In Evangelho do dia

22Depois disto, foi Jesus com os discípulos para o território da Judeia, onde Se demorou com eles e Se pôs a baptizar. 23Ora João estava também a baptizar em Enon, perto de Salim, porque havia ali muita água e aparecia gente para se baptizar. 24João, de facto, ainda não tinha sido metido no cár­cere.

25Houve então uma disputa entre os discí­pulos de João e um judeu, a propósito da purificação. 26Vieram eles ter com João e disseram-lhe: Rabi, Aquele que estava con­tigo além-Jordão, de quem deste testemunho, está lá a baptizar, e todos vão ter com Ele. “Respondeu João, dizendo: Nada pode um homem receber que não lhe seja dado lá do Céu. 28Vós próprios sois testemunhas de que eu disse: «Não sou o Messias; apenas sou enviado à Sua frente». “Quem tem a noiva é que é o noivo; e o amigo do noivo, que lhe assiste e o escuta, sente muita alegria com a voz do noivo. Pois essa alegria, que é a minha, é completa. 30Ele deve crescer e eu diminuir!

Comentário

22-24. O Evangelista, um pouco mais adiante (Ioh 4,2), esclarece que não era o próprio Jesus quem baptizava, mas os Seus discípulos. Provavelmente o Senhor quis que desde o primeiro momento se exercitassem na tarefa de exortar à conversão. Aquele rito não era ainda o Baptismo cristão — pois este só começa depois da Ressurreição de Cristo (cfr Ioh 7,39; 16,7; Mt 28,19)—, mas «ambos os baptismos, o de São João Baptista e este dos discípulos do Senhor (…) tinham por finalidade aproximar esses baptizados de Cristo (…) e preparar o caminho para a fé futura» (Hom. sobre S. João, 29,1).

O Evangelho indica o lugar e o momento concreto em que aconteceu este episódio. Enon em aramaico significa «fon­tes». Salim estava situada ao Noroeste da Samaria, ao Sul da cidade de Scitópolis ou Betshan, próximo da margem ocidental do Jordão, a uns vinte quilômetros a Sul do lago de Genesaré.

O Evangelho assinala que «João ainda não tinha sido me­tido no cárcere» (v. 24), completando assim os dados dos Sinópticos (Mt 4,12; Mc 1,14). Sabemos, portanto, que o minis­tério público de Jesus começou quando ainda continuava o de João Baptista, e sobretudo, que entre eles não havia nenhuma rivalidade; pelo contrário, o Baptista, que prepa­rava a vinda do Senhor, teve a alegria de contemplar pessoal­mente como os seus próprios discípulos iam atrás de Jesus (cfr Ioh 1,37).

27-29. João Baptista fala aqui de modo simbólico, como às vezes tinham feito os profetas e também fará Nosso Senhor. O Esposo é Jesus Cristo. Por outros passos do Novo Testamento sabemos que a Igreja é designada com o título de Esposa (cfr Eph 5,24-32; Apc 19,7-9). Este símbolo dos desposórios exprime a união pela qual Cristo incorpora a Si a Igreja, e a comunhão de vida pela qual a Igreja é santificada e participa da própria vida divina. O Baptista alegra-se porque vê que já está a começar a actuação do Messias, e reconhece a infinita distância que há entre a sua condição e a de Cristo. Por isso a sua alegria é completa quando Jesus Cristo vai convocando os homens e estes vão atrás d’Ele.

O «amigo do noivo» refere-se ao que, segundo o costume dos desposórios judaicos, costumava acompanhar o noivo nos primeiros momentos do seu matrimônio e participava de forma especial nos festejos e na alegria das núpcias. Não obstante, como esclarece o Baptista, havia uma grande diferença entre ele e o esposo, verdadeiro protagonista do gozoso acontecimento.

  1. O Baptista compreendeu a sua missão de Precursor, que devia desaparecer ante a chegada do Messias, e cumpriu-a fielmente e com humildade. Do mesmo modo, o cristão há-de evitar em todas as tarefas apostólicas o protagonismo pessoal, e deixar que seja Cristo o objecto da busca dos homens; há-de esvaziar-se cada vez mais de si mesmo para que Cristo encha toda a sua vida. «É necessário que Cristo cresça em ti, para que progridas no Seu conheci­mento e amor: porque quanto mais O conheces e O amas, tanto mais cresce Cristo em ti (…). Por isso é necessário que os homens que progridem deste modo diminuam a sua própria estima, porque quanto mais penetra alguém na grandeza divina tanto mais considera pequena a condição humana» (Comentário sobre S. João, ad loc.).
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