para receber os frutos. <sup>35</sup>Os lavradores, porém, pegaram nos servos e espancaram a um, mataram a outro e a outro apedrejaram. <sup>36</sup>Tornou ele a mandar outros servos em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. <sup>37</sup>Por fim mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: «Hão-de respeitar o meu filho». <sup>38</sup>Mas os lavradores, ao verem o filho, disseram entre si: «Este é o herdeiro, vamos matá-lo e ficaremos com a sua herança!»<sup>39</sup>E sem mais, pegaram nele, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. <sup>40</sup>Ora, quando vier o dono da vinha, que fará àqueles lavradores?</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>41</sup>Responderam-Lhe: Fará morrer de má morte os malvados e arrendará a vinha a outros lavradores que lhe paguem os frutos a seu tempo.<sup>42</sup>Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras:</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><em>«A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser pedra angular?</em></span></p>
<p><span style="color: #993300;"><em>Isto é obra do Senhor e é maravilha a nossos olhos?»</em></span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>43</sup>Por isso vos digo que vos será tirado o Reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>45</sup>Ouvindo as Suas parábolas, os Príncipes dos sacerdotes e os Fariseus compreenderam que falava deles <sup>46</sup>e queriam prendê-Lo, mas tiveram medo do povo, que O tinha por profeta.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>33-46. </strong>Esta parábola, tão importante, completa a anterior. A parábola dos dois filhos limitava-se a mostrar o facto da indocilidade de Israel; a dos vinhateiros homicidas projecta a sua luz sobre o castigo consequente.</p>
<p>O Senhor compara Israel com uma vinha escolhida, provida segundo o uso oriental da sua cerca, do seu lagar, com a sua torre de vigilância algo elevada, onde se coloca o guardião encarregado de proteger a vinha contra os ladrões e os chacais. Deus não regateou nada para cultivar e embelezar a sua vinha. Os vinhateiros, na parábola, são colonos; o dono é Deus, e a vinha é Israel (Is 5,3-5; ler 2,21; Ioel 1, 7).</p>
<p>Os vinhateiros a quem Deus tinha entregado o cuidado do Seu povo representam os sacerdotes, escribas e anciãos. A ausência do dono dá a entender que Deus confiou realmente Israel aos seus chefes; e daqui nasce a sua responsabilidade e contas exigidas pelo dono da vinha.</p>
<p>O dono envia os seus servos de vez em quando para receber os seus frutos. Esta foi a missão dos profetas. O segundo envio dos servos para reclamar o que deviam ao seu dono, e que corre a mesma sorte que o primeiro, é uma alusão aos maus tratos infligidos aos profetas de Deus pelos reis e sacerdotes de Israel (Mt 23, 37; Act 7, 42; Heb 11, 36-38). Finalmente enviou-lhes o Seu Filho, pensando que, sem dúvida, O respeitariam. Aqui é assinalada a diferença entre Jesus e os profetas, que eram servos, mas não «o Filho»: a parábola refere-se à filiação transcendente e única que expressa a divindade de Jesus Cristo.</p>
<p>A intenção perversa dos vinhateiros de assassinar o filho herdeiro, para ficarem eles com a herança, é o desatino com que os chefes da sinagoga esperam ficar como donos indiscutíveis de Israel ao matarem Cristo (Mt 12, 14: 26, 4). Não pensam no castigo: a ambição cega-os. Então «lançaram-no fora da vinha e mataram-no»: referência à crucifixão que teve lugar fora dos muros de Jerusalém.</p>
<p>Jesus Cristo profetiza o castigo que Deus imporá aos malvados: dar-lhes-á morte, e arrendará a vinha a outros. Estamos diante de uma profecia da máxima importância: São Pedro repetirá mais tarde diante do sinédrio: «a pedra que os construtores rejeitaram, esta veio a ser pedra angular» (Act 4, 11; 1Pet 2,4). A pedra é Jesus de Nazaré, mas os arquitectos de Israel, os que constroem e governam o povo, não quiseram usá-la na construção. Por isso, <em>por </em>causa da sua infidelidade, o Reino de Deus será transferido para outro povo, os gentios, que saberão dar a Deus os frutos que Ele espera da sua vinha (cfr Mt 3,8-10; Gal 6, 16).</p>
<p>É necessário assentar sobre esta pedra para estar solidamente edificado. E infeliz o que tropece nela (Mt 12,30; Lc2,34). Aqueles judeus primeiro e depois todos os inimigos de Cristo e da Igreja comprová-lo-ão com dura experiência (Is 8,14-15).</p>
<p>Os cristãos de todos os tempos deverão considerar esta parábola como uma exortação a construir com fidelidade sobre Cristo, para não reincidir no pecado daquela geração judaica. Ao mesmo tempo deve encher-nos de esperança e de segurança: ainda que o edifício, que é a Igreja, pareça fender-se em algum momento, a sua solidez está assegurada, porque tem Cristo como pedra angular.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>10.03.2012 – Lc 15, 1-3.11-32.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;">Ora os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus para O ouvirem. <sup>2</sup>E os Fariseus e os Escribas murmuravam entre si, dizendo: Este homem acolhe os pecadores e come com eles. <sup>3</sup>Pro­pôs-lhes então <em>a </em>seguinte parábola:  <sup>11</sup>Certo homem tinha dois filhos. <sup>12</sup>E o mais novo dentre eles disse ao pai: «Pai, dá-me a parte que me cabe da fortuna». E ele repartiu-lhes os bens. <sup>13</sup>Alguns dias depois, o filho mais novo, reunindo tudo, ausentou-se para uma região longín­qua e por lá esbanjou os seus bens, vivendo dissipadamente. <sup>14</sup>Depois de haver gastado tudo, houve uma grande fome por aquela região, e ele começou a passar privações. <sup>15</sup>Foi então ligar-se a um dos habitantes daquela região, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos. <sup>16</sup>Bem desejava ele encher o ventre com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. <sup>17</sup>Então caiu em si e disse: «Quantos jornaleiros de meu pai têm pão com fartura, e eu morro aqui à fome! <sup>18</sup>Vou ter com meu pai e digo-lhe: Pai, pequei contra o Céu e para contigo. <sup>19</sup>Já não sou digno de cha­mar-me teu filho. Trata-me como um dos teus jornaleiros». <sup>20</sup>Partiu, pois, e foi ter com o pai.</span></p>
<p><span style="color: #993300;">Estando ele ainda longe, viu-o o pai, e encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, beijando-o. <sup>21</sup>Disse-lhe o filho: «Pai, pequei contra o Céu e para contigo. Já não sou digno de chamar-me teu filho». <sup>22</sup>Disse o pai aos seus criados: «Trazei depressa o fato melhor e vesti-lho; ponde-lhe um anel na mão, e calçado nos pés. &#8220;Trazei o vitelo gordo, matai-o; e comamos em festa, <sup>24</sup>porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e encontrou-se». E começaram com a festa.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>25</sup>Ora o filho mais velho estava no campo. Quando, à volta, se aproximou da casa, ouviu música e danças. <sup>26</sup>Chamando um dos moços, pediu-lhe informações sobre o que era aquilo. <sup>27</sup>«É que chegou teu irmão — lhe disse este — e teu pai matou o vitelo gordo, porque de regresso o encontrou com saúde.» <sup>28</sup>Ele ficou irritado e não queria entrar. O pai veio cá fora instar com ele. <sup>29</sup>Mas ele, em resposta, disse ao pai: «Há já tantos anos que te sirvo sem nunca transgredir uma ordem tua, e tu nunca me deste um cabrito, para eu fazer uma festa com os meus amigos! <sup>30</sup>Mas, quando chegou esse teu filho, que te consumiu a fortuna com meretrizes, mataste-lhe o vitelo gordo». <sup>31</sup>O pai respondeu-lhe: «Filho, tu sempre estás comigo e tudo o que é meu é teu. <sup>32</sup>Mas nós tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e encontrou-se».</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-32.</strong> Com as Suas obras Jesus manifesta a misericórdia divina: aproxima-Se dos pecadores para os converter. Os escribas e os fariseus, que desprezam os pecadores, não compreendem esse comportamento de Jesus, e murmuram d&#8217;Ele; será ocasião para que Nosso Senhor pronuncie as parábolas da misericórdia. «O Evangelista que trata de modo particular estes temas do ensino de Cristo é São Lucas, cujo Evangelho mereceu ser chamado &#8216;o Evan­gelho da misericórdia&#8217;» <em>(Dives in misericórdia, </em>n. 3).</p>
<p>Neste capítulo São Lucas recolhe três destas parábolas, em que de modo gráfico Jesus descreve a infinita e paterna misericórdia de Deus, e a Sua alegria pela conversão do pecador.</p>
<p>O Evangelho ensina que ninguém está excluído do per dão, e que os pecadores podem chegar a ser filhos que­ridos de Deus mediante o arrependimento e a conversão. E é tal o desejo divino de que os pecadores se convertam que as três parábolas terminam repetindo, a modo de estribilho, a alegria grande no Céu por cada pecador arrependido.</p>
<p><strong>1-2.</strong> Não é esta a primeira vez que publicanos e peca­dores se aproximam de Jesus (cfr Mt 9,10). A pregação do Senhor atraía pela sua simplicidade e pelas suas exigências de entrega e de amor. Os fariseus tinham-Lhe inveja porque a gente ia atrás d&#8217;Ele (cfr Mt 26,3-5; Ioh 11,47). Essa atitude farisaica pode repetir-se entre os cristãos: uma dureza de juízo tal que não aceite que um pecador, por maiores que tenham sido os seus pecados, possa converter-se e ser santo; uma cegueira de mente tal que impeça reconhecer o bem que fazem os outros e alegrar-se disso. Nosso Senhor já vai ao encontro desta atitude errada quando responde aos Seus discípulos que se queixam de que outros expulsem demônios em Seu nome: «Não lho proibais, pois não há ninguém que faça um milagre em Meu nome e possa a seguir falar mal de Mim» (Mc 9,39). Igualmente São Paulo alegrava-se de que outros anunciassem Cristo, e inclusivamente passava por alto que o fizessem por interesse, desde que Cristo fosse pregado (cfr Phil 1,17-18).</p>
<p><strong>11.</strong> Estamos perante uma das parábolas mais belas de Jesus, em que nos é ensinado uma vez mais que Deus é um Pai bom e compreensivo (cfr Mt 6,8; Rom 8,15; 2 Cor 1,3). O filho que pede a parte da sua herança é figura do homem que se afasta de Deus por causa do pecado. Nesta parábola «a essência da misericórdia divina — embora no texto origi­nal não seja usada a palavra &#8216;misericórdia&#8217; — aparece de modo particularmente límpido» <em>(Dives in misericórdia, </em>n. 5).</p>
<p><strong>12-13</strong>. «Este filho, que recebe do pai a parte da herança que lhe toca e deixa a casa paterna para esbanjar essa herança numa terra longínqua &#8216;vivendo dissolutamente&#8217;, em certo sentido é o homem de todos os tempos, a começar por aquele que foi o primeiro a perder a herança da graça e da justiça original. Neste ponto a analogia é muito vasta. Indirectamente a parábola estende-se a todas as rupturas da aliança de amor: a toda a perda da graça, e todo o pecado» <em>(Dives in misericórdia, </em>n. 5).</p>
<p><strong>14-15.</strong> Neste momento da parábola vemos as tristes consequências do pecado. Com essa fome fala-se-nos da ansiedade e do vazio que sente o coração do homem quando está longe de Deus. Com a servidão do filho pródigo é-nos descrita a escravidão a que fica submetido quem pecou (cfr Rom 1, 25;6,6; Gal 5,1). Assim, pelo pecado o homem perde a liberdade dos filhos de Deus (cfr Rom 8,21; Gal 4,31; 5,13) e submete-se ao poder de Satanás.</p>
<p><strong>17-21. A recordação da casa paterna e a segurança no amor do pai fazem que o filho pródigo reflicta e decida pôr-se a caminho. «De certo modo, a vida humana é um constante regresso à casa do Pai, um regresso mediante a contrição, a conversão do coração que significa o desejo de mudar, a decisão firme de melhorar a nossa vida e que, portanto, se manifesta em obras de sacrifício e de doação; regresso a casa do Pai, por meio do sacramento do perdão, em que, ao confessar os nossos pecados, nos revestimos de Cristo e nos tornamos assim seus irmãos, membros da família de Deus» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 64). </strong></p>
<p><strong>20-24.</strong> Deus espera sempre o regresso do pecador e quer que se arrependa. Quando chega O filho pródigo as palavras do pai não são de repreensão mas de imensa compaixão, que o leva a abraçar o filho e a cobri-lo de beijos.</p>
<p><strong>20.</strong> «Não há dúvida de que, naquela simples, mas pene­trante comparação, a figura do pai revela-nos Deus como Pai» (&#8230;). O pai do filho pródigo <em>é pela sua paternidade, fiel ao amor </em>que desde sempre tinha dedicado ao seu filho. Tal fidelidade manifesta-se na parábola não apenas na prontidão em rece­bê-lo em casa, quando ele voltou depois de ter esbanjado a herança, mas sobretudo na alegria e no clima de festa tão generoso para com o esbanjador que regressa. Esta atitude provoca até a inveja do irmão mais velho, que nunca se tinha afastado do pai, nem abandonado a casa paterna.</p>
<p>«A fidelidade a si próprio por parte do pai — traço caracte­rístico já conhecido pelo termo do Antigo Testamento <em>&#8216;hesed&#8217; </em>— exprime-se de modo particularmente denso de afecto. Lemos, com efeito, que, ao ver o filho pródigo regressar a casa, o pai, &#8216;movido de compaixão, correu ao seu encontro, abraçou-o efusivamente e beijou-o&#8217;. Procede deste modo levado certamente por profundo afecto; e assim se explica também a sua generosidade para com o filho, generosidade que causará tanta indignação no irmão mais velho» <em>(Dives in misericórdia, </em>n. 6).</p>
<p>«Perante um Deus que corre para nós, não podemos calar-nos e dir-Lhe-emos com São Paulo: <em>Abba, Pater! </em>(Rom 8, 15). Pai! Meu Pai! Pois, sendo Ele o Criador do universo, não dá importância a títulos altissonantes, nem sente falta da justa confissão do seu poderio. Quer que Lhe chamemos Pai, que saboreemos essa palavra, enchendo a alma de alegria (&#8230;).</p>
<p>«Deus espera-nos como o pai da parábola, estendendo para nós os braços, embora não o mereçamos. Não importa o que lhe devemos. Como no caso do filho pródigo, o que é preciso é que lhe abramos o coração, que tenhamos sau­dades do lar paterno, que nos maravilhemos e nos alegremos perante o dom que Deus nos fez de nos podermos chamar e sermos realmente, apesar de tanta falta de correspondência da nossa parte, seus filhos» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 64).</p>
<p><strong>25-30. A misericórdia de Deus é tão grande que escapa à compreensão do homem; e este é o caso do filho mais velho, que considera excessivo o amor do pai para com o filho mais novo; a sua inveja não o deixa compreender as manifestações de amor que o pai mostra ao recuperar o filho perdido, nem compartilhar a alegria da família. «É verdade que foi pecador. — Mas não faças dele esse juízo inabalável. — Abre o coração à piedade, e não te esqueças de que ainda pode vir a ser um Agostinho, enquanto tu não passas de um medíocre» <em>(Caminho, </em>n.° 675).</strong></p>
<p>Por outro lado, devemos considerar que se Deus tem compaixão dos pecadores, quanto mais terá dos que se esforçam por permanecer fiéis. Bem <em>o </em>compreendia Santa Teresinha de Lisieux: «Que doce alegria a de pensar que o Senhor é justo, isto é, que conta com as nossas debilidades, que conhece perfeitamente a fragilidade da nossa natureza! Por quê, pois, temer? O bom Deus, infinitamente justo, que Se dignou perdoar com tanta misericórdia as culpas do filho pródigo, não será também justo comigo que estou sempre junto d&#8217;Ele?» <em>(História de uma alma, </em>cap. 8).</p>
<p><strong>32.</strong> «A misericórdia apresentada por Cristo na parábola do filho pródigo tem <em>a característica interior do amor, </em>que no Novo Testamento é chamado <em>&#8216;agape&#8217;. </em>Este amor é capaz de debruçar-se sobre todos os filhos pródigos, sobre qualquer miséria humana e, especialmente, sobre toda a miséria moral, sobre o pecado. Quando isto acontece, aquele que é objecto da misericórdia não se sente humilhado, mas como que reencontrado e &#8216;revalorizado&#8217;. O pai manifesta-lhe alegria, antes de mais por ele ter sido &#8216;reencontrado&#8217; e por ter &#8216;voltado à vida&#8217;. Esta alegria indica um bem que não foi destruído: o filho, embora pródigo, não deixa de ser real­mente filho de seu pai. Indica ainda um bem reencontrado: no caso do filho pródigo, o regresso à verdade sobre si próprio» <em>(Dives in misericórdia, </em>n. 6).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>11.03.2012 – Jo 2, 13-25.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>13</sup>Estava próxima a Páscoa dos Judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. <sup>14</sup>Encontrou no Templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas, e os cambistas abancados. <sup>15</sup>Fez um chicote de cordas e a todos expulsou do Templo, incluindo as ovelhas e os bois; des­pejou os trocos dos banqueiros, derribando-lhes as mesas, <sup>16</sup>e disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui; não façais da casa de Meu Pai casa de comércio, <sup>17</sup>lembra­ram-se os discípulos de que estava escrito: <em>Devorar-Me-á o zelo pela Tua casa. </em><sup>18</sup>Tomaram então os Judeus a palavra e perguntaram-Lhe: Que sinal nos apresentas para assim procederes? <sup>19</sup>Respondeu-lhes Jesus: Desfazei este Santuário e Eu em três dias o levantarei. <sup>20</sup>Disseram então os Judeus: Há quarenta e seis anos que se tem estado a construir este Santuário, e Tu em três dias o hás-de levantar? <sup>21</sup>Ele, porém, dizia isto a respeito do Santuário do Seu corpo. <sup>22</sup>Por isso, quando ressuscitou dos mortos, recor­daram-se os discípulos de que Ele o tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra que Jesus pronunciara.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>23</sup>Enquanto Ele estava em Jerusalém, pela festa da Páscoa, muitos acreditaram no Seu nome, ao verem os milagres que fazia. <sup>24</sup>Mas Jesus, pessoalmente, não se fiava neles, por­que os conhecia a todos <sup>25</sup>e não precisava de que Lhe dessem informações de homem algum. É que Ele bem sabia o que há no homem!</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>13.</strong>  «Páscoa dos Judeus»: Era a festa religiosa mais importante do povo do Antigo Testamento, prefiguração da Páscoa cristã (cfr a nota a Mt 26,2). A Páscoa judaica cele­brava-se no dia 14 do mês de Nisan e a seguir vinha a semana festiva dos Ázimos (pão sem fermento). Segundo a Lei de Moisés, em tais dias todo o israelita devia «apresentar-se diante do Senhor» (Ex 34,23; Dt 16,16). Isto explica o pie­doso costume da peregrinação ao Templo de Jerusalém para estas festas, a grande aglomeração de gente e a afluência de vendedores, que abasteciam as necessidades dos peregrinos, mas que davam lugar a sérios abusos.</p>
<p>«Jesus subiu a Jerusalém»: Com isso faz manifestação pública da Sua observância da Lei de Deus. Mas, segundo mostram os factos que acontecem a seguir, vê-se que Jesus Cristo acorre ao Templo como quem é: o Filho Unigênito, que deve velar pelo decoro e pela honra devidos à Casa de Seu Pai. «E desde então Jesus, o Ungido de Deus, começa sempre por reformar os abusos e purificar do pecado; tanto quando visita a Sua Igreja, como quando visita a alma cristã» (Orígenes, <em>Homílias sobre São João, </em>1).</p>
<p><strong>14-15. </strong>Todo o israelita tinha de oferecer como sacrifício na festa da Páscoa um boi ou uma ovelha, se era rico; ou duas rolas ou dois pombos, se era pobre (Lev 5,7). Além disso, devia pagar cada ano meio siclo, se tinha feito os 20 anos. O meio siclo, que equivalia ao jornal de um operário, era uma moeda especial, chamada também moeda do Templo (Ex 30,13); as outras moedas em uso (denários, dracmas, etc.), por levarem impressas a efígie de autoridades pagãs, eram consideradas impuras. Por ocasião da Páscoa, quando o concurso de gente era maior, o átrio exterior do Templo ou pátio dos gentios enchia-se de vendedores, cambistas, etc., com as consequências imagináveis: ruído, vozearia, mugidos, estéreo&#8230; Já os profetas tinham fustigado tal abuso (cfr Zach 14,21) introduzido com a autorização tácita das autoridades do Templo, que obtinham assim boas receitas. Cfr as notas a Mt 21,12-13 e a Mc 11,15-18.</p>
<p><strong>16-17. </strong>«Devorar-me-á o zelo pela Tua casa»: Trata-se de uma citação do Salmo 69,10. Jesus acaba de fazer uma afirmação transcendente: «Não façais da casa de Meu Pai casa de comércio». Ao chamar a Deus Seu Pai e ao actuar com grande fortaleza, proclama-Se diante de todos o Messias Filho de Deus. O zelo de Jesus pela glória de Seu Pai não passou despercebido aos discípulos, que viram na Sua con­duta cumpridas as palavras do Salmo 69.</p>
<p><strong>18-22. </strong>O Templo de Jerusalém, que tinha substituído o antigo Santuário que os israelitas transportavam no deserto, era o lugar escolhido por Deus durante o Antigo Testa­mento para manifestar de uma maneira especial a Sua presença no meio do povo. Mas essa realidade antiga era apenas uma figura ou antecipação imperfeita da realidade plena da presença de Deus entre os homens, que é o Verbo de Deus feito carne. Jesus, em que «habita toda a plenitude da divindade corporalmente» (Col 2,9), é a plena presença de Deus aqui na terra e, portanto, o verdadeiro Templo de Deus. Jesus identifica o Templo de Jerusalém com o Seu próprio Corpo, e deste modo refere-Se a uma das verdades mais profundas sobre Si mesmo: a Encarnação. Depois da Ascen­são do Senhor aos Céus essa presença real e especialíssima de Deus no meio dos homens continua no sacramento da Santíssima Eucaristia.</p>
<p>O comportamento e as expressões de Cristo quando ex­pulsava os vendedores do Templo manifestam claramente que Ele é o Messias anunciado pelos profetas. Por isto se aproximam alguns judeus e Lhe pedem um sinal do Seu poder (cfr Mt 16,1; Mc 8,11; Lc 11,29). As autoridades judai­cas tentaram transformar a resposta de Jesus (v. 20), que ficou obscura até ao momento da Sua Ressurreição, numa invectiva contra o Templo, digna da pena de morte (Mt 26,61; Mc 14,58; cfr ler 26,4 ss.); utilizaram-na depois com sarcasmo contra o Senhor agonizante na Cruz (Mt 27,40; Mc 15,29) e, mais tarde, bastou-lhes ouvi-la repetir a Santo Estevão para o acusarem perante o Sinédrio (Act 6,14).</p>
<p>Nas palavras pronunciadas por Jesus não há nada depre­ciativo, como pretenderiam depois as falsas testemunhas. O milagre que lhes oferece, a que chama «o sinal de Jonas» (cfr Mt 16,4) será a Sua própria Ressurreição ao terceiro dia. Para indicar a grandiosidade do milagre da Sua Ressur­reição, Jesus recorre a uma metáfora: é como se dissesse: Vedes este Templo? Pois bem, imaginai-o destruído. Não seria um grande milagre reconstruí-lo em três dias? Isto farei Eu como sinal. Porque vós destruireis o Meu Corpo, que é o Templo verdadeiro, e Eu o voltarei a levantar ao terceiro dia.</p>
<p>A declaração de que Jesus é o Templo de Deus ficou encoberta para todos. Judeus e discípulos pensaram que o Senhor falava de voltar a edificar o Templo que Herodes o Grande tinha começado a construir no ano 19-20 a.C. Os discípulos entenderam depois o verdadeiro sentido da ex­pressão.</p>
<p><strong>23-25.</strong> Os milagres de Jesus levaram muitos judeus a reconhecer que n&#8217;Ele havia uns poderes divinos e extraor­dinários. Mas isto não é ainda a perfeita fé teologal. Jesus conhecia a limitação daquela fé. Além disso, a adesão dos judeus mostrava-se geralmente superficial, ávida de mani­festações extraordinárias. Por isso Jesus desconfia deles (cfr Ioh6,15.26). «Muitos agora são iguais. Têm o nome de fiéis, mas são volúveis e inconstantes», comenta o Crisóstomo <em>(Hom. sobre S. João, </em>23,1).</p>
<p>O conhecimento que Jesus tem do interior do homem é uma prova mais da Sua divindade. Assim, por exemplo, Natanael e a samaritana reconheceram-No como o Messias, rendidos diante da evidência do poder sobrenatural que Jesus Cristo mostrava ao conhecer a sua intimidade (cfr Ioh1,49:4,29).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>12.03.2012 – Lc 4, 24-30.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>24</sup>E continuou: Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua terra; <sup>25</sup>mas, na realidade, vos digo Eu, muitas viúvas havia em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a Terra, <sup>26</sup>e a nenhuma delas foi mandado Elias, senão a uma viúva em Sarepta de Sidónia. <sup>27</sup>E muitos leprosos havia em Israel, no tempo do Profeta Eliseu, mas nenhum deles foi limpo senão o sírio Naamã.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>28</sup>Todos na sinagoga se encheram de furor, ao ouvirem estas coisas. <sup>29</sup>Ergueram-se então, lançaram-No fora da cidade e levaram-No até a uma escarpa do outeiro em que estava construída a cidade, a fim de O precipitarem. <sup>30</sup>Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o Seu caminho.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>22-29. </strong>Os habitantes de Nazaré escutam ao princípio com agrado as palavras cheias de sabedoria de Jesus. Mas a visão destes homens é muito superficial. Com um orgulho mesquinho sentem-se feridos pelo facto de Jesus, seu con­cidadão, não ter feito em Nazaré os prodígios que fez noutras cidades. Levados por uma confiança mal entendida, exigem-Lhe com insolência que faça ali milagres para agradar à sua vaidade, mas não para se converterem. Diante desta atitude Jesus não faz nenhum prodígio, seguindo o Seu modo habitual de proceder (veja-se, por exemplo, o encontro com Herodes em Lc 23,7-11); inclusivamente censura a sua posi­ção, explicando-lhes com dois exemplos tomados do AT (cfr 1 Reg 17,9 e 2 Reg 5,14) a necessidade de uma boa disposição a fim de que os milagres possam dar origem à fé. A atitude de Cristo fere-os no seu orgulho até ao ponto de O quererem matar. Todo o episódio é uma boa lição para entender de veras a Jesus: só pode ser entendido na humildade e na séria resolução de nos pormos nas Suas mãos.</p>
<p><strong>30. </strong>Jesus não foge precipitadamente, mas vai-Se reti­rando por entre a turba agitada com uma majestade que os deixou paralisados. Como noutras ocasiões, os homens não podem nada contra Jesus: o decreto divino era que o Senhor morresse crucificado (cfr Ioh 18,32) quando chegasse a Sua hora.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>13.03.2012 – Mt 18, 21-35.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>21</sup>Então aproximou-se Pedro e disse-Lhe: Perdão Senhor, se meu irmão pecar contra mim, quantas vezes lhe devo perdoar? Ate sete vezes? <sup>22</sup>Disse-lhe Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. <sup>23</sup>Por isso, é semelhante o Reino dos Céus a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. <sup>24</sup> Logo ao começar, foi-lhe apresentado um que devia dez mil talentos. <sup>25</sup>E<em> </em>como não tivesse com que pagar, mandou o senhor que o vendessem a ele e à mulher e aos filhos e a tudo quanto tinha e que assim se pagasse a dívida. <sup>26</sup>Lançou-se o servo por terra e, prostrando-se diante dele, disse-lhe: «Senhor, tem paciência comigo e pagar-te-ei tudo». <sup>27</sup>E o senhor, compadecido daquele servo, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. <sup>28</sup>Ao sair, encontrou-se o servo com um dos seus companheiros que lhe devia cem dinheiros e, aferrando-o pelo pescoço afo­gava-o, dizendo: Paga o que deves. <sup>29</sup>Lançou-se-lhe o companheiro aos pés e começou a suplicar-lhe: Tem paciência comigo e pagar-te-ei.<sup> 30</sup>Ele, porém, não quis, mas foi metê-lo na cadeia até que pagasse a dívida. <sup>31</sup>Os outros servos, ao verem o que se passava, ficaram muito magoados e foram contar tudo ao senhor. <sup>32</sup>Entào o senhor chamou-o e disse-lhe: Servo perverso, perdoei-te toda aquela dívida, porque mo pediste.<sup> 33</sup>Não devias tu compadecer-te do teu compa­nheiro, como eu me compadeci de ti? <sup>34</sup>E, indignado, o senhor entregou-o aos algozes até que pagasse toda a dívida. <sup>35</sup>Assim vos fará também o Meu Pai celeste, se não perdoardes, cada um a seu irmão, do íntimo dos vossos corações.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>21-35. A pergunta de Pedro e, sobretudo, a resposta de Jesus dão-nos a pauta do espírito de compreensão e miseri­córdia que deve presidir à actuação dos cristãos.</strong></p>
<p>A cifra de setenta vezes sete na linguagem hebraica equivale ao advérbio «sempre» (cfr Gen 4,24): « De modo que não encerrou o Senhor o perdão num número determinado, mas deu a entender que se tem de perdoar continuamente e sempre» <em>(Hom. sobre S. Mateus, </em>6). Também se pode observar aqui um contraste entre a atitude mesquinha dos homens em perdoar com cálculo e a misericórdia infinita de Deus. Por outro lado, a nossa situação de devedores relativamente a Deus fica muito bem reflectida na parábola. Um talento equivalia a seis mil denarios e um denário era o jornal diário de um trabalhador. A dívida de dez mil talentos é uma quantidade exorbitante que nos dá ideia do valor imenso que tem o perdão que recebemos de Deus. Contudo, o ensinamen­to final da parábola é o de perdoar sempre e do íntimo do coração aos nossos irmãos. «Esforça-te, se é preciso, por perdoar sempre aos que te ofenderem, desde o primeiro instante, já que, por maior que seja o prejuízo ou a ofensa que te façam, mais te tem perdoado Deus a ti» <em>(Caminho, </em>n.°452).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>14.03.2012 – Mt 5, 17-19.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>17</sup>Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim abolir mas cumprir.  </span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>18</sup>Em verdade vos digo: até que passem os Céus e a Terra, nem um só jota ou um só til da Lei passará, sem que tudo se cumpra.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>19</sup>Portanto, quem transgredir um só destes mandamentos mais pequenos e ensinar assim aos homens, será o mais pequeno no Reino dos Céus. Mas quem os observar e ensinar, esse será grande no Reino dos Céus.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>17-19. </strong>Jesus ensina neste passo o valor perene do Antigo Testamento, enquanto é palavra de Deus; goza, portanto, de autoridade divina e não pode desprezar-se o mínimo. Na Antiga Lei havia preceitos morais, judiciais e litúrgicos. Os preceitos morais do AT conservam no Novo o seu valor, porque são principalmente promulgações concretas, divino-positivas, da lei natural. Nosso Senhor dá-lhes, contudo, a sua significação e as suas exigências mais profundas. Os preceitos judiciais e cerimoniais, pelo contrário, foram dado por Deus para uma etapa concreta na História da Salvação, a saber, até à vinda de Cristo; a sua observância material em si não obriga os cristãos <em>(cfr Suma Teológica, </em>I-II, q.108, a. 3 ad 3).</p>
<p>A lei promulgada por meio de Moisés e explicada pelos Profetas constituía um dom de Deus para o povo, como antecipação da Lei definitiva que daria Cristo o Messias. Na verdade, como definiu o Concilio de Trento, Jesus não só «foi dado aos homens como Redentor em quem confiem, mas também como Legislador a quem obedeçam» <em>(De justificatione, </em>can. 21).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>15.03.2012 – Lc 11, 14-23.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>14</sup>Jesus estava a expulsar um Demônio e este era mudo. Saído o Demônio, o mudo falou, e as multidões ficaram admiradas, de Deus <sup>15</sup>Disseram, porém, alguns dentre eles: É por Belzebu, Príncipe dos Demônios, que Ele expulsa os Demônios. <sup>16</sup>Outros, para O expe­rimentarem, solicitavam da Sua parte um sinal do céu. <sup>17</sup>Mas Ele, que conhecia os pensamentos deles, disse-lhes: Todo o reino que se dividiu contra si mesmo ficará devas­tado, caindo casa sobre casa. <sup>18</sup>Então, se Satanás, também, se dividiu contra si mesmo, como há-de manter-se o seu reino? Pois vós dizeis que por Belzebu é que Eu expulso os Demônios!&#8230; <sup>19</sup>Mas se Eu expulso os Demônios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos filhos? Por isso é que eles mesmos serão vossos juizes! <sup>20</sup>Mas, se Eu expulso os Demônios pelo dedo de Deus, é que chegou até vós o Reino de Deus.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>21</sup>Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, estão em segurança os seus haveres. <sup>22</sup>Mas, quando surge um mais forte do que ele e o vence, tira-lhe o equipa­mento em que estava confiado e distribui-lhe os despojos.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>23</sup>Quem não está comigo é contra Mim, e quem não junta comigo dispersa.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>14-23. A obstinação dos inimigos de Jesus não cede nem diante da evidência do milagre. Uma vez que não podem negar o valor extraordinário do facto, atribuem-no a artes demoníacas, com o intento de negar que Jesus é o Messias. O Senhor replica-lhes com um raciocínio que não admite escapatória: as expulsões de demônios que faz são provas evidentes de que com Ele chegou o Reino de Deus. O Concilio Vaticano II recordou de novo esta verdade: «O Senhor Jesus deu início à Sua Igreja pregando a boa nova do advento do Reino de Deus prometido desde há séculos nas Escrituras (&#8230;). Também os milagres de Jesus comprovam que já chegou à terra o Reino: <em>«Se lanço fora os demônios com o poder de Deus, é que chegou a vós o Reino de Deus </em>(Lc 11,20; cfr Mt 12,28). Mas este Reino manifesta-se sobretudo na própria pessoa de Cristo, Filho de Deus e Filho do homem, que veio <em>para servir e dar a Sua vida em redenção por muitos </em>(Mc 10,45)» <em>(Lumen gentium, </em>n.° 5).</strong></p>
<p>O forte e bem armado é o demônio (v. 21), que com o seu poder tinha escravizado o homem; mas Jesus Cristo, mais forte que ele, veio, venceu-o e está a desalojá-lo de onde se tinha assenhoreado. São Paulo dirá que Cristo «despojou os principados e às potestades, triunfando publicamente sobre eles» (Col 2,15).</p>
<p>Depois da vitória de Cristo, o « mais forte », as palavras do V. 23 são uma séria advertência aos que O escutavam, e a toda a humanidade: ainda que o não queiram reconhecer Jesus Cristo venceu, e doravante não é admissível a neutralidade diante da Sua causa: quem não estiver com Ele, está contra Ele.</p>
<p><strong>18.</strong> O argumento de Cristo é claro. Um dos maiores males que podem sobrevir à Igreja é precisamente a divisão entre os cristãos, a desunião dos crentes. Temos de fazer nossa a oração de Jesus: «Que todos sejam um; como Tu, Pai, em Mim e Eu em Ti, que assim eles estejam em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste» (Ioh 17,21).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>16.03.2012 – Mt 12, 28b-34.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>28</sup>Mas, se Eu expulso os Demônios pelo Espírito de Deus, é que chegou realmente a vós o Reino de Deus. <sup>29</sup>Ou como pode alguém entrarem casa dum valente e saquear-lhe as alfaias, sem primeiro o prender? Então lhe saqueará a casa. <sup>30</sup>Quem não é comigo é contra Mim, e quem não ajunta comigo espalha.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>31</sup> Por isso, vos digo: Todo o pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será per­doada, <sup>32</sup>e àquele que falar contra o Filho do homem ser-lhe-á perdoado; mas, a quem falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>33</sup>Ou dizei que a árvore é boa e o seu fruto bom, ou dizei que a árvore é ruim e o seu fruto ruim, porque pelo fruto se conhece a árvore. <sup>34</sup>Raça de víboras! Como podeis falar bem, sendo maus? Pois da abundância do coração fala a boca.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>30. </strong>Jesus Cristo com estas palavras resume toda a Sua argumentação contra os fariseus: ou se está com Ele ou se está com o demônio. Já tinha indicado a mesma coisa no Sermão da Montanha: «Ninguém <em>pode </em>servir a dois senhores» (Mt 6, 24). Os que não estão unidos com Jesus Cristo pela fé, pela esperança e pela caridade, estão contra Ele, e por conseguinte da parte do demônio, seu contrário. E isto é Verdadeiramente espalhar.</p>
<p>O Senhor é incisivo ao exigir uma posição perante a Sua Pessoa e o Seu Reino. O cristão não pode contemporizar e, querendo ser cristão, admitir idéias ou proposições que não estão de acordo com o depósito da Revelação e com o que o Magistério da Igreja nos ensina. Por conseguinte não se pode transigir em matéria de fé, tratar de adaptar a doutrina de Jesus à nossa própria conveniência por oportunismo, por comodidade ou por um falso respeito pelos outros. Do mesmo modo que o Senhor nos exige tomar uma posição clara relativamente à Sua Pessoa, com a mesma força pede que tomemos igualmente posição clara relativamente à Sua doutrina. .</p>
<p><strong>31-32. </strong>Deus quer que todos os homens se salvem (1Tim 2,4) e chama todos à penitência (2 Pet 3,9). A Redenção de Cristo é superabundante: satisfaz por todo o pecado e atinge todo o homem (Rom 5,12-21). Cristo entregou à Sua Igreja o poder de perdoar os pecados por meio dos sacramentos do Baptismo e da Penitência. O poder é ilimitado, quer dizer, pode perdoar todo o pecado a todos os baptizados, tantas vezes quantas se confessam com as devidas disposições. Esta doutrina é dogma de fé (cfr <em>De Paenitentia, </em>can. l.).</p>
<p>O pecado de que aqui fala Jesus chama-se pecado contra o Espírito Santo, porque é à terceira Pessoa da Santíssima Trindade que são especialmente atribuídas as manifes­tações exteriores da bondade divina. Por outro lado, diz-se que o pecado contra o Espírito Santo é imperdoável, não tanto pela sua gravidade e malícia, mas pela disposição subjectiva da vontade, própria deste pecado, que fecha as portas ao arrependimento: consiste em atribuir malicio­samente ao demônio os milagres e sinais realizados por Cristo. Deste modo, pela natureza própria deste pecado, fecha-se o caminho para Cristo, que é o único que tira o pecado do mundo (Ioh 1, 29), e o pecador situa-se fora do perdão divino. Neste sentido se chama irremissível o pecado contra o Espírito Santo.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>17.03.2012 – Lc 18, 9-14.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>9</sup>Disse também a seguinte parábola, para alguns, que estavam intimamente convencidos de que eram justos e desprezavam os demais: <sup>10</sup>Subiram ao Templo dois homens para orar: um fariseu e o outro publicano. <sup>11</sup>O fariseu, perfilado, fazia lá consigo esta oração: «Ó Deus, dou-Te graças por não ser como o resto dos homens, que são ladrões, injustos, adúlteros, ou ainda como este publi­cano. <sup>12</sup>Jejuo duas vezes por semana; pago o dízimo de tudo quanto recebo». <sup>13</sup>E o publi­cano, mantendo-se a distância, não ousava nem sequer erguer os olhos ao Céu, mas batia no peito, dizendo: «Ó Deus, sé clemente para comigo, que sou pecador!». <sup>14</sup>Eu vos digo: Desceu este justificado para sua casa, ao contrário do outro, porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>9-14.</strong> O Senhor completa o Seu ensinamento sobre a oração; além de ser perseverante e cheia de fé, a oração deve brotar de um coração humilde e arrependido dos seus pe­cados: <em>Cor contritum et humiliatum, Deus, non despicies </em>(Ps 51,19), o Senhor, que nunca despreza um coração contrito e humilhado, resiste aos soberbos e dá a Sua graça aos humildes (cfr 1 Pet 5,5; lac 4,6).</p>
<p>A parábola apresenta dois tipos humanos contrapostos: o fariseu, meticuloso no cumprimento externo da Lei; e o publicano, pelo contrário, considerado pecador público (cfr Lc 19,7). A oração do fariseu não é agradável a Deus devido ao seu orgulho, que o leva a fixar-se em si mesmo e a desprezar os outros. Começa a dar graças a Deus, mas é óbvio que não se trata de verdadeira acção de graças, visto que se ufana do bem que fez, e não é capaz de reconhecer os seus pecados; como pensa que já é justo, não tem necessi­dade, segundo ele, de ser perdoado; é, efectivamente, per­manece nos seus pecados; a ele se aplica também o que disse o Senhor noutra ocasião a um grupo de fariseus: «Se fósseis cegos não teríeis pecado, mas agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece» (Ioh 9,41). O fariseu baixou do Templo, pois, com os seus próprios pecados.</p>
<p>Pelo contrário, o publicano reconhece a sua indignidade e arrepende-se sinceramente: estas são as disposições neces­sárias para ser perdoado por Deus. A jaculatória do publi­cano, que exprime tais sentimentos, alcança o perdão divino: «Com razão, explica São Francisco de Sales, alguns disseram que a oração justifica, porque a oração contrita ou a contrição orante eleva a alma a Deus, une-a à Sua bondade e obtém o Seu perdão em virtude do amor divino que lhe comunica este santo movimento. Por conseguinte, devemos sentir-nos fortes com tais jaculatórias, feitas com actos de dor amorosa e com desejos de divina reconciliação a fim de que, por meio delas, expressando diante do Salvador as nossas angústias (Ps 142,2), confiemos a alma ao Seu Coração misericordioso que a receberá com piedade» <em>(Tratado do amor de Deus, </em>liv. 2, cap. 20).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>18.03.2012 – Jo 3, 14-21.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>14</sup>Do mesmo modo que Moisés elevou a serpente no deserto, assim tem de ser elevado o Filho do homem, <sup>15</sup>para que todo aquele que acredita tenha, por Ele, a vida eterna.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>16</sup>De facto, Deus amou de tal maneira o mundo que deu o Seu Filho único, para que todo o que n&#8217;Ele acredita náo pereça, mas tenha a vida eterna. <sup>17</sup>É que Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para o mundo ser salvo por Seu inter­médio. <sup>18</sup>Quem n&#8217;Ele acredita não é condenado; mas quem não acredita já está conde­nado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus. <sup>19</sup>É esta a causa da con­denação: veio a Luz ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a Luz, pois eram más as suas obras. <sup>20</sup>E que todo aquele que pratica más acções odeia a Luz e não se aproxima da Luz, para não serem postas a descoberto as suas obras. <sup>21</sup>Quem pratica a verdade aproxima-se da Luz, para se tornar bem claro que as suas obras estão realizadas em Deus.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>14-15. A serpente de bronze, alçada por Moisés num mastro, era o remédio indicado por Deus para curar aqueles que eram mordidos pelas serpentes venenosas do deserto (cfr Num 21,8-9). Jesus Cristo compara este facto com a Sua Crucifixão, para explicar assim o valor da Sua exaltação na Cruz, que é salvação para todos os que O fixem com fé. Neste sentido podemos dizer que no bom ladrão se cumpre já o poder salvífico de Cristo na Cruz: esse homem descobriu no Crucificado o Rei de Israel, o Messias, que imediatamente lhe promete o Paraíso para aquele mesmo dia (cfr Lc 23,39-43).</strong></p>
<p>O Filho de Deus tomou a nossa natureza humana para dar a conhecer os mistérios ocultos da vida divina (cfr Mc 4,11; Ioh 1,18; 3,1-13; Eph 3,9) e para livrar do pecado e da morte aqueles que O fixem com fé e amor (cfr Ioh 19,37; Gal 3,1) e aceitem a cruz de cada dia.</p>
<p>A fé de que nos fala o Senhor não se reduz simplesmente à aceitação intelectual das verdades que Ele nos ensinou, mas inclui reconhecê-Lo como Filho de Deus (cfr l Ioh5,1), parti­cipar da Sua própria Vida (cfr Ioh1,12), e entregarmo-nos por amor, tornando-nos assim semelhantes a Ele (cfr Ioh10,27; 1 Ioh3,2). Mas esta fé constitui um dom de Deus (cfr Ioh3,3.5-8), a quem devemos pedir que a fortaleça e acres­cente, como fizeram os Apóstolos: Senhor, «aumenta-nos a fé» (Lc 17,5). Sendo a fé um dom divino, sobrenatural e gratuito, é, ao mesmo tempo, uma virtude, um hábito bom, susceptível de ser exercitado pessoalmente <em>e, </em>portanto, robustecido através desse exercício. Daí que o cristão, que já possui o dom divino da fé, ajudado pela graça deva fazer actos explícitos de fé para que esta virtude cresça nele.</p>
<p><strong>16-21.</strong> Com estas palavras carregadas de sentido sinte­tiza-se como a Morte de Jesus Cristo é a manifestação suprema do amor de Deus pelos homens (cfr <em>Introdução ao Evangelho segundo São João, </em>parágrafo sobre <em>A caridade, </em>pp 1101-1105). «De tal maneira Deus amou o mundo que lhe entregou Seu Filho Unigênito para a sua salvação. Toda a nossa religião é uma revelação da bondade, da misericórdia, do amor de Deus por nós. &#8216;Deus é amor&#8217; (cfr l Ioh4,16), isto é, amor que se difunde e se prodigaliza; e tudo se resume nesta grande verdade que tudo explica e tudo ilumina. É neces­sário ver a história de Jesus a esta luz. &#8216;Ele amou-me&#8217;, escreve São Paulo, e cada um de nós pode e deve repeti-lo a si mesmo: Ele amou-me, e sacrificou-Se por mim (Gal 2,20)» <em>(Homília do Corpus Christi).</em></p>
<p>A entrega de Cristo constitui o chamamento mais pre­mente a corresponder ao Seu grande amor: «Se Deus nos criou, se nos redimiu, se nos ama ao ponto de entregar por nós o Seu Filho Unigênito (Ioh III, 16), se nos espera — todos os dias! — como aquele pai da parábola esperava o filho pródigo (cfr Lc XV, 11-32). como não há-de desejar que O tratemos com amor? O que seria estranho era não falar com Deus, afastar-se d&#8217;Ele, esquecê-Lo, dedicar-se a actividades estranhas a esses toques ininterruptos da graça» <em>(Amigos de Deus, n.° 251).</em></p>
<p>«O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si próprio um ser incompreensível e a sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor, se ele não se encontra com o amor, se o não experimenta e se o não torna algo seu próprio, se nele não participa vivamente. E por isto precisamente Cristo Redentor (&#8230;) revela plena­mente o homem ao próprio homem. Esta é — se assim é lícito exprimir-se — a dimensão humana do mistério da Redenção. Nesta dimensão o homem reencontra a grandeza, a dignidade e o valor próprios da sua humanidade (&#8230;). O homem que quiser compreender-se a si mesmo profun­damente (&#8230;) deve, com a sua inquietude, incerteza e também fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo. Ele deve, por assim dizer, entrar n&#8217;Ele com tudo o que é em si mesmo, deve &#8216;apro­priar-se&#8217; e assimilar toda a realidade da Encarnação e da Redenção, para se encontrar a si mesmo. Se no homem se actuar este processo profundo, então ele produz frutos, não somente de adoração de Deus, mas também de profunda maravilha perante si próprio. Que grande valor deve ter o homem aos olhos do Criador, se &#8216;mereceu ter um tal e tão grande Redentor&#8217; <em>(Missal Romano, </em>Hino <em>Exultet </em>da Vigília Pascal), se &#8216;Deus deu o Seu Filho&#8217;, para que ele, o homem, &#8216;não pereça, mas tenha a vida eterna&#8217;.</p>
<p>«(&#8230;) A Igreja, que não cessa de contemplar o conjunto do mistério de Cristo, sabe com toda a certeza da fé, que a Redenção que se verificou por meio da Cruz, restituiu defini­tivamente ao homem a dignidade e o sentido da sua existência no mundo, sentido que ele havia perdido em consi­derável medida por causa do pecado. E por isso a Redenção realizou-se no mistério pascal, que, através da cruz e da morte, conduz à ressurreição» <em>(Redemptor hominis, </em>n. 10). Jesus Cristo exige como primeiro requisito para parti­cipar do Seu amor a fé n&#8217;Ele. Com ela passamos das trevas para a luz e entramos em caminho de salvação. «Quem não acredita já está condenado» (v. 18). «As palavras de Cristo são, ao mesmo tempo, palavras de juízo e de graça, de morte e de vida. É que só infligindo a morte ao que é velho podemos ter acesso à novidade de vida: e isto, que vale, em primeiro lugar, das pessoas, vale também dos diversos bens deste mundo que estão marcados tanto pelo pecado do homem como pela bênção de Deus (&#8230;). Por si mesmo e pelas próprias forças não há ninguém que se liberte do pecado e se eleve acima de si mesmo, ninguém absolutamente que se liberte a si mesmo da sua enfermidade, da sua solidão ou da sua escravidão, mas todos precisam de Cristo como modelo, mestre, libertador, salvador, vivificador. De facto, na história humana, mesmo sob o ponto de vista temporal, o Evangelho foi um fermento de liberdade e de progresso e apresenta-se sempre como fermento de fraternidade, de unidade e de paz» <em>(Ad gentes, </em>n. 8).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>19.03.2012 – Mt 1, 16.18-21.24ª.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>16</sup>Jacob gerou a José, o esposo de Maria da qual nasceu <em>Jesus, </em>que se chama Cristo.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>18</sup>Ora o nascimento de Jesus foi assim: Estando Maria, sua Mãe, desposada com José, antes de morarem juntos, notou-se que tinha concebido por virtude do Espírito Santo. <sup>19</sup>José, seu esposo, como era justo e não a queria infamar, resolveu deixá-la secretamente. <sup>20</sup>Mas, andando ele com este pensamento, apareceu-lhe, em sonhos, um anjo do Senhor, que lhe disse:</span></p>
<p><span style="color: #993300;">— José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou, <em>é </em>obra do Espírito Santo. <sup>2l</sup>Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome <em>de Jesus, </em>porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>24</sup>E José, despertando do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu a sua esposa.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>16</strong>. Entre os Hebreus as genealogias faziam-se por via masculina. José, como esposo de Maria, era o pai legal de Jesus. A figura do pai legal é equivalente quanto a direitos e obrigações à do verdadeiro pai. Neste facto se fundamenta solidamente a doutrina e a devoção ao Santo Patriarca como padroeiro universal da Igreja, visto que foi escolhido para desempenhar uma função muito singular no plano divino da nossa salvação: pela paternidade legal de São José é Jesus Cristo Messias descendente de David.</p>
<p>Do costume ordinário de celebrar os desposórios entre os membros de uma mesma estirpe, deduz-se que Maria pertencia à casa de David. Neste sentido falam também antigos Padres da Igreja. Assim Santo Inácio de Antioquia, Santo Ireneu, São Justino e Tertuliano, os quais fundamentam o seu testemunho numa tradição oral constante.</p>
<p>É de assinalar que São Mateus, para indicar o nascimento de Jesus, usa uma fórmula completamente diversa da aplicada aos demais personagens da genealogia. Com estas palavras o texto ensina positivamente a conceição virginal de Jesus, sem intervenção de varão.</p>
<p><strong>18</strong>. São Mateus narra aqui como foi a conceição de Cristo (cfr Lc 1, 25-38): «(&#8230;) verdadeiramente celebramos e veneramos por Mãe de Deus (Maria), por ter dado à luz uma pessoa que é juntamente Deus e homem (&#8230;)» <em>(Catecismo Romano, l, </em>4, 7).</p>
<p>Segundo as disposições da Lei de Moisés, aproxima­damente um ano antes do casamento realizavam-se os desposórios. Estes tinham praticamente já o valor jurídico do matrimônio. O casamento propriamente dito consistia, entre outras cerimônias, na condução solene e festiva da esposa para casa do esposo (cfr Dt 20,7).</p>
<p>Já desde os desposórios era preciso o libelo de repúdio, no caso de ruptura das relações.</p>
<p>Todo o relato do nascimento de Jesus ensina através do cumprimento da profecia de Isaías 7, 14 (que citará expres­samente nos versículos 22-23): 1.° Jesus é descendente de David pela via legal de José; 2.° Maria é a Virgem que dá à luz segundo a profecia; 3.° o caracter miraculoso da con­ceição do Menino sem intervenção de varão.</p>
<p><strong>19. </strong>«José era efectivamente um homem corrente, em quem Deus confiou para operar coisas grandes. Soube viver, tal como o Senhor queria, todos e cada um dos aconteci­mentos que compuseram a sua vida. Por isso, a Escritura Santa louva José, afirmando que era justo. E, na linguagem hebraica, justo quer dizer piedoso, servidor irrepreensível de Deus, cumpridor da Vontade divina (cfr Gen 7,1; 23-32; Ez 18,5 ss; Pry 12, 10); outras vezes significa bom e caritativo com o próximo (cfr Tob 7,6; 9,6). Numa palavra, o justo é o que ama a Deus e demonstra esse amor, cumprindo os Seus mandamentos e orientando toda a sua vida ao serviço dos irmãos, os outros homens» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 40).</p>
<p>José considerava santa a sua esposa não obstante os sinais da sua maternidade. Por isso se encontrava perante uma situação inexplicável para ele. Procurando precisamente actuar de acordo com a vontade de Deus sentia-se obrigado a repudiá-la, mas, com o fim de evitar a infâmia pública de Maria, decide deixá-la privadamente.</p>
<p>É admirável o silêncio de Maria. A sua entrega perfeita a Deus leva-a inclusivamente a não defender a sua honra e a sua inocência. Prefere que caia sobre Ela a suspeita e a infâmia, a manifestar o profundo mistério da Graça. Perante um facto inexplicável por razões humanas, abandona-se confiadamente no amor e providência de Deus.</p>
<p>Devemos contemplar a magnitude da prova a que Deus submeteu estas duas almas santas: José e Maria. Não nos pode causar estranheza que também nós sejamos submetidos por vezes, ao longo da vida, a provas duras; nelas temos de confiar em Deus e permanecer-Lhe fiéis, a exemplo de José e Maria.</p>
<p><strong>20. </strong>Deus ilumina oportunamente o homem que actua com rectidão e confia no poder e sabedoria divina, perante situações que superam a compreensão da razão humana. O anjo recorda neste momento a José, ao chamar-lhe filho de David, que é o elo providencial que une Jesus com a estirpe de David, segundo a profecia messiânica de Natan (cfr 2 Sam 7, 12). Corno diz São João Crisóstomo: «Antes de mais recorda-lhe David, de quem tinha de vir Cristo, e não lhe consente estar perturbado desde o momento que, pelo nome do mais glorioso dos seus antepassados, lhe traz à memória a promessa feita a toda a sua linhagem » <em>(Hom. sobre S. Mateus, </em>4).</p>
<p>«Jesus Cristo, único Senhor, nosso, Filho de Deus, quando tomou por nós carne humana no ventre da Virgem, foi con­cebido não por obra de varão, como os outros homens, mas, sobre toda a ordem natural, por virtude do Espírito Santo; de tal maneira que a mesma pessoa (do Verbo), permanecendo Deus, como o era desde a eternidade, se fizesse homem, o qual não era antes» <em>(Catecismo Romano, </em>1,4,1).</p>
<p><strong>21. </strong>Segundo a raiz hebraica, o nome de Jesus significa «salvador». Depois da Virgem Santa Maria, José é o primeiro homem que recebe esta declaração divina do facto da salvação, que já se estava a realizar.</p>
<p>«Jesus é o nome exclusivo do que é Deus e homem, o qual significa salvador, imposto a Cristo não casualmente nem por ditame ou disposição humana, mas por conselho e mandato de Deus.</p>
<p>(&#8230;) Os nomes profetizados (&#8230; o Admirável, o Conselheiro, Deus, o Forte, o Pai do século vindouro, o Príncipe da paz, cfr Is 9, 6), que se deviam dar por disposição divina ao Filho de Deus, resumem-se no nome de Jesus, porque, enquanto os outros se referem apenas sob algum aspecto à salvação que nos devia dar, este compendiou em si mesmo a realidade e a causa da salvação de todos os homens» <em>(Catecismo Romano </em>I, 3, 5 e 6).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>20.03.2012 – Jo 5, 1-16.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;">Depois disto, houve uma festa dos Judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. <sup>2</sup>Ora existe em Jerusalém, junto à Piscina das Ovelhas, uma que, em hebraico, se chama Bezatá, que tem cinco pórticos. <sup>3</sup>Nestes jazia grande número de enfermos, cegos, coxos, entrevados, que esperavam o movimento da água. <sup>4</sup>É que o Anjo do Senhor, de tempos a tempos, descia à piscina e agitava a água. E assim, o primeiro que mergulhava, depois da agitação da água, ficava curado de qual­quer mal de que estivesse atingido.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>5</sup>Estava ali um homem, enfermo havia trinta e oito anos. <sup>6</sup>Jesus, ao vê-lo estendido e sabendo que já estava assim havia muito tempo, diz-lhe: Queres ficar são? <sup>7</sup>Senhor — responde-Lhe o enfermo — não tenho nin­guém que me lance na piscina, quando a água se agitar; e enquanto eu vou, outro desce antes de mim. <sup>8</sup>Diz-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu catre e anda. <sup>9</sup>E logo o homem ficou são, tomou o catre e pôs-se a caminhar.</span></p>
<p><span style="color: #993300;">Ora aquele dia era um sábado. <sup>10</sup>Diziam, por isso, os Judeus ao miraculado: É sábado e não podes levar esse catre. <sup>11</sup>Mas ele res­pondeu-lhes: Quem me curou é que me disse: «Toma o teu catre e anda». <sup>12</sup>Perguntaram-lhe então: Quem é o homem que te disse: «Toma o teu catre e anda »? <sup>13</sup>Mas o que tinha sido curado não sabia quem era, pois Jesus havia-Se afastado, por haver muita gente no local.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>14</sup>Em seguida, encontrou-o Jesus no Templo e disse-lhe: Ficaste curado. Não tornes a pecar, para não te suceder coisa pior. <sup>15</sup>O homem foi dizer aos Judeus que tinha sido Jesus que o curara. <sup>16</sup>Por isso os Judeus perseguiam Jesus, visto Ele fazer tais coisas ao sábado.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1.</strong> Não é possível determinar com certeza de que festa se trata; provavelmente refere-se à Páscoa, conhecida inclusivamente no mundo greco-romano como a festa nacional do povo judaico. Mas também poderia referir-se a outras festas, como a de Pentecostes. (Sobre esta questão veja-se <em>Cronologia da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, </em>parágrafo 3, <em>Duração do Ministério Público, </em>pp. 88-89).</p>
