In Evangelho do dia

19Não entesoireis na terra, onde a traça e a Confiança ferrugem destroem e os ladrões arrombam e roubam. 20Entesoirai antes tesoiros no Céu, onde nem a traça nem a ferrugem destroem, e os ladrões não arrombam nem roubam. 21Porque onde está o teu tesoiro, aí está o teu coração. 22A candeia do corpo é o olho. Se, pois, o teu olho estiver são, todo o corpo terá luz. 23Mas se o teu olho estiver doente, todo o teu corpo estará em trevas. Ora se a luz que em ti há é treva, quão grande a treva não será…

 

Comentário

19-21. A ideia é clara: o coração do homem anela por um tesouro em cuja posse pensa encontrar a segurança e a felicidade. Não obstante, todo o tesouro composto de bens da terra, de riquezas, de dinheiro, transforma-se numa contínua fonte de preocupações, porque está exposto ao perigo de perder-se, ou porque a sua defesa leva consigo uma tensão cheia de desgostos, e de dissabores. Jesus, pelo contrário, ensina aqui que o verdadeiro tesouro são as obras boas e o comportamento recto, que serão premiadas por Deus no Céu eternamente. Esse sim que é um tesouro que não se perde! É aí que o discípulo de Cristo deve pôr o seu coração.

Jesus encerra os ensinamentos dos versículos precedentes com uma frase a modo de refrão (v. 21). Com esta doutrina Jesus não quer dizer que o homem deva despreocupar-se das coisas da terra. O que nos ensina é que nenhuma coisa criada pode ser «o tesouro», o fim último do homem. Pelo contrário, o homem, usando rectamente das coisas nobres da terra, percorre o caminho para Deus, santifica-se e dá ao Senhor toda a glória: «Quer comais, quer bebais ou façais qualquer coisa, fazei-o tudo para a glória de Deus» (1Cor 10, 31; cfr Col 3, 17).

22-23. Nestes versículos temos outra pequena joia da doutrina sapiencial de Jesus. Começa com uma sentença que imediatamente é explicada. O Mestre emprega a imagem do olho como lamparina do corpo ao qual dá luz. A exegese cristã viu nesse «olho» e nessa «lâmpada» a intencionalidade dos nossos actos. São Tomás explica-o assim: «Com o olho é significada a intenção. O que quer fazer uma coisa, primeiro pretende-a: assim, se a tua intenção é luminosa — simples, transparente —, quer dizer, encaminhada para Deus, todo o teu corpo, ou seja, todas as tuas acções serão luminosas, dirigidas sinceramente para o bem» (Comentário sobre S. Mateus, 6, 22-23).

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