In Evangelho do dia

13Estava próxima a Páscoa dos Judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 14Encontrou no Templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas, e os cambistas abancados. 15Fez um chicote de cordas e a todos expulsou do Templo, incluindo as ovelhas e os bois; des­pejou os trocos dos banqueiros, derribando-lhes as mesas, I6e disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui; não façais da casa de Meu Pai casa de comércio, ‘lembra­ram-se os discípulos de que estava escrito: Devorar-Me-á o zelo pela Tua casa. 18Tomaram então os Judeus a palavra e perguntaram-Lhe: Que sinal nos apresentas para assim procederes? 19Respondeu-lhes Jesus: Desfazei este Santuário e Eu em três dias o levantarei. 20Disseram então os Judeus: Há quarenta e seis anos que se tem estado a construir este Santuário, e Tu em três dias o hás-de levantar? 21Ele, porém, dizia isto a respeito do Santuário do Seu corpo. 22Por isso, quando ressuscitou dos mortos, recordaram-se os discípulos de que Ele o tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra que Jesus pronunciara.

Comentário

  1. «Páscoa dos Judeus»: Era a festa religiosa mais importante do povo do Antigo Testamento, prefiguração da Páscoa cristã (cfr a nota a Mt 26,2). A Páscoa judaica cele­brava-se no dia 14 do mês de Nisan e a seguir vinha a semana festiva dos Ázimos (pão sem fermento). Segundo a Lei de Moisés, em tais dias todo o israelita devia «apresentar-se diante do Senhor» (Ex 34,23; Dt 16,16). Isto explica o pie­doso costume da peregrinação ao Templo de Jerusalém para estas festas, a grande aglomeração de gente e a afluência de vendedores, que abasteciam as necessidades dos peregrinos, mas que davam lugar a sérios abusos.

«Jesus subiu a Jerusalém»: Com isso faz manifestação pública da Sua observância da Lei de Deus. Mas, segundo mostram os factos que acontecem a seguir, vê-se que Jesus Cristo acorre ao Templo como quem é: o Filho Unigênito, que deve velar pelo decoro e pela honra devidos à Casa de Seu Pai. «E desde então Jesus, o Ungido de Deus, começa sempre por reformar os abusos e purificar do pecado; tanto quando visita a Sua Igreja, como quando visita a alma cristã» (Origenes, Homílias sobre São João, 1).

14-15. Todo o israelita tinha de oferecer como sacrifício na festa da Páscoa um boi ou uma ovelha, se era rico; ou duas rolas ou dois pombos, se era pobre (Lev 5,7). Além disso, devia pagar cada ano meio siclo, se tinha feito os 20 anos. O meio siclo, que equivalia ao jornal de um operário, era uma moeda especial, chamada também moeda do Templo (Ex 30,13); as outras moedas em uso (denários, dracmas, etc.), por levarem impressas a efígie de autoridades pagas, eram consideradas impuras. Por ocasião da Páscoa, quando o concurso de gente era maior, o átrio exterior do Templo ou pátio dos gentios enchia-se de vendedores, cambistas, etc., com as consequências imagináveis: ruído, vozearia, mugidos, estéreo… Já os profetas tinham fustigado tal abuso (cfr Zach 14,21) introduzido com a autorização tácita das autoridades do Templo, que obtinham assim boas receitas. Cfr as notas a Mt 21,12-13 e a Mc 11,15-18.

16-17. «Devorar-me-á o zelo pela Tua casa»: Trata-se de uma citação do Salmo 69,10. Jesus acaba de fazer uma afirmação transcendente: «Não façais da casa de Meu Pai casa de comércio». Ao chamar a Deus Seu Pai e ao actuar com grande fortaleza, proclama-Se diante de todos o Messias Filho de Deus. O zelo de Jesus pela glória de Seu Pai não passou despercebido aos discípulos, que viram na Sua con­duta cumpridas as palavras do Salmo 69.

18-22. O Templo de Jerusalém, que tinha substituído o antigo Santuário que os israelitas transportavam no deserto, era o lugar escolhido por Deus durante o Antigo Testa­mento para manifestar de uma maneira especial a Sua presença no meio do povo. Mas essa realidade antiga era apenas uma figura ou antecipação imperfeita da realidade plena da presença de Deus entre os homens, que é o Verbo de Deus feito carne. Jesus, em que «habita toda a plenitude da divindade corporalmente» (Col 2,9), é a plena presença de Deus aqui na terra e, portanto, o verdadeiro Templo de Deus. Jesus identifica o Templo de Jerusalém com o Seu próprio Corpo, e deste modo refere-Se a uma das verdades mais profundas sobre Si mesmo: a Encarnação. Depois da Ascen­são do Senhor aos Céus essa presença real e especialíssima de Deus no meio dos homens continua no sacramento da Santíssima Eucaristia.

O comportamento e as expressões de Cristo quando ex­pulsava os vendedores do Templo manifestam claramente que Ele é o Messias anunciado pelos profetas. Por isto se aproximam alguns judeus e Lhe pedem um sinal do Seu poder (cfr Mt 16,1; Mc 8,11; Lc 11,29). As autoridades judai­cas tentaram transformar a resposta de Jesus (v. 20), que ficou obscura até ao momento da Sua Ressurreição, numa invectiva contra o Templo, digna da pena de morte (Mt 26,61; Mc 14,58; cfr ler 26,4 ss.); utilizaram-na depois com sarcasmo contra o Senhor agonizante na Cruz (Mt 27,40; Mc 15,29) e, mais tarde, bastou-lhes ouvi-la repetir a Santo Estêvão para o acusarem perante o Sinédrio (Act 6,14).

Nas palavras pronunciadas por Jesus não há nada depre­ciativo, como pretenderiam depois as falsas testemunhas. O milagre que lhes oferece, a que chama «o sinal de Jonas» (cfr Mt 16,4) será a Sua própria Ressurreição ao terceiro dia. Para indicar a grandiosidade do milagre da Sua Ressur­reição, Jesus recorre a uma metáfora: é como se dissesse: Vedes/ este Templo? Pois bem, imaginai-o destruído. Não seria um grande milagre reconstruí-lo em três dias? Isto farei Eu como sinal. Porque vós destruireis o Meu Corpo, que é o Templo verdadeiro, e Eu o voltarei a levantar ao terceiro dia.

A declaração de que Jesus é o Templo de Deus ficou encoberta para todos. Judeus e discípulos pensaram que o Senhor falava de voltar a edificar o Templo que Herodes o Grande tinha começado a construir no ano 19-20 a.C. Os discípulos entenderam depois o verdadeiro sentido da ex­pressão.

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