<p><strong>2<em>.</em></strong><em> </em>A esta piscinachama-se também «probática» por estar situada, nos Subúrbios de Jerusalém, junto à porta probática ou das Ovelhas (cfr Neh 3,1-32; 12,39), pela qual entrava o gado que\se destinava aos sacrifícios do Templo. Em fins do século XIX encontraram-se vestígios da piscina: escavada em rocha\ era de forma rectangular e estava rodeada de quatro galerias ou alpendres, e um quinto alpendre dividia o tanque  em duas metades quase quadra­das.</p>
<p><strong>3-4.</strong> Os Santos Padres ensinam que essa piscina prefigura o Baptismo cristão. Mas assinalam que enquanto na piscina de Bezatá se curavam as doenças do corpo, no Baptismo curam-se as da alma; ali era de vez em quando e para um só doente; no Baptismo é sempre e para todos; em ambos os casos manifesta-se o poder de Deus por meio da água (cfr <em>Hom. sobre S. João, </em>36,1).</p>
<p>A edição Sixto-Clementina da Vulgata recolhe, como segunda parte do v. 3 e constituindo todo o v. 4, o seguinte passo: <sup>3b</sup>exspectantium aquae motum. <sup>4</sup>Angelus autem Domini descendebat secundum tempus in piscinam et movebatur aqua. Et qui prior descendisset in piscinam post motionem aquae sanus fiebat a quacumque detinebatur infirmitate» (<sup>3b</sup>«que aguardavam o movimento da água. <sup>4</sup> Pois um anjo do Senhor descia de vez em quando à piscina e movia a <em>água. </em>O primeiro que se metesse na piscina depois do movimento da água ficava são de qualquer enfermidade que tivesse»). A <em>Neo-vulgata, </em>pelo contrário, omite no seu texto todo este passo, consignando-o apenas em nota de rodapé. Tal omissão funda-se em que não vem em impor­tantes códices e papiros gregos, nem em muitas versões antigas.</p>
<p><strong>14. </strong>Possivelmente o paralítico tinha acorrido ao Templo para dar graças a Deus pela sua cura. Jesus vem ao seu encontro e recorda-lhe que mais importante que a saúde do corpo é a saúde da alma.</p>
<p>O Senhor recorre ao santo temor de Deus como incentivo na luta contra o pecado: «Não tornes a pecar para não te suceder coisa pior». Este bom temor que nasce do respeito por nosso Pai Deus compagina-se perfeitamente com o amor. Assim como os filhos amam e respeitam os pais, e procuram evitar-lhes desgostos também por temor ao castigo, de modo semelhante nós temos de lutar contra o pecado em primeiro lugar porque é uma ofensa a Deus, mas também porque podemos ser castigados nesta vida e, sobretudo, na outra.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>21.03.2012 – Jo 5, 17-30.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>17</sup>Mas Jesus respondeu-lhes: Meu Pai trabalha continuamente e Eu também trabalho. <sup>18</sup>Daqui resultou que os Judeus mais se esforçavam por Lhe dar a morte, não só por violar o sábado, mas também por chamar a Deus Seu próprio Pai, fazendo-Se igual a Deus.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>19</sup>Entáo Jesus tomou a palavra e pôs-Se a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Não pode o Filho fazer nada por Si mesmo, se não vir o Pai fazer alguma coisa; pois aquilo que Este faz, também o Filho o faz igualmente. <sup>20</sup>De facto, o Pai ama o Filho e mostra-Lhe tudo o que Ele mesmo faz; e há-de mostrar-Lhe obras maiores do que estas, de modo que ficareis admirados. <sup>21</sup>Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida àqueles que quer. <sup>22</sup>O Pai, de facto, não julga ninguém, mas entregou ao Filho todo o julgamento, <sup>23</sup>para todos honrarem o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai, que O enviou.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>24</sup>Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a Minha palavra e acredita n&#8217;Aquele que Me enviou tem a vida eterna e não incorre em condenação, mas já transitou da morte para a vida. <sup>25</sup>Em verdade, em ver­dade vos digo: Vai chegar a hora — e é já — em que os mortos hão-de ouvir a voz do Filho de Deus; e os que ouvirem viverão! <sup>26</sup>Pois, assim como o Pai tem a vida em Si mesmo, assim também concedeu ao Filho o ter a vida em Si mesmo; <sup>27</sup>e deu-Lhe o poder de julgar, por ser Filho de homem. <sup>28</sup>Não vos admireis com isto, porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos túmulos hão-de ouvir a Sua voz; <sup>29</sup>os que tiverem feito boas obras ressuscitarão para a vida, e os que tiverem praticado más acções hão-de ressuscitar para a condenação. <sup>30</sup>Eu nada posso fazer por Mim mesmo. Conforme oiço é que julgo, e é justo o Meu juízo, porque não busco a Minha vontade, mas a vontade d&#8217;Aquele que Me enviou.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>16-18. A Lei de Moisés assinalava o sábado como o dia de descanso semanal. Desta forma os Judeus pensavam imitar a maneira de agir de Deus na Criação. Observa São Tomás de Aquino que Jesus rejeita a estreita interpretação que davam os Judeus: «Estes, querendo imitar a Deus, não faziam nada ao sábado, como se Deus neste dia tivesse deixado absolutamente de actuar. É verdade que ao sábado descansou da criação de novas criaturas, mas sempre e de forma contínua actua, conservando-as no ser&#8230; Deus é causa de todas as coisas no sentido de que também as faz subsistir; porque se num momento dado se interrompesse o Seu poder, imediatamente deixariam de existir todas as coisas que a natureza contém» <em>(Comentário sobre S. João, ad loc.). </em>«Meu Pai trabalha continuamente e Eu também tra­balho»: Já dissemos que Deus não deixa de actuar depois da Criação. Como o Filho actua junto com o Pai, que com o Espí­rito Santo são um só Deus, por esta razão Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, <em>pode </em>dizer que não deixa de trabalhar. Estas palavras.de Jesus fazem referência implí­cita à Sua natureza divina, e assim o entenderam os Judeus, os quais, considerando-as uma blasfêmia, quiseram dar-Lhe a morte. Todos — comenta Santo Agostinho — chamamos a Deus «Pai Nosso que estais nos Céus» (Is 63,16; 64,8). Não se enfureciam, portanto, porque dissesse que Deus era Seu Pai, mas porque Lhe chamava Pai de maneira muito diferente de como Lhe chamam os homens. Vede como os Judeus veem; os arianos, pelo contrário, não querem ver. Estes dizem que o Filho não é igual ao Pai, e daqui surge uma heresia que aflige a Igreja. Vede como até os próprios cegos e os mesmos que mataram Cristo entenderam o<em> </em>sentido das palavras do Senhor <em>(In Ioann. Evang., </em>17,l). Nós chamamos a Deus nosso Pai porque somos filhos adoptivos pela graça; Jesus Cristo chama a Deus Seu Pai porque é o Filho por natureza. Por isso diz depois de ressuscitar: Subo para Meu Pai e vosso Pai (Ioh 20,17), distinguindo assim com clareza essas duas maneiras diferentes de ser filhos de Deus.</strong></p>
<p><strong>19.</strong> Jesus fala da igualdade e ao mesmo tempo da distinção entre o Pai e o Filho. Os dois são iguais: todo o poder do Filho é o poder do Pai, as obras do Filho são as obras do Pai. Ao mesmo tempo são duas Pessoas distintas: por isso o Filho faz o que viu fazer ao Pai.</p>
<p>Não se devem entender estas palavras do Senhor no sentido de que o Filho veja o que o Pai faz e que depois repita o que viu, como um discípulo que imita o professor; mas com esta frase indica-se a comunicação de poderes do Pai para o Filho por geração. Emprega-se o verbo «ver» porque o homem conhece através dos sentidos, especialmente da vista; dizer que o Filho vê o que faz o Pai é um modo de falar dos poderes que desde toda a eternidade recebe d&#8217;Ele (cfr <em>Comentário sobre S. João, ad </em><em>loc</em>.).</p>
<p><strong>20-21.</strong> Quando se diz que o Pai mostra ao Filho «tudo o que Ele mesmo faz » indica-se que Cristo pode fazer o mesmo que o Pai. Assim, quando Jesus Cristo realiza obras que são próprias de Deus, está a testemunhar com elas a Sua Divindade (cfr Ioh 5,36).</p>
<p>«Obras maiores»: Pode referir-se aos milagres que Jesus realizará na Sua vida e ao poder de julgar. Mas o milagre por excelência de Jesus é a Sua própria Ressurreição, causa e primícia da nossa (cfr l Cor 15,20 ss.) e da aquisição para nós da vida sobrenatural. O poder vivificador de Cristo é total, tal como o do Pai. Este ensinamento desenvolve-se ao longo dos versículos seguintes até ao 29.</p>
<p><strong>22-30.</strong> O poder de julgar também foi dado pelo Pai ao Verbo Encarnado. O juízo será condenatório para quem não crer em Cristo e na Sua palavra (cfr 3,18). É necessário reconhecer o senhorio de Jesus Cristo, sabendo que só ao aceitar o Filho feito homem honramos o Pai; aquele que não honra Jesus, também não honra o Pai (v. 23). Por esta acei­tação de Cristo, da Sua palavra, possuímos a vida eterna e somos libertados da condenação. Ele, assumida já de modo inseparável a Sua Humanidade, <em>é </em>constituído juiz, e o Seu juízo é justo porque busca cumprir a Vontade do Pai que O enviou, e não faz nada por conta própria; isto é, a Sua vontade humana está perfeitamente identificada com a Sua vontade divina: por isso pode afirmar Jesus que não faz a Sua vontade mas a Vontade do que O enviou.</p>
<p><strong>22. </strong>Deus, por ser o Criador do mundo, é o Juiz supremo de todas as criaturas. Só Ele pode saber com toda a profundidade se estas criaturas cumprem o fim que Ele lhes marcou. Jesus Cristo, Verbo Encarnado, recebe os poderes divinos (cfr Mt 11,27;28,18; Dan7,14), entre eles o de julgar os homens. Ora bem, a Vontade de Deus é que estes se salvem: Cristo não veio para um juízo de condenação, mas de salvação (cfr Ioh12,47). Unicamente o que não aceitar esta missão divina do Filho se coloca a si mesmo fora do âmbito da salvação. Como ensina o Magistério: «Que o poder judi­cial Lhe tenha sido dado por Seu Pai, o próprio Jesus Cristo o proclama diante dos Judeus que Lhe atiram à cara ó ter violado o descanso do sábado ao curar o paralítico (&#8230;). Este poder supõe o direito de impor prêmios e castigos aos homens, mesmo nesta vida» <em>(Quas primas, Dz-Sch </em>3677). Jesus Cristo, portanto, é Juiz de vivos e de mortos, e retri­buirá a cada um segundo as suas obras (cfr 1 Pet 1,17).</p>
<p>«É certo que de todas as nossas culpas temos de prestar estreitas contas ao eterno Juiz; mas, quem será este nosso Juiz? <em>O Pai (&#8230;) deu todo o juízo ao Filho. </em>Consolemo-nos, pois, já que o Eterno Pai pôs a nossa causa nas mãos do nosso próprio Redentor. São Paulo anima-nos com estas palavras: <em>Quem será o que condene? Cristo, Jesus, o que morreu (&#8230;) é Quem (&#8230;) intercede por nós </em>(Rom 8,34). Quem é o juiz que nos há-de condenar? O próprio Salvador que, para não nos condenar à morte eterna, quis condenar-Se a Si mesmo e,por conseguinte, morreu e, não contente com isso, agora no Céu prossegue junto do Pai sendo mediador da nossa sal­vação» <em>(Prática de amor a Jesus Cristo, </em>cap. 3).</p>
<p><strong>24.</strong> Escutar a palavra de Cristo e crer n&#8217;Aquele que O enviou, isto é, no Pai, são duas expressões intimamente rela­cionadas. O que diz Jesus Cristo é revelação divina; por isso, aceitar as palavras de Jesus equivale a crer em Deus Pai: «Aquele que crê em Mim, não crê em Mim, mas n&#8217;Aquele que Me enviou (&#8230;). Porque Eu não falei por Mim Mesmo, mas o Pai que Me enviou, ordenou-Me o que hei-de dizer e falar» (Ioh12,44.49).</p>
<p>Aquele que tem fé está no caminho da vida eterna, porque participa, já nesta vida terrena, da vida divina que é eterna; mas não a conseguiu definitivamente — porque pode perdê-la —, nem em plenitude: «Queridos, agora somos filhos de Deus mas ainda não se manifestou o que seremos (&#8230;), quando se manifestar seremos semelhantes a Ele» (l Ioh3,2). Para aquele que se mantém firme na fé, e vive de acordo com as suas exigências, o juízo divino não será condenatório mas salvador.</p>
<p>Portanto, vale a pena esforçar-se, apoiados na graça, por viver uma vida coerente com a fé: «Se se procurar com tanto empenho, com tanto trabalho e com tanto esforço viver aqui um pouco mais, quanto não deverá fazer-se para viver eternamente?» <em>(De verb. Dom. semi., </em>64).</p>
<p><strong>25-30.</strong> Com estes vv encerra-se a primeira parte do dis­curso do Senhor, que abarca de5,19 a 5,47, e cujo núcleo essencial é a revelação acerca da Sua relação com o Pai. Para compreender as afirmações que o Senhor faz aqui há que ter presente que Ele, por ser uma única Pessoa (divina), um só sujeito de operações, um único Eu, exprime em palavras humanas não só os sentimentos que tem como homem, mas também a realidade mais profunda do Seu ser: é o Filho de Deus, tanto na Sua geração eterna pelo Pai, como na Sua geração no tempo ao assumir a natureza humana. Daqui que Jesus Cristo tenha uma consciência tão viva e profunda — inimaginável para nós — da Sua filiação, que O leva a tratar o Pai com uma intimidade singularíssima, com amor e, ao mesmo tempo, com respeito; está consciente ao mesmo tempo da Sua igualdade com o Pai; por isso, quando fala de que o Pai Lhe deu a vida (v. 26), ou Lhe deu o poder (v. 27), não é que tenha recebido uma parte, mas a totalidade da própria vida — «em si mesmo» — ou do próprio poder, sem que o Pai os perca.</p>
<p>«Vês como mostra a igualdade e como a única diferença consiste em que um é o Pai e outro o Filho. Porque a expressão &#8216;deu&#8217; introduz esta única diferença e demonstra que tudo o resto é igual. Daí se segue que Ele (Cristo) faz todas as coisas com a mesma potestade e com o mesmo poder que o Pai e que não toma a Sua força senão d&#8217;Ele» <em>(Hom. sobre </em>S. <em>João, </em>39,3).</p>
<p>Maravilha-nos neste passo do Evangelho como na estreiteza da linguagem humana Jesus Cristo exprimiu os sentimentos do Seu único Eu: a Segunda Pessoa da Santís­sima Trindade que assumiu no tempo (e a partir desse momento para sempre) a natureza humana. É um mistério que o cristão deve contemplar, ainda que não o possa com­preender; só pode sentir-se inundado por uma luz tão potente que supera a sua capacidade de compreensão, mas enche a sua alma de fé e de desejos de adoração.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>22.03.2012 – Jo 5, 31-47.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>31</sup>Se Eu der testemunho de Mim mesmo, o Meu testemunho não passa por verídico. <sup>32</sup>É outro que dá testemunho de Mim, e Eu sei que é verídico o testemunho que Ele dá de Mim. <sup>33</sup>Vós mandastes enviados a João e ele deu testemunho da verdade. <sup>34</sup>Não é dum homem que Eu recebo testemunho, mas digo-vos isto para que vos salveis. <sup>35</sup>Ele era uma lâmpada que ardia e brilhava, e vós, por um momento, deixastes-vos tomar de alegria com a sua luz. <sup>36</sup>Mas Eu tenho um testemunho maior que o de João, pois as obras que o Pai Me deu para consumar, essas mesmas obras que faço, atestam, a Meu respeito, que o Pai Me enviou. <sup>37</sup>E o Pai que Me enviou deu Ele mesmo testemunho de Mim. Nunca Lhe ouvistes a voz, nem Lhe vistes a figura, <sup>38</sup>e não tendes, permanecendo em vós, a Sua palavra, porque não acredi­tais No que Ele enviou. <sup>39</sup>Esquadrinhais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de Mim! <sup>40</sup>Vós, porém, não quereis vir a Mim, para terdes a vida.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>41</sup>Não é dos homens que Eu tiro glória; <sup>42</sup>aliás, bem vos conheço: não tendes em vós o amor de Deus. <sup>43</sup>Eu vim em nome de Meu Pai e vós não Me recebeis. Se outro vier em seu próprio nome, recebê-lo-eis. <sup>44</sup>Como po­deis acreditar, vós que tirais glória uns dos outros e não buscais a glória só da parte de Deus? <sup>45</sup>Não penseis que Eu vou acusar-vos ao Pai. Há quem vos acuse, Moisés, em quem pusestes a vossa esperança; <sup>46</sup>porquanto, se acreditásseis em Moisés, acreditaríeis em Mim, visto ele ter escrito a Meu respeito! <sup>47</sup>Mas, se não acreditais nos seus escritos, como haveis de acreditar nas Minhas pala­vras?</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>31-40. A Jesus, por ser o Filho de Deus, bastava-Lhe a Sua própria autoridade para dar validade às Suas palavras (cfr 8,18); mas, como outras vezes, acomoda-Se aos usos dos homens e condescende com a forma de pensar dos Seus ouvintes. Assim, antecipando-Se à possível objecção dos Judeus de que o testemunho de uma pessoa na sua própria causa não é suficiente (cfr Dt 19,15), explica que as Suas palavras são avalizadas por quatro testemunhos: o de São João Baptista, o dos milagres, o do Pai, e o das Sagradas Escrituras do Antigo Testamento.</strong></p>
<p>João Baptista tinha dado testemunho de que Jesus era o Filho de Deus (1,34). Ainda que Jesus não tivesse necessidade de recorrer ao testemunho de um homem, nem sequer ao de um grande profeta, aquele testemunho foi dado em atenção aos Judeus, para que reconhecessem o Messias. Jesus pode mostrar-lhes, além disso, um testemunho melhor que o do Baptista: os milagres que realiza, e que são, para quem os queira reconhecer com olhar limpo, sinais inequívocos do Seu poder divino, de que procede do Pai; os milagres de Jesus são, pois, testemunhos do Pai acerca do Seu Filho, que enviou ao mundo. Noutras ocasiões o Pai manifesta a divin­dade de Jesus: no Baptismo (cfr 1,31-34), na Transfiguração (cfr Mt 17,1-8) e, mais tarde, diante de toda a multidão (cfr Ioh12,28-30).</p>
<p>Jesus apela também para outro testemunho divino: o que se encontra nas Sagradas Escrituras. Estas falam d&#8217;Ele, mas os Judeus não são capazes de penetrar ó seu verdadeiro sentido, porque as leem sem se deixarem iluminar por Aquele a Quem Deus enviou e em Quem se cumprem todas as profecias. «A &#8216;economia&#8217; do Antigo Testamento destina­va-se sobretudo a preparar, a anunciar profeticamente (cfr Lc 24,44; Ioh5,39; 1Pet 1,10) e a simbolizar com várias figuras (cfr 1Cor 10,11) o advento de Cristo, redentor universal, e o do reino messiânico (&#8230;). Por isso, os fiéis devem receber com devoção estes livros que exprimem o vivo sentido de Deus, nos quais se encontram sublimes doutrinas a respeito de Deus, uma sabedoria salutar a respeito da vida humana, bem como admiráveis tesouros de preces, nos quais, finalmente, está latente o mistério da nossa salvação» <em>(Dei Verbum, </em>n. 15).</p>
<p><strong>41-47.</strong> Jesus lança à cara dos Seus ouvintes três impedi­mentos que têm para O reconhecerem como o Messias e Filho de Deus: a falta de amor a Deus, a busca da glória humana e a interpretação interessada dos textos sagrados. A defesa que Jesus fez da Sua própria actuação e das relações com o Pai poderia fazer pensar aos Seus adversários que pretendia glória humana. Porém, os testemunhos aduzidos por Jesus (o Baptista, os milagres, o Pai e as Escrituras) põem em evidência que não é Ele quem busca a Sua glória, e que os Judeus O perseguem não por amor a Deus nem por defesa da honra divina, mas por motivos que não são rectos, ou por uma visão meramente humana.</p>
<p>Na verdade, o Antigo Testamento leva ao conhecimento de Jesus Cristo (cfr Ioh1,45; 2,17.22; 5,39.46; 12,16.41); não obstante, os Judeus permanecem na incredulidade pelas suas disposições interiores, pois reduzem as promessas messiânicas dos livros sagrados a uma esperança naciona­lista. Tais concepções, nada sobrenaturais, fecham-lhes a alma para as palavras e para as acções de Jesus, e impedem-nos de ver que n&#8217;Ele se estão a cumprir as antigas profecias (cfr 3,14-16).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>23.03.2012 – Jo 7, 1-2.10.25-30.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;">Depois disto, andava Jesus pela Galileia, pois não queria andar pela Judeia, porque os Judeus procuravam dar-Lhe a morte.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>2</sup>Estava próxima a festa judaica dos Tabernáculos.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>10</sup>Mas, depois de os Seus irmãos terem subido para irem à festa, subiu então Ele também, não publicamente, mas em segredo.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>25</sup>Diziam então alguns dos de Jerusalém: Não é a Este que procuram dar a morte? <sup>26</sup>Aí está Ele a falar abertamente, e nada Lhe dizem! Teriam, na verdade, os chefes reco­nhecido que Ele é o Messias? <sup>27</sup>Mas Este sabemos donde é; o Messias, quando vier, ninguém sabe donde é. <sup>28</sup>Entretanto Jesus, estando a ensinar no Templo, disse em voz alta: Não só Me conheceis, mas sabeis tam­bém donde Eu sou, se bem que Eu não tenha vindo de Mim mesmo; mas Aquele que Me enviou é verdadeiro. Esse que vós não conheceis. <sup>29</sup>Eu é que O conheço, porque venho de junto d&#8217;Ele e foi Ele que Me enviou. <sup>30</sup>Procuravam então prendê-Lo, mas ninguém Lhe deitou a mão, porque ainda não chegara a Sua hora.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-3.</strong> Os parentes mais próximos costumavam cha­mar-se entre os Judeus com o nome de «irmãos» (cfr as notas a Mt 12,46-47 e a Mc 6,1-3). Estes parentes de Jesus continuavam sem compreender a Sua doutrina e a Sua missão (cfr Mc 3,31); não obstante, como os milagres realizados na Galileia eram patentes (cfr Mt 15,32-39; Mc 8,1-10.22-26), sugerem-Lhe que Se manifeste publicamente em Jerusalém e em toda a Judéia. Com isso quiçá buscassem o triunfo temporal de Jesus, que podia afagar a vaidade familiar.</p>
<p><strong>2.</strong> O nome desta festa evoca o tempo que os Hebreus passaram no deserto, habitando em tendas de campanha (cfr Lev 23,34-36). Durante os oito dias que durava a festa (cfr Neh 8,13-18), no começo do Outono, comemorava-se a protecção que os israelitas tinham recebido de Deus ao longo daqueles quarenta anos do Êxodo. Por coincidir com o termo das colheitas, estas festas chamavam-se também das Colheitas (cfr Ex 23,16).</p>
<p><strong>10. </strong>Uma vez que não subia com a antecipação costu­mada, as primeiras caravanas que chegassem da Galileia anunciariam que Jesus não estaria presente naquela festi­vidade e, por conseguinte, os membros do Sinédrio desis­tiriam de tomar medidas contra Ele (cfr 7,1). Ao subir mais tarde, as autoridades judaicas não se atreveriam a causar-Lhe dano por temor a uma revolta popular (cfr Mt 26,5). Jesus, possivelmente em companhia dos Seus discípulos, chega a Jerusalém passando despercebido para o povo, «em segredo». Estando a festa já a meio, no quarto ou no quinto dia, começou a pregar no Templo (cfr 7,14).</p>
<p><strong>27.</strong> Ao longo deste capítulo aparecem frequentemente as dúvidas e o desconcerto dos Judeus. Discutem entre eles se Jesus é o Messias, ou um profeta, ou um impostor (v. 12); não sabem donde Lhe vem a Sua sabedoria (v. 15), respondem-Lhe irritados (vv 19-20) e admiram-se da atitude do Sinédrio (v. 26). Não obstante, apesar dos sinais que viram (milagres, doutrina), resistem a crer que Jesus é o Messias. Possivelmente uns pensavam que era de Nazaré, filho de José e de Maria, o que não se acomodava com a ideia comum derivada do vaticínio de Isaías (Is 53,1-8), de que se desco­nheceria a origem do Messias, excepto a Sua estirpe davídica e o Seu lugar de nascimento, Belém (cfr Mt 2,5 que cita Mich 5,2; cfr Ioh 7,42). Jesus, na realidade, cumpria estas predições proféticas ainda que a maioria dos Judeus não estivessem bem informados, pois desconheciam o Seu nasci­mento virginal em Belém e a Sua ascendência davídica. Outros, pelo contrário, deviam conhecer melhor a estirpe davídica de Jesus, o Seu nascimento em Belém, etc., mas não queriam aceitar as Suas palavras, porque elas levavam con­sigo as exigências de uma conversão moral e mental a que se fechavam culpavelmente.</p>
<p><strong>28-29.</strong> Jesus refere-Se com certa ironia ao conhecimento superficial que d&#8217;Ele têm aqueles judeus, baseado nas apa­rências: Ele afirma, não obstante, que procede do Pai que O enviou, a Quem só Ele conhece, precisamente por ser o Filho de Deus (cfr Ioh 1,18).</p>
<p><strong>30.</strong> Os judeus entenderam que Jesus Se fazia igual a Deus e isto era considerado uma blasfêmia, que segundo a Lei devia ser castigada com a morte por lapidação (cfr Lev 24,15-16.23).</p>
<p>Não é a primeira vez que São João refere a hostilidade dos judeus (cfr Ioh 5,10) nem será a última (cfr Ioh 8,59; 10,3 1-33). Sublinha esta hostilidade porque assim se deu de facto e quiçá também para pôr em realce a liberdade de Jesus que, cumprindo a Vontade do Pai, Se entregará nas mãos dos Seus inimigos quando chegar a Sua «hora» (cfr Ioh 1 8,4-8). «O Senhor não faz referência à hora em que seria obrigado a morrer, mas à hora em que Se deixaria matar. Esperava o tempo em que tinha de morrer, como esperou também o tempo em que tinha de nascer» <em>(In Ioann. Evang., </em>31,5).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>24.03.2012 – Jo 7, 40-53.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>40</sup>Diziam então alguns dentre a multidão, que tinham ouvido estas palavras: Ele é na verdade o Profeta! <sup>41</sup>Outros afirmavam: É o Messias! Outros, porém, diziam: Mas é da Galileia que vem o Messias? <sup>42</sup>Não disse a Escritura que é da descendência de David e da povoação de Belém, de onde era David, que vem o Messias? <sup>43</sup>Estabeleceu-se, pois, desa­cordo entre a multidão, por causa d&#8217;Ele. <sup>44</sup>Alguns queriam prendê-Lo, mas ninguém Lhe deitou as mãos.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>45</sup>Então, os guardas vieram ter com os Sumos Sacerdotes e os Fariseus, que lhes perguntaram: Porque não O trouxestes? <sup>46</sup>Res­ponderam os guardas: Nunca ninguém falou como esse homem fala! <sup>47</sup>Retorquiram-lhes os Fariseus: Também vós estais seduzidos? <sup>48</sup>Porventura creu n&#8217;Ele algum dentre os chefes ou dentre os Fariseus? <sup>49</sup>Mas essa multidão, que não conhece a Lei, são uns malditos!</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>50</sup>Disse-lhes Nicodemos, aquele fc}ue tinha ido anteriormente ter com Jesus e que era um deles: <sup>5I</sup>Acaso julga a nossa Lei um homem, sem primeiro o ouvir e saber o que ele faz? <sup>52</sup>Eles retorquiram-lhe: Também tu és da Galileia? Trata de indagar e hás-de ver que da Galileia não sai nenhum profeta. <sup>53</sup>E foi cada qual para sua casa.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>40-43.</strong> O título «o Profeta» alude a Dt 18,18, que prediz a vinda nos últimos tempos de um profeta que todos deveriam escutar (cfr Ioh 1,21; 6,14); por sua vez, «o Cristo» («o Messias») era o título mais corrente no Antigo Testamento para designar o futuro Salvador enviado por Deus. O passo mostra uma vez mais a diversidade de opiniões acerca de Jesus. Muitos judeus ignoravam — sem se preocuparem de forma alguma por averiguar a verdade — que tinha nascido em Belém, a cidade de David, onde, segundo Miqueias (5,2) devia nascer o Messias. Tal ignorância culpável constituía neles uma desculpa para não O aceitar como o Cristo. Outros, porém, diante dos milagres de Jesus, compreendem que Ele deve ser o Messias. Também ao longo da história há diversas opiniões acerca de Jesus Cristo: alguns consideram-No exclusivamente como um homem extraordinário, sem que­rerem compreender que a Sua grandeza Lhe vem precisa­mente de ser o Filho de Deus.</p>
<p><strong>46.</strong> Á verdade abriu caminho nos ânimos simples dos servidores do Sinédrio e, pelo contrário, chocou contra a obstinação dos fariseus. «Eis que os fariseus e os escribas não tiraram proveito nem ao contemplarem os milagres nem ao lerem as Escrituras; pelo contrário, os servidores, sem estas ajudas, foram captados por um só discurso, e os que foram prender Jesus voltaram presos pelo Seu poder. E não disseram: não pudemos por causa da gente; mas apregoaram a sabedoria de Cristo. Não é de admirar somente a sua prudência, porque não necessitaram de sinais, mas foram conquistados só pela doutrina; não disseram, com efeito: &#8216;Jamais homem algum fez tais milagres&#8217;, mas: &#8216;Jamais falou assim homem algum&#8217;, É de admirar também a sua con­vicção: vão aos fariseus, que se opunham a Cristo, e falam-lhes desta maneira» <em>(Hom. sobre S. João, </em>9).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>25.03.2012 – Jo 12, 20-33.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>20</sup>Havia alguns gregos entre os que tinham subido para fazerem a sua adoração por ocasião da festa. <sup>21</sup>Foram eles ter com Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e fízeram-lhe este pedido: Senhor, nós queríamos ver Jesus. <sup>22</sup>Filipe vai dize-lo a André, e Filipe e André vão, por sua vez, dizê-lo a Jesus. <sup>23</sup> Então, Jesus toma a palavra e diz-lhes: Chegou a hora de ser glorificado o Filho do homem. <sup>24</sup>Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica ele só. Mas, se morrer, dá muito fruto. <sup>25</sup>Quem tem amor à sua vida perde-a; e quem odeia a sua vida neste mundo conser­vá-la-á para a vida eterna. <sup>26</sup>Se alguém está ao Meu serviço, que Me siga; e onde Eu estou, lá estará também o Meu servidor. Se alguém está ao Meu serviço, o Pai há-de honrá-lo.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>27</sup>Agora a Minha alma está perturbada. E que hei-de dizer: Pai, salva-Me desta hora? Mas por causa disto é que Eu cheguei a esta hora! <sup>28</sup>Pai, glorifica o Teu nome. Veio então do Céu uma voz: Glorifiquei-O e tornarei a glorificá-Lo.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>29</sup>Ora a multidão, que estava presente e ouvira, dizia que tinha havido um trovão. Outros diziam: Foi um Anjo que Lhe falou. <sup>30</sup>Jesus tomou a palavra e disse: Não foi por Minha causa que esta voz se fez ouvir, foi por vossa causa. <sup>3I</sup>Agora é que é o julgamento deste mundo. Agora é que o Príncipe deste mundo vai ser lançado fora. <sup>32</sup>E Eu, uma vez elevado da terra, hei-de atrair todos a Mim. <sup>33</sup>Isto dizia Ele para indicar de que morte ia morrer.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>20-23.</strong> Esses «gregos» recorrem precisamente a Filipe, pois, segundo parece, este, que tem nome grego, devia en­tender a sua língua e podia-lhes servir de intérprete. Se isto é assim, estamos diante de um dos momentos transcendentes em que homens de uma cultura não judaica acorrem em busca de Cristo: são como as primícias da expansão da fé cristã no mundo helênico. Assim se compreende melhor a exclamação do Senhor no v. 23, acerca da Sua própria glorificação, que não só consiste em ser exaltado à direita do Pai (cfr Phil 2,6-11), mas também em atrair todos os homens a Si (cfr Ioh 12,32).</p>
<p>Também noutras ocasiões Jesus fala da «hora». Umas vezes refere-Se ao fim dos tempos (cfr Mc 13,32; Ioh 5,25); outras, como aqui, ao momento da Redenção através da Sua Morte e<em> </em>da Sua Glorificação (cfr Mc 14,41; Ioh 2,4; 4,23; 7,30; 8,20; 12,27; 13,1; 17,1).</p>
<p><strong>24-25.</strong> Lemos aqui o aparente paradoxo entre a humi­lhação de Cristo e a Sua exaltação. Assim «foi conveniente que se manifestasse a exaltação da Sua glória de tal maneira, que estivesse unida à humildade da Sua paixão» <em>(In Ioann. Evang., </em>51,8).</p>
<p>É a mesma ideia que ensina São Paulo ao dizer que Cristo Se humilhou e Se fez obediente até à morte e morte de Cruz, e que por isso Deus Pai O exaltou sobre toda a criatura (cfr Phil 2,8-9). Constitui uma lição e um estímulo para o cristão, que há-de ver em todo o sofrimento e contrariedade uma participação na Cruz de Cristo que nos redime e nos exalta. Para ser sobrenaturalmente eficaz, deve cada um morrer para si mesmo, esquecendo-se por completo da sua como­didade e do seu egoísmo. «Se o grão de trigo não morre, permanece infecundo. — Não queres ser grão de trigo, morrer pela mortificação e dar espigas bem gradas? — Que Jesus abençoe o teu trigal!» <em>(Caminho, </em>n.° 199).</p>
<p><strong>26.</strong> O Senhor falou do Seu sacrifício como condição para entrar na glória. E o que vale para o Mestre, também se aplica aos Seus discípulos (cfr Mt 10,24; Lc 6,40). Jesus Cristo quer que cada um de nós O sirva. É um mistério dos desígnios divinos que Ele — que é tudo, que tem tudo e não necessita de nada nem de ninguém — queira necessitar do nosso serviço para que a Sua doutrina e a salvação operada por Ele cheguem a todos os homens.</p>
<p>«Seguir Cristo: este é o segredo. Acompanhá-Lo tão de perto, que vivamos com Ele, como os primeiros Doze; tão de perto, que com Ele nos identifiquemos: Se não levantarmos obstáculos à graça, não tardaremos a afirmar que nos reves­timos de Nosso Senhor Jesus Cristo (cfr Rom XIII, 14) (&#8230;).</p>
<p>«Neste esforço por nos identificarmos com Cristo, costumo falar de quatro degraus: procurá-Lo, encontrá-Lo, conhecê-Lo, amá-Lo. Talvez vos pareça que estais na pri­meira etapa&#8230; Procurai-O com fome, procurai-O em vós mesmos com todas as vossas forças! Se o fazeis com este empenho, atrevo-me a garantir que já O encontrastes e que já começastes a conhecê-Lo e a amá-Lo e a ter a vossa conversa nos céus (cfr Phil III, 20)» <em>(Amigos de Deus, </em>n.<sup>os</sup> 299-300).</p>
<p><strong>27.</strong> Diante da evocação da morte que O espera, Jesus Cristo perturba-Se e dirige-Se ao Pai com uma oração muito parecida à de Getsemani (cfr Mt 26,39; Mc 14,36; Lc 22,42). Deste modo o Senhor, enquanto homem, busca filialmente apoio no amor e no poder de Seu Pai Deus, para Se fortalecer e ser fiel à Sua missão. É uma consolação para nós, tantas vezes débeis no momento difícil da provação; então, como Jesus, devemos apoiar-nos na força de Deus, «porque Tu és a minha fortaleza e o meu refúgio» (Ps 31,4).</p>
<p><strong>28.</strong> A «glória» na Sagrada Escritura indica a santidade e o poder de Deus: a «glória de Deus» habitava no santuário do deserto e no Templo de Jerusalém (cfr Ex 40,35; 1Reg 8,11). A voz do Pai que diz «glorifiquei-O e tornarei a glorificá-Lo» é uma ratificação solene de que em Jesus Cristo habita a plenitude da divindade (cfr Cor 2,9; Ioh l,14)e que, através da Sua Paixão, Morte e Ressurreição, se tornará patente na Sua própria Humanidade santíssima que Jesus é o Filho de Deus (cfr Mc 15,39).</p>
<p>O episódio evoca outras manifestações divinas: o Baptismo de Cristo (cfr Mt 3,13-17 e par.) e a Sua Transfiguração (Mt 17,1-5 e par.), onde Deus Pai também dá testemunho da Divindade de Jesus.</p>
<p><strong>31-33. </strong>Jesus indica as consequências que se vão seguir da Sua Paixão e Morte. «É o julgamento deste mundo», isto é, dos que permanecerem servindo a Satanás, «príncipe deste mundo». Ainda que «mundo» seja o conjunto de homens que Cristo vem salvar (cfr Ioh 3,16-17), também significa com frequência tudo o que se opõe a Deus (veja-se a nota a Ioh 1, 10), e neste sentido se toma aqui. Ao ser pregado na Cruz, Jesus é o sinal supremo de contradição para todos os homens: os que O reconhecem como Filho de Deus sal­vam-se (cfr Lc 23,39-43); os que O rejeitam condenam-se. Cristo crucificado é a manifestação máxima do amor do Pai (cfr Ioh 3,14-16; Rom 8,32), o sinal posto no alto, prefigurado pela serpente de bronze levantada por Moisés no deserto (cfr Ioh 3,14; Num 21,9).</p>
<p>Assim pois, o Senhor desde a Cruz é o Juiz universal que condenará o mundo (cfr Ioh 3,17) e o demônio (cfr Ioh 16,11); na realidade eles mesmos provocam a sua condenação ao não aceitarem nem crerem no amor divino. O Senhor desde a Cruz atrai todos os homens, pois todos podem contemplá-Lo crucificado.</p>
<p>«Cristo, Senhor Nosso, foi crucificado e, do alto da Cruz, redimiu o mundo, restabelecendo a paz entre Deus e os homens. Jesus Cristo lembra a todos: <em>et ego, si exaltatus fuero a terra, omnia traham ad meipsum </em>(Ioh XII, 32), se vós Me puserdes no cume de todas as actividades da Terra, cum­prindo o dever de cada momento, sendo Meu testemunho naquilo que parece grande e naquilo que parece pequeno, <em>omnia traham ad meipsum, </em>tudo atrairei a Mim. O Meu reino entre vós será uma realidade!» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 183). Cada cristão seguindo Cristo, há-de ser uma bandeira has­teada, uma luz colocada no candeeiro: bem unido pela oração e mortificação à Cruz, em cada momento e circuns­tância da vida, há-de manifestar aos homens o amor salvador de Deus Pai.</p>
<p>«Cristo, com a Sua Encarnação, com a Sua vida de trabalho em Nazaré, com a Sua pregação e os Seus milagres por terras da Judéia e da Galileia, com a Sua morte na Cruz, com a Sua Ressurreição, é o centro da Criação. Primogênito e Senhor de toda a criatura.</p>
<p>«A nossa missão de cristãos é proclamar essa Realeza de Cristo; anunciá-la com a nossa palavra e com as nossas obras. O Senhor quer os Seus em todas as encruzilhadas da Terra. A alguns, chama-os ao deserto, desentendidos das inquietações da sociedade humana, para recordarem aos outros homens, com o seu testemunho, que Deus existe. Encomenda a outros o ministério sacerdotal. A grande maioria, o Senhor quere-a no mundo, no meio das ocupações terrenas. Estes cristãos, portanto, devem levar Cristo a todos os ambientes em que se desenvolve o trabalho humano: à fábrica, ao laboratório, ao trabalho do campo, à oficina do artesão, às ruas das grandes cidades e às veredas da monta­nha» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 105).</p>
<p><strong>32. </strong>«Hei-de atrair todos a Mim»: A Vulgata Latina, se­guindo importantes manuscritos gregos, traduz <em>omnia, </em>«tudo», «todas as coisas». A <em>Neo-vulgata, </em>apoiando-se noutros manus­critos também importantes e mais numerosos que os ante­riores, optou por <em>omnes, </em>«todos». As razões para escolher uma ou outra variante não são definitivas; mais ainda, teologicamente ambas são certas e não se excluem, pois Cristo atrai para Si toda a criação, mas especialmente o homem (cfr Rom 8,18-23).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>26.03.2012 – Lc 1, 26-38.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>26</sup>Ao sexto mês, foi o Anjo Gabriel enviado, Anunciação da parte de Deus, a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, <sup>27</sup>a uma virgem que era noiva dum homem da casa de David, cha­mado José, e o nome da virgem era Maria. <sup>28</sup>Ao entrar para junto dela, disse o Anjo: Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo. <sup>29</sup>A estas palavras, ela perturbou-se ficou a pensar que saudação seria aquela. <sup>30</sup>Disse-lhe o Anjo: Não tenhas receio, Maria, pois achaste graça diante de Deus. <sup>3l</sup>Hás-de conceber e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. <sup>32</sup>Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo; dar-Lhe-á o Senhor Deus o trono de Seu pai David, <sup>33</sup>reinará eternamente na casa de Jacob e o Seu Reinado não terá fim.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>34</sup>Disse Maria ao Anjo: Como será isso, se eu não conheço homem? <sup>35</sup>Disse-lhe o Anjo, em resposta: Virá sobre ti o Espírito Santo, e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a Sua sombra. Por isso mesmo é que o Santo que vai nascer há-de chamar-Se Filho de Deus. <sup>36</sup>E também Isabel, tua parenta, concebeu um filho, na sua velhice, e é este o sexto mês dessa que chamavam estéril, <sup>37</sup>porque, da parte de Deus, nada é impossível. <sup>38</sup>Maria disse então: Eis a escrava do Senhor: seja-me feito segundo a tua palavra. E retirou-se o Anjo de junto dela.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>26-38. </strong>Aqui contemplamos Nossa Senhora que, «enri­quecida, desde o primeiro instante da sua conceição, com os esplendores duma santidade singular, a Virgem de Nazaré é saudada pelo Anjo, da parte de Deus, como <em>cheia de graça </em>(cfr Lc 1,28); e responde ao mensageiro celeste: Eis <em>a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra </em>(Lc 1 ,38). Deste modo, Maria, filha de Adão, dando o seu consentimento à palavra divina, tornou-se Mãe de Jesus e, não retida por qualquer pecado, abraçou de todo o coração o desígnio salvador de Deus, consagrou-se totalmente, como escrava do Senhor, à pessoa e à obra de seu Filho, subordinada a Ele e juntamente com Ele, servindo pela graça de Deus omnipotente o mistério da Redenção. Por isso, consideram com razão os santos Padres que Maria não foi utilizada por Deus como instrumento meramente passivo, mas que cooperou livremente, pela sua fé e obediência, na salvação dos homens» <em>(Lumen gentium, </em>n. 56).</p>
<p>A Anunciação a Maria e a Encarnação do Verbo é o facto mais maravilhoso, o mistério mais entranhável das relações de Deus com os homens e o acontecimento mais transcendente da História da humanidade. Que Deus Se faça Homem e para sempre! Até onde chegou a bondade, a misericórdia e o amor de Deus por nós, por todos nós! E, não obstante, no dia em que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade assu­miu a débil natureza humana das entranhas puríssimas de Maria Santíssima, nada extraordinário acontecia, aparentemente, sobre a face da terra.</p>
<p>Com grande simplicidade narra São Lucas o magno acontecimento. Com quanta atenção, reverência e amor temos de ler estas palavras do Evangelho, rezar piedosamente o <em>Angelus </em>cada dia, seguindo a divulgada devoção cristã, e contemplar o <em>primeiro mistério gozoso </em>do santo Rosário.</p>
<p><strong>27.</strong> Deus quis nascer de uma mãe virgem. Assim o tinha anunciado séculos antes por meio do profeta Isaías (cfr Is 14; Mt 1,22-23). Deus, «desde toda a eternidade, esco­lheu-A e indicou-A como Mãe para que o Seu Unigênito Filho tomasse carne e nascesse d&#8217;Ela na plenitude ditosa dos tempos; e em tal grau A amou por cima de todas as criaturas, que só n&#8217;Ela se comprazeu com assinaladíssima complacência» <em>(Ineffabilis Deus). </em>Este privilégio de ser virgem e mãe ao mesmo tempo, concedido a Nossa Senhora, é um dom divino, admirável e singular. Deus «engrandeceu tanto a Mãe na concepção e no nascimento do Filho, que Lhe deu fecundidade e A conservou em perpétua virgindade» <em>(Catecismo Romano, </em>1,4,8). Paulo VI recordava-nos novamente esta verdade de fé: «Cremos que a bem-aventurada Maria, que permaneceu sempre Virgem, foi a Mãe do Verbo encar­nado, Deus e Salvador nosso Jesus Cristo» <em>(Credo do Povo de Deus, </em>n.° 14).</p>
<p>Ainda que se tenham proposto muitos significados do nome de Maria, os autores de maior relevância parecem estar de acordo em que Maria significa <em>Senhora. </em>Não obstante, a riqueza que contém o nome de Maria não se esgota com um só significado.</p>
<p><strong>28.</strong> «Salve!»: Literalmente o texto grego diz: <em>alegra-te! </em>É claro que se trata de uma alegria totalmente singular pela notícia que Lhe vai comunicar a seguir.</p>
<p>«Cheia de graça»: O Arcanjo manifesta a dignidade e a honra de Maria com esta saudação desusada. Os Padres e Doutores da Igreja «ensinaram que com esta singular e solene saudação, jamais ouvida, se manifestava que a Mãe de Deus era assento de todas as graças divinas e que estava adornada de todos os carismas do Espírito Santo», pelo que «jamais esteve sujeita a maldição», isto é, esteve imune de todo o pecado. Estas palavras do arcanjo constituem um dos textos em que se revela o dogma da Imaculada Conceição de Maria (cfr <em>Ineffabilis Deus; Credo do Povo de Deus, </em>n.° 14).</p>
<p>«O Senhor está contigo»: Estas palavras não têm um mero sentido deprecatório (o Senhor esteja contigo), mas afirmativo (o Senhor está contigo), e em relação muito (estreita com a Encarnação. Santo Agostinho glosa a frase «o Senhor está contigo» pondo na boca do arcanjo estas palavras: «Mais que comigo, Ele está no teu coração, forma-Se no eu ventre, enche a tua alma, está no teu seio» <em>(Sermo de Nativitate Domini, </em>4).</p>
<p>Alguns importantes manuscritos gregos e versões antigas acrescentam no fim: «Bendita tu entre as mulheres»: Deus exaltá-La-ia assim sobre todas as mulheres. Mais excelente que Sara, Ana, Débora, Raquel, Judit, etc., pelo facto de que só Ela tem a suprema dignidade de ter sido escolhida para ser Mãe de Deus.</p>
<p><strong>29-30.</strong> Perturbou-se Nossa Senhora pela presença do Arcanjo e pela confusão que produzem nas pessoas verdadeiramente humildes os louvores dirigidos a elas.</p>
<p><strong>30.</strong> A Anunciação é o momento em que Nossa Senhora conhece com clareza a vocação a que Deus A tinha destinado desde sempre. Quando o Arcanjo A tranquiliza e Lhe diz <em>«</em>não temas, Maria», está a ajudá-La a superar esse temor inicial que, ordinariamente, se apresenta em toda a vocação. O facto de que isto tenha acontecido à Santíssima Virgem indica-nos que não há nisso nem sequer imperfeição: é uma reacção natural diante da grandeza do sobrenatural. Imperfeição seria não o superar, ou não nos deixarmos aconselhar por aqueles que, como São Gabriel e Nossa Senhora, podem ajudar-nos.</p>
<p><strong>31-33.</strong> O arcanjo Gabriel comunica à Santíssima Virgem a sua maternidade divina, recordando as palavras de Isaias que anunciavam o nascimento virginal do Messias e que agora se cumprem em Maria Santíssima (cfr Mt 1 ,22-23; Is 7,14).</p>
<p>Revela-se que o Menino será «grande»: a grandeza vem-Lhe da Sua natureza divina, porque é Deus, e depois da Encarnação não deixa de sê-lo, mas assume a pequenez da humanidade. Revela-se também que Jesus será o Rei da dinastia de David, enviado por Deus segundo as promessas de Salvação; que o Seu Reino «não terá fim»; porque a Sua humanidade permanecerá para sempre indissoluvelmente unida à Sua divindade; que «chamar-se-á Filho do Altís­simo»: indica ser realmente Filho do Altíssimo e ser reconhe­cido publicamente como tal, isto é, o Menino será o Filho de Deus.</p>
<p>No anúncio do Arcanjo evocam-se, pois, as antigas pro­fecias que anunciavam estas prerrogativas. Maria, que conhecia as Escrituras Santas, entendeu claramente que ia ser Mãe de Deus.</p>
<p><strong>34-38. </strong>O Papa João Paulo II comentava assim este passo: <em>«Virgo fidelis, </em>Virgem fiel. Que significa esta fidelidade de Maria? Quais são as dimensões dessa fidelidade? A primeira dimensão chama-se busca. Maria foi fiel, antes de mais, quando com amor se pôs a buscar o sentido profundo do desígnio de Deus n&#8217;Ela e para o mundo. <em>&#8216;Quomodo fiet? </em>Como acontecerá isto?’, perguntava Ela ao anjo da Anun­ciação (&#8230;). Não haverá fidelidade se não houver na raiz esta ardente, paciente e generosa busca (&#8230;).</p>
<p>«A segunda dimensão da fidelidade chama-se acolhimento, aceitação. O <em>quomodo fiet </em>transforma-se, nos lábios de Maria, em um <em>fiat</em>. Que<em> </em>se faça, estou pronta, aceito: este é o momento crucial da fidelidade, momento em que o homem percebe que jamais compreenderá totalmente o como; que no desígnio de Deus mais zonas de mistério que de evidência; que, por mais que faça, jamais conseguirá captar tudo (&#8230;).</p>
<p>«Coerência é a terceira dimensão da fidelidade. Viver de acordo com o que se crê. Ajustar a própria vida ao objecto da própria adesão. Aceitar incompreensões, perseguições antes de permitir rupturas entre o que se vive e o que se crê: esta é a coerência (&#8230;).</p>
<p>«Mas toda a fidelidade deve passar pela prova mais exigente: a da duração. Por isso a quarta dimensão da fidelidade é a constância. É fácil de ser coerente por um dia ou por alguns dias. Difícil e importante é ser coerente toda a vida. É fácil de ser coerente na hora da exaltação, difícil sê-lo na hora da tribulação. E só pode chamar-se fidelidade uma coerência que dura ao longo de toda a vida. O <em>fiat </em>de Maria na Anunciação encontra a sua plenitude no <em>fiat </em>silencioso que repete aos pés da cruz» <em>(Homilia Catedral México).</em></p>
<p><strong>34.</strong> A fé de Maria nas palavras do Arcanjo foi absoluta; não duvida como duvidou Zacarias (cfr 1,18). A pergunta da Santíssima Virgem «como será isso» exprime a sua prontidão para cumprir a Vontade divina diante de uma situação que parece à primeira vista contraditória: por um lado Ela tinha a certeza de que Deus lhe pedia para con­servar a virgindade; por outro lado, também da parte de Deus, é-lhe anunciado que vai ser mãe. As palavras imediatas do arcanjo declaram o mistério do desígnio divino e o que parecia impossível, segundo as leis da natureza, explica-se por uma singularíssima intervenção de Deus.</p>
<p>O propósito de Maria de permanecer virgem foi certa­mente algo singular, que interrompia o modo ordinário de proceder dos justos do Antigo Testamento, no qual, como expõe Santo Agostinho, «atendendo de modo particularíssimo à propagação e ao crescimento do Povo de Deus, que era o que tinha de profetizar e donde havia de nascer o Prín­cipe e Salvador do mundo, os santos tiveram de usar do bem do matrimônio» <em>(De bono matrimonii, </em>9,9). Houve, porém, no Antigo Testamento alguns homens que por desígnio de Deus permaneceram célibes, como Jeremias, Elias, Eliseu e João Baptista. A Virgem Santíssima, inspirada &#8216;de modo muito particular pelo Espírito Santo para viver plenamente a virgindade, é já uma primícia do Novo Testamento, no qual a excelência da virgindade sobre o matrimônio adqui­rirá todo o seu valor, sem diminuir a santidade da união conjugal, que é elevada à dignidade de sacramento (cfr <em>Gaudium et spes, </em>n. 48).</p>
<p><strong>35.</strong>    A «sombra» é um símbolo da presença de Deus. Quando Israel caminhava pelo deserto, a glória de Deus enchia o Tabernáculo e uma nuvem cobria a Arca da Aliança (Ex 40,34-36). De modo semelhante quando Deus entregou a Moisés as tábuas da Lei uma nuvem cobria a montanha do Sinai (Ex 24,15-16), e também na Transfiguração de Jesus se ouve a voz de Deus Pai no meio de uma nuvem (Lc 9,35). No momento da Encarnação o poder de Deus enroupa com a Sua sombra Nossa Senhora. É a expressão da acção omnipotente de Deus. O Espírito de Deus — que, segundo o relato do Gênesis (1 ,2), pairava sobre as águas dando vida às coisas — desce agora sobre Maria. E o fruto do seu ventre será obra do Espírito Santo. A Virgem Maria, que foi concebida sem mancha de pecado (cfr <em>Ineffabilis Deus), </em>fica depois da Encarnação constituída em novo Tabernáculo de Deus. Este é o Mistério que recordamos todos os dias na recitação do <em>Ángelus.</em></p>
<p><strong>38.</strong> Uma vez conhecido o desígnio divino, Nossa Senhora entrega-se à Vontade de Deus com obediência pronta e sem reservas. Dá-se conta da desproporção entre o que vai ser — Mãe de Deus — e o que é — uma mulher —. Não obstante, Deus o quer e nada é impossível para Ele, e por isto ninguém é capaz de pôr dificuldades ao desígnio divino. Daí que, juntando-se em Maria a humildade e a obediência, pronun­ciará o <em>sim </em>ao chamamento de Deus com essa resposta perfeita: «Eis a escrava do Senhor, seja-me feito segundo a tua palavra».</p>
<p>«Ao encanto destas palavras virginais, o Verbo se fez carne» <em>(Santo Rosário, </em>primeiro mistério gozoso). Das purís­simas entranhas da Santíssima Virgem, Deus formou um corpo, criou do nada uma alma, e a este corpo e alma uniu-Se o Filho de Deus; desta sorte o que antes era apenas Deus, sem deixar de o ser, ficou feito homem. Maria já é Mãe de Deus. Esta verdade é um dogma da nossa santa fé definido no Concilio de Éfeso (ano 431). Nesse mesmo instante começa a ser também Mãe espiritual de todos os homens. O que um dia ouvirá de lábios de seu Filho moribundo, «eis aí o teu filho (&#8230;), eis aí a tua mãe» (Ioh 19,26-27), não será senão a proclamação do que silenciosamente tinha acontecido em Nazaré. Assim, «com o seu <em>fiat </em>generoso converteu-se, por obra do Espírito, em Mãe de Deus e também em verdadeira Mãe dos vivos, e converteu-se também, ao acolher no seu seio o único Mediador, em verdadeira Arca da Aliança e verdadeiro Templo de Deus» <em>(Marialis cultus, </em>n. 6).</p>
<p>O Evangelho faz-nos contemplar a Virgem Santíssima como exemplo perfeito de <em>pureza </em>(«não conheço homem»); de <em>humildade </em>(«eis a escrava do Senhor»); de <em>candura </em>e <em>simplicidade </em>(«como será isso»); de <em>obediência </em>e de <em>fé viva </em>(«seja-me feito segundo a tua palavra»). «Procuremos apren­der, seguindo também o seu exemplo de obediência a Deus, numa delicada combinação de submissão e de fidalguia. Em Maria, nada existe da atitude das virgens néscias, que obe­decem, sim, mas como insensatas. Nossa Senhora ouve com atenção o que Deus quer, pondera aquilo que não entende, pergunta o que não sabe. Imediatamente a seguir, entrega-se sem reservas ao cumprimento da vontade divina: <em>eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa palavra </em>(Lc 1, 38). Vedes esta maravilha? Santa Maria, mestra de toda a nossa conduta, ensina-nos agora que a obediência a Deus não é servilismo, não subjuga a consciência, pois nos move interiormente a descobrir a <em>liberdade dos filhos de Deus </em>(cfr Rom VIII, 21)» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 173).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>27.03.2012 – Jo 6, 21-30.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>21</sup>Quiseram então recebê-Lo no barco, e logo o barco chegou à terra para onde iam.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>22</sup>No dia seguinte, a multidão que se encontrava. do outro lado do mar verificou que ali não estivera outra embarcação além duma só e que Jesus não entrara no barco com os discípulos, mas só estes se haviam retirado. <sup>23</sup>Todavia, tinham vindo outras embarcações de Tiberíade para junto do local em que haviam comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças. <sup>24</sup>Quando a multidão viu que Jesus não estava lá, nem os discípulos, subiram todos para as embarca­ções e vieram para Cafarnaum, em busca de Jesus. <sup>25</sup>E quando O encontraram do outro lado do mar, disseram-Lhe: Rabi, quando chegaste aqui?</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>26</sup>Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Em verdade, em verdade vos digo: Vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas por haverdes comido dos pães e vos terdes saciado. <sup>27</sup>Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que se conserva até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará; pois a Este é que o Pai, o próprio Deus, marcou com o Seu selo. <sup>28</sup>Disseram-Lhe en­tão: Que havemos de fazer para trabalhar nas obras de Deus? <sup>29</sup>Respondeu-lhes Jesus: É esta a obra de Deus: que acrediteis No que Ele enviou.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>26.</strong> O Senhor começa por corrigir a falta de rectidão de intenção que os movia a segui-Lo, preparando-os assim para compreender a doutrina do discurso eucarístico. «Procurais-Me, comenta Santo Agostinho, por motivos da carne, não do espírito. Quantos há que buscam Jesus, guiados apenas por interesses temporais! (&#8230;). Quase não se busca Jesus por Jesus» <em>(In Ioann. Evang., </em>25,10).</p>
<p>Começa neste versículo o chamado <em>Discurso do Pão da Vida, </em>que se prolonga até ao versículo 59. Inicia-se com uma introdução a modo de diálogo entre Jesus e os Judeus (vv. 26-34), onde o Senhor Se revela como Aquele que vem trazer os dons messiânicos. Segue-se a primeira parte do discurso (vv. 35-47), em que Jesus Se apresenta como o Pão da Vida, enquanto a fé n&#8217;Ele é alimento para a vida eterna. Na segunda parte (vv. 48-59) Cristo revela o mistério da Eucaristia: Ele é o Pão da Vida que Se dá sacramentalmente como verdadeira comida.</p>
<p><strong>27<em>.</em></strong><em> </em>O alimento corporal serve para a vida neste mundo, o espiritual sustenta e desenvolve a vida sobrenatural, que continua para sempre no Céu. Este alimento, que só Deus nos pode dar, consiste principalmente no dom da fé e na graça santificante. Inclusive, por infinito amor divino, na Santíssima Eucaristia é-nos dado como alimento da alma o próprio autor desses dons: Jesus Cristo.</p>
