In Evangelho do dia

Disse também aos Seus discípulos: Havia um homem rico, que tinha um infiel administrador, e este foi acusado perante ele de lhe malbaratar os bens. 2Chamou-o e disse-lhe: «Que é isto que oiço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não poderás administrar». 3Disse consigo o administrador: «Que hei-de fazer, visto o meu senhor me ir tirar a administração? Cavar não posso; mendigar, tenho vergo­nha… 4Já sei o que hei-de fazer, para que me recebam em casa, quando for removido da administração». 5E, mandando chamar um a um os devedores do seu senhor, disse ao primeiro: «Quanto deves ao meu senhor?». 6Este respondeu: «Cem talhas de azeite». «Toma o teu recibo — retorquiu-lhe — sen­ta-te depressa e escreve cinquenta». 7A seguir, disse a outro: «E tu, quanto deves?». Este respondeu: «Cem medidas de trigo». «Toma o teu recibo — retorquiu-lhe — e escreve oi­tenta». 8E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido acautelada-mente. E que os filhos deste mundo são mais cautelosos que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes.

9E Eu digo-vos a vós: Arranjai amigos com o vil dinheiro para, quando este faltar, eles vos receberem nas tendas eternas.

10Quem é fiel em mui pouco é fiel também em muito, e quem é infiel em mui pouco é infiel também em muito.

11Portanto, se não fostes fiéis no que toca ao vil dinheiro, quem vos há-de confiar o verdadeiro bem? 12E se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso?

I3Nenhum servo pode servir a dois senho­res, porquanto, ou há-de odiar a um e amar o outro, ou então ligar-se-á a um, desprezando o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.

Comentário

1-8. O administrador infiel congemina o modo a resolver a sua futura situação de indigência. O Senhor dá por suposta — era evidente — a imoralidade de tal actuação. Põe em realce e louva, porém, a agudeza e o empenhe» que demonstra este homem para tirar proveito material da sua antiga condição de administrador. Jesus quer que na salvação da alma e na propagação do Reino de Deus apliquemos, pelo menos, a mesma sagacidade e o mesmo esforço» que põem os homens nos seus negócios materiais ou na luta por fazer triunfar um ideal humano. O facto de contar com a graça de Deus não exime de modo algum de pôr todos os meios humanos honestos que sejam possíveis, ainda que isso suponha esforço árduo e sacrifício heroico.

«Que empenho põem os homens nas suas coisas terrenas!: sonhos de honras, ambição de riquezas, preocupações de sensualidade. — Eles e elas, ricos e pobres, velhos e homens feitos, e jovens, e até crianças; todos, a mesma coisa.

«—Quando tu e eu pusermos o mesmo empenho nos assuntos da nossa alma, teremos uma fé viva e operante; e não haverá obstáculo que não vençamos nos nossos empreen­dimentos apostólicos» (Caminho, n° 317).

9-11. Chama-se aqui «vil dinheiro» — aos bens deste mundo que foram obtidos por processos injustos. É tanta a misericórdia divina que essa mesma riqueza injusta pode ser também ocasião de virtude por meio da restituição, da reparação de danos e prejuízos e, depois, excedendo-se na ajuda ao próximo, nas esmolas, no fomento das fontes de trabalho, de riqueza, etc. Tal é o caso de Zaqueu, chefe de publicanos, que se compromete a restituir o: quádruplo do que tivesse roubado e, além disso, a entregar a metade dos seus bens aos necessitados. O Senhor diante dessa atitude declara categoricamente que a salvação entrou naquele dia na casa de Zaqueu (cfr Lc 19, 1-10).

Nosso Senhor fala de fidelidade no pouco referindo-se às riquezas, já que na realidade estas são mui pouca coisa comparadas com os bens espirituais. .Se o homem é fiel, generoso e desprendido no uso dessas riquezas caducas, receberá no fim o prêmio da vida eterna, a riqueza máxima e definitiva. Por outro lado, a vida humana pela sua própria natureza é um tecido de coisas pequenas; quem não lhes prestar atenção não poderá realizar coisas grandes. «Tudo aquilo em que intervimos nós, os pobrezitos dos homens — mesmo a santidade — é um tecido de pequenas coisas, que — segundo a intenção com que se fazem — podem formar uma tapeçaria esplêndida de heroísmo ou de baixeza, de virtudes ou de pecados.

«As gestas relatam sempre aventuras gigantescas, mas misturadas com pormenores caseiros do herói. — Oxalá tenhas sempre em muito apreço — é a linha recta! — as coisas pequenas» (Caminho, n° 826).

A parábola do administrador infiel é uma imagem da vida do homem. Tudo o que temos é dom de Deus, e nós somos os seus administradores, que tarde ou cedo teremos de Lhe prestar contas.

  1. Por alheio entendem-se os bens deste mundo, porque são passageiros e mutáveis. Por vosso entendem-se os bens do espírito, valores imperecedoiros, que são radicalmente nossos porque nos acompanharão na vida eterna. Por outras palavras: como nos irá ser dado o Céu se não tivermos sido fiéis na terra?

 

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