In Evangelho do dia

Não julgueis, para não serdes julgados. 2Porque, com o juízo com que julgardes, sereis julgados e com a medida com que medirdes, vos será medido.

3Porque vês o argueiro no olho do teu irmão e não advertes na trave que tens no teu? 4Ou como ousas dizer a teu irmão: deixa-me tirar o argueiro do teu olho, tu que tens uma trave no teu? 5Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e então verás bem, para tirar o argueiro do olho de teu irmão.

 

Comentário

1-2. Como noutros lugares, os verbos na voz passiva («serdes julgados», «vos será medido») têm como sujeito Deus, ainda que não esteja explicitamente dito: «Não julgueis os outros e não sereis julgados por Deus». É claro que o juízo de que se fala aqui é sempre um juízo condenatório; portanto, se não queremos ser condenados por Deus, não condenemos nunca o próximo. «Pois Deus mede como medimos e perdoa como perdoamos, e socorre-nos da maneira e com as entranhas com que nos vê socorrer» (Exposição do livro de Job, cap. 29).

  1. Jesus condena aqui o juízo que fazemos temerariamente acerca dos nossos irmãos, quando por ligeireza ou por malvadez julgamos pejorativamente acerca do seu comportamento, dos seus sentimentos ou das suas intenções. O malicioso dito «pensa mal e acertarás» está contra a doutrina de Jesus Cristo.

São Paulo, ao falar da caridade cristã, assinala como notas salientes: «a caridade é paciente, é benigna… não pensa mal… tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo tolera» (1Cor 13, 4.5.7.). Por isso: «Não admitas um mau pensamento acerca de ninguém, mesmo que as palavras ou obras do interessado deem motivo para assim julgares razoavelmente» (Caminho, n.° 442). «Não queiramos julgar. — Cada qual vê as coisas do seu ponto de vista… e com o seu entendimento, bem limitado quase sempre, e com os olhos obscuros ou enevoados, com trevas de exaltação muitas vezes» (Caminho, n.°451).

3-5. O que tem a vista deformada vê deformadas as coisas, ainda que estas sejam correctas. Já Santo Agostinho dava este conselho: «Procurai adquirir as virtudes que credes que faltam nos vossos irmãos, e já não vereis os seus defeitos, porque não os tendes vós» (Enarrationes in Psalmos, 30, 2, 7). Neste caso, o refrão popular «julga o ladrão que todos são da sua condição» concorda com esta doutrina de Jesus Cristo. Por outro lado: «Fazer crítica, destruir, não é difícil: o Último aprendiz de pedreiro sabe assestar a sua ferramenta na pedra nobre e bela de uma catedral.» — Construir: eis o trabalho que exige mestres» (Caminho, n.°456).

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