<p>«A Este é que o Pai marcou com o Seu selo»: Com esta frase o Senhor alude à autoridade, pela qual só Ele pode dar aos homens os dons mencionados: porque sendo Deus e homem, a natureza humana de Jesus é o instrumento pelo qual actua a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. São Tomás de Aquino comenta assim esta frase: «O que o Filho do Homem dará, possui-o enquanto supera todos os outros homens pela sua singular e eminente plenitude de graça (&#8230;). Quando um selo se imprime na cera, esta recebe toda a forma do selo. Assim o Filho recebeu toda a forma do Pai. E isto de dois modos: um eterno (geração eterna), do qual não se fala aqui porque o selo e o selado são de natureza diferente. O outro, que é o que se deve entender aqui, é o mistério da Encarnação, pela qual Deus Pai imprimiu na natureza humana o Verbo, que <em>é </em>resplendor e selo da Sua substância, como diz Hebreus 1,3» <em>(Comentário sobre S. João, ad loc.).</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>28.03.2012 – Jo 8, 31-42.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>31</sup>Dizia então Jesus aos Judeus que n&#8217;Ele tinham acreditado: Se permanecerdes na Minha palavra, sereis verdadeiramente Meus discípulos, <sup>32</sup>conhecereis a verdade, e a ver­dade libertar-vos-á. <sup>33</sup>Eles responderam-Lhe: Nós somos a descendência de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém; como é que Tu dizes: «ficareis livres»? <sup>34</sup>Retorquiu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Todo aquele que comete o pecado é escravo do pecado. <sup>35</sup>Ora o escravo não fica na casa para sempre; o filho é que fica para sempre. <sup>36</sup>Portanto, se o Filho vos libertar, sereis realmente livres. <sup>37</sup>Eu sei que sois a descendência de Abraão, mas vós procurais matar-Me, porque a Minha palavra não tem cabimento em vós.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>38</sup>Eu digo o que vi junto do Pai, e vós fazeis o que ouvistes ao vosso pai. <sup>39</sup>Retorquiram-Lhe eles: O nosso pai é Abraão! Se fósseis filhos de Abraão —disse-lhes Jesus — faríeis as obras de Abraão. <sup>40</sup>Mas vós procurais matar-Me, a Mim que vos disse a verdade que ouvi a Deus! Isso não fez Abraão! <sup>41</sup>Vós fazeis as obras do vosso pai. Disseram-Lhe eles: Nós não nascemos da prostituição; só temos um Pai, que é Deus! <sup>42</sup>Disse-lhes Jesus: Se fosse Deus o vosso Pai, vós amar-Me-íeis, pois de Deus é que Eu saí e venho. É que Eu não vim de Mim próprio, mas foi Ele que Me enviou.</span></p>
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<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>30-32.</strong> Aos judeus que então creem em Jesus pede-lhes muito mais que a fé momentânea produzida por um entu­siasmo superficial; trata-se de ser verdadeiros discípulos, de modo que as palavras de Jesus informem as suas vidas para sempre. O fruto dessa fé profunda será o conhecimento da verdade e uma vida autenticamente livre.</p>
<p>O conhecimento da verdade de que fala Cristo não é só intelectual, mas antes o amadurecimento na alma da semente da Revelação divina. Esta culmina nas palavras de Cristo, e é uma verdadeira comunicação de vida sobrenatural (cfr Ioh 5,24): aquele que crê em Jesus, e através d&#8217;Ele no Pai, recebe o maravilhoso dom da vida eterna. Conhecer a verdade, em última análise, é conhecer o próprio Cristo, Deus encarnado para a nossa salvação, sentir que o Deus inacessível Se fez homem, nosso Amigo, nossa vida.</p>
<p>Esse conhecimento é o único que realmente nos torna livres, porque nos tira do estado de afastamento de Deus, do pecado, e, portanto, da escravidão do demônio e de todas as ataduras da nossa natureza caída, e nos introduz na senda da amizade divina, da graça, do Reino de Deus. Por isso esta liberdade não só é luz que nos marca o caminho, mas graça, força que nos dá a possibilidade de o percorrer apesar das nossas limitações.</p>
<p>«Jesus Cristo vai ao encontro do homem de todas as épocas, também do da nossa época, com as mesmas palavras que disse alguma vez: &#8216;conhecereis a verdade, e a verdade tornar-vos-á livres&#8217; (Ioh 8,32). Estas palavras encerram em si uma exigência fundamental e, ao mesmo tempo, uma adver­tência: a exigência de uma relação honesta para com a verdade, como condição de uma autêntica liberdade; e a advertência, ademais, para que seja evitada qualquer ver­dade aparente, toda a liberdade superficial e unilateral, toda a liberdade que não compreenda cabalmente a verdade sobre o homem e sobre o mundo. Ainda hoje, depois de dois mil anos, Cristo continua a aparecer-nos como Aquele que traz ao homem a liberdade baseada na verdade, como Aquele que liberta o homem daquilo que limita, diminui e como que despedaça essa liberdade nas próprias raízes, na alma do homem, no seu coração e na sua consciência. Que confirmação estupenda disto mesmo deram e não cessam de dar aqueles que, graças a Cristo e em Cristo, alcançaram a verdadeira liberdade e a manifestaram até em condições de constrangimento exterior!» <em>(Redemptor hominis, </em>n. 12).</p>
<p>«O próprio Cristo une, de modo particular, a libertação com o conhecimento da verdade: &#8216;Conhecereis a verdade, e a verdade tornar-vos-á livres&#8217; (Ioh 8,32). Esta frase atesta sobretudo o íntimo significado da liberdade com que Cristo nos liberta. Libertação significa transformação interior do homem, consequência do conhecimento da verdade. A transformação é, portanto, um processo espiritual no qual o homem progride &#8216;na justiça e na santidade verdadeiras&#8217; (Eph 4,24) (&#8230;). A verdade tem importância não só para o crescimento da consciência humana, tornando mais pro­funda deste modo a vida interior do homem; a verdade tem também um significado e uma força profética; ela constitui o conteúdo do testemunho e exige um testemunho. Encon­tramos esta força profética da verdade nos ensinamentos de Cristo: Como Profeta, como testemunha da verdade, Cristo opõe-Se repetidamente à não-verdade; fá-lo com grande força e decisão, e a miúde não duvida em censurar o falso» (João Paulo II, <em>Audiência geral </em>de 21-11-1979).</p>
<p>São Tomás de Aquino explica o profundo conteúdo destas palavras do Senhor do seguinte modo: «Libertar neste passo não se refere a tirar qualquer angústia (&#8230;), mas propriamente significa tornar livre, e isto de três modos: primeiro, a verdade da doutrina tornar-nos-á livres do erro da falsidade (&#8230;); segundo, a verdade da graça livrará da escravidão do pecado: &#8216;A lei do espírito de vida que está em Cristo Jesus libertou-me da lei do pecado e da morte&#8217; (Rom 8,2); terceiro, a verdade da eternidade em Cristo Jesus livrar-nos-á da corrupção (cfr Rom 8,21)» <em>(Comentário sobre S. João, ad loc.)</em></p>
<p>«A verdade libertar-vos-á»: «Que verdade é esta que inicia e consuma o caminho da liberdade em toda a nossa vida? Resumi-la-ei com a alegria e com a certeza que nascem da relação de Deus com as Suas criaturas: saber que saímos das mãos de Deus, que somos objecto da predilecção da Santíssima Trindade, que somos filhos de tão grande Pai. Eu peço ao meu Senhor que nos decidamos a ter isso sempre em consideração, a saboreá-lo dia-a-dia; assim actuaremos como pessoas livres. Não o esqueçais: quem não sabe que é filho de Deus desconhece a sua verdade mais íntima e carece, na sua actuação, do domínio e do senhorio próprios dos que amam o Senhor acima de todas as coisas» <em>(Amigos de Deus, </em>n.° 26).</p>
<p><strong>33-34.</strong> Durante séculos o povo de Israel tinha estado sujeito a outras nações (Egipto, Babilônia, Pérsia&#8230;), e naquele momento encontrava-se sob a dominação de Roma. Por isso estes judeus entenderam que Jesus Se referia a uma escravidão ou domínio político, ao qual tinham estado submetidos de facto, embora nunca o tivessem aceitado. Além disso, por pertencer ao povo escolhido por Deus, consideravam-se livres dos erros e aberrações morais dos povos pagãos.</p>
<p>Eles pensavam que a verdadeira liberdade estava baseada no facto de pertencer ao povo eleito. O Senhor responde que ser da linhagem de Abraão não basta, mas que a verdadeira liberdade consiste em não ser escravos do pecado. Tanto judeus como pagãos estavam submetidos à escravidão do pecado original e dos pecados pessoais (cfr Rom 5,12; 6,20 e 8,2). Só Cristo, o Filho de Deus, podia libertar desta triste situação (cfr Gal 4,21-51); mas os judeus que O escutavam não entenderam a obra redentora que Cristo estava a realizar e que culminaria com a Sua Morte e Ressurreição.</p>
<p>«O Salvador — comenta Santo Agostinho — manifestou com estas palavras, não que ficaríamos livres dos povos dominadores, mas do demônio; não do cativeiro do corpo, mas da malícia da alma» <em>(Sermo </em>48).</p>
<p><strong>35-36.</strong> As palavras escravo e filho evocam os dois filhos de Abraão: Ismael, nascido da escrava (Agar), que não terá parte na herança; e Isaac, nascido da livre (Sara), que será herdeiro das promessas de Deus (cfr Gen 21,10-12; Gal 4,28-31). Não basta a descendência carnal de Abraão para herdar as promessas de Deus e salvar-se, mas é preciso identificar-se, pela fé e pela caridade, com Jesus Cristo, o verdadeiro e próprio Filho do Pai, o único que pode tornar-nos filhos <em>de </em>Deus e deste modo trazer-nos a verdadeira liberdade (cfr Rom 8,21; Gal 4,31). Cristo dá «poder para ser filhos de Deus, aos que crêem no Seu nome, que não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem do querer do homem, mas de Deus» (Ioh 1,12-13). Assim, o homem que se identifica com Cristo torna-se filho de Deus e obtém a liberdade própria dos filhos.</p>
<p>«A liberdade adquire o seu sentido autêntico quando se exerce ao serviço da verdade que resgata, quando se gasta a procurar o amor infinito de Deus, que nos desata de todas as escravidões. Aumentam cada dia mais os meus desejos de anunciar em altos brados esta insondável riqueza do cristão: <em>a liberdade da glória dos filhos de Deus </em>(Rom VIII,21) (&#8230;). Donde nos vem esta liberdade? De Cristo, Nosso Senhor. Esta é a liberdade com que Ele nos redimiu (cfr Gal IV,31). Por isso ensina: <em>se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres </em>(Ioh VIII,36). Nós, os cristãos, não temos de pedir emprestado a ninguém o verdadeiro sentido deste dom, porque a única liberdade que salva o homem é a cristã <em>(Amigos de Deus, </em>n.<sup>os</sup> 27 e 35).</p>
<p><strong>37-41.</strong> O Senhor responde à objecção dos judeus: efectivamente são filhos de Abraão, mas só em sentido natural, segundo a carne, circunstância carecida já de valor, pois o que agora conta é a aceitação de Jesus como Enviado do Pai. Espiritualmente os interlocutores de Jesus estão muito longe de terem a verdadeira filiação de Abraão: este alegrou-se ao ver o Messias (cfr Ioh 8,56); pela sua fé foi justificado (cfr Rom 4,1 ss.), e a sua fé moveu-o a levar uma conduta consequente (cfr Iac 2,21-24); por isto chegou a alcançar o gozo da eterna bem-aventurança (cfr Mt 8,11; Lc 16,24). Pelo contrário, aqueles judeus «eram seus descen­dentes carnais, mas tinham degenerado não imitando a fé daquele de quem eram filhos» <em>(In Ioann. Evang., </em>42,1). Os que vivem da fé — diz São Paulo — são os verdadeiros filhos de Abraão e junto com ele serão abençoados por Deus (cfr Gal 3,7-9). Mais ainda, os que agora discutem com o Senhor não só rejeitam a Sua doutrina, mas as suas obras denunciam outra filiação radicalmente diferente: «Vós fazeis as obras de vosso pai», expressão que contém de forma velada a acusação de serem filhos do diabo (cfr v. 44).</p>
<p>A falsa segurança que sentiam os judeus por descen­derem de Abraão pode ter o seu paralelismo num cristão que se contentasse com ser baptizado e com fazer algumas práticas religiosas, abandonando as exigências que traz consigo a fé em Jesus Cristo.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>29.03.2012 – Jo 8, 51-59.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>51</sup>Em verdade, em verdade vos digo: Se alguém guardar a Minha palavra, nunca mais experimentará a morte. <sup>52</sup>Disseram-Lhe os Judeus: Agora sabemos nós que estás possesso do Demônio. Abraão morreu, os profetas também, e Tu dizes: «Se alguém guardar a Minha palavra, nunca mais experi­mentará a morte». <sup>53</sup>Serás Tu maior que o nosso pai Abraão, que morreu? E os profetas morreram também! Quem pretendes ser? <sup>54</sup>Jesus replicou: Se Eu Me glorificar a Mim mesmo, nada será a Minha glória. É Meu Pai que Me glorifica, Ele de quem dizeis: «É o nosso Deus». <sup>55</sup>Vós, porém, não O conheceis; Eu é que O conheço. E se dissesse que O não conhecia, seria, como vós, mentiroso. Mas Eu conheço-O e guardo a Sua palavra. <sup>56</sup>O vosso pai Abraão exultou com a idéia de ver o Meu dia; viu-o e rejubilou. <sup>57</sup>Disseram-Lhe então os Judeus: Ainda não tens cin­qüenta anos e viste Abraão? <sup>58</sup>Retorquiu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Antes de Abraão existir, Eu sou! <sup>59</sup>Então apanharam pedras para Lhas atirarem. Mas Jesus ocultou-Se e saiu do Templo.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>51-53.</strong> «Nunca mais experimentará a morte»: O Senhor promete a vida eterna àqueles que acolherem o Seu ensina­mento e permanecerem fiéis a ele.</p>
<p>O pecado, como ensina o quarto Evangelho, é morte da alma; e a graça santificante, vida (cfr Ioh 1,4.13; 3,15.16.36; etc.). Pela graça temos o começo da vida eterna, o penhor da Glória que alcançaremos para além desta vida terrena e que é a Vida verdadeira. Os judeus, obcecados na sua hostilidade, não querem escutar as palavras do Senhor e por isso não O entendem.</p>
<p><strong>55.</strong> O conhecimento de que fala o Senhor implica algo mais que um mero saber ou compreender. Deste conhecimento já se fala no Antigo Testamento, onde o verbo «conhe­cer» denota amor, fidelidade, entrega generosa. O amor a Deus é consequência do conhecimento certo que d&#8217;Ele tenhamos e, ao mesmo tempo, conhecemos melhor a Deus à medida que O amamos mais.</p>
<p>Jesus, cuja Humanidade Santíssima estava unida inti­mamente — ainda que sem confusão — com a Sua Divin­dade na única Pessoa do Verbo, não podia deixar de afirmar o Seu conhecimento singular e inefável do Pai. Mas esta linguagem verdadeira de Jesus tornava-se absolutamente incompreensível para aqueles que se fechavam à fé, até ao ponto de O considerarem como blasfemo (cfr v. 59).</p>
<p><strong>56.</strong> Jesus apresenta-Se como o cumprimento das espe­ranças dos patriarcas do Antigo Testamento. Eles mantiveram-se fiéis anelando ver o dia da Redenção. Referindo-se à fé dos patriarcas exclama São Paulo: «Todos eles morreram na fé, sem terem recebido os bens que lhes tinham sido prometidos, mas contemplando-os de longe e saudando-os, e confessando ao mesmo tempo ser peregrinos e hóspedes na terra» (Heb 11,1-2.13). Entre eles sobressai Abraão, nosso pai na fé (cfr Gal 3,7), que recebe a promessa de ser pai de um povo numeroso, o povo escolhido, de que nascerá o Messias.</p>
<p>O futuro cumprimento das promessas messiânicas foi já para Abraão causa de imensa alegria: «Abraão, nosso pai, tendo a certeza de que se cumpriria a antiga promessa e esperando contra toda a esperança, recebeu no nascimento do seu filho Isaac as primícias proféticas da alegria messiâ­nica. Tal alegria encontra-se como que transfigurada através de uma prova de morte, quando o seu filho único lhe é devolvido vivo, prefigurando a Ressurreição do Filho Único de Deus que havia de vir, prometido para um sacrifício em que se realizaria a Redenção. Abraão exultou ao pensar que veria o dia de Jesus Cristo, o dia da Salvação: &#8216;viu-o e alegrou-se&#8217; <em>(Gaudete in Domino, </em>II).</p>
<p>-Jesus move-Se num plano superior ao dos patriarcas, pois estes só viram profeticamente, «de longe», o dia de Cristo, isto é, o acontecimento da Redenção, enquanto EÍe é que leva a cabo.</p>
<p><strong>58.</strong> A resposta de Jesus à observação céptica dos judeus encerra uma revelação da Sua divindade. Ao dizer «antes de Abraão existir. Eu sou», o Senhor está a referir-Se à Sua eternidade, própria da natureza divina. Por isso exclama Santo Agostinho: «Reconhecei o Criador, distingui a cria­tura. Quem falava era descendente de Abraão, mas para que Abraão fosse feito, antes de Abraão Ele era» <em>(In Ioann. Evang., </em>43,17).</p>
<p>Os Santos Padres evocam, em relação com as palavras de Cristo, a solene teofania do Sinai: «Eu sou o que sou» (Ex 3,14), e também a distinção que São João faz no prólogo do seu Evangelho entre um mundo que «foi feito» e o Verbo que «era» desde toda a eternidade (cfr Ioh 1,1-3). A expressão «Eu sou», empregada por Jesus de maneira absoluta, equivale, pois, a afirmar a Sua eternidade e a Sua divindade. Cfr a nota a Ioh 8, 21-24.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>30.03.2012 – Jo 10, 31-42.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>31</sup>De novo os Judeus trouxeram pedras para O apedrejarem. <sup>32</sup>Jesus dirigiu-lhes a palavra: Tenho-vos apresentado muitas boas obras devidas ao Pai. Por qual dessas obras Me quereis apedrejar? <sup>33</sup>Replicaram-Lhe os Judeus: Não <em>é </em>por uma boa obra que Te queremos apedrejar, é por blasfêmia; e porque Tu, sendo homem, Te fazes Deus. <sup>34</sup>Jesus respondeu-lhes: Não está escrito na vossa Lei: <em>Eu disse: Vós sois deuses? </em><sup>35</sup>Se ela chamou deuses àqueles a quem se dirigiu a palavra de Deus — e a Escritura não pode abolir-se — <sup>36</sup>de Mim, a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo, vós dizeis: «estás a blasfemar!» por Eu ter dito: «sou Filho de Deus»? <sup>37</sup>Se não faço as obras de Meu Pai, não acrediteis em Mim. <sup>38</sup>Mas, se as faço, embora não queirais acreditar em Mim, dai crédito às obras, para que reconheçais e fiqueis a saber que o Pai está em Mim e Eu estou no Pai.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>39</sup>Procuravam então novamente prendê-Lo, mas Ele escapou-Se-lhes das mãos.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>40</sup>Depois retirou-Se novamente para o outro lado do Jordão, para o lugar onde João tinha estado primeiro a baptizar, e por lá Se conservou. <sup>41</sup>Muitos foram ter com Ele e diziam: João, é certo, não fez qualquer milagre, mas tudo quanto disse acerca d&#8217;Este era verdade. <sup>42</sup>E muitos, ali, acreditaram n&#8217;Ele.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>31-33.</strong> Os judeus compreendem que Jesus afirma ser Deus, mas interpretam as Suas palavras como uma blas­fêmia. Chamaram-Lhe blasfemo quando perdoou os pecados do paralítico (Mt 9,1-8) e acusando-O de. blasfemo condená-Lo-ão também quando confessar solenemente a Sua di­vindade diante do Sinédrio (Mt 26,63-65). Nosso Senhor manifestou, pois, a Sua natureza divina; mas aqueles ouvin­tes rejeitaram esta revelação do mistério de Deus Encar­nado, fechando-se diante das provas que Jesus lhes oferecia. Por isso O acusam de que, sendo homem, Se faz Deus. A fé apoia-se em argumentos razoáveis — milagres e profe­cias — para crer que Jesus é verdadeiro homem e verdadeiro Deus, ainda que o nosso entendimento limitado nos impeça de compreender como isto pode ser. Na verdade, o Senhor, para reafirmar a Sua divindade, recorre a dois argumentos que os Seus adversários não poderão rebater: o testemunho da Sagrada Escritura — profecias — e o das Suas próprias obras — milagres —.</p>
<p><strong>34-36.</strong> O Evangelho mostrou-nos já várias respostas do Senhor a objecções dos judeus. Agora Jesus recorre com paciência a uma argumentação que para eles tinha forca decisiva: a autoridade da Sagrada Escritura. Cita o Salmo 82 em que Deus censura uns juízes pela sua actuacão injusta, apesar de lhes ter recordado: «Sois deuses, todos vós, filhos do Altíssimo» (Ps 82,6). Se, segundo este Salmo, os filhos de Israel são chamados deuses e filhos de Deus, com quanta maior razão há-de ser chamado Deus Aquele que foi santificado e enviado por Deus. Com efeito, a natureza humana de Cristo ao ser assumida pelo Verbo fica santificada plena­mente e vem ao mundo para santificar os homens. «Os Santos Padres constantemente proclamam nada estar re­mido que não tivesse sido primeiro assumido por Cristo. Ora Ele assumiu por inteiro a natureza humana tal qual ela existe em nós, pobres e miseráveis, rejeitando dela apenas o pecado. De Si mesmo disse Cristo que era <em>Aquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo» (Ad gentes, </em>n. 3).</p>
<p>Com o uso que faz Jesus da Sagrada Escritura (cfr Mt 4,4.7.10; Lc 4,1.17, etc.) ensina-nos o caracter divino desta. Por isto a Igreja crê e afirma que «as coisas reveladas por Deus, contidas e manifestadas na Sagrada Escritura, foram escritas por inspiração do Espírito Santo. Com efeito, a santa Madre Igreja, segundo a fé apostólica, considera como santos e canônicos os livros inteiros do Antigo e do Novo Testamento com todas as suas partes, porque, escritos por inspiração do Espírito Santo (Ioh 20,31; 2 Tim 3,16; 2 Pet 1,19-21; 3,15-16), têm Deus por autor, e como tais foram confiados à própria Igreja (&#8230;). E assim, como tudo quanto afirmam os autores inspirados ou hagiógrafos deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo, por isso mesmo se deve acreditar que os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade que Deus, para nossa salva­ção, quis que fosse consignada nas sagradas Letras» <em>(Dei Verbum, </em>n. 11).</p>
<p><strong>37-38.</strong> As obras a que Se refere o Senhor são os Seus milagres, em que se manifesta o poder de Deus. Jesus apresenta as Suas palavras e as Suas obras como uma unidade, em que os milagres confirmam as Suas palavras e estas explicam o sentido dos milagres. Por isso, quando afirma que é o Filho de Deus, confirma esta revelação com os milagres que realiza. Assim pois, se ninguém pode negar o facto dos milagres, justo é reconhecer a veracidade das Suas palavras.</p>
<p><strong>41-42. </strong>Em contraste com a oposição de uns (cfr Ioh 10,20.31.39), está a adesão de outros, que O vão buscar ao lugar para onde Se retirou. A actividade preparatória de São João Baptista continua a dar os seus frutos: aqueles que tinham aceitado a pregação do Baptista agora buscam Cristo, <em>e </em>creem ao verem que n&#8217;Ele se cumprem as palavras do Precursor quando anunciava que Jesus era o Messias, o Filho de Deus (Ioh 1,34).</p>
<p>O labor que se faz em nome do Senhor nunca é inútil. «Assim, meus queridos irmãos, mantei-vos firmes, inamovíveis, progredindo sempre na obra do Senhor, sabendo que o nosso trabalho não é vão no Senhor» (l Cor 15,58). Assim como a palavra e o exemplo do Baptista serviram para que mais tarde muitos cressem em Jesus, o exemplo apostólico dos cristãos nunca será de balde, ainda que às vezes não se veja imediatamente o resultado. «Semear. — Saiu o semea­dor&#8230; — Semeia aos punhados, alma de apóstolo. — O vento da graça arrastará a tua semente, se o sulco onde caiu não for digno&#8230; Semeia, e está certo de que a semente vingará e dará o seu fruto» <em>(Caminho, </em>n.° 794).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>31.03.2012 – Jo 11, 45-56.</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>45</sup>Então, muitos dos Judeus que tinham vindo ter com Maria, ao verem o que Ele fizera, acreditaram n&#8217;Ele.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>46</sup>Alguns deles, porém, foram ter com os Fariseus e disseram-lhes o que Jesus havia feito. <sup>47</sup>Os Sumos Sacerdotes e os Fariseus reuniram conselho. Que havemos de fazer— diziam eles — uma vez que este homem realiza tantos milagres? <sup>48</sup>Se O deixarmos assim, todos acreditarão n&#8217;Ele, e os Romanos virão destruir-nos o Lugar e a Nação.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>49</sup>Mas um deles, Caifás, sendo Sumo Sacer­dote nesse ano, disse-lhes: Vós não sabeis nada <sup>50</sup>nem discorras que vos interessa que morra um só homem pelo povo e não pereça a Nação inteira! <sup>51</sup>Isto, porém, não o disse por si próprio, mas sendo Sumo Sacerdote nesse ano, profetizou que Jesus ia morrer pela Nação, <sup>52</sup>e não só pela Nação, mas também para trazer à unidade os filhos de Deus que andavam dispersos. <sup>53</sup>A partir, pois, desse dia, ficaram decididos a dar-Lhe a morte. <sup>54</sup>Jesus, por isso, já não andava abertamente entre os Judeus, mas retirou-Se dali para uma região junto do deserto, para uma cidade chamada Efraim, e por lá Se conservou com os discípulos.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>55</sup>Estava próxima a Páscoa dos Judeus, e muitos subiram da província a Jerusalém, antes da Páscoa, para se purificarem. <sup>56</sup>Pro-curavam eles a Jesus e diziam entre si, estacionando no Templo: Que vos parece? Que Ele não virá à festa?</span></p>
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<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>45-48.</strong> Uma vez mais Jesus, tal como o velho Simeão tinha predito, aparece como sinal de contradição (cfr Lc 2,34; Ioh 7,12.31.40; 9,16; etc.): diante do milagre da ressur­reição de <em>Lázaro </em>uns creem n&#8217;Ele (v. 45) e outros denun­ciam-No aos Seus inimigos (vv 46-47). Estas atitudes di­versas confirmam o dito na parábola do rico avarento: «Também não se convencerão mesmo que um dos mortos ressuscite» (Lc 16,31).</p>
<p>«O Lugar»: Com esta expressão, ou outras semelhantes («o lugar», «este lugar»), designava-se o Templo, lugar sagrado por excelência e, por extensão, toda a Cidade Santa, Jerusalém (cfr 2 Mach 5,19; Act 6,14).</p>
<p><strong>49-53.</strong> Caifás exerceu o sumo pontificado do ano 18 ao 36 d. C. (cfr <em>Começo do Ministério Público, </em>p. 80). Caifás é o instrumento de Deus para profetizar a Morte redentora do Salvador, pois uma das funções do sumo sacerdote era consultar Deus para guiar o povo (cfr Ex 28,30; Num 27,21; l Sam 23,9; 30,7-8). Neste caso as palavras de Caifás têm um duplo sentido: um, pretendido por ele mesmo, é a sua intenção de dar morte a Cristo com o pretexto de garantir a tranquilidade e sobrevivência política de Israel; outro, que­rido pelo Espírito Santo, é o anúncio da fundação do novo Israel, a Igreja, mediante a Morte de Cristo na Cruz; Caifás não captou este sentido. Desta maneira o último pontífice da Antiga Aliança profetiza a investidura do Sumo Sacerdote da Nova, selada com o Seu próprio Sangue.</p>
<p>Quando o Evangelista afirma que Cristo ia morrer «para reunir os filhos de Deus que estavam dispersos» (v. 52), refere-se ao que o Senhor tinha dito acerca dos efeitos salvíficos da Sua morte (cfr Ioh 10,14-15). Já os profetas tinham anunciado a futura congregação dos Israelitas fiéis a Deus para formar o novo povo de Israel (cfr Is 43,5; ler 23,3-5; Ez 34,23; 37,21-24). Estes vaticínios cumpriram-se com a Morte de Cristo, que, ao ser exaltado na Cruz, atrai e reúne o verdadeiro Povo de Deus, formado por todos os crentes, sejam ou não Israelitas. O Concilio Vaticano II apoia-se neste passo ao falar da universalidade da Igreja: «Ao novo Povo de Deus todos os homens são chamados. Por isso, este Povo, permanecendo uno e único, deve estender-se a todo o mundo e por todos os séculos/para se cumprir o desígnio da vontade de Deus, que, no princípio, criou uma só natureza humana e resolveu juntar em unidade todos os Seus filhos que estavam dispersos (cfr Ioh 11,52). Foi para isto que Deus enviou o Seu Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas<sub>;</sub> (cfr Heb 1,2), para ser mestre, rei e sacerdote universal, cabeça do novo e universal Povo dos filhos de Deus» <em>(Lumen gentium, </em>n. 13).</p>
<p>No século IV, São João Crisóstomo explicava aos seus fiéis a catolicidade da Igreja com estas palavras: «Que quer dizer &#8216;para reunir os que estavam próximo&#8217; e &#8216;os que esta­vam dispersos&#8217;? Que os fez um só corpo. Quem reside em Roma sabe que os cristãos da índia são seus membros» <em>(Hom. sobre S. João, </em>65,1).</p>
<p><strong>54.</strong>   Ainda não tinha chegado a hora da Sua morte; por isso Jesus actua com prudência, pondo os meios humanos para não precipitar os acontecimentos.</p>
<p><strong>55.</strong> Sendo a Páscoa a festa mais solene dos Judeus, os fiéis chegavam uns dias antes a Jerusalém para se prepararem para a sua celebração por meio de abluções, jejuns e oferendas: práticas que não eram tanto exigidas pela lei moisaica como pela piedade do povo. Os próprios ritos da Páscoa, com a imolação do cordeiro, serviam de purificação e de expiação pelos pecados. A Páscoa dos Judeus era figura da Páscoa cristã, pois, como nos ensina o Apóstolo São Paulo, o nosso cordeiro pascal é Cristo (cfr l Cor 5,7), o qual Se ofereceu de uma vez para sempre ao eterno Pai na Cruz para expiar pelos nossos pecados. Paulo VI recordava esta verdade gozosa da nossa fé: «Sacrificou-Se? Mas, será que existe ainda uma religião que se exprima em sacrifícios? Não, os sacrifícios da antiga lei e das religiões pagas já não têm razão de ser; mas de um sacrifício, um sacrifício válido, único e perene, sem dúvida que tem sempre necessidade o mundo para a redenção do pecado humano; (&#8230;) e é o sacrifício de Cristo sobre a cruz, o que apaga o pecado do mundo; sacrifício que a Eucaristia actualiza no tempo, dando aos homens desta terra a possibilidade de participar nele» <em>(Alocução de 17-VI-1976).</em></p>
<p>Se os Judeus se preparavam com tantos ritos e abluções para celebrar a Páscoa, que não devemos fazer nós para celebrar ou participar na Santa Missa e receber Cristo — nossa Páscoa — na Eucaristia! «Quando na Terra se recebem pessoas muito importantes, há luzes, música, trajes de gala. Para albergar Cristo na nossa alma, como devemos pre­parar-nos? Já teremos por acaso pensado como nos compor­taríamos se só se pudesse comungar uma vez na vida?» <em>(Cristo que passa, </em>n,° 91).</p>
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		<title>Evangelho do mês de fevereiro de 2012</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 16:16:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mês de Fevereiro de 2012  01.02.12 – Mc 6, 1-6 Partindo depois dali, foi à Sua terra, e os discípulos acompanharam-No. 2Vindo o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e os muitos que O ouviam exclamavam admi­rados: Donde Lhe vieram &#8230; <a href="http://www.opusalegria.com.br/evangelho-do-dia/evangelho-do-mes-de-fevereiro-de-2012/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;" align="center"><strong>Mês de Fevereiro de 2012</strong></p>
<p><strong> </strong><strong>01.02.12 – Mc 6, 1-6</strong></p>
<p><span style="color: #993300;">Partindo depois dali, foi à Sua terra, e os discípulos acompanharam-No. <sup>2</sup>Vindo o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e os muitos que O ouviam exclamavam admi­rados: Donde Lhe vieram todas estas coisas? E que sabedoria é esta que Lhe foi dada? E os prodígios como esses que opera com Suas mãos? <sup>3</sup>Porventura não é Este o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E Suas irmãs não vivem aqui entre nós? <sup>4</sup>E escandalizavam-se d&#8217;Ele. Mas Jesus dizia-lhes: O profeta não é descon­siderado senão na sua terra, entre os seus parentes e na sua casa. <sup>5</sup>E não pôde fazer ali nenhum milagre. Apenas curou um pequeno número de enfermos, impondo-lhes as mãos. <sup>6</sup>E admirava-Se da incredulidade daquela gente.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-3.</strong> Jesus é designado aqui pelo Seu trabalho e por ser «o filho de Maria». Indicará isto que São José já tinha morrido? Não o sabemos, ainda que seja provável. Em qualquer caso, é de sublinhar esta expressão: nos Evangelhos de São Mateus e de São Lucas tinha-se narrado a concepção virginal de Jesus. O Evangelho de São Marcos não refere a infância do Senhor, mas talvez possa ver-se uma alusão à concepção e nascimento virginais, na designação «o filho de Maria».</p>
<p>«José, cuidando daquele Menino como lhe tinha sido ordenado, fez de Jesus um artesão: transmitiu-Lhe o seu ofício. Por isso, os vizinhos de Nazaré falavam de Jesus chamando-Lhe indistintamente <em>faber </em>e <em>fabrí filius: </em>artesão e filho de artesão» <em>(Cristo que passa, n.° </em>55). Desta maneira o Senhor fez-nos saber que a nossa vocação profissional não é alheia aos Seus desígnios divinos.</p>
<p>«Esta verdade, segundo a qual o homem mediante o trabalho participa na obra do próprio Deus, seu Criador, foi particularmente <em>posta em relevo por Jesus Cristo, </em>aquele Jesus com Quem muitos dos Seus primeiros ouvintes em Nazaré &#8216;ficavam admirados e exclamavam: &#8216;Donde Lhe veio tudo isso? E que sabedoria é esta que lhe foi dada?&#8230; Porventura não é Ele o carpinteiro&#8217;&#8230;?&#8217; (Mc 6,2-3). Com efeito, Jesus não só proclamava, mas sobretudo punha em prática com obras as palavras da Sabedoria eterna, o &#8216;Evangelho&#8217; que Lhe tinha sido confiado. Tratava-se verdadeiramente do &#8216;evangelho do trabalho&#8217; pois <em>Aquele que o proclamava era Ele próprio homem do trabalho, </em>do trabalho artesanal como José de Nazaré (cfr Mt 13, 55). Ainda que não encontremos nas Suas palavras o preceito especial de trabalhar — antes pelo contrário, uma vez, a proibição da preocupação excessiva com o trabalho e com os meios de subsistência (Mt 6, 25-34) — contudo, a eloqüência da vida de Cristo é inequívoca: Ele pertence ao &#8216;mundo do trabalho&#8217; e tem apreço e respeito pelo trabalho humano. Pode-se até afirmar: <em>Ele encara com amor este trabalho, </em>bem como as suas diversas expressões, vendo em cada uma delas uma linha particular da semelhança do homem com Deus, Criador e Pai» <em>(Laborem exercens, </em>n. 26). São Marcos dá uma lista de irmãos de Jesus, e fala genericamente da existência de umas irmãs. Mas a palavra «irmão» não significava necessariamente filho dos mesmos pais. Podia indicar também outros graus de parentesco: primos, sobrinhos, etc. Assim em Gen 13, 8 e 14, 14.16 chama-se a Lot irmão de Abraão, enquanto por Gen 12,5e 14, 12 sabemos que era sobrinho, filho de Arão, irmão de Abraão. O mesmo acontece com Labão, a quem se chama irmão de Jacob (Gen 29,15), quando era irmão de sua mãe (Gen 29,10); e noutros casos: cfr 1 Chr 23,21-22, etc. Esta confusão deve-se à pobreza da linguagem hebraica e aramaica: carecem de termos diferentes e usam uma mesma palavra, irmão, para designar graus diversos de parentesco.</p>
<p>Por outros passos do Evangelho, sabemos que Tiago e José, aqui nomeados, eram filhos de Maria de Cléofas (Mc 15, 40; Ioh 19, 25). De Simão e de Judas temos menos dados. Parece que são os Apóstolos Simão o Zelotes (Mt 10,4; Mc 3, 18) e Judas Tadeu (Lc 6, 16), autor da epístola católica em que se declara «irmão» de Tiago. Por outro lado, ainda que se fale de Tiago, Simão e Judas como irmãos de Jesus, nunca se diz que sejam «filhos de Maria», o que teria sido natural se tivessem sido estritamente irmãos do Senhor. Jesus aparece sempre como filho único; para os de Nazaré. Ele é «o filho de Maria» (Mt 13, 55). Jesus ao morrer confia Sua mãe a São João (cfr Ioh 19,26-27), o que revela que Maria não tinha outros filhos. A isto acrescenta-se a fé constante da Igreja, que considera Maria como a sempre Virgem: «Virgem antes do parto, no parto, e para sempre depois do parto» <em>(Cum quorumdam).</em></p>
<p><strong>5-6. </strong>Jesus não fez ali milagres: não porque Lhe faltasse poder, mas como castigo da incredulidade dos Seus concida­dãos. Deus quer que o homem use da graça oferecida, de sorte que, ao cooperar com ela, se disponha a receber novas graças. Em frase gráfica de Santo Agostinho,<em>« </em>Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti» <em>(Sermo </em>169).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>02.02.12 – Lc 2, 22-40</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>22</sup>Quando chegaram os dias da purificação, de segundo a Lei de Moisés, levaram-No a Jerusalém para O apresentarem ao Senhor, do Menino conforme está escrito na Lei do Senhor, que <em>todo o primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor, </em><sup>24</sup>e para oferecerem em sacrifício, segundo o que se diz na lei, um par de rolas ou duas pombinhas. <sup>25</sup>Vivia então em Jerusalém um homem chamado Simeão; esse homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. <sup>26</sup>Revelara-lhe o Espírito Santo que não veria a morte antes de ter visto o Messias do Senhor; <sup>27</sup>e veio ao Templo, movido pelo Espírito. Quando os pais trouxeram o Menino Jesus, a fim de procederem conforme o uso da Lei que Lhe dizia respeito, <sup>28</sup>ele recebeu-O nos braços e bendisse a Deus, exclamando:</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>29</sup>«Agora, Senhor, podes despedir o Teu servo em paz segundo a Tua palavra, <sup>30</sup>porque <em>viram </em>os meus olhos <em>a Salvação </em><sup>3l</sup>que preparaste <em>ao alcance de todos os povos: <sup>32</sup>luz </em>para se revelar <em>aos pagãos </em>e glória de Israel, Teu povo».</span></p>
<p><span style="color: #993300;"> <sup>33</sup>Seu pai e Sua mãe estavam admirados com as coisas que d&#8217;Ele se diziam. <em><sup>34</sup></em>Simeão abençoou-os e disse a Maria, Sua mãe: Olha que Ele está aqui para a queda e o ressurgi­mento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição — <sup>35</sup>uma espada te há-de traspassar a tua própria alma — a fim de se revelarem os pensamentos de muitos espí­ritos.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>36</sup>Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idademuito avançada e tinha vivido casada sete anos, após o seu tempo de donzela, <sup>37</sup>e viúva, até aos oitenta e quatro. Não se afastava do Templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. <sup>38</sup>Vindo nessa mesma oca­sião, pôs-se a louvar a Deus por sua vez e a falar do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. <sup>39</sup>Depois de terem cumprido tudo o que infância ordenava a Lei do Senhor, voltaram para a de Jesus Galileia, para  a  sua cidade  de  Nazaré. <sup>40</sup>Entretanto, o Menino crescia e robustecia-Se, enchendo-Se de sabedoria, e a graça de Deus estava n&#8217;Ele.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>22-24. A Sagrada família sobe a Jerusalém com o fim de dar cumprimento a duas prescrições da Lei de Moisés: purificação da mãe, e apresentação e resgate do primogênito. Segundo Lev 12,2-8, a mulher ao dar à luz ficava impura. A mãe de filho varão aos quarenta dias do nascimento terminava o tempo de impureza legal com o rito da purifi­cação. Maria Santíssima, sempre virgem, de facto não estava compreendida nestes preceitos da Lei porque nem tinha concebido por obra de varão, nem Cristo ao nascer rompeu a integridade virginal de Sua Mãe. Não obstante, Maria Santíssima quis submeter-se à Lei, embora não estivesse obrigada.</strong></p>
<p>«Aprenderás com este exemplo, meu pateta, a cumprir a Santa Lei de Deus, apesar de todos os sacrifícios pessoais?</p>
<p>«Purificação! Tu e eu, sim; nós realmente é que preci­samos de purificação! — Expiação, e, além da expiação, o Amor. — Um amor que seja cautério, que abrase a sujidade da nossa alma, que incendeie com chamas divinas a miséria do nosso coração» <em>(Santo Rosário, </em>quarto mistério gozoso).</p>
<p>Igualmente, em Ex 13,2.12-13 indica-se que todo o primogênito pertence a Deus e deve ser-Lhe consagrado, isto é, dedicado ao culto divino. Não obstante, desde que este foi reservado à tribo de Levi, aqueles primogênitos que não pertenciam a esta tribo não eram dedicados ao culto e para mostrar que continuavam a ser propriedade especial de Deus, realizava-se o rito do resgate.</p>
<p>A Lei mandava também que os israelitas oferecessem para os sacrifícios uma rês menor, por exemplo, um cordeiro, ou se eram pobres um par de rolas ou dois pombinhos. O Senhor que «sendo rico Se fez pobre por nós, para nos enriquecer com a Sua pobreza» (2 Cor 8,9), quis que fosse (oferecida por Ele a oferenda dos pobres.</p>
<p><strong>25-32.   </strong>Simeão, qualificado como homem justo e temente a Deus, atento à vontade divina, dirige-se ao Senhor na sua oração como um vassalo ou servidor leal que depois de ter estado vigilante durante toda a sua vida, à espera da vinda do seu Senhor, vê <em>agora </em>por fim chegado esse momento, que deu sentido à sua existência. Ao ter o Menino nos seus braços, conhece não por razão humana mas por graça especial de Deus, que esse Menino é o Messias prometido, a Consolação de Israel, a Luz dos povos.</p>
<p>O cântico de Simeão (vv. 29-32) é, além disso, uma verda­deira profecia. Tem este cântico duas estrofes: a primeira (vv. 29-30) é uma acção de graças a Deus, trespassada de profundo gozo, por ter visto o Messias. A segunda (vv. 31-32) acentua o caracter profético e canta os benefícios divinos que o Messias traz a Israel e a todos os homens. O cântico realça o caracter universal da Redenção de Cristo, anunciada por muitas profecias do AT (cfr Gen 22,18; Is 42,6; Is 60,3; Ps 98,2).</p>
<p>Podemos compreender o gozo singular de Simeão ao considerar que muitos patriarcas, profetas e reis de Israel anelaram ver o Messias e não O viram, e ele, pelo contrário, tem-No nos seus braços (cfr Lc 10,24; l Pet 1,10).</p>
<p><strong>33.</strong> A Virgem Santíssima e São José admiravam-se não porque desconhecessem o mistério de Cristo, mas pelo modo como Deus o ia revelando. Uma <em>vez </em>mais nos ensinam a saber contemplar os mistérios divinos no nascimento de Cristo.</p>
<p><strong>34-35.</strong> Depois de os abençoar, Simeão, movido pelo Espírito Santo, profetiza de novo sobre o futuro do Menino e  de Sua Mãe. As palavras de Simeão tornaram-se mais claras para nós ao cumprirem-se na Vida e na Morte do Senhor.</p>
<p>Jesus, que veio para a salvação de todos os homens, não obstante, será <em>sinal de contradição </em>porque alguns obstinar-se-ão em rejeitá-Lo, e para estes Jesus será a sua ruína. Para outros, porém, ao aceitá-Lo com fé, Jesus será a sua salvação, livrando-os do pecado nesta vida e ressuscitando-os para a vida eterna.</p>
<p>As palavras dirigidas à Santíssima Virgem anunciam que Maria teria de estar intimamente unida à obra redentora do seu Filho. A espada de que fala Simeão expressa a participação de Maria nos sofrimentos do Filho; é uma dor inenarrável, que traspassa a alma. O Senhor sofreu na Cruz pelos nossos pecados; também são os pecados de cada um de nós que forjaram a espada de dor da nossa Mãe. Por conseguinte, temos um dever de desagravo não só com Deus, mas também com a Sua Mãe, que é igualmente nossa Mãe. As últimas palavras da profecia, «a fim de se revelarem os pensamentos de muitos espíritos», enlaçam com o v. 34: na aceitação ou rejeição de Cristo manifesta-se a rectidão ou a perversão dos corações.</p>
<p><strong>36-38.</strong> O testemunho de Ana é muito parecido ao de Simeão: como este, também ela tinha estado à espera da vinda do Messias durante a sua longa vida, num serviço fiel à Deus; e também é premiada com o gozo de O ver. «Pôs-se a falar», isto é, do Menino: louvava a Deus em oração pessoal, e exortava os outros a que cressem que aquele Menino era o Messias.</p>
<p>Assim, pois, o nascimento de Cristo manifesta-se por três espécies de testemunhas e de três modo diferentes: primeiro, pelos pastores, depois do anúncio do anjo; segundo, pelos Magos, guiando-os a estrela; terceiro, por Simeão e Ana, movidos pelo Espírito S Quem, como Simeão e Ana, persevera na piedade e no serviço a Deus, por muito pouca valia que pareça ter a sua vida aos olhos dos homens, converte-se em instrumento apto do Espírito Santo para dar a conhecer Cristo aos outros. Nos Seus planos redentores, Deus vaie-Se destas almas simples para conceder muitos bens à humanidade.</p>
<p><strong>39.</strong>    Antes da volta a Nazaré aconteceram os factos da fuga e permanência no Egipto que São Mateus relata em 2,13-23.</p>
<p><strong>40.</strong>    «Nosso Senhor Jesus Cristo enquanto criança, isto é, revestido da fragilidade da natureza humana, devia crescer e fortalecer-Se; mas enquanto Verbo eterno de Deus não necessitava de Se fortalecer nem de crescer. Donde muito bem é descrito cheio de sabedoria e de graça» <em>(In Lucae Evangelium expositio, ad loc.).</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>03.02.12 – Mc 6, 14-29</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>14</sup>Ouviu o rei Herodes falar de Jesus, pois o Seu nome se tinha tornado célebre, e dizia: João Baptista ressuscitou dos mortos, e é por isso que essas forças milagrosas operam nele. <sup>15</sup>Outros, porém, diziam: É Elias; e outros: É um profeta, como um dos antigos profetas. <sup>16</sup>Mas Herodes, ouvindo isto, dizia: É João, a quem eu decapitei, que ressuscitou.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>17</sup>De facto, Herodes mandara prender a João e pusera-o a ferros numa prisão por causa de Herodiade, mulher de seu irmão Filipe, com a qual tinha casado. <sup>18</sup>Porque João dizia a Herodes: Não te é lícito ter a mulher de teu irmão. <sup>19</sup>Herodíade perseguia-o e queria fazê-lo condenar à morte, mas não podia. <sup>20</sup>É que Herodes, sabendo que João era homem justo e santo, temia-o e protegia-o e, quando o ouvia, ficava muito perplexo, mas escutava-o com prazer. <sup>21</sup>Chegou enfim um dia favorável, quando Herodes, no seu aniversário natalício, deu um banquete aos grandes da sua corte e aos oficiais e aos principais da Galileia. <sup>22</sup>A filha da mesma Herodíade apresentou-se a dançar e agradou a Herodes e aos convivas, tanto que o rei disse à moça: Pede-me o que quiseres e dar-to-ei. <sup>23</sup>E jurou-lhe: Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja metade do meu reino. <sup>24</sup>Ela saiu a perguntar à mãe: Que hei-de pedir? Respondeu-lhe: A cabeça de João Baptista. <sup>25</sup>Voltou ela, a correr, à pre­sença do rei e fez-lhe assim o pedido: Quero que me dês agora mesmo, num prato, a cabeça de João Baptista. <sup>26</sup>Entristeceu-se muito o rei, mas, por causa do juramento e dos convivas, não quis faltar-lhe à palavra. <sup>27</sup>E logo o rei mandou um guarda com ordem de trazer a cabeça dele. Este foi e decapitou-o no cárcere; <sup>28</sup>e trouxe a cabeça num prato e deu-a à moça, e a moça deu-a à mãe. <sup>29</sup>Ao saberem disso, os seus discípulos vieram e levaram o corpo e depuseram-no num sepulcro.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>14.</strong>    De acordo com o uso popular, São Marcos chama a Herodes rei; mas com precisão jurídica apenas era tetrarca, como dizem São Mateus (14, 1) e São Lucas (9, 7), isto é, governador de certa importância. Este Herodes, que São Marcos aqui cita, era Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, aquele que era rei dos Judeus nos anos do nascimento de Jesus Cristo. Cfr a nota a Mt 2, 1.</p>
<p><strong>16-29. </strong>E de notar que se intercala no relato evangélico o extenso episódio da morte de João Baptista. A razão é que São João Baptista tem relevância especial na História da Salvação, porque é o Precursor, encarregado de preparar os caminhos do Messias. Por outro lado, João Baptista tinha um grande prestígio entre o povo: consideravam-no profeta (Mc 11,32) e alguns inclusivamente o Messias (Lc 3, 15; Ioh 1, 20) e acorriam a ele de muitos lugares (Mc 1, 5). O próprio Jesus chegou a dizer: «Entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior que João Baptista» (Mt 11,11). Mais tarde, o apóstolo São João voltaria a falar dele no seu Evangelho: «Houve um homem enviado por Deus, que se chamava João» (Ioh 1, 6). Mas no texto sagrado esclarece-se, não obstante, que o Baptista, apesar de tanto, não era a luz, mas a testemunha da luz (Ioh 1, 6-8). Propriamente apenas era a lâmpada que levava a luz (Ioh 5,35).</p>
<p>De João Baptista é-nos dito aqui que era justo e que pregava a cada qual aquilo de que necessitava: à multidão do povo, aos publicanos, aos soldados (Lc 3,10-14); aos fariseus e aos saduceus (Mt 3, 7-12), ao próprio rei Herodes (Mc 6, 18-20). Este homem humilde, íntegro e austero, garante com a sua vida o testemunho que davam as suas palavras sobre o Messias Jesus (Ioh 1, 29.36-37).</p>
<p><strong>26.</strong> Os juramentos e as promessas de conteúdo imoral não se devem fazer. E, se se fizeram, não se devem cumprir. Esta é a doutrina da Igreja, resumida pelo <em>Catecismo Maior </em>de São Pio X, n.° 383, da seguinte maneira: «Estamos obrigados a manter o juramento de fazer coisas injustas ou ilícitas? Não só não estamos obrigados, mas, pelo contrário, pecamos ao fazê-las, como coisas proibidas pela Lei de Deus ou da Igreja».</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>04.02.12 – Mc 6, 30-34</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>30</sup>Entretanto os «apóstolos voltaram a reunir-se com Jesus e contaram-Lhe tudo quanto tinham feito e ensinado. <sup>31</sup>E Ele disse-lhes: Vinde vós outros sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco. Eram com efeito muitos os que iam e vinham, e eles nem sequer tinham tempo para comer. <sup>32</sup>Partiram, pois, de barco, a sós, para um lugar deserto.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>33</sup>Viram-nos, porém, partir <em>e </em>muitos perceberam para onde iam; e, por terra, concorreram lá de todas as cidades e chegaram primeiro do que eles. <sup>34</sup>Ao desembarcar, viu uma grande multidão e condoeu-Se dela, por­que eram como ovelhas sem pastor, e come­çou a ensinar-lhes muitas coisas.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>30-31. </strong>Vê-se aqui a intensidade do ministério público de Jesus. Era tal a dedicação às almas que, por duas vezes, São Marcos faz notar que inclusivamente lhes faltava o tempo para comer (cfr Mc 3, 20). O cristão deve estar disposto a sacrificar o próprio tempo, e inclusivamente o descanso, para serviço do Evangelho. Esta atitude de disponibilidade levar-nos-á a saber mudar os nossos planos quando o exija o bem das almas.</p>
<p>Mas também ensina aqui Jesus a ter senso comum e não pretender fazer loucamente certos esforços, que excedem absolutamente as nossas forças naturais: «O Senhor faz descansar os Seus discípulos para ensinar aos que governam que aqueles que trabalham por obras ou por palavras não podem trabalhar sem interrupção» <em>(In Marci Evangelium expositio, ad loc.). </em>«Quem se entrega a trabalhar por Cristo não há-de ter um momento livre, porque o descanso não é não fazer nada; é distrair-se em actividades que exigem menos esforço» <em>(Caminho, </em>n.° 357).<strong></strong></p>
<p><strong>34</strong>. O Senhor fez planos para descansar algum tempo, juntamente com os Seus discípulos, das absorventes tarefas apostólicas (Mc 6, 31-32). Mas não os pode levar a cabo pela presença de um grande número de gente que acorre a Ele ávida da Sua palavra. Jesus Cristo não só não Se aborrece com eles, mas sente compaixão ao ver a necessidade espiritual que têm. «Morre o Meu povo por falta de doutrina» (Os 4, 6). Necessitam de instrução e o Senhor quer satisfazer esta necessidade por meio da pregação. «A fome e a dor comovem Jesus, mas sobretudo comove-O a ignorância» <em>(Cristo que passa, </em>n.°109).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>05.02.12 – Mc 1, 29-39</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>29</sup>Saindo depois da sinagoga, foi para casa de Simão e André, com Tiago e João. <sup>30</sup>Ora a sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falam dela. <sup>31</sup>E Ele, aproximando-Se, pegou-lhe na mão e ergueu-a. A febre deixou-a, e ela pôs-se a servi-los.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>32</sup>Ao anoitecer, depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos, <sup>33</sup>e toda a cidade se apinhou diante da porta. Soltes <sup>34</sup>Ele curou muitos, atacados de várias enfermidades, e expulsou muitos Demônios; mas não deixava que os Demônios falassem, porque sabiam quem Ele era.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>35</sup>De madrugada, muito antes de amanhecer, levantou-Se e saiu para um lugar solitário e ali orava. <sup>36</sup>Simáo e os que com ele estavam foram à procura d&#8217;Ele. <sup>37</sup>Quando O encontraram, disseram-Lhe: Andam todos a procurar-Te. <sup>38</sup>Diz-lhes Ele: Vamos a outro lugar, às vilas circunvizinhas, para também ali pregar, pois para isso é que saí. <sup>39</sup>E andava a pregar nas suas sinagogas, por toda a Galileia, e a expulsar os Demônios.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>34.</strong>    Os demônios possuem um saber sobre-humano, por, isso reconhecem Jesus como o Messias (Mc 1, 24). Por meio dos endemoninhados, os demônios podiam dar a conhecer o caracter messiânico de Jesus. Mas o Senhor, com o Seu poder divino, manda-os guardar silêncio. Ordena a mesma coisa, noutras ocasiões, aos discípulos (Mc 8,30; 9,9), e aos doentes, depois da sua cura, ordena que não propaguem a notícia (Mc 1,44; 5,43; 7,36; 8,26).</p>
<p>Este proceder do Senhor <em>pode </em>explicar-se como pedagogia divina para ir ensinando que a idéia que do Messias tinham a maioria dos contemporâneos de Jesus era demasiado humana e politizada (cfr a nota a Mt 9, 30). Por isso quer primeiro despertar o interesse com os Seus milagres, e ir esclarecendo o sentido do Seu messianismo com as Suas palavras, para que os discípulos e todo o povo o possam compreender progressivamente.</p>
<p>Também devemos pensar, com alguns Santos Padres, que Jesus não quer aceitar em favor da verdade o testemunho daquele que é o pai da mentira. E por isso, apesar de O reconhecerem, não os deixa dizer Quem é. Cfr a nota a Ioh 8,44.</p>
<p><strong>35.</strong> São muitos os passos do Novo Testamento que referem a oração de Jesus. Os evangelistas assinalaram-no nos momentos mais importantes do ministério público do Senhor: Baptisrno (Lc 3,21), escolha dos Apóstolos (Lc 6,12), primeira multiplicação dos pães (Mc 6,46), Transfiguração (Lc 9, 29), no horto do Getsémani antes da Paixão (Mt 26,39), etc. Marcos, por seu lado, refere a oração de Jesus em três momentos solenes: no começo do Seu ministério/público (1, 35), no meio <em>(6,</em>46), e no fim, no Getsémani (14,3,2).</p>
<p>A oração de Jesus é oração de louvor perfeito ao Pai, é oração de petição por Si mesmo e por nós, e é, finalmente, modelo para os Seus discípulos. É louvor e acção de graças perfeita porque Ele é o Filho amado de Deus em Quem o Pai Se compraz plenamente (cfr Mc 1, 11). É oração de petição, pois pedir coisas a Deus é o primeiro movimento espontâneo da alma que reconhece Deus como Pai. A oração de Jesus, segundo vemos por numerosos passos evangélicos (p. ex. Ioh 17, 9 e ss.), era uma petição contínua ao Pai pela obra da Redenção, que Ele devia realizar por meio da dor e do sacrifício (cfr as notas a Mc 14, 32-42 e Mt 7, 7-11). O Senhor quer, além disso, ensinar-nos com o Seu exemplo qual deve ser a atitude do cristão: entabular habitualmente um diálogo filial com Deus, no meio e por ocasião das nossas actividades ordinárias — trabalho, vida familiar, relações sociais, apostolado —, com o fim de dar à nossa vida um significado e uma presença autenticamente cristãos, já que, como assinalará mais tarde Jesus, «sem Mim nada podeis fazer» (Ioh 15,5).</p>
<p>«Escreveste-me: &#8216;Orar é falar com Deus. Mas de quê?&#8217; De quê? D&#8217;Ele e de ti; alegrias, tristezas, êxitos e fracassos, ambições nobres, preocupações diárias&#8230;, fraquezas; e acções de graças e pedidos; e Amor e desagravo.</p>
<p>«Em duas palavras: conhecê-Lo e conhecer-te — ganhar intimidade!» <em>(Caminho, </em>n.° 91) (cfr as notas a Mt 6, 5-6; 7, 7-11 e 14, 22-23).</p>
<p><strong>38.</strong> Jesus Cristo diz-nos aqui que a Sua missão é pregar, evangelizar. Para isto foi enviado (vid. também Lc 4, 43). Os Apóstolos, por sua vez, foram escolhidos por Jesus para os enviar a pregar (Mc 3, 14; 16, 15). A pregação é o meio escolhido por Deus para levar a cabo a salvação: « Aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação» (1 Cor 1, 21). Por isso o mesmo São Paulo diz a Timóteo: «Prega a palavra, insiste oportuna e inoportunamente, repreende censura e exorta com bondade e doutrina» (2 Tim 4,1-2). A fé vem-nos pelo ouvido, dirá em Rom 10, 17 e, citando o profeta Isaías, exclama com entusiasmo: «Que formosos são os pés dos que anunciam boas novas!» (Rom 10,15; Is 52,7).</p>
<p>A Igreja põe em realce entre os ofícios principais de Bispos e de presbíteros o de pregar o Evangelho. São Pio X chegou a dizer que «o dever de pregar é o que mais grave e estritamente obriga o sacerdote» <em>(Acerbo nimis). </em>No mesmo sentido se pronunciou o Concilio Vaticano II: «O Povo de Deus é reunido antes de mais pela palavra de Deus vivo (cfr 1 Pet 1, 23; Act 6, 7; 12, 24), que é justíssimo esperar receber da boca dos sacerdotes (cfr Mal 2, 7; 1 Tim 4, 11-13; etc.). Com efeito, como ninguém se pode salvar se antes não tiver acreditado (cfr Mc 16,16), os presbíteros, como cooperadores dos Bispos, têm, como primeiro dever, anunciar a todos o Evangelho de Deus (cfr 2 Cor 11, 7), para que, realizando o mandato do Senhor: <em>Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a todas as criaturas </em>(Mc 16, 15), constituam e aumentem o Povo de Deus» <em>(Presbiterorum ordinis, </em>n. 4).</p>
<p>A pregação de Jesus não consiste apenas em palavras. É uma doutrina acompanhada com a autoridade e eficácia de uns factos (Mc 1,27.39). Jesus faz e ensina (Act l, 1). Também a Igreja foi enviada a pregar a salvação, e a realizar a obra salvífica que proclama. Esta obra é posta em prática mediante os sacramentos e, especialmente, através da renovação do sacrifício do Calvário na Santa Missa <em>(Sacrosanctum Concilium, </em>n. 6).</p>
