In Evangelho do dia

Disse então aos Seus discípulos: É impossível que os escândalos não venham, mas ai daquele por quem eles vêm. 2Mais lhe convinha ter em volta do pescoço uma pedra de moinho e ser arremessado ao mar do que ser ocasião de queda para um só desses pequeninos.

3Tende cuidado convosco! Se teu irmão pecar, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. 4Se pecar contra ti sete vezes ao dia e sete vezes vier ter contigo, dizendo: «arrependo-me», hás-de perdoar-lhe.

5Disseram os Apóstolos ao Senhor: Aumenta a nossa fé. 6Disse o Senhor: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a essa amoreira: «arranca-te e planta-te no mar»; e ela obedecer-vos-ia.

Comentário


1-3. O Senhor condena o escândalo, isto é, «qualquer dito, feito ou omissão que dá ocasião a outros de cometer pecados» (Catecismo Maior, n° 417). O ensinamento de Jesus Cristo é duplo. Por um lado, prediz que de facto existirão escândalos. E por outro, ensina a gravidade do escândalo pelo castigo que lhe é aplicado.

A razão dessa gravidade apoia-se em que o escândalo «tende a destruir a maior obra de Deus, que é a Redenção, com a perda das almas; dá a morte à alma do próximo tirando-lhe a vida da graça, que é mais preciosa do que a vida do corpo, e é causa de uma multidão de pecados. Por isso Deus ameaça os escandalosos com os mais severos castigos» (Catecismo Maior, n°418). Vejam-se as notas a Mt 18,6-7; 18,8 e 18,10. «Tende cuidado convosco»: É uma grave advertência, que tem um duplo sentido; não escandalizar os outros e não se deixar influenciar pelos escândalos alheios.

As pessoas que gozam de qualquer gênero de autoridade ou renome (pais, educadores, governantes, escritores, artistas, etc.), podem escandalizar mais facilmente. Devemos examinar com exigência o nosso comportamento a este respeito, tendo em conta a advertência do Senhor: «Tende cuidado convosco».

  1. As rodas de moinho eram redondas com um buraco grande no meio. A frase do Senhor é, pois, muito expressiva. Tratar-se-ia de meter ajustadamente a cabeça pelo buraco sem a poder tirar depois.

3-4. Para ser cristão há que perdoar de verdade e sempre. Além disso, deve corrigir-se o irmão que erra para que mude de comportamento. Mas como a correcção fraterna deve estar cheia de caridade, deve fazer-se com grande delicadeza. De outro modo humilharíamos quem cometeu faltas: e não devemos humilhá-lo mas ajudá-lo a ser melhor.

Não se deve confundir o perdão das ofensas — que obriga sempre — com a cedência dos direitos injustamente lesados. Pode exigir-se sem nenhuma espécie de ódio, e por vezes esses direitos devem exercitar-se por razões de caridade e de justiça. «Não confundamos os direitos do cargo com os da pessoa.—Àqueles não se pode renunciar» (Caminho, n° 407),

Um perdão sincero tende a esquecer a ofensa e a oferecer sinais de amizade, que facilitam o arrependimento do ofensor,

A vocação cristã é um chamamento à santidade que Deus dirige a cada um. Mas, ao mesmo tempo, é uma exigência essencial dessa mesma vocação o preocupar-se apostolicamente pelo bem espiritual dos outros; de tal modo que o cristianismo não se pode viver de uma forma isolada e egoísta. Assim, «se alguém entre vós errar para longe da verdade, e outro o reconduzir, fique sabendo que aquele que tiver reconduzido o pecador do seu descaminho salvará da morte a sua alma e fará desaparecer uma multidão de pecados» (lac 5,19-20).

  1. «Aumenta a nossa fé»: Cada um de nós deveria repetir esta súplica dos apóstolos como uma jaculatória. «’Omnia possibilia sunt credenti’. — Tudo é possível para quem crê. — São palavras de Cristo.

«— Que fazes tu, que não Lhe dizes com os apóstolos: ‘adauge nobis fidem!’ — aumenta-me a Fé!» (Caminho, n° 588).

  1. « Não sou ‘milagreiro’. — Disse-te já que me sobejam milagres no Santo Evangelho para firmar fortemente a minha fé. — Mas dão-me pena esses cristãos — até piedosos, ‘apostólicos’ — que sorriem quando ouvem falar de caminhos extraordinários, de factos sobrenaturais.— Sinto desejos de lhes dizer: sim, também agora há milagres; nós próprios os faríamos se tivéssemos fé!» (Caminho, n° 583).
Recent Posts
Fale conosco

Escreva aqui sua mensagem que responderemos o mais breve possível. Obrigado!

Start typing and press Enter to search