In Evangelho do dia

13Partidos que foram, eis que um anjo do Senhor aparece em sonhos a José e diz-lhe: Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe e foge para o Egipto, e fica lá, até eu te avisar, porque Herodes vai procurar o Menino para O matar.

14Ele levantou-se, tomou, de noite, o Menino e Sua Mãe e retirou-se para o Egipto, 15onde ficou até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor tinha anunciado pelo profeta, que disse: «Do Egipto chamei o meu Filho».

19Depois da morte de Herodes, aparece em sonhos a José, no Egipto, um anjo do Senhor 20e diz-lhe: Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe e volta para a terra de Israel, pois já morreram os que atentavam contra a vida do Menino.

21Ele levantou-se, tomou o Menino e Sua Mãe e reentrou na terra de Israel.

22Ao ouvir, porém, que na Judeia reinava Arquelau, em vez de Herodes, seu pai, receou ir para lá. E, avisado em sonhos, retirou-se para as bandas da Galileia 23e foi morar numa cidade chamada Nazaré, para se cumprir o que fora anunciado pelos profetas:

«Será chamado Nazareno».

Comentário


  1. São João Crisóstomo, a propósito deste passo, sublinha a fidelidade e obediência de José: «Ao ouvir isto, José não se escandalizou nem disse: isto parece um enigma. Tu mesmo dizias-me não há muito que Ele salvaria o Seu povo, e agora não é capaz nem sequer de Se salvar a Si mesmo, mas temos necessidade de fugir, de empreender uma viagem, uma longa deslocação… Mas nada disto diz, porque José é um varão fiel. Tão-pouco pergunta pelo tempo do regresso, apesar de o anjo O ter deixado indeterminado, pois lhe tinha dito: E está ali até que eu te diga. Não obstante, nem por isso ficou paralisado, mas obedece e crê e suporta todas as provas com alegria» (Hom. sobre S. Mateus, 8).

É de notar também o ‘claro-escuro’ da acção de Deus relativamente aos eleitos: juntamente com as maiores alegrias hão-de suportar sofrimentos intensos. «É bem verdade que Deus, amigo dos homens, misturava trabalhos e doçuras, estilo que segue com todos os santos. Nem os perigos nem as consolações no-las dá contínuos, mas de uns e de outros vai entretecendo a vida dos justos. Assim fez com José» (Ibidem).

  1. 22. Pela história profana sabemos que Arquelau se parecia com seu pai na ambição e crueldade. Ao regressar José do Egipto era já conhecido o comportamento injusto do novo rei.

«Nas diversas circunstâncias da sua vida, o Patriarca não renuncia a pensar, nem se alheia da sua responsabilidade. Pelo contrário: põe toda a sua experiência humana ao serviço da fé. Quando volta do Egipto, ouvindo que Arquelau reinava na Judeia em vez de seu pai Herodes, temeu ir para lá. Aprendeu a mover-se dentro dos planos divinos e, como confirmação de que Deus quer o que ele pressentia, recebe a indicação de se retirar para a Galileia» (Cristo que passa, nº42).

  1. Nazaré, onde teve lugar a Anunciação (Lc 1, 26), era uma aldeiazinha pequena e desconhecida de Israel. Estava situada na Galileia, a parte mais setentrional da terra dos Judeus. O termo «nazareno» refere-se não só à procedência geográfica de Jesus, mas também ao facto de que por isso foi desprezado pelos Judeus ao começo da Sua missão (Ioh 1, 46), e de que, ainda no tempo de São Paulo, os judeus procuravam humilhar os cristãos dando-lhes o nome de nazarenos (Act 24,5). A condição de pobreza e o desprezo que sofreria o Messias estavam preanunciados por muitos profetas (Is 53, 2 ss; ler 11, 19; Ps 22). As palavras «será chamado Nazareno» não se encontram literalmente em nenhum deles, mas, segundo São Jerônimo, resumem o ensino dos profetas com uma fórmula breve e expressiva.

Não obstante, o mesmo São Jerônimo (Comm. in Is, 11,1) atribui ao nome «nazareno» o cumprimento da profecia de Is 11,1. Cristo é a vergôntea (nézer, em hebraico) de toda a raça de Abraão e de David.

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