Evangelho do dia 17.06.2017 – Mt 5, 33-37 – Leia o Evangelho de hoje

33Ouvistes mais que foi dito aos antigos: Não jures falso, mas cumpre os juramentos feitos ao Senhor. 34Eu, porém, digo-vos que não jureis de modo nenhum, nem pelo Céu, que é o trono de Deus, 35nem pela Terra, que é estrado dos seus pés, nem por Jerusalém, que é a cidade do Grande Rei. 36Nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um só cabelo branco ou preto. 37Seja, pois, o vosso falar: sim, sim, não, não, porque tudo o que passa disto procede do Maligno.

Comentário

33-37. A Lei de Moisés proibia taxativamente o perjúrio ou violação de juramento (Ex 20, 7; Num 30,3; Dt 23,22). Em tempos de Cristo, a prática do juramento tinha caído num abuso até ridículo pela sua frequência e pela casuística à volta dele. Segundo numerosos documentos rabínicos da época, jurava-se pelos motivos mais fúteis. Juntamente com o abuso do juramento, tinha surgido outro, não menos ridículo, para legitimar o seu não cumprimento. Tudo isso constituía uma falta de respeito ao nome de Deus. Não obstante, pela mesma Sagrada Escritura sabemos que o juramento é lícito e bom nalgumas ocasiões: «se juras pela vida de Yahwéh com verdade, com direito e com justiça, serão em ti abençoados os povos e em ti se gloriarão» (Ier 4,2).

Jesus estabelece o princípio que hão-de seguir os Seus discípulos nesta matéria. Funda-se num restabelecimento da confiança mútua, da hombridade de bem e da sinceridade. O demônio é o «pai da mentira» (Ioh 8, 44). Portanto, na Igreja de Cristo não podem tolerar-se umas relações humanas baseadas no engano, na hipocrisia. Deus é a verdade, e os filhos do Reino têm, pois, que fundamentar as suas relações na verdade. Jesus conclui com uma exaltação da sinceridade. Ao longo de todo o seu ensino a hipocrisia é um dos vícios mais combatidos (veja-se, por exemplo, Mt 23, 13-32), enquanto que a sinceridade constitui uma das mais belas virtudes (veja-se Ioh 1, 47).