<p>Na Igreja de Deus, todos os fiéis têm de escutar devota­damente a pregação do Evangelho e todos têm de sentir, por sua vez, a responsabilidade de transmiti-lo com palavras e com factos. Por seu lado, à Hierarquia da Igreja corresponde ensinar autenticamente — com a autoridade de Cristo — a doutrina evangélica.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>06.02.12 – Mc 6, 53-56</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>53</sup>Feita a travessia, vieram para terra e atracaram em Genesaré. <sup>54</sup>Apenas saídos da barca, logo O reconheceram <sup>55</sup>e, percorrendo toda aquela região, começaram a trazer em maças os doentes para onde ouviam dizer que Ele estava. <sup>56</sup>E onde quer que entrava, nas aldeias ou nas cidades ou nos campos, punham os enfermos nas praças e rogavam-Lhe que ao menos os deixasse tocar a franja do Seu manto. E quantos O tocavam ficavam curados.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>52.</strong> Os discípulos não acabam de entender os milagres de Jesus como sinais da Sua divindade. Assim acontece diante dos milagres da multiplicação dos pães e dos peixes (Mc <em>6, </em>33-44) e da segunda multiplicação dos pães (Mc 8, 17). Diante destas maravilhas sobrenaturais, os Apóstolos têm ainda o seu coração e a sua inteligência endurecidos; não chegam a descobrir em toda a sua profundidade o que Jesus lhes está a ensinar com os Seus feitos: que Ele é o Filho de Deus. Jesus Cristo é compreensivo e paciente com estes defeitos dos Seus discípulos: também não entenderão quando Jesus lhes falar da Sua própria Paixão (Lc 18, 34). O Senhor multiplicará os Seus ensinamentos e milagres para iluminar as inteligências dos discípulos, e mais tarde enviará o Espírito Santo, que lhes ensinará todas as coisas e lhes recordará os Seus ensinamentos (cfr Ioh 14,26).</p>
<p>São Beda o Venerável faz o seguinte comentário a todo o episódio (Mc 6, 45-52): «Em sentido místico, o trabalho dos discípulos a remar e o vento contrário assinalam os trabalhos da Igreja santa que, entre as vagas do mundo inimigo e a exalação dos espíritos imundos, se esforça por chegar ao descanso da pátria celeste. Com razão, pois, se diz que a barca estava no meio do mar e Ele só em terra, porque a Igreja nunca foi tão intensamente perseguida pelos gentios que parecesse que o Redentor a tivesse abandonado de todo. Mas o Senhor vê os Seus a lutar no mar e, para que não desfaleçam nas tribulações, fortalece-os com o seu olhar de misericórdia e algumas vezes livra-os do perigo com a Sua clara ajuda.» <em>(In Marci Evangelium expositio, ad loc.).</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>07.02.12 – Mc 7, 1-13</strong></p>
<p><span style="color: #993300;">Ajuntaram-se depois à volta d&#8217;Ele os Fariseus e alguns Escribas vindos de Jerusalém. <sup>2</sup>E, vendo alguns dos Seus discí­pulos a comer com as mãos profanas, isto é, sem as terem lavado; <sup>3</sup>de facto, os Fariseus, como todos os Judeus, não comem sem ter lavado as mãos cuidadosamente, seguindo a tradição dos antigos; <sup>4</sup>e, ao voltarem da praça, não comem sem se terem lavado; há ainda muitas outras cerimônias que observam por tradição, como abluções de copos e jarros e vasos de metal. <sup>5</sup>Perguntaram-Lhe, pois, os Fariseus e os Escribas: Porque é que os Teus discípulos não se conformam com a tradição dos antigos e comem com as mãos profanas? <sup>6</sup>Mas Ele disse-lhes: Bem profe­tizou Isaías de vós, hipócritas, como está escrito:</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><em>Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim.</em></span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>7</sup><em>Em vão Me</em><em> prestam culto, ensinando doutrinas que são preceitos humanos.</em></span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>8</sup>Desprezando o mandamento de Deus, aferrais-vos à tradição dos homens, abluções de jarros e copos e fazeis muitas outras coisas semelhantes. <sup>9</sup>E dizia-lhes: Vós violais lindamente o mandamento de Deus, para observar a vossa tradição. <sup>10</sup>Com efeito, disse Moisés: «Honra teu pai e tua mãe», e: «Quem amaldiçoar pai ou mãe seja punido de morte». <sup>11</sup>Vós, porém, dizeis: Ao homem que disser ao pai ou à mãe: tudo aquilo com que podia ajudar-te é «qorban», isto é, «oferenda», <sup>12</sup>já lhe não permitis fazer nada em favor do pai ou da mãe, <sup>13</sup>anulando assim o mandamento de Deus com a vossa tradição, por vós transmitida. E coisas como estas fazeis muitas.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-2.</strong> O lavar-se as mãos não era por meros motivos de higiene ou de urbanidade, mas tinha um significado religioso de purificação. Em Ex 30,17 ss. a Lei de Deus prescrevia a purificação dos sacerdotes antes das suas funções cultuais. A tradição judaica tinha-o ampliado a todos os israelitas para antes de todas as refeições, querendo dar a estas um significado religioso que se reflectia nas bênçãos com que começavam. A purificação ritual era símbolo da pureza moral com que uma pessoa deve apresen­tar-se diante de Deus (Ps 24,3 ss.; 51,4-9); mas os fariseus tinham conservado o meramente exterior. Por isso Jesus restitui o sentido genuíno destes preceitos da Lei, que tendem a ensinar a verdadeira adoração a Deus (cfr Ioh 4,24).</p>
<p><strong>3-5.</strong> No texto vemos com clareza que boa parte dos destinatários imediatos do Evangelho de São Marcos eram cristãos procedentes do paganismo, que desconheciam os costumes dos Judeus. Por isso o Evangelista explica-lhes, com certo pormenor, alguns destes costumes para facilitar a compreensão do sentido dos acontecimentos e dos ensina­mentos da história evangélica.</p>
<p>De modo semelhante a pregação e ensino da Sagrada Escritura deve fazer-se de maneira que seja compreensível e acomodada às circunstâncias dos ouvintes. Por isso ensina o Concilio Vaticano II que «compete aos Bispos ensinar oportunamente os fiéis que lhes foram confiados no uso recto dos livros divinos, de modo particular do Novo Testamento, e sobretudo dos Evangelhos. E isto por meio de traduções dos textos sagrados, que devem ser acompanhadas às explicações necessárias e verdadeiramente suficientes, para que os filhos da Igreja se familiarizem dum modo seguro e útil com a Sagrada Escritura, e se penetrem do seu espírito.» <em>(Dei Verbum, </em>n. 25).</p>
<p><strong>11-13.</strong> Sobre a explicação deste texto vid. a nota a Mt 15,5-6. Jesus Cristo, que é o intérprete autêntico da Lei, porque enquanto Deus é autor dela, esclarece o verdadeiro alcance do quarto mandamento perante as explicações errôneas da casuística judaica. Em muitas outras ocasiões Nosso Senhor corrigiu as interpretações erradas dos mestres judaicos. Assim acontece, por exemplo, quando recorda aquela frase do Antigo Testamento: «Ide e aprendei que sentido tem: Quero misericórdia e não sacrifício» (Os 6,6; 1 Sam 15,22; Eccli 35,4) que nos conservou São Mateus em 9,13.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>08.02.12 – Mc 7, 14-23</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>14</sup>E, chamando outra vez o povo, dizia-lhes: Ouvi-Me todos e entendei: <sup>15</sup>Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro; mas as coisas que saem do homem, essas é que tornam o homem impuro. <sup>16</sup>Quem tem ouvidos para ouvir oiça&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>17</sup>Quando, ao deixar a multidão, entrou em casa, perguntaram-Lhe os discípulos a significação da parábola. <sup>I8</sup>E Ele disse-lhes: Também vós sois assim tão pouco inteli­gentes?! Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode tornar impuro? <sup>19</sup>Porque não entra no coração, mas no ventre, e daí sai para lugar escuso. Declarava assim puros todos os alimentos. <sup>20</sup>E dizia: O que sai do homem, isso é que torna o homem impuro; <sup>21</sup>porque de dentro, do coração dos homens, saem os maus pensa­mentos, desonestidades, furtos, homicídios, <sup>22</sup>adultérios, ambições, maldades, fraude, impudicícia, inveja, blasfêmia, soberba, insensatez. <sup>23</sup>Todas estas coisas más procedem do interior e tornam o homem impuro.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>15.</strong> Alguns códices importantes acrescentam aqui: «Quem têm ouvidos para ouvir oiça&#8230;», que corresponderia ao v. 16, que a tradução portuguesa que transcrevemos refere.</p>
<p><strong>18-19.</strong> Sabemos pela Tradição que São Marcos foi o intérprete de São Pedro e que ao escrever o seu Evangelho sob a inspiração do Espírito Santo recolheu a catequese do<em> </em>Príncipe dos Apóstolos em Roma.</p>
<p>A visão que teve São Pedro em Joppe (Act 10,10-16)<em> </em>fê-lo entender em toda a sua profundidade este ensinamento do Senhor acerca dos alimentos. O próprio São Pedro o narra ao voltar a Jerusalém, contando a.conversão de Cornélio em Joppe: «Então recordei-me da palavra do Senhor» (Act 11,16). O caracter já não obrigatório de tais prescrições de Deus no AT (cfr Lev 11) devia ser algo que São Pedro incluía na sua pregação. Para a interpretação deste texto vid. também a nota a Mt 15,10-20.</p>
<p><strong>20-23. </strong>«Na maneira de os homens se exprimirem, que a Sagrada Escritura utiliza para nos dar a entender as coisas divinas, o coração é tido por resumo e fonte, expressão e fundo íntimo dos pensamentos, das palavras, das acções» <em>(Cristo que passa, n.&#8221; </em>164).</p>
<p>A bondade ou malícia, a qualidade moral dos nossos actos não depende do seu caracter espontâneo, instintivo. O próprio Senhor diz-nos que do coração humano podem sair acções pecaminosas.</p>
<p>Tal possibilidade compreende-se, se temos em conta que, depois do pecado original, o homem «foi mudado para pior» segundo o corpo e a alma e, portanto, está inclinado para o mal (cfr <em>De peccato originali). </em>Com as palavras deste passo do Evangelho, o Senhor restitui a moral em toda a sua pureza e interioridade.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>09.02.12 – Mc 7, 24-30</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>24</sup>Levantou-se depois e partiu dali para os confins de Tiro e Sidónia; e, entrando numa casa, não queria que ninguém o soubesse; mas não conseguiu ocultar-Se, <sup>25</sup>pois uma mulher cuja filhinha estava possessa do espírito imundo, apenas ouviu falar d&#8217;Ele, veio lançar-se-Lhe aos pés. <sup>26</sup>Esta mulher era gentia, de origem sírio-fenícia; e suplicava-Lhe que expulsasse da sua filha o Demônio. <sup>27</sup>Mas Ele dizia-lhe: Espera que primeiro se saciem os filhos; porque não é bonito tomar o pão dos filhos e deitá-lo aos cachorros. <sup>28</sup>Replicou ela: É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas dos filhos. <sup>29</sup>E Ele disse-lhe: Por essa tua palavra, vai, que o Demônio saiu da tua filha. <sup>30</sup>E ela, voltando para casa, encon­trou a menina deitada na cama, livre do Demônio.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>24.</strong> A região de Tiro e de Sidónia corresponde à zona sul do actual país do Líbano, antiga Fenícia. Desde o lago de Genesaré à fronteira de Tiro e Sidónia não são mais de50 km. Jesus retira-Se para fora da Palestina para evitar a perseguição das autoridades judaicas e para Se poder dedicar mais intensamente à formação dos Apóstolos.</p>
<p><strong>27.</strong> O Senhor emprega o diminutivo «cachorrinho» para Se referir aos gentios, dulcificando assim uma expressão depreciativa que os Judeus utilizavam para os designar. Sobre o episódio da cananeia cfr as notas aos passos paralelos de Mt 15,21-22. 24.25-28.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>10.02.12 – Mc 7, 31-37</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>31</sup> Deixando novamente a região de Tiro, veio por Sidónia, para o mar da Galileia, através do território da Decápole. <sup>32</sup>Trazem-Lhe um surdo-tartamudo e pedem-Lhe que lhe imponha as mãos. <sup>33</sup>E Ele, tomando-o consigo aparte, longe da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com a saliva tocou-lhe a língua. <sup>34</sup>Depois, levantando os olhos ao céu, suspirou e disse-lhe: Effathá! — isto é — Abre-te! <sup>35</sup>E imediatamente se lhe abriram os ouvidos e se desatou a prisão da língua e falava expeditamente. Ele mandou-lhes que o não contassem a ninguém. <sup>36</sup>Mas quanto mais lho mandava, tanto mais eles o apregoavam <sup>37</sup>e, fora de si de espanto, diziam: Tudo faz bem: faz ouvir os surdos e falar os mudos.</span><em></em></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>32-33. </strong>Com alguma freqüência aparece na Sagrada Escritura a imposição das mãos como gesto para transmitir poderes ou bênçãos (cfr Gen 48,14ss.; 2 Reg 5.11; Lc 13,13). De todos é conhecido que a saliva tem certa eficácia para aliviar feridas leves. Os dedos simbolizavam na linguagem da Revelação uma acção divina poderosa (cfr Ex 8,19; Ps 8,4; Lc 11,20). Jesus, pois, emprega sinais que têm uma certa conaturalidade em relação com o efeito que se pretende produzir, ainda que, como vemos pelo texto, o efeito — a cura imediata do surdo-mudo — exceda completamente o sinal empregado.</p>
<p>No milagre do surdo-tartamudo podemos encontrar, além disso, uma imagem da actuação de Deus nas almas: para crer é necessário que Deus abra o nosso coração a fim de que possamos escutar a Sua palavra. Depois, como os Apóstolos, poderemos anunciar com a nossa língua as <em>magnalia Dei, </em>as grandezas divinas (cfr Act 2,11). Na Liturgia da Igreja (cfr o hino <em>Veni Creator) </em>o Espírito Santo é comparado ao dedo da mão direita de Deus Pai <em>(Digitus paternae dexterae). </em>O Consolador realiza nas nossas almas, na ordem sobrenatural, efeitos comparáveis aos que Cristo realizou no corpo do surdo-tartamudo.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>11.02.12 – Mc 8, 1-10</strong></p>
<p><span style="color: #993300;">O Por aqueles dias, sendo outra vez grande a multidão e não tendo que comer, chama os discípulos e diz-lhes: <sup>2</sup>Tenho com­paixão deste povo, porque há já três dias que anda comigo e não tem que comer; <sup>3</sup>e, se o mando para suas casas em jejum, desfalecerá no caminho, tanto mais que alguns deles são de longe. <sup>4</sup>Responderam-Lhe os discípulos: E onde encontrar pão para os saciar aqui num deserto? <sup>5</sup>Mas Ele perguntou: Quantos pães tendes? Sete, disseram eles. <sup>6</sup>Mandou então sentar o povo no chão. E, tomando os sete pães, deu graças, partiu-o e foi-os dando aos discípulos, para que os servissem, e eles serviram-nos à multidão. <sup>7</sup>Tinham também alguns peixes pequenos, <em>e </em>Ele pronunciou sobre eles a fórmula da bênção e mandou-os também servir. <sup>8</sup>E eles comeram até se saciarem. E, dos pedaços que sobejaram, recolheram sete cabazes. <sup>9</sup>Èram cerca de quatro mil, e mandou-os embora.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>10</sup>E logo entrou na barca com os discípulos e foi para a região de Dalmanuta.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-9.</strong> Jesus repete o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes: na primeira vez (Mc 6,33-44) actuou ao ver uma grande multidão que ia como «ovelhas sem pastor»; agora, quanto a multidão O seguiu durante três dias e não tem que comer.</p>
<p>Este milagre é uma mostra de como premeia Cristo a perseverança no Seu seguimento: a multidão esteve pendente da palavra de Jesus, esquecendo-se de tudo o resto.</p>
<p>Também, nós devemos estar pendentes d&#8217;Ele e cumprir o que nos manda, pondo de parte toda a preocupação vã pelo futuro, o que equivaleria a desconfiar da Providência divina.</p>
<p><strong>10. </strong>«Dalmanuta»: Esta comarca deve situar-se nas proximidades do lago de Genesaré, ainda que seja difícil de dar uma localização mais precisa. E esta a única vez que se menciona na Sagrada Escritura. No passo paralelo de São Mateus (15,39) figura umas vezes Magadan e outras Magdala.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>12.02.12 – Mc 1, 40-45</strong></p>
<p><sup><span style="color: #993300;">40</span></sup><span style="color: #993300;">Vem ter com Ele um leproso que, suplicando e lançando-se de joelhos, Lhe diz: Se quiseres, podes limpar-me. <sup>41</sup>Ele, enternecido, estendeu a mão, e tocou-o e disse-lhe: Quero; se limpo! <sup>42</sup>E imediatamente desapa­receu a lepra, e ficou limpo. <sup>43</sup>Entáo Jesus, tomando um ar severo, mandou-o embora e disse-lhe: <sup>44</sup>Vê lá, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para que lhes sirva de testemunho. <sup>45</sup>Ele, porém, saindo, começou a apregoar altamente e a espalhar a notícia do facto, de tal sorte que Jesus já não podia entrar às claras em nenhuma cidade; mas ficava fora, em lugares desertos. E de toda a parte vinham ter com Ele.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>40-44. </strong>Na lepra via-se um castigo de Deus (cfr Num 12, 10-15). O desaparecimento desta doença era considerado como uma das bênçãos da época messiânica (Is 35, 8; cfr Mt 11, 5; Lc 7, 22). Ao doente de lepra, pelo caracter contagioso desta doença, a Lei tinha-o declarado impuro e transmissor de impureza àquelas pessoas que tocava, ou àqueles lugares em que entrava. Por isso tinha de viver isolado (Num 5,2; 12, 14 ss.), e mostrar, por um conjunto de sinais externos, a sua condição de leproso. Relativamente ao rito da sua purifi­cação, cfr a nota a Mt 8,4.</p>
<p>O passo mostra-nos a oração, cheia de fé e de confiança, de um homem que necessita da ajuda de Jesus e pede-a seguro de que, se o Senhor o quer, tem poder para o livrar do mal de que padece (cfr a nota a Mt 8, 2). «Aquele homem ajoelha-se prostrando-se em terra — o que é sinal de humildade e de vergonha —, para que cada um se envergonhe das manchas da sua vida. Mas a vergonha não há-de impedir a confissão: o leproso mostrou a chaga e pediu o remédio. A sua confissão está cheia de piedade e de fé. Se queres, diz podes: isto é, reconheceu que o poder de curar-se estava nas mãos do Senhor» <em>(In Marci Evangelium expositio, ad loc.).</em></p>
<p>Sobre esta discrição e prudência exigidas por Jesus acerca da Sua pessoa, cfr as notas a Mc l, 34 e a Mt 9, 30.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>13.02.12 – Mc 8, 11-13</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>11</sup>Vieram os Fariseus e começaram a disputar com Ele, pedindo-Lhe, para O tentarem, um  sinal do céu. <sup>12</sup>Ele, arrancando um suspiro do íntimo da alma, disse: Porque é que esta geração pede um sinal? Digo-vos, em verdade, que não se dará nenhum sinal a esta gera­ção. <sup>13</sup>E, deixando-os, embarcou outra vez e foi para a margem oposta.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>11-12.</strong> Jesus exprime assim a profunda tristeza que Lhe causava o endurecimento do coração dos fariseus: estes permanecem cegos e incrédulos diante da luz que brilhava na sua presença e dos prodígios que Cristo realiza. Para o homem que rejeita os milagres que Deus já lhe ofereceu, será inútil que exija novos sinais, porque esse pedido não procede de uma busca sincera da verdade mas de uma malevolência, que no fundo o que pretende é tentar Deus (cfr Lc 16,27-31). A exigência de novos milagres para crer, sem aceitar os realizados na História da Salvação, é pedir contas a Deus, a Quem se cita diante do tribunal dos homens (cfr Rom 2,1-11): o homem constitui-se em juiz, e o Senhor é demandado para que Se defenda. Esta atitude repete-se, infeliz­mente, na vida de muitos homens. Só se pode encontrar Deus quando temos uma disposição aberta e humilde. «Não necessito de milagres; bastam-me os que há na Escritura. — Pelo contrário, faz-me falta o teu cumprimento do dever, a tua correspondência à graça» <em>(Caminho, </em>n.° 362).</p>
<p><strong>12.</strong> A geração a que alude Jesus não inclui todos os homens do Seu tempo, mas refere-se aos fariseus e aos seus sequazes (cfr Mc 8,38; 9,19; Mt 11,16), que não querem ver nos milagres o sinal e a garantia da missão e dignidade messiânicas de Jesus, mas inclusivamente os atribuem ao poder de Satanás (Mt 12,28).</p>
<p>Se não aceitam os sinais que lhes são dados, não lhes será dado nenhum outro, tão espectacular como o que eles buscam, porque o Reino de Deus não vem aparatosamente (Lc 17,20-21) e porque inclusivamente poderiam continuar a interpretar torcidamente esse novo sinal (Lc 16,31). Segundo Mt 12,38-42 e Lc 11,29-32, é-lhes oferecido ainda outro sinal, único: o milagre de Jonas, sinal da Morte e da Ressurreição de Jesus Cristo; mas diante desta prova excepcional os fariseus também não deporão a sua soberba.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>14.02.12 – Mc 8, 14-21</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>14</sup>Ora os discípulos esqueceram-se de levar pão e não tinham consigo no barco mais que um. <sup>15</sup>E Ele recomendava-lhes: Olhai: Cui­dado com o fermento dos Fariseus e com o fermento de Herodes! <sup>16</sup>E eles começaram a discorrer uns com os outros que não tinham pão. <sup>17</sup>Ele percebeu e disse-lhes: Porque estais a discorrer que não tendes pães? Não compreendeis ainda nem reflectis? Tendes a inteligência embotada? <sup>18</sup>Tendo olhos, não vedes; tendo ouvidos, não ouvis? Nem vos lembrais <sup>19</sup>de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil? Responderam-Lhe: Doze. <sup>20</sup>E quando parti os sete para os quatro mil, quantos cabazes cheios de pedaços reco­lhestes? Sete, responderam. <sup>21</sup>E dizia-lhes: Ainda não compreendeis?</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>15-16.</strong> Noutro passo dos Evangelhos — Lc 13,20-21; Mt 13,33 — a imagem do fermento foi empregada por Jesus para significar a força que encerrava a Sua doutrina. Aqui a palavra «fermento» é utilizada no sentido de má disposição. Com efeito, na elaboração do pão, como é sabido, o fermento é que faz levedar a massa. A hipocrisia farisaica e a vida dissoluta de Herodes, que só se movia por ambições pessoais, eram o «fermento» que contagiava desde dentro a «massa» de Israel, para acabar por corrompê-la. Jesus quer prevenir os Seus discípulos contra esses perigos, e fazê-los compreen­der que para receber a Sua doutrina se necessita de um coração puro e simples.</p>
<p>Mas os discípulos não compreendem. «Não eram cultos, nem sequer muito inteligentes, pelo menos no que diz respeito às realidades sobrenaturais. Até os exemplos e as comparações mais simples lhes eram incompreensíveis e pediam ao Mestre: <em>Domine, edissere nobi sparabolam, </em>Senhor explica-nos a parábola. Quando Jesus, com uma imagem, alude ao fermento dos fariseus, supõem que os está a recriminar por não terem comprado pão (&#8230;). Eram estes os Discípulos escolhidos pelo Senhor; assim os escolhe Cristo; assim se comportavam antes de que, cheios do Espírito Santo, se tornassem colunas da Igreja. São homens corren­tes, com defeitos, com debilidades, com palavras maiores do que as suas obras. E, contudo, Jesus chama-os para fazer deles pescadores de homens, corredentores, administradores da graça de Deus» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 2). Isto mesmo é o que nos pode acontecer a nós. Ainda que não tenhamos grandes dotes nem qualidades, o Senhor chama-nos, e o amor de Deus e a docilidade às Suas palavras farão brotar nas nossas almas frutos imprevisíveis de santidade e de eficácia sobrenatural.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>15.02.12 – Mc 8, 22-26</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>22</sup>Chegam a Betsaida; e lá trazem-Lhe um cego e pedem-Lhe que o toque. <sup>23</sup>Ele, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da povoação. Pôs-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou-lhe: Vês alguma coisa? <sup>24</sup>Levantou ele os olhos e disse: Vejo os homens; vejo-os andar semelhantes a árvores.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>25</sup>Impôs-lhe de novo as mãos sobre os olhos, e ele começou a ver distintamente e ficou curado, tanto que de longe via bem e clara­mente todas as coisas. <sup>26</sup>Mandou-o então para sua casa e disse-lhe: Nem sequer entres na povoação.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>22-25. </strong>As curas que fez Jesus costumavam ser instantâ­neas. Esta, porém, teve um breve processo. Por quê? Porque a fé do cego era muito débil, segundo parece, num princípio. Antes de curar os olhos do corpo, Jesus quis que tosse crescendo a fé daquele homem: à medida que a sua fé crescia e aumentava a sua confiança, o Senhor foi-lhe dando a visão corporal. Assim, pois, Jesus seguiu o Seu modo habitual de proceder: não fazer milagres se não havia uma disposição adequada, mas ao mesmo tempo suscitar essa disposição e ir aumentando a graça quando esta é correspondida.</p>
<p>É necessária a graça de Deus, inclusive para desejar os bens divinos: «Dá-nos, Senhor, luz; olhai que é mais neces­sário que para o cego (&#8230;), que este desejava ver a luz e não podia; agora, Senhor, não se quer ver. Oh, que mal incurável! Aqui, meu Deus, se deve mostrar o Vosso poder, aqui a Vossa misericórdia» <em>(Exclamações, </em>n.° 8).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>16.02.12 – Mc 8, 27-33</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>27</sup>Partiu dali Jesus com os discípulos para as aldeias de Cesareia de Filipe e, no caminho, perguntava aos discípulos: Quem dizem os homens que Eu sou? <sup>28</sup>Responderam-Lhe eles: João Baptista, outros Elias, outros que um dos profetas. <sup>29</sup>E Ele perguntou-lhes: E vós quem dizeis que Eu sou? Respondeu Pedro e disse-Lhe: Tu és o Cristo. <sup>30</sup>E Ele intimou-lhes que não dissessem nada d&#8217;Ele a ninguém.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>31</sup>E começou a ensinar-lhes que o Filho do homem tinha de padecer muito, e ser rejei­tado pelos Anciãos e Príncipes dos sacerdotes e Escribas, e ser morto, e ressuscitar depois de três dias. <sup>32</sup>Falava com toda a clareza. Então Pedro, tomando-O à parte, começou a estranhar-Lho. <sup>33</sup>Voltou-Se Ele e, olhando para os discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Tira-te de diante de Mim, satanás, pois não aprecias as coisas de Deus, mas só as dos homens.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>29.</strong> A profissão de fé de Pedro é relatada aqui de uma maneira mais breve que em Mt 16,18-19. Pedro parece limi­tar-se a afirmar que Jesus é o Cristo, o Messias. Já Eusébio de Cesareia, no s. IV, explicava a sobriedade do Evangelista pela sua condição de intérprete de São Pedro, que na sua pregação costumava omitir tudo o que pudesse aparecer como louvor próprio. O Espírito Santo, ao inspirar São Marcos, quis que ficasse reflectida no seu Evangelho a pregação do Príncipe dos Apóstolos, deixando para outros Evangelhos o completar alguns pormenores importantes do mesmo epi­sódio da confissão de Pedro nos confins de Cesareia de Filipe.</p>
<p>Dentro da simplicidade do relato fica claro o papel de Pedro: adianta-se a todos os outros afirmando o messianismo de Jesus. Esta pergunta do Senhor, «e vós quem dizeis que Eu sou?», assinala o que Jesus pede aos Apóstolos: não uma opinião, mais ou menos-favorável, mas a firmeza da fé. São Pedro é quem manifesta esta fé (cfr a nota a Mt 16,13-20).</p>
<p><strong>31-33.</strong> Esta é a primeira ocasião em que Jesus anuncia aos discípulos os sofrimentos e a morte que terá de padecer. Mais tarde fá-lo-á outras duas vezes (cfr Mc 9,31 e 10,32). Perante esta revelação os Apóstolos ficam surpreendidos, porque não podem nem querem compreender que o Messias tenha de passar pelo sofrimento e pela morte, <em>e </em>muito menos que isto Lhe seja imposto «pelos Anciãos e Príncipes dos sacerdotes e Escribas». Pedro, com a sua espontaneidade habitual, levanta imediatamente um protesto. E Jesus res­ponde-lhe usando as mesmas palavras que dirigiu ao diabo quando este O tentou (cfr Mt 4,10) para afirmar/uma vez mais, que a Sua missão não é terrena mas espiritual, e que por isso não pode ser compreendida com meros critérios humanos, mas segundo os desígnios de Deus. Estes eram que Jesus Cristo nos redimisse mediante a Sua Paixão e Morte. Por sua vez, o sofrimento do cristão, unido ao de Cristo, é também meio de salvação.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>17.02.12 – Mc 8, 34-9, 1</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>34</sup>E, chamando o povo com os Seus discí­pulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. <sup>35</sup>Porque quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á. <sup>36</sup>Pois de que serve ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? <sup>37</sup>Ou que pode o homem dar para resgate da sua alma? <sup>38</sup>Pois quem se envergonhar de Mim e das Minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, também dele Se há-de envergonhar o Filho do homem, quando vier na glória de Seu Pai, com os Anjos santos.</span></p>
<p><span style="color: #993300;">E dizia-lhes: Em verdade vos digo: há alguns aqui presentes que não experi­mentarão a morte sem ter visto o Reino de Deus vindo já com pujança.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>34.</strong> Quando Jesus disse «se alguém quer vir após Mim&#8230;», tinha presente que o cumprimento da Sua missão O levaria à morte de cruz; por isso fala claramente da Sua Paixão (vv. 31-32). Mas também a vida cristã, vivida como se deve viver, com todas as suas exigências, é uma cruz que se deve levar em seguimento de Cristo.</p>
<p>As palavras de Jesus, que devem ter parecido assusta­doras àqueles que as escutavam, dão a medida do que Cristo exige para O seguir. Jesus não pede um entusiasmo passa­geiro, nem uma dedicação momentânea; o que pede é a renúncia de si mesmo, o carregar cada um com a sua cruz e o segui-Lo, Porque a meta que o Senhor quer para os homens é a vida eterna. Todo este passo evangélico está contem­plando precisamente o destino eterno do homem. À luz dessa vida eterna é que deve ser avaliada a vida presente: esta não tem um caracter definitivo nem absoluto, mas é transitória, relativa; é um meio para conseguir aquela vida definitiva do Céu. «Tudo isso, que te preocupa de momento, é mais ou menos importante. — O que importa acima de tudo é que sejas feliz, que te salves» <em>(Caminho, </em>n.° 297).</p>
<p>«Há no ambiente uma espécie de medo da Cruz, da Cruz do Senhor. Tudo porque começaram a chamar cruzes a todas as coisas desagradáveis que acontecem na vida, e não sabem aceitá-las com sentido de filhos de Deus, com visão sobrenatural. Até tiram as cruzes que os nossos avós levan­taram nos caminhos!&#8230;</p>
<p>« Na Paixão, a Cruz deixou de ser símbolo de castigo para se converter em sinal de vitória. A Cruz é o emblema do Redentor, <em>in quo est salus, vita et resurrectio nostra, </em>ali está a nossa salvação, a nossa vida e a nossa ressurreição» <em>(Via Sacra, </em>II, n.° 5).</p>
<p><strong>35.</strong> «Vida»; O texto original e a <em>Neo-vulgata </em>dizem literalmente «alma». Mas neste, como noutros muitos casos, «alma» e «vida» são equivalentes. A palavra «vida» é empregada, como é claro, num duplo significado: vida terrena e vida eterna, a vida do homem aqui na terra, e a felicidade eterna do homem no Céu. A morte pode pôr fim à vida terrena, mas não pode destruir a vida eterna (cfr Mt 10,28), a vida que só pode dar Aquele que vivifica os mortos.</p>
<p>Entendido isto capta-se bem o sentido paradoxal da frase do Senhor: quem quiser salvar a sua vida (terrena), perderá a sua vida (eterna). Mas quem perder a sua vida (terrena) por Mim e pelo Evangelho, salvá-la-á (a eterna). Que significa, pois, salvar a vida (terrena)? Significa viver esta vida como se tudo acabasse aqui na terra: deixando-se dominar pela concupiscência da carne, pela concupiscência dos olhos, e pela soberba da vida (cfr l Ioh2,16). Por contraposição, compreende-se bem que significa «perder a vida» (terrena): fazer morrer, por meio de uma luta ascética continuada, aquela tripla concupiscência — isto é tomar sobre si a cruz (v. 34) — e viver, por conseguinte, buscando e saboreando as coisas que são de Deus e não as da terra (cfr Col 3,1-2).</p>
<p><strong>36-37. </strong>Jesus garante a vida eterna aos que estão dis­postos a perder por Ele a vida terrena. Ele deu-nos o exemplo: é o Bom Pastor que deu a vida pelas suas ovelhas Ioh10,15); e que cumpriu em Si próprio as palavras que disse aos Apóstolos na noite antes de morrer: «Ninguém tem amor maior que o de quem der a própria vida pelos seus amigos» (Ioh15,13).</p>
<p><strong>38.</strong> O destino eterno de cada homem será decidido por Jesus Cristo. Ele é o Juiz que há-de vir julgar vivos e mortos (Mt 16,27). A sentença será ditada segundo a fidelidade no cumprimento dos preceitos do Senhor: do amor a Deus e do amor, por Deus, ao próximo. Quem se envergonhar de imitar a humildade e o exemplo de Jesus, de seguir os preceitos do Evangelho por temor a desagradar ao mundo ou às pessoas mundanas que o rodeiam, não será reconhecido por Cristo naquele dia como Seu discípulo, pois não confessou com a sua vida a fé que diz professar. O cristão, pois, nunca se deve envergonhar do Evangelho (Rom 1,16), deixando-se arrastar pelo ambiente de mundanismo que o rodeie; mas influir com decisão para transformar esse ambiente contando para isso, além disso, com a graça de Deus. Os primeiros cristãos transformaram o antigo mundo pagão. O braço de Deus não empequeneceu agora (cfr Is 59,1). Cfr Mt 10,32-33 e a nota correspondente.</p>
<p><strong>1.</strong> A vinda do Reino de Deus com poder não parece referir-se à segunda vinda gloriosa de Jesus no fim dos tempos ou Parusia, mas indica a expansão admirável da Igreja já na época apostólica. Desse desenvolvimento, com efeito, serão testemunhas alguns dos ali presentes. O cres­cimento e a dilatação da Igreja no mundo não se pode explicar senão pelo poder divino que Deus dá ao Corpo Místico de Cristo. A Transfiguração do Senhor, que se relata imediatamente, é um sinal, dado aos Apóstolos, da divin­dade de Jesus e dos poderes divinos que daria à Sua Igreja.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>18.02.12 – Mc 9, 2-13</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>2</sup>Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João e levou-os só a eles à parte a um monte alto e transfigurou-Se diante deles. <sup>3</sup>Os vestidos tornaram-se resplan­decentes e alvíssimos, tanto que nenhuma lavadeira sobre a Terra os poderia assim branquear. <sup>4</sup>E apareceu-lhes Elias com Moisés, que estavam a conversar com Jesus. <sup>5</sup>Tomando Pedro a palavra, disse a Jesus: Rabi, bom é estarmos aqui. Façamos três guaridas, uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias; <sup>6</sup>pois não sabia o que havia de dizer, visto estarem tomados de medo. <sup>7</sup>Formou-se então uma nuvem que os envolveu, e da nuvem saiu uma voz: Este é o Meu Filho amado. Ouvi-O. <sup>8</sup>E, de repente, olhando à volta de si, não viram a mais ninguém, senão só a Jesus com eles.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>9</sup>Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois de o Filho do homem ter ressuscitado dos mortos. <sup>10</sup>Eles guardaram o facto para si, mas perguntavam-se que seria aquilo de: «ressuscitar dos mortos». <sup>11</sup>Por fim interrogaram-No: Porque dizem então os Escribas que primeiro deve vir Elias? <sup>12</sup>E Ele disse-lhes: Sim, Elias vem primeiro e restaura todas as coisas. Mas como está escrito do Filho do homem que há-de sofrer muito e ser desprezado? <sup>13</sup>Eu, porém, digo-vos que Elias veio è fizeram dele quanto quiseram, conforme dele está escrito.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>2-10. </strong>Contemplamos admirados esta manifestação da glória do Filho de Deus a três dos Seus discípulos. Desde a Encarnação, a Divindade de Nosso Senhor estava habitual­mente oculta por detrás da Humanidade. Mas Cristo quis manifestar precisamente a estes três discípulos predilectos, que iam ser colunas da Igreja, o esplendor da Sua glória divina com o fim de que se animassem a seguir o caminho difícil e áspero que lhes restava para percorrer, fixando o olhar na meta gozosa que os esperava no fim. Por esta <em>razão, </em>como comenta São Tomás (cfr <em>Suma Teológica, </em>III, q. 45, <em>&amp;. </em>1), foi conveniente que Cristo tenha manifestado a clareza da sua glória. As circunstâncias da Transfiguração imediata­mente depois do primeiro anúncio da Sua Paixão, e das palavras proféticas de que os Seus seguidores também teriam de tomar a Sua Cruz, fazem-nos compreender que «precisamos de passar por meio de muitas tribulações para entrar no Reino de Deus» (Act 14,22).</p>
<p>Em que consistiu a Transfiguração do Senhor? Para poder compreender de algum modo este facto miraculoso da vida de Cristo deve ter-se em conta que o Senhor, para nos redimir com a Sua Paixão e Morte, renunciou volunta­riamente à glória divina e encarnou com carne passível, não gloriosa, fazendo-se semelhante em tudo a nós menos no pecado (cfr Heb 4,15). Neste momento da Transfiguração, Jesus Cristo quer que a glória que Lhe correspondia por ser Deus, e que a Sua alma tinha desde o momento da Encarnação, apareça miraculosamente no Seu corpo. «Apren­damos desta atitude de Jesus: durante a Sua vida na Terra, não quis sequer a glória que Lhe pertencia, pois, tendo direito a ser tratado como Deus, assumiu a forma de servo, de escravo (cfr Phil II. 6)» <em>(Cristo que. passa, </em>n.° 62). Tendo em conta <em>Quem</em><em> </em>encarna (a dignidade da pessoa e a glória da Sua alma), era conveniente a glória do corpo de Jesus. Mas tendo em conta <em>para que </em>encarna (a finalidade da Encarnação), não era conveniente, de modo habitual, tal glória. Cristo mostra a Sua glória na Transfiguração para nos mover ao desejo da glória divina que nos será dada, e assim, com esta esperança, compreendamos «que os padecimentos do tempo presente não são comparáveis com a glória futura que se há-de manifestar em nós» (Rom 8,18).</p>
<p><strong>2.</strong> Segundo o Deuteronómio (19,15), para atestar um facto eram necessárias duas ou três testemunhas. Talvez por isso Jesus Cristo quis que estivessem presentes três Após­tolos. Deve notar-se que estes três Apóstolos foram os predilectos, que O acompanharam também na ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,37), e estiveram mais perto d&#8217;Ele nos momentos tremendos de Getsémani (Mc 14,33). Cfr a nota a Mt 17,1-13.</p>
<p><strong>7.</strong> Deste modo explica São Tomás o significado da Transfiguração: «Assim como no baptismo de Jesus, onde foi declarado o mistério da primeira regeneração, se mostrou a acção de toda a Trindade, já que ali esteve o Filho Encarnado, apareceu o Espírito Santo em forma de pomba, e ali se escutou a voz do Pai; assim também na Transfiguração, que é como que o sacramento da segunda regeneração (a ressur­reição), apareceu toda a Trindade: o Pai na voz, o Filho no homem, e o Espírito Santo na claridade da nuvem; porque assim como Deus Trino dá a inocência no Baptismo, da mesma maneira dará aos Seus eleitos o fulgor da glória e o alívio de todo o mal na Ressurreição&#8230;» <em>(Suma Teológica, </em>III, q.45, a.4 ad 2). Porque, na verdade, a Transfiguração foi um certo sinal ou antecipação não só da glorificação de Cristo, mas também da nossa. Pois, como diz São Paulo: «O próprio Espírito dá testemunho juntamente com o nosso espírito de que somos filhos de Deus. E se somos filhos, também herdeiros: herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo; desde que padeçamos com Ele, para sermos com Ele também glorificados.» (Rom 8,16-17).</p>
<p>«O Amado»: Com esta expressão revela-se que Cristo é o Filho Unigênito do Pai, cumprindo as profecias do Antigo Testamento. Frei Luís de León comenta: «É Cristo <em>O Amado, </em>isto é, o que antes foi, e agora é e será para sempre a coisa mais amada de todas (&#8230;) porque nem uma criatura sozinha, nem as criaturas todas juntas, são de Deus tão amadas, e porque só Ele é o que tem verdadeiros adoradores de Si» (Os <em>nomes de Cristo, </em>livro 3, <em>Amado).</em></p>
<p><strong>10.</strong> A verdade da ressurreição dos mortos estava já revelada no Antigo Testamento (cfr Dan 12,2-3; 2 Mach 7,9; 12,43), e os judeus piedosos criam nela (cfr Ioh11,23-25). Não obstante, não eram capazes de compreender a verdade profunda da Morte e Ressurreição do Senhor, porque apenas consideravam o aspecto glorioso e triunfador do Messias, apesar de que também estavam profetizados os Seus sofri­mentos e a Sua morte (cfr Is 53). Daí as disquisições dos Apóstolos que não se atrevem a perguntar directamente ao Senhor pela Sua Ressurreição.</p>
<p><strong>11-13. </strong>Os escribas e os fariseus interpretavam a pro­fecia messiânica de Malaquias (3,1-2), no sentido de uma aparição ostentosa de Elias em pessoa, a que se seguiria o Messias definitivamente triunfante, sem sombra de dor nem de humilhação. Jesus Cristo faz-lhes ver que verdadeira­mente Elias já veio na pessoa de João Baptista (Mt 17,13) e que preparou os caminhos do Messias, que são caminhos de dor e de sofrimento.</p>
<p>O v. 12 constitui uma pergunta que Jesus Se faz diante dos Seus discípulos. Esta pergunta devia ter sido feita pelos discípulos, se tivessem caído na conta de que a Ressurreição de Cristo supunha os sofrimentos e a morte do Messias. Ao não a fazerem, Jesus adianta-Se para os ensinar que tanto Ele como Elias (isto é, João Baptista) deveriam passar pelo caminho do sofrimento antes de chegar à glória.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>19.02.12 – Mc 2, 1-12</strong></p>
<p><span style="color: #993300;">Dias depois, entrou outra vez em Cafarnaum. <sup>2</sup>Quando se soube que estava em casa, juntou-se tanta gente, que não cabia nem sequer nas adjacências diante da porta; e Ele expunha-lhes a Palavra. <sup>3</sup>Nisto chegam alguns que Lhe traziam um paralítico, trans­portado por quatro homens. <sup>4</sup>Como não pudessem pôr-Lho diante por causa da multidão, descobriram o tecto sobre o lugar onde estava e, praticando uma abertura, arrearam a enxerga em que o paralítico jazia. <sup>5</sup>Vendo Jesus a fé daqueles homens, diz ao paralítico: Filho, perdoados te são os teus pecados.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>6</sup>Estavam ali sentados alguns dos Escribas e pensavam de si para consigo: Como é que Este assim fala? Ele blasfema: Quem pode perdoar pecados senão só Deus? <sup>8</sup>E logo Jesus, conhecendo pelo Seu espírito que assim pensavam dentro de si, diz-lhes: Porque estais a pensar essas coisas no vosso íntimo? <sup>9</sup>Qual é mais fácil, dizer a este paralítico: «perdoados te são os teus pecados&#8217;», ou dizer: «levanta-te, toma a tua enxerga e anda?» <sup>10</sup>Ora, para que saibais que o Filho do homem tem poder de perdoar pecados sobre a Terra, <sup>11</sup>Eu te ordeno — diz ao paralítico — levanta-te, toma a tua enxerga e vai para tua casa. <sup>12</sup>E ele levantou-se e, sem mais, tomando a enxerga, saiu à vista de todos, de modo que todos ficaram pasmados e glorificavam a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa assim!</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>4.</strong> Era muito freqüente que as casas judaicas tivessem o telhado em forma de terraço, ao qual se podia subir por uma escadinha situada na parte posterior. Hoje pode obser­var-se ainda a mesma estrutura.</p>
<p><strong>5.</strong> Jesus põe em realce neste versículo a relação entre a fé e o perdão dos pecados. A audácia dos que levam o paralítico mostra a fé que tinham em Cristo. -Movido por isso Jesus perdoa os pecados do doente. Consideremos o que vale a nossa fé diante de Deus, quando a dos outros é via para que um homem seja curado interior e exteriormente de modo instantâneo, e que pelo mérito de uns se remedeiam as necessidades de outros.</p>
<p>São Jerónimo vê na paralisia corporal daquele homem um tipo ou figura da paralisia espiritual: o tolhido de Cafarnaum também não tinha forças, por si mesmo, para voltar a Deus. Jesus, Deus e Homem, curou-o de ambas as paralisias (cfr <em>Comm. in Marcum, ad loc.). </em>Cfr as notas a Mt 9, 2-7.</p>
<p>As palavras dirigidas ao paralítico — «os teus pecados te são perdoados» — reflectem que no facto de lhe perdoar se dá um encontro pessoal com Cristo; o mesmo acontece no sacramento da Penitência: «A Igreja, pois, ao observar fielmente a plurissecular prática do sacramento da Penitência — a prática da confissão individual, unida ao acto pessoal de arrependimento e ao propósito de se corrigir e de satisfazer — defende o direito particular da alma humana. E o direito a um encontro mais pessoal do homem com Cristo crucificado que perdoa, com Cristo que diz, por meio do ministro do sacramento da Reconciliação: &#8216;São-te perdoados os teus pecados&#8217; (Mc 2,5); &#8216;Vai e doravante não tornes a pecar&#8217; (Ioh 8, 11). Como é evidente, isto é ao mesmo tempo o direito do próprio Cristo em relação a todos e a cada um dos homens por Ele remidos. É o direito de encontrar-se com cada um de nós naquele momento-chave da vida humana, que é o momento da conversão e do perdão» <em>(Redemptor hóminis, </em>n. 20).</p>
<p><strong>7-12. </strong>São vários os elementos que manifestam aqui a divindade de Jesus: perdoa os pecados, conhece por Si mesmo a intimidade do coração humano e tem poder para curar instantaneamente doenças corporais. Os escribas sabem que só Deus pode outorgar o perdão das culpas e por isso consideram infundada, e inclusivamente blasfema, a afirmação do Senhor. Necessitam de um sinal que mostre a verdade daquelas palavras. E Jesus oferece-lho: assim como ninguém discutirá a cura do paralítico, do mesmo modo ninguém poderá negar razoavelmente a libertação das suas culpas. Cristo, Deus e Homem, exerceu o poder de perdoar os pecados e, pela Sua infinita misericórdia, quis estendê-lo à Sua Igreja. Cf a nota a Mt 9,3-7.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>20.02.12 – Mc 9, 14-29</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>14</sup>Ao chegarem junto dos discípulos, viram uma grande multidão que os rodeava e uns escribas a disputarem com eles. <sup>15</sup>Apenas, porém, aquela multidão O viu, ficou surpre­endida e correu a saudá-Lo. <sup>16</sup>E Ele pergun­tou-lhes: Que estais a discutir com eles? <sup>17</sup> Respondeu-Lhe um da multidão: Mestre, trouxe-Te o meu filho, que tem um espírito mudo: <sup>18</sup>onde quer que dele se apodera, lança-o por terra, e ele espuma e range os dentes e fica hirto. Disse aos Teus discípulos que o expulsassem, mas não puderam. <sup>19</sup>Respondeu-lhes Ele e disse: Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-Mo! <sup>20</sup>Trouxeram-Lho. Mal ele viu a Jesus, logo o espírito o agitou com violência, até o fazer cair por terra, e começou a rebolar espumando. <sup>21</sup>Per­guntou Jesus ao pai: Há quanto tempo é que isto lhe acontece? Desde a infância — res­pondeu ele — <sup>22</sup>e muitas vezes o tem atirado ao fogo e à água para o matar; mas, se podes alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos! <sup>23</sup>Disse-lhe Jesus: Se podes!&#8230; Tudo é possível a quem crê. <sup>24</sup>Imediatamente o pai do pequeno gritou: Creio! Ajuda a minha pouca fé! <sup>25</sup>Vendo Jesus que nova gente acorria, imperou ao espírito imundo e disse-lhe: Espírito mudo e surdo, Eu te mando, sai desse pequeno e não tornes a entrar nele. <sup>26</sup>E o espírito, gritando e contorcendo-o violentamente, saiu. O pequeno ficou como morto, tanto que muitos diziam: Morreu. <sup>27</sup>Mas Jesus, pegando-lhe na mão, levantou-o, e ele pôs-se em pé.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>28</sup>Quando entrou em casa, perguntaram-Lhe em particular os discípulos: Porque é que nós o não pudemos expulsar? <sup>29</sup>Respondeu-lhes: Esta casta de Demônios com nada se pode expulsar, a não ser com oração e jejum.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>17.</strong> O demônio que possuía este rapaz é qualificado como «espírito mudo», por ser a mudez a manifestação principal desta possessão. Sobre a possessão diabólica cfr a nota a Mt 12,22-24.</p>
<p><strong>19-24. </strong>Como noutras ocasiões, antes de realizar o mi­lagre, Jesus exige uma fé submissa. O texto original possui um matiz muito difícil de traduzir e que requer uma explicação; a expressão «se podes» do v. 23 literalmente deveria traduzir-se por «o se podes!». Trata-se de uma exclamação de Jesus relativa à petição do pai do rapaz (v. 22), a qual supunha uma certa dúvida sobre a omnipotência de Cristo. O Senhor corrige este modo de pedir e exige-lhe uma fé sólida. No v. 24 vê-se como o pai do menino mudou profundamente as suas disposições de fé: o Senhor faz então o milagre. Esta fé robustecida converteu-se em omnipotente, porque o homem de fé não se apoia em si mesmo masem Jesus Cristo. Deste modo, pela fé, tornamo-nos participantes da omnipotência divina. Mas a fé é um dom de Deus, que o homem, sobretudo nos seus momentos de vacilação, deve pedir com humildade e constância, como o pai do menino endemoninhado: «Creio, Senhor; ajuda a minha increduli­dade», e como os Apóstolos: «Aumenta-nos a fé!» (Lc 17,5).</p>
<p><strong>28-29. </strong>«O Senhor, ao ensinar aos Apóstolos como deve ser expulso este demônio tão maligno, ensina-nos a todos como devemos viver, e que a oração é o meio de que temos de nos valer para superar mesmo as maiores tentações dos espíritos imundos ou dos homens. A oração não consiste apenas nas palavras com que invocamos a clemência divina, mas também em tudo o que fazemos em obséquio do nosso Criador movidos pela fé. Disso é testemunha o Apóstolo quando diz: &#8216;Orai sem cessar&#8217; (l Thes 5,17)» <em>(In Marci Evangelium expositio, ad loc.).</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>21.02.12 – Mc 9, 30-37</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>30</sup>Partindo dali, iam a atravessar a Galileia, e Ele não queria que ninguém o soubesse, <sup>31</sup>porque entretanto ia instruindo os discí­pulos e dizia-lhes: O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens que O hão-de matar, mas três dias depois de morto res­suscitará. <sup>32</sup>Eles, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de O interrogar.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>33</sup>Chegaram a Cafarnaum . Quando estava já em casa, perguntou-lhes: Que é que discutíeis no caminho? <sup>34</sup>Mas eles calaram-se, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. <sup>35</sup>Então, assentando-Se, chamou os doze e disse-lhes: Se alguém quer ser o primeiro há-de ser o último de todos e o servo de todos. <sup>36</sup>E, tomando um menino, pô-lo em frente deles e, estreitando-o nos braços disse-lhes: <sup>37</sup>Quem receber um destes meninos em Meu nome, é a Mim que recebe; e quem Me receber, não Me recebe a Mim, mas sim Aquele que Me enviou.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>30-32. </strong>Jesus Cristo, que Se comove ao ver as multidões como ovelhas sem pastor (Mt 9,36), deixa-as, porém, para Se dedicar a uma instrução esmerada dos Apóstolos. Retira-Se com eles para lugares afastados e ali, pacientemente, expli­ca-lhes aqueles pontos que não tinham compreendido na pregação ao povo (Mt 13,36). Concretamente aqui, pela segunda vez, anuncia-lhes o acontecimento próximo da Sua Morte redentora na Cruz, seguida da Sua Ressurreição. Na Sua convivência com as almas Jesus actua da mesma forma: chama o homem ao retiro da oração e, ali, instrui-o sobre os Seus desígnios mais íntimos e sobre os aspectos mais exigentes da vida cristã. Depois, como os Apóstolos, os cristãos terão de semear esta doutrina até aos confins da terra.</p>
<p><strong>34-35.</strong> Partindo de uma discussão mantida atrás de Si, Jesus Cristo doutrina os discípulos sobre o modo de exercer a autoridade na Igreja não como quem domina, mas como quem serve. Ele, no desempenho da Sua missão de fundar a Igreja de que é Cabeça e Legislador supremo, veio servir e não ser servido (Mt 20,28).</p>
<p>Quem não busca esta atitude de serviço abnegado, além de carecer de uma das melhores disposições para o recto exercício da autoridade, expõe-se a ser arrastado pela ambição do poder, pela soberba e pela tirania. «Estar à frente de uma obra de apostolado é o mesmo que estar disposto a sofrer tudo de todos, com infinita caridade». <em>(Caminho, </em>n.°951).</p>
<p><strong>36-37.</strong> Jesus, para ensinar graficamente aos Seus Após­tolos a abnegação e a humildade de que necessitam no exercício do seu ministério, toma uma criança, abraça-a e explica-lhes o significado deste gesto: acolher em nome e por amor de Cristo os que, como essa criança, não têm relevo aos olhos do mundo, é acolher o próprio Cristo e o Pai que O enviou. Nessa criança que Jesus abraça estão representadas todas as crianças do mundo, e também todos os homens necessitados, desprotegidos, pobres, doentes, nos quais nada há de brilhante e destacado para admirar.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>22.02.12 – Mt 6, 1-6.16-18</strong></p>
<p><span style="color: #993300;">Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens, para serdes vistos deles. De outra sorte, não tereis recompensa junto do vosso Pai que está nos Céus.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>2</sup>Portanto, quando deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipó­critas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados dos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. <sup>3</sup>Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua esquerda o que faz a direita, <sup>4</sup>para que a tua esmola fique secreta, e teu Pai, que vê em lugar secreto, te recompensará.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>5</sup>E quando orardes, não sejais como os hipócritas que gostam de orar de pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. <sup>6</sup>Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta à chave e ora a teu Pai que está em lugar secreto. E teu Pai que vê em lugar secreto, te recompensará.</span></p>
<p><span style="color: #993300;">«<sup>16</sup>E quando jejuais, não andeis tristes, como os hipócritas pois desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que receberam já a sua recompensa. <sup>17</sup>Tu, porém, quando jejuas, perfuma a cabeça e lava o rosto, <sup>18</sup>para não mostrares aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que está em lugar secreto, e teu Pai, que vê em lugar secreto, te recompensará.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>1-18</strong> «Justiça»: Aqui quer dizer boas obras (cfr a nota a Mt 5,6). Nosso Senhor ensina com que espírito se hão-de fazer os actos de piedade pessoal. A esmola, o jejum e a oração constituíam os actos fundamentais da piedade individual no povo escolhido; daqui que se centre nesses três temas. Jesus Cristo, como quem tem a autoridade máxima, ensina que a Verdadeira piedade deve viver-se com rectidão de intenção, $m intimidade com Deus e fugindo da ostentação. Esta piedade, assim vivida, supõe um exercício da fé em Deus que OS vê, e da esperança de que premiará os que vivem uma piedade sincera.</p>
<p><strong>5-6. A Igreja, seguindo esta doutrina de Jesus, sempre nós ensinou a rezar desde crianças no nosso aposento. Esse «tu» do Senhor (v. 6) está a indicar inequivocamente a necessidade da oração pessoal; cada um, a sós com Deus, como um filho que fala com o Pai.</strong></p>
<p>A oração pública em que participam todos os fiéis é santa e necessária; mas não pode nunca substituir este terminante preceito do Senhor; tu, no teu aposento, fechada a porta, ora a teu Pai.</p>
<p>O Concilio Vaticano II recolhe os ensinamentos e a prática da Igreja na sua Liturgia, que é «a meta para a qual se encaminha a acção da Igreja e a fonte donde promana toda a sua força (&#8230;). A participação na sagrada Liturgia não esgota, todavia, a vida espiritual. O cristão, chamado a rezar em comum, deve entrar também no seu quarto para rezar a sós ao Pai, e até, segundo ensina o Apóstolo, deve rezar sem cessar (lThes 5,17) <em>(Sacrosanctum Concilium, </em>nn. 10.12).</p>
<p>A alma que realmente vive a sua fé cristã sabe que necessita de se retirar freqüentemente para orar a sós com seu Pai Deus. Jesus, que nos dá este ensinamento acerca da oração, praticou-o na Sua vida terrena: o santo Evangelho refere-nos as muitas vezes que o Senhor Se retirava sozinho para orar: «Às vezes, passava a noite inteira ocupado em colóquio íntimo com o Pai. Como cativou os primeiros discípulos a figura de Cristo em oração!» <em>(Cristo que passa </em>n.° 119)(cfr Mt 14, 23; Mc 1, 35; Lc 5, 16; etc.). Os Apóstolos seguiram o exemplo do Mestre, e assim vemos Pedro que sobe ao terraço da casa em que se aloja em Jope, para se retirar a orar a sós, e ali recebe uma revelação (cfr Act 10, 9-16). «A vida de oração tem de fundamentar-se, além disso, em pequenos espaços de tempo, dedicados exclusivamente a &#8216;estar com Deus. São momentos de colóquio sem ruído de palavras» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 119).</p>
<p><strong>16-18. </strong>Partindo da prática tradicional do jejum, o Senhor inculca-nos o espírito com que devemos viver a necessária mortificação dos sentidos: temos de fazê-la sem ostentação, evitando o aplauso dos homens, discretamente; assim não poderão aplicar-se contra nós essas palavras de Jesus: «Já receberam a sua recompensa», pois seria um triste negócio. «O mundo só admira o sacrifício com espectáculo porque ignora o valor do sacrifício escondido e silencioso» <em>(Caminho, </em>n.° 185).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>23.02.12 – Lc 9, 22-25</strong></p>
