In Evangelho do dia

Ide e pregai, dizendo: « Está próximo o Reino dos Céus». 8 Curai
enfermos, ressuscitai mortos, limpai leprosos, expulsai Demônios. Dai de graça
o que de graça recebeste. 9 Não procureis oiro nem prata nem cobre para
vossos cintos, 10 nem alforge para o caminho, nem duas túnicas nem calçado
nem bordão, porque o trabalhador tem direito ao seu sustento.
11 Em qualquer cidade ou aldeia onde entrardes, informai-vos de alguma
pessoa honrada que nela haja e hospedai-vos aí até partirdes. 12 E, ao entrar na
casa, saudai-a. E, se realmente essa casa for digna, venha sobre ela a vossa
paz; 13 se, porém, não for digna, a vossa paz voltará para vós. 14 E se alguém vos
não receber nem ouvir as vossas palavras, saí dessa casa ou povoação e
sacudi o pó dos vossos pés. l5 Em verdade vos digo: no dia do Juízo, mais
tolerável sorte terá a terra de Sodoma e Gomorra do que essa cidade.
Comentário
7-8. Até então os Profetas tinham anunciado ao povo eleito os bens
messiânicos, por vezes em imagens acomodadas à sua mentalidade ainda
pouco madura espiritualmente. Agora, Jesus envia os Seus Apóstolos a
anunciar que esse Reino de Deus prometido está iminente, manifestando os
seus aspectos espirituais. Os poderes mencionados no v. 8 são precisamente o
sinal anunciado pelos Profetas acerca do Reino de Deus ou reino messiânico.
Primariamente (caps. 8 e 9) estes poderes messiânicos exerce-os Jesus Cristo;
agora dá-os aos Seus discípulos para mostrar que essa missão é divina (cfr Is
35,5-6 40, 9; 52, 7; 61,1).

  1. «Cintos»: Cinturões duplos, cosidos pelas bordas, em que se
    costumava na antiguidade levar o dinheiro e outros objectos pequenos e
    pesados.
    9-10. Jesus urge aos Seus discípulos a que partam sem demora para o
    cumprimento da sua missão. Não devem preocupar-se por carecerem de bens
    materiais, nem dos meios humanos; o que faltar Deus provê-lo-á na medida
    das suas necessidades. Esta santa audácia em empreender as obras de Deus
    repete-se uma e outra vez na história da Igreja. Quantas coisas grandes foram
    empreendidas, mesmo sem ter à disposição os meios humanos mais
    imprescindíveis! Assim agiram os santos. Se na expansão da Igreja se tivesse
    esperado por dispor desses meios, muitas almas não teriam recebido a luz de
    Cristo. Quando o cristão está persuadido de qual é a Vontade de Deus, não
    deve, com ânimo encolhido, parar a contar os meios de que dispõe. «Nos
    empreendimentos de apostolado, está bem — é um dever que consideres os
    teus meios terrenos (2 + 2 =4). Mas não te esqueças — nunca — de que tens
    de contar, felizmente, com outra parcela. Deus + 2 + 2…) (Caminho, n.°471).
    De qualquer modo, não pretendamos forçar Deus para que intervenha
    de modo extraordinário quando podemos remediar as necessidades com o
    nosso próprio esforço e trabalho. Isto quer dizer que os cristãos devem ajudar
    com generosidade aqueles que, dedicados totalmente a cuidar dos bens
    espirituais dos seus irmãos, não têm tempo para se ocuparem do seu próprio
    sustento. Veja-se a este propósito o que promete o próprio Jesus em Mt 10,40-
    42.
    11-15. A palavra «paz» era e continua a ser a saudação usual entre os
    Judeus. Mas na boca dos Apóstolos devia adquirir uma significação mais

profunda: a manifestação da bênção de Deus, que os discípulos de Jesus,
como enviados Seus, derramam sobre aqueles que os acolhem. Este mandato
do Senhor não termina naquela missão concreta, mas é como que uma
profecia para toda a história posterior. O mensageiro de Cristo não desanima
quando a sua palavra não é acolhida. Sabe que a bênção de Deus não fica
vazia nem é ineficaz (cfr Is 55, 11) e todo o esforço por parte do cristão sempre
dará fruto. Em qualquer caso, a palavra apostólica leva consigo a graça da
conversão: «muitos dos que tinham ouvido a Palavra abraçaram a Fé, e o
número, só dos homens, elevou-se a uns cinco mil» (Act 4,4; cfr 10,44; Rom
10,17).
O homem deve prestar atenção a essa palavra do Evangelho e acreditar
nela (Act 13, 48; 15, 7). Se a aceitar e perseverar nela, receberá a consolação
da sua alma, a paz do seu espírito (Act 8, 3.9) e a salvação (Act 11, 4-18). Mas
se a rejeitar, não estará isento de culpa e Deus julgá-lo-á por se ter fechado à
graça que lhe foi oferecida.

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