In Evangelho do dia

15Então os Fariseus retiraram-se e deliberaram sobre o modo como O poderiam apanhar em palavras. 16Enviam-Lhe, pois, os próprios discípulos, juntamente com os Herodianos e dizem-Lhe: Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas com verdade o caminho de Deus e não Te preocupas com ninguém, pois não fazes acepção de pessoas. 17Dize-nos, pois, o que Te parece: É ou não é lícito pagar o tributo a César? 18Mas Jesus, que lhes conhecia a malícia, respondeu: Porque Me tentais, hipócritas? 19Mostrai-Me a moeda do tributo. E eles apresentaram–Lhe um dinheiro. 20Disse-lhes Ele: De quem são esta efígie e a inscrição? 2IDe César — responderam eles. Então diz-lhes: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

Comentário

15-21. Fariseus e herodianos unem-se para conspirar contra Jesus. Os herodianos eram os partidários da política de Herodes e da sua dinastia: viam de bom grado a dominação romana e, em matéria religiosa, compartilhavam as ideias materialistas dos saduceus. Os fariseus eram zelosos cumpridores da Lei, anti-romanos e consideravam o regime de Herodes e dos seus sucessores como uma usurpação. Não se pode imaginar diferença mais radical. Esta união tão surpreendente indica até que ponto odiavam o Senhor.

Se o Senhor respondia que era lícito pagar tributo a César, os fariseus podiam desacreditá-Lo diante do povo, que pensava com mentalidade nacionalista; se respondia que não era lícito, os herodianos podiam denunciá-Lo diante da autoridade romana.

Jesus dá uma resposta cuja profundidade eles não atingem e que é ao mesmo tempo absolutamente fiel à pregação que tem vindo a lazer do Reino de Deus: dai a César o que é de César, mas não mais do que isso, pois, sem dúvida, há que dar a Deus o que Lhe corresponde, reverso necessário da questão, que não lhe tinham proposto. Não existe igualdade de nível, pois para um israelita Deus transcende toda a quota humana. Que é que corresponde a César? A tributação, de que necessita para a existência do ordenamento temporal. Que é que se deve dar a Deus? Evidentemente todos os mandamentos, que implicam o amor e a entrega pessoais. A resposta de Jesus supera o horizonte humano dos seus tentadores; está por cima do sim e do não, que queriam arrancar-lhe.

A doutrina de Jesus Cristo transcende qualquer proposição política, e se os fiéis, no exercício da sua liberdade, escolhem uma determinada solução para os assuntos de caracter temporal, «recordem que em tais casos a ninguém é permitido reivindicar em exclusivo a autoridade da Igreja a favor da sua opinião» (Gaudium et spes, n. 43).

Jesus, com estas palavras, reconheceu o poder civil e os seus direitos, mas avisou claramente que se devem respeitar os direitos superiores de Deus (ctr Dignitatis humanae, n. 11), e indicou como parte da vontade de Deus o cumprimento fiel dos deveres cívicos (cfr Rom 13,1-7).

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