In Evangelho do dia

Pai Santo, guarda-os no Teu nome, o nome que Me deste, para serem um só, como Nós. 12Quando Eu estava com eles, guardava-os no Teu nome, o nome que Me deste, e preservei-os, não se tendo perdido nenhum deles, a não ser o filho da perdição, para se cumprir a Escritura. 13Mas agora vou para Ti e, ainda no mundo, digo isto, para eles terem em si a plenitude da Minha alegria. 14Eu dei-lhes a Tua palavra, e o mundo odiou-os, por não serem do mundo, como Eu não sou do mundo. 15Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. 16Eles não são do mundo, como Eu não sou do mundo. 17Consagra-os na verdade. A Tua palavra é a verdade. 18Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. 19Eu consagro-Me por eles, para eles serem também consagrados na verdade.

Comentário

11-19. Jesus agora pede ao Pai para os Seus quatro coisas: a unidade, a perseverança, o gozo e a santidade. Ao pedir que os guarde em Seu nome (v. 11) está a rogar que perseverem na doutrina recebida (cfr v. 6) e em comunhão íntima com Ele. Consequência imediata desta comunhão é a unidade: «Para serem um só, como Nós»; a unidade que pede para os discípulos é reflexo da que existe entre as três Pessoas divinas.

Roga, além disso, que nenhum deles se perca, que o Pai os guarde e proteja, tal como Ele os protegeu enquanto esteve com eles. Em terceiro lugar, da união com Deus e da perseverança no Seu amor surge a participação no gozo completo de Cristo (v. 13). Nesta vida, quanto melhor conhecermos Deus e mais intimamente estivermos unidos a Ele, maior dita teremos. Na vida eterna, a nossa alegria será completa, porque o conhecimento e amor a Deus terão chegado à sua plenitude.

Por último, o Senhor roga pelos que, vivendo no meio do mundo, não são do mundo, para que sejam santos de verdade (v. 17) e levem a cabo a missão que Ele lhes confia, como Ele realizou a que recebeu do Pai (v. 18).

  1. «Para se cumprir a Escritura»: É uma alusão ao que, pouco antes (Ioh 13,18), tinha dito aos Apóstolos citando explicitamente o texto sagrado: «Aquele que come o pão comigo levantará contra Mim o seu calcanhar» (Ps 41,10). A finalidade desta e de outras alusões de Cristo à traição de Judas é consolidar a fé dos Apóstolos, manifestando que conhecia tudo de antemão e que as Escrituras já o tinham anunciado.

De qualquer modo, Judas perdeu-se por sua culpa e não porque Deus o determinasse a isso; assim, a sua traição deve ter-se ido preparando pouco a pouco, mediante pequenas infidelidades, apesar de que Nosso Senhor em muitas ocasiões o ajudou para que pudesse arrepender-se e voltar ao bom caminho (cfr a nota a Ioh 13,21-32); não obstante, Judas não correspondeu a essas graças e perdeu-se por sua própria vontade. Deus, que vê o futuro, predisse a traição de Judas na Escritura; Cristo, como verdadeiro Deus, conhecia essa perdição e anuncia-a agora aos Seus discípulos com imensa dor.

14-16. «Mundo» na Sagrada Escritura tem várias acepções. A primeira designa o conjunto da criação (Gen 1, 1 ss.), e dentro dela a humanidade, os homens, que Deus ama enternecidamente (Prv  8,31)- Neste contexto entende-se o pedido do Senhor: «Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno» (v. 15). «Constantemente o tenho ensinado com palavras da Santa Escritura: o mundo não é mau, porque saiu das mãos de Deus, porque Yahwéh olhou para ele e viu que era bom (cfr Gen 1,7 e ss.). Nós, os homens, é que o tornamos mau e feio com os nossos pecados e as nossas infidelidades. Não duvideis, meus filhos: qualquer forma de evasão das honestas realidades diárias é, para vós, homens e mulheres do mundo, coisa oposta à vontade de Deus» (Temas Actuais do Cristianismo, n° 114).

Em segundo lugar,« mundo» indica os bens da terra, de si caducos e que podem apresentar oposição aos bens do espírito (cfr Mt 16,26).

Finalmente, porque os homens maus foram escravizados pelo pecado e pelo demônio, «príncipe deste mundo» (Ioh 12,31; 16,11), o «mundo» é considerado por vezes como inimigo de Deus e contrário a Cristo e aos Seus seguidores (Ioh 1,10). Neste sentido, o mundo é mau, e por isso Jesus não é do mundo, nem o são os Seus discípulos (v. 16). Também a essa acepção pejorativa se refere a doutrina tradicional que considera o mundo, junto com o demônio e a carne, como inimigos da alma diante dos quais se deve estar em constante vigilância. «O mundo, o demônio e a carne são uns aventureiros que, aproveitando-se da fraqueza do selvagem que trazes dentro de ti, querem que, em troca do fictício brilho dum prazer — que nada vale — lhes entregues o ouro fino e as pérolas e os brilhantes e os rubis embebidos no Sangue vivo e redentor do teu Deus, que são o preço e o tesouro da tua eternidade» (Caminho, n° 708).

17-19. Jesus pede a santidade para os Seus discípulos. O único Santo é Deus, de cuja santidade participam as pessoas e as coisas. «Santificar» consiste em consagrar e dedicar algo a Deus, excluindo-o dos usos profanos; neste sentido Deus diz a Jeremias: «Antes de teres saído do seio materno Eu te santifiquei, te constituí profeta para as nações» (ler 1,5). A consagração a Deus exige a perfeição ou santidade do dom consagrado. Daí que uma pessoa consagrada deva ter a santidade moral, exercitar-se nas virtudes morais. Ambas as coisas — consagração e perfeição — pede aqui o Senhor para os Seus discípulos, porque delas necessitam para cumprir a sua missão sobrenatural no mundo.

«Eu consagro-Me por eles…»: Estas palavras querem dizer que Jesus Cristo, que carregou com os pecados dos homens, Se consagra ao Pai por meio do Seu sacrifício na Cruz. Por este todos os cristãos ficam santificados: «Por isso também Jesus, para santificar o povo com o Seu sangue, padeceu fora da cidade» (Heb 13,12). Na verdade, depois da morte de Cristo, os homens mediante o Baptismo tornam-se filhos de Deus, participantes da natureza divina e capazes de alcançar a santidade a que foram chamados (cfr Lumen gentium, n. 40).

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