In Evangelho do dia

Entretanto, acumulando-se a multidão por muitos milhares, a ponto de se pisarem uns aos outros, começou Jesus a dizer, em primeiro lugar para os discípulos: Acautelai-vos do fermento dos Fariseus, que é a hipocrisia. 2Nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nem oculto que não venha a conhecer-se. 3Por isso mesmo, tudo o que tiverdes proferido às escuras ouvir-se-á em plena luz, e o que tiverdes dito ao ouvido, nos recintos interiores, apregoar-se-á em cima dos terraços.

4Digo-vos a vós, meus amigos: Não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais têm que fazer. 5Mostrar-vos-ei a quem deveis temer: Temei Aquele que, depois de matar, tem poder para lançar na Geena. Sim, vos digo Eu, temei Esse. 6Não se vendem cinco passarinhos por dois asses? E nem um deles está esquecido diante de Deus. 7Mas até os cabelos da cabeça vos estão todos contados. Não temais: tendes mais valor que muitos passarinhos.

Comentário

3- O tecto das casas da Palestina era ordinariamente um terraço. Ali se reuniam a conversar, passadas as horas do calor. Jesus adverte os Seus discípulos que assim como nessas tertúlias se comentavam as coisas ditas em privado, também, por muito que os fariseus ocultassem os seus vícios e defeitos com o véu da hipocrisia, estes chegariam a ser conhecidos e comentados por todos.

6-7. Nada — nem mesmo as coisas mais insignificantes — escapa aos olhos de Deus, à Sua Providência e ao Seu juízo. Muito menos escaparão as acções dos homens, que serão premiados ou castigados pelo justo e inapelável juízo de Deus. Por isso mesmo, não se deve temer que fique sem recompensa eterna nenhum sofrimento ou perseguição padecidos por seguir a Cristo.

Por outra parte, o ensinamento do v. 5 sobre o temor é completado nos w. 6 e 7 ao dizer-nos que Deus é o Pai bom que vela por todos nós, muito mais que por esses passarinhos dos quais também não se esquece. Assim, pois, o nosso temor a Deus não há-de ser servil — fundado no medo ao castigo —, mas um temor filial — o de quem não quer desgostar seu pai —, e que se alimenta da confiança na divina Providência.

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