In Evangelho do dia

Assim falou Jesus. Depois, erguendo os olhos ao Céu, disse: Pai, chegou a hora: glorifica o Teu Filho, para o Teu Filho Te glorificar, 2de acordo com o poder que Lhe outorgaste sobre toda a criatura, com o qual Ele dará a vida eterna a todos os que Lhe deste. 3É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo. 4Eu glorifiquei-Te na Terra, consumando a obra que Me deste a fazer. 5E agora glorifica-Me Tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com a glória que Eu tinha junto de Ti, antes de o mundo existir.

6Manifestei o Teu nome aos homens que, do mundo, Me deste. Eram Teus e deste-Mos a Mim; eles guardaram a Tua palavra. 7Agora sabem que tudo quanto Me deste vem de ti, 8porque Eu dei-lhes as palavras que Tu Me deste, e eles receberam-nas; reconheceram verdadeiramente que Eu saí de Ti e acreditaram que Tu Me enviaste. 9Por eles é que Eu peço; não é pelo mundo que peço, é por aqueles que Me deste, porque são Teus. 10Mas tudo o que é Meu é Teu e o que é Teu é Meu; e neles Eu estou glorificado. 11Já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto Eu vou para Ti.

Comentário

1-26. Depois do discurso da Ceia (caps. 13-16) começa a chamada Oração sacerdotal de Cristo, que ocupa todo o cap. 17. Denomina-se oração sacerdotal porque Jesus Se dirige a Seu Pai num diálogo emocionado, em que, como Sacerdote, Lhe oferece o sacrifício iminente da Sua Paixão e Morte. Desta forma revela-nos elementos essenciais da Sua missão redentora e serve-nos de modelo e de ensinamento: « O Senhor, Unigénito e coeterno do Pai, teria podido orar em silêncio se era necessário, mas quis manifestar-Se ao Pai como suplicante porque é o nosso Mestre (…). Daí que esta oração pelos discípulos não tenha sido útil só para aqueles que a ouviram, mas para todos os que havíamos de lê-la» (In Ioann. Evang., 104,2).

A Oração sacerdotal consta de três partes: na primeira (vv. 1-5), Jesus pede a glorificação da Sua Santíssima Humanidade e a aceitação por parte do Pai do Seu sacrifício na Cruz. Na segunda (vv. 6-19), roga pelos Seus discípulos, que vai enviar ao mundo para proclamarem a obra redentora que Ele está prestes a consumar. Por último (vv. 20-26), roga pela unidade entre todos os que hão-de crer n’Ele ao longo dos séculos, até conseguir a plena união com Ele próprio na glória.

1-5. A palavra «glória» designa aqui o esplendor, o poder e a honra próprios de Deus. O Filho é Deus igual ao Pai, e desde a Sua Encarnação e nascimento, principalmente na Sua Morte e Ressurreição, manifestou a Sua divindade: «Vimos a Sua glória, glória como de Unigénito do Pai» (Ioh 1,14). A glorificação de Jesus Cristo abrange um tríplice aspecto: primeiro, serve para glória do Pai, porque Cristo, obedecendo ao decreto redentor de Deus (cfr Phil 2,6 ss.), dá a conhecer o Pai e leva ao fim deste modo a obra salvífica divina (v. 4). Segundo, Cristo é glorificado porque a Sua Divindade, que esteve velada voluntariamente, por fim vai manifestar-se através da Sua Humanidade que, depois da Ressurreição, se mostrará revestida do mesmo poder divino sobre toda a criatura (vv. 2-5). Terceiro, Cristo, com a Sua glorificação, oferece ao homem a possibilidade de alcançar a vida eterna, conhecer Deus Pai e Jesus Cristo, Seu Filho Unigénito; o que redunda em glorificação do Pai e de Jesus Cristo, ao mesmo tempo que implica a participação do homem na glória divina (v. 3).

«O Filho glorifica-Te fazendo que Te conheçam todos aqueles que Lhe confiaste. É verdade que se a vida eterna é o conhecimento de Deus, tanto mais tendemos a viver quanto mais progredimos neste conhecimento (…). O louvor de Deus não terá fim onde o conhecimento do mesmo Deus será pleno; e porque no Céu este conhecimento será completo, também será completa a glorificação de Deus» (In Ioann Evang., 105,3).

6-8. Nosso Senhor rogou ao Pai por Si mesmo; agora roga pelos Seus Apóstolos, que serão os continuadores da Sua obra redentora no mundo. Ao orar por eles, Jesus descreve algumas prerrogativas dos que vão formar o Colégio Apostólico.

