Evangelho do dia 13.10.2017 – Lc 11, 15-26 – Leia o Evangelho do dia – Sexta-feira – 27ª Semana do tempo comum

15Disseram, porém, alguns dentre eles: É por Belzebu, Príncipe dos Demônios, que Ele expulsa os Demônios. 16Outros, para O experimentarem, solicitavam da Sua parte um sinal do céu. 17Mas Ele, que conhecia os pensamentos deles, disse-lhes: Todo o reino que se dividiu contra si mesmo ficará devastado, caindo casa sobre casa. l8Então, se Satanás, também, se dividiu contra si mesmo, como há-de manter-se o seu reino? Pois vós dizeis que por Belzebu é que Eu expulso os Demônios!… 19Mas se Eu expulso os Demônios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos filhos? Por isso é que eles mesmos serão vossos juízes! 20Mas, se Eu expulso os Demônios pelo dedo de Deus, é que chegou até vós o Reino de Deus.

21Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, estão em segurança os seus haveres. 22Mas, quando surge um mais forte do que ele e o vence, tira-lhe o equipamento em que estava confiado e distribui-lhe os despojos.

23Quem não está comigo é contra Mim, e quem não junta comigo dispersa.

24Quando o espírito impuro sai do homem, anda a vaguear por sítios áridos, em busca de repouso. Como o não encontra, diz: «Voltarei para minha casa, donde saí». 25E, quando chega, encontra-a varrida e arrumada. 26Vai então e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele; e, entrando, ali se instalam. E, o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro.

Comentário

14-23. A obstinação dos inimigos de Jesus não cede nem diante da evidência do milagre. Uma vez que não podem negar o valor extraordinário do facto, atribuem-no a artes demoníacas, com o intento de negar que Jesus é o Messias. O Senhor replica-lhes com um raciocínio que não admite escapatória: as expulsões de demônios que faz são provas evidentes de que com Ele chegou o Reino de Deus. O Concilio Vaticano II recordou de novo esta verdade: «O Senhor Jesus deu início à Sua Igreja pregando a boa nova do advento do Reino de Deus prometido desde há séculos nas Escrituras (…). Também os milagres de Jesus comprovam que já chegou à terra o Reino: «Se lanço fora os demônios com o poder de Deus, é que chegou a vós o Reino de Deus (Lc 11,20; cfr Mt 12,28). Mas este Reino manifesta-se sobretudo na própria pessoa de Cristo, Filho de Deus e Filho do homem, que veio para servir e dar a Sua vida em redenção por muitos (Mc 10,45)» (Lumen gentium, n° 5).

O forte e bem armado é o demônio (v. 21), que com o seu poder tinha escravizado o homem; mas Jesus Cristo, mais forte que ele, veio, venceu-o e está a desalojá-lo de onde se tinha assenhoreado. São Paulo dirá que Cristo «despojou os principados e às potestades, triunfando publicamente sobre eles»(Col 2,15).

Depois da vitória de Cristo, o « mais forte », as palavras do V. 23 são uma séria advertência aos que O escutavam, e a toda a humanidade: ainda que o não queiram reconhecer Jesus Cristo venceu, e doravante não é admissível a neutralidade diante da Sua causa: quem não estiver com Ele, está contra Ele.

  1. O argumento de Cristo é claro. Um dos maiores males que podem sobrevir à Igreja é precisamente a divisão entre os cristãos, a desunião dos crentes. Temos de fazer nossa a oração de Jesus:« Que todos sejam um; como Tu, Pai, em Mim e Eu em Ti, que assim eles estejam em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste» (Ioh 17,21).

24-26. O Senhor descobre-nos como o demônio não descansa na sua luta contra o homem; uma vez rejeitado pela graça de Deus, de novo lança as suas ciladas e ataques. Conhecedor de tudo isto, São Pedro recomenda-nos viver com sobriedade e estar vigilantes, «porque o vosso inimigo o diabo dá voltas ao redor de vós como um leão rugidor buscando a quem devorar: resisti-lhe fortes na fé» (l Pet 5,8-9).

Além disso, Jesus põe-nos de sobreaviso contra uma nova derrota às mãos de Satanás, advertindo-nos de que essa nova situação seria ainda pior que a primeira. Com razão diz o adágio latino que «corruptio optimi, péssima» (a corrupção do melhor é a pior). Também São Pedro, com palavra inspirada, recrimina os cristãos corrompidos, que, com grave e expressiva frase, compara ao «cão que voltou ao seu vômito e à porca que apenas lavada, se revolve na lama» (2 Pet 2,22).