In Evangelho do dia

10As multidões interrogavam-no, dizendo: Que havemos então de fazer? 11Dizia-lhes ele, em resposta: Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo. 12Vieram também publicanos para serem baptizados e disseram-lhe: Mestre, que have­mos de fazer? I3E ele respondeu-lhes: Nada exijais além do que vos está tabelado. 14Interrogavam-no igualmente os soldados em serviço, dizendo: Que havemos, nós também, de fazer? Ele respondeu-lhes: Não façais violência a ninguém nem denuncieis injustamente, e contentai-vos com o vosso soldo.

15Éstando o povo na expectativa e todos a pensar intimamente em João, se não seria ele mesmo o Messias, 16tomou João a pala­vra, dizendo-lhes a todos: Eu baptizo-vos em água; mas vai chegar quem é mais forte do que eu, alguém cujas correias das sandálias não sou digno de desatar. Esse baptizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo. 17Tem na mão a pá de joeirar, para limpar a eira e recolher o trigo no Seu celeiro; mas a palha queimá-la-rá num fogo inextinguível.

18Estava, pois, João, com muitas e variadas exortações, a anunciar ao povo a Boa Nova.

Comentário

12-13. Com sinceridade e coragem São João Baptista descobre a cada um a sua falta. O pecado principal dos publicanos consistia em aproveitar-se da sua situação privi­legiada como colaboradores do poder romano, para enriquecerem à custa do povo israelita. Com efeito, Roma estipu­lava com eles uma quantia global como contribuição de Israel para o Império; os publicanos, como gestores da cobrança dos impostos, abusavam do seu poder exigindo aos contribuintes mais do que o devido. Recorde-se, por exemplo, o caso de Zaqueu que, depois da sua conversão, reconhece ter enriquecido injustamente e, movido pela graça, promete ao Senhor reparar com generosidade o seu pecado (cfr Lc 19,1-10).

A pregação do Baptista exprime uma norma de moral natural, que a Igreja recolhe também na sua doutrina. Os cargos públicos hão-de ser considerados, antes de mais, como um serviço à sociedade, e nunca como ocasião de lucro pessoal em detrimento do bem comum e da justiça que se pretende administrar. Em qualquer caso, quem tenha tido a debilidade de se apropriar injustamente do alheio, não lhe basta confessar a sua falta no sacramento da Penitência para obter o perdão do seu pecado; tem de fazer, além disso, o propósito de restituir o que não é seu.

  1. O Baptista exige de todos — fariseus, publicanos, soldados — uma profunda renovação interior no próprio Exercício dá sua profissão, que os leve a viver as normas da justiça e da honradez. Deus pede-nos a todos a santificação no nosso próprio trabalho e na nossa condição. «Qualquer trabalho, humanamente digno e nobre, se pode converter imã tarefa divina. No serviço de Deus não há ofícios de cada categoria: todos são de muita importância» (Temas do Cristianismo, n° 55).

15-17. Com o anúncio do Baptismo cristão e com expressivas imagens, o Baptista proclama que ele não é o Messias, mas que está a chegar e que virá com o poder de Juiz supremo, próprio de Deus, e com a dignidade do Messias, que não tem semelhança humana.

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