<p><span style="color: #993300;">O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado por parte dos Anciãos, dos Sumos Sacer­dotes e dos Escribas, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>23</sup>Então pôs-Se a dizer para todos:  Se alguém quer vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. <sup>24</sup>Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por Minha causa, esse há-de salvá-la. <sup>25</sup>De facto, que vantagem tem um homem em ganhar o mundo inteiro, se se perder a si mesmo ou causar a própria ruína?</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>22.</strong> O Senhor profetizou a Sua Paixão e Morte para facilitar a fé dos discípulos. Ao mesmo tempo manifesta a voluntariedade com que aceita os sofrimentos. «Cristo não quis glorificar-Se, mas desejou vir sem glória para padecer o sofrimento; e tu, que nasceste sem glória, queres glorificar-te? Pelo caminho que Cristo percorreu é por onde tu deves caminhar. Isto é reconhecê-Lo, isto é imitá-Lo tanto na ignomínia como na boa fama, para que te glories na Cruz, como Ele próprio Se glorificou. Tal foi o comportamento de Paulo e por isso se gloria ao dizer: &#8216;Longe de mim gloriar-me a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo&#8217; (Gal 6,14)» <em>(Expositio Evangelii sec. Lucam, ad loc).</em></p>
<p><strong>23. </strong>«Cristo repete-o a cada um de nós, ao ouvido, inti­mamente: <em>a Cruz de cada dia. Não só </em>— escreve São Jerónimo — <em>em tempo de perseguição ou quando se apresente a possibili­dade do martírio, mas em todas as situações, em todas as actividades, em todos os pensamentos, em todas as palavras, neguemos aquilo que antes éramos e confessemos o que agora somos, visto que renascemos em Cristo </em>(Epístola 121,3) (&#8230;). Vedes? A cruz de cada dia. <em>Nulla dies sine cruce, </em>nenhum dia sem Cruz: nenhum dia que não carreguemos com a Cruz do Senhor, em que não aceitemos o Seu jugo» <em>(Cristo que passa, </em>n.<sup>os</sup> 58 e 176). «E muito certo que aquele que ama os prazeres, que busca as suas comodidades, que foge das ocasiões de sofrer, que se inquieta, que murmura, que repreende e se impacienta porque a coisa mais insignificante não corre segundo a sua vontade e o seu desejo, tal pessoa, de cristão só tem o nome; somente serve para desonrar a sua religião, pois Jesus Cristo disse: aquele que queira vir após Mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias da vida, e siga-Me» <em>(Sermões escolhidos, </em>Quarta Feira de Cinzas).</p>
<p>A Cruz não só deve estar presente na vida de cada cristão, mas também em todas as encruzilhadas do mundo: «Que formosas essas cruzes no cimo dos montes, no alto dos grandes monumentos, no pináculo das catedrais!&#8230; Mas também é preciso inserir a Cruz nas entranhas do mundo. «Jesus quer ser levantado ao alto, aí: no ruído das fábricas e das oficinas, no silêncio das bibliotecas, no fragor das ruas, na quietude dos campos, na intimidade das famí­lias, nas assembléias, nos estádios&#8230; Onde quer que um cristão gaste a sua vida honradamente, aí deve colocar, com o seu amor, a Cruz de Cristo, que atrai a Si todas as coisas» <em>(Via Sacra, </em>XI, n.° 3).</p>
<p><strong>25.</strong> Esta afirmação categórica de Jesus ensina-nos a necessidade de fazer tudo tendo em vista a vida eterna; para ganhar esta bem podemos gastar a vida terrena. «É certo que nos é lembrado que de nada serve ao homem ganhar o mundo inteiro, se a si mesmo se vem a perder. A expectativa da nova terra não deve, porém, enfraquecer, mas antes activar a solicitude em ordem a desenvolver esta terra, onde cresce o corpo da nova família humana, que já consegue apresentar uma certa prefiguração do mundo futuro. Por conseguinte, embora o progresso terreno se deva cuidadosa­mente distinguir do crescimento do reino de Cristo, todavia, na medida em que pode contribuir para a melhor organi­zação da sociedade humana, interessa muito ao reino de Deus» <em>(Gaudium et spes, </em>n. 39).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>24.02.12 – Mt 9, 14-15</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>14</sup>Então acercam-se d&#8217;Ele os discípulos de João e perguntam: Porque é que nós e os Fariseus jejuamos com freqüência e os Teus discípulos não jejuam? <sup>15</sup>Disse-lhes Jesus: Podem acaso os convidados das bodas entristecer-se enquanto está com eles o esposo? Dias virão em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>14-17. </strong>O interesse da questão que levanta este passo radica, não em saber que jejuns praticavam os judeus contemporâneos de Jesus, e em especial os fariseus e os discípulos de João Baptista, mas em Saber qual é a razão pela qual Jesus não obriga os Seus discípulos a tais jejuns. A resposta que dá aqui o Senhor, é, ao.mesmo tempo, um ensinamento e uma profecia. O cristianismo não é um mero remendo no antigo traje do judaísmo. A redenção operada por Cristo implica uma total regeneração. O seu espírito é demasiado novo e pujante para ser amoldado às velhas ,formas penitenciais, cuja vigência caducava.</p>
<p>A história da Igreja primitiva ensina-nos até que ponto os costumes de alguns cristãos, procedentes do judaísmo, resistiam a entender a transformação operada por Jesus. É sabido que na época de Nosso Senhor dominava nas escolas judaicas uma complicadíssima casuística de jejuns, purificações etc., que afogavam a simplicidade da verda­deira piedade. As palavras de Jesus apontam para esta (Simplicidade de coração com que os Seus discípulos devem viver a oração, o jejum e a esmola (cfr Mt 6, 1-18 e notas correspondentes). Será a Igreja que, desde os tempos apostólicos, concretizará em cada época, com os poderes que Deus lhe deu, as formas de jejum, segundo este espírito do Senhor. 15. «Os convidados das bodas»: O texto original diz lite­ralmente «filhos da casa onde se celebram as bodas», que <em>é </em>uma expressão típica para designar os amigos mais íntimos do esposo. Deve sublinhar-se a marcada construção semítica da frase que o Evangelista conservou na sua fidelidade à expressão original de Jesus.</p>
<p>Por outro lado, esta «casa» a que alude Jesus Cristo tem um profundo sentido: há que pô-la em relação com a parábola dos convidados para as bodas (Mt 22, 1-14), e simboliza a Igreja como casa de Deus e Corpo de Cristo: «Moisés, na verdade, foi fiel em toda a casa de Deus, como servo, para dar testemunho de tudo o que se havia de anunciar. Cristo, porém, é fiel, como Filho, à frente da Sua própria casa, a qual somos nós, se conservarmos firmemente até ao fim a confiança e a esperança de que nos gloriamos» (Heb 3, 5-6).</p>
<p>A segunda parte do versículo alude à morte violenta do Senhor.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>25.02.12 – Lc 5, 27-32</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>27</sup>Depois disto, saiu, viu um publicano Chamamento chamado Levi, sentado ao posto de cobrança, e disse-lhe: Segue-Me. <sup>28</sup>E ele, deixando tudo, levantou-se e seguiu-O. <sup>29</sup>Ofereceu-Lhe Levi, em sua casa, um grande banquete, e havia grande número de publicanos e de outros, que estavam com eles à mesa. <sup>30</sup>Os Fariseus e os seus Escribas murmuravam, dizendo aos discípulos: Por que motivo comeis e bebeis com os publicanos e peca­dores? <sup>31</sup>Jesus tomou a palavra e disse-lhes: Não são os que têm saúde que precisam de médico, senão os doentes. <sup>32</sup>Não foram os justos, mas os pecadores, que Eu vim chamar ao arrependimento.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>27-29. </strong>Levi, mais conhecido pelo nome de Mateus, res­ponde com generosidade e prontidão ao chamamento de Jesus. Para celebrar e agradecer a sua vocação dá um grande banquete. Este passo do Evangelho reflecte com clareza que a vocação é um grande bem do qual há que alegrar-se. Se nos fixássemos só na renúncia, no que há que deixar, e não no dom de Deus, no bem que vai fazer em nós e através de nós, poderia sobrevir o abatimento, como ao jovem rico que não quis deixar as suas riquezas e se afastou triste (Lc 18,18). Muito diferente é o comportamento de Mateus, e o dos Magos, que «ao verem a estrela se encheram de imensa alegria» (Mt 2,10), porque apreciaram mais adorar a Deus recém-nascido do que todos os esforços e incomodidades da viagem. Ver também as notas a Mt 9,9;9,10-11; 9,12;9,13 e Mc 2,14; 2,17.</p>
<p><strong>32. </strong>Este modo de actuar do Senhor significa que o único título que temos para sermos salvos é reconhecermo-nos com simplicidade pecadores diante de Deus. «Porque Jesus não sabe que fazer da astúcia calculista, da crueldade dos corações frios, da formosura vistosa mas vã.</p>
<p>«Nosso Senhor ama a alegria dum coração moço, o passo simples, a voz sem falseie, os olhos limpos, o ouvido atento à sua palavra de carinho. E é assim que reina na alma» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 181).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>26.02.12 – Mc 1, 12-15</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>12</sup>Logo o Espírito O impeliu para o deserto, <sup>13</sup>e no deserto esteve quarenta dias tentado por Satanás; vivia com os animais selvagens e serviam-No os Anjos.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>14</sup>Depois que João foi entregue, veio Jesus para a Galileia a pregar o Evangelho de Deus, <sup>15</sup>dizendo: Terminou o prazo e está próximo o Reino de Deus. Fazei penitência e crede no Evangelho.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>13. </strong>São Mateus (4, 1-11) e São Lucas (4, 1-13) narram com mais pormenores as tentações de Jesus. Jesus quis ensinar-nos, submetendo-Se às tentações, que estas não são de temer, mas, pelo contrário, podem ser a ocasião de um progresso na vida interior. «Deus permite as tentações — comenta Santo Afonso Maria de Ligório — em primeiro lugar, para que com elas reconheçamos melhor a nossa debilidade e a necessidade que temos da ajuda de Deus para não cair (&#8230;); em segundo lugar, Deus permite-as para que cada um aprenda a viver desprendido das coisas materiais e deseje mais fervorosamente chegar à contemplação de Deus no Céu (&#8230;); e, em terceiro lugar, para nos enriquecer de méritos (&#8230;). Com efeito/quando a alma começa a ser agitada por tentações e se vê em perigo de cair no pecado, recorre então a Deus, recorre à Mãe divina, renova o propósito de morrer antes que pecar, humilha-se e abandona-se nos braços da misericórdia divina, e assim consegue alcançar mais fortaleza e une-se a Deus mais estreitamente, como atesta a experiência» <em>(Prática do amor a Jesus Cristo, </em>cap. 17).</p>
<p>Por outro lado, como no caso do Senhor, nunca faltará nas tentações a ajuda divina: «Jesus suportou a prova, uma prova verdadeira (&#8230;). O Demônio, com retorcida intenção, citou o Antigo Testamento: <em>Deus enviará os seus Anjos para que protejam o Justo em todos os seus caminhos </em>(Ps XC, 11), Mas Jesus, recusando-Se a tentar o Pai, devolve a esse passo bíblico o seu verdadeiro sentido. E, como prêmio da Sua fidelidade, chegado o tempo, apresentam-se os mensageiros de Deus Pai para O servirem (&#8230;).</p>
<p>«Devemos encher-nos de ânimo, visto que a graça do Senhor não nos faltará, pois Deus estará a nosso lado e enviar-nos-á os Seus Anjos, para que sejam nossos compa­nheiros de viagem, nossos prudentes conselheiros ao longo do caminho, nossos colaboradores em todos os empreendi­mentos» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 63).</p>
<p><strong>14-15. </strong>«Evangelho de Deus»: Esta expressão encon­tramo-la em São Paulo (Rom 1, 1; 2 Cor. 11,7; etc.) como equivalente à de «Evangelho de Jesus Cristo» (Phil 1, 1; 2 Thes 1,8; etc.), insinuando-se deste modo a divindade de Jesus Cristo. A chegada iminente do Reino exige uma conversão autêntica do homem a Deus (Mt 4,17; 10,7; Mc 6, 12; etc.). Já os Profetas tinham falado da necessidade de converter-se e de abandonar os maus caminhos que seguia Israel, longe de Deus (ler 3,22; Is 30,15; Os 14,2; etc.). Tanto João Baptista como Cristo e os Seus Apóstolos insistem em que é preciso converter-se, mudar de atitude e de vida como condição prévia para receber o Reino de Deus. Recentemente o Papa João Paulo II realça a importância da conversão perante o Reino de Deus, expressão clara da Sua miseri­córdia: «Portanto, a Igreja professa e proclama a conversão. A conversão a Deus consiste sempre em <em>descobrir a Sua misericórdia, </em>isto é, esse amor que é paciente e benigno (cfr 1 Cor 13,4) à medida do Criador e Pai: o amor, a que &#8216;Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo&#8217; (2 Cor 1, 3) é fiel até às últimas conseqüências na história da aliança com o homem: até à cruz, até à morte e à ressurreição de Seu Filho. A conversão a Deus é sempre fruto do &#8216;reencontro&#8217; deste Pai, rico em misericórdia.</p>
<p>«O autêntico conhecimento de Deus, Deus da misericórdia e do amor benigno, é uma fonte constante e inexaurível de conversão, não somente como momentâneo acto interior, mas também como disposição permanente, como estado de espírito. Aqueles que assim chegam ao conhecimento de Deus, aqueles que assim O &#8216;vêem&#8217;, não podem viver de outro modo que não seja convertendo-se a Ele continuamente. Passam a viver <em>in statu conversionis, </em>em estado de conver­são; e é este estado que constitui a característica mais profunda da peregrinação de todo o homem sobre a terra <em>in statu viatoris, </em>em estado de peregrino» <em>(Dives in misericórdia, </em>n. 13).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>27.02.12 – Mt 25, 31-46</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>31</sup>Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os Anjos com Ele, então sentar-Se-á no Seu trono de glória, <sup>32</sup>e com­parecerão perante Ele todas as gentes, e Ele separá-los-á uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos, <sup>33</sup>e porá as ovelhas à Sua direita e os cabritos à Sua esquerda.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>34</sup>Dirá então o Rei aos da Sua direita: «Vinde benditos de Meu Pai, entrai na herança do Reino que vos está preparado desde o princípio do mundo; <sup>35</sup>pois tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era peregrino e agasalhastes-Me, <sup>36</sup>andava nu e vestistes-Me, estava doente e visitastes-Me, estava no cárcere e fostes ver-Me. <sup>37</sup>Então os justos responder-Lhe-ão: « Senhor, quando é que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? <sup>38</sup>Quando é que Te vimos peregrino e Te agasalhamos, ou nu e Te vestimos? <sup>39</sup>Quando Te vimos doente ou no cárcere e Te fomos ver? <sup>40</sup>E o rei responder-lhes-á: «Em verdade vos digo: Tudo o que fizestes a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes.»</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup> 41</sup>Então dirá aos da Sua esquerda: «Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Demônio e seus Anjos, <sup>42</sup>pois tive fome e não Me destes de comer, tive sede e não Me destes de beber; <sup>43</sup>era peregrino e não Me agasalhastes, estava nu e não Me vestistes, doente e no cárcere e não Me visitastes.» <sup>44</sup>Então responderão também eles: «Senhor, quando é que Te vimos com fome ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente ou no cárcere e não Te assistimos?» <sup>45</sup>E Ele responder-lhes-á: «Em verdade vos digo: Tudo o que não fizestes a um destes mais pequeninos, nem a Mim o fizestes.<sub>(</sub>» <sup>46</sup>E irão estes para o Suplício eterno; os justos, porém, para a Vida eterna.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>31-33. </strong>Nos testemunhos dos Profetas e no Apocalipse representa-se o Messias, como os juizes, num trono. Assim virá Jesus no fim dos tempos, para julgar os vivos e os mortos.</p>
<p>A verdade do Juízo Universal, que consta já nos primeiros símbolos da Igreja, é um dogma de fé definido solenemente por Bento XII na Constituição <em>Benedictus Deus, </em>de 29 de Janeiro de 1336.</p>
<p><strong>35-46. </strong>Todas as facetas enumeradas no passo — dar de comer, dar de beber, vestir, visitar — são obras de amor cristão quando ao fazê-las a estes «pequeninos» se vê neles o próprio Cristo.</p>
<p>Daqui a importância do pecado de omissão. O não fazer uma coisa que se deve fazer supõe deixar Cristo desprovido de tais serviços.</p>
<p>«É preciso reconhecer Cristo que nos sai ao encontro nos nossos irmãos, os homens. Nenhuma vida humana é uma vida isolada; entrelaça-se com as outras. Nenhuma pessoa é um verso solto; todos fazemos parte de um mesmo poema divino, que Deus escreve com o concurso da nossa liberdade» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 111).</p>
<p>Seremos julgados sobre o amor (cfr Avisos <em>e sentenças espirituais, </em>n.° 57). O Senhor pedir-nos-á contas não só do mal que tenhamos feito mas, além disso, do bem que tenhamos deixado de fazer. Desta forma, os pecados de omissão aparecem em toda a sua gravidade, e o amor ao próximo no seu fundamento último: Cristo está presente no mais pequeno dos nossos irmãos.</p>
<p>Escreve Santa Teresa de Jesus: «Cá, só estas duas coisas nos pede o Senhor: amor de Sua Majestade e do próximo; é no que devemos trabalhar. Guardando-as com perfeição é como fazemos a Sua vontade&#8230; O sinal mais certo que, segundo o meu parecer, há de que guardamos estas duas coisas, é guardando bem a do amor do próximo; porque se amamos a Deus, não se pode saber, ainda que haja indícios grandes para entender que O amamos; mas o amor do próximo, sim. E estai certas que quanto mais vos vejais aproveitadas neste, mais o estais no amor de Deus; porque é tão grande o que Sua Majestade nos tem, que em paga do que temos ao próximo, fará que cresça o que temos a Sua Majestade por mil maneiras: nisto eu não posso duvidar» <em>(Moradas, </em>V, 3).</p>
<p>Pela parábola vemos com clareza que o cristianismo não pode ser reduzido a uma sociedade de mera beneficência. O que dá valor sobrenatural a toda a ajuda em favor do próximo é prestá-la por amor de Cristo, vendo-O a Ele no próprio necessitado. Por isso São Paulo afirma que «ainda que repartisse todos os meus bens&#8230;, se não tenho caridade, e nada me serve» (l Cor 13, 3). Errada será, portanto, qualquer interpretação deste ensinamento de Jesus sobre o Juízo Final que pretenda dar-lhe um sentido materialista, ou que confunda a mera filantropia com a autêntica caridade cristã.</p>
<p><strong>40-45. </strong>O Concilio Vaticano II, ao explicar as exigências da caridade cristã, que dá sentido à chamada <em>assistência social, </em>diz: «Vindo a conclusões práticas e mais urgentes, o Concilio recomenda a reverência para com o homem, de maneira que cada um deve considerar o próximo, sem excepção, como um &#8216;outro eu&#8217;, tendo em conta, antes de mais, a sua vida e os meios necessários para a levar dignamente, não imitando aquele homem rico que não fez caso algum do pobre Lázaro (cfr Lc 16, 18-31). Sobretudo «m nossos dias, urge a obrigação de nos tornarmos o próximo de todo e qualquer homem, e de o servir efectivamente quando vem ao nosso encontro — quer seja o ancião, abandonado de todos, ou o operário estrangeiro injustamente desprezado, ou o exilado, ou o filho duma união ilegítima que sofre injusta­mente por causa dum pecado que não cometeu, ou o indigente que interpela a nossa consciência, recordando a palavra do Senhor: &#8216;todas as vezes que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes» <em>(Gandium  et spes, </em>n. 27).</p>
<p><strong>46.</strong> A existência de um castigo eterno para os réprobos e de um prêmio eterno para os eleitos é um dogma de fé definido solenemente pelo Magistério da Igreja no IV Concilio de Latrão do ano 1215: «Jesus Cristo (&#8230;) há-de vir no fim do mundo, para julgar os vivos e os mortos, e dar a cada um segundo as suas obras, tanto aos réprobos como aos eleitos: todos eles ressuscitarão com os seus próprios corpos que agora têm, para receberem segundo as suas obras — boas ou más —: aqueles, com o diabo, castigo eterno; e estes, com Cristo, glória sempiterna».</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>28.02.12 – Mt 6, 7-15</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>7</sup>E, na oração, não sejais palavrosos como os gentios, pois ima­ginam que hão-de ser ouvidos pela sua verbosidade. <sup>8</sup>Não vos pareçais, pois, com eles, porque o vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de Lho pedirdes. <sup>9</sup>Vós, pois, orai assim:</span></p>
<p><span style="color: #993300;">Pai nosso que estás nos Céus, santificado seja o Teu nome.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>10</sup>Venha o Teu Reino. Seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no Céu.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>11</sup>O pão nosso de cada dia nos dá hoje.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>12</sup>E perdoa-nos as nossas dívidas, como também nós perdoamos aos nossos devedores.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>13</sup>E não nos metas em tentação, Mas livra-nos do mal.»</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>14</sup>Porque, se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará a vós. <sup>15</sup>Se, porém, não perdoardes aos homens, nem o Pai celeste perdoará as vossas ofensas.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>7-8.</strong> Jesus corrige os exageros supersticiosos de crer que são necessárias longas orações para que Deus nos escute. A verdadeira piedade não consiste tanto na quantidade de palavras como na freqüência e no amor com que o cristão se volta para Deus nos acontecimentos, grandes ou pequenos, de cada dia. A oração vocal é boa e necessária, mas as palavras só têm valor enquanto exprimem o sentir do Coração.</p>
<p><strong>9-13.</strong> O «Pai-nosso» é, sem dúvida, a página mais comentada de toda a fé. Os grandes escritores da Igreja deixaram-nos explicações cheias de piedade e sabedoria. Já os primeiros cristãos, «fiéis à recomendação do Salvador e seguindo os Seus divinos ensinamentos», centraram a sua oração nesta fórmula sublime e simples de Jesus. E também os últimos cristãos elevarão o seu coração para dizer pela última vez o Pai-nosso quando estiverem prestes a ser levados para o Céu. Entretanto, desde criança até que deixa este mundo, o Pai-nosso é a oração que enche de consolação e de esperança o coração do homem. Bem sabia Jesus Cristo a eficácia que ia ter esta oração Sua. Graças sejam dadas a Nosso Senhor porque a compôs para nós, e também aos Apóstolos por no-la terem transmitido, e às nossas mães porque no-la ensinaram nas nossas primeiras balbuciadelas. É tão importante esta oração dominical, que desde os tempos apostólicos foi utilizada como base da catequese cristã, juntamente com o Credo ou Símbolo da fé, o Decálogo e os Sacramentos. A vida de oração era ensinada aos catecúmenos comentando o Pai-nosso. E. daí este costume passou para os nossos catecismos.</p>
<p>Santo Agostinho diz que esta oração do Senhor é tão perfeita, que em poucas palavras compendia tudo o que o homem possa pedir a Deus (cfr <em>Sermo </em>56). Normalmente distinguem-se nela uma invocação e sete pedidos: três relativos à glória de Deus e quatro às necessidades dos homens.</p>
<p><strong>9.</strong> E grande consolação poder chamar «Pai nosso» a Deus. Se Jesus, o Filho de Deus, ensina os homens a que invoquem Deus como Pai é porque neles se dá esta realidade consoladora, a de ser e sentir-se filhos de Deus.</p>
<p>«O Senhor (&#8230;) não é um dominador tirânico, nem um juiz rígido e implacável: é nosso Pai. Fala-nos dos nossos pecados, dos nossos erros, da nossa falta de generosidade, mas é para nos livrar deles e nos prometer a Sua amizade e o Seu amor (&#8230;). Um filho de Deus trata o Senhor como Pai. Não servilmente, nem com uma reverência formal, de mera cortesia, mas cheio de sinceridade e de confiança» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 64).</p>
<p>«Santificado seja o Teu nome»: Na Bíblia o nome equivale à própria pessoa. Aqui nome de Deus é o próprio Deus. Que sentido tem pedir que Deus seja santificado? Não pode sê-lo à maneira humana: afastando-se progressivamente do mal e aproximando-se do bem, visto que Deus é a própria santidade. Pelo contrário, Deus é santificado quando a Sua Santidade é reconhecida e honrada pelas Suas criaturas. Este é o sentido que tem o primeiro pedido do «Pai-nosso» (cfr <em>Catecismo Romano, </em>IV, 10).</p>
<p><strong>10. </strong>«Venha o Teu Reino»: Chegamos aqui outra vez à idéia central do evangelho de Jesus Cristo: a vinda do Reino. O Reino de Deus identifica-se tão plenamente com a obra de</p>
<p>f Jesus Cristo, que o Evangelho é chamado indiferentemente evangelho de Jesus Cristo ou evangelho do Reino (Mt 9, 35). Sobre o conceito de Reino de Deus veja-se o comentário a Mt 3, 2; 4, 17. O advento do Reino de Deus é a realização do desígnio salvador de Deus no mundo. O Reino de Deus esta­belece-se em primeiro lugar no mais íntimo do homem, elevando-o à participação da própria vida divina. Esta elevação tem como que duas etapas: a primeira na terra, que se realiza pela graça; e a segunda, definitiva, na vida eterna, que será a plenitude da elevação sobrenatural do homem. Tudo isso exige de nós uma submissão espontânea, amorosa e confiada a Deus.</p>
<p>«Seja feita a Tua vontade»: Este terceiro pedido exprime um desejo duplo. Primeiro, a identificação do homem com a vontade de Deus, de modo rendido e incondicional; é a expressão do abandono nas mãos de seu Pai Deus. Segundo, o cumprimento daquela vontade divina, que reclama a livre cooperação humana. Este é o caso, por exemplo, da lei divina no aspecto moral, pela qual Deus manifesta a Sua vontade, mas sem a impor à força. Uma das manifestações da vinda do Reino de Deus é o cumprimento amoroso da vontade divina por parte do homem. A segunda parte da frase «assim na Terra como no Céu » quer dizer: assim como no céu os anjos e os santos estão totalmente identificados com a vontade de Deus, de modo semelhante se deseja que isso aconteça já aqui na terra.</p>
<p>A luta por cumprir a vontade de Deus é o sinal de que somos sinceros quando pronunciamos as palavras: «venha o Teu Reino». Porque diz o Senhor: «Nem todo o que Me diz: &#8216;Senhor, Senhor&#8217;, entrará no Reino dos Céus, mas o que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus» (Mt 7, 21). «Quem de veras tiver dito esta palavra: &#8216;Fiat voluntas tua&#8217;, tem de ter feito tudo, com a determinação pelos menos» <em>(Caminho de perfeição, </em>cap. 63, n.° 2).</p>
<p><strong>11. </strong>Neste quarto pedido, o que ora tem em conta em primeiro lugar as necessidades da vida presente. A importância desta súplica consiste em que os bens mate­riais, necessários para viver, são declarados lícitos. Exprime-se um profundo sentido religioso da manutenção da vida: o que o discípulo de Cristo alcança com o seu próprio trabalho também o deve implorar de Deus e recebê-lo como um dom divino; Deus é quem mantém a vida. Ao pedir a Deus o próprio sustento e considerar que este vem das mãos divinas, o cristão afasta de si a angustiosa preocupação pelas neces­sidades materiais. Jesus quer que pecamos não a riqueza ou o gozo desses bens, mas a posse austera do necessário. Daí que, tanto em Mateus como em Lucas (Lc 11, 2), se fale do alimento suficiente para cada dia. O quarto pedido dirige-se, pois, a uma moderação do alimento e dos bens necessários, afastada dos extremos de opulência <em>e </em>miséria, como já tinha ensinado Deus no AT:</p>
<p>«Não me dês pobreza nem riqueza, concede-me o pão que me é necessário, para que, saciado, não te renegue, e não diga:&#8217;Quem é o Senhor&#8217;?</p>
<p>Ou, empobrecido, não roube e não profane o nome do meu Deus» (Prv 30,8-9)</p>
<p>Os Santos Padres interpretaram o pão que aqui se pede, não só como o alimento material, mas também viram significada a Santíssima Eucaristia, sem a qual não pode viver o nosso espírito.</p>
<p>Segundo o <em>Catecismo Romano </em>(cfr IV, 13, 21), as razões para que se chame à Eucaristia pão nosso quotidiano são: Que cada dia se oferece a Deus na Santa Missa, e que devemos  recebê-lo dignamente, sendo possível todos os dias, segundo Aconselho de Santo Ambrósio: «Se o pão é diário, por que o recebes tu apenas uma vez por ano? Recebe todos os dias o que todos os dias te é proveitoso; vive de modo que diariamente sejas digno de o receber» <em>(De Sacramentis, </em>V, 4).</p>
<p><strong>12.</strong> «Dívida» tem aqui claramente o sentido de pecado. com efeito, no dialecto aramaico do tempo de Jesus utilizava-se a mesma palavra para designar ofensa ou dívida. No Quinto pedido reconhecemos, pois, a nossa situação de Devedores por termos ofendido a Deus. Na revelação do AT é frequente a recordação da condição pecadora do homem. Inclusive os «justos» são também pecadores. Reconhecer os nossos pecados é o princípio de toda a conversão a Deus. Não se trata apenas de reconhecer antigos pecados nossos, mas de confessar a nossa actual condição de pecadores. Esta mesma condição faz-nos sentir a necessidade religiosa de recorrer ao único que pode remediá-la, Deus. Daqui a conveniência de rezar insistentemente, com a oração do Senhor, para alcançar da misericórdia divina uma e outra vez o perdão dos nossos pecados.</p>
<p>A segunda parte deste pedido é uma chamada séria <em>a </em>perdoar aos nossos semelhantes: como nos atrevemos a pedir perdão a Deus, se não estamos dispostos a perdoar aos outros! O cristão deve ser consciente das exigências desta oração, que há-de rezar com todas as suas conseqüências: não querer perdoar a outro é condenar-se a si mesmo (vid. nota a Mt 5, 23-24 e 18,21-35).</p>
<p><strong>13.</strong> «E não nos deixes cair na tentação»: «Não pedimos aqui para não sermos tentados, porque a vida do homem na terra é milícia (Iob 7, 1)&#8230; Que é, pois, o que aqui pedimos? Que, sem nos faltar o auxílio divino, não consintamos por erro nas tentações, nem cedamos a elas por desalento; que esteja pronta em nosso favor a graça de Deus, a qual nos console e fortaleça quando nos faltem as próprias forças» <em>(Catecismo Romano, </em>IV, 15,14).</p>
<p>Reconhecemos nesta súplica do Pai-nosso a nossa debi­lidade para lutar contra a tentação só com as forças humanas. Isto deve levar-nos a recorrer com humildade a Deus, para receber d&#8217;Ele a fortaleza necessária. Porque «muito forte é Deus para livrar-te de tudo, e pode fazer-te mais bem do que mal todos os demônios. Deus quer somente que te fies d&#8217;Ele, que te arrimes a Ele, que confies n&#8217;Ele e desconfies de ti mesmo, e desta maneira há-de ajudar-te e com a Sua ajuda vencerás todo o inferno que venha contra ti. Desta firme esperança não te deixes cair, porque Se irritará com isso, nem porque os demônios sejam muitos e muitas as tentações e bravas e de muitas maneiras. Está sempre arrimado a Ele, porque se este arrimo e força não tens com o Senhor, logo cairás e temerás qualquer coisa» <em>(Sermones, 9, </em>Domingo I de Quaresma).</p>
<p>«Mas livra-nos do mal»: Neste pedido, que de algum modo resume todos os anteriores, rogamos ao Senhor que nos livre de tudo aquilo que o nosso inimigo faz contra nós para perder-nos; e não nos poderemos livrar dele se o próprio Deus não nos livra, concedendo a Sua assistência aos nossos rogos.</p>
<p>Igualmente poderia traduzir-se por «mas livra-nos do Mau», quer dizer, do maligno, do demônio, que é a origem, em última instância, de todos os nossos males.</p>
<p>Ao fazermos este pedido podemos estar seguros de ser ouvidos, porque Jesus Cristo, estando para sair deste mundo, rogava ao Pai pela salvação dos homens com estas palavras: «Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno» (Ioh 17,15).</p>
<p><strong>14-15. </strong>São Mateus conserva nos vv. 14 e 15 como um comentário de Nosso Senhor à quinta petição do Pai-nosso.</p>
<p>Que maravilha é Deus que perdoa! Mas se Deus, três vezes Santo, tem misericórdia do pecador, quanto mais nós, pecadores, que sabemos por experiência própria da miséria do pecado, devemos perdoar aos outros. Não há ninguém perfeito na terra. Assim como Deus nos ama, mesmo com os nossos defeitos, e nos perdoa, nós também devemos amar os outros, mesmo com os seus defeitos, e perdoar-lhes. Se esperamos amar os que não têm defeitos, nunca amaremos ninguém. Se esperamos que se corrijam ou se desculpem os outros primeiro, quase nunca perdoaremos. Mas então, também nós não seremos perdoados. «De acordo: aquela pessoa tem sido má contigo. — Mas não tens sido tu pior com Deus?» <em>(Caminho. </em>n.°686). Perdoando àqueles que nos têm ofendido tornamo-nos, pois, semelhantes ao nosso Pai Deus: «No facto de amar os inimigos, vê-se claramente certa semelhança com o nosso Pai Deus, que reconciliou consigo o gênero humano, que era muito inimigo e contrário Seu, redimindo-o da condenação eterna por meio da morte do Seu Filho» <em>(Catecismo Romano, </em>IV, 14,19).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>29.02.12 – Lc 11, 29-32</strong></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>29</sup>Como as multidões tivessem afluído em massa, começou a dizer: Esta geração é uma geração perversa: pede um sinal, mas não lhe será dado nenhum sinal, a não ser o sinal de Jonas. <sup>30</sup>Pois, do mesmo modo que Jonas foi um sinal para os Ninivitas, assim o será também o Filho do homem para esta geração.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>31</sup>A rainha do Sul há-de surgir na altura do Juízo com os homens desta geração e con­dená-los-á, porque veio dos confins da Terra para ouvir a sabedoria de Salomão, e está aqui algo mais do que Salomão.</span></p>
<p><span style="color: #993300;"><sup>32</sup>Os homens de Nínive hão-de ressuscitar na altura do Juízo com esta geração e hão-de condená-la, porque, à pregação de Jonas, fizeram peni­tência, e está aqui algo mais do que Jonas.</span></p>
<p><strong>Comentário</strong></p>
<p><strong>29-32. </strong>Jonas foi o profeta que levou os ninivitas à penitência porque na sua pregação e nas suas obras, na sua pessoa e na sua vida, reconheceram o sinal de um enviado de Deus (cfr a nota a Mt 12,41-42).</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Leia trecho do novo livro sobre São Josemaria Escrivá</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 13:57:33 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O livro é uma breve biografia de São Josemaria Escrivá, escrita por Michele Dolz, professor da Pontifícia Universidade da Santa Cruz. Publicado pela Editora Indaiá, tem o seu lançamento previsto para final de janeiro de 2012.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>O livro é uma breve biografia de São Josemaria Escrivá, escrita por Michele Dolz, professor da Pontifícia Universidade da Santa Cruz. Publicado pela Editora Indaiá, tem o seu lançamento previsto para final de janeiro de 2012.</div>
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<div><object id="01fc9886-637d-a74a-4f41-0375024b76d8" style="width: 550px; height: 392px;" width="320" height="240" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="menu" value="false" /><param name="wmode" value="transparent" /><param name="src" value="http://static.issuu.com/webembed/viewers/style1/v2/IssuuReader.swf" /><param name="flashvars" value="mode=mini&amp;backgroundColor=%23222222&amp;documentId=120116174838-ca98cc4aedde4ad8a18fa9f6081d9552" /><embed id="01fc9886-637d-a74a-4f41-0375024b76d8" style="width: 550px; height: 392px;" width="320" height="240" type="application/x-shockwave-flash" src="http://static.issuu.com/webembed/viewers/style1/v2/IssuuReader.swf" allowfullscreen="true" menu="false" wmode="transparent" flashvars="mode=mini&amp;backgroundColor=%23222222&amp;documentId=120116174838-ca98cc4aedde4ad8a18fa9f6081d9552" /></object></div>
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		<title>&#8220;Um Caminho&#8221; &#8211; versão definitiva</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 13:46:06 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Foi lançada na última semana de dezembro a versão definitiva do documentário brasileiro &#8220;Um Caminho&#8221;, com três extras.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi lançada na última semana de dezembro a versão definitiva do documentário brasileiro &#8220;Um Caminho&#8221;, com três extras.</p>
<p><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29205765&amp;sid=01876122613101065176500753" target="_blank"><img class="alignleft  wp-image-317" title="documentario_um caminho_opus dei" src="http://www.opusalegria.org/wp-content/uploads/2012/01/documentario_um-caminho_opus-dei.png" alt="" width="509" height="763" /></a></p>
<p><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29205765&amp;sid=01876122613101065176500753" target="_blank"><img class="alignleft  wp-image-322" title="documentario um caminho opus dei 2" src="http://www.opusalegria.org/wp-content/uploads/2012/01/documentario-um-caminho-opus-dei-2.png" alt="" width="508" height="631" /></a></p>
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		<title>Evangelho do mês de janeiro de 2012</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 10:40:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Janeiro de 2012   01.01.12 – Lc 2, 16-21 16Foram, pressurosos, è encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoira. 17E, ao verem isto, deram a conhecer o que lhes tinham dito daquele Menino. 18Todos os que ouviram ficaram &#8230; <a href="http://www.opusalegria.com.br/evangelho-do-dia/evangelho-do-mes-de-janeiro-de-2012/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;" align="center"><strong><span style="font-size: 16pt; font-family: Arial, sans-serif;"><br />
Janeiro de 2012</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">01.01.12 – Lc 2, 16-21</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup style="background-color: white; text-indent: 35.45pt;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">16</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Foram, pressurosos, è encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoira. <sup>17</sup>E, ao verem isto, deram a conhecer o que lhes tinham dito daquele Menino. <sup>18</sup>Todos os que ouviram ficaram admirados do que os pastores lhes contaram. <sup>19</sup>Maria, por seu turno, conservava todas estas palavras, ponderando-as no seu espírito.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">20</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora anunciado.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">21</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Quando se completaram oito dias para Ocircuncidarem, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo antes de Ele ter sido concebido no seio materno.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">16.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> A</span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> pressa dos pastores é fruto da sua alegria e do seu afã por ver o Salvador. Comenta Santo Ambrósio:« Ninguém busca Cristo preguiçosamente» <em>(Expositio Evangelii sec. Lucam, ad loc.). </em>O Evangelista já observou antes que Nossa Senhora, depois da Anunciação, <em>se apressurou </em>a visitar Santa Isabel (Lc 1 ,39). A alma que deu entrada a Deus no seu coração vive com alegria a visita do Senhor e esta alegria dá asas à sua vida.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">19. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Em breves palavras este versículo diz muito de Maria Santíssima. Apresenta-no-la serena e contemplativa diante das maravilhas que se estavam a cumprir no nascimento do seu divino Filho. Maria penetra-ás com olhar profundo, pondera-as e guarda-as no silêncio da sua alma. Maria Santíssima, mestra de oração! Se a imitarmos, se guardarmos e ponderarmos nos nossos corações o que ouvimos de Jesus e o que Ele faz em nós, estamos a caminho da santidade cristã e não faltará na nossa vida nem a doutrina do Senhor nem a Sua graça. Por outro lado, meditando deste modo os ensinamentos que recebemos de Jesus, vamos aprofundando no mistério de Cristo, e assim «a Tradição apostólica progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo. Com efeito, progride a percepção tanto das coisas como das palavras transmitidas, quer mercê da contemplação e estudo dos crentes, que as meditam no seu coração, quer mercê da íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais, quer mercê da pregação daqueles que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade» <em>(Dei Verbum, </em>n. 8).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">21. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Acerca do significado e do rito da circuncisão, cfr a nota a Lc 1,59. «Jesus» significa «Yahwéh salva» ou «Yahwéh e salvação», isto é, Salvador. Este nome foi imposto ao Menino não por disposição humana, mas para cumprir o que o arcanjo tinha ordenado da parte de Deus à Santíssima Virgem e a São José (cfr Lc 1,31; Mt 1,21).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O fim da Encarnação do Filho de Deus foi a Redenção e a Salvação de todos os homens, e daí que, com razão, se Lhe tenha chamado Jesus, Salvador. Assim o confessamos no Credo: «Que por nós homens e para a nossa salvação, desceu do Céu». «Certamente, houve muitos com este nome (&#8230;). Mas, com quanta mais verdade entenderemos que deve ser chamado com este nome o Salvador? Ele, com efeito, trouxe a vida, a liberdade e a salvação eterna não a um povo qualquer, mas a todos os homens de todos os tempos; não em verdade oprimidos pela fome ou pelo domínio dos egípcios ou dos babilônios, mas assentados na sombra da morte e subjugados com as duríssimas cadeias do pecado e do demô­nio» <em>(Catecismo Romano, </em>1, 3,5).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">02.01.12 – Jo 1, 19-28</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">19</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Foi este o testemunho de João, quando os Judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: Tu quem és? <sup>20</sup>Ele confessou e não negou: Eu não sou o Messias — confessou. <sup>21</sup>Quem és então? — perguntaram<sub>:</sub>lhe. — És Elias? Não sou — respondeu ele. És o Profeta? Ele retorquiu: Não! <sup>22</sup>Disseram-lhe então: Quem és tu?&#8230; É para darmos resposta aos que nos enviaram: Que dizes de ti mesmo? <sup>23</sup>Ele declarou:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Sou <em>a voz de um que brada no deserto: «Endireitai o caminho do Senhor», </em>como disse o profeta Isaías.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">24</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Tinham sido enviados alguns dos Fari­seus. <sup>25</sup>Interrogaram-no eles, nestes termos: Então porque é que baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta? <sup>26</sup>Respondeu-lhes João, dizendo: Eu baptizo <em>em </em>água; mas no meio de vós se encontra quem vós não conheceis,<sup>27</sup>Aquele que vem depois de mim; a quem eu não sou digno de desatar as correias das sandálias. <sup>28</sup>Deram-se estes factos em Betânia, além-Jordão, onde João estava a baptizar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">19-34.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Este passo constitui uma unidade, que começa e termina a falar do <em>testemunho </em>do Baptista. Assim se sublinha a missão que Deus lhe confiou de testemunhar, com a sua vida e com a sua palavra, que Jesus Cristo é o Messias e Filho de Deus. O Precursor exorta à penitência vivendo ele próprio esse espírito de austeridade que pregava; indica Jesus como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e proclama-O com coragem diante dos judeus. A figura grave do Baptista é modelo da fortaleza com que devemos confessar Cristo: «Com efeito, todos os fiéis cristãos, onde quer que vivam, têm obrigação de manifestar, pelo exemplo da vida e pelo testemunho da palavra, o homem novo de que se revestiram pelo Baptismo&#8230;» <em>(Ad gentes, </em>n. 11).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">19-24. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Num ambiente de intensa expectativa messiâ­nica, o Baptista aparece como uma figura rodeada de um prestígio extraordinário; prova disso é que as autoridades judaicas enviam personagens qualificadas (sacerdotes e levitas de Jerusalém) a perguntar-lhe se é o Messias.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Chama a atenção a grande humildade de João: adianta-se aos seus interlocutores afirmando: «Não sou o Cristo». Considera-se tão pequeno diante do Senhor que dirá: «Não sou digno de desatar a correia das Suas sandálias» (v. 27). Toda a fama de que desfrutava põe-na ao serviço da sua missão de Precursor do Messias e, com esquecimento total de si mesmo, afirma que «é necessário que Ele cresça e que eu diminua» (Ioh 3,30).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">25-26. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Baptizar»: Significava originariamente sub­mergir na água, banhar. O rito da imersão exprimia entre os Judeus a purificação legal daqueles que tivessem contraído alguma impureza prevista pela Lei. Existia também o baptismo dos prosélitos, que era um dos ritos de incorporação dos gentios no povo judeu. Nos manuscritos do Mar Morto fala-se de um baptismo como rito de iniciação e purificação dos adeptos à seita judaica de Qumrán, que existia em tempos de Nosso Senhor.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O baptismo de João tinha um marcado caracter de con­versão interior. As palavras de exortação que pronunciava o Baptista e o reconhecimento humilde dos pecados por parte dos que acorriam a ele dispunham para receber a graça de i Cristo. O baptismo de João constituía, pois, um rito de penitência muito apto para preparar o povo para a vinda do Messias, cumprindo-se com isso as profecias que falavam precisamente de uma purificação pela água perante o advento do Reino de Deus nos tempos messiânicos (cfr Zach f ;13,1; Ez 36,25; 37,23; Ier 4,14). O baptismo de João, todavia, não tinha poder para limpar a alma dos pecados, como faz o Baptismo cristão (cfr Mt 3,11; Mc 1,4). , «Quem vós não conheceis»: Com efeito, Jesus ainda não Se tinha manifestado publicamente como o Messias e Filho de Deus; ainda que alguns O conhecessem enquanto homem, São João Baptista pode afirmar que realmente não O conhe­ciam.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">27.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">    O Baptista declara a primazia de Cristo sobre ele por meio da comparação do escravo que desata a correia das sandálias do seu senhor. Para nos aproximarmos de Cristo, que João anuncia, é preciso imitar o Baptista. Como diz Santo Agostinho: «Entenderá estas palavras quem imite a humildade do Precursor&#8230; O mérito maior de João é, meus irmãos, este acto de humildade» <em>(In Ioann. Evang., </em>4,7).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">28.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">    Refere-se à cidade de Betânia que estava situada na margem oriental do Jordão, em frente de Jerico, diferente da Betânia onde vivia a família de <em>Lázaro, </em>próximo de Jeru­salém (cfr Ioh 11,18).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">03.01.12 – Jo 1, 29-34</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">29</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">No dia seguinte, vê este a Jesus, que vinha ter com ele, e diz: Aí está o Cordeiro de Deus, que vai tirar o pecado do mundo. <sup>30</sup>Era d&#8217;Este que eu dizia: «Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, por­que era antes de mim». <sup>3I</sup>E eu não O conhe­cia; mas para Ele Se manifestar a Israel é que eu vim baptizar em água.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">32</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">João deu mais este testemunho: Eu vi o Espírito que descia do Céu, como uma pomba e permaneceu sobre Ele. <sup>33</sup>E eu não O conhe­cia, mas quem me enviou a baptizar em água é que me disse: «Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo». <sup>34</sup>Ora eu vi e sou testemunha de que Ele é o Filho de Deus.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">29.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">    Pela primeira vez no Evangelho se chama a Cristo «Cordeiro de Deus». Este nome alude ao sacrifício redentor de Cristo. Já Isaías tinha comparado os sofrimentos do Servo de Yahwéh, do Messias, com o sacrifício de um cordeiro (cfr Is 53,7); por outro lado, o sangue do cordeiro pascal, aspergido sobre as portas das casas, tinha servido para livrar da morte os primogênitos dos israelistas no Egipto (cfr Ex 12,6-7). Tudo isso era promessa e figura do verdadeiro Cordeiro, Cristo, vítima no sacrifício do Calvário em favor de toda a humanidade. Por isto. São Paulo dirá que «o nosso Cordeiro pascal, Cristo, foi imolado» (l Cor 5,7). A expressão «Cordeiro de Deus» indica também a inocência imaculada do Redentor (cfr 1 Pet 1,18-20; 1 Ioh 3,5).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O texto sagrado diz «o pecado do mundo», no singular, para manifestar de modo absoluto que tirou todo o gênero de pecados. Cristo, na verdade, veio livrar-nos do pecado original, que em Adão atingiu todos os homens, e de todos os pecados pessoais.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O livro do Apocalipse revela-nos que Jesus está triunfante e glorioso nos Céus como o «Cordeiro imolado» (Apc 5,6-14), rodeado dos santos, dos mártires <em>e </em>das virgens (Apc 7,9.14; 14,1-5), dos quais recebe louvor e glória por ser Deus (Apc 7,10).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Sendo a Sagrada Comunhão a participação no Sacrifício de Cristo, os sacerdotes pronunciam estas palavras do Baptista antes de administrar a Sagrada Comunhão, para suscitar nos fiéis o agradecimento ao Senhor por Se ter entregado à morte para nossa salvação e por Se nos dar como alimento das nossas almas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">30-31.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> João Baptista declara aqui a superioridade de Jesus ao dizer que Ele existia já antes dele, apesar de ter nascido depois. Mostra assim a divindade de Cristo, gerado pelo Pai desde toda a eternidade e nascido de Maria Virgem no tempo. É como se o Baptista dissesse: «Embora eu tenha nascido antes d&#8217;Ele, a Ele não O limitam os laços do Seu nascimento; porque mesmo quando nasce de Sua Mãe no tempo, foi gerado pelo Pai fora do tempo» <em>(In Evangelia homiliae, </em>7).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Com as palavras do v. 31 o Precursor não pretende negar o conhecimento pessoal que tinha de Jesus (cfr Lc 1 ,36 e Mt 3,14), mas manifestar que conheceu por revelação divina o momento de proclamar publicamente a condição do Senhor como Messias e Filho de Deus, e que compreendeu também que a sua própria missão de Precursor não tinha outra finalidade a não ser dar testemunho de Jesus Cristo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">32-34,</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Para confirmar a divindade de Jesus Cristo, o evangelista recolhe o testemunho do Precursor sobre o Baptismo de Jesus (vejam-se os outros Evangelhos que descrevem com mais pormenor como aconteceu o Baptismo, cfr Mt 3,13-17 e par.). É um dos momentos cume da vida do Senhor em que se revela o mistério da Santíssima Trindade (cfr a nota a Mt 3,16).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">A pomba é símbolo do Espírito Santo, de quem se diz no Gen 1,2 que revoava sobre as águas. Com este sinal cum­prem-se as profecias de Is 11,2-5; 42,1-2, segundo as quais o Messias estaria cheio da força do Espírito Santo. O Baptista manifesta a grande diferença entre o seu- baptismo e o de Cristo; em Ioh 3, Jesus falará deste novo Baptismo na água e no Espírito (cfr Act 1,5; Tit 3,5).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«O Filho de Deus»: E de notar que a expressão tem artigo no texto original, o que quer dizer que João Baptista confessa diante dos seus ouvintes o caracter sobrenatural e transcendente do messianismo de Cristo, tão distante da idéia político-religiosa que tinham forjado os dirigentes do judaísmo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">04.01.12 – Jo 1, 35-42</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">35</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">No dia seguinte, novamente se encontrava ali João com dois dos seus discípulos. <sup>36</sup>Fitando o olhar em Jesus, que passava, põe-se a dizer: Aí está o Cordeiro de Deus. <sup>37</sup>Ora os dois discípulos ouviram-no dizer isto e seguiram a Jesus. <sup>38</sup>Voltando-Se Jesus e vendo que eles O seguiam, disse-lhes: Que procurais? Eles responderam: Rabi — que quer dizer Mestre — onde ficas? <sup>39</sup>Vinde ver — respondeu-lhes. Foram, pois, ver onde ficava e permaneceram nesse dia junto d&#8217;Ele. Era por volta da hora décima.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">40</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido a João e seguido a Jesus. <sup>41</sup>Encontra ele primeiro a Simão, seu irmão, e diz-lhe: Encontramos o <em>Messias</em>— que quer dizer <em>Ungido. </em><sup>42</sup>E levou-o a Jesus. Fitando nele o olhar, disse Jesus: Tu és Simão, filho de João; hás-de chamar-te Kefá — que quer dizer Pedro.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">35-39.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Depois das palavras do Baptista, estes dois discí­pulos, movidos interiormente pela graça, aproximaram-se do Senhor. O testemunho de João é um exemplo das graças especiais que Deus outorga para atrair os Seus. Às vezes dirige um chamamento directo e pessoal que move inte­riormente as almas e as convida ao Seu seguimento; outras vezes, como neste caso, quer servir-Se de alguém que está ao nosso lado, que nos conhece e nos situa perante Cristo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Nos dois discípulos existia já o desejo de ver o Messias; as palavras de João movem-nos a buscar a amizade com o Senhor: não é o interesse meramente humano, mas a perso­nalidade de Cristo que os atrai. Querem conhecê-Lo, ter intimidade com Ele, ser doutrinados por Ele e <em>gozar </em>da Sua companhia. «Vinde e vereis» (1 ,39; cfr 11,34): doce convite a iniciar a familiaridade amistosa que buscavam. Necessi­tariam de tempo e de convívio pessoal com Cristo para se assegurarem mais na sua vocação. O apóstolo.São João, um dos protagonistas desta cena, registra o momento em que teve lugar tal episódio: «Era por volta da hora décima», as quatro da tarde aproximadamente.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">A fé cristã não se reduz a uma mera curiosidade intelec­tual, mas é toda uma vida que não compreenderá quem realmente não a viva; por isso o Senhor não lhes explica de momento qual <em>c o </em>Seu modo de vida. mas convida-os a que convivam com Ele um dia. São Tomás de Aquino comenta este passo dizendo que o Senhor fala de um modo elevado e místico, porque o que Deus é na Sua glória ou na Sua graça não se pode saber senão por experiência, pois as palavras não conseguem explicá-lo. A esse conhecimento chega-se pelas boas obras (ao convite de Cristo obedeceram imediata­mente, e, como prêmio, «viram»), pelo recolhimento e apli­cação da mente à contemplação das coisas divinas, pelo querer saborear a doçura de Deus, pela assiduidade na oração. A tudo isto convidou o Senhor quando disse «vinde e vereis», e tudo isso puderam alcançá-lo os discípulos quando, prestando atenção ao Senhor, efectivamente «foram» e puderam conhecer por experiência pessoal o que só com as palavras não teriam podido entender (cfr <em>Comentário sobre S. João, ad loc.).</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">40-41.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> O Evangelista indica-nos agora o nome de um dos dois discípulos que tinham protagonizado a cena an­terior; voltará a falar de André a propósito da multiplicação dos pães (cfr 6,8) e da última Páscoa (cfr 12,22).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Não se sabe com certeza quem era o segundo dos discí­pulos; mas já desde os primeiros séculos da era cristã se considera que é o próprio Evangelista. A vivacidade do relato, o pormenor de indicar a hora em que sucediam estes factos, e inclusivamente a tendência de João para ficar no anonimato (cfr 19,16; 20,2; 21,7.20), parecem confirmá-lo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«O Apóstolo João, que verte no seu Evangelho a expe­riência de uma vida inteira, narra a primeira conversa com o encanto daquilo que nunca mais se pode esquecer: <em>Mestre, onde moras? Disse-lhes Jesus: Vinde e vede. Foram, pois, e viram onde morava e ficaram com Ele aquele dia.</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Diálogo divino e humano, que transformou a vida de João e de André, de Pedro, de Tiago e de tantos outros; que preparou os seus corações para escutarem a palavra impe­riosa que Jesus lhes dirigiu junto ao mar da Galielia» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 118).