In Evangelho do dia

32 Quando estes iam a sair, apresentaram-Lhe um mudo e
endemoninhado. 33 E, expulso o Demônio, falou o mudo, e a multidão admirada
dizia: Nunca se viu coisa assim em Israel. 34 Os Fariseus, porém, diziam: É pelo
Príncipe dos Demônios que Ele expulsa os Demônios.
35 E Jesus andava por todas as cidades e aldeias, a ensinar nas
sinagogas, a pregar o Evangelho do Reino e a curar todas as doenças e todas
as enfermidades. 36 Ao ver a multidão, condoeu-Se dela, porque andavam
maltratados e abatidos, como ovelhas sem pastor. 37 Então disse aos discípulos:
A messe é grande, mas os trabalhadores, poucos. 38 Rogai, pois, ao Senhor da
messe que envie trabalhadores para a Sua messe.

Comentário

35. O Concilio Vaticano II recorre a este lugar para assinalar a
mensagem de caridade cristã que a Igreja deve levar a toda a parte:
«Efetivamente, a caridade cristã a todos se estende sem discriminação de
raça, condição social ou religião; não espera qualquer lucro ou agradecimento.
portanto, assim como Deus nos amou com um amor gratuito, assim também os
fiéis, pela sua caridade, sejam solícitos para com os homens, amando-os com
o mesmo zelo com que Deus veio procurá-los. E assim como Cristo percorria
todas as cidades e aldeias, curando todas as doenças e todas as
enfermidades, proclamando o advento do reino de Deus, do mesmo modo a
Igreja, por meio dos seus filhos, estabelece relações com os homens de
qualquer condição, de modo especial com os pobres e aflitos, e de bom grado
por eles gasta as forças» (Adgentes, n. 12).
36. «Condoeu-Se dela»: O verbo grego é profundamente expressivo:
«comover-se nas entranhas». Jesus, com efeito, comoveu-Se ao ver o povo,
porque os seus pastores, em vez de o guiarem e cuidarem dele, o
desencaminhavam, comportando-se mais como lobos do que como
verdadeiros pastores do seu próprio rebanho. Jesus vê na situação do Seu
tempo cumprida a profecia de Ez 34, em que Deus, por meio do profeta,
increpa os maus pastores de Israel, em substituição dos quais enviará o
Messias.
«Se fôssemos consequentes com a nossa fé, quando olhássemos à
nossa volta e contemplássemos o espectáculo da História e do Mundo, não
poderíamos deixar de sentir crescer nos nossos corações os mesmos
sentimentos que animaram o de Jesus Cristo» (Cristo que passa, n° 133). Com
efeito, a consideração das necessidades espirituais do mundo deve levar-nos a
um infatigável e generoso trabalho apostólico.
37-38. À contemplação da multidão abandonada pelos seus pastores,
seguem-se as palavras de Jesus que nos apresentam, sob a imagem da
messe, essa mesma multidão preparada para que se realize nela a obra da
Redenção: «Levantai os vossos olhos e vede os campos que estão dourados
para a sega» (Ioh 4, 35). O campo arroteado pelos Profetas, ultimamente por
São João Baptista, está já coberto de espigas maduras. Do mesmo modo que
nos trabalhos do campo se não se sega no momento oportuno a colheita se
perde, assim na Igreja se sente ao longo dos séculos a urgência de colher a
messe, que é muita e está preparada.

A dificuldade é que agora, como nos tempos de Jesus, os obreiros são
poucos em proporção com a tarefa. A solução é dada pelo próprio Senhor:
orar, rogar a Deus, Dono da messe, para que envie os obreiros necessários.
Será difícil que um cristão, que se ponha a rezar de verdade, não se sinta
urgido a participar pessoalmente neste trabalho apostólico. Ao cumprir este
mandato de Jesus Cristo, deve pedir-se de modo especial que não faltem os
bons pastores, que deem aos outros operários da messe os meios de
santificação necessários para a tarefa apostólica.
Na verdade, recorda-nos o Papa Paulo VI: «A responsabilidade da
difusão do Evangelho que salva é de todos, de todos os que o receberam. O
dever missionário recai sobre todo o Corpo da Igreja. De maneira e em
medidas diferentes, é certo; mas todos, todos devemos ser solidários no
cumprimento deste dever. Assim pois, que a consciência de cada crente se
pergunte: Tenho cumprido o meu dever missionário A oração pelas Missões é
o primeiro modo de pôr em prática este dever» (Alocução na recitação do
Angelus, 23-X-1977).

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