In Evangelho do dia

16Daqui a pouco já Me não vereis e pouco depois voltareis a ver-Me. 17Disseram então alguns dos discípulos entre si: Que é isto que Ele nos diz: «daqui a pouco não mais Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me», e ainda: «Eu vou para o Pai»? 18Per­guntavam, pois: Que é esse pouco de que Ele fala? Não sabemos o que está a dizer! 19Jesus percebeu que O queriam interrogar e disse-lhes: Estais inquirindo entre vós sobre isto que Eu disse: «Daqui a pouco não Me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me»? 20Em verdade, em verdade vos digo: Vós haveis de chorar e lamentar-vos, e o mundo alegrar-se-á. Vós haveis de entristecer-vos, mas a vossa tristeza tornar-se-á em alegria.

Comentário

16-22. O Senhor tinha consolado antes os discípulos asseverando-lhes que depois da Sua partida lhes enviaria o Espírito Santo (v. 7). Agora dá-lhes outro motivo de conso­lação: a Sua partida não será definitiva, mas voltará a estar com eles. Não obstante, os Apóstolos não acabam de enten­der o que lhes quer dizer, e interrogam-se uns aos outros sobre o sentido das palavras do Mestre. O Senhor não lhes dá uma explicação directa, quiçá porque não seriam capazes de compreender, como já noutras ocasiões (cfr Mt 16,21-23 e par.). Pelo contrário, insiste na alegria que virá depois dessa tristeza que agora os embarga. E assim anuncia-lhes que, depois das tribulações, terão um gozo completo que não perderão jamais (cfr Ioh 17,13). Refere-Se, antes de mais, à alegria da Ressurreição (cfr Lc 24,41), mas também ao encontro definitivo com Jesus no Céu. Esta imagem da mulher que dá à luz, que é muito frequente no Antigo Testa­mento para exprimir a dor intensa, costuma empregar-se também, sobretudo nos Profetas, para significar o parto do novo povo messiânico (cfr Is 21,3;26,17; 66,7; ler 30,6; Os 13,13; Mich 4,9-10). As palavras de Jesus, que o presente passo do Evangelho recolhe, parecem ter uma relação com tais profecias, das quais constituiriam o seu cumprimento. O nascimento do povo messiânico — a Igreja de Cristo — comporta dores intensas não só para Jesus, mas também, na sua medida, para os Apóstolos. Mas essas dores, como de  parto, ver-se-ão compensadas pelo gozo da consumação do Reino de Cristo: «Porque estou convencido — diz São Paulo — de que os padecimentos do tempo presente não são compa­ráveis com a glória que se há-de manifestar em nós» (Rom 8,18).

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