In Evangelho do dia

E chamando a Si os doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem e para curarem todas as doenças e todas as enfermidades. 2Ora, os nomes dos doze Apóstolos são estes: primeiro Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, e Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, 3Filipe e Bartolomeu, Tome e Mateus, o publicano, Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu, 4Simão, o Cananeu, e Judas, o Iscariotes, o que O entregou. 5A estes doze enviou Jesus, depois de lhes dar as seguintes instruções: Não vades a terra de gentios, nem entreis em cidades de Samaritanos. 6Ide antes às ovelhas desgarradas da Casa de Israel. 7Ide e pregai, dizendo: « Está próximo o Reino dos Céus».

Comentário

1-4. Tão essencial é a oração na vida da Igreja, que Jesus chama os Seus Doze Apóstolos depois de lhes ter recomendado que rezassem para que o Senhor enviasse operários para a Sua messe (cfr Mt 9, 38). Toda a actividade apostólica dos cristãos deve ser, pois, precedida e acompanhada por uma intensa vida de oração, visto que não se trata de uma empresa meramente humana mas divina. O Senhor inicia a Sua Igreja chamando Doze homens que vão ser como que os doze patriarcas do Novo Povo de Deus que é a Sua Igreja. Este Novo Povo não se constituirá por uma descendência segundo a carne, mas por uma descendência espiritual. Os seus nomes ficam aqui registrados. A sua escolha é gratuita: não se distinguiram por serem sábios, poderosos, importantes…; são homens normais e correntes que responderam com fé à graça do chamamento de Jesus. Todos serão fiéis ao Senhor, excepto Judas Iscariotes. Inclusive, Jesus antes de morrer e ressuscitar gloriosamente, confere-lhes esses poderes de expulsar os espíritos imundos e de curar enfermidades, como antecipação e preparação da missão salvífica que lhes dará depois.

E comovedor saber os nomes daqueles primeiros. A Igreja venera-os com especial afecto e sente-se orgulhosa de ser continuadora — apostólica — da missão sobrenatural que eles iniciaram, e de ser fiel ao testemunho que souberam dar da doutrina de Cristo. Não há verdadeira Igreja sem a ininterrupta sucessão apostólica e a continuada identificação com o espírito que os Apóstolos souberam encarnar.

«Apóstolo»: Significa enviado, porque Jesus Cristo os enviava a pregar o Seu Reino e a Sua doutrina.

O Concilio Vaticano II, na mesma linha do Vaticano I, confessa e declara que a Igreja está constituída hierarquicamente: « O Senhor Jesus, depois de ter orado ao Pai, chamando a Si os que Ele quis, elegeu doze para estarem com Ele e para os enviar a pregar o Reino de Deus (cfr Mc 3,13-19; Mt 10,1-10); e a estes Apóstolos (cfr Lc 6, 13) constituiu-os em colégio ou grupo estável e deu-lhes como chefe a Pedro, escolhido de entre eles (cfr Ioh21, 15-17). Enviou-os primeiro aos filhos de Israel e, depois, a todos os povos (cfr Rom 1,16), para que, participando do Seu poder, fizessem de todas as gentes discípulos Seus e as santificassem e governassem (cfr Mt 28,16-20; Mc 16, 15; Lc 24, 45-48; Ioh 20, 21-23) e deste modo propagassem e apascentassem a Igreja, servindo-a, sob a direcção do Senhor, todos os dias até ao fim dos tempos (cfr Mt 28,28)» (Lumen gentium, n. 19).

  1. Neste capítulo 10 São Mateus expõe como Jesus, para levar para a frente no futuro o Reino de Deus que inaugura, têm o propósito de fundar a Igreja, e para isso escolhe, dá poderes e instrui os Doze Apóstolos que são o germe da Sua Igreja.

5-15. De maneira semelhante a como na escolha dos Apóstolos (vv. 1-4) Jesus mostra a Sua vontade de fundar a Igreja, no presente passo (vv. 5-15) manifesta o Seu propósito de formar esses primeiros Apóstolos, já antes da Sua Morte e Ressurreição. Deste modo Jesus Cristo começou a pôr os fundamentos da Sua Igreja desde os começos do Seu ministério público.

Todos temos necessidade de uma formação doutrinai e apostólica para desempenhar a nossa vocação cristã. A Igreja tem o dever de ensinar, e os fiéis têm a obrigação de fazer seu esse ensinamento. Por conseguinte, cada cristão deve aproveitar os meios de formação que a Igreja lhe oferece, nas circunstâncias concretas em que Deus o colocou na vida.

5-6. Segundo o plano de salvação estabelecido por Deus, ao povo hebraico foram feitas as promessas (a Abraão e aos Patriarcas), conferida a Aliança, dada a Lei (Moisés) e enviados os Profetas. Deste povo, segundo a carne, nasceria o Messias. Compreende-se que o Messias e o Reino de Deus devessem ser anunciados à Casa de Israel primeiro que aos não Judeus. Por isso, nesta primeira aprendizagem de missão apostólica, Jesus restringe o campo da sua actividade só aos Judeus, sem que tal circunstância possa significar um obstáculo ao caracter universal da missão da Igreja. Com efeito, Jesus mandar-lhes-ia mais tarde: «Ide, pois, doutrinai todos os povos» (Mt 28, 19); «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16,15). Também os Apóstolos, na primeira expansão do Cristianismo, ao evangelizar uma cidade em que havia alguma comunidade de judeus, costumavam dirigir-se a estes em primeiro lugar (cfr Act 13,46).

7-8. Até então os Profetas tinham anunciado ao povo eleito os bens messiânicos, por vezes em imagens acomodadas à sua mentalidade ainda pouco madura espiritualmente. Agora, Jesus envia os Seus Apóstolos a anunciar que esse Reino de Deus prometido está iminente, manifestando os seus aspectos espirituais. Os poderes mencionados no v. 8 são precisamente o sinal anunciado pelos Profetas acerca do Reino de Deus ou reino messiânico. Primariamente (caps. 8 e 9) estes poderes messiânicos exerce-os Jesus Cristo; agora dá-os aos Seus discípulos para mostrar que essa missão é divina (cfr Is 35,5-6 40, 9; 52, 7; 61,1).

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