In Evangelho do dia

13Apresentaram-Lhe umas criancinhas para que as tocasse. Mas os discípulos ralhavam com elas. 14Quando Jesus advertiu, indignou-Se e disse-lhes: Deixai vir a Mim as criancinhas; não as estorveis, porque dos que são como elas é o Reino de Deus. 15Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, não entrará nele. 16E, estreitando-as nos braços, abençoava-as, impondo-lhes as mãos.

Comentário

13-16. O relato evangélico reflecte uma espontaneidade e uma vivacidade que enamora o leitor e que se pode relacionar com a figura de São Pedro, a quem Marcos o teria ouvido contar. É uma das poucas ocasiões em que se diz nos Santos Evangelhos que Cristo Se indignou. A causa foi a intolerância dos discípulos, que consideravam inoportuna a pretensão daqueles que apresentavam as crianças para que o Senhor as abençoasse, como uma perda de tempo e uma circunstância aborrecida para o Mestre: Cristo tem coisas mais graves em que pensar para Se ocupar destas crianças, talvez tenham podido pensar. O comportamento dos discípulos não é mal-intencionado; simplesmente deixam-se levar por critérios humanos, querendo evitar um aborrecimento ao Senhor. Não penetraram no que lhes disse pouco antes: «Quem receber um destes meninos em Meu nome, é a Mim que recebe; e quem Me receber, não Me recebe a Mim, mas sim Aquele que Me enviou» (Mc 9,37).

Por outro lado, o Senhor põe em realce com toda a clareza a necessidade que tem o cristão de se tornar como uma criança para entrar no Reino dos Céus: «Para ser pequeno é preciso crer como os meninos crêem, amar como os meninos amam, abandonar-se como os meninos se abandonam…, rezar como os meninos rezam» (Santo Rosário, Prólogo). Em última análise, as palavras do Senhor são outra maneira, simples e gráfica, de explicar a doutrina essencial da filiação divina: Deus é nosso Pai e nós Seus filhos; toda a religião se resume na relação de um bom filho com um bom Pai. Esse espírito de filiação divina tem com qualidades: o sentido da dependência do nosso Pai do Céu e o abandono confiante na Sua providência amorosa, do mesmo modo que uma criança confia no seu pai; a humildade de reconhecer que por nós nada podemos; a simplicidade e a| sinceridade, que nos levam a mostrar-nos tal como somos.

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