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Aquelas horas que tinham passado junto do Senhor produzem depressa os primeiros frutos de apostolado. André, sem poder ocultar a sua alegria, comunica a Simão Pedro a notícia de ter encontrado o Messias e leva-o até Ele. Como então, também agora é urgente fazer que outros conheçam o Senhor.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Um dia — não quero generalizar, abre o teu coração ao Senhor e conta-Lhe tu a tua história — talvez um amigo, um cristão normal e corrente como tu, te tenha feito descobrir um panorama profundo e novo e ao mesmo tempo tão antigo como o Evangelho. Sugeriu-te a possibilidade de te empenhares seriamente em seguir Cristo, em ser apóstolo de apóstolos. Talvez tenhas perdido então a tranqüilidade e não a terás recuperado, convertida em paz, até que, livre­mente, porque &#8216;muito bem te apeteceu&#8217; — que é a razão mais sobrenatural — respondeste a Deus que sim. E veio a alegria, vigorosa, constante, que só desaparece quando te afastas d&#8217;Ele» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 1).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">42.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Como gostaríamos de contemplar o olhar de Jesus! Aqui, pelas palavras que pronuncia o Senhor, aparece como imperioso e fascinante. Noutras circunstâncias, com o Seu olhar convidará a deixar tudo e a segui-Lo, como no caso de Mateus (Mt 9,9); ou encher-Se-á de amor, como no encontro com o jovem rico (Mc 10,21); ou de ira e de tristeza, vendo a incredulidade dos fariseus (Mc 2,5); de compaixão, diante do filho da viúva de Naim (Lc 7,13); saberá remover o coração de Zaqueu, produzindo a sua conversão (Lc 19,5); enternecer-Se-á diante da fé e da grandeza de ânimo da pobre viúva que deu como esmola tudo o que possuía (Mc 12,41-44). O Seu olhar penetrante punha a descoberto a alma diante de Deus, e suscitava ao mesmo tempo o exame e a contrição. Assim olhou Jesus para a mulher adúltera (Ioh 8,10), e assim olhou para o próprio Pedro que, depois da sua traição (Lc 22,61), chorou amargamente (Mc 14,72).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Hás-de chamar-te Kefá»: Pôr o nome equivalia a tomar posse do nomeado (cfr Gen 17,5; 22,28; 32,28; Is 62,2). Assim, p. ex., Adão. constituído dono da criação, pôs nome a todas as coisas (Gen 2,20). «Kefá» é transcrição grega de uma palavra aramaica que quer dizer pedra, rocha. Daqui que, escrevendo em grego, São João tenha explicado o significado do termo empregado por Jesus. Kefá não era nome próprio, mas o Senhor impõe-no ao Apóstolo para indicar a função de Vigário Seu, que lhe será revelada mais adiante (Mt 16,16-18): Simão estava destinado a ser pedra, a rocha da Igreja.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Os primeiros cristãos consideravam tão significativo este novo nome que o empregaram sem o traduzir (cfr Gal 2,9.11.14); depois tornou-se corrente a sua tradução — Pedro —, que ocultou o antigo nome do Apóstolo — Simão —.«Filho de João»: A antiga documentação manuscrita oferece variantes, como «filho de Jonas», etc.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">05.01.12 – Jo 1, 43-51</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">43</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">No dia seguinte, resolve Jesus partir para a Galileia. Encontra Filipe e diz-lhe: Segue-Me. <sup>44</sup>Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. <sup>45</sup>Encontra Filipe a Natanael e diz-lhe: Aquele de quem Moisés escreveu na Lei, bem como os profetas, aca­bamos de encontrá-Lo. É Jesus de Nazaré, filho de José. <sup>46</sup>Diz-lhe Natanael: De Nazaré pode vir alguma coisa boa? Vem ver — res­ponde-lhe Filipe.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">47</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Jesus, vendo Natanael, que vinha ao Seu encontro, diz acerca dele: Aí está um autên­tico israelita, em quem não há fingimento! <sup>48</sup>Diz-Lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus, dizendo: Antes de Fi­lipe te haver chamado, quando estavas de­baixo da figueira, Eu vi-te! <sup>49</sup>Volveu-Lhe Natanael: Rabi, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel. <sup>50</sup>Retorquiu-lhe Jesus, nestes termos: Porque te disse: «Eu vi-te debaixo da figueira», acreditas? Verás coisas maiores do que estas. <sup>51</sup>E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo: Heis-de ver o Céu aberto e os Anjos de Deus subir e descer por sobre o Filho do homem. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">43.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> «Segue-Me» é o termo usual de Jesus para chamar os Seus discípulos (cfr Mt 4,19; 8,22;9.9). Em vida de Jesus o convite a segui-Lo implicava acompanhá-Lo no Seu minis­tério público, escutar a Sua doutrina, imitar o Seu modo de vida&#8230; Uma vez que o Senhor subiu aos Céus, o seguimento não é já, evidentemente, um acompanhamento físico pelos caminhos da Palestina, mas o cristão deve viver segundo a vida de Cristo, tornando seus os sentimentos de Cristo, de tal modo que possa exclamar com São Paulo: <em>Non vivo ego, vivit vero in me Chrístus </em>(Gal 2,20), não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 103). Em qualquer caso, o convite do Senhor comporta sempre um pôr-se a caminho; isto é, a exigência de uma vida de esforço e de luta por cumprir em cada momento a Vontade divina ainda que requeira uma entrega abnegada e generosa.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">45-51.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> O apóstolo Filipe não pode deixar de transmitir ao seu amigo Natanael (Bartolomeu) a alegria da sua desco­berta, cheio de emoção (v. 45). «Natanael (&#8230;) tinha ouvido pelas Escrituras que o Cristo devia vir de Belém, da aldeia de David. Assim o criam os judeus e o tinha anunciado, tempo atrás, o profeta: &#8216;E tu, Belém, não és certamente a menor entre as principais cidades de Judá; pois de ti sairá um chefe, que apascentará o Meu povo, Israel&#8217; (Mich 5,2). Portanto, ao escutar que provinha de Nazaré turvou-se e duvidou por não ver como compaginar as palavras de Filipe com a predição profética» <em>(Hom. sobre S. João, </em>20,1).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Pense o cristão que ao transmitir a sua fé a outros, estes podem apresentar-lhe dificuldades. Que deve fazer? O que fez Filipe: não confiar nas suas próprias explicações, mas convidá-los a vir pessoalmente até Jesus: «Vem ver» (v. 46). O cristão, pois, deve pôr os seus irmãos os homens diante do Senhor através dos meios da graça que Ele próprio deu e a Igreja administra: freqüência de Sacramentos e prática da piedade cristã.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Natanael, homem sincero (v. 47), acompanha Filipe até Jesus. Estabelece-se o contacto pessoal com o Senhor (v. 48). E o resultado é a fé do novo discípulo, fruto do seu bom acolhimento da graça, que lhe chega através da Humani­dade de Cristo (v. 49).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Segundo podemos deduzir dos Evangelhos, Natanael é o primeiro Apóstolo que faz uma confissão explícita de fé em Jesus como Messias e como Filho de Deus. Mais tarde São Pedro, de modo mais solene, reconhecerá a divindade do Senhor (cfr Mt 16,16). Aqui (v. 51) Jesus evoca um texto de Daniel (7,13) para confirmar e dar profundidade às palavras que pronunciou o novo discípulo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">06.01.12 – Mc 1, 6b-11</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">6</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Andava João vestido de lã de camelo, com um cinto de coiro à volta dos rins e alimen­tava-se de gafanhotos e mel silvestre. <sup>7</sup>E pregava assim: Depois de mim vem Aquele que é mais forte do que eu, e eu não sou digno de me inclinar para Lhe desatar as correias das sandálias. <sup>8</sup>Eu baptizei-vos em água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo. <sup>9</sup>Ora sucedeu que, por aqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galileia e foi por João baptizado no Jordão. <sup>I0</sup>E logo, ao subir da água, viu rasgarem-se os céus e o Espírito, em forma de pomba, descer sobre Ele, <sup>11</sup>enquanto dos céus soava uma voz: Tu és o Meu Filho amado; em Ti pus as Minhas complacências.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">8.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> «Baptizar no Espírito Santo» refere-se ao Baptismo que Cristo vai instituir, e marca a sua diferença com o de João. No baptismo de João só era significada a graça, como nos outros ritos do Antigo Testamento. «Pelo Baptismo da Nova Lei os homens são baptizados interiormente pelo Espírito Santo, coisa que só Deus faz. Pelo contrário, pelo baptismo de João só era lavado com água o corpo» <em>(Suma Teológica, </em>III, q. 38, a. 2 ad 1). No Baptismo cristão, instituído por Nosso Senhor, o rito baptismal não só significa a graça, mas causa-a eficazmente, isto é, confere-a.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«O sacramento do Baptismo confere a primeira graça santificante, pela qual é perdoado o pecado original, e também os actuais, se os há; remite toda a pena por eles devida; imprime o caracter de cristãos; faz-nos filhos de Deus, mem­bros da Igreja e herdeiros da glória, e habilita-nos para receber os outros sacramentos» <em>(Catecismo Maior, </em>n.° 553).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Como todas as realidades pertencentes à santificação das almas, os efeitos do Baptismo cristão são atribuídos ao Espírito Santo, o «Santificador». Deve advertir-se que, como todas as obras <em>ad extra </em>de Deus (isto é, que são exteriores à vida íntima da Santíssima Trindade), a santificação das almas é obra comum das três Pessoas Divinas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">9.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">    A vida oculta do Senhor desenvolveu-se (salvo o nascimento em Belém e a estada no Egipto), em Nazaré da Galileia, donde acorre a receber o baptismo de João.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Jesus não tinha por que receber este baptismo de con­versão. Não obstante, convinha que quem ia estabelecer a Nova Aliança reconhecesse e aceitasse a missão do Seu Precursor, sendo baptizado com aquele baptismo para mover os homens a prepararem-se e a receber o Baptismo necessário. Os Santos Padres comentam que o Senhor foi receber este baptismo para cumprir toda a justiça (cfr a nota a Mt 3,15), para nos dar exemplo de humildade, para ser conhecido por todos, para que todos cressem n’Ele e para dar força vivificante à água do Baptismo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Devem notar-se dois tempos diversos do Baptismo: um, quando o Salvador o instituiu e o outro, quando se estabeleceu a obrigação de o receber. Relativamente ao primeiro, é evidente que Nosso Senhor instituiu este sacramento quando, baptizado Ele próprio por São João, deu à água a virtude de santificar (&#8230;). No que diz respeito ao segundo, isto é, ao tempo em que se deu a lei acerca do Baptismo, não há razão para duvidar. Porque estão de acordo os Santos Padres em que foi quando, depois da Ressurreição do Senhor mandou os Apóstolos: Ide, pois, e fazei discípulos a todos os povos, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» <em>(Catecismo Romano 11,</em>2,20-21).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">10.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">    A presença visível do Espírito Santo em forma de pomba assinala o começo do ministério público de Cristo. Também aparecerá o Espírito Santo, em forma de línguas de fogo, no momento em que a Igreja inicia o seu caminho entre as nações no dia de Pentecostes (cfr Act 2,3-21).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">A pomba, segundo á interpretação mais comum nos Santos Padres, é símbolo da paz e da reconciliação entre Deus e os homens. Aparece já no relato do dilúvio (Gen. 8, 10-11), indicando que cessava o castigo divino sobre a humanidade. A sua presença no começo do ministério público de Jesus simboliza a paz e a reconciliação que Cristo vinha trazer.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">11. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">No momento de começar a vida pública manifesta-se o mistério da Santíssima Trindade: «O Filho é baptizado, o Espírito Santo desce em forma de pomba e ouve-se a voz do Pai» <em>(In Matei Evangelium expositio, ad </em><em>loc</em>.). «Permanece n&#8217;Ele o Espírito Santo — continua o mesmo autor —, não desde que foi baptizado, mas desde que encarnou». Ou seja, Jesus não recebe a Sua filiação divina no momento do baptismo, mas é Filho de Deus desde toda a eternidade. Também não é constituído Messias neste momento, já que o é desde a Encarnação.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O baptismo é a manifestação pública de Jesus como Filho de Deus e como Messias, ratificada com a presença da Santíssima Trindade.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«A descida do Espírito Santo sobre Jesus guarda relação com o sacramento de todos os que depois iam ser baptizados, pois todos os que são baptizados com o Baptismo de Cristo recebem o mesmo Espírito Santo» <em>(Suma Teológica, </em>III, q. 39, a. 6 ad 3).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">07.01.12 – Jo 2, 1-11</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">No terceiro dia, houve um casamento em Cana da Galileia, e estava lá a mãe de Jesus. <sup>2</sup>Ora Jesus e os discípulos foram também convidados para o casamento. <sup>3</sup>Como viesse a faltar o vinho, diz a mãe de Jesus para Este: Não têm vinho&#8230; <sup>4</sup>Responde-lhe Jesus: Que Me desejas, Senhora? Ainda não chegou a Minha hora. <sup>5</sup>Diz<strong> </strong>Sua mãe aos serventes: Fazei o que Ele vos disser.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">6</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Havia ali seis talhas de pedra, dispostas para a purificação dos Judeus, cada uma das quais levava duas ou três medidas. <sup>7</sup>Diz-lhes Jesus: Enchei essas talhas de água. E eles encheram-nas até acima. <sup>8</sup>Depois diz-lhes: Tirai agora e levai ao chefe de mesa. E eles levaram. <sup>9</sup>O chefe de mesa, depois de provar a água convertida em vinho — ele não sabia donde era, sabiam-no os serventes que ti­nham tirado a água — chama o noivo <sup>10</sup>e diz-lhe: Toda a gente serve primeiro o vinho bom e, quando tiverem bebido bem, serve então o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">11</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Foi assim que, em Cana da Galileia, Jesus deu início aos Seus milagres. Mani­festou a Sua glória, e acreditaram n&#8217;Ele os discípulos. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">1.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Caná da Galileia parece que deve identificar-se com a actual Kef Kenna, situada a 7 quilômetros a Noroeste de Nazaré.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Entre os convidados menciona-se em primeiro lugar Maria Santíssima. Não se cita São José, coisa que não se pode atribuir a um esquecimento de São João: este silêncio — e outros muitos no Evangelho — faz supor que o Santo Patriarca já tinha morrido.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">As festas de casamento tinham longa duração no Oriente (Gen 29,27; Ide 14,10.12.17; Tob 9,12; 10,1). Durante elas, parentes e amigos iam acorrendo a felicitar os esposos; nos banquetes podiam participar até os transeuntes. O vinho era considerado elemento indispensável nas refeições e servia, além disso, para criar um ambiente festivo. As mulheres intervinham nas tarefas da casa; a Santíssima Virgem prestaria também a sua ajuda: por isso pôde dar-se conta de que ia faltar vinho.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">2.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">    «Para demonstrar a bondade de todos os estados de vida (&#8230;) Jesus dignou-Se nascer das entranhas puríssimas da Virgem Maria; recém-nascido recebeu o louvor que saiu dos lábios proféticos da viúva Ana e, convidado na Sua juventude pelos noivos, honrou as bodas com a presença do Seu poder» (São Beda, <em>Hom. 13, </em>para o 2.° Domingo depois da Epif.). Esta presença de Cristo nas bodas de Caná é sinal de que Jesus abençoa o amor entre homem e mulher, selado com o matrimônio. Deus, com efeito, instituiu p matrimônio no princípio da Criação (cfr Gen 1,27-28), e Jesus Cristo confirmou-o e elevou-o à dignidade de Sacramento (cfr Mt 19,6).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">3.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">    No quarto Evangelho a Mãe de Jesus — este é o título que lhe dá São João — aparece somente duas vezes. Uma neste episódio, a outra no Calvário (Ioh19,25). Com isso vem insinuar-se a missão da Santíssima Virgem Maria na Reden­ção. Entre os dois acontecimentos, Caná e o Calvário, há várias analogias. Situam-se um no começo e o outro no fim da vida pública, como para indicar que toda a obra de Jesus está acompanhada pela presença de Maria Santíssima. O seu título de Mãe adquire ressonância especialíssima: Maria actua como verdadeira Mãe de Jesus nesses dois momentos em que o Senhor manifesta a Sua divindade. Ao mesmo tempo, ambos os episódios assinalam a especial solicitude de Maria Santíssima pelos homens: num caso intercede quando ainda não chegou « a hora »; no outro oferece ao Pai a morte redentora de seu Filho, e aceita a missão que Jesus lhe confere de ser Mãe de todos os crentes, representados no Calvário pelo discípulo amado.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Na vida pública de Jesus, Sua mãe aparece duma maneira bem marcada logo no princípio, quando, nas bodas de Caná, movida de compaixão, levou Jesus Messias a dar início aos Seus milagres (cfr Ioh 2,1-11). Durante a pregação de Seu Filho, acolheu as palavras com que Ele, pondo o reino acima de todas as relações de parentesco, proclamou bem-aventurados todos os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática (cfr Mc 3,35 e par.; Lc 11,27-28); coisa que ela fazia fielmente (cfr Lc 2,19.51). Assim avançou a Virgem pelo caminho da fé, mantendo fielmente a união com seu Filho até à cruz. Junto desta esteve, não sem desígnio de Deus (cfr Ioh19,25), padecendo acerbamente com o seu Filho único, e associando-se com coração de mãe ao Seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima que d&#8217;Ela nascera; finalmente, Jesus Cristo, agonizante na cruz, deu-a por mãe ao discípulo, com estas palavras: &#8216;Mulher, eis aí o teu filho&#8217;(cfr Ioh19,26-27)» <em>(Lúmen gentium, </em>n. 58).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">4.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Para o significado das palavras deste versículo veja-se o dito na epígrafe dedicada a Maria Santíssima na <em>Introdução ao Evangelho segundo São João </em>(pp 1109-1113). Além disso, o relato evangélico do diálogo entre Jesus e Sua Mãe não nos revela todos os gestos, as inflexões da voz, etc., que deram o tom exacto às palavras. Ao nosso ouvido, por exemplo, a resposta de Jesus soa dura, como se dissesse «este é um assunto que não nos diz respeito». Na realidade não é assim.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Mulier» que alguns traduzem para português por «Mu­lher»: é um título respeitoso, que era equivalente a «se­nhora», uma maneira de falar em tom solene. Este nome voltou a empregá-lo Jesus na Cruz, com grande afecto e veneração (Ioh19,26).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">A frase «que Me desejas?» corresponde a uma maneira proverbial de falar no Oriente, que pode ser empregada com diversos matizes. A resposta de Jesus parece indicar que embora, em princípio, não pertencesse ao plano divino que Jesus interviesse com poder para resolver as dificuldades surgidas naquelas bodas, o pedido de Maria Santíssima O move a atender a essa necessidade. Também se pode pensar que nesse plano divino estava previsto que Jesus fizesse o milagre por intercessão de Sua Mãe. Em qualquer caso, foi Vontade de Deus que a Revelação do Novo Testamento nos deixasse este ensinamento capital: a Virgem Santíssima é tão poderosa na sua intercessão que Deus atenderá todos os pedidos por mediação de Maria. Por isso a piedade cristã, com precisão teológica, chamou a Nossa Senhora «omnipotência suplicante».</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Ainda não chegou a Minha hora»: O termo «hora» <em>é </em>utilizado por Jesus Cristo algumas vezes para designar o momento da Sua vinda gloriosa (cfr Ioh5,28), ainda que geralmente se refira ao tempo da Sua Paixão, Morte e Glorificação (cfr Ioh7,30; 12,23; 13,1; 17,1).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">5.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> A</span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Virgem Maria, como boa mãe, conhece perfeita­mente o valor da resposta de seu Filho, que para nós poderia resultar ambígua («que Me desejas»), e não duvida que Jesus fará algo para resolver o apuro daquela família. Por isso indica de modo tão directo aos serventes que façam o que Jesus lhes disser. Podemos considerar as palavras da Virgem como um convite permanente para cada um de nós: «Nisso consiste toda a santidade cristã: pois a perfeita santidade é obedecer a Cristo em todas as coisas» <em>(Comentário sobre S. João, ad loc.).</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Com esta mesma atitude rezava o Papa João Paulo II no santuário mariano de Knock, ao consagrar à Virgem o povo irlandês: «Neste momento solene escutamos com atenção particular as tuas palavras: &#8216;Fazei o que vos disser o meu Filho . E desejamos responder às tuas palavras com todo o coração. Queremos fazer o que nos diz o teu Filho e o que nos manda; pois tem palavras de vida eterna. Queremos cumprir e pôr em prática tudo o que vem d&#8217;Ele, tudo o que está contido na Boa Nova, como o fizeram os nossos antepassados durante séculos (&#8230;). Por isso hoje (&#8230;) confiamos e consa­gramos a Ti, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja, o nosso coração, consciência e obras, a fim de que estejam em consonância com a fé que professamos. Confiamos e consagramos a Ti todos e cada um dos que constituem o povo irlandês e a comunidade do Povo de Deus que habita nestas terras» <em>Homília Santuário de Knock).</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">6.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> A</span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> &#8216;medida&#8217; ou &#8216;metreta&#8217; correspondia a uns 40 litros. A capacidade de cada uma destas talhas era, portanto, de 80 a 120 litros; no total 480-720 litros de vinho da melhor quali­dade. São João sublinha a abundância do dom concedido pelo milagre, como fará também a quando da multiplicação dos pães (Ioh 6,12-13). Um dos sinais da chegada do Messias era a abundância; por isso nela vê o Evangelista o cumprimento das antigas profecias: «O próprio Yahwéh dará a felicidade e a terra dará os seus frutos», anunciava o Salmo 85,13: «as eiras encher-se-ão de bom trigo, os lagares transbordarão de mosto e de azeite puro» (Ioel 2,24; cfr Am 9,13-15). Essa abundância de bens materiais é um símbolo dos dons sobre­naturais que Cristo nos obtém com a Redenção: mais adiante, São João porá em realce aquelas palavras do Senhor: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (Ioh10,10; cfr Rom 5,20).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">7.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> «Até acima»: O Evangelista volta a sublinhar com este pormenor a superabundância dos bens da Redenção e, ao mesmo tempo, indica com quanta exactidão obedeceram os serventes, como insinuando a importância da docilidade no cumprimento da Vontade de Deus, mesmo nos pequenos por menores.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">9-10.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Jesus faz os milagres sem tacanhez, com magnani­midade; por exemplo, na multiplicação dos pães e dos peixes (cfr Ioh 6,10-13) sacia uns cinco mil homens e ainda sobram doze canastras. Neste milagre de Cana não converteu a água em qualquer vinho, mas num de excelente qualidade.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Os Santos Padres viram no Vinho de qualidade, reservado para o fim das bodas, e na sua abundância, uma figura do coroamento da História da Salvação: Deus tinha enviado os patriarcas e profetas, mas, ao chegar a plenitude dos tempos, enviou o Seu próprio Filho, cuja doutrina leva a Revelação antiga à perfeição, e cuja graça excede as esperanças dos justos do A. Testamento. Também viram neste vinho bom do fim das bodas o prêmio e a alegria da vida eterna, que Deus concede àqueles que, querendo seguir Cristo, sofreram as amarguras e contrariedades desta vida (cfr <em>Comentário sobre S. João, ad loc.). </em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">11.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Antes do milagre os discípulos já criam que Jesus era o Messias; mas ainda tinham um conceito excessiva­mente terreno da Sua missão salvífica. São João testemunha aqui que este milagre foi o começo de uma nova dimensão da sua fé, que tornava mais profunda a que já tinham. O milagre de Cana constitui um passo decisivo na formação da fé dos discípulos. «Maria aparece como Virgem orante em Cana, onde, manifestando ao Filho com delicada súplica uma necessidade temporal, obtém também um efeito de graça: que Jesus, realizando o primeiro dos Seus &#8216;sinais&#8217;, confirme os discípulos na fé n&#8217;Ele» <em>(Marialis cultus, </em>n. 18).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">« Por que terão tanta eficácia os pedidos de Maria diante de Deus? As orações dos santos são orações de servos, enquanto as de Maria são orações de Mãe, donde procede a sua eficácia e caracter de autoridade; e como Jesus ama imensa­mente Sua Mãe, não pode rogar sem ser atendida (&#8230;).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Para conhecer bem a grande bondade de Maria recor­demos o que refere o Evangelho (&#8230;). Faltava o vinho, com o conseqüente apuro dos esposos. Ninguém pede à Santíssima Virgem que interceda diante do seu Filho em favor dos consternados esposos. Contudo, o coração de Maria, que não pode deixar de se compadecer dos infelizes (&#8230;), impeliu-a a encarregar-se por si mesma do ofício de intercessora e a pedir ao Filho o milagre, apesar de ninguém lho ter pedido (&#8230;). Se a Senhora agiu assim sem que lho tivessem pedido, que teria sido se lho tivessem pedido?» <em>(Sermões abreviados, </em>48).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">08.01.12 – Mt 2, 1-12</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns Magos, vindos do Oriente, <sup>2</sup>que perguntavam: Onde está o rei dos Judeus, nascido há pouco? Pois, vimos a Sua estrela e viemos adorá-Lo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">3</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Ao ouvir isto, o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele. <sup>4</sup>Convocou então todos os Príncipes dos Sacerdotes e Escribas do povo e inquiriu deles onde havia de nascer o Messias. <sup>5</sup>Responderam-lhe eles: Em Belém da Judeia, porque assim está escrito no profeta: <sup>6</sup>«É <em>tu, Belém, Terra de Judá, não és, de modo nenhum, a mais peque­nina entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que há-de reger o meu povo, Israel».</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">7</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Então Herodes, tendo chamado secretamente os magos, procurou saber deles, com exactidão, o tempo em que a estrela lhes ti­nha aparecido <sup>8</sup>e, encaminhando-os para Belém, disse-lhes: Ide e informai-vos bem do Menino e, quando O encontrardes, avisai-me para eu ir também adorá-Lo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">9</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Eles, depois de ouvirem o rei, partiram. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente ia diante deles e parou sobre o lugar onde estava o Menino. <sup>10</sup>Ao verem a estrela, sentiram grande alegria. <sup>11</sup>E, ao entrarem na casa, viram o Menino com Maria, Sua Mãe e, prostrando-se por terra, adoraram-No. Em seguida, abriram os corres e ofereceram-Lhe presentes: oiro, incenso e mirra. <sup>12</sup>Foram depois avisados em sonhos que não regres­sassem à presença de Herodes e retiraram-se por outro caminho, para a sua terra.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">1</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">. «O rei Herodes»: O Novo Testamento fala de quatro Herodes. O primeiro, Herodes o Grande, a que se referem este passo e o seguinte. O segundo, seu filho, Herodes Antipas, que mandou degolar São João Baptista (Mt 14, 1-12) e que ultrajou Jesus durante a Paixão (Lc 23, 7-11). O terceiro, Herodes Agripa I, neto de Herodes o Grande, que mandou matar o Apóstolo São Tiago, o Maior (Act 12,1-3), que meteu no cárcere Pedro (Act 12,4-7), <em>e </em>que morreu repentinamente e de um modo misterioso (Act 12, 20-23). O quarto, Herodes Agripa II, filho do anterior, perante quem São Paulo, prisio­neiro em Cesareia marítima, se defendeu da acusação dos judeus (Act 25, 23).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Herodes o Grande, do qual aqui se trata, era filho de pais não judeus; tinha conseguido reinar sobre estes com a ajuda e como vassalo do Império Romano. Desenvolveu uma grande actividade política e, entre outras coisas, reconstruiu luxuo­samente o Templo de Jerusalém. Sofreu de mania de perse­guição, vendo por toda a parte competidores da sua realeza; célebre pela sua crueldade, matou a maioria das dez mulheres que teve, alguns filhos e bom número de pessoas influentes na sociedade do seu tempo. Estes dados procedem principal­mente do historiador judeu Flávio Josefo (que escreveu em fins do século I) e concordam com a figura cruel que conhecemos pelos Evangelhos. «Uns Magos»: Estes personagens eram uns sábios prove­nientes provavelmente da Pérsia e dedicados ao estudo das estrelas. Por não serem judeus, são como que as primícias dos gentios que receberão o chamamento à salvação em Cristo. A adoração dos magos foi recolhida pela tradição mais antiga: já em começos do séc. II se encontra a cena nas pinturas das catacumbas de Priscila em Roma.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">2</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">. Os judeus tinham difundido pelo Oriente as esperanças messiânicas. Os magos tinham conhecimento do Messias esperado, rei dos Judeus. O qual, segundo idéias difundidas naquela época, devia ter, como personagem muito impor­tante na história universal, uma estrela relacionada com o seu nascimento. Deus quis valer-se destas concepções para conduzir até Cristo os representantes dos gentios, que haviam de crer.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Precisamente tinha-se-lhes ocultado antes, para que, ao encontrarem-se sem guia, não tivessem outro remédio senão perguntar aos judeus, e ficasse manifesto a todos o nasci­mento de Cristo» <em>(Hom. sobre S. Mateus, </em>7).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O mesmo São João Crisóstomo explica que «Deus os chama através do que para eles era mais familiar, e mostra-lhes uma estrela grande e maravilhosa, para que os impres­sione pela sua própria grandeza e formosura» <em>(Hom. sobre </em>S. <em>Mateus, </em>6). O chamamento dos magos, enquanto se dedicam ao seu ofício, é um facto que se repete no chama­mento que Deus faz aos homens; chamá-los precisamente entre as ocupações ordinárias da sua vida. Assim chamou Moisés quando pastoreava o rebanho (Ex 3, 1-3), o profeta Eliseu quando lavrava a sua terra com os bois (lReg 19, 19-20), Amos quando cuidava o seu gado (Am 7,15)&#8230;« O que a ti te admira, a mim parece-me razoável. — Deus foi-te procurar no exercício da tua profissão?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">« Foi assim que procurou os primeiros: Pedro, André, João e Tiago, junto das redes; Mateus, sentado à mesa dos impostos&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«E assombra-te! — Paulo, no seu afã de acabar com a semente dos cristãos» <em>(Caminho, </em>n.° 799).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Tal como os Reis Magos, descobrimos uma estrela que é luz, rumo certo no céu da nossa alma.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">« <em>Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo. </em>Também nós tivemos esta experiência. Também nós sentimos que, a pouco e pouco, se acendia na nossa alma uma luz nova: o desejo de ser cristãos em plenitude, o desejo, por assim dizer, de tomar Deus a sério» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 32).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">4</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">. No tempo de Jesus encontrava-se amplamente difun­dida em todos os ambientes judaicos a esperança da iminente vinda do Messias, concebido sobretudo como rei à maneira de um novo e maior David. Daqui a perturbação de Herodes, rei dos Judeus com o apoio dos romanos e cruelmente zeloso da defesa da sua coroa. Pela sua ambição política e pela sua carência de sentido religioso, Herodes viu o possível Messias-Rei como um perigoso competidor do seu poder temporal.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">No tempo de Nosso Senhor, tanto o regime monárquico de Herodes como o regime de ocupação directa romana por meio dos procuradores tinham respeitado o organismo representativo do próprio povo judaico, constituído pelo Sinédrio. Este era, pois, o grande conselho da nação, que intervinha nos assuntos ordinários, religiosos ou civis. A execução dos assuntos mais importantes necessitava da aprovação, quer do rei (no tempo da monarquia herodiana), quer do procurador (no tempo da ocupação directa da Palestina pelo Império Romano).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Em recordação de Ex 24, 1-9 e Num 11, 16, o Sinédrio compunha-se de 71 membros, presididos pelo sumo sacerdote, escolhidos entre os seguintes três estratos ou grupos do povo judaico: l.° Os príncipes dos sacerdotes, quer dizer, os chefes das principais famílias sacerdotais, entre as quais costumava recair a nomeação do sumo sacerdote, e aqueles que tinham cessado neste cargo. 2.° Os anciãos, que eram os chefes das principais famílias. 3.° Os escribas, que eram os doutores da lei ou peritos nas questões legais e religiosas; a maior parte destes escribas pertencia ao partido ou escola dos fariseus.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Neste passo de Mateus só se mencionam o l.° e 3.° destes grupos que compunham o Sinédrio: isso é lógico, visto que o grupo dos anciãos não era entendido no assunto do nascimento do Messias, que era uma questão eminentemente religiosa.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">5-6<span style="font-weight: normal;">. A</span><span style="font-weight: normal;"> profecia a que se refere o passo é concretamente a de Miqueias 5, 1. É de notar que na tradição judaica se interpretava esta profecia como predição do lugar exacto do nascimento do Messias, e que este era um personagem determinado.</span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O livro sagrado ensina-nos uma vez mais que em Jesus Cristo se cumprem as profecias do Antigo Testamento.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">8</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">.    Herodes pretendia saber com exactidão onde estava o Menino não precisamente para O adorar, como dizia, mas para se livrar d&#8217;Ele, segundo a visão puramente política que tinha o então rei dos Judeus. A sua astúcia e maldade não podem impedir que se cumpram os desígnios de Deus. Por cima dos cálculos de Herodes é da sua ambição estavam a sabedoria e o poder divinos para realizar a salvação.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">9</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">.    «Quase sempre por nossa culpa, em certos momentos da nossa vida interior, acontece-nos o que aconteceu na viagem dos Reis Magos: a estrela oculta-se (&#8230;). Que havemos de fazer então? Seguir o exemplo daqueles homens santos: perguntar. Herodes serviu-se da ciência para proceder de modo injusto; os Reis Magos utilizam-na para fazer o bem. Mas nós, cristãos, não temos necessidade de perguntar a Herodes ou aos sábios da Terra. Cristo deu à Sua Igreja a segurança da doutrina, a corrente de graça dos Sacramentos; e providenciou para que haja pessoas que nos orientem, que nos conduzam, que nos recordem constantemente o caminho» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 34).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">10</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">.    «E por quê tanta alegria? Porque eles, que nunca duvidaram, recebem do Senhor a prova de que a estrela não tinha desaparecido; tinham deixado de a ver sensivelmente, mas tinham-na conservado sempre na alma. Assim é a vocação cristã: se não se perde a fé, se se mantém a esperança em Jesus Cristo que estará connosco <em>até à consumação dos séculos </em>(Mt XXVIII, 20), a estrela reaparece. E, ao verificar uma vez mais a realidade da vocação, nasce em nós uma alegria maior, que aumenta a nossa fé, a nossa esperança, o nosso amor».<em>(Cristo que passa, </em>n.° 35).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">11</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">. Os dons oferecidos — ouro, incenso e mirra — eram os mais preciosos do Oriente. O homem tem necessidade de oferecer presentes para testemunhar a sua veneração e a sua fé. Já que não pode oferecer-se o próprio homem como desejaria, oferece em seu lugar o que é mais valioso e lhe é mais querido.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Os profetas e o salmista tinham predito para os tempos messiânicos a submissão a Deus dos reis da terra 0s 49, 23), com o oferecimento dos seus bens (Is 60, 5) e a adoração (Ps72,10-15). Com este acto dos magos e o oferecimento dos seus dons a Jesus, Deus e homem, começam a cumprir-se estas profecias.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O Concilio de Trento cita expressamente este passo da adoração dos magos ao ensinar o culto que se deve dar a Cristo na Eucaristia: «Todos os fiéis de Cristo na sua veneração deste Santíssimo Sacramento devem tributar-lhe aquele culto de latria que é devido ao verdadeiro Deus (&#8230;). Porque cremos que nele está presente aquele mesmo Deus, de Quem, ao introduzi-Lo o Pai no orbe da terra, diz: E adorem-No todos os anjos de Deus (Heb l ,6; cfr Ps 97, 7); a Quem os magos, prostrando-se por terra, adoraram (cfr Mt 2, 11), de Quem, enfim, a Escritura testemunha (cfr Mt 28, 17) que Q adoraram os Apóstolos na Galileia» <em>(De SS. Eucharistia, </em>cap. 5).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Também a propósito deste versículo, comentava São Gregório de Nazianzo: « Nós permaneçamos em adoração; e a Quem por causa da nossa salvação Se humilhou a tal grau de pobreza que recebeu o nosso corpo, ofereçamos, não já Incenso, ouro e mirra — o primeiro como a Deus, o segundo como a rei e o terceiro como Aquele que buscou a morte por nossa causa —, mas dons espirituais, mais sublimes que os que se vêem com os olhos» <em>(Oratio, </em>19).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">12</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">. A</span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> intervenção dos magos nos acontecimentos de Belém termina com um novo acto de delicada obediência e Cooperação com os planos de Deus. Também o cristão deve ser dócil até ao fim à graça e à missão concreta que Deus lhe confie, ainda que isto suponha modificar os planos pessoais que se tenha proposto.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">09.01.12 – Mc 1, 6-11</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">6</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Andava João vestido de lã de camelo, com um cinto de coiro à volta dos rins e alimen­tava-se de gafanhotos e mel silvestre. <sup>7</sup>E pregava assim: Depois de mim vem Aquele que é mais forte do que eu, e eu não sou digno de me inclinar para Lhe desatar as correias das sandálias. <sup>8</sup>Eu baptizei-vos em água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo. <sup>9</sup>Ora sucedeu que, por aqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galileia e foi por João baptizado no Jordão. <sup>10</sup>E logo, ao subir da água, viu rasgarem-se os céus e o Espírito, em forma de pomba, descer sobre Ele, <sup>11</sup>enquanto dos céus soava uma voz: Tu és o Meu Filho amado; em Ti pus as Minhas complacências.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">8.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> «Baptizar no Espírito Santo» refere-se ao Baptismo que Cristo vai instituir, e marca a sua diferença com o de João. No baptismo de João só era significada a graça, como nos outros ritos do Antigo Testamento. «Pelo Baptismo da Nova Lei os homens são baptizados interiormente pelo Espírito Santo, coisa que só Deus faz. Pelo contrário, pelo baptismo de João só era lavado com água o corpo» <em>(Suma Teológica, </em>III, q. 38, a. 2 ad 1). No Baptismo cristão, instituído por Nosso Senhor, o rito baptismal não só significa a graça, mas causa-a eficazmente, isto é, confere-a.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«O sacramento do Baptismo confere a primeira graça santificante, pela qual é perdoado o pecado original, e também os actuais, se os há; remite toda a pena por eles devida; imprime o caracter de cristãos; faz-nos filhos de Deus, mem­bros da Igreja e herdeiros da glória, e habilita-nos para receber os outros sacramentos» <em>(Catecismo Maior, </em>n.° 553).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Como todas as realidades pertencentes à santificação das almas, os efeitos do Baptismo cristão são atribuídos ao Espírito Santo, o «Santificador». Deve advertir-se que, como todas as obras <em>ad extra </em>de Deus (isto é, que são exteriores à vida íntima da Santíssima Trindade), a santificação das almas é obra comum das três Pessoas Divinas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">9.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">    A vida oculta do Senhor desenvolveu-se (salvo o nascimento em Belém e a estada no Egipto), em Nazaré da Galileia, donde acorre a receber o baptismo de João.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Jesus não tinha por que receber este baptismo de con­versão. Não obstante, convinha que quem ia estabelecer a Nova Aliança reconhecesse e aceitasse a missão do Seu Precursor, sendo baptizado com aquele baptismo para mover os homens a prepararem-se e a receber o Baptismo necessário. Os Santos Padres comentam que o Senhor foi receber este baptismo para cumprir toda a justiça (cfr a nota a Mt 3,15), para nos dar exemplo de humildade, para ser conhecido por todos, para que todos cressem n’Ele e para dar força vivificante à água do Baptismo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Devem notar-se dois tempos diversos do Baptismo: um, quando o Salvador o instituiu e o outro, quando se estabeleceu a obrigação de o receber. Relativamente ao primeiro, é evidente que Nosso Senhor instituiu este sacramento quando, baptizado Ele próprio por São João, deu à água a virtude de santificar (&#8230;). No que diz respeito ao segundo, isto é, ao tempo em que se deu a lei acerca do Baptismo, não há razão para duvidar. Porque estão de acordo os Santos Padres em que foi quando, depois da Ressurreição do Senhor mandou os Apóstolos: Ide, pois, e fazei discípulos a todos os povos, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» <em>(Catecismo Romano 11,</em>2,20-21).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">10.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">    A presença visível do Espírito Santo em forma de pomba assinala o começo do ministério público de Cristo. Também aparecerá o Espírito Santo, em forma de línguas de fogo, no momento em que a Igreja inicia o seu caminho entre as nações no dia de Pentecostes (cfr Act 2,3-21).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">A pomba, segundo á interpretação mais comum nos Santos Padres, é símbolo da paz e da reconciliação entre Deus e os homens. Aparece já no relato do dilúvio (Gen. 8, 10-11), indicando que cessava o castigo divino sobre a humanidade. A sua presença no começo do ministério público de Jesus simboliza a paz e a reconciliação que Cristo vinha trazer.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">11. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">No momento de começar a vida pública manifesta-se o mistério da Santíssima Trindade: «O Filho é baptizado, o Espírito Santo desce em forma de pomba e ouve-se a voz do Pai» <em>(In Matei Evangelium expositio, ad </em><em>loc</em>.). «Permanece n&#8217;Ele o Espírito Santo — continua o mesmo autor —, não desde que foi baptizado, mas desde que encarnou». Ou seja, Jesus não recebe a Sua filiação divina no momento do baptismo, mas é Filho de Deus desde toda a eternidade. Também não é constituído Messias neste momento, já que o é desde a Encarnação.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O baptismo é a manifestação pública de Jesus como Filho de Deus e como Messias, ratificada com a presença da Santíssima Trindade.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«A descida do Espírito Santo sobre Jesus guarda relação com o sacramento de todos os que depois iam ser baptizados, pois todos os que são baptizados com o Baptismo de Cristo recebem o mesmo Espírito Santo» <em>(Suma Teológica, </em>III, q. 39, a. 6 ad 3).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">10.01.12 – Mc 1, 21-28</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">21</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">E entraram em Cafarnaum. No sábado seguinte, indo à sinagoga, pôs-Se a ensinar. <sup>22</sup>E maravilhavam-se por causa da Sua dou­trina, pois os ensinava como quem tinha autoridade e não como os Escribas. <sup>23</sup>Nisto um homem possuído do espírito imundo, o qual estava na sinagoga, começou a gritar: <sup>24</sup>Ai! Que tens Tu connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder. Sei quem Tu és: o Santo de Deus. <sup>25</sup>Mas Jesus intimou-lhe: Cala-te e sai desse homem! <sup>26</sup>O espírito imundo, agitando-o convulsivamente e fa­zendo grande alarido, saiu dele. <sup>27</sup>Ficaram todos atônitos, de modo que perguntavam uns aos outros: Que é isto? Uma doutrina nova, e com autoridade! Manda nos espí­ritos imundos, e eles obedecem-Lhe! <sup>28</sup>E a Sua fama correu logo por toda a parte, em toda a vizinha região da Galileia.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">21.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Sinagoga quer dizer reunião, assembléia, comuni­dade. Assim se chamava — e se chama — o lugar em que os Judeus se reuniam para escutar a leitura da Sagrada Escritura e rezar. Parece que as sinagogas tiveram a sua origem nas reuniões cultuais que celebravam os Judeus cativos em Babilônia, ainda que não se estendessem até pais tarde. No tempo de Nosso Senhor havia-as em todas as cidades e aldeias da Palestina de certa importância; e fora da Palestina nos lugares onde havia uma comunidade de Judeus suficientemente numerosa. A sinagoga constava principalmente de uma sala rectangular, construída de tal forma que os assis­tentes, sentados, olhassem para Jerusalém. Na sala havia uma tribuna ou estrado onde se lia e se explicava a Sagrada Escritura.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">22. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Aparece aqui como Jesus mostrava a Sua autoridade ao ensinar. Inclusivamente quando tomava como base a Escritura, como no Sermão da Montanha, distinguia-Se dos outros mestres, pois falava em nome próprio: «Mas Eu digo-vos» (cfr a nota a Mt 7,28-29). O Senhor, na verdade, fala dos mistérios de Deus e das relações entre os homens; explica com simplicidade e com poder, porque fala do que sabe e dá testemunho do que viu (Ioh 3, 11). Os escribas ensinavam também ao povo — comenta São Beda — o que está escrito em Moisés e nos Profetas; mas Jesus pregava ao povo como Deus e Senhor do próprio Moisés (cfr <em>In Marci Evangelium expositio, ad loc.) </em>Além disso, primeiro faz e depois diz (Act l, l) e não é como os escribas que dizem e não fazem (Mt 23,1-5).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">23-26. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Os Evangelhos apresentam vários relatos de curas miraculosas. Entre elas sobressaem as de alguns endemoninhados. A vitória sobre o espírito imundo, nome que se dava correntemente ao demônio, é um sinal claro de que chegou a salvação divina: Jesus, ao vencer o Maligno, revela-Se como o Messias, o Salvador, com um poder superior ao dos demônios: «Agora é que é o julgamento deste mundo. Agora é que o Príncipe deste mundo vai ser lançado fora» (Ioh 12, 31). Ao longo do Evangelho torna-se patente a luta contínua e vitoriosa do Senhor contra o demônio.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">A oposição do demônio a Jesus vai aparecendo, cada vez mais clara: é solapada e subtil no deserto; manifesta e violenta nos endemoninhados; radical e total na Paixão, que é « a hora e o poder das trevas» (Lc 22,53). A vitória de Jesus é também cada vez mais patente, até ao triunfo total da Ressurreição.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O demônio é chamado imundo — diz São João Crisóstomo — pela sua impiedade e afastamento de Deus, e porque se mistura em toda a obra má e contrária a Deus. Reconhece de alguma maneira a santidade de Cristo, mas este conhecimento não vai acompanhado pela caridade. Além do facto histórico concreto, podemos ver neste endemoninhado os pecadores que se querem converter a Deus, libertando-se da escravidão do demônio e do pecado. A luta pode ser longa, mas terminará com uma vitória: o espírito maligno não pode nada contra Cristo (cfr a nota a Mt 12, 22-24). /</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">27.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> A</span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> mesma autoridade que Jesus mostrou no ensino (l, 22) aparece agora nos Seus feitos. Fá-lo só com o Seu querer, sem necessitar de múltiplas invocações e conjuros. As palavras e os actos de Jesus evidenciam algo de superior, um poder divino, que enche de admiração e de temor aqueles que O escutam e observam.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Esta primeira impressão manter-se-á até ao fim (Mc 2, 12; 5, 20. 42 ; 7, 37; 1 5, 39; Lc 1 9,48; Ioh 7, 46). Jesus de Nazaré é o Salvador esperado. Ele sabe-o e manifesta-o precisamente nos Seus actos e nas Suas palavras, que constituem uma unidade inseparável segundo os relatos evangélicos (Mc l, 38-39:2, 1 0-1 1 ; 4, 39). Como ensina o Vaticano II <em>(Dei Verbum, </em>n. 2), a Revelação faz-se com actos e palavras intimamente unidos entre si. As palavras esclarecem os actos; os factos confirmam as palavras. Deste modo Jesus vai revelando progressivamente o mistério da Sua Pessoa: primeiro as gentes captam a Sua autoridade excepcional, e os Apóstolos, iluminados pela graça de Deus, reconhecerão depois a raiz última dessa autoridade: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo»(Mt 16,16).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">11.01.12 – Mc 1, 29-39</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">29</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Saindo depois da sinagoga, foi para casa de Simão e André, com Tiago e João. <sup>30</sup>Ora a sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falam dela. <sup>31</sup>E Ele, aproximando-Se, pegou-lhe na mão e ergueu-a. A febre deixou-a, e ela pôs-se a servi-los.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">32</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Ao anoitecer, depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos, <sup>33</sup>e toda a cidade se apinhou diante da porta. Soltes <sup>34</sup>Ele curou muitos, atacados de várias enfermidades, e expulsou muitos Demônios; mas não deixava que os Demônios falassem, porque sabiam quem Ele era. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">35</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">De madrugada, muito antes de amanhecer, levantou-Se e saiu para um lugar solitário e ali orava. <sup>36</sup>Simáo e os que com ele estavam foram à procura d&#8217;Ele. <sup>37</sup>Quando O encontraram, disseram-Lhe: Andam todos a procurar-Te. <sup>38</sup>Diz-lhes Ele: Vamos a outro lugar, às vilas circunvizinhas, para também ali pregar, pois para isso é que saí. <sup>39</sup>E andava a pregar nas suas sinagogas, por toda a Galileia, e a expulsar os Demônios. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">34.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">    Os demônios possuem um saber sobre-humano, por, isso reconhecem Jesus como o Messias (Mc l, 24). Por meio dos endemoninhados, os demônios podiam dar a conhecer o caracter messiânico de Jesus. Mas o Senhor, com o Seu poder divino, manda-os guardar silêncio. Ordena a mesma coisa, noutras ocasiões, aos discípulos (Mc 8,30; 9,9), e aos doentes, depois da sua cura, ordena que não propaguem a notícia (Mc l ,44; 5,43; 7,36; 8,26).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Este proceder do Senhor <em>pode </em>explicar-se como pedagogia divina para ir ensinando que a idéia que do Messias tinham a maioria dos contemporâneos de Jesus era demasiado humana e politizada (cfr a nota a Mt 9, 30). Por isso quer primeiro despertar o interesse com os Seus milagres, e ir esclarecendo o sentido do Seu messianismo com as Suas palavras, para que os discípulos e todo o povo o possam compreender progressivamente.                                                      </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Também devemos pensar, com alguns Santos Padres, que Jesus não quer aceitar em favor da verdade o testemunho daquele que é o pai da mentira. E por isso, apesar de O reconhecerem, não os deixa dizer Quem é. Cfr a nota a Ioh 8,44.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">35.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">    São muitos os passos do Novo Testamento que referem a oração de Jesus. Os evangelistas assinalaram-no nos momentos mais importantes do ministério público do Senhor: Baptismo (Lc 3,21), escolha dos Apóstolos (Lc 6,12), primeira multiplicação dos pães (Mc 6,46), Transfiguração (Lc 9, 29), no horto do Getsémani antes da Paixão (Mt 26,39), etc. Marcos, por seu lado, refere a oração de Jesus em três momentos solenes: no começo do Seu ministério/público (l, 35), no meio <em>(6,</em>46), e no fim, no Getsémani (14,3,2).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">A oração de Jesus é oração de louvor perfeito ao Pai, é oração de petição por Si mesmo e por nós, e é, finalmente, modelo para os Seus discípulos. É louvor e acção de graças perfeita porque Ele é o Filho amado de Deus em Quem o Pai Se compraz plenamente (cfr Mc 1, 11). É oração de petição, pois pedir coisas a Deus é o primeiro movimento espontâneo da alma que reconhece Deus como Pai. A oração de Jesus, segundo vemos por numerosos passos evangélicos (p. ex. Ioh 17, 9 e ss.), era uma petição contínua ao Pai pela obra da Redenção, que Ele devia realizar por meio da dor e do sacrifício (cfr as notas a Mc 14, 32-42 e Mt 7, 7-11). O Senhor quer, além disso, ensinar-nos com o Seu exemplo qual deve ser a atitude do cristão: entabular habitualmente um diálogo filial com Deus, no meio e por ocasião das nossas actividades ordinárias — trabalho, vida familiar, relações sociais, apostolado —, com o fim de dar à nossa vida um significado e uma presença autenticamente cristãos, já que, como assinalará mais tarde Jesus, «sem Mim nada podeis fazer» (Ioh 15,5).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Escreveste-me: &#8216;Orar é falar com Deus. Mas de quê?&#8217; De quê?! D&#8217;Ele e de ti; alegrias, tristezas, êxitos e fracassos, ambições nobres, preocupações diárias&#8230;, fraquezas; e acções de graças e pedidos; e Amor e desagravo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Em duas palavras: conhecê-Lo e conhecer-te — ganhar intimidade!» <em>(Caminho, </em>n.° 91) (cfr as notas a Mt 6, 5-6; 7, 7-11 e 14, 22-23).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">38.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Jesus Cristo diz-nos aqui que a Sua missão é pregar, evangelizar. Para isto foi enviado (vid. também Lc 4, 43). Os Apóstolos, por sua vez, foram escolhidos por Jesus para os enviar a pregar (Mc 3, 14; 16, 15). A pregação é o meio escolhido por Deus para levar a cabo a salvação: « Aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação» (l Cor l, 21). Por isso o mesmo São Paulo diz a Timóteo: «Prega a palavra, insiste oportuna e inoportunamente, repreende censura e exorta com bondade e doutrina» (2 Tim 4,1-2). A fé vem-nos pelo ouvido, dirá em Rom 10, 17 e, citando o profeta Isaías, exclama com entusiasmo: «Que formosos são os pés dos que anunciam boas novas!» (Rom 10,15; Is 52,7).