In Evangelho do dia

49Eu vim lançar fogo sobre a Terra, e que quero Eu senão que ele já se tenha ateado? 50Tenho um baptismo para receber e que angústias não sinto até que ele se realize! 51Julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, vos digo Eu, foi antes a divisão. 52Haverá, efectivamente, a partir de agora, cinco divididos numa só casa: três contra dois, e dois contra três; 53dividir-se-ão o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra.

Comentário

49-50. O fogo exprime frequentemente na Bíblia o amor ardente de Deus pelos homens (cfr Dt 4,24; Ex 13,22; etc.). No Filho de Deus feito homem alcança esse amor divino a sua máxima expressão: «De tal maneira amou Deus o mundo que lhe entregou o Seu Filho Unigênito» (Ioh 3,16). Jesus entrega voluntariamente a Sua vida por amor de nós, e «ninguém tem maior amor que o de dar a vida pelos seus amigos» (Ioh 15,13).

Com as palavras que nos transmite São Lucas, Jesus Cristo revela as ânsias irreprimíveis de dar a Sua vida por amor. Chama Baptismo à Sua morte, porque dela vai sair ressuscitado e vitorioso para nunca mais morrer. O nosso Baptismo é um submergir-nos nessa morte de Cristo, na qual morremos para o pecado e renascemos para a nova vida da graça: «Pois fomos sepultados juntamente com Ele por meio do Baptismo em ordem à morte, para que, assim como Cristo ressuscitou de entre os mortos pela glória do Pai, assim também nós caminhemos numa vida nova» (Rom 6,4).

Nós, os cristãos, devemos ser, com essa nova vida, fogo que acende como Jesus acendeu os Seus discípulos: «Com a maravilhosa normalidade do divino, a alma contemplativa derrama-se em afã apostólico: ardia-me o coração dentro do peito, ateava-se o fogo na minha meditação (Ps XXXVIII,4). Que fogo é esse senão aquele de que fala Cristo: Vim trazer fogo à Terra: e que quero eu, senão que se acenda? (Lc XII,49). Fogo de apostolado que se robustece na oração: não há meio melhor do que este para desenvolver através de todo o mundo essa batalha pacífica em que cada cristão está chamado a participar: cumprir o que falta padecer a Cristo (cfr Col 1,24)» (Cristo que passa, n° 120).

51-53. Deus veio ao mundo com uma mensagem de paz (cfr Lc 2,14), de reconciliação (cfr Rom 5,11). Mas, ao resistirmos pelo nosso pecado à obra redentora de Cristo, opomo-nos a Ele. A injustiça e o erro provocam a divisão e a guerra. «Na medida em que os homens são pecadores, o perigo da guerra ameaça-os e continuará a ameaçá-los até à vinda de Cristo; mas na medida em que, unidos em caridade, superam o pecado, superadas ficam também as lutas» (Gaudium et spes, n. 78).

Na Sua própria vida na terra, Cristo foi sinal de contradição (cfr Lc 2,34). O Senhor previne os discípulos das lutas e divisões que acompanharão a difusão do Evangelho (cfr Lc 6,20-23; Mt 10,34).

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