In Evangelho do dia

16Olhai que Eu mando-vos, como ovelhas para o meio dos lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes, e simples, como as pombas. 17Acautelai-vos, porém, dos homens, pois hão-de entregar-vos aos Sinédrios e açoitar-vos nas sinagogas. 18E sereis, por Minha causa, levados à presença dos governadores e à dos reis, para dardes testemunho diante deles e dos gentios. 19Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como ou o que haveis de dizer, pois ser-vos-á dado nessa hora o que haveis de dizer, 20porque não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai, que fala em vós. 210 irmão há-de entregar à morte o irmão, e o pai, ao filho. E levantar-se-ão os filhos contra os pais e far-lhe-ão dar a morte. 22E sereis odiados de todos, por causa do Meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. 23Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo que não terminareis as cidades de Israel até vir o Filho do homem.

Comentário

16-23. Jesus Cristo dá aqui uma série de instruções e advertências, que terão aplicação constante ao longo de toda a história da Igreja. Dificilmente o espírito do mundo compreenderá os caminhos de Deus. Quando não forem as perseguições, será a indiferença e a incompreensão do ambiente. Mas seguir a Cristo de perto será sempre custoso: não se pode estranhar que seja assim, visto que o próprio Jesus foi sinal de contradição; mais ainda, se na vida do cristão não aparecesse esta, haveria que perguntar-se se não está a acontecer que o cristão se mundanizou. O discípulo de Cristo não pode transigir com certas manifestações mundanas, por muito em moda que estejam. Por isso, a vida cristã levará consigo, necessariamente, uma inconformidade diante de tudo o que atente contra a fé e a moral (cfr Rom 12,2). Não Se pode estranhar que a vida do cristão se mova, não poucas vezes, entre o heroísmo ou a traição. Perante estas dificuldades não se deve ter medo: não estamos sós, contamos com a ajuda poderosa do nosso Pai Deus, que nos fará ser valentes e audazes.

  1. Com estas palavras Jesus ensina o caracter completamente sobrenatural do testemunho que pede aos Seus discípulos. O comportamento de tantos mártires cristãos, conservado documentalmente, prova como se cumpre na vida dos fiéis a promessa de Jesus; é impressionante ao ler esses documentos comprovar a serenidade e a sabedoria de pessoas de escassa cultura, por vezes quase crianças.

A doutrina deste versículo fundamenta a fortaleza e confiança que o cristão deve ter nas situações mais variadas e difíceis da vida, nas quais seja necessário confessar a fé. Não estará só, mas o Espírito Santo porá nele palavras cheias de sabedoria divina.

  1. Na interpretação deste texto deve rejeitar-se, antes de mais, a opinião de alguns racionalistas segundo a qual Jesus estaria convencido da Sua próxima vinda gloriosa e do fim do mundo. Tal interpretação contradiz abertamente muitos outros passos do Evangelho e do Novo Testamento. É evidente que com «Filho do Homem» Jesus Se designa a Si próprio, e que anuncia uma manifestação da Sua glória. A interpretação mais razoável é que aqui Jesus alude, em primeiro lugar, à situação histórica da primeira guerra judaica contra Roma, que acabou com a total destruição de Jerusalém e do Templo no ano 70, e que causou a dispersão do povo Hebreu. Mas este acontecimento, que teria lugar poucos anos depois da morte de Jesus, é uma imagem ou figura profética do fim dos tempos (cfr a nota a Mt 24,1). A vinda gloriosa de Cristo terá lugar em data que Deus não revelou. A incerteza do fim dos tempos é um incentivo a vigilância do cristão e da Igreja. 24-25. Com dois provérbios Jesus insinua a sorte futura dos discípulos: a sua maior glória será imitar o Mestre, identificar-se com Ele, ainda que isto os leve a ser desprezados e perseguidos como antes o foi o seu Senhor; o exemplo do Mestre é o único que ilumina e guia o comportamento do cristão, pois Ele disse de Si mesmo: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida» (Ioh14,6).

Belzebu ou Beelzebul (Lc 11,15) era o nome do ídolo da antiga cidade filisteia de Acaron. Os judeus denominaram a seguir com este nome depreciativamente o demônio ou o príncipe dos demônios (cfr Mt 12, 24), e o ódio que tinham a Jesus Cristo levou-os ao extremo de denominá-Lo da mesma forma.

Diante das perseguições e incompreensões a que iam estar submetidos os cristãos (Ioh15, 18), Jesus Cristo anima-os dando-lhes a Sua intimidade. No fim da Sua vida chamar-lhes-á carinhosamente amigos (Ioh15, 15) e filhos (Ioh13, 33).

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