In Evangelho do dia

Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2Conforme está escrito no profeta Isaías:

Eis que Eu envio diante de ti o Meu mensa­geiro e ele preparar-te-á o caminho; 3voz de um que brada no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

4Apareceu João a baptizar no deserto e a pregar um baptismo de penitência, para remissão dos pecados. 5E iam ter com ele toda a região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém, e eram por ele baptizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6Andava João vestido de lã de camelo, com um cinto de coiro à volta dos rins e alimen­tava-se de gafanhotos e mel silvestre. 7E pregava assim: Depois de mim vem Aquele que é mais forte do que eu, e eu não sou digno de me inclinar para Lhe desatar as correias das sandálias. 8Eu baptizei-vos em água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo.

 

Comentário

Com estas palavras São Marcos dá-nos o título do livro. Ao mesmo tempo põe em relevo que Jesus é o Messias anunciado pelos Profetas e o Filho único do Pai por natureza. Nisto fica resumido o conteúdo do segundo Evan­gelho: Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro.

A palavra «evangelho» indica o feliz anúncio, a boa nova que Deus comunica aos homens por meio do Seu Filho. O conteúdo dessa boa nova é em primeiro lugar o próprio Jesus Cristo, as Suas palavras e as Suas obras. «Durante o Sínodo (refere-se ao Sínodo dos Bispos de 1974), muitas vezes os Bispos lembraram esta verdade: o próprio Jesus, ‘Evangelho de Deus’ (cfr Mc 1,1; Rom 1, 13), foi o primeiro e o maior dos evangelizadores. Ele foi isso mesmo até ao fim, até à perfeição, até ao sacrifício da Sua vida terrena» (Evangélii nuntiandi, n. 7). Os Apóstolos, escolhidos pelo Senhor para serem fundamento da Sua Igreja, cumpriram o mandato de apre­sentar a judeus e gentios, por meio da pregação oral, o testemunho do que tinham visto e ouvido: o cumprimento em Jesus Cristo das profecias do Antigo Testamento, a remissão dos pecados, a filiação adoptiva e a herança do Céu oferecidas a todos os homens. Por isto, também a pregação apostólica pode chamar-se «evangelho».

Finalmente os evangelistas, movidos pelo Espírito Santo, puseram por escrito parte desta pregação oral. Deste modo, pela Sagrada Escritura e pela Tradição apostólica, a voz de Cristo perpetua-se por todos os séculos e faz-se ouvir em todas as gerações e em todos os povos.

A Igreja, continuadora da missão apostólica, tem a tarefa de dar a conhecer o «evangelho». Assim, por exemplo, fá-lo por meio da Catequese: «O objecto essencial e primordial da catequese é, empregando uma expressão muito familiar a São Paulo e à teologia contemporânea, ‘o Mistério de Cristo’ (…). Trata-se portanto de descobrir na Pessoa de Cristo o desígnio eterno de Deus que se realiza n’Ele. Trata-se de procurar compreender o significado dos gestos e das palavras de Cristo, os sinais realizados por Ele próprio, pois eles encerram e manifestam ao mesmo tempo o Seu Mistério. Neste sentido, o fim último da catequese é pôr cada um não só em contacto mas em comunhão, em intimidade com Jesus Cristo: só Ele pode conduzir-nos ao amor do Pai no Espírito e tornar-nos participantes da vida da Santíssima Trindade» (Catechesi tradendae, n. 5).

2-3. Talvez o Evangelho destaque Isaías por ser o profeta mais importante no anúncio dos tempos messiânicos. Por esta causa São Jerônimo chamou a Isaías o Evangelista do Antigo Testamento.

  1. São João Baptista apresenta-se diante do povo depois de vários anos passados no deserto. Convida os israelitas a prepararem-se com a penitência para a vinda do Messias. A figura de João assinala a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento: é o último dos Profetas e a primeira das testemunhas de Jesus. A sua dignidade particular consiste em que, enquanto os outros Profetas tinham anunciado Cristo desde longe, João Baptista indica-O já com o dedo (cfr Ioh 1,29; Mt 11, 9-11).

O baptismo do Precursor não era ainda o Baptismo cristão, mas um rito de penitência; prefigurava, porém, as disposições para receber o Baptismo cristão: fé em Cristo, o Messias, fonte de toda a graça, e afastamento voluntário do pecado.

  1. «Confessando os seus pecados»: O facto de aproxi­mar-se do baptismo de João supunha reconhecer a própria condição de pecador, visto que tal rito significava precisa­mente isso: anunciava, pois, o perdão dos pecados pela conversão do coração, e facilitava a remoção dos obstáculos de cada um diante do advento do Reino (Lc 3, 10-14).

Esta confissão dos pecados é diferente do sacramento cristão da Penitência. Não obstante, era agradável a Deus como sinal do arrependimento interior, acompanhado de frutos dignos de penitência (Mt 3, 7-10; Lc 3, 7-9). No sacramento da Penitência, a confissão oral dos pecados será um requisito essencial para receber o perdão de Deus. Neste sentido se pronunciava há pouco João Paulo II: «Tende presente que ainda está vigente e está-lo-á sempre na Igreja a doutrina do Concilio de Trento acerca da necessidade da confissão íntegra dos pecados mortais (sess. XIV, cap. 5 e can. 7); está vigente e está-lo-á sempre na Igreja a norma inculcada por São Paulo e pelo mesmo Concilio de Trento, em virtude da qual, para a recepção digna da Eucaristia deve preceder a confissão dos pecados, quando alguém está consciente de pecado mortal (sess. XIII, cap. 7 e can. 11)» (Discurso à Sagrada Penitenciaria Apostólica, 30-1-1981).

  1. «Baptizar no Espírito Santo» refere-se ao Baptismo que Cristo vai instituir, e marca a sua diferença com o de João. No baptismo de João só era significada a graça, como nos outros ritos do Antigo Testamento. «Pelo Baptismo da Nova Lei os homens são baptizados interiormente pelo Espírito Santo, coisa que só Deus faz. Pelo contrário, pelo baptismo de João só era lavado com água o corpo» (Suma Teológica, III, q. 38, a. 2 ad 1). No Baptismo cristão, instituído por Nosso Senhor, o rito baptismal não só significa a graça, mas causa-a eficazmente, isto é, confere-a.

«O sacramento do Baptismo confere a primeira graça santificante, pela qual é perdoado o pecado original, e também os actuais, se os há; remite toda a pena por eles devida; imprime o caracter de cristãos; faz-nos filhos de Deus, mem­bros da Igreja e herdeiros da glória, e habilita-nos para receber os outros sacramentos» (Catecismo Maior, n.° 553).

Como todas as realidades pertencentes à santificação das almas, os efeitos do Baptismo cristão são atribuídos ao Espírito Santo, o «Santificador». Deve advertir-se que, como todas as obras ad extra de Deus (isto é, que são exteriores à vida íntima da Santíssima Trindade), a santificação das almas é obra comum das três Pessoas Divinas.

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