In Evangelho do dia

38Disse-Lhe João: Mestre, vimos um homem que não anda connosco a expulsar os Demô­nios em Teu nome e proibimos-lho, porque não andava connosco. 39Não lho proibais — respondeu Jesus . — Porque não há ninguém que possa fazer um milagre em Meu nome e vá logo falar mal de Mim. 40Pois quem não é contra nós é por nós. 41E quem vos der um copo de água a beber, a título de que sois de Cristo, digo-vos em verdade que náo perderá a sua recompensa.

42E quem escandalizar um destes peque­ninos que crêem em Mim, a esse é melhor que lhe ponham ao pescoço a mo de uma atafona e o lancem ao mar.

43E, se a tua mão é para ti ocasião de escândalo, corta-a, porque é melhor entrares na vida mutilado, do que ires com ambas as mãos para a Geena, para o fogo inextinguível.

45E, se o teu pé é para ti ocasião de escândalo, corta-o, porque melhor é entrares na vida coxo, do que com ambos os pés seres lançado na Geena.

47E, se algum dos teus olhos é para ti ocasião de escândalo, deita-o fora, porque melhor é entrares no Reino de Deus com uma só vista, do que com ambos os olhos seres lançado na Geena, 48onde o seu verme não morre e o fogo não se extingue.

Comentário

38-40. O Senhor previne os Apóstolos, e depois deles todos os cristãos, contra o exclusivismo e o espírito de partido único na tarefa apostólica, que se exprime no falso refrão: «O bem, se não o faço eu, já não é bem». Pelo contrário, devemos assimilar este ensinamento de Cristo, porque o bem é bem, mesmo que o não faça eu. Cfr a nota a Lc 9,49-50.

  1. O valor e o mérito das obras boas está princi­palmente no amor a Deus com que se realizam: «Um pequeno acto, feito por Amor, quanto não vale!» (Caminho, n° 814). Deus recompensa, sobretudo, as acções de serviço aos outros, por pequenas que pareçam: «Vês esse copo de água ou esse pedaço de pão que uma mão caritativa dá a um pobre por amor de Deus? Pouca coisa é na realidade e quase não estimável para o juízo humano; mas Deus recom­pensa-o e concede imediatamente por isso aumento de caridade» (Tratado do amor de Deus, livro 3, cap. 2).
  2. «Escândalo é qualquer dito, facto ou omissão que dá ocasião a outro de cometer pecados» (Catecismo Maior, n° 417). Chama-se diabólico, e é-o, quando o fim intentado por quem produz o escândalo é o pecado do próximo, enquanto ofensa a Deus. Por ser o pecado o maior de todos os males, compreende-se a gravidade do escândalo e, portanto, a decidida condenação de Cristo. Reveste-se de particular gravidade escandalizar as crianças, porque estão mais indefesas contra o mal. A advertência de Cristo vale para todos, mas de modo especial para os pais e educadores, que são responsáveis diante do tribunal de Deus pela alma dos pequenos.
  3. «Geena» ou Ge-hinnom, era um pequeno vale ao sul de Jerusalém, fora das muralhas e mais baixo do que a cidade. Durante séculos este lugar foi utilizado para depo­sitar o lixo da povoação. Habitualmente esse lixo era quei­mado para evitar o foco de infecção que constituía e a acumulação do mesmo. Era proverbial como lugar imundo e doentio. Nosso Senhor serve-Se deste facto conhecido para explicar, de modo gráfico, o fogo inextinguível do inferno.

43-48. Jesus, depois de ter ensinado a obrigação de evitar o escândalo aos outros, assenta agora as bases da doutrina moral cristã sobre a ocasião de pecado; a doutrina do Senhor é imperiosa: o homem está obrigado a afastar e evitar a ocasião próxima de pecado, como o próprio pecado, segundo o que já tinha dito Deus no AT: «O que ama o perigo cairá nele» (Eccli 3, 26-27). O bem eterno da nossa alma é superior a qualquer estima de bens temporais. Portanto, tudo aquilo que nos põe em perigo próximo de pecado deve ser cortado e arrancado de nós. Esta forma de falar — tão gráfica — do Senhor deixa bem assente a gravidade desta obrigação.

Os Santos Padres, sob a imagem dos membros corporais, veem aquelas pessoas que obstinadas no mal nos induzem irremediavelmente às más obras ou à má doutrina. É a estes que devemos afastar de nós para que cheguemos à vida, antes que ir com eles para o inferno (De consensu Evangelistarum, IV, 16; Hom. sobre S. Mateus, 60).

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