In Evangelho do dia

12É este o Meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei a vós. 13Ninguém tem amor maior que o de quem der a própria vida pelos seus amigos. 14Vós sereis Meus amigos, se fizerdes o que Eu vos ordeno. 15Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor; Eu chamei-vos amigos, porque tudo o que ouvi a Meu Pai vo-lo dei a conhecer. 16Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e vos estabeleci, para irdes e dardes fruto e o vosso fruto permanecer, de sorte que o que pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo concederá. 17O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.

Comentário

12-15. Jesus insiste no «mandamento novo», cumprindo-o Ele mesmo ao dar a Sua vida por nós. Veja-se a nota a Ioh 13,34-35.

A amizade de Cristo com o cristão, que o Senhor manifesta de modo particular neste passo, foi posta em realce na pregação de Mons. J. Escrivá de Balaguer: «A vida do cristão que decide comportar-se de acordo com a grandeza da sua vocação converte-se num eco prolongado daquelas palavras do Senhor: Já não vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vo-lo dei a conhecer (Ioh 15,15). Estar pronto a seguir documente a Vontade divina abre horizontes insuspeitados (…) ‘não há nada melhor que saber que somos por amor escravos de Deus, porque perdemos a situação de escravos para nos tornarmos amigos, filhos’ (Amigos de Deus, n.° 35).

«Filhos de Deus, Amigos de Deus (…) Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem: nosso Irmão, nosso Amigo; se procurarmos criar intimidade com Ele, ‘participaremos na dita da amizade divina’ (Ibid., n.° 300); se fizermos o possível por acompanhá-Lo desde Belém até ao Calvário, compartilhando as Suas alegrias e os Seus sofrimentos, tornar-nos-emos dignos da Sua companhia amistosa: calicem Domini biberunt — canta a Liturgia das Horas — et amici Dei facti sunt, beberam do cálice do Senhor e tornaram-se amigos de Deus (Responsório da segunda leitura do ofício da Dedicação das Basílicas dos Apóstolos Pedro e Paulo).

«Filiação e amizade são duas realidades inseparáveis para aqueles que amam a Deus. A Ele acorremos como filhos, num diálogo que há-de encher toda a nossa vida; e como amigos (…). Do mesmo modo, a filiação divina leva a que a abundância de vida interior se traduza em actos de apostolado, tal como a amizade com Deus leva a pormo-nos ‘ao serviço de todos: temos de utilizar esses dons de Deus como instrumentos para ajudar os homens a descobrirem Cristo’ (Amigos de Deus, n° 258)» (Amigos de Deus, Apresentação de Mons. A. Del Portillo, pp. 20-21).

  1. Três ideias estão contidas nestas palavras do Senhor. Uma, que o chamamento aos Apóstolos e também a todo o cristão não provém de bons desejos, mas da escolha gratuita de Cristo. Não foram os Apóstolos que escolheram o Senhor como Mestre, segundo o costume judaico de escolher para si um rabino, mas foi Cristo quem os escolheu a eles. A segunda idéia é que a missão dos Apóstolos e de todo o cristão consiste em seguir Cristo, buscar a santidade e contribuir para a propagação do Evangelho. O terceiro ensinamento refere-se à eficácia da súplica feita em nome de Cristo; por isso a Igreja costuma terminar as orações da Sagrada Liturgia com a invocação «por Jesus Cristo Nosso Senhor».

As três ideias assinaladas unem-se harmonicamente: a oração é necessária para que a vida cristã seja fecunda, pois é Deus quem dá o incremento (cfr 1Cor 3,7); e a obrigação de buscar a santidade e exercer o apostolado deriva de que é o próprio Cristo quem nos chamou a realizar esta missão.

«Lembra-te, meu filho, de que não és somente uma alma que se une a outras almas para fazer uma coisa boa.

«Isso é muito…, mas é pouco. — Es o Apóstolo que cumpre uma ordem imperativa de Cristo» (Caminho, n.° 942).

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