In Evangelho do dia

14Ao chegarem junto do povo, acercou-se Cura d’Ele um homem, que, lançando-se de joelhos diante d’Ele, 15disse: Senhor, tem compaixão de meu filho, que é lunático e está muito mal; pois muitas vezes se atira ao fogo e outras à água.16Apresentei-o aos Teus discípulos, e não puderam curá-lo. 17Respondeu-lhe Jesus: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco! Até quando vos hei-de suportar? Trazei-Mo cá. 18E Jesus imperou ao Demônio, que saiu dele; e, desde aquele momento, ficou o pequeno curado. 19Então chegaram-se os discípulos a Jesus, em particular, e disseram-Lhe: Porque é que nós não o pudemos expulsar? 20E Ele disse-lhes: Por causa da vossa pouca fé. Em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: «muda-te daqui para ali», e ele mudar-se-á e nada vos será impossível.

 

Comentário

14-21. No episódio da cura deste rapaz manifesta-se, por um lado, a omnipotência de Jesus Cristo, e, por outro, o poder da oração feita com fé. O cristão, em virtude da união profunda com Cristo, pela fé participa, de alguma maneira, da própria Omnipotência de Deus, até ao ponto de Jesus chegar a dizer noutra ocasião: «Quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fá-las-á maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai» (Ioh14,12).

O Senhor diz aos Apóstolos que se tivessem fé realizariam prodígios, mudariam as montanhas do seu lugar. Ao falar de «mudar de lugar as montanhas» provavelmente empregava uma maneira de dizer já proverbial. Deus concederia sem dúvida ao crente mudar de lugar uma montanha se tal facto fosse necessário para a Sua glória e para a edificação do próximo; mas entretanto, a palavra de Cristo cumpre-se todos os dias num sentido muito superior. Alguns Padres da Igreja (São Jerônimo, Santo Agostinho) indicaram que se cumpre o facto de « mudar de lugar uma montanha », sempre que alguém por virtude divina chega onde as forças humanas não chegam. Tal sucede, de modo claro, na obra da nossa santificação pessoal, que o Paráclito vai realizando na alma quando somos dóceis e recebemos com espírito de fé e de amor a graça que nos é dada nos sacramentos: estes podem ser aproveitados em maior ou menor grau segundo as disposições com que são recebidos, isto é, na medida da nossa fé e do nosso amor. É um facto muito mais sublime que o de mudar de lugar montanhas e que se opera cada dia em tantas almas santas, ainda que passe inadvertido à maioria.

De facto, os Apóstolos e muitos santos ao longo dos séculos fizeram milagres admiráveis na ordem física; mas os milagres maiores e mais importantes foram, são e serão os das almas que, tendo estado sumidas na morte do pecado e da ignorância, renascem e crescem na nova vida dos filhos de Deus.

20. A força da comparação, aqui como na parábola de Mt 13, 31-32, estriba-se em que a semente de mostarda é um grãozinho sumamente pequeno e, não obstante, produz uma grande planta que chega a atingir mais de três metros de altura. Assim, o acto mais pequeno de fé verdadeira pode produzir efeitos surpreendentes.

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