In Evangelho do dia

Seis dias antes da Páscoa, veio Jesus a Betânia, onde se encontrava Lázaro, que Jesus havia ressuscitado dos mortos.

2Ofereceram-Lhe lá um jantar. Marta andava a servir, e Lázaro era um dos que estavam com Ele à mesa. 3Então Maria, tomando uma libra de perfume de nardo genuíno, de alto preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-Lhos com os seus cabelos. E a casa encheu-se com o cheiro do perfume. 4Disse Judas Iscariotes, um dos discípulos, aquele que O ia entregar: 5Por que motivo se não vendeu este perfume por trezentos denários, para se dar aos pobres? 6Disse isto, não por se importar com os pobres, mas porque era ladrão e porque, andando com a bolsa, tirava o que nela se metia. 7Respondeu Jesus: Deixa-a lá; foi para reservar o perfume para o dia da Minha sepultura; 8pois que pobres, sempre os haveis de ter convosco, mas a Mim nem sempre Me tereis.

9Soube então um grande número de Judeus que Ele ali Se encontrava e vieram, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos, 10Ora os Sumos Sacerdotes haviam deliberado dar a morte a Lázaro também, 11porque muitos dos Judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus.

Comentário

1- Jesus visita de novo os Seus amigos de Betânia. Comove ver como o Senhor tem esta amizade, tão divina e tão humana, que se manifesta num convívio frequente.

«E verdade que chamo sempre Betânia ao nosso Sacrário… — Faz-te amigo dos amigos do Mestre: Lázaro, Marta, Maria. — E depois já me não perguntarás por que chamo Betânia ao nosso Sacrário» (Caminho, n° 322).

2-3. Parece que houve duas unções do Senhor em ocasiões diferentes e por motivos diversos: a primeira, no princípio do Seu ministério público, na Galileia, relatada por São Lucas (7,36-50); a segunda, no fim da Sua vida, em Betânia, narrada aqui por São João, e que sem dúvida é a mesma que relatam São Mateus (26,6-13) e São Marcos (14,3-9). Tanto pelo tempo em que sucederam, como pelas circunstâncias par­ticulares, ambas as unções se distinguem com clareza: no primeiro caso tratou-se de uma manifestação de arrepen­dimento a que se seguiu o perdão; no segundo caso foi uma mostra delicada de amor, que Jesus interpretou, além disso, como antecipação da Sua unção para a sepultura (v. 7).

Ainda que as unções de que foi objecto Jesus tenham tido uma relevância muito especial, devem ser consideradas dentro dos usos da hospitalidade entre os orientais (veja-se a nota a Mc 14,3-9).

A libra era uma medida de peso equivalente a uns tre­zentos gramas: o denário, como indicámos noutras ocasiões, era a paga diária de um operário agrícola; portanto, o valor do frasco de perfume equivaleria ao salário de um ano completo.

«Que prova tão clara de magnanimidade o excesso de Maria! Judas lamenta que se tenha desperdiçado um perfume que valia — com a sua avareza fez muito bem as contas — pelo menos trezentos dinheiros.

«O verdadeiro desprendimento leva-nos a ser muito gene­rosos com Deus e com os nossos irmãos (…). Não sejais mesquinhos nem tacanhos com quem tão generosamente Se excedeu connosco, até Se entregar totalmente, sem medida. Pensai quanto vos custa — também no domínio econômico — ser cristão! Mas, sobretudo, não esqueçais que Deus ama quem dá com alegria (2 Cor 12, 7-8)» (Amigos de Deus, n° 126).

4-6. Por este passo e por Ioh 13,29 sabemos que Judas era o que administrava o dinheiro. Com pequenos roubos — não daria para mais a exígua bolsa de Jesus e dos Doze — tinham-se ido preparando em Judas as disposições que contribuíram para a traição final; esta queixa em relação à generosidade da mulher é uma hipocrisia. «Com frequência os servidores de Satanás se disfarçam de servidores da justiça (cfr 2 Cor 11,14-15). Por isso (Judas) ocultou a sua malícia sob capa de piedade» (Comentário sobre S. João, ad loc.).

7-8. Além de louvar o gesto magnânimo de Maria, o Senhor anuncia veladamente a proximidade da Sua morte, e até se vislumbra que será tão inesperada que mal haverá tempo para embalsamar o Seu corpo tal como costumavam fazê-lo os Judeus (Lc 23,56). Jesus não nega o valor da esmola que tantas vezes recomendou (cfr Lc 11,41; 12,33), nem a preocupação pelos pobres (cfr Mt 25,40), mas descobre a hipocrisia daqueles que, como Judas, aduzem falsamente motivos nobres para não dar a Deus a honra devida (ver também as notas a Mt 26,8-11; Mc 14,3-9).

9-11. A notícia da ressurreição de Lázaro teve grande eco entre a gente da Judeia e os que subiam a Jerusalém pela Páscoa; muitos creram em Jesus (Ioh 11,45), outros procura­vam-No (Ioh 11,56) quiçá mais por curiosidade (Ioh 12,9) que por fé. Seguir a Cristo exige de cada um de nós muito mais que um entusiasmo superficial e passageiro. Recordemo-nos daqueles «que, quando ouvem a palavra, naquele momento a recebem com alegria, contudo não têm raiz em si mesmos, mas são inconstantes; e depois, ao vir uma tribulação ou perseguição por causa da palavra, escandalizam-se logo» (Mc 4,16-17).

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