In Evangelho do dia

Mas no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram ao sepulcro, levando os perfumes que haviam preparado. 2Encontraram a pedra removida do túmulo 3e, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. 4Estando elas perplexas com o caso, surgiram-lhes dois homens em traje resplandecente. 5Como ficassem amedrontadas e inclinassem os rostos até ao chão, eles disse­ram-lhes: Porque buscais entre os mortos Aquele que vive? 6Não está aqui; ressuscitou! Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia: 7«O Filho do homem — dizia Ele — tem de ser entregue às mãos dos pecadores, tem de ser crucificado e res­suscitar ao terceiro dia». 8Lembraram-se então das Suas palavras. 9Depois voltaram do túmulo e foram contar tudo isto aos onze e a todos os restantes. 10Eram elas Maria de Magdala, Joana e Maria, mãe de Tiago; e as outras que estavam com elas diziam isto mesmo aos Apóstolos. 11Tais palavras, po­rém, pareceram-lhes um desvairo e eles não acreditaram nelas. 12Mas Pedro pôs-se a ca­minho e correu ao túmulo. Debruçando-se, apenas viu as ligaduras e voltou para casa admirado com o sucedido.

Comentário

1-4. O carinho das santas mulheres ao preparar todas as coisas para embalsamar o Corpo de Jesus com toda a veneração foi talvez uma intuição profunda da fé, que a doutrina da Igreja expressaria mais tarde com precisão ao dizer: «Cremos e confessamos firmemente que, separada a alma de Cristo do Seu corpo, a divindade esteve sempre unida tanto ao corpo no sepulcro, como à alma quando desceu aos infernos» (Catecismo Romano, I, 5,6).

5-8. A verdade de fé sobre a Ressurreição de Jesus Cristo ensina que tendo realmente morrido ao separar-se a Sua Alma do Seu Corpo, e tendo sido sepultado, aos três dias, pelo Seu próprio poder voltou a unir-se novamente a Sua Alma ao Seu Corpo, de modo que não se separarão jamais (cfr Catecismo Romano, I, 6,7).

Sendo um mistério estritamente sobrenatural, tem, con­tudo, uns aspectos exteriores que caem sob a experiência sensível: morte, sepultura, sepulcro vazio, aparições, etc. E neste aspecto é um facto demonstrado e demonstrável (cfr Lamentabili, nn 36-37).

A Ressurreição de Jesus Cristo completa a obra da nossa Redenção: «Porque assim como pela Morte carregou com os males para nos livrar do mal, de modo semelhante, pela Ressurreição foi glorificado para nos levar ao bem; segundo as palavras da Epístola aos Romanos (4,25); foi entregue à morte pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação» (Suma Teológica, III, q. 53, a. l, c.).

«Cristo vive. Esta é a grande verdade que enche de con­teúdo a nossa fé. Jesus, que morreu na cruz, ressuscitou; triunfou da morte, do poder das trevas, da dor e da angústia. Não temais — foi com esta invocação que um anjo saudou as mulheres que iam ao sepulcro. Não temais. Procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ressuscitou; não está aqui (Mc XVI, 6). Haec est dies quam fecit Dominus, exultemus et laetemur in ea — este é o dia que o Senhor fez, alegremo-nos (Ps 117,24).

«O tempo pascal é tempo de alegria, de uma alegria que não se limita a esta época do ano Litúrgico, mas mora sempre no coração dos cristãos. Porque Cristo vive. Cristo não é uma figura que passou, que existiu em certo tempo e que se foi embora, deixando-nos uma recordação e um exemplo maravilhosos.

«Não. Cristo vive. Jesus é Emanuel: Deus connosco. A Sua Ressurreição revela-nos que Deus não abandona os Seus. Pode a mulher esquecer o fruto do seu seio e não se compadecer do filho das suas entranhas? Pois ainda que ela se esquecesse, eu não me esquecerei de ti (Is 42, 14-15), havia-nos Ele prometido. E cumpriu a promessa. Deus continua a ter as Suas delícias entre os filhos dos homens (cfr Prv 8, 31)» (Cristo que passa, n° 102).

Pelo Baptismo e pelos outros sacramentos, o cristão fica incorporado ao mistério redentor de Cristo, que compreende a Sua Morte e a Sua Ressurreição: «Postes sepultados com Ele pelo Baptismo, e com Ele ressuscitastes pela fé que tendes no poder de Deus que O ressuscitou da morte» (Col 2,12). «Se ressuscitastes com Cristo buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus; saboreai as coisas do Céu, não as da terra. Porque estais mortos já e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus» (Col 3,1-3).

9-12. Os primeiros a quem um anjo anuncia o Nasci­mento de Cristo são os pastores de Belém. As primeiras a receber o testemunho divino da Ressurreição de Jesus são estas piedosas mulheres. É uma mostra mais da predilecção de Deus pelas almas simples e sinceras, às quais concede uma honra que o mundo não sabe apreciar (cfr Mt 11.25). Mas não é apenas simplicidade e bondade, não é apenas sinceridade; é que os pobres — os pastores — e as mulheres eram desprezados naquele tempo: e Jesus ama aquilo que é humilhado pela soberba dos homens; por isso distingue os pastores e as mulheres. E precisamente porque aquelas mulheres eram simples e boas, recorrem imediatamente a Pedro e aos Apóstolos a comunicar-lhes tudo o que tinham visto e ouvido. Pedro, a quem Jesus tinha prometido que seria o Seu Vigário na terra (cfr Mt 16,18), sente-se movido a tomar a responsabilidade de comprovar os factos.

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