In Evangelho do dia

24 O discípulo não é superior ao mestre, nem o servo, superior ao senhor.
25 Basta ao discípulo que seja como o seu mestre, e ao servo, como o seu
senhor. Se ao Pai de família chamaram Belzebu, quanto mais aos de sua casa!
26 Portanto, não tenhais medo deles, porque não há nada encoberto que não
venha a descobrir-se, nem oculto, que não venha a saber-se. 27 O que vos digo
nas trevas, dizei-o vós à luz e o que ouvis em segredo, apregoai-o sobre os
terraços. 28 Não temais os que matam o corpo e que não podem matar a alma.
Temei antes Aquele que pode deitar a perder a alma e o corpo na Geena.

29 Não se vendem dois pardais por um asse? E, contudo, nem um deles cairá
em terra sem permissão do vosso Pai. 30 Quanto a vós, até os cabelos da
cabeça estão todos contados. 31 Por isso, não temais, que mais vaieis vós do
que muitos pardais.
32 A todo aquele, pois, que Me confessar diante dos homens, também Eu
o confessarei diante de Meu Pai, que está nos Céus, 33 mas a quem Me negar
diante dos homens, também Eu o negarei diante de Meu Pai que está nos
Céus.
Comentário
26-27. Jesus Cristo manda aos Seus discípulos que não tenham medo
das calúnias ou murmurações. Virá um dia em que chegue ao conhecimento de
todos quem é cada um, as suas verdadeiras intenções e a disposição exacta
da sua alma. Entretanto, os que são de Deus podem ser apresentados como
se não o fossem por aqueles que, por paixão ou por malícia, utilizam a mentira.
Esse é o segredo que chegará a saber-se.
Junto a estas recomendações, Cristo manda também que os Apóstolos
falem com clareza, abertamente. Por razões de pedagogia divina, Jesus tinha
falado às multidões em parábolas e tinha-lhes descoberto gradualmente a Sua
verdadeira personalidade. Os Apóstolos, depois da vinda do Espírito Santo (cfr
Act 1,8), hão-de pregar às claras, desde os terraços, o que Jesus lhes foi
dando a conhecer.
A nós toca-nos hoje também continuar a manifestar sem ambiguidades
toda a doutrina de Cristo, sem nos deixarmos levar por falsas prudências
humanas ou por medo das consequências.

  1. A Igreja, apoiada neste e em muitos outros passos do Evangelho (Mt
    5,22.29; 18,9; Mc9,43.45.47; Lc 12, 5),ensina com clareza que existe o inferno,
    onde recebem castigo eterno as almas que morrem em pecado grave (cfr
    Catecismo Romano, I, 6, 3). Ali os condenados sofrem as penas de dano e de
    sentido eternamente, de um modo que nós ignoramos nesta vida (cfr Livro da
    sua vida, cap. 32). Ver as notas a Lc 16,19-31.
    Por isso o Senhor previne os Seus discípulos contra o falso medo. Não
    há por que temer os que somente podem tirar a vida do corpo. Só Deus é
    quem tem poder de lançar alma e corpo no inferno. Por isso o verdadeiro temor
    e respeito devemo-lo a Deus, que é o nosso Príncipe e Juiz Supremo, e não
    aos homens. Os mártires são os que melhor viveram este preceito do Senhor;
    sabiam que a vida eterna valia muito mais que a vida terrena.
    29-31. O «asse» era uma pequena moeda de ínfimo valor. Cristo
    emprega esta imagem para ilustrar o imenso carinho que Deus tem à Sua
    criatura. Como diz São Jerónimo (Comm. in Matth., 10, 29-31): «Se os
    passarinhos, que são de tão vil preço, não deixam de estar sob a providência e
    cuidado de Deus, como é que vós, que pela natureza da vossa alma sois
    eternos, podereis temer que não vos olhe com particular cuidado Aquele a
    quem respeitais como vosso Pai?» De novo Jesus Cristo ensina a paternal
    Providência de Deus, da qual falou extensamente no Sermão da Montanha (cfr
    Mth, 19-34).

32-33. Com estas palavras Jesus está a ensinar-nos que a confissão
pública da fé n’Ele — com todas as suas consequências — é condição
indispensável para a salvação eterna. Cristo receberá no Céu, depois do Juízo,
os que deram testemunho da sua fé, e condenará os que cobardemente se
envergonharam d’Ele (cfr Mt 7, 23; 25, 41; Apc 21, 8). Sob o nome de
«confessores» a Igreja honra os santos que, sem terem sofrido o martírio de
sangue, com a sua vida deram testemunho da fé católica. Embora todo o
cristão deva estar disposto para o martírio, a vocação cristã ordinária é a de ser
confessores da fé.

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