In Evangelho do dia

Ao descer do monte, seguiram-No grandes multidões. 2E eis que um leproso se aproximou e prostrou diante d’Ele, dizendo: Senhor, se quiseres, podes limpar-me. 3E Ele estendeu a mão e tocou-o, dizendo: Quero, sé limpo! E imediatamente ficou limpo da sua lepra. 4Disse-lhe então Jesus: Vê lá, não digas  a ninguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta a oferenda prescrita por Moisés, para lhes servir de testemunho.

 

Comentário

Os capítulos 8 e 9 de São Mateus contêm uma série de milagres de Nosso Senhor.

Os primeiros cristãos tinham experiência viva de que Jesus glorificado continuava a estar presente no meio da Igreja, confirmando a doutrina com os sinais que a acompanhavam (Mc 16, 20; cfr Act 14, 3). Assim São Mateus, depois de ter exposto um núcleo fundamental do ensino público de Jesus no chamado «Sermão da Montanha» (caps. 1 a 7), agrupa a seguir — caps. 8 e 9 — alguns milagres que ’em apoiar as palavras do Salvador. Alguns comentadores chamam a esta secção dos capítulos 8 e 9 «as obras do Messias», em paralelismo com a secção anterior — Sermão da Montanha — a que chamam «as palavras do Messias», Jesus aparece nos capítulos 5 a 7 como supremo legislador e doutor que ensina com autoridade divina, única e superior a como o tinham feito Moisés e os profetas. Agora, nos capítulos 8 e 9, apresenta-Se dotado também de um poder divino sobre as doenças, a morte, os elementos da natureza e os espíritos maus. Tais milagres operados por Jesus abonam a autoridade divina do Seu ensino.

  1. O Evangelho sublinha, pela terceira vez, o seguimento lê Jesus por parte das multidões. Literalmente diz: «seguiam-nO muitas multidões». Assim fica a conhecer-se a popularidade que tinha alcançado Jesus Cristo, até ao ponto de o Sinédrio (grande conselho da nação judaica) não se atrever a detê-Lo com medo a que o povo se amotinasse (cfr Mt 21,46; 26,25; Mc 14,2). Do mesmo modo poderiam depois acusá-Lo diante de Pilatos de sublevar o país desde a Judeia até à Galileia. Igualmente, Herodes Antipas tinha uma grande ansiedade por conhecer Jesus, cuja fama lhe tinha chegado (cfr Mt 14, 1). Contra esta imensa maioria popular, foram precisamente os chefes do povo os que se opuseram a Jesus, e enganaram a multidão para que pedisse a morte do Senhor (cfr Mt 27,20-22).
  2. Os Santos Padres viram nesta cura o seguinte significado: a lepra, pela sua fealdade e repugnância, pela sua facilidade de contágio, pela dificuldade da sua cura, é uma imagem impressionante do pecado. Todos somos pecadores e todos necessitamos do perdão e da graça de Deus (cfr Rom 3, 23-24). O leproso do Evangelho prostrou-se diante de Jesus com plena humildade e confiança, suplicando que o curasse. Se recorrermos ao Salvador com uma fé semelhante, podemos esperar com segurança a cura das misérias da nossa alma. Quantas vezes deveremos dirigir-nos a Cristo com essa breve oração — jaculatória — do leproso: «Senhor, se quiseres, podes limpar-me».
  3. Segundo a Lei de Moisés (cfr Lev 14), se um leproso se cura da sua doença deve apresentar-se diante do sacerdote, que constata a cura e passa a certidão. Esta é necessária para a reintegração do sarado na vida civil e religiosa de Israel. O Levítico prescreve também as purificações e o sacrifício que deve oferecer. O mandato de Jesus ao leproso corresponde, pois, ao que era normal no cumprimento do estabelecido pelas leis.
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