In Evangelho do dia

31Deixando novamente a região de Tiro, veio por Sidónia, para o mar da Galileia, através do território da Decápole. 32Trazem-Lhe um surdo-tartamudo e pedem-Lhe que lhe imponha as mãos. 33E Ele, tomando-o consigo aparte, longe da multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com a saliva tocou-lhe a língua. 34Depois, levantando os olhos ao céu, suspirou e disse-lhe: Effathá! — isto é — Abre-te! 35E imediatamente se lhe abriram os ouvidos e se desatou a prisão da língua e falava expeditamente. Ele mandou-lhes que o não contassem a ninguém. 36Mas quanto mais lho mandava, tanto mais eles o apregoavam 37e, fora de si de espanto, diziam: Tudo faz bem: faz ouvir os surdos e falar os mudos.

Comentário

32-33. Com alguma frequência aparece na Sagrada Escritura a imposição das mãos como gesto para transmitir poderes ou bênçãos (cfr Gen 48,14ss.; 2Reg 5.11; Lc 13,13). De todos é conhecido que a saliva tem certa eficácia para aliviar feridas leves. Os dedos simbolizavam na linguagem da Revelação uma acção divina poderosa (cfr Ex 8,19; Ps 8,4; Lc 11,20). Jesus, pois, emprega sinais que têm uma certa conaturalidade em relação com o efeito que se pretende produzir, ainda que, como vemos pelo texto, o efeito — a cura imediata do surdo-mudo — exceda completamente o sinal empregado.

No milagre do surdo-tartamudo podemos encontrar, além disso, uma imagem da actuação de Deus nas almas: para crer é necessário que Deus abra o nosso coração a fim de que possamos escutar a Sua palavra. Depois, como os Apóstolos, poderemos anunciar com a nossa língua as magnalia Dei, as grandezas divinas (cfr Act 2,11). Na Liturgia da Igreja (cfr o hino Veni Creator) o Espírito Santo é comparado ao dedo da mão direita de Deus Pai (Digitus paternae dexterae). O Consolador realiza nas nossas almas, na ordem sobrenatural, efeitos comparáveis aos que Cristo realizou no corpo do surdo-tartamudo.

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