In Evangelho do dia

20Mas, quando virdes Jerusalém sitiada por exércitos, ficai então sabendo que está próxima a sua devastação. 21Então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes, os que se encontrarem no interior da cidade retirem-se e os que estiverem nos campos não entrem nela, 22porque são de vindicta esses dias, a fim de se cumprir tudo o que está escrito. 23Ai das que se encontrarem grávidas e das que andarem a amamentar naqueles dias, pois haverá grandes dificul­dades no país e ira contra este povo. 24Hão-de cair ao fio da espada, irão cativos para todas as nações, e Jerusalém será calcada pelos pagãos, até se completarem os tempos dos pagãos.

25Haverá sinais no Sol, na Lua e nas es­trelas e, na Terra, angústia entre as nações, perplexas com o bramido e a agitação do mar, 26desfalecendo os homens de pavor e com a expectativa do que vai sobrevir ao Universo, pois as forças celestes serão aba­ladas. 27Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória.

28Ora, quando isto começar a acontecer, endireitai-vos e erguei as vossas frontes, porque se aproxima a vossa libertação.

Comentário

20-24. Jesus profetiza suficientemente a destruição da Cidade Santa. Quando os cristãos que viviam ali viram que os exércitos cercavam a cidade recordaram a profecia do Senhor e fugiram para a Transjordânia (cfr História Ecle­siástica, III, 5). Com efeito, Cristo recomenda que fujam com toda a prontidão, porque é o tempo da aflição de Jerusalém, de que se cumpra o que está escrito no AT: Deus castiga Israel pelas suas infidelidades (Is 5,5-6).

A Tradição católica considera Jerusalém como figura da Igreja. De facto a Igreja triunfante é chamada no Apocalipse a Jerusalém celeste (Apc 21,2). Por isso, ao aplicar este passo à Igreja, os sofrimentos da Cidade Santa podem ser consi­derados como figura das contradições que sobrevêm à Igreja peregrina por causa dos pecados dos homens, pois «ela própria vive entre as criaturas que gemem com dores de parto à espera da manifestação dos filhos de Deus» (Lumen gentium, n 48).

  1. «Tempo dos pagãos» quer dizer o tempo em que os gentios, que não pertencem ao povo judaico, entrarão a fazer parte do novo Povo de Deus, a Igreja, até que os próprios judeus se convertam no fim dos tempos (cfr Rom 11,11-32).

25-26. Jesus refere-Se à comoção dos elementos da natu­reza quando chegar o fim do mundo. «As forças celestes serão abaladas», isto é, todo o universo tremerá diante da vinda do Senhor em poder e glória.

27-28. O Senhor, aplicando a Si mesmo a profecia de Daniel (7,13-14), fala da Sua vinda gloriosa no fim dos tempos. Os homens contemplarão o poder e a glória do Filho do Homem, que vem para julgar vivos e mortos. Este juízo compete a Cristo também enquanto homem. A Sagrada Escritura descreve a solenidade deste juízo. Nele confir­ma-se a sentença dada já a cada um no juízo particular, e brilharão com total resplendor a justiça e a misericórdia que Deus teve com os homens ao longo da história.« Era razoável — ensina o Catecismo Romano — que não só se estabelecessem prêmios para os bons e castigos para os maus na vida futura, mas que também se decretasse num juízo geral e público, a fim de que se tornasse para todos mais notório e grandioso, e para que todos tributassem a Deus louvores pela Sua justiça e providência» (1, 8,4).

É, pois, essa vinda do Senhor dia terrível para os maus e dia de gozo para aqueles que Lhe foram fiéis. Os discípulos hão-de levantar a cabeça com gozo, porque se aproxima a sua redenção. Para eles é o dia do prêmio. A vitória obtida por Cristo na Cruz — vitória sobre o pecado, sobre o demô­nio e sobre a morte — manifesta-se aqui em todas as suas consequências. Por isso o apóstolo São Paulo recomenda-nos que vivamos «aguardando a bem-aventurança esperada e a vinda gloriosa do grande Deus e Salvador nosso Jesus Cristo» (Tit 2,13).

« Subiu ao Céu (o Senhor), donde há-de vir de novo, então com glória, para julgar os vivos e os mortos, cada um segundo os próprios méritos: os que tenham respondido ao amor e à piedade de Deus irão para a vida eterna, mas os que os tenham rejeitado até ao fim serão destinados ao fogo que nunca cessará» (Credo do Povo de Deus, n° 12).

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