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">A Igreja põe em realce entre os ofícios principais de Bispos e de presbíteros o de pregar o Evangelho. São Pio X chegou a dizer que «o dever de pregar é o que mais grave e estritamente obriga o sacerdote» <em>(Acerbo nimis). </em>No mesmo sentido se pronunciou o Concilio Vaticano II: «O Povo de Deus é reunido antes de mais pela palavra de Deus vivo (cfr 1 Pet 1, 23; Act 6, 7; 12, 24), que é justíssimo esperar receber da boca dos sacerdotes (cfr Mal 2, 7; 1 Tim 4, 11-13; etc.). Com efeito, como ninguém se pode salvar se antes não tiver acreditado (cfr Mc 16,16), os presbíteros, como cooperadores dos Bispos, têm, como primeiro dever, anunciar a todos o Evangelho de Deus (cfr 2 Cor 11, 7), para que, realizando o mandato do Senhor: <em>Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a todas as criaturas </em>(Mc 16, 15), constituam e aumentem o Povo de Deus» <em>(Presbiterorum ordinis, </em>n. 4).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">A pregação de Jesus não consiste apenas em palavras. É uma doutrina acompanhada com a autoridade e eficácia de uns factos(Mc 1,27.39). Jesus faz e ensina (Act l, 1). Também a Igreja foi enviada a pregar a salvação, e a realizar a obra salvífica que proclama. Esta obra é posta em prática mediante os sacramentos e, especialmente, através da renovação do sacrifício do Calvário na Santa Missa <em>(Sacrosanctum Concilium, </em>n. 6).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Na Igreja de Deus, todos os fiéis têm de escutar devota­damente a pregação do Evangelho e todos têm de sentir, por sua vez, a responsabilidade de transmiti-lo com palavras e com factos. Por seu lado, à Hierarquia da Igreja corresponde ensinar autenticamente — com a autoridade de Cristo — a doutrina evangélica. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">12.01.12 – Mc 1, 40-45</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">40</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Vem ter com Ele um leproso que, suplicando e lançando-se de joelhos, Lhe diz: Se quiseres, podes limpar-me. <sup>41</sup>Ele, enternecido, estendeu a mão, e tocou-o e disse-lhe: Quero; se limpo! <sup>42</sup>E imediatamente desapa­receu a lepra, e ficou limpo. <sup>43</sup>Entáo Jesus, tomando um ar severo, mandou-o embora e disse-lhe: <sup>44</sup>Vê lá, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para que lhes sirva de testemunho. <sup>45</sup>Ele, porém, saindo, começou a apregoar altamente e a espalhar a notícia do facto, de tal sorte que Jesus já não podia entrar às claras em nenhuma cidade; mas ficava fora, em lugares desertos. E de toda a parte vinham ter com Ele.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">40-44. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Na lepra via-se um castigo de Deus (cfr Num 12, 10-15). O desaparecimento desta doença era considerado como uma das bênçãos da época messiânica (Is 35, 8; cfr Mt 11, 5; Lc 7, 22). Ao doente de lepra, pelo caracter contagioso desta doença, a Lei tinha-o declarado impuro e transmissor de impureza àquelas pessoas que tocava, ou àqueles lugares em que entrava. Por isso tinha de viver isolado (Num 5,2; 12, 14 ss.), e mostrar, por um conjunto de sinais externos, a sua condição de leproso. Relativamente ao rito da sua purifi­cação, cfr a nota a Mt 8,4.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O passo mostra-nos a oração, cheia de fé e de confiança, de um homem que necessita da ajuda de Jesus e pede-a seguro de que, se o Senhor o quer, tem poder para o livrar do mal de que padece (cfr a nota a Mt 8, 2). «Aquele homem ajoelha-se prostrando-se em terra — o que é sinal de humildade e de vergonha —, para que cada um se envergonhe das manchas da sua vida. Mas a vergonha não há-de impedir a confissão: o leproso mostrou a chaga e pediu o remédio. A sua confissão está cheia de piedade e de fé. Se queres, diz podes: isto é, reconheceu que o poder de curar-se estava nas mãos do Senhor» <em>(In Marci Evangelium expositio, ad loc.).</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Sobre esta discrição e prudência exigidas por Jesus acerca da Sua pessoa, cfr as notas a Mc l, 34 e a Mt 9, 30.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">13.01.12 – Mc 2, 1-12</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Dias depois, entrou outra vez em Cafarnaum.<sup>2</sup>Quando se soube que estava em casa, juntou-se tanta gente, que não cabia nem sequer nas adjacências diante da porta; e Ele expunha-lhes a Palavra. <sup>3</sup>Nisto chegam alguns que Lhe traziam um paralítico, trans­portado por quatro homens. <sup>4</sup>Como não pudessem pôr-Lho diante por causa da multidão, descobriram o tecto sobre o lugar onde estava e, praticando uma abertura, arrearam a enxerga em que o paralítico jazia. <sup>5</sup>Vendo Jesus a fé daqueles homens, diz ao paralítico: Filho, perdoados te são os teus pecados.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">6</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Estavam ali sentados alguns dos Escribas e pensavam de si para consigo: Como é que Este assim fala? Ele blasfema: Quem pode perdoar pecados senão só Deus? <sup>8</sup>E logo Jesus, conhecendo pelo Seu espírito que assim pensavam dentro de si, diz-lhes: Porque estais a pensar essas coisas no vosso íntimo? <sup>9</sup>Qual é mais fácil, dizer a este paralítico: «perdoados te são os teus pecados&#8217;», ou dizer: «levanta-te, toma a tua enxerga e anda?» <sup>10</sup>Ora, para que saibais que o Filho do homem tem poder de perdoar pecados sobre a Terra, <sup>11</sup>Eu te ordeno — diz ao paralítico — levanta-te, toma a tua enxerga e vai para tua casa. <sup>12</sup>E ele levantou-se e, sem mais, tomando a enxerga, saiu à vista de todos, de modo que todos ficaram pasmados e glorificavam a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa assim! </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">4.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Era muito freqüente que as casas judaicas tivessem o telhado em forma de terraço, ao qual se podia subir por uma escadinha situada na parte posterior. Hoje pode obser­var-se ainda a mesma estrutura.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">5.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Jesus põe em realce neste versículo a relação entre a fé e o perdão dos pecados. A audácia dos que levam o paralítico mostra a fé que tinham em Cristo. Movido por isso Jesus perdoa os pecados do doente. Consideremos o que vale a nossa fé diante de Deus, quando a dos outros é via para que um homem seja curado interior e exteriormente de modo instantâneo, e que pelo mérito de uns se remedeiam as necessidades de outros.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">São Jerónimo vê na paralisia corporal daquele homem um tipo ou figura da paralisia espiritual: o tolhido de Cafarnaum também não tinha forças, por si mesmo, para voltar a Deus. Jesus, Deus e Homem, curou-o de ambas as paralisias (cfr <em>Comm. in Marcum, ad loc.). </em>Cfr as notas a Mt 9, 2-7.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">As palavras dirigidas ao paralítico — «os teus pecados te são perdoados» — reflectem que no facto de lhe perdoar se dá um encontro pessoal com Cristo; o mesmo acontece no sacramento da Penitência: «A Igreja, pois, ao observar fielmente a plurissecular prática do sacramento da Penitência — a prática da confissão individual, unida ao acto pessoal de arrependimento e ao propósito de se corrigir e de satisfazer — defende o direito particular da alma humana. E o direito a um encontro mais pessoal do homem com Cristo crucificado que perdoa, com Cristo que diz, por meio do ministro do sacramento da Reconciliação: &#8216;São-te perdoados os teus pecados&#8217; (Mc 2,5); &#8216;Vai e doravante não tornes a pecar&#8217; (Ioh 8, 11). Como é evidente, isto é ao mesmo tempo o direito do próprio Cristo em relação a todos e a cada um dos homens por Ele remidos. É o direito de encontrar-se com cada um de nós naquele momento-chave da vida humana, que é o momento da conversão e do perdão» <em>(Redemptor hóminis, </em>n. 20). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">7-12. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">São vários os elementos que manifestam aqui a divindade de Jesus: perdoa os pecados, conhece por Si mesmo a intimidade do coração humano e tem poder para curar instantaneamente doenças corporais. Os escribas sabem que só Deus pode outorgar o perdão das culpas e por isso consideram infundada, e inclusivamente blasfema, a afirmação do Senhor. Necessitam de um sinal que mostre a verdade daquelas palavras. E Jesus oferece-lho: assim como ninguém discutirá a cura do paralítico, do mesmo modo ninguém poderá negar razoavelmente a libertação das suas culpas. Cristo, Deus e Homem, exerceu o poder de perdoar os pecados e, pela Sua infinita misericórdia, quis estendê-lo à Sua Igreja. Cf a nota a Mt 9,3-7.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">14.01.12 – Mc 2, 13-17</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">13</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Em seguida, saiu outra vez para a beira-mar; e todo o povo concorria para junto d&#8217;Ele, e Ele ensinava-os. <sup>14</sup>Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado ao telónio e disse-lhe:  Segue-Me. E Ele levantou-se e seguiu-O. <sup>I5</sup>E sucedeu que, estando à mesa em casa dele, também muitos publicanos e pecadores se puseram à mesma mesa com Jesus e Seus discípulos, porque eram muitos os que O seguiam. <sup>l6</sup>Os Escribas dos Fariseus, ao verem-No a comer com os pecadores e publicanos, diziam aos discípulos: Porque é que Ele come e bebe com os publicanos e pecadores? <sup>17</sup>Mas Jesus, que os ouvia, diz-lhes: Não precisam de médico os sãos, mas os doentes. Não vim chamar justos, mas pecadores. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">14. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">São Marcos e São Lucas <em>(5, </em>27-32) coincidem em chamar-lhe «Levi». O primeiro Evangelho, porém (Mt 9, 9-13), chama-lhe «Mateus». Trata-se de uma mesma pessoa, ainda que tenha nomes diferentes. Nos três relatos dão-se as mesmas circunstâncias. Mais adiante, São Marcos e São Lucas, ao darem a lista dos Apóstolos (Mc 3, 13-19; Lc 6, 12-16), incluem Mateus, não Levi. Os Santos Padres identifi­caram-nos. Além disso, era freqüente entre os Judeus terem dois nomes: Jacob-Israel; Simão-Pedro; Saulo-Paulo; José-Caifás; João-Marcos&#8230; Com freqüência, o nome e o sobrenome estavam relacionados com uma mudança significativa na vida e missão de tal pessoa. Terá havido também neste caso uma mudança originada pela irrupção salvadora de Jesus na vida do apóstolo? O Evangelho nada diz.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Levi-Mateus, pela sua condição de publicano (Mt 9,9-13), estava a cobrar os impostos no «telónio» — posto público para o pagamento de tributos —. Os publicanos eram cobradores ao serviço dos romanos. Por isso era um ofício odiado e desprezado pelo povo, ainda que, ao mesmo tempo, apetecido pela facilidade de enriquecimento. Quando Jesus chama Mateus, este deixa tudo. Obedece imediatamente à vocação de Jesus, que lhe dá a graça para responder ao Seu chamamento.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Jesus é o fundamento da confiança na nossa própria transformação, se colaborarmos com a Sua graça, por mais desprezível que tenha sido o nosso comportamento anterior. E é também o fundamento da confiança para o nosso apostolado em favor da conversão e santificação dos outros. Ele, que é o Filho de Deus, até das pedras é capaz de tirar filhos de Deus (cfr Mt 3, 9). Cfr a nota a Mt 9. 9.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">17.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> À pergunta que, em tom de censura, os escribas e os fariseus fazem aos discípulos, Jesus responde com um provérbio já conhecido: «Não têm necessidade de médico os sãos, mas os doentes». Ele é o médico das almas e veio para curar os pecadores das doenças espirituais de que padecem. O Senhor chama a todos, a Sua missão redentora é universal; noutras ocasiões afirma-o utilizando parábolas como a do banquete de núpcias (Mt 22, 1-14; Lc 14, 16-24). Como explicar então essa restrição que parece pôr aqui o Senhor, ao dizer que não veio para chamar os justos? Não se trata na realidade de uma restrição. Jesus aproveita a ocasião para censurar aos escribas e fariseus a sua atitude orgulhosa: consideravam-se justos e a sua complacência nesta aparente virtude afastava-os do chamamento à con­versão, pensando que se salvariam por si mesmos (cfr Ioh <em>9, </em>41). Assim se pode explicar este provérbio pronunciado por Jesus, que, por outro lado, deixou claro na Sua pregação que «ninguém é bom senão um, Deus» (Mc 10,18), e que todos os homens têm de recorrer à misericórdia e ao perdão de Deus para se salvarem. Porque, em última análise, não há dois blocos na humanidade: um de justos e outro de pecadores. Todos somos pecadores, como atesta São Paulo: «Todos pecaram e carecem da glória de Deus» (Rom 3, 23). Preci­samente por isto. Cristo veio para nos chamar a todos, e àquele que responde ao Seu chamamento, fá-lo justo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">As palavras do Senhor devem mover-nos também a rezar com humildade e confiança por aquelas pessoas que parece que querem continuar a viver no pecado. Como suplicava Santa Teresa: «Oh, que dura coisa Vos peço, verdadeiro Deus meu: que ameis a quem não vos ama, que abrais a quem não Vos chama, que deis saúde a quem gosta de estar doente <em>e </em>anda a procurar a doença! Vós dizeis, Senhor meu, que vindes buscar os pecadores. Estes, Senhor, são os verda­deiros pecadores. Não olheis a nossa cegueira, meu Deus. mas o muito sangue que derramou o Vosso Filho por nós; resplandeça a Vossa misericórdia em tão crescida maldade; olhai, Senhor, que somos feitura Vossa» <em>(Exclamações, </em>n.° 8). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Por outro lado, os Santos Padres costumam entender esse chamamento de Jesus aos pecadores como um convite ao arrependimento e à penitência. Assim, São João Crisóstomo <em>(Hom. sobre S. Mateus, </em>30,3) explica a frase, pondo na boca de Jesus estas palavras: «Não vim para que continuem a se,r pecadores, mas para que se convertam e cheguem a ser melhores».</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">15.01.12 – Jo 1, 35-42</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">35</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">No dia seguinte, novamente se encontrava ali João com dois dos seus discípulos. <sup>36</sup>Fitando o olhar em Jesus, que passava, põe-se a dizer: Aí está o Cordeiro de Deus. <sup>37</sup>Ora os dois discípulos ouviram-no dizer isto e seguiram a Jesus. <sup>38</sup>Voltando-Se Jesus e vendo que eles O seguiam, disse-lhes: Que procurais? Eles responderam: Rabi — que quer dizer Mestre — onde ficas? <sup>39</sup>Vinde ver — respondeu-lhes. Foram, pois, ver onde ficava e permaneceram nesse dia junto d&#8217;Ele. Era por volta da hora décima.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">40</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido a João e seguido a Jesus. <sup>41</sup>Encontra ele primeiro a Simão, seu irmão, e diz-lhe: Encontramos o <em>Messias</em>— que quer dizer <em>Ungido. </em><sup>42</sup>E levou-o a Jesus. Fitando nele o olhar, disse Jesus: Tu és Simão, filho de João; hás-de chamar-te Kefá — que quer dizer Pedro.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">35-39.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Depois das palavras do Baptista, estes dois discí­pulos, movidos interiormente pela graça, aproximaram-se do Senhor. O testemunho de João é um exemplo das graças especiais que Deus outorga para atrair os Seus. Às vezes dirige um chamamento directo e pessoal que move inte­riormente as almas e as convida ao Seu seguimento; outras vezes, como neste caso, quer servir-Se de alguém que está ao nosso lado, que nos conhece e nos situa perante Cristo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Nos dois discípulos existia já o desejo de ver o Messias; as palavras de João movem-nos a buscar a amizade com o Senhor: não é o interesse meramente humano, mas a perso­nalidade de Cristo que os atrai. Querem conhecê-Lo, ter intimidade com Ele, ser doutrinados por Ele e <em>gozar </em>da Sua companhia. «Vinde e vereis» (l ,39; cfr 11,34): doce convite a iniciar a familiaridade amistosa que buscavam. Necessi­tariam de tempo e de convívio pessoal com Cristo para se assegurarem mais na sua vocação. O apóstolo.São João, um dos protagonistas desta cena, registra o momento em que teve lugar tal episódio: «Era por volta da hora décima», as quatro da tarde aproximadamente.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">A fé cristã não se reduz a uma mera curiosidade intelec­tual, mas é toda uma vida que não compreenderá quem realmente não a viva; por isso o Senhor não lhes explica de momento qual <em>c o </em>Seu modo de vida. mas convida-os a que convivam com Ele um dia. São Tomás de Aquino comenta este passo dizendo que o Senhor fala de um modo elevado e místico, porque o que Deus é na Sua glória ou na Sua graça não se pode saber senão por experiência, pois as palavras não conseguem explicá-lo. A esse conhecimento chega-se pelas boas obras (ao convite de Cristo obedeceram imediata­mente, e, como prêmio, «viram»), pelo recolhimento e apli­cação da mente à contemplação das coisas divinas, pelo querer saborear a doçura de Deus, pela assiduidade na oração. A tudo isto convidou o Senhor quando disse «vinde e vereis», e tudo isso puderam alcançá-lo os discípulos quando, prestando atenção ao Senhor, efectivamente «foram» e puderam conhecer por experiência pessoal o que só com as palavras não teriam podido entender (cfr <em>Comentário sobre S. João, ad loc.).</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">40-41.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> O Evangelista indica-nos agora o nome de um dos dois discípulos que tinham protagonizado a cena an­terior; voltará a falar de André a propósito da multiplicação dos pães (cfr 6,8) e da última Páscoa (cfr 12,22).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Não se sabe com certeza quem era o segundo dos discí­pulos; mas já desde os primeiros séculos da era cristã se considera que é o próprio Evangelista. A vivacidade do relato, o pormenor de indicar a hora em que sucediam estes factos, e inclusivamente a tendência de João para ficar no anonimato (cfr 19,16; 20,2; 21,7.20), parecem confirmá-lo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«O Apóstolo João, que verte no seu Evangelho a expe­riência de uma vida inteira, narra a primeira conversa com o encanto daquilo que nunca mais se pode esquecer: <em>Mestre, onde moras? Disse-lhes Jesus: Vinde e vede. Foram, pois, e viram onde morava e ficaram com Ele aquele dia.</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Diálogo divino e humano, que transformou a vida de João e de André, de Pedro, de Tiago e de tantos outros; que preparou os seus corações para escutarem a palavra impe­riosa que Jesus lhes dirigiu junto ao mar da Galielia» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 118).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Aquelas horas que tinham passado junto do Senhor produzem depressa os primeiros frutos de apostolado. André, sem poder ocultar a sua alegria, comunica a Simão Pedro a notícia de ter encontrado o Messias e leva-o até Ele. Como então, também agora é urgente fazer que outros conheçam o Senhor.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Um dia — não quero generalizar, abre o teu coração ao Senhor e conta-Lhe tu a tua história — talvez um amigo, um cristão normal e corrente como tu, te tenha feito descobrir um panorama profundo e novo e ao mesmo tempo tão antigo como o Evangelho. Sugeriu-te a possibilidade de te empenhares seriamente em seguir Cristo, em ser apóstolo de apóstolos. Talvez tenhas perdido então a tranqüilidade e não a terás recuperado, convertida em paz, até que, livre­mente, porque &#8216;muito bem te apeteceu&#8217; — que é a razão mais sobrenatural — respondeste a Deus que sim. E veio a alegria, vigorosa, constante, que só desaparece quando te afastas d&#8217;Ele» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 1).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">42.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Como gostaríamos de contemplar o olhar de Jesus! Aqui, pelas palavras que pronuncia o Senhor, aparece como imperioso e fascinante. Noutras circunstâncias, com o Seu olhar convidará a deixar tudo e a segui-Lo, como no caso de Mateus (Mt 9,9); ou encher-Se-á de amor, como no encontro com o jovem rico (Mc 10,21); ou de ira e de tristeza, vendo a incredulidade dos fariseus (Mc 2,5); de compaixão, diante do filho da viúva de Naim (Lc 7,13); saberá remover o coração de Zaqueu, produzindo a sua conversão (Lc 19,5); enternecer-Se-á diante da fé e da grandeza de ânimo da pobre viúva que deu como esmola tudo o que possuía (Mc 12,41-44). O Seu olhar penetrante punha a descoberto a alma diante de Deus, e suscitava ao mesmo tempo o exame e a contrição. Assim olhou Jesus para a mulher adúltera (Ioh 8,10), e assim olhou para o próprio Pedro que, depois da sua traição (Lc 22,61), chorou amargamente (Mc 14,72).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Hás-de chamar-te Kefá»: Pôr o nome equivalia a tomar posse do nomeado (cfr Gen 17,5; 22,28; 32,28; Is 62,2). Assim, p. ex., Adão. constituído dono da criação, pôs nome a todas as coisas (Gen 2,20). «Kefá» é transcrição grega de uma palavra aramaica que quer dizer pedra, rocha. Daqui que, escrevendo em grego, São João tenha explicado o significado do termo empregado por Jesus. Kefá não era nome próprio, mas o Senhor impõe-no ao Apóstolo para indicar a função de Vigário Seu, que lhe será revelada mais adiante (Mt 16,16-18): Simão estava destinado a ser pedra, a rocha da Igreja.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Os primeiros cristãos consideravam tão significativo este novo nome que o empregaram sem o traduzir (cfr Gal 2,9.11.14); depois tornou-se corrente a sua tradução — Pedro —, que ocultou o antigo nome do Apóstolo — Simão —.«Filho de João»: A antiga documentação manuscrita oferece variantes, como «filho de Jonas», etc.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">16.01.12 – Mc 2, 18-22</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">18</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Um dia em que os discípulos de João e os dos Fariseus jejuavam, vêm e dizem-Lhe: Porque é que os discípulos de João e os discípulos dos Fariseus jejuam e os Teus discípulos não jejuam? <sup>19</sup>Disse-lhes Jesus: Porventura podem os convidados das bodas jejuar enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo não podem jejuar. <sup>20</sup>Dias virão em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão naquele dia.<sup>2I</sup>Nin­guém cose um remendo de pano não pisoado num vestido velho, senão o conserto novo puxa pelo velho, e o rasgão torna-se ainda maior. <sup>22</sup>Como também ninguém deita vinho novo em odres velhos; aliás o vinho arre­bentará os odres, e perde-se o vinho e os odres. Para vinho novo, odres novos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">18-22. <span style="font-weight: normal;">A</span><span style="font-weight: normal;"> resposta de Cristo declara, a propósito de/um caso particular, as relações entre o Antigo e o Novo Testa­mento. No Antigo o Esposo ainda não tinha chegado, no Novo está presente em Cristo. Com Ele começam os tempos mes­siânicos, uma época nova e diferente da anterior. O jejum dos judeus, portanto, deve ser entendido, dentro do conjunto das suas observâncias religiosas, como preparação de todo o povo para a vinda do Messias. Cristo mostra a diferença entre o espírito que Ele traz e o do judaísmo daquela época. Este espírito novo não será uma peça acrescentada ao velho, mas um princípio vivificante dos ensinamentos perenes da antiga Revelação. A novidade do Evangelho, tal como o vinho novo, não cabe nos moldes da Lei antiga.</span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Mas este passo diz algo mais: para receber a nova doutrina de Cristo é preciso que os homens se renovem por dentro e, por conseguinte, se desprendam das rotinas de uma vida anquilosada. Cfr a nota a Mt 9,14-17.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">19-20. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Jesus Cristo designa-Se no v. 19 como o Esposo (cfr também Lc 12, 35-36; Mt 25,1-13; Ioh 3,29), cumprindo assim o que tinham dito os profetas relativamente às relações</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Deus com o Seu povo (cfr Os 2, 18-22; Is 54, 5 ss.). Os Apóstolos são os companheiros do Esposo nas núpcias, convidados a participar com Ele no banquete nupcial, na alegria do Reino dos Céus (cfr Mt 22,1-14).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">No v. 20 Jesus Cristo anuncia que o Esposo lhes será arrebatado: é a primeira alusão que faz Jesus à Sua Paixão e Morte (cfr Mc 8, 31; Ioh 2,19; 3,14). A visão de alegria e dor, que encontramos nestes dois versículos, ajuda-nos a com­preender também a condição humana enquanto caminhamos na terra.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">17.01.12 – Mc 2, 23-28</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">23</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Sucedeu também que, atravessando Ele por meio de umas searas em dia de o sábado, os discípulos começaram a colher espigas enquanto caminhavam. <sup>24</sup>E os Fariseus diziam-Lhe: Olha! Como é que eles fazem ao sábado o que não é lícito? <sup>25</sup>Diz-lhes Ele: Nunca lestes o que fez David, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os que estavam com ele? <sup>26</sup>Como entrou na casa de Deus, no tempo do Sumo Sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, que só os sacerdotes podem comer, e deu também aos que estavam com ele? <sup>27</sup>E acrescentou: O sábado fez-se para o homem e não o, homem para o sábado. <sup>28</sup>Por isso o Filho do homem é também senhor do sábado.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">24.   </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Cfr a nota a Mt 12,2.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">26-27. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Os pães da proposição eram doze pães que se colocavam todas as semanas na mesa do santuário, como homenagem das doze tribos de Israel ao Senhor (cfr Lev 24, 5-9). Os pães substituídos ficavam reservados para os sacer­dotes que serviam no culto.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O comportamento de Abiatar antecipou a doutrina que Cristo ensina neste passo. Já no Antigo Testamento Deus tinha estabelecido uma ordem nos preceitos da Lei, de modo que os de menor categoria cedem diante dos principais.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">À luz disto explica-se que um preceito cerimonial (como o que comentamos) cedesse diante de um preceito da lei natural. Igualmente o preceito do sábado não está por cima das necessidades elementares da subsistência. O Concilio Vaticano II inspira-se neste passo para sublinhar o valor da pessoa por cima do desenvolvimento econômico e social: «A ordem social e o seu progresso devem, pois, reverter sempre em bem das pessoas, já que a ordem das coisas deve estar subordinada à ordem das pessoas e não ao contrário; foi o próprio Senhor quem o insinuou ao dizer que o sábado fora feito para o homem, não o homem para o sábado. Essa ordem, fundada na verdade, construída sobre a justiça e vivificada pelo amor, deve ser cada vez mais desenvolvida» <em>(Gaudium et spes, </em>n. 26).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Finalmente, neste passo Cristo ensina qual era o sentido da instituição divina do sábado: Deus tinha-o instituído para bem do homem, para que pudesse descansar e dedicar-se com paz e alegria ao culto divino. A interpretação dos fariseus tinha convertido este dia em ocasião de angústia e de preocupação por causa da multiplicidade de prescrições e de proibições.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Ao proclamar-Se «senhor do sábado», Jesus afirma a Sua divindade e o Seu poder universal. Por esta razão, pode esta­belecer outras leis. tal como Yahwéh no Antigo Testamento.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">28.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> O sábado tinha sido feito não só para que o homem descansasse, mas para que desse glória a Deus: este é o autêntico sentido da expressão «o sábado foi feito para o homem». Jesus bem pode chamar-se senhor do sábado, porque é Deus. Cristo restitui ao descanso semanal toda a sua força religiosa: não se trata do mero cumprimento de uns preceitos legais, nem de preocupar-se apenas dum bem-estar material: o sábado pertence a Deus e é um modo, adaptado à natureza humana, de dar glória e honra ao Todo-poderoso. A Igreja, desde o tempo dos Apóstolos, transferiu a obser­vância deste preceito para o dia seguinte, domingo — dia do Senhor —, para celebrar a Ressurreição de Cristo (Act 20, 7). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Filho do Homem»: A origem do significado messiânico da expressão «Filho do Homem» aparece sobretudo na profecia de Daniel 7, 13 ss., que contempla em visão profética que sobre as nuvens do céu desce um «como Filho de Homem», que avança até ao tribunal de Deus e recebe o senhorio, a glória e o império sobre todos os povos e nações. Esta expressão foi preferida por Jesus (69 vezes aparece nos Evangelhos Sinópticos) a outras denominações messiânicas, como Filho de David, Messias, etc., para evitar, ao mesmo tempo, a carga nacionalista que os outros títulos tinham então na mente dos Judeus (cfr <em>Introdução ao Evangelho segundo São Marcos, </em>p. 459).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">18.01.12 – Mc 3, 1-6</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Entrou outra vez na sinagoga. Achava-se lá um homem que tinha uma das mãos ressequida. <sup>2</sup>E eles estavam-No observando, para ver se o curava ao sábado, com intento de O acusarem. <sup>3</sup>Então diz ao homem que tinha a mão seca: Levanta-te e vem para o meio. <sup>4</sup>Depois pergunta-lhes: É lícito, em dia de sábado, fazer bem, ou fazer mal? Salvar uma vida, ou tirá-la? Mas eles cala­ram-se. <sup>5</sup>E Jesus, lançando sobre eles um olhar de indignação, contristado por ver aqueles corações tão calejados, diz ao homem: Estende a mão. Ele estendeu-a, e a mão ficou curada. <sup>6</sup>Os Fariseus, porém, saindo dali, reuniram imediatamente conselho com os Herodianos contra Ele, para O matarem.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">5.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Os evangelistas falam-nos várias vezes do olhar de Jesus (p. ex. ao jovem rico: Mc 10,21; a São Pedro: Lc22, 61; etc.). Esta é a única vez em que se alude à indignação no olhar de Nosso Senhor, provocada pela hipocrisia que foi indicada no v. 2.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">6.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Os fariseus eram os dirigentes espirituais do judaísmo e os herodianos os partidários do regime de Herodes, com o qual tinham prosperado política e economicamente. Opunham-se uns aos outros e não conviviam, mas juntos vão fazer <em>&#8216;<sub>s </sub></em>causa comum contra Jesus. Os fariseus tentam fazê-Lo desa­parecer porque O consideram como um perigoso inovador. A ocasião mais imediata pôde ser que tinha perdoado os pecados (Mc 2, 1 ss.) e interpretado com toda a autoridade o preceito do sábado (Mc 3, 2); querem também acabar com Jesus porque consideram que Ele, com o Seu proceder, os desprestigiou ao curar o homem que tinha a mão seca. Os herodianos, por seu lado, desprezavam o tom sobrenatural <em>e </em>escatológico da mensagem de Cristo, já que eles esperavam um Messias meramente político e temporal.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">19.01.12 – Mc 3, 7-12</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">7</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">E Jesus com Seus discípulos retirou-Se para o mar, seguido por uma grande multidão da Galileia; e outra grande multidão da Judeia, <sup>8</sup>de Jerusalém, da Idumeia, de além-Jordão e das comarcas de Tiro e de Sidónia, ouvindo as grandes coisas que fazia, veio ter com Ele, <sup>9</sup>tanto que disse aos discípulos que Lhe tivessem pronta uma barca, para que o tropel da gente O não oprimisse; <sup>10</sup>pois, tendo curado muitos, todos os que tinham doenças se precipitavam para Ele, para Lhe tocarem; <sup>11</sup>e os espíritos imundos, quando O viam, caíam-Lhe aos pés, gritando: Tu és o Filho de Deus. <sup>12</sup>Mas Ele intimava-lhes com energia que O não dessem a conhecer. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">10.    </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Durante a vida pública do Senhor repetidamente as multidões aglomeravam-se junto d&#8217;Ele para serem curadas (cfr Lc 6, 19; 8, 45; etc,). Como em muitas curas, São Marcos recolhe graficamente o que Jesus realizava sobre os doentes (cfr Mc l, 31.41; 7,31-37; 8,22-26; Ioh 9,1-7.11.15). O Senhor, ao fazer estas curas, mostra que é Deus e homem ao mesmo tempo: cura em virtude do Seu poder divino, servindo-Se da Sua natureza humana. Com efeito, só no Verbo de Deus feito carne se realizou a obra da nossa Redenção, e o instrumento da nossa salvação foi a Humanidade de Jesus — corpo e alma — na unidade da pessoa do Verbo (cfr <em>Sacrosanctum Concilium, </em>n. 5).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Este aglomerar-se das gentes reitera-se em todos os cristãos de qualquer época, porque a Humanidade Santíssima do Senhor é o único caminho para a nossa salvação e o meio insubstituível para nos unir com Deus. Assim, pois, hoje nós podemos aproximar-nos do Senhor por meio dos sacra­mentos, de modo singular e eminente pela Eucaristia. Pelos sacramentos flui também para nós, desde Deus e através da Humanidade do Verbo, uma virtude que cura aqueles que os recebem com fé (cfr <em>Suma Teológica, </em>III, q. 62, a. 5). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">20.01.12 – Mc 3, 13-19</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">13</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Subiu depois ao monte e chamou a Si os que EÍe quis, e eles foram-se para junto d Ele. <sup>14</sup>E designou doze para andarem com Ele e para os mandar a pregar, <sup>15</sup>com poder de expulsarem os Demônios. <sup>16</sup>Designou, pois, os doze: Simão, a quem impôs o nome de Pedro; <sup>17</sup>Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, isto é, «filhos do trovão»;<sup>18</sup>André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tome, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Cananeu, <sup>I9</sup>e Judas Iscariotes, que foi o que O entregou.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">13. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Chamou a Si os que Ele quis»: Deus quer ensinar-nos que a vocação é uma iniciativa divina. Isto <em>é </em>particularmente aplicável à vocação dos Apóstolos. Por isso pôde Jesus dizer-lhes mais tarde: «Não fostes vós que Me escolhestes a Mim, mas Eu que vos escolhi a vós» (Ioh 15, 16). Aqueles que iam ter poder e autoridade dentro da Igreja, não obteriam esses poderes em virtude de um oferecimento pessoal, aceite depois por Jesus, mas ao contrário. «Pois não por própria iniciativa e preparação, mas pela graça divina, seriam chamados ao apostolado» <em>(In Marci Evangelium expositio, ad loc.).</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">14-19. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Os Doze são escolhidos por Jesus (cfr 3, 14), recebendo uma vocação específica para serem «enviados», que é o que significa a palavra «apóstolos». Jesus escolhe-os para a missão posterior (6, 6-13), e para isso lhes outorgará parte do Seu poder. O facto de Jesus escolher precisamente doze tem um profundo significado. O seu número corresponde ao dos doze Patriarcas de Israel, e os Apóstolos representam o novo Povo de Deus, a Igreja, fundada por Cristo. Jesus quis assim pôr em relevo a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento. Eles são as colunas sobre as quais Cristo edifica a Igreja (cfr Gal 2,9). A sua missão consistirá em fazer discípulos do Senhor (ensinar) todos os povos, santificar e governar os crentes (Mt 28, 16-20; Mc 16, 15; Lc 24, 45-48; Ioh 20, 21-23). A própria designação dos Doze mostra que formam um grupo determinado e completo; por isso, depois da morte de Judas, o traidor, é escolhido Matias para completar este número (Act l, 15-26).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">14.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> O Concilio Vaticano II vê neste texto a instituição do Colégio Apostólico: «O Senhor Jesus, depois de ter orado ao Pai, chamando a Si os que Ele quis, elegeu doze para estarem com Ele e para os enviar a pregar o Reino de Deus (cfr Mc 3, 13-19; Mt 10, 1-42); e a estes Apóstolos (cfr Lc 6, 13) constituiu-os em colégio ou grupo estável e deu-lhes como chefe a Pedro, escolhido de entre eles (cfr Ioh 21, 15-17) (&#8230;). Esta missão divina confiada por Cristo aos Apóstolos durará até ao fim dos tempos (cfr Mt 28, 20), uma vez que o Evangelho que eles devem anunciar é em todo o tempo o princípio de toda a vida na Igreja. Pelo que os Apóstolos trataram de estabelecer sucessores, nesta sociedade hierar­quicamente constituída» <em>(Lumen gentium, </em>nn. 19-20). Portanto, o Papa e os Bispos, que sucedem ao Colégio dos Doze, são também chamados pelo Senhor para estarem sempre com Jesus e pregar o Evangelho, secundados pelos presbíteros.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Insiste-se, por outro lado, em que a vida de união com Cristo e o zelo apostólico devem estar estreitamente vincu­lados; isto é, a eficácia no apostolado depende sempre da união com o Senhor, da oração contínua, e da vida sacra­mentai: «O zelo é uma loucura divina de apóstolo, que te desejo, e que tem estes sintomas: fome de intimidade com o Mestre; preocupação constante pelas almas; perseverança, que nada faz desfalecer» <em>(Caminho, </em>n.° 934).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">16.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> A</span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> frase «designou os doze», semelhante a «designou doze» do v. 14, está atestada por muitos manuscritos, apesar de que não a recolhe a <em>Neo-vulgata. </em>A insistência na mesma expressão e o artigo «os doze» manifestam a importância da instituição do Colégio Apostólico.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">21.01.12 – Mc 3, 20-21</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">20</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Votou depois para casa. E de novo acorreu tanta gente, que nem sequer podiam comer um bocado de pão. <sup>21</sup>Ao saberem isto, os Seus saíram a ter mão n&#8217;Ele, pois se dizia: Está fora de Si.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">20-21. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Alguns dos Seus parentes, deixando-se levar por pensamentos meramente humanos, interpretaram a absor­vente dedicação de Jesus ao apostolado como um exagero, explicável — na sua opinião — apenas por uma perda de juízo. Ao ler estas palavras do Evangelho, não podemos pelo menos deixar de nos sentir afectados pensando naquilo a que Se submeteu Jesus por nosso amor: a que dissessem que tinha «perdido o juízo». Muitos santos, a exemplo de Cristo, passarão também por loucos, mas serão loucos de Amor, loucos de Amor a Jesus Cristo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">22.01.12 – Mc 1, 14-20</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">14</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Depois que João foi entregue, veio Jesus para a Galileia a pregar o Evangelho de Deus, <sup>15</sup>dizendo: Terminou o prazo e está próximo o Reino de Deus. Fazei penitência e crede no Evangelho. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">16</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Passàndo junto ao mar da Galileia, viu Simão e André, irmão de Simão, que lan­çavam as redes ao mar, pois eram pesca­dores, e disse-lhes Jesus:<sup>17</sup>Vinde após Mim, e farei que venhais a ser pescadores de homens. <sup>I8</sup>E imediatamente, deixadas as redes, seguiram-No. <sup>19</sup>Prosseguindo um pouco, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam também na barca a consertar as redes, e chamou-os logo. <sup>20</sup>Eles, deixando na barca seu pai Zebedeu com os mercenários, foram após Ele.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">14-15. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Evangelho de Deus»: Esta expressão encon­tramo-la em São Paulo (Rom 1, 1; 2 Cor. 11,7; etc.) como equivalente à de «Evangelho de Jesus Cristo» (Phil 1, 1; 2 Thes 1,8; etc.), insinuando-se deste modo a divindade de Jesus Cristo. A chegada iminente do Reino exige uma conversão autêntica do homem a Deus (Mt 4,17; 10,7; Mc 6, 12; etc.). Já os Profetas tinham falado da necessidade de converter-se e de abandonar os maus caminhos que seguia Israel, longe de Deus (ler 3,22; Is 30,15; Os 14^2; etc.). Tanto João Baptista como Cristo e os Seus Apóstolos insistem em que é preciso converter-se, mudar de atitude e de vida como condição prévia para receber o Reino de Deus. Recentemente o Papa João Paulo II realça a importância da conversão perante o Reino de Deus, expressão clara da Sua miseri­córdia: «Portanto, a Igreja professa e proclama a conversão. A conversão a Deus consiste sempre em <em>descobrir a Sua misericórdia, </em>isto é, esse amor que é paciente e benigno (cfr l Cor 13,4) à medida do Criador e Pai: o amor, a que &#8216;Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo&#8217; (2 Cor l, 3) é fiel até às últimas conseqüências na história da aliança com o homem: até à cruz, até à morte e à ressurreição de Seu Filho. A conversão a Deus é sempre fruto do &#8216;reencontro&#8217; deste Pai, rico em misericórdia.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«O autêntico conhecimento de Deus, Deus da misericórdia e do amor benigno, é uma fonte constante e inexaurível de conversão, não somente como momentâneo acto interior, mas também como disposição permanente, como estado de espírito. Aqueles que assim chegam ao conhecimento de Deus, aqueles que assim O &#8216;vêem&#8217;, não podem viver de outro modo que não seja convertendo-se a Ele continuamente. Passam a viver <em>in statu conversionis, </em>em estado de conver­são; e é este estado que constitui a característica mais profunda da peregrinação de todo o homem sobre a terra <em>in statu viatoris, </em>em estado de peregrino» <em>(Dives in misericórdia, </em>n. 13).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">16-20.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> O Evangelista narra nestes versículos o chama­mento de Jesus a alguns dos que formariam parte do Colégio Apostólico (3, 16 ss.). O Messias, desde o começo do Seu ministério público na Galileia, busca colaboradores para levar a cabo a Sua missão de Salvador e Redentor. E busca-os habituados ao trabalho, acostumados ao esforço e à luta constantes, simples de costumes. A desproporção humana é patente, mas isso não constitui um obstáculo para que a entrega seja generosa e livre. A luz acesa nos seus corações foi suficiente para abandonar tudo. O simples convite ao seguimento bastou para se porem incondicionalmente à disposi­ção do Mestre.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">E Jesus quem escolhe; meteu-Se na vida dos Apóstolos, como Se mete na nossa, sem pedir autorização: Ele é o nosso Senhor. Cfr a nota a Mt 4,18-22.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">23.01.12 – Mc 3, 22-30</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">22</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Mas os Escribas, descidos de Jerusalém, diziam: Está possesso de Belzebu, e é em virtude do príncipe dos Demônios que os expulsa. <sup>23</sup>Chamou-os Ele e disse-lhes, em parábolas: Como pode Satanás expulsar a Satanás? <sup>24</sup>Se um reino se divide contra si mesmo, não pode um tal reino sustentar-se. <sup>25</sup>E, se uma casa se divide contra si mesma, não poderá esta casa sustentar-se. <sup>26</sup>Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e se dividiu, não pode sustentar-se, mas está no fim. <sup>27</sup>O facto é que ninguém pode entrar em casa dum valente e saquear-lhe as alfaias, sem primeiro o prender; só então lhe saqueará a casa.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">28</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Em verdade vos digo que aos filhos dos homens serão perdoados todos os pecados e todas as blasfêmias que proferirem; <sup>29</sup>mas quem blasfemar contra o Espírito Santo jamais alcançará perdão: será réu de delito eterno, <sup>30</sup>porque diziam: — Está possesso de um espírito imundo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">22-23. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Até os milagres de Jesus foram mal entendidos por aqueles escribas que O acusam de ser instrumento do príncipe dos demônios: Beelzebu. Este nome pode rela­cionar-se com Beelzebub, assim o escrevem alguns códices,  nome de um deus da cidade filisteia do Eqroii (Accaron), que significa «deus das moscas». Embora seja mais provável que o príncipe dos demônios se denomine Beelzebu, porque este termo significa «deus do estéreo», e estéreo chamavam os Judeus aos sacrifícios pagãos. Beelzebub ou Beelzebu, era aquele a quem se dirigiam, em última análise, esses sacri­fícios: o demônio (l Cor 10, 20). É o mesmo personagem misterioso, mas real, que Jesus chama Satanás, que significa o adversário, e a que Cristo veio arrancar o domínio que tinha sobre o mundo (l Cor 15, 24-28; Col 1, 13 s.), numa luta incessante (Mt 4, 1-10; Ioh 16, 11). Estes nomes mostram a realidade do demônio, como um ser pessoal, que tem ao seu serviço outros muitos da sua natureza (Mc 5,9).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">24-27. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O Senhor convida agora os fariseus, obcecados e endurecidos, a fazer uma consideração simples: se alguém expulsa o demônio, isto quer dizer que é mais forte do que ele. É uma exortação mais a reconhecer em Jesus o Deus «forte», o Deus que com o Seu poder liberta o homem da escravidão do demônio. Terminou o domínio de Satanás: o príncipe deste mundo está a ponto de ser expulso. A vitória de Jesus sobre o poder das trevas, que culmina na Sua Morte e Ressur­reição, demonstra que a luz está já no mundo. Disse-o o próprio Senhor: «Agora é o julgamento deste mundo. Agora é que o Príncipe deste mundo vai ser lançado fora» (Ioh 12,31-32).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">28-30.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">   Jesus acaba de realizar um milagre, mas os escribas não o reconhecem «porque eles diziam: Tem una espírito imundo» (v. 30). Não querem admitir que Deus é o j autor do milagre. Nessa atitude consiste precisamente a &#8216; gravidade especial da blasfêmia contra o Espírito Santo: atribuir ao príncipe do mal, a Satanás, as obras de bondade ; realizadas pelo próprio Deus. Quem actuasse assim viria a ser como um doente que, no cúmulo da sua desconfiança, repelisse o médico como um inimigo, e rejeitasse como um veneno o remédio que o poderia salvar. Por isso diz Nosso i Senhor que o que blasfema contra o Espírito Santo não terá perdão: não porque Deus não possa perdoar todos os pecados, mas porque esse homem, na sua obcecação perante Deus, rejeita Jesus Cristo, a Sua doutrina e os Seus milagres, e despreza as graças do Espírito Santo como se fossem enganos para o perder (cfr <em>Catecismo Romano, </em>II, 5,  19; <em>Suma Teológica, </em>II-II q. 14, a. 3). Veja-se a nota a Mt 12, 31-32.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">24.01.12 – Mc 3, 31-35</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">31</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Nisto chegaram Sua Mãe e Seus irmãos e, ficando fora, mandaram-No chamar. &#8220;Ora estava muita gente sentada à volta d&#8217;Ele, quando Lhe disseram: Olha, Tua Mãe, Teus irmãos e Tuas irmãs estão ali fora a pro­curar-Te. <sup>33</sup>Mas Ele respondeu: Quem é Minha mãe e Meus irmãos?<sup>34</sup> E, percorrendo com o olhar todos o que estavam à volta d&#8217;Ele, disse: <sup>35</sup>Quem faz a vontade de Deus, esse é Meu irmão, e irmã, e mãe.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">31-35. <span style="font-weight: normal;">A</span><span style="font-weight: normal;"> palavra «irmãos» era em aramaico, a língua falada por Jesus, uma expressão genérica para indicar um parentesco: irmãos também se chamavam os sobrinhos, os primos direitos e os parentes em geral. (Para mais explica­ções cfr a nota a Mc 6, 1-3). «Jesus não disse estas palavras para renegar Sua mãe, mas para mostrar que não só é digna de honra por ter gerado Cristo, mas também pelo cortejo de todas as virtudes» <em>(Enarratio in Evangelium Marci, ad loc.).</em></span></span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Por isso, a Igreja recorda-nos que a Santíssima Virgem « acolheu as palavras com que o Filho, pondo o reino acima de todas as relações de parentesco, proclamou bem-aventurados todos os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática; coisa que Ela fazia fielmente» <em>(Lumen gentium, </em>n. 58).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O Senhor, pois, ensina também que segui-Lo nos leva a compartilhar a Sua Vida até tal ponto de intimidade que constitui um vínculo mais forte que o familiar. São Tomás explica-o dizendo que Cristo «tinha uma geração eterna e outra temporal, e antepõe a eterna à temporal. Aqueles que fazem a vontade de Meu Pai alcançam-No segundo a geração celestial (&#8230;). Todo o fiel que faz a vontade do Pai, isto é, que simplesmente Lhe obedece, é irmão de Cristo, porque é semelhante Àquele que cumpriu a vontade do Pai. Mas, quem não só obedece, mas converte os outros, gera Cristo neles, e desta maneira chega a ser como a Mãe de Cristo» <em>(Comentário sobre </em>S. <em>Mateus, </em>12,49-50).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">25.01.12 – Mc 16, 15-18</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">15</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">E</span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;"> disse-lhes Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. <sup>16</sup>Quem acre­ditar e for baptizado será salvo, mas quem não crer será condenado. <sup>17</sup>Aos que crerem acompanhá-los-ão estes milagres: em Meu nome expulsarão Demônios, falarão novas línguas, <sup>18</sup>pegarão em serpentes e, se beberem peçonha, não lhes fará mal, imporão as mãos aos doentes, e eles recobrarão saúde.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">15. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Este versículo contém o chamado mandato apostó­lico universal, que é paralelo ao de Mt 28,19-20 e ao de Lc 24,46-48. É um mandato imperativo de Cristo aos Seus Após­tolos para que preguem o Evangelho a todas as nações. Essa mesma missão apostólica incumbe, de modo especial, aos sucessores dos Apóstolos, que são os Bispos em comunhão com o Papa, sucessor de Pedro.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Não só eles, porém, mas toda «a Igreja nasceu para tornar todos os homens participantes da redenção salvadora e, por eles, ordenar efectivamente a Cristo o universo inteiro, dilatando pelo mundo o Seu Reino para glória de Deus Pai. Toda a actividade do Corpo místico que a este fim se oriente, chama-se apostolado. A Igreja exerce-o de diversas maneiras, por meio de todos os seus membros, já que a vocação cristã é também, por sua própria natureza, vocação ao aposto-lado. (&#8230;). Existe na Igreja diversidade de funções, mas unidade de missão. Aos Apóstolos e seus sucessores, confiou Cristo a missão de ensinar, santificar e governar em Seu nome e com o Seu poder. Mas os leigos, dado que são participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, têm um papel próprio a desempenhar na missão do inteiro Povo de Deus, na Igreja e no mundo» <em>(Apostolicam actuositatem, </em>n. 2).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">É verdade que Deus actua directamente na alma de cada pessoa por meio da Sua graça, mas, ao mesmo tempo, deve afirmar-se que é vontade de Cristo, expressa neste e noutros textos, que os homens sejam instrumento ou veículo de salvação para os outros homens.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Neste sentido também o Concilio Vaticano II ensina: «A todos os fiéis incumbe, portanto, o glorioso encargo de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens em toda a terra» <em>(Ibid., </em>n. 3).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">16. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Como conseqüência da proclamação da Boa Nova ensina-se neste versículo que a fé e o Baptismo são requisitos indispensáveis para alcançar a salvação. A conversão à fé de Jesus Cristo há-de levar directamente ao Baptismo, que nos «confere a primeira graça santificante, pela qual se perdoa o pecado original e também os actuais, se os houver; remete toda a pena por eles devida; imprime o caracter de cristãos; faz-nos filhos de Deus, membros da Igreja e herdeiros da glória, e habilita-nos para receber os outros sacramentos» <em>(Catecismo Maior, </em>n.° 553).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O Baptismo é absolutamente necessário para o homem se salvar, como se depreende destas palavras do Senhor. Mas a impossibilidade física do rito baptismal pode ser suprida ou pelo martírio, que é chamado baptismo de sangue, ou por um acto perfeito de amor de Deus ou de contrição, unidos ao desejo, pelo menos implícito, de ser baptizado; a isto chama-se baptismo de desejo (cfr <em>Ibid., </em>n.os 567-568).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Relativamente ao Baptismo das crianças, já Santo Agos­tinho ensinava que «de nenhum modo se pode rejeitar nem considerar como desnecessário o costume da Santa Madre Igreja de baptizar as crianças; antes pelo contrário, há que admiti-lo forçosamente por ser tradição apostólica» <em>(De Gen. ad litt., </em>10,23,39). O novo <em>Código de Direito Canônico </em>assinala a necessidade de que as crianças sejam baptizadas: «Os pais têm obrigação de procurar que as crianças sejam baptizadas dentro das primeiras semanas; logo após o nasci­mento, ou até antes deste, vão ter com o pároco, peçam-lhe o sacramente para o filho e preparem-se devidamente para ele» (cân. 867 § 1).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Outra conseqüência ligada intimamente à anterior é a <em>necessidade da Igreja, </em>como declara o Concilio Vaticano II: «Com efeito, só Cristo é mediador e caminho de salvação e Ele torna-Se-nos presente no Seu corpo, que é a Igreja; ao inculcar expressamente a necessidade da fé e do Baptismo (cfr Mc 16,16; Ioh 3,5), confirmou simultaneamente a neces­sidade da Igreja, para a qual os homens entram pela porta do Baptismo. Pelo que, não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar» <em>(Lumen gentium, </em>n. 14; cfr <em>Presbyterorum ordinis, </em>n. 4; <em>Ad gentes, </em>nn. 1.3; <em>Dignitatis humanae, </em>n. 11).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">17-18. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Nos primeiros tempos da expansão da Igreja, estes factos miraculosos que Jesus anuncia cumpriram-se de modo freqüente e visível. Os testemunhos históricos destes acontecimentos são abundantíssimos no Novo Testamento (cfr, p. ex. Act 3,1-11; 28,3-6) e noutros escritos cristãos antigos. Era muito conveniente que assim sucedesse para mostrar ao mundo de uma maneira palpável a verdade do cristianismo. Mais tarde, continuaram a realizar-se milagres deste tipo, mas em menor número, como casos excepcionais. Também é conveniente que assim seja porque, por um lado, a verdade do Cristianismo está já suficientemente atestada; e, por outro, para dar lugar ao mérito da fé. «Os milagres — comenta São Jerônimo — foram precisos ao princípio para confirmar com eles a fé. Mas, uma vez que a fé da Igreja está confirmada, os milagres não são necessários» <em>(Comm. in Marcum, ad loc.). </em>De qualquer modo, Deus continua a realizar milagres através dos santos de todos os tempos, também dos actuais.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">26.01.12 – Mc 4, 21-25</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">21</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Dizia-lhes mais: Porventura vem a candeia para se pôr debaixo do alqueire ou debaixo do leito? Não é para se colocar sobre o velador? <sup>22</sup>Pois nada há oculto senão para se manifestar, e nada se escondeu senão para que venha a público. <sup>23</sup>Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">24</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">E dizia-lhes mais: Reparai no que ouvis: Com a medida com que medirdes vos será medido, mais ainda a vós que ouvis. <sup>25</sup>Porque ao que tem dar-se-lhe-á, e ao que não tem ainda o que tem lhe será tirado. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">21. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">«Alqueire»: Era um recipiente que servia para medir cereais e legumes. Tinha uma capacidade de um pouco acima de oito litros.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">22. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Há nesta parábola um duplo ensinamento. Por um lado, a doutrina de Cristo não deve ficar escondida, mas ser pregada no mundo inteiro. Encontramos o mesmo ensina­mento noutros passos dos Evangelhos: «O que ouvis em segredo, apregoai-o nos terraços» (Mt 10,27); «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho&#8230;» (Mc 16, 15). O outro ensina­mento desta parábola é que o Reino que Cristo anuncia tem tal força de penetração em todos os corações que, no fim da história, quando Jesus vier de novo, não ficará uma só acção do homem, a favor ou contra Cristo, que não passe a ser pública e manifesta. Cfr Mt 25,31-46.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">24-25. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O Senhor não Se cansa de pedir aos Apóstolos, germe da Igreja, que prestem atenção à doutrina que ouvem: estão a receber um tesouro do qual deverão dar contas. «Aquele que tem dar-se-á&#8230;»: a quem corresponde à graça dar-se-lhe-á mais graça ainda e abundará cada vez mais; mas o que não faz frutificar a graça divina recebida, ticará cada vez mais empobrecido (cfr Mt 25, 14-30). Por isso, á medida das virtudes teologais é não ter medida: «Se dizes basta, já morreste» (Santo Agostinho, <em>Sermo </em>51). Uma alma que queira progredir no caminho interior fará sua esta oração: «Senhor: que eu tenha peso e medida em tudo&#8230; menos no Amor» <em>(Caminho, </em>n.° 427). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">27.01.12 – Mc 4, 26-34</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">26</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Dizià também: O Reino de Deus é assim como um homem que lançou a semente à terra, <sup>27</sup>e dorme, e levanta-se, de noite e de dia, e a semente germina e cresce sem ele saber como. <sup>28</sup>Porqüe a terra por si mesma produz primeiro o colmo, depois a espiga, depois o trigo grado na espiga. <sup>29</sup>E, quando o fruto o permite, logo lhe mete a foice, porque chegou o tempo da ceifa.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">30</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Dizia ainda: A que havemos de assemelhar o Reino de Deus, ou com que parábola o hemos de representar? <sup>31</sup>É como o grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a mais pequenina de todas as sementes que na Terra há. <sup>32</sup>Mas, depois de semeado, cresce e torna-se maior que todas as hortaliças e deita ramos tão grandes, que as aves do céu podem acolher-se à sua sombra.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">33</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">E com muitas parábolas como esta lhes Conclusão expunha a palavra, segundo a sua capacidade de ouvir. <sup>34</sup>E sem parábolas não lhes falava; mas, em particular, explicava tudo aos Seus discípulos.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">26-29. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Os agricultores esforçam-se por preparar bem o terreno para a sementeira; mas, uma vez semeado o grão, já não podem fazer por ele nada mais, até ao momento da ceifa; de maneira que o grão se desenvolve pela sua própria força. Com esta comparação, exprime o Senhor o vigor íntimo do crescimento do Reino de Deus na terra, até ao dia da ceifa (cfr l Ioel 3, 13 e Apc 14,15), ou seja, o dia do Juízo Final.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Jesus fala da Igreja aos Seus discípulos: a pregação do Evangelho, que é a semente generosamente espalhada, dará o seu fruto sem falta, não dependendo de quem semeia ou de quem rega, mas de Deus, que dá o incremento (cfr l Cor 3, 5-9). Tudo se realizará «sem que ele saiba como», sem que os homens se dêem plenamente conta.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Ao mesmo tempo o Reino de Deus indica a operação da graça em cada alma: Deus opera silenciosamente em nós uma transformação, enquanto dormimos ou enquanto velamos, fazendo brotar no fundo da nossa alma resoluções de fide­lidade, de entrega, de correspondência, até nos levar à idade «perfeita» (cfr Eph 4, 13). Ainda que seja necessário este esforço do homem, em última análise é Deus quem actua, «porque é o Espírito Santo que, com as suas inspirações, vai dando tom sobrenatural aos nossos pensamentos, desejos e obras. É Ele que nos impele a aderir à doutrina de Cristo e a assimilá-la em profundidade; que nos dá luz para tomar consciência da nossa vocação pessoal e força para realizar tudo o que Deus espera de nós. Se formos dóceis ao Espírito Santo, a imagem de Cristo ir-se-á formando, cada vez mais nítida, em nós e assim nos iremos aproximando cada vez mais de Deus Pai. <em>Os que são conduzidos pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus </em>(Rom VI, 14)» <em>(Cristo que passa, </em>n.° 135).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">30-32. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O sentido principal desta parábola é dado pelo contraste entre o pequeno e o grande. A semente do Reino de Deus na Terra é algo muito pequeno ao princípio (Lc 12, 32; Act 1,15); depois será uma árvore grande. Assim vemos como o reduzido grupo inicial dos discípulos cresce nos começos da Igreja (cfr Act 2,47; 6,7; 12,24), se estende ao longo dos séculos e chegará a ser uma multidão imensa «que ninguém poderá contar» (Apc 7,9).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Também se realiza em cada alma esse mistério do crescimento, a que se referem as palavras do Senhor:  «O Reino de Deus está dentro de vós» (Lc 17, 21), e que podemos ver anunciado com aquelas outras do Salmo: «O justo multiplicar-se-á como o cedro do Líbano» (Ps 92, 13). Para que brilhe a misericórdia do Senhor que nos exalta, que nos faz grandes, é preciso que nos encontre pequenos, humildes (Ez 17, 22-24; Lc 18,9-14).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">28.01.12 – Mc 4, 35-41</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">35</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Naquele dia, à tardinha, disse-lhes: Passemos para o lado de lá. <sup>36</sup>E eles, deixando o povo, tomam-No consigo, assim como estava na barca; e outras barcas O acompanhavam. <sup>37</sup>Nisto levanta-se um grande ciclone que arrojava as ondas sobre a barca, de tal modo que a barca se ia enchendo. <sup>38</sup>Entretanto Ele estava na popa a dormir sobre uma almofada. Despertam-No e dizem-Lhe: Mestre, não Te importa que pereçamos? <sup>39</sup>Ele, des­pertando, imperou ao vento e disse ao mar: Cala-te! Emudece! O vento acalmou e fez-se uma grande bonança. <sup>40</sup>Disse-lhe então: Por­que estais assim com medo? Como? Não tendes fé? Ficaram eles possuídos de grande temor e diziam uns para os outros:<sup>41</sup> Então quem é Este, que até o vento e o mar Lhe obedecem?</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">35-41. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O episódio da tempestade acalmada, cuja recor­dação deve ter devolvido muitas vezes a serenidade aos Apóstolos no meio das suas lutas e das dificuldades, serve também a cada alma para nunca perder o ponto de mira sobrenatural: a vida do cristão é comparável a uma barca: «Assim como a nave que atravessa o mar, comenta Santo Afonso Maria de Ligório, está sujeita a milhares de perigos, corsários, incêndios, escolhos e tempestades, assim o homem se vê assaltado na vida por milhares de perigos, de tentações, ocasiões de pecar, escândalos ou maus conselhos dos homens, respeitos humanos e, sobretudo, pelas paixões desordenadas (&#8230;). Não por isto há que desconfiar nem desesperar-se. Pelo contrário (&#8230;), quando alguém se vê assaltado por uma paixão incontrolada (&#8230;), ponha os meios humanos para evitar as ocasiões e (&#8230;) apoie-se em Deus (&#8230;): no furor da tempestade não deixa o marinheiro de olhar para a estrela cuja claridade o terá de guiar para o porto. De igual modo nesta vida temos sempre de ter os olhos fixos em Deus, que é o único que nos há-de livrar de tais perigos» <em>(Sermão n.º 39 para o Dom. IV depois da Epifania). </em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">29.01.12 – Mc 1, 21-28</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">21</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">E entraram em Cafarnaum. No sábado seguinte, indo à sinagoga, pôs-Se a ensinar. <sup>22</sup>E maravilhavam-se por causa da Sua dou­trina, pois os ensinava como quem tinha autoridade e não como os Escribas. <sup>23</sup>Nisto um homem possuído do espírito imundo, o qual estava na sinagoga, começou a gritar: <sup>24</sup>Ai! Que tens Tu connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos perder. Sei quem Tu és: o Santo de Deus. <sup>25</sup>Mas Jesus intimou-lhe: Cala-te e sai desse homem! <sup>26</sup>O espírito imundo, agitando-o convulsivamente e fa­zendo grande alarido, saiu dele. <sup>27</sup>Ficaram todos atônitos, de modo que perguntavam uns aos outros: Que é isto? Uma doutrina nova, e com autoridade! Manda nos espí­ritos imundos, e eles obedecem-Lhe! <sup>28</sup>E a Sua fama correu logo por toda a parte, em toda a vizinha região da Galileia.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">21.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Sinagoga quer dizer reunião, assembléia, comuni­dade. Assim se chamava — e se chama — o lugar em que os Judeus se reuniam para escutar a leitura da Sagrada Escritura e rezar. Parece que as sinagogas tiveram a sua origem nas reuniões cultuais que celebravam os Judeus cativos em Babilônia, ainda que não se estendessem até pais tarde. No tempo de Nosso Senhor havia-as em todas as cidades e aldeias da Palestina de certa importância; e fora da Palestina nos lugares onde havia uma comunidade de Judeus suficien­temente numerosa. A sinagoga constava principalmente de uma sala rectangular, construída de tal forma que os assis­tentes, sentados, olhassem para Jerusalém. Na sala havia uma tribuna ou estrado onde se lia e se explicava a Sagrada Escritura.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">22. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Aparece aqui como Jesus mostrava a Sua autoridade ao ensinar. Inclusivamente quando tomava como base a Escritura, como no Sermão da Montanha, distinguia-Se dos outros mestres, pois falava em nome próprio: «Mas Eu digo-vos» (cfr a nota a Mt 7,28-29). O Senhor, na verdade, fala dos mistérios de Deus e das relações entre os homens; explica com simplicidade e com poder, porque fala do que sabe e dá testemunho do que viu (Ioh 3, 11). Os escribas ensinavam também ao povo — comenta São Beda — o que está escrito em Moisés e nos Profetas; mas Jesus pregava ao povo como Deus e Senhor do próprio Moisés (cfr <em>In Marci Evangelium expositio, ad loc.) </em>Além disso, primeiro faz e depois diz (Act l, l) e não é como os escribas que dizem e não fazem (Mt 23,1-5).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">23-26. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Os Evangelhos apresentam vários relatos de curas miraculosas. Entre elas sobressaem as de alguns endemoninhados. A vitória sobre o espírito imundo, nome que se dava correntemente ao demônio, é um sinal claro de que chegou a salvação divina: Jesus, ao vencer o Maligno, revela-Se como o Messias, o Salvador, com um poder superior ao dos demônios: «Agora é que é o julgamento deste mundo. Agora é que o Príncipe deste mundo vai ser lançado fora» (Ioh 12, 31). Ao longo do Evangelho torna-se patente a luta contínua e vitoriosa do Senhor contra o demônio.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">A oposição do demônio a Jesus vai aparecendo, cada vez mais clara: é solapada e subtil no deserto; manifesta e violenta nos endemoninhados; radical e total na Paixão, que é « a hora e o poder das trevas» (Lc 22,53). A vitória de Jesus é também cada vez mais patente, até ao triunfo total da Ressurreição.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">O demônio é chamado imundo — diz São João Crisóstomo — pela sua impiedade e afastamento de Deus, e porque se mistura em toda a obra má e contrária a Deus. Reconhece de alguma maneira a santidade de Cristo, mas este conhecimento não vai acompanhado pela caridade. Além do facto histórico concreto, podemos ver neste endemoninhado os pecadores que se querem converter a Deus, libertando-se da escravidão do demônio e do pecado. A luta pode ser longa, mas terminará com uma vitória: o espírito maligno não pode nada contra Cristo (cfr a nota a Mt 12, 22-24). /</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">27.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> A</span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> mesma autoridade que Jesus mostrou no ensino (l, 22) aparece agora nos Seus feitos. Fá-lo só com o Seu querer, sem necessitar de múltiplas invocações e conjuros. As palavras e os actos de Jesus evidenciam algo de superior, um poder divino, que enche de admiração e de temor aqueles que O escutam e observam.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Esta primeira impressão manter-se-á até ao fim (Mc 2, 12; 5, 20. 42 ; 7, 37; 1 5, 39; Lc 1 9,48; Ioh 7, 46). Jesus de Nazaré é o Salvador esperado. Ele sabe-o e manifesta-o precisamente nos Seus actos e nas Suas palavras, que constituem uma unidade inseparável segundo os relatos evangélicos (Mc l, 38-39:2, 1 0-1 1 ; 4, 39). Como ensina o Vaticano II <em>(Dei Verbum, </em>n. 2), a Revelação faz-se com actos e palavras intimamente unidos entre si. As palavras esclarecem os actos; os factos confirmam as palavras. Deste modo Jesus vai revelando progressivamente o mistério da Sua Pessoa: primeiro as gentes captam a Sua autoridade excepcional, e os Apóstolos, iluminados pela graça de Deus, reconhecerão depois a raiz última dessa autoridade: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo»(Mt 16,16).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">30.01.12 – Mc 5, 1-20</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Chegaram ao lado de lá do mar, ao país dos Gerasenos. <sup>2</sup>Apenas saído da barca, veio logo dos sepulcros ao Seu encontro um homem possuído do espírito imundo, <sup>3</sup>o qual tinha a morada nos sepulcros, e já ninguém mais o podia prender nem com algemas; <sup>4</sup>pois que, muitas vezes preso com grilhões e algemas, tinha quebrado as algemas e despedaçado os grilhões, e ninguém con­seguia dominá-lo. <sup>5</sup>Andava sempre, dia e noite, nos sepulcros e pelos montes, gritando e retalhando-se a si mesmo com pedras. <sup>6</sup>Ao ver de longe a Jesus, correu e prostrou-se-Lhe aos pés, <sup>7</sup>bradando,em alta voz: Que tens que ver comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Por Deus Te esconjuro que me não atormentes. <sup>8</sup>Porque lhe dissera: Espírito imundo, sai desse homem! <sup>9</sup>E perguntava-lhe: Como te chamas? Chamo-me Legião, diz-Lhe ele, porque somos muitos. <sup>10</sup>E pedia-Lhe instantemente que os não lançasse fora daquele país.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">11</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Ora andava ali pelo monte uma grande vara de porcos a pastar.<sup>12</sup> Suplicaram-Lhe, pois: Manda-nos para os porcos, para que entremos neles. <sup>13</sup>Deu-lhes licença: e os espí­ritos imundos saíram e entraram nos porcos e a vara, cerca de dois mil, despenhou-se, ladeira abaixo, no mar, e no mar se afogou. <sup>14</sup>Os guardadores fugiram e espalharam a notícia pela cidade e pelos campos, e acudiram todos a ver o que é que tinha acon­tecido. <sup>I5</sup>Chegando perto de Jesus, viram o possesso que tinha tido o Demônio Legião, sentado, vestido e em seu juízo, e tiveram medo. <sup>16</sup>Os presentes contaram o que tinha sucedido ao endemoninhado e o caso dos porcos, <sup>17</sup>e eles começaram a pedir a Jesus que saísse do seu termo. <sup>l8</sup>Ao subir para a barca, o que tinha sido possesso pedia-Lhe para ir com Ele. <sup>19</sup>Mas Ele não o &#8220;deixou, antes lhe disse: Vai para tua casa, pára os teus, e conta-lhes tudo o que o Senhor te fez e como Se compadeceu de ti. <sup>20</sup>Ele partiu e começou a apregoar na Decápole tudo o que Jesus lhe tinha feito, e todos ficavam mara­vilhados.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">1-20</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">. Gerasa estava povoada principalmente por pagãos, como se depreende da existência de uma vara de porcos tão numerosa, que pertenceria sem dúvida a muitos donos. Para os Judeus era proibida a criação destes animais e o comer da sua carne (Lev 11,7).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Este milagre põe em relevo, uma vez mais, a existência do demônio e o seu influxo na vida dos homens: pode causar dano — se Deus o permite — não só aos homens, mas também aos animais. Quando Cristo permite que entrem nos porcos, fica patente a malícia dos demônios: estes consideram um grande tormento não poder causar dano aos homens e por isso rogam-Lhe que, pelo menos, possam fazer mal aos animais. Cristo permite isto para indicar que com a mesma violência e conseqüências com que entraram nos porcos, o fariam nos homens, se Deus não lhes pusesse obstáculo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">É claro que a intenção de Jesus não foi castigar os donos com a perda da vara de porcos, &lt;pois os donos, como pagãos, não estavam sujeitos aos preceitos da Lei judaica. A morte dos porcos é o sinal visível de que o demônio tinha saído daquele homem.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Jesus permitiu a perda de uns bens materiais porque eram incomparavelmente inferiores ao bem espiritual que supunha a cura do endemoninhado. Cfr a nota a Mt 8,28-34. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">15-20. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Contrasta a diferente atitude diante de Jesus Cristo: os gerasenos pedem a Jesus que Se afaste da cidade; o que foi libertado do demônio quer ficar junto de Jesus e segui-Lo. Os habitantes de Gerasa tiveram perto de si o Senhor, puderam ver os Seus poderes divinos, mas fecharam-se sobre si mesmos, pensando apenas no prejuízo material que constituiu a perda dos porcos; não se dão conta da Obra admirável que Jesus fez. Cristo passou junto deles, ofere­cendo-lhes a Sua graça, mas não corresponderam e rejei­taram Jesus, O que esteve endemoninhado quer segui-Lo com os outros discípulos. Mas Jesus não o admite; dá-lhe um encargo que mostra a misericórdia sem limites do Senhor para com todos os homens, inclusive para com os que O rejeitam: ele deve ficar em Gerasa e anunciar a todos os seus habitantes o que o Senhor fez com ele. Talvez reconsiderem e se dêem conta de quem é O que os visitou e saiam do pecado em que estão sumidos por avareza. Estas duas atitudes dão-se sempre que Cristo passa. E também a misericórdia e o chamamento contínuo do Senhor, que não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva (cfr Ez 18,23).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">20.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> Decápole, ou «país das dez cidades». Entre elas as mais conhecidas são: Damasco, Filadélfia, Citópola ou Beisân, Gadara, Pella e Gerasa. A região estava situada a este do lago de Genesaré e era habitada principalmente por pagãos de origem grega e síria: O governador romano da Síria era quem exercia a jurisdição sobre este território.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif;">31.01.12 – Mc 5, 21-43</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> </span></sup></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">21</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Tendo Jesus passado novamente de barco para a margem oposta, concorreu a Ele grande multidão. Estava junto do mar,  <sup>22</sup>quando chega um dos príncipes da sinagoga, de nome Jairo, e, ao vê-Lo, cai-Lhe aos pés <sup>23</sup>e suplica-Lhe instantemente, dizendo: A minha filhinha está em agonia. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva! <sup>24</sup>E foi com ele. Acompanhava-O grande multidão, que O apertava.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">25</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Ora uma mulher que há doze anos vinha padecendo dum fluxo de sangue <sup>26</sup>e tinha sofrido muito de numerosos médicos e gas­tado toda a sua fortuna, mas longe de melhorar tinha piorado, <sup>27</sup>tendo ouvido falar de Jesus, veio por detrás entre a multidão e tocou-Lhe no manto, <sup>28</sup>pois dizia consigo: Se eu tocar ainda que seja só nos Seus vestidos, ficarei curada. <sup>29</sup>De facto, secou-se-lhe ime­diatamente a fonte do sangue e sentiu no corpo que estava curada do mal. <sup>30</sup>Ao mesmo tempo, Jesus, consciente da virtude que d&#8217;Ele saíra, voltou-Se para a multidão e disse: Quem Me tocou nos vestidos? <sup>3I</sup>Diziam-Lhe os discípulos: Vês que a multidão Te aperta e perguntas: Quem Me tocou? <sup>32</sup>Mas Ele continuava a olhar à volta, para ver aquela que o tinha feito. <sup>33</sup>Então a mulher, a tremer de medo, pois sabia o que lhe tinha sucedido, aproximou-se, lançou-se-Lhe aos pés e declarou-Lhe toda a verdade. <sup>34</sup>E Ele disse-lhe: Filha, a tua Fé te salvou. Vai em paz e fica sã do teu mal.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">35</span></sup><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: red;">Falava ainda, quando de casa do príncipe da sinagoga vêm dizer-lhe: Tua filha morreu. Para que incomodar mais o Mestre? <sup>36</sup>Mas Jesus, ouvindo o recado, disse ao príncipe da sinagoga: Não temas; basta que tenhas fé. <sup>37</sup>E não permitiu que O acompanhasse ninguém senão Pedro e Tiago e João, irmão de Tiago. <sup>38</sup>Ao chegarem a casa do príncipe da sinagoga, vê o reboliço e a gente desfeita em prantos e alaridos; <sup>39</sup>e, entrando, disse-lhes: Porquê todo esse reboliço e esses prantos? A criança não morreu, mas dorme. <sup>40</sup>E riam-se d&#8217;Ele. Mas Ele fá-los sair a todos, toma consigo o pai e a mãe e os que trazia consigo, entra onde jazia a criança <sup>41</sup>e, pegando-lhe na mão, diz-lhe: <em>Talitha kum! </em>— que quer dizer: Menina, Eu te mando, levanta-te! <sup>42</sup>A menina pôs-se logo em pé e começou a andar, pois tinha doze anos. E ficaram fora de si como que assombrados.<sup>43</sup>Jesus, porém, recomendou-lhes muito que ninguém o sou­besse e mandou que dessem de comer à pequena.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Comentário</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">21-43. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Tanto Jairo como a hemorroíssa nos dão um exemplo de fé na omnipotência de Cristo, pois só um milagre podia curar a filha de Jairo, que estava em agonia, e ressuscitá-la uma vez morta, assim como curar a doença da hemorroíssa, que já tinha posto todos os meios humanos possíveis. De modo parecido, o cristão deve esperar a ajuda de Deus, que não lhe faltará para superares obstáculos que se oponham à sua santificação. Ordinariamente, a ajuda divina é-nos concedida de modo calado, mas não devemos duvidar que, se fizer falta para a nossa salvação Deus voltará a repetir estes milagres. Tenhamos em conta não obstante, que o que o Senhor espera de nós todos os dias é que cumpramos a Sua vontade.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">22.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;"> À frente da sinagoga estava o arqui-sinagogo, que tinha como missão manter a ordem nas reuniões de sábado e nas festas, dirigir as orações, os cânticos e designar o que devia explicar a Sagrada Escritura. Era assistido na sua missão por um conselho, e tinha ao seu serviço um ajudante encarregado das funções materiais.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">25. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Esta mulher sofria de uma doença pela qual estava em estado de impureza legal (Lev 15, 25 ss.). Nenhum meio humano a tinha conseguido curar; pelo contrário, acrescenta com realismo o Evangelho, a coisa tinha ido de mal em pior. Aos sofrimentos físicos — já doze anos —, acrescentava-se a vergonha de se sentir imunda segundo a Lei. No povo judeu era considerada impura não só a mulher afectada de uma doença deste tipo, mas tudo o que ela tocava. Por isso, para não ser notada pela gente, a hemorroíssa aproximou-se de Jesus por trás e tocou apenas o Seu manto, por delicadeza. A sua fé é enriquecida por uma manifestação de humildade: a consciência de ser indigna de tocar o Senhor. «Tocou delica­damente a orla do manto, aproximou-se com fé, creu e soube que tinha sido sarada&#8230; Assim nós, se queremos ser salvos, toquemos com fé o vestido de Cristo» <em>(Expositio Evangelii sec. Lucam, </em></span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">VI, </span><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">56.58).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">30.</span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">    Da multidão que O oprime, uma só pessoa Lhe tocou de verdade: esta doente; e não apenas com um gesto, mas com a fé do seu coração. Comenta Santo Agostinho: «Ela toca, a multidão oprime. Que significa «tocou» senão que creu?» <em>(In Ioann. Evang., 26, </em>3). Necessitamos do contacto com Jesus. Não nos foi dado outro nome debaixo do céu pelo qual possamos ser salvos (cfr Act 4,12). Ao receber na Santíssima Eucaristia Jesus Cristo, realiza-se este contacto físico através das espécies sacramentais. Pela nossa parte necessitamos de avivar a fé para que sejam proveitosos estes encontros em ordem à nossa salvação (cfr Mt 13, 58).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">37.    </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Jesus não quis que estivessem presentes mais que estes três Apóstolos, número suficiente para que o milagre fosse atestado segundo a Lei (Dt 19, 15). «Porque Jesus, humilde, não quis fazer nada por ostentação» <em>(Enarratio in Evangelium Marci, ad loc.). </em>Além disso, os três discípulos são os mais íntimos de Jesus, que depois estarão também a sós com Ele na Transfiguração (cfr 9,2) e na agonia no horto de Getsémani (cfr 14,33).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">39. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">As palavras de Jesus contrastam com as dos servos do chefe da sinagoga; eles dizem: «Atua filha morreu»; Jesus, pelo contrário: «Não morreu, mas dorme». Estava morta para os homens, que não podiam despertá-la; para Deus dormia, porque a sua alma vivia submetida ao poder divino, e a carne descansava para a ressurreição. Daqui que se tenha introduzido entre os cristãos o costume de designar os mortos, que sabemos que ressuscitarão, com o nome de dormentes» <em>(In Marci Evangelium expositio, ad loc.). </em>A expres­são de Jesus revela que a morte é para Deus nada mais que um sono, porque Ele pode despertar para a vida quando quer. É o mesmo que aconteceu com a morte e ressurreição de Lázaro. Jesus diz: «Lázaro, nosso amigo, está adormecido, mas vou despertá-lo». E quando os discípulos pensam que se tratava do sono natural, o Senhor afirma claramente: « Lázaro morreu » (cfr Ioh 11,11 ss.). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">40-42. </span></strong><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Este milagre da ressurreição da filha de Jairo, como todos os que aparecem no Evangelho, manifesta a divindade de Cristo. Somente Deus pode fazer milagres; por vezes de um modo directo e outras vezes por meio das criaturas como instrumentos. O caracter exclusivamente divino dos milagres — e particularmente da ressurreição dos mortos — está recolhido no AT: «Yahwéh dá a morte e dá a vida, faz descer ao sepulcro e subir dele» (1Sam 2, 6) porque tem «o poder da vida e da morte» (Sap 16, 13). E também no AT Deus se vale dos homens para ressuscitar os mortos: o profeta Elias ressuscitou o filho da viúva de Sarepta «invocando Yahwéh» (1Reg 17, 21), e Eliseu «orou a Yahwéh» para obter d&#8217;Ele a ressurreição do filho da Sunamita (2Reg 4,33).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: normal; background-image: initial; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: white;"><span style="font-size: 12pt; font-family: Arial, sans-serif; color: black;">Igualmente, no NT os Apóstolos não o realizaram por poder próprio, mas pelo poder de Jesus, a Quem tinham elevado antes uma ardente súplica: Pedro devolve a vida a uma cristã de Joppe chamada Tabita (Act 9,36 e ss.); e Paulo, em Tróade, ao jovem Eutico, que tinha caído de uma janela (Act 20,7 e ss.). Quando Jesus, com autoridade soberana, sem se remeter a um poder superior, manda, sem mais, que volte à vida a filha de Jairo, manifesta assim que Ele é Deus.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial, sans-serif; font-size: small;"><span style="line-height: 18px;"><br />
</span></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Prece de gratidão</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Apr 2011 14:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>opusalegria</dc:creator>
				<category><![CDATA[obrigado, Opus Dei]]></category>

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		<description><![CDATA[Oração feita pelo Cônego José Paine, por ocasião da Missa em comemoração dos seus 90 anos, na Paróquia de Santa Generosa (bairro Paraíso, São Paulo &#8211; SP). Revmos. Srs. Sacerdotes, irmãos no supremo sacerdócio de Cristo.Diletíssimos fiéis em Jesus e &#8230; <a href="http://www.opusalegria.com.br/obrigado-opus-dei/prece-de-gratidao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Oração feita pelo Cônego José Paine, por ocasião da Missa em comemoração dos seus 90 anos, na Paróquia de Santa Generosa (bairro Paraíso, São Paulo &#8211; SP).</p>
<p>Revmos. Srs. Sacerdotes, irmãos no supremo sacerdócio de Cristo.<br />Diletíssimos fiéis em Jesus e Maria!<br />Sabedor há tempo desta comemoração, o que não podia deixar de ser, pela grande bondade de meus paroquianos e amigos, refugio-me atrás destas notas, por não confiar nos riscos e perigos de um fácil improviso, faltando com a gratidão para com os participantes deste delicado e feliz encontro. É que a comoção desta solenidade, aliada à fraqueza de uma nonagenária memória, poderiam forçar-me a um silêncio que nem seria justo nem desculpável.<br />No entanto, prezados amigos, permitam-me parafrasear o gracioso hino de nossa querida Mãe do Céu, Maria Santíssima, para cantar toda a minha gratidão, neste apagar de luzes de longa vivência sobre a Terra.<br />A minha alma, cheia de alegria, glorifica o Senhor, meu Deus, porque, não obstante minhas fraquezas, Ele fez de mim seu sacerdote e, para exercer o ministério divino, colocou-me nesta Paróquia há mais de meio século, onde as gerações de todos os tempos me fazem feliz.<br />Seu amor começou com os meus queridos pais, porque, tementes a Deus, lhes foi dada a graça da geração de oito rebentos de amor.<br />Demonstrando a sabedoria de sua divina providência, dispersou-me por diferentes lugares e encargos antes de acolher-me neste Paraíso, para servi-lo com mais intenso amor, onde, com o auxílio de dedicados e zelosos amigos sacerdotes, trabalhamos para santificar humildes fiéis.<br />Certamente foi a caminho das montanhas de Hebron que Nossa Senhora foi meditando nas graças que as gerações futuras conquistariam com o seu humilde &#8220;SIM&#8221; ao Anjo da Anunciação.<br />De uma feita, também eu, a caminho das altaneiras elevações de Aparecida, encontrei dois mensageiros do Senhor que me foram proporcionando uma meditação que abriria novos horizontes de graças para o meu sacerdócio. Ao chegar ao Santuário, meu espírito exultou de<br />alegria: vi um homem de Deus: de joelhos, absorto, corriam-lhe das mãos continhas do terço.<br />Precisamente quarenta anos são passados de grandes graças, que o Opus Dei descortinou sobre o meu sacerdócio, não obstante a pequenez deste servo: vida, sacerdote e membro da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz fazem minha alma exultar de inefáveis alegrias&#8230;<br />Para que a doutrina espiritual se estenda a todos os paroquianos e não fique eu envolvido no emaranhado de bens materiais, escondidas entre quatro paredes, eficientes secretárias, além de uma diligente sacristã e um atento vigia, cheios de iniciativas, cuidam que os famintos de informação se saciem de orientações seguras, e os curiosos e mal intencionados sejam dispersados de mãos vazias&#8230;<br />Demonstrando o poder de seu braço, e para ajudar nas minhas limitações, colocou-me Deus, nas associações paroquiais, fiéis servidores da liturgia, das obras sociais, da catequese, das pastorais da oração, nestes 56 anos de paroquiato.<br />Por fim, para que o Senhor seja glorificado neste templo, anônimos benfeitores acudiram-me generosa-mente nas necessidades que surgiam com o tempo&#8230;<br />Por tudo isso, agora e sempre eu dou graças, por intercessão da santa Mãe, Maria, ao Deus Pai que me criou, ao Filho que me fez seu sacerdote e ao Espírito Santo que me ungiu. Amém!<br />Cônego José Paine</p>
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		<title>O Bem-aventurado João Paulo II e D. Álvaro: dois grandes amigos</title>
		<link>http://www.opusalegria.com.br/artigo/o-bem-aventurado-joao-paulo-ii-e-d-alvaro-dois-grandes-amigos/</link>
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		<pubDate>Wed, 13 Apr 2011 20:57:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>opusalegria</dc:creator>
				<category><![CDATA[artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Homilia de Mons. Vicente Ancona Lopez, Vigário regional do Opus Dei no Brasil, na Igreja Nossa Senhora de Fátima, por ocasião do aniversário de falecimento de D. Álvaro Del Portillo, bispo Prelado do Opus Dei e primeiro sucessor de São &#8230; <a href="http://www.opusalegria.com.br/artigo/o-bem-aventurado-joao-paulo-ii-e-d-alvaro-dois-grandes-amigos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">Homilia de Mons. <a title="Vicente Ancona Lopez" href="http://www.opusdei.org.br/art.php?p=14294">Vicente Ancona Lopez</a>, Vigário regional do Opus Dei no Brasil, na Igreja Nossa Senhora de Fátima, por ocasião do aniversário de falecimento de D. Álvaro Del Portillo, bispo Prelado do Opus Dei e primeiro sucessor de São Josemaria à frente do Opus Dei. São Paulo, 23-III-2011.</p>
<p><img src="images/homilia_monsenhor.jpg" alt="" align="left" border="0" /></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">No Evangelho que acabamos de ler, Nosso Senhor irrompe numa gozosa ação de graças. <em>Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo. (Mt 11, 25-27)</em></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">As verdades do Pai, os mistérios de Deus, as intervenções de Deus na história, não se captam apenas com a inteligência: Deus as revela especialmente e com profundidade aos pequeninos!</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Celebramos hoje mais um aniversário do falecimento de D. Álvaro e penso que neste ano essa comemoração deve ficar marcada por um acontecimento especial da vida da Igreja: a próxima beatificação de João Paulo II.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Deve haver uma grande alegria na Igreja triunfante por essa beatificação, e –mesmo oferecendo sufrágios por ele‑ nós estamos persuadidos que o Servo de Deus D. Álvaro Del Portillo, lá no Céu, participa dessa alegria, pois João Paulo II e D. Álvaro foram grandes amigos.</p>
<p class="MsoNormal">Lendo o Evangelho da Missa de hoje, eu pensava nessa amizade e nesse paradoxo: <em>“sábios e prudentes” </em>por um lado, e <em>“pequeninos”</em> por outro. O Papa João Paulo II e D. Álvaro tinham em comum o fato de serem duas grandes figuras intelectuais e com destacados dotes de governo, típicos dos grandes estadistas. Foram importantes protagonistas do Concílio, tinham uma visão ampla e uma enorme cultura, dominavam diversos idiomas, possuíam uma memória prodigiosa, etc. Pode-se dizer que eram sábios e prudentes. João Paulo II ganhou por aclamação espontânea o título de João Paulo Magno, Grande. Mas espiritualmente falando, ambos eram “pequeninos”, i.e., humildes, prontos para obedecer e abertos às revelações do Pai. Ambos eram simples, sinceros e transparentes como crianças. Ambos muito piedosos e rezadores como as almas simples, que enveredaram pelo caminho da infância espiritual. Ambos propensos a se colocarem por baixo dos outros. Ambos muito devotos e consagrados a Santa Maria e se acolhiam sob a sua proteção.</p>
<p class="MsoNormal">O porta-voz de João Paulo II, Joaquim Navarro Vals conta que, em certa ocasião, se não me engano em 1989, a revista Time declarou João Paulo II “O Homem do ano”. Foi uma boa surpresa no Vaticano, e ele, Joaquim Navarro, foi contente mostrar a revista para o Papa com a foto de João Paulo II na capa. Ao conversarem sobre o tema, o Papa discretamente virou a revista, pondo a capa para baixo. O Joaquim Navarro também discretamente a desvirou, e logo depois o Papa tornou a virá-la, voltando a sua foto para baixo! Por fim, Joaquim Navarro perguntou: Santo Padre “non gli piace?” (Santo Padre o senhor não gosta dessa homenagem e desse reconhecimento?). João Paulo II respondeu: “Forse mi piace tropo” (Talvez eu esteja gostando demais!), querendo dizer que essa homenagem poderia envaidecê-lo e desagradar a Deus.</p>
<p class="MsoNormal">Lembrei-me por associação de outro episódio, agora da vida de D. Álvaro. Quando uma vez lhe disseram que era parecido com São Josemaria. D. Álvaro replicou rapidamente: “só se for pelo fato de usar batina e óculos”. Via-se em sua humildade tão por baixo de São Josemaria que rejeitava instintivamente essa comparação.</p>
<p class="MsoNormal">A amizade entre eles era grande a tal ponto que, quando D. Álvaro faleceu, o Papa quis comparecer ao velório para pranteá-lo. Honra essa muito excepcional, porque alheia ao protocolo e à praxe da Casa Pontifícia: quando falecem cardeais, bispos, autoridades civis italianas, o Papa reza, celebra uma Missa, envia um telegrama, mas via de regra não comparece aos velórios fora da Basílica de S. Pedro. Sua presença em Villa Tevere foi um grande consolo e uma grande honra para todos nós. E também um sinal eloqüente da amizade, do amor do Papa Wojtyla por D. Álvaro. Muitos de nós evocamos naquele dia aquele comentário dos judeus a respeito do pranto de Jesus diante de Lázaro morto: “Vejam como o amava” (Jo 11, 36).</p>
<p><img src="images/homilia_monsenhor2.jpg" alt="" width="350" height="231" align="right" border="0" /></p>
<p class="MsoNormal">A amizade de João Paulo II com D. Álvaro começou em 1964, dentro da Basílica de S. Pedro, perto do altar de São Josafá (próximo ao lugar da Basílica onde o Beato João Paulo II será venerado). Quem os apresentou foi o Cardeal Deskur, um amigo comum: “D. Álvaro quero apresentar-lhe o jovem arcebispo de Cracóvia”. Desde então surgiu espontaneamente uma grande simpatia entre os dois.</p>
<p class="MsoNormal">Essa amizade foi crescendo ao longo dos anos, e também o interesse e a curiosidade de Wojtyla com relação ao Opus Dei. Wojtyla admirava São Josemaria, o fenômeno da secularidade da Obra, a presença de leigos com uma forte formação no meio das atividades civis, e apreciava e admirava também a D. Álvaro.</p>
<p class="MsoNormal">O Cardeal Deskur lhe falava da Obra, e o desejo de Wojtyla de conhecer melhor as características do Opus Dei crescia. Uma das coisas que mais impressionou o Cardeal Wojtyla, durante um almoço com D. Álvaro em Villa Tevere, dois meses antes de sua eleição, foram o capricho, o serviço e o profissionalismo das Numerárias Auxiliares!</p>
<p class="MsoNormal">Depois da sua eleição, as mulheres da Obra mandavam-lhe bolos e algumas vezes o Santo Padre comentava brincando com os comensais: “Este bolo vem do Opus Dei! Comam porque são muito gostosos, pois as moças da Obra se santificam procurando a perfeição no seu trabalho!”</p>
<p class="MsoNormal">Ele manteve esse carinho e essa devoção pela Obra durante toda a sua vida: nas tertúlias do UNIV, quando as alunas do Colégio Romano iam lhe apresentar um show em Castel Gandolfo, nas audiências em que recebia fiéis da Obra, em grupo ou privadamente, nas grandes cerimônias da beatificação e da canonização de São Josemaria. O Papa João Paulo II sabia bem que a Obra era de Deus, um fenômeno suscitado por Deus no seio da Igreja.</p>
<p class="MsoNormal">Nas suas longas e muitas conversas com D. Álvaro, Wojtyla fazia-lhe perguntas, pedia esclarecimentos. Prestava uma enorme atenção naquilo que D. Álvaro lhe ia dizendo e sua admiração crescia. Como D. Álvaro tendia a falar rápido, o Papa lhe interrompia: “Fale mais devagar”, pois não queria perder nada. E fazia perguntas sobre o nosso Padre e sobre a Obra. E dizia a D. Álvaro: “Explique-me bem porque eu quero aprovar o Opus Dei da forma que Deus quer que seja”.</p>
<p class="MsoNormal">Poderíamos contar muitas outras histórias e anedotas simpáticas, mas eu queria frisar esse aspecto: a grandeza de saber ser pequenos. “Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18,2).</p>
<p class="MsoNormal">Tornar-se pequeno supõe uma conversão, e João Paulo II e o seu amigo D. Álvaro a empreenderam, tendo presentes o caminho da infância espiritual e também os ensinamentos de São Josemaria. É um bom programa para a nossa conversão nessa Quaresma.</p>
<p class="MsoNormal">Queria concluir dizendo apenas que a beatificação de João Paulo II é para todos nós uma imensa alegria. Acompanhemos de perto essa grande solenidade do dia 1º de maio rezando e procurando fomentar a devoção ao Papa Wojtyla: o Papa grande, Magno, que conservou sempre um coração de menino.</p>
<p class="MsoNormal">Penso que Nossa Senhora terá ficado contente por falarmos – hoje aqui – de João Paulo II. Afinal, foi o Papa dEla: <em>Totus Tuus</em>! (Teu sem reservas), foi o seu lema. E D. Álvaro, com certeza, vai nos ajudar a sermos muito amigos e devotos do Bem-aventurado João Paulo II.</p>
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		<title>Encontro com um santo</title>
		<link>http://www.opusalegria.com.br/o-fundador-do-opus-dei/encontro-com-um-santo/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Apr 2010 20:03:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>opusalegria</dc:creator>
				<category><![CDATA[o fundador do Opus Dei]]></category>

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		<description><![CDATA[Reproduzimos aqui o relato do Cônego José Mayer Paine, por ocasião da canonização de São Josemaria Escrivá em 2002. Foi publicado no Informativo da Paróquia de Santa Generosa. ENCONTRO COM UM SANTO por Cônego José Mayer Paine, de São Paulo &#8230; <a href="http://www.opusalegria.com.br/o-fundador-do-opus-dei/encontro-com-um-santo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 	--><br />
<address class="western" style="margin-bottom: 0cm">Reproduzimos aqui o relato do Cônego José Mayer Paine, por ocasião da canonização de São Josemaria Escrivá em 2002. Foi publicado no Informativo da Paróquia de Santa Generosa.</address>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">ENCONTRO COM UM SANTO</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">por Cônego José Mayer Paine, de São Paulo</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">&nbsp;</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Quando este despretensioso informativo de nossa Paróquia tiver chegado às mãos de nossos prezados leitores talvez com olhos ávidos por desvendar conexões novas entre o mundo espiritual da Igreja e o mundo natural, na Casa do Pai Celeste mais um eleito estará ocupando um dos tronos prometidos pelo Senhor, quando de sua Ascensão ao Céu: &#8221;Vou preparar-vos um lugar&#8230; a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também&#8221; (Jo 14,2-3), visto que, hoje, em Roma, em plena Praça de São Pedro, o Santo Padre, o Papa João Paulo li, em virtude do seu magistério infalível, em pomposa cerimônia, colocou irrevogavelmente no catálogo dos Santos, gloriosamente reinantes, o Servo de Deus JOSEMARIA ESCRIVÁ DE BALAGUER, fundador do Opus Dei, já anteriormente beatificado a 17 de maio de 1992. </p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Agora, a sua imagem, nimbada da auréola da santidade, já pode ser alteada sobre os altares para receber os halos de perfumado incenso, enquanto, em prece ardente, vamos invocando sua valiosa intercessão: São Josemaria Escrivá de Balaguer, rogai por nós!</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">&nbsp;</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">PRELÚDIO </p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Lá pelos idos de 1964, andava eu pelas ruas da cidade, observando vitrinas de livrarias e lojas de artigos religiosos, à cata de um presentinho para regalar as professoras de religião de nossas crianças, pelo &#8220;Dia Nacional da Catequista&#8221;, comemorado no Brasil no último domingo de agosto.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Vagava ao léu, quando por acaso entrei numa loja em que nunca dantes tinha entrado; procura daqui, mexe ali e nada me agradava. Detive-me por algum tempo diante de uma estante de livros lendo seus títulos e seus autores. Ao acaso puxei um e pus-me a folheá-Io a esmo sem conta nem medida premeditadas, avaliando a olho fosco o apóstolo que o escreveu sem vaidade ou preocupações pessoais, floreando com fino tato e bom gosto, quanto lhe caía da pena. Percebi que escrevia bem para que o lessem bem, para atrair, convencer, conquistar. Versava, com igual amor, pensamentos soltos cheios de piedade, conselhos de direção. Escrevia como via, como sentia, com esplendor radioso de um coração amante. Ressumava de suas belas e ingênuas alegorias o suco delicioso da piedade cristã. Esse autor, pensei comigo, escreve como um santo; este livro é só comparável à Imitação de Cristo. Retomei à capa e à contracapa, para ler às orelhas quem seria o artista da palavra para escrever coisas espirituais com tanto amor e ideal alcandorado! O autor, li no frontispício, Josemaria Escrivá de Balaguer: e quem é esse Josemaria Escrivá? E o livro intitulava-se &#8220;Caminho&#8221; na sua primeira edição brasileira. Fosse quem fosse o autor, apaixonei-me pelo livro. Não tive mais dúvida: encontrei o presente que procurava para as minhas catequistas. Chamei o balconista e pedi que embrulhasse doze exemplares para presente &#8230; (Hoje, o livro está na 5ª edição brasileira, tendo já alcançado 147 edições em 34 línguas diferentes). </p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Essa foi a primeira notícia &#8211; fortuita &#8211; que tive do Santo de hoje e o &#8220;Caminho&#8221; que a Divina Providência traçou para eu conhecer a Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz e Opus Dei. </p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">&nbsp;</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">UMA ROMARIA </p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Chegou-me aos ouvidos que o autor do livro que tanto apreciei, Josemaria Escrivá, viria ao Brasil e, sendo profundo devoto de Nossa Senhora, é seu costume, para onde quer que vá, sobretudo quando de sua primeira visita, fazer romaria a um santuário mariano. Disseram-me ainda que, vindo a São Paulo, ele se encontraria em Aparecida corno peregrino, no dia 28 de maio. Era o ano de 1974.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Diante disso, pensei comigo, é uma dupla oportunidade: se for a Aparecida, visitarei Nossa Senhora e, quem sabe, terei a oportunidade de ver de perto o Homem de Deus que escreveu o precioso livrinho que dei de presente às minhas cate¬quistas: &#8220;O Caminho&#8221;. </p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Não tive dúvidas: na manhã de 28 de maio, após a missa na paróquia, com mais dois sacerdotes, amigos meus, com minha &#8220;Variant 73&#8243;, metemo-nos Via Dutra afora. Pela estrada, os amigos, sacerdotes da Prelazia do Opus Dei, que já me conheciam há algum tempo e vendo minha ansiedade por aquela peregrinação, puseram-se a contar a história do bendito livrinho, dizendo-me dos milhões de pessoas que encontraram na sua leitura &#8220;um apoio para as suas vidas, um código de santidade, onde o Autor, com paternal solicitude, repreende e corrige, persuadindo e não ameaçando&#8230; São parágrafos breves que chegam ao coração, como pérolas soltas de um colar&#8230; &#8221; </p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Quanto ao Opus Dei, é uma instituição fundada por Mons. Escrivá a 2 de outubro de 1928, que &#8220;visa a incentivar a procura da perfeição cristã entre pessoas de todas as classes sociais, homens, mulheres, sacerdotes ou leigos, nos ambientes em que vivem&#8230; Ouvindo toda essa história enquanto o carro rodava, eu me via como os discípulos de Emaús, quando caminhavam com o Mestre Ressuscitado, sentindo arder em meu coração uma grande admiração pela espiritualidade do Opus Dei.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Chegamos a Aparecida. A cidade fervilhava de peregrinos, vindos de todos os cantos e por todos os meios: de carro, de ônibus, de trem; a Basílica velha tornou-se pequena para tanta gente; todos, como eu, pareciam querer ver como reza um santo à Santa Mãe de Deus. Entrando na igreja, o Padre ajoelhou-se no chão frio do presbitério, negando-se a receber sequer uma almofada que lhe era oferecida. O quanto pude perceber, lá estava ele, firme, ereto, de olhos fixos na pequenina imagem, enquanto seus dedos iam desfiando as contas de um Rosário, alternando com o vozerio piedoso daquele imenso grupo de romeiros. Foi um espetáculo inefável até hoje gravado, indelevelmente, nas minhas retinas e memória.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Para que nunca me esqueça do que meus olhos viram, entrei numa livraria, comprei um bloco de papel de carta e ali mesmo, sobre o balcão, fui escrevendo, &#8220;<em>ex abundantia cordis</em>&#8220;, o que me vinha do coração.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">A aglomerada reunião foi-se dispersando: o Padre retomava para São Paulo de helicóptero; enquanto cada viandeiro procurava seu veículo, uma locomotiva da Central, na estação, apitava chamando os errantes que vagueavam desprovidos de condução própria. </p>
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<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">UMA TERTÚLIA </p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Os sacerdotes do Opus Dei, aproveitando a presença de seu Fundador, combinaram uma audiência com alguns padres amigos, no Centro de Estudos, no Sumaré, dia 31 de maio. Para gáudio meu, fiz parte desse grupo. Enquanto os convidados aguardavam a chegada de Mons. Escrivá, por um ato de singular amizade, levaram-me a esperá-Io num dos corredores do Centro. Ele não se fez demorar: com um largo sorriso, de longe, já com os braços abertos, como se me conhecesse há tempos, vem ao meu encontro e cai de joelhos, pedindo-me que o abençoasse! Confuso com esse gesto inesperado, acabei esquecendo a fórmula tão proverbial da bênção sacerdotal. Refeito do susto, ocorreram-me tão somente as palavras de São João Batista a Nosso Senhor, quando este lhe pedia que o batizasse: &#8220;eu é que devo ser batizado por vós e vós vindes a mim?&#8221; O Padre não quis saber de nada e ficou esperando pela bênção. Quando ele se levantou, foi minha vez de lhe pedir a bênção, o que fez com muito carinho e, abraçado a mim, dirigiu-se para a sala de audiência. Num diálogo familiar e simples foi respondendo com muita firmeza, bondade e afeto às perguntas que lhe faziam; terminou abençoando a todos nós, sempre sorridente&#8230; </p>
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<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">UM FELIZ ENCONTRO </p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">4 de junho de 1974. No Centro de Extensão Universitária eram 17 horas e trinta minutos de uma terça-feira. Era o dia marcado para um encontro pessoal com o Padre. Acompanhado pelo Vigário Geral da Obra no Brasil e pelo sacerdote que me havia conseguido essa audiência, entra o Padre e me cumprimenta com um apertado abraço, um beijo na testa e, afagando-me o rosto com ambas as mãos, manda-me assentar. Tendo sempre minhas mãos entre as suas e pronunciando múltiplas vezes meu nome, como se fôssemos velhos amigos, vai entabulando uma conversa inteira só de espiritualidade.Suas palavras brotavam espontâneas do coração; falando também com os olhos de paz que se não desgrudavam dos meus, foi foi traçando um roteiro de santidade, tal como era vivido no meu tempo de seminário: os exercícios de espiritualidade nunca podem ser esquecidos, malgrado a vida operosa de um sacerdote diocesano no mundo. Um conselho eu posso revelar: &#8220;quando estiver com Jesus nas mãos, na hora da elevação, diga sempre a Nosso Senhor as palavras dos Apóstolos: <em>Domine, adauge nobis fidem, spem et caritatem</em> – Senhor, aumenta a minha fé, a esperança e a caridade&#8221;. Os outros, guardo-os para mim, como jóias, no escrínio do meu coração, e, para que nunca os esqueça, transcrevi-os também no meu canhenho de espiritualidade. Foi assim que vi, ouvi e falei com um Santo que hoje &#8211; 6 de outubro de 2002 &#8211; a Santa Igreja canonizou!</p>
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<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">BEATIFICAÇÃO</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Com minha querida e inesquecível irmã e mais uma dedicada paroquiana, engrossamos a turma de brasileiros que lotaram o avião rumo à Cidade Eterna a fim de participarmos da solene cerimônia de beatificação de Mons. Josemaría Escrivá. No dia 17 de maio de 1992 foi um custo chegar à enorme Praça de São Pedro: valeu-me a vaidade da batina de frisos vermelhos de Cônego para abrir caminho diante dos guardas que controlavam as entradas, de acordo com a cor do bilhete de convidado. De todas as partes do mundo, praça e ruas adjacentes eram um mar de peregrinos, falando todas as línguas da Terra com sotaque bem diferente da gente brasileira, mas todos unidos numa só família, a família que o Padre viu, quando Nosso Senhor lhe &#8220;mostrou&#8221; a Obra. Enquanto grande multidão assistia ao ato pelos telões, tivemos a felicidade de obter um lugar junto ao Obelisco, bem defronte ao eirado onde o Santo Padre concelebraria a missa da beatificação. No frontispício da Basílica, num lindo e grande quadro ainda velado, estava a imagem daquele que, pela autoridade que Cristo conferiu a Pedro e seus sucessores, seria declarado, oficialmente, mais um feliz célico confessor.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Toda a santa missa teve a participação dos fiéis, cantando na língua oficial da Igreja, o latim, as partes fixas do santo Sacrifício. Cantado o Evangelho, o Santo Padre, comovido, lê o decreto pontifício da beatificação e pela primeira vez incensa o quadro do beato postado junto ao altar, enquanto o do frontispício da Basílica vai sendo descoberto sob uma interminável salva de palmas e incontidas lágrimas de alegria&#8230; </p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Ao ofertório, uma extensa fila de sacerdotes deixa o interior da Basílica, com cibórios nas mãos e postam-se diante do palanque papal para que as hóstias fossem consagradas. E aqui, mais uma graça me é concedida: entre os felizardos sacerdotes, lá estava eu, honrado que fui com a escolha para distribuir a santa comunhão àquela imensa multidão que lotava a praça; naquele momento bem podia repetir as palavras do centurião romano: &#8220;Senhor, eu não sou digno&#8230;&#8221;</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">O Padre que por um acaso encontrei no &#8220;Caminho&#8221; ao procurar um presente; o Padre que vi numa romaria; o Padre que me fez esquecer a bênção sacerdotal; o Padre que me imprimiu na testa um beijo de santidade; o Padre que me levou a Roma para a sua beatificação, esse é o Padre, São Josemaria Escrivá de Balaguer que invoco, pedindo-lhe as primícias de suas bênçãos para mim e para a Paróquia de Santa Generosa!&#8230; Amém!&#8230;</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Cônego José Mayer Paine</p>
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<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Informativo Mensal da paróquia de Santa Generosa, Ano XXXIV, n, 1385, outubro de 2002</p>
<p style="margin-bottom: 0cm" class="western">Praça Rodrigues de Abreu, 192 São Paulo – SP</p>
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