In Evangelho do dia

1Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se do Jordão e, no deserto, foi conduzido pelo Espírito 2durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo. Nada comeu nesses dias e, quando eles terminaram, sentiu fome. 3Disse-Lhe o Diabo: Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão. 4Respondeu-lhes Jesus: Está escrito: Nem só de pão vive o homem. 5Levando-O para O alto, mostrou-Lhe num instante todos os reinos do Universo. – 6Dar-Te-ei todo este poderio e a sua glória – disse-Lhe o Diabo – porque me está entregue e o dou a quem quiser. 7Se Tu, pois, Te prostrares diante de mim, todo ele será Teu. 8Disse-lhe Jesus, em resposta: “Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, é que hás-de adorar e só a Ele prestarás culto”. 911Levou-O ainda a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do Templo e disse-Lhe: Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, 10pois está escrito: Ordenará aos Seus Anjos que olhem por Ti, a fim de que eles Te guardem.

11E também: Nas mãos Te hão-de tomar, não vás bater com o Teu pé nalguma pedra. 12Disse-lhe Jesus, em resposta: Está declarado: Não tentarás ao Senhor, teu Deus. 13E, tendo esgotado toda a espécie de tentação, retirou-se o Diabo de junto d’Ele, até um certo tempo.

Comentário

1-13. Nas tentações do deserto intervém o diabo na vida de Jesus Cristo pela primeira vez e abertamente. O Senhor ia começar o Seu ministério público e, portanto, tratava-se de um momento particularmente importante da obra da Salvação.

«É uma cena cheia de mistério, que o homem em vão pretende entender – Deus que Se submete à tentação, que deixa atuar o Maligno… – mas que pode ser meditada, pedindo ao Senhor que nos faça compreender a lição nela contida» (Cristo que passa, n. 61).

Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, fez-Se semelhante a nós em tudo, exceto no pecado (cfr. Phil 2,7; Heb 2,17; 4,15), e submeteu-Se voluntariamente à tentação. «Ditosos de nós! – exclama São João B. Maria Vianney – que ventura para nós ter um Deus por modelo! Somos pobres? Temos um Deus que nasce num presépio, recostado num monte de palha. Somos desprezados? Temos um Deus que nisso nos leva a dianteira, que foi coroado de espinhos, investido de um vil manto de púrpura, e tratado como um louco. Atormentam-nos as penas e sofrimentos? Temos diante dos nossos olhos um Deus coberto de chagas, e que morre no meio de umas dores tais que escapam à nossa compreensão. Sofremos perseguições? Pois bem, como nos atreveremos a queixar-nos, quando temos um Deus que morre pelos Seus próprios verdugos? Finalmente, padecemos tentações do demônio? Temos o nosso amável Redentor que foi também tentado pelo demônio, e levado duas vezes por aquele espírito infernal; de maneira que em qualquer estado de sofrimentos, de penas ou de tentações em que nos achemos, temos sempre e em toda a parte o nosso Deus indo à nossa frente, e assegurando-nos a vitória quantas vezes a desejemos de veras» (Sermões escolhidos, Primeiro Domingo de Quaresma).

Jesus ensina-nos, portanto, que ninguém deve considerar-se seguro e isento de tentações; mostra-nos a maneira de as vencer e exorta-nos, por fim, a que tenhamos confiança na Sua misericórdia, já que Ele também experimentou as tentações (cfr. Heb 2,18).

Para uma explicação mais pormenorizada deste passo, cfr. as notas a Mt 4,3-11.

  1.   Nas tentações do Senhor estão resumidas todas as que podem acontecer ao homem: «Não diria a Sagrada Escritura, comenta São Tomás, que acabada toda a tentação ; o diabo se retirou d’Ele, se nas três não se achasse a matéria de todos os pecados. Porque a causa das tentações são as causas das concupiscências: o deleite da carne, o afã de glória e a ambição de poder» (Suma Teológica, III, q. 41, a. 4ad4).

Ao vencer todo o gênero de tentações, Jesus Cristo dá-nos exemplo de como temos de comportar-nos diante das insídias do demônio. Foi tentado como homem e como homem as superou: « Não agiu como Deus usando do Seu poder — de que, então, nos teria aproveitado o Seu exemplo?:—, mas, como homem, serviu-Se dos auxílios que tem em comum connosco» (Expositio Evangelii sec. Lucam, ad loc.).

Queria ensinar-nos os meios para vencer, o diabo: a oração, o jejum, a vigilância, não dialogar com a tentação, ter nos lábios as palavras de Deus na Escritura, e pôr a confiança no Senhor. Essas são as armas.

«Até um certo tempo», isto é, o da Paixão de Cristo. Na vida pública do Senhor aparece com frequência o diabo (cfr, p. ex., Mc 12,28), mas será no momento da Paixão — «esta é a vossa hora e o domínio das trevas» (Lc 22,53) — quando se manifesta claramente a sua actuação tentadora. Jesus Cristo adverte disso os Seus discípulos e assegura-lhes de novo a vitória (cfr Ioh 12;31; 14,30). Com a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo o poder do demônio fica definitivamente aniquilado. E em virtude desta vitória podemos superar todas as tentações.

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