Em primeiro lugar, a escolha: «Eram Teus…». Deus Pai tinha-os escolhido desde toda a eternidade (cfr Eph 1,3-4) e, no momento próprio, Jesus comunicou-lhes esta escolha: «O Senhor Jesus, depois de ter feito oração ao Pai, chamando a Si os que Ele quis, constituiu Doze para que vivessem com Ele e para os enviar a pregar o Reino de Deus (cfr Mc 3,13-19; Mt 10,1-42); a estes Apóstolos (cfr Lc 6,13) instituiu-os a modo de Colégio, isto é, de grupo estável, à frente do qual colocou Pedro, escolhido dentre eles mesmos (cfr Ioh 21,15-17)» (Lumen gentium, n. 19). Por outro lado, os Apóstolos gozaram do privilégio de escutar directamente de Jesus Cristo a doutrina revelada. Mediante essa doutrina recebida com docilidade, chegaram a conhecer que Jesus tinha saído do Pai e que, portanto, é o enviado de Deus (v. 8); isto é, conseguiram o conhecimento das relações entre o Pai e o Filho.

O cristão, também discípulo, vai adquirindo pela vida de6-8. Nosso Senhor rogou ao Pai por Si mesmo; agora roga pelos Seus Apóstolos, que serão os continuadores da Sua obra redentora no mundo. Ao orar por eles, Jesus descreve algumas prerrogativas dos que vão formar o Colégio Apostólico.

Em primeiro lugar, a escolha: «Eram Teus…». Deus Pai tinha-os escolhido desde toda a eternidade (cfr Eph 1,3-4) e, no momento próprio, Jesus comunicou-lhes esta escolha: «O Senhor Jesus, depois de ter feito oração ao Pai, chamando a Si os que Ele quis, constituiu Doze para que vivessem com Ele e para os enviar a pregar o Reino de Deus (cfr Mc 3,13-19; Mt 10,1-42); a estes Apóstolos (cfr Lc 6,13) instituiu-os a modo de Colégio, isto é, de grupo estável, à frente do qual colocou Pedro, escolhido dentre eles mesmos (cfr Ioh 21,15-17)» (Lumen gentium, n. 19). Por outro lado, os Apóstolos gozaram do privilégio de escutar directamente de Jesus Cristo a doutrina revelada. Mediante essa doutrina recebida com docilidade, chegaram a conhecer que Jesus tinha saído do Pai e que, portanto, é o enviado de Deus (v. 8); isto é, conseguiram o conhecimento das relações entre o Pai e o Filho.

O cristão, também discípulo, vai adquirindo pela vida de fé, com a intimidade com Jesus Cristo, o conhecimento de Deus e das coisas divinas.

«Ao recordarmos esta delicadeza humana de Cristo, que gasta a Sua vida em serviço dos outros, fazemos muito mais do .que descrever um modo possível de nos comportarmos: estamos a descobrir Deus. Toda a actuação de Cristo tem um valor transcendente; dá-nos a conhecer o modo de ser de Deus; convida-nos a crer no amor de Deus, que nos criou e que quer levar-nos até à Sua intimidade» (Cristo que passa, n. 109).

11-19. Jesus agora pede ao Pai para os Seus quatro coisas: a unidade, a perseverança, o gozo e a santidade. Ao pedir que os guarde em Seu nome (v. 11) está a rogar que perseverem na doutrina recebida (cfr v. 6) e em comunhão íntima com Ele. Consequência imediata desta comunhão é a unidade: «Para serem um só, como Nós»; a unidade que pede para os discípulos é reflexo da que existe entre as três Pessoas divinas.

Roga, além disso, que nenhum deles se perca, que o Pai os guarde e proteja, tal como Ele os protegeu enquanto esteve com eles. Em terceiro lugar, da união com Deus e da perseverança no Seu amor surge a participação no gozo completo de Cristo (v. 13). Nesta vida, quanto melhor conhecermos Deus e mais intimamente estivermos unidos a Ele, maior dita teremos. Na vida eterna, a nossa alegria será completa, porque o conhecimento e amor a Deus terão chegado à sua plenitude.

Por último, o Senhor roga pelos que, vivendo no meio do mundo, não são do mundo, para que sejam santos de verdade (v. 17) e levem a cabo a missão que Ele lhes confia, como Ele realizou a que recebeu do Pai (v. 18).

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