Evangelho do dia 15.09.2017 – Jo 19, 25-27 – Leia o Evangelho do dia – Sexta-feira – 23ª Semana do tempo comum

25Estavam junto à cruz de Jesus, Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Clopá, e Maria de Magdala.26Jesus, ao ver a mãe e o discípulo que amava, ali presente, diz à mãe: Senhora, eis o teu filho. 27A seguir, diz ao discípulo: Eis a tua mãe. E a partir daquele momento, recebeu-a o discípulo em sua casa.

Comentário

  1. 25. Enquanto os Apóstolos, excepto São João, abandonam Jesus nesta hora de opróbrio, aquelas piedosas mulheres, que O tinham seguido durante a Sua vida pública (cfr Lc 8,2-3), permanecem agora junto ao Mestre que morre na Cruz (cfr a nota a Mt 27,55-56).

O Papa João Paulo II explica que a fidelidade da Virgem Santíssima se manifestou de quatro modo: o primeiro, pela busca generosa do que Deus queria d’Ela (cfr Lc 1,34); o segundo, mediante a aceitação submissa da Vontade divina (cfr Lc l ,38); o terceiro, pela coerência dos actos da vida com a decisão da fé tomada; e, finalmente, mediante a prova da perseverança.« Só pode chamar-se fidelidade uma coerência que dura ao longo de toda a vida. O fiat de Maria na Anunciação encontra a sua plenitude no fiat silencioso que repete ao pé da Cruz» (Homília Catedral México).

A Igreja desde sempre reconheceu a dignidade da mulher e a sua importante missão na História da Salvação. Basta recordar o culto que, desde as origens, o povo cristão tributou à Mãe de Cristo, a Mulher por antonomásia, e a criatura mais excelsa e mais privilegiada que jamais saiu das mãos de Deus. O último Concilio, dirigindo uma mensagem especial às mulheres, diz entre outras coisas: «Mulheres que sofreis provações, finalmente, vós que estais de pé junto à cruz, à imagem de Maria, vós que, tantas vezes através da história, tendes dado aos homens a força para lutar até ao fim, de testemunhar até ao martírio, ajudai-os uma vez mais a conservar a audácia dos grandes empreendimentos, ao mesmo tempo que a paciência e o sentido de humildade de tudo o que principia» (Cone. Vaticano II, Mensagem do Concilio à Humanidade. Às mulheres, n° 9).

26-27. «A pureza limpidíssima de toda a vida de João torna-o forte diante da Cruz. — Os outros apóstolos fogem do Gólgota; ele, com a Mãe de Cristo, fica.

«— Não esqueças que a pureza enrijece, viriliza o caracter» (Caminho, n.° 144).

O gesto do Senhor, pelo qual confia Sua Santíssima Mãe ao cuidado do discípulo, tem um duplo sentido (veja-se Introdução ao Evangelho segundo São João, pp. 1109-1116). Por um lado, manifesta o amor filial de Jesus à Virgem Maria. Santo Agostinho considera como Jesus nos ensina a cumprir o quarto mandamento: «É uma lição de moral. Faz o que recomenda fazer, e, como bom Mestre, ensina os Seus com o Seu exemplo, a fim de que os bons filhos tenham cuidado dos pais; como se aquele madeiro que sujeitava os Seus membros moribundos fosse também a cátedra do Mestre que ensinava» (In Ioann. Evang., 119,2).

Por outro lado, as palavras do Senhor declaram que Maria Santíssima é nossa Mãe: «Assim avançou a Virgem pelo caminho da fé, mantendo fielmente a união com seu Filho até à cruz. Junto desta esteve, não sem desígnio de Deus (Ioh 19,25), padecendo acerbamente com o seu Filho único, e associando-se com coração de mãe ao Seu sacrifício, consentindo com amor na imolação da vítima que d’Ela nascera; finalmente, Jesus Cristo, agonizante na cruz, deu-a por mãe ao discípulo» (Lumen gentium, n. 58).

Todos os cristãos, representados em São João, somos filhos de Maria. Ao dar-nos Cristo Sua Mãe por nossa Mãe manifesta o amor aos Seus até ao fim (cfr Ioh 13,1). A Virgem Santíssima ao aceitar o apóstolo João como filho seu mostra o seu amor de Mãe: «A ti, Maria, o Filho de Deus e ao mesmo tempo teu Filho, do alto da Cruz indicou um homem e disse: ‘Eis o teu filho’. E naquele homem confiou-te cada homem, confiou-te todos. E Tu, que no momento da Anunciação, nestas simples palavras: ‘Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1,38), concentraste todo o programa da tua vida, abraças todos, aproximas-te de todos, buscas maternalmente a todos. Desta maneira cumpre-se o que o último Concilio declarou acerca da tua presença no mistério de Cristo e da Igreja. Perseveras de maneira admirável no mistério de Cristo, teu Filho unigênito, porque estás sempre onde quer que estão os homens Seus irmãos, onde quer que está a Igreja» (Homília Basílica de Guadalupe ).

«João, o discípulo amado de Jesus, recebe Maria e introdu-la em sua casa, na sua vida. Os autores espirituais viram nestas palavras do Santo Evangelho um convite dirigido a todos os cristãos para que Maria entre também nas suas vidas. Em certo sentido, é quase supérfluo este esclarecimento. Maria quer certamente que a invoquemos, que nos aproximemos d’Ela com confiança, que apelemos para a sua maternidade, pedindo-lhe que se manifeste como nossa Mãe» (Cristo que passa, n.° 140).

Este modo filial de tratar Maria é o que segue constantemente João Paulo II. Assim, na sua despedida da Virgem de Czestochowa, orava com estas palavras: «Mãe da Igreja de Jasna Gora! Uma vez mais me consagro a Ti na tua maternal escravidão de amor: Totus tuus! Sou todo teu! Consagro-te a Igreja inteira, em toda a parte, até aos confins da terra. Consagro-te a humanidade; consagro-te os homens, meus irmãos. Todos os povos e nações. Consagro-te a Europa e todos os continentes. Consagro-te Roma e a Polônia unidas, através do teu servo, por um novo vínculo de amor. Mãe, aceita! Mãe, não nos abandones! Mãe, guia-nos Tu!» (Alocução de despedida no Santuário de Jasna Gora, 6